domingo, 30 de setembro de 2012

O Brasil não é para amadores (II)

A corrupção

O contrabando nunca teria atingido a dimensão oceânica que atingiu se não contasse com a cumplicidade das autoridades coloniais portuguesas sediadas no Brasil. A face interna do contrabando internacional era a corrupção.

Tal qual aprendizes de feiticeiro, as elites nativas, que começavam a se formar, assimilavam a mentalidade corrupta dos administradores coloniais.

Aprendizes dedicados, essas elites rapidamente dominaram os mecanismos da corrupção. Acostumaram-se com as inúmeras vantagens que a sua prática, em grande escala, trazia. Raramente punida, ela se cristalizou como algo natural ao nosso modo de vida e à nossa origem. Nesse contexto, a corrupção aparecia, aos olhos dos brancos pobres, mestiços e negros libertos, associada a uma condição de poder. Parecia mais o exercício de um privilégio do que prática de um crime. Numa sociedade fortemente hierarquizada, na qual a ascensão social era rara, não surpreende que todas as lasses subalternas tendessem a praticá-la.

Entre outras coisas, porque era uma forma de o homem comum e "desclassificado" exercitar uma atitude típica dos poderosos e, assim, aproximar-se, ao menos simbolicamente, da condição das elites. Em síntese, a corrupção se propagava por todo o tecido social.



Extraído do livro de Roberson de Oliveira, História do Brasil: análise e reflexão. FTD: 1997. pp. 74-75. Do capítulo 6: As minas de ouro: o Brasil do século XVIII

sábado, 22 de setembro de 2012

Entrevista com a mulher mais sincera do mundo (III)

Ver entrevistas anteriores:
Entrevista com a mulher mais sincera do mundo (II)
Entrevista com a mulher mais sincera do mundo


EH: Você já leu 50 tons de cinza?
MMS: Amiga, em tempos politicamente corretos como o nosso, aquela merda não serve pra lubrificar nem a minha sobrinha de dez anos! Não confio em best sellers. O que sei é que o livro surgiu de um fan fiction da saga Crepúsculo! Só o fato de um fan fiction virar livro me dá vontade de incendiar toda livraria que eu encontrar pela frente com esse livro na vitrine! Puta merda, só uma mulher muito carente pra achar que esse romantismo pasteurizado leva a algum lugar. Macho pra mim não pode brilhar como o vampiro da série. Muito pelo contrário: ele tem é que se esconder bem no escuro e me possuir como uma vagabunda, mesmo. Se eu quisesse um merdinha como o Edward Cullen atrás de meu sangue, pediria uma chupada sem avisá-lo de que estou menstruada...

EH: Você gosta de ser mulher?
MMS: Gosto sim. Ver o mundo se curvar ante minhas pernas é sempre divertido. Exibir a cara de seu macho fazendo algo que detesta, em fotos nas redes sociais, é o melhor troféu que uma fêmea pode querer, pra pisar na cara das recalcadas. Mas devo confessar que meu gênero anda mal representado esses dias. Por exemplo, semana passada fui conferir meu e-mail no computador de uma amiga, e o que encontro? Um vídeo do Youtube chamado "105º beijo de Roberta e Diego". Sério, aquela songamonga não merece se reproduzir! Eu preferiria ter encontrado pornô hardcore em vez daquilo! Parei de sair com ela com medo de os machos acharem que sou tão desinteressante quanto ela.

sábado, 15 de setembro de 2012

Impressões sobre a capital cercada pelos Andes

Recentemente conheci o Chile. E à medida que o ônibus me levava ao hotel, ficava com a crescente impressão de que o país deve ser o pedaço mais oriental das américas em que já pisei. O hotel em que fiquei, por exemplo, foi construído com tecnologia japonesa, cujas estruturas são sustentadas com fundações que se dividem em dois eixos que distribuem o impacto gerado por abalos sísmicos alicerce abaixo. Segundo o guia, essa tecnologia permite que os prédios resistam a terremotos de até 8 pontos na escala Richter. Além de cada quarto ter sua energia fornecida por paineis solares que, segundo informado pelo guia, dão conta de "apenas" 25 minutos de água quente. O banheiro, nada mais japonês: de design futurista, com o box estilizado como uma cápsula, levei quinze minutos pra aprender a usá-lo. Havia dois chuveiros verticais e quatro frontais, além de duas torneiras e mais duas torneiras fora do box do banheiro, responsáveis pela temperatura. Depois do banheiro, me limpei tanto quanto sujei o banheiro. Uma proporção inacreditável. Nos meus próximos banhos, peguei o jeito e a bagunça foi menor. Essa coisa de banheiro japonês ser esquisito me ocorreu por causa de uma história que o cantor Leonardo contou numa entrevista que assisti certa feita: ele contou que os banheiros de Tóquio tinham duas mãozinhas metálicas que te ajudavam a te limpar após a obra. Felizmente, não inventaram isso no hotel em que fiquei.

