terça-feira, 17 de abril de 2012

Queixa

A função de empregada é resquício dos tempos coloniais. Rebotalho de preconceito, desigualdade social e discriminação. Hoje em dia, é um trabalho claramente informal com leis de formal. Um anacronismo tