quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O Brasil não é para amadores (VI)

Populismo

O período histórico compreendido entre o final da Segunda Guerra Mundial e 1964 foi "batizado" pelos historiadores e sociólogos de populista.

Segundo esses autores, o populismo corresponderia a uma forma específica de ação política, um método, mais do que propriamente um programa político. Em linhas gerais, o populismo de caracterizaria pela existência de um líder político carismático, cujos recursos de oratória e personalidade fossem capazes de conquistar a simpatia das massas rurais e urbanas. A força eleitoral desse líder não estaria na organização e no poder de seu partido ou de organismos da sociedade civil que o apoiassem. Seria, sim, o resultado de uma relação, de uma comunicação direta que o líder manteria com a massa de eleitores. Como consequência, nas sociedades marcadas pelo populismo, seria muito baixo o nível de organização das classes e dos grupos sociais, originando partidos fracos.

As classes populares, num contexto como esse, tenderiam a acreditar que a satisfação de suas reivindicações não seria resultado de sua ação organizada em partidos, sindicatos, associações de bairro e núcleos comunitários, mas, sim, fruto da ação de um chefe, de um salvador, que, no poder, tomaria medidas que lhes fossem benéficas. Criava-se, portanto, um círculo vicioso: as massas depositariam no líder a responsabilidade de realizar as reformas e não se organizariam; desorganizadas, não teriam como lutar pelas suas reivindicações e depositariam todas as suas esperanças no líder carismático. Haveria, assim, uma relação direta entre a intensidade da liderança do chefe populista e o grau de desorganização da sociedade civil.

Nesse esquema, as massas seriam vítimas dos mais variados tipos de manipulação. As medidas tomadas pelos chefes populistas teriam sempre caráter demagógico, isto é, seriam paliativas e não resolveriam os problemas.

Para os estudiosos que elaboraram esse conceito, ele se aplicaria aos mais variados tipos de lideranças políticas nacionais. Seriam populistas Getúlio Vargas (no segundo governo), Jânio Quadros, Leonel Brizola, João Goulart e Ademar de Barros. Ora, como um conceito que abarca políticos tão diferentes pode ser capaz de explicar alguma coisa importante a respeito de cada um deles?

Com o tempo, esse conceito começou a ser muito utilizado pela imprensa e foi se simplificando cada vez mais, até se tornar praticamente sinônimo de enganação, manipulação, traição e por aí afora. Em síntese, o político populista seria aquele que engana o povo fazendo promessas que não pode cumprir com o único objetivo de obter votos e vantagens pessoais.

Seguindo esse raciocínio, as lutas do povo brasileiro durante todo esse período e as experiências acumuladas nessa fase não poderiam ser muito valorizadas ou levadas a sério. Afinal, foram fruto de um jogo político de manipulação e enganação, no qual o povo em geral e os trabalhadores em particular saíram sempre perdendo. É interessante notar que essas ideias começaram a ser dfendidas e se tornaram verdades consagradas para a direita, a grande imprensa, a TV, o rádio e também para os intelectuais de esquerda, inclusive nos meios universitários, depois do golpe de 1964.

Em síntese, tanto para a direita como para a esquerda universitária, a trajetória política do país, do pós-guerra até o golpe, fora, de forma predominante, um equívoco. Para a direita, o golpe de 1964 viera para consertar esse equívoco e colocar o Brasil num rumo político "correto". A esquerda acadêmica, porém, achava que os trabalhadores deviam buscar para as suas lutas futuras novas fontes de inspiração, novas propostas, novas ideias. A experiência anterior não tinha nada de útil a oferecer.

(...)

Além do mais, aquilo que os sociólogos acadêmicos chamaram de "pacto populista", desenhado por Getúlio no início da década de 1950, estava em sintonia com as tendências mais modernas do capitalismo mundial no pós-guerra. Nesse período, os países industrializados (inspirados pelas teorias de Keynes elaboradas no entreguerras) promoviam a expansão das políticas de Previdência e de Assistência Social, e demonstravam que um modelo de desenvolvimento autossustentável e política de benefícios sociais não eram excludentes.