E o toque oriental não para na hospedagem em que fiquei. Nas ruas, encontram-se restaurantes chineses de duas em duas quadras. É mais fácil comer um yakissoba do que um Big mac em Santiago! E embora a descendência do povo chileno puxe em grande parte dos povos das montanhas, como os mapuches e os incas, que os conquistaram, os olhinhos puxados, especialmente nos bebês, se faz perceber facilmente nas ruas. Teve também algo que ouvi na volta que me fez ter ainda mais certeza de que o Chile foi/é ponto de encontro de muitos povos orientais: alguém na fila do check-in estava comentando com seu par que achou o aeroporto pequeno, mas com o espaço muito mais bem-aproveitado do que Guarulhos, por exemplo, que mais parece um angu de rodoviária com galpão e não cabe nada. Reparem Guarulhos: os terminais são tão grandes que, se você estiver com o horário apertado, vai se ver correndo feito louco pelos saguões do local. Em compensação, se voltar do Brasil após viajar ao exterior, será espremido num reduzido espaço destinado à Imigração, numa fila ridiculamente grande que até eu, nativo, preciso pegar. E, mais puro reflexo de nossa síndrome de vira-lata, nessa mesma fila os estrangeiros têm preferência. São colocados numa fila bem menor, observando a constrangedora cena de brasileiros sendo arrebanhados para terem o direito de voltar ao próprio país. Encontro dificuldade em constatar que só eu achei esta cena paradoxal, ao observar várias pessoas que aproveitaram a viagem comigo aguardando na fila, sem perceber nada de errado nem motivo para indignação.

Um comentário de política externa


There are many parallels between Presidents Carter and Obama. Carter let America’s ally, the Shah of Iran fall in 1979, paving the way for the takeover of the country by religious fanatics. In the aftermath, America suffered the indignity of its embassy staff being taken hostage for 444 days and a botched operation to rescue them. Iran has become the axis of evil in the region, supporting Hamas, Hezbollah and Assad and is now close to acquiring nuclear weapons, thanks to Obama’s dogged insistence on ineffective sanctions. Under Obama, Iran embarrassed America again by parading around with our latest technology drone, which they somehow landed intact. I find it curious that there was no investigation or explanation from the Defense Department as to how the Iranians managed to land and steal the drone.
Following Carter’s missteps, Obama let a strategic ally of America, Hosni Mubarak of Egypt, fall in 2011, allowing the suppressed Muslim Brotherhood to gain prominence in politics, jeopardizing the hard-won Middle East peace treaty between Egypt and Israel. Egypt has gone off course so much that Obama recently declared publicly that the US may no longer consider Egypt as an ally: an idiotic statement from the US President, who is on the campaign trail, has no time for daily intelligence briefings and is more concerned with his poll numbers than American embassies under attack in Muslim countries. So much for “a new beginning based on mutual interest and respect” speech Obama spouted in Cairo on June 4, 2009.
The mistakes by these two incompetent leaders are costly, irreparable and work against the interests of America and peace in the region. Making a habit of abandoning its staunch allies at the first sign of trouble is not the best strategy to forge new ties around the world or to reassuring existing allies that the USA is a dependable friend.


O tipo de sensatez que a gente não encontra nas seções de comentários de noticiários das américas...

(link aqui)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Bloco de notas (XXI)

Bem, deu pra perceber que escrever é uma parte importante de mim. Vou parar de mimimi com esses textículos de despedida, como o de três meses atrás. Eu devia saber que meu ego não permitiria deixar à revelia minhas epifanias, empáfias e abobrinhas em geral. Vou escrever cada vez menos, mas continuarei por aqui. Lancei uma reformulação do template para botar uma ordem mais espartana em meus arquivos. Pelo menos no meio virtual não preciso me preocupar com a rinite... no mais é isso: percam tempo com minhas pílulas habituais (pílulas em negrito são atualizações).