domingo, 17 de novembro de 2013

Amor e respeito se confundem facilmente?

Eaí, gente. Vou rechear o ano de 2013 com um texto antigo meu por mês (todos publicados há quase dez anos). Farei isso à medida de diversão: diversão de VOCÊS em verem como eu era um adolescente chato, desocupado, medíocre, pedante e que achava saber escrever. Pensem nisto aqui como profanação comemoração aos dez anos que estou por aqui contaminando a internet com meus textículos. Como um amigo me dizia na época, era uma fase difícil de minha vida, em que eu passava por dramas como acabar o nescau na geladeira ou a tampinha do danoninho vir sem restinho de iogurte. Então, após uma sofrível triagem em meio a textos ainda piores, me saí com doze, que serão mensalmente publicados para proporcionar a vocês um óbvio choque de gerações. Ou não, caetanisticamente falando. Torturem-se Divirtam-se.



Amor e respeito se confundem facilmente? Há conexões que resistem ao rompimento de laços oficiais de união entre casais, nesse quesito. O amor intenso e insano o suficiente para fazer com que os pombinhos fiquem juntos passa, mas o respeito, não. Por mais baixo que se atinja, em quaisquer aspectos, quem é capaz de perdurar, nem que seja com data de validade, o amor ou o respeito? Os dois coexistem? Dizem que sim, sob o risco de a afeição ser unilateral. Dizem que não, sob o argumento de respeito se tratar de, para muitos, mera formalidade. Mas, às vezes, não é que o respeito deixe de ser provido pelo ser amado; se este faltar no ser que ama, o que acontece? A relação se torna algo assistencial. O que muitos aprovam, veja só. Entra cá o altruísmo mascarado de se ajudar ao próximo sem se pensar em retorno. Bom, as pessoas tendem a achar que realmente podem gostar de alguém sem precisar se preocupar com a característica de "caridade" nisso envolto. Com essa noção assistencial do gostar, como será que as instituições comportamentais se portariam? Com caráter menos ancestral em relação aos dotes? Com posturas mais volúveis? Vale lembrar que, não raro, um repele o outro. Amor angustia, respeito ampara. Amor confunde, respeito coopta. Há um quê de conivência nisso. Ação no estático do afeto é dispensável. Não estranharia se, daqui a séculos, olhares, gestos e palavras fossem considerados rompantes a regras de etiqueta. Por mais que se manifeste, o silêncio do respeito se silencia ao lado do barulho do amor. E parece que disso não passamos: testemunhas companheiras que aceitam ser regidas pela lei do silêncio.


(originalmente publicado em 16/11/2005)