Apesar desses problemas e das várias interpretações sobre o fenômeno, o conceito de populismo se firmou e se vulgarizou para consumo do "grande público", tornando-se praticamente sinônimo de demagogia e manipulação. Essa associação teve efeitos perversos no proceso político até os dias de hoje. Como no pré-64 as propostas de reformas e benefícios sociais estavam, em parte, associadas aos líderes e partidos dito populistas, produziu-se uma enganosa associação (em especial depois do golpe militar de 1964): políticos e personalidades públicas que se manifestavam contra as injustiças sociais ou propunham reformas e benefícios sociais, quando não eram acusados de comunistas, eram chamados, pela grande imprensa que apoiava o regime militar, de populistas, isto é, manipuladores e demagogos. Eles eram desmoralizados antes mesmo de qualquer discussão sobre a viabilidade de suas propostas. E assim, a política econômica antipopular que se seguiu ao golpe como que ganhava legitimidade ou justificativa, por parecer a última alternativa entre o chamado populismo e o comunismo.


Extraído do livro de Roberson de Oliveira. História do Brasil: análise e reflexão. FTD: 1997, pp. 242-244

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Fomos chamados de idiotas

Semana passada foi escolhido o nome do mascote da Copa do mundo de 2014. O tatu-bola que criaram como identidade visual do evento até que é simpático. Já o nome... escolheram, em voto popular, o nome mais idiota possível. Fuleco! Sinto até minha virilidade ameaçada só de pronunciar esta merda de nome. O nome foi criado com a combinação de futebol mais ecologia. Conforme notícia do Terra, virou piada pronta na internet.

A Fifa anunciou nesta segunda-feira, após votação feita em seu site, que Fuleco será o nome do mascote da Copa do Mundo do Brasil 2014. Os outros concorrentes eram Zuzeco e Amijubi. O resultado parece não ter agradado uma parcela dos torcedores, que, pelo Twitter, criticou a escolha, e levou o assunto aos Trending Topics, lista de tópicos mais comentados no microblog.
“Já que não tinha nenhum nome pior, foi escolhido Fuleco pra fazer a gente pagar mais um mico em 2014”, criticou @MissMoserr. “Fuleiro + Timeco = Fuleco”, escreveram muitos internautas ironizando a Seleção.

“Calma, Fuleco. Com 18 anos, tu vai no cartório e troca de nome”, brincou @FCMuriloCouto_. “Pra mim Fuleco tá lindo, gente! Acho que eu nem saberia chamar esse Tatu de Zuzeco ou Amijubi”

Foram mais de 1,7 milhão de votos para batizar o tatu-bola, espécie de tatu que para se proteger se converte em bola, e está ameaçado de extinção. O nome surgiu da combinação de “futebol” e “ecologia”, e teve 48% dos votos.

Zuzeco, que teve 21% dos votos, nasceu da combinação entre “azul” e “ecologia”, e Amijubi é a mistura das palavras “amizade e “júbilo”.

Quem dera parasse por aí todo o ridículo que este evento futebolístico, devidamente sintetizado neste nome idiota, viesse a nos trazer (justo quando escolhem um mascote mais carismático, rola uma dessas). Confiram abaixo duas traduções que encontrei para o termo (do Priberam e do Dicionário informal):

fulecar (origem obscura)
v. intr.[Brasil] Perder, ao jogo, todo o dinheiro que se leva.Confrontar: folecar.

Fuleco 
Fuleco é um apelido para o ânus.O mesmo que cu.


Confesso que a tradução do Dicionário informal tem tudo pra ser pegadinha, trollagem de algum usuário. A postagem é de 26 de novembro, coincidentemente apenas alguns dias após divulgação do nome do mascote. Mas isso não importa. O que importa é que a organização do evento deu um jeito de esfregar na nossa cara a lambança que está sendo feita com o dinheiro público para construir pela metade a infra-estrutura necessária para uma copa do mundo, gastando dez vezes mais. Embutiram no nome do mascote a opinião institucional da Fifa (não apenas institucional, convenhamos) de que, como o deputado Romário disse, a certeza de que "a Copa do Mundo será o maior roubo da história". Bem que eu estava desconfiando desse papo de o nome ser combinação de "futebol e ecologia". Se fosse o caso, porque não futeco?

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Impressões sobre um povo em extinção

O Uruguai é uma espécie de elo perdido entre o Brasil e a Argentina. Um povo de notável introspecção, que jamais te interrompe enquanto você fala. Sim, eu como brasileiro acho isso muuuito estranho. Uma fronteira entre a eterna autocomiseração tupiniquim e o ufanismo desmedido portenho, o uruguaio se mantém à margem do autorretrato melancólico cultural portenho e o sincretismo tupiniquim. A limpeza étnica dos colonizadores não deixou nenhum índio remanescente dos tempos coloniais para atestar a história anterior aos espanhóis  O que conheci da dança uruguaia, por exemplo, virou espetáculo do povo dominador numa famosa casa de espetáculos de lá, El milongón. Deve ter sido o único local da cidade onde vi um negro, pra vocês terem uma ideia. E dançando o candombe, que prontamente explicam, antes do espetáculo, nada ter a ver com nossa herança africana quase homônima.

Surgido de um acordo intermediado pelos ingleses com Brasil e Argentina, após a Guerra da Cisplatina, foi uma das pouquíssimas derrotas da classe política nacional do século XIX em seu esforço de manter o país uno. Justamente pelo temor de o Império brasileiro tentar a recolonização. Ou seja, por temor de o Uruguai virar mais um monumento da mentalidade retrógrada de sua classe política. Medo do atraso histórico, voluntário e involuntário, que tanto assola nosso país. Mas voltando ao Uruguai, o presidente do país, na época em que visitei, após saber que a população do país, de 3,5 milhões de habitantes, havia sofrido uma pequena redução para 3,3 milhões segundo o último Censo, declarou que o povo uruguaio "é um povo em extinção". (...) Em alguns aspectos, pode-se dizer que o Uruguai é o Panamá britânico: com fortes interesses na livre navegação pela Bacia do Rio da Prata, a potência da época intermediou a independência uruguaia. Bacia esta que, a incautos como eu, pareceu à primeira vista extensão do mar. A grandeza da natureza ali é fascinante: fascinante a ponto de ela delimitar parte da fronteira de um país sozinha.

A capital, em linhas gerais, é modesta: concentra quase metade da população do país e a arquitetura em estilo europeu é menos imponente que nos vizinhos do Cone Sul. Ela antes parece se esconder em meio aos prédios baixos apinhados ao longo das Ramblas. O hotel em que fiquei é de localização privilegiada: bem no centro da cidade mesmo, em frente à Plaza de la Independencia, com um prédio-casino anexo. E com uma antagônica bandeira do Catar, junto com a do Uruguai, logo na entrada, lembrando-nos que até o turismo alheio é globalizado hoje em dia: suas férias num canto são lucro para barões do petróleo em outro. O cassino é um local de luxo estranhamente envolvente, com muito tapete e tons vermelhos, onde o barulhinho das máquinas e o contraste do silêncio dos jogos de cartas parecem fazer uma bizarra dança em seus ouvidos, tentando te seduzir a deixar alguns pesos lá mesmo. Assim que se sai do hotel, o visitante é saudado pela estátua de Artigas, o herói nacional. A igreja matriz da cidade se localiza numa ruela adentro, após se passar por um portal ainda nesta praça, escondida no Centro velho, onde vários sebos, livrarias de encher os olhos e lanchonetes oferecendo o imperdível Chivito te aguardam. Ainda falando do Centro velho, as festas de réveillon por lá são bem interessantes. Começam no começo do dia 31, com pessoas comemorando nas ruas e jogando baldes d'água umas nas outras, pelas janelas dos prédios decanos do local. Algo inesperadamente carnavalesco, eu diria. Nesse réveillon em questão, passamos a data no hotel, mesmo, acompanhando de camarote a queima dos fogos diante da ampla janela do oitavo andar. Bem diferente, mesmo.

Em passagem rápida a Punta del Este, vimos as residências aonde a elite do país vai aos finais de semana. Com uma faixa litorânea e várias lojas de grife espalhadas, o local foi feito para se gastar dinheiro mesmo. Para mim não há muito a se falar de lá: é apenas uma região de veraneio. Na volta ao hotel, nesse mesmo dia, tive a oportunidade de conhecer a Casa pueblo, construção de um artista plástico local inspirada naquelas construções das ilhas gregas, com paredes brancas que refletem fortemente o sol, tornando impossível a entrada sem óculos de sol. Bem de frente pro mar mas sem litoral (o local fica bem acima do nível do mar), o local é um instigante labirinto, que brinca com sua noção de espaço o tempo todo, com várias obras dele e um ateliê. O próprio artista, em foto aérea, constata que a casa dele assume forma que lembra bastante o território brasileiro. É no mínimo um museu cujo prédio em si já é uma das obras em exposição.

Quanto aos bares e restaurantes da cidade, me chamou a atenção as carnes, geralmente com pouco sal mas sempre acompanhadas de um tempero à parte, tipo um vinagrete. Num dos restaurantes em que fui, estava tocando Moska ao fundo. Uma delícia. Quem dera nossos bares e restaurantes soubessem combinar com mais propriedade a música que tocam com a atmosfera de seus estabelecimentos.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O Brasil não é para amadores (V)

Trabalho e liberdade

No campo social, a transformação mais importante foi a extinção da escravidão. Com isso, o último obstáculo à generalização do trabalho livre, em suas várias modalidades, foi removido. Essa etapa foi uma das mais importantes no processo de generalização das relações de trabalho tipicamente capitalistas no país. (...) Se de um lado o fim da escravidão implicou um grande benefício para aqueles que ainda eram mantidos no cativeiro, de outro criou uma situação também adversa para os negros.

Eles foram entregues à sua própria sorte numa sociedade que os considerava uma "raça" inferior, indolente e indisciplinada. A variedade de preconceitos associada aos negros praticamente lhes fechou a porta no mercado de trabalho urbano. Nas fazendas, poucos ficaram. A permanência nas propriedades onde foram cativos lhes parecia insuportável. Como se tudo isso não bastasse, mais de três séculos e meio de escravidão enraizaram na mentalidade do negro uma associação entre o trabalho regular e a escravidão. Quer dizer, para os recém-libertados, a ideia de liberdade tinha relação com a ausência de vínculo com o trabalho regular. Isso criou uma série de dificuldades de adaptações às relações de trabalho capitalistas. Esse conjunto de circunstâncias acabou produzindo um único resultado: a integração do negro na sociedade não se realizou. Os ex-escravos e seus descendentes foram condenados às atividades marginais, ao trabalho informal e irregular, com remuneração incerta, longe dos setores-chaves da economia e sem perspectivas de ascensão social.

A única possibilidade de superar esse quadro era lhes propiciar o acesso a uma parcela de terra, para que tivessem condições, pelo menos, de garantir o seu próprio sustento. Mas isso implicava divisão de terras, ou seja, a criação de pequenas propriedades, alternativa que não se harmonizava com um Estado dominado por latifundiários. A falta de uma reforma agrária, na transição do Império para a República, abriu uma enorme "ferida social". Condenou milhares de homens e mulheres a uma condição de miséria, insegurança e marginalidade, produzindo efeitos tão profundos na sociedade brasileira que podem ser notado nitidamente nas estatísticas atuais (...) As heranças da escravidão continuam vivas como nunca. Naturalmente essa situação não se deve apenas ao passado escravista. Deve-se também ao fato de a sociedade brasileira (...) ter feito a opção de não enfrentar esse problema, de ignorar a particularidade da opressão que atinge os negros no Brasil.

Os séculos de escravidão contribuíram também para o desprestígio social do trabalho manual. Considerado trabalho de negro, quem o exercesse estava marcado pela inferioridade social. A contrapartida dessa desvalorização era o excessivo prestígio dado aos bachareis, dedicados a atividades que se colocavam no polo oposto do trabalho manual.



Fonte: Roberson de Oliveira. História do Brasil: Análise e Reflexão. FTD: 1997, pp. 186-187

sábado, 10 de novembro de 2012

Sociologia de boteco

Originalmente publicado mês passado no Piqui roído, de minha autoria (não que isso signifique que o texto tenha algo digno de nota).


Porque tem horas que você vai sobrar na conversa ou o couvert maltratará seus ouvidos. Nessas horas, recorro à sociologia de boteco: basicamente, é uma análise do ser humano em ambientes sociais, seja na hora da conquista, seja na falha desta. Vou elencar aqui alguns momentos épicos que presenciei:

  • Já é ou já era?: tomando todas com uns amigos no Clube de esquina, observamos num dado momento um cara cabeludo que estava a noite toda ao lado de uma menina. Estavam numa mesa longa, mais perto da banda. Conversaram até dizer chega, mas pegar que é bom, nada. Dava pra ver que a menina já estava ficando frustrada. Mãos coladas ao corpo, esperando desesperadamente o cara cumprir seu papel de macho e dar uns amassos. Até que o irmão de uma amiga, meio pá-virada e de pavio curto, ficou com vontade de ir ao banheiro e se deu ao trabalho de se levantar, se dirigir até o cara e falar no ouvido dele: "Se você não pegar, eu pego". Isso sim eu chamo de psicologia expressa: cinco minutos depois, reparamos que o cabeludo finalmente deixou de ser bunda-mole e pegou a garota!
  • Tem fogo?: também no Clube de esquina, foi assim: a biscate (de blusa branca, meio feinha, mas que compensava a feiúra sendo fácil) queria fogo para acender um cigarro. Quando o cara lhe apontou um isqueiro, ela deu um beijo de lingua nele como agradecimento. Tenso!
  • Velcro: o Clube é famoso por protagonizar meninas homo se pegando. Inclusive, as mulher têm medo do banheiro de lá por causa disso! Mas essa rolou na mesa, mesmo. Pouco antes de a banda começar a tocar naquela noite, tinha uma Joãozinho, de cabelo curto e camisa social pra fora da calça, que ficou o tempo todo ao lado de uma amiga. De braço ao redor das costas da outra, tentando se dar bem ali a qualquer custo. Não estava fácil: a moça desejada estava muito tímida. E toda vez que chegava algum conhecido deles, a Joãozinho cumprimentava, conversava, já ao lado da moça como se já estivessem juntas. Atitude mesmo.
  • Celular: essa foi no Hookerz. Estava eu com a namorada, e reparo num casal que se senta numa mesa em frente à nossa. Uma loira atraente (com uma blusa cinza de gola, cabelo longo escovado) com um cara de cabelo volumoso, meio playboy (com camisa azul-marinho da Abercrombie), com um semi-mullet. Cada um tomando a sua gelada calmamente. O cara não saía do celular. A moça estava com a linguagem corporal precisa de quem gosta de atitude: o corpo virado de frente para o cara, que, em vez de se virar em direção a ela, estava ocupado jogando alguma coisa no celular, virado a 90 graus dela! Ela de braço encostado à poltrona, arqueado em direção a ele, com a garrafa de cerveja na outra mão. Conversa vai e vem, e o cara não para de hesitar. Chega um momento em que ela se aproxima lentamente, ainda na mesma posição corporal como se tentasse bloquear o olhar de qualquer vadia por perto, e o beija. E sabe o que acontece depois? Com vergonha, ele volta a brincar no celular!!! Foi a pegação mais deprimente que eu já vi!!!

sábado, 3 de novembro de 2012

Eu me amo

Minha caixa de entrada pode ser "divertida"...
Acho que ainda vou criar um outro personagem no blog. Uma série de posts chamada de Cotidiano do casal mais ególatra do mundo. Mas não importa o quanto me esforce; meus pares no meu trabalho se superarão, como podem ver. Enquanto não toco esse projeto, deixo vocês com suposições, algumas pílulas do que se deve passar pela cabeça de um ególatra:



Ele: O mundo para quando eu não estou em meu local de trabalho. Se não estou presente, é porque não deve ser nada tão importante assim. 

Ele: Mais importante do que se quer fazer, é a minha ciência em relação a trabalho alheio. Gozar com o pau dos outros é bom. Masturbar meu ego é ainda melhor...

Ele: Eu sou dono de tudo que faço. O outro não existe pra mim. O outro é um pobre coitado ainda não convertido pelos irredutíveis dogmas pessoais que meu ego tem a doutrinar outrem.

Ela: As coisas só funcionam quando eu as boto pra funcionar. O que funciona independente de mim é obra do acaso dando aos incompetentes atribuições que eu só não assumo porque porque minha capacidade reprodutiva de gerar pessoas com genes superiores o bastante para executar tarefas à excelência é pequena. Uma xota só é pouco pra purificar tanta gente profanando o mundo com seus genes... 

Ela: Liga para algum amigo seu pra gente sair de casal...
Ele: Eu não tenho amigos, tenho fãs. Amigo é coisa de gente carente; admiradores é coisa que só eu tenho. Artistas, por exemplo, não têm admiradores; têm apenas pessoas que não merecem saber que eu existo.

Ele: Ainda vou criar uma rede social onde tudo que você gostar e compartilhar vai automaticamente ativar um algoritmo para pesquisar algo engenhoso, inteligente e grandioso que fiz, mencionei ou comentei relacionado ao que você botar na internet.
Ela: Nossa mídia tenta fazer algo parecido com os políticos oriundos das elites que representam. Toda eleição, sinto que estão beatificando o Serra... 

Ela: Eu não sou preconceituosa. O outro não é importante o bastante pre eu me sentir assim...
Ele: Eu, por minha vez, sofro de preconceito: me acusam de megalomania só porque digo que modéstia é coisa de pobre.