quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Diga xis!

Eaí, gente. Vou rechear o ano de 2013 com um texto antigo meu por mês (todos publicados há quase dez anos). Farei isso à medida de diversão: diversão de VOCÊS em verem como eu era um adolescente chato, desocupado, medíocre, pedante e que achava saber escrever. Pensem nisto aqui como profanação comemoração aos dez anos que estou por aqui contaminando a internet com meus textículos. Como um amigo me dizia na época, era uma fase difícil de minha vida, em que eu passava por dramas como acabar o nescau na geladeira ou a tampinha do danoninho vir sem restinho de iogurte. Então, após uma sofrível triagem em meio a textos ainda piores, me saí com doze, que serão mensalmente publicados para proporcionar a vocês um óbvio choque de gerações. Ou não, caetanisticamente falando. Torturem-se Divirtam-se.


Fotos são quixotescas? Ou somente as cores assim agem na composição do fracionário universo -- que cunha em celulose, pixels e vários métodos propostos pela tecnologia -- do déja-vu maquiado duma foto? Contar histórias torna-se algo mais testemunhável por meio de fotos; uma fábrica de universos paralelos que transformam as pessoas em meros atores itinerantes. Quer dizer, por natureza as pessoas são meros atores, mas co fotos elas se tornam marqueteiras cármicas de si mesmas. São crias, sem perceber, do ideologicamente esférico Dom Quixote, o sagaz, trágico e convictamente ultrapassado cavaleiro da literatura.

Fotos são sobre leituras e limites visuais? Pudores de imagens demonstram capacidade de ainda se indignar, ou meros tabus empíricos? Conceitos visuais evoluem de que modo no ponto-de-vista diacrônico dos homens? Anulando e reforçando pré-conceitos? Cores renascentistas e ousadias minimalistas: talvez haja uma busca além do nada. Uma linguagem além de diretriz estética qualquer. que esclareça os insights por trás dos contornos, dos enquandramentos e dos pontos de cor, um genoma cromático. Um descritor a mais para sentimentos, com menos arbitrariedades visuais e mais traduções de Zeitgeists. Quebra-cabeças descobertos mais eficientes do que parecem para constituir melhor existências inteiras e personalidades contextuais que não podem ser tão simplesmente definidas assim.

Labirinto dimensional sob a morfina da interpretação ocular individual, fotos alimentam o espírito ou nutrem a mente? Adestram a índole, diria. Fazem o sentimento ocupar vários lugares ao mesmo tempo no espaço. E o corpo padecer num só. Constróem o sentido da vida e desconstróem a uniformidade da interpretação, dirtriz comportamental que nos salva ou nos condena ao totalitarismo de signos. Aparências. O poder da beleza oprimindo, com sua promessa de atenuação, mentes lacanianamente angustiadas que se pintam de aquarela expressionista num mundo de visões por demais impressionistas.


(originalmente publicado em 22/11/2005)

Um comentário:

  1. ♪~ (assovio)

    Deixa ver... isso é para dizer que não devemos confiar nos nossos olhos?

    Interessante...

    Até mais ver
    mr.poneis

    ps.: É um dispositivo que utiliza luz para cortar delicadas fatias do tempo...

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