segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Prazer e diversão são a mesma coisa?

Eaí, gente. Vou rechear o ano de 2013 com um texto antigo meu por mês (todos publicados há quase dez anos). Farei isso à medida de diversão: diversão de VOCÊS em verem como eu era um adolescente chato, desocupado, medíocre, pedante e que achava saber escrever. Pensem nisto aqui como profanação comemoração aos dez anos que estou por aqui contaminando a internet com meus textículos. Como um amigo me dizia na época, era uma fase difícil de minha vida, em que eu passava por dramas como acabar o nescau na geladeira ou a tampinha do danoninho vir sem restinho de iogurte. Então, após uma sofrível triagem em meio a textos ainda piores, me saí com doze, que serão mensalmente publicados para proporcionar a vocês um óbvio choque de gerações. Ou não, caetanisticamente falando. Torturem-se Divirtam-se.



Prazer é como silêncio que precede e sucede sincronicamente o barulho: um transcender da vazão do sempre pro recipiente do temporário. O êxtase diluído na vastidão do sempre torna-se altamente concentrado no temporário. O instante sintetiza o epopéico buscar inserido outrora no sempre. O viver é tântrico com seus espasmos. O prazer é síncope dos nossos impulsos e instintos. A fruição é sincopar o mundo em nosso ponto de vista, apocopando, no recipiente do temporário, o pulsar duma lascívia idealizadora em negação, que fica sem onde se esconder com a chegada do silêncio que rodeia os limiares das fronteiras da personalidade.


Prazer em drogas são atalhos. Prazer em si é egoísmo crente no opcional dos fins desdenharem os meios. Prazer de si a outro é outro atalho, por mais crueldade e desdém que isso possa vir a conter. Prazer a si de outro é fruição feudalista: frua enquanto puder que apenas ao mundo o prazer pertence. O tão desejado auge de sincopado fluxo de interpretação especial com teoria emocional é como a atmosfera sob sua cabeça: apenas a gravidade decide a altura em que você se posicionará. Prazer em conhecer. Sendo prazer fórmula bruta e engarrafada da estática felicidade (vide post de dezembro do ano passado), a percepção viaja sem sair do lugar. É quando as fronteiras da personalidade reivindicam novos territórios para seus combatentes. Invadindo aldeias do afeto casto, ateando fogo nos artesãos da memória, molestando as descendências da moralidade. Enfim, prazer é felação pro ego.

E diversão, é distração? Diversão "mata o tempo para este te enterrar" ou "mata o tempo para este não te matar"? Frases dos opostos Machado e Mano Brown à parte, talvez diversão seja o processo que precede o prazer, o de separar o visado num recipiente hermeticamente selado pelo temporário. Seria diversão todo um prazer semidissipado? Com certeza não é estático como o prazer e a felicidade. Sendo assim, é então onipresença que não respeita as fronteiras da personalidade. Verdadeiro posseira, a tal da diversão. Em território devoluto, bem na acepção que cá estamos dando. Cigana, dissidente, andarilha a ponto de perpassar e coadunar por seus agoniantes opostos, e sequer perceber. Mochileira que trafica o cativar e deixa apenas a saudade em seu trajeto. Prazer é cor. Diversão é tinta da pintura. E a moldura?

Imagem encontrada no site 1000imagens.com; autoria de Victor Melo


(originalmente publicado em 19/10/2005)

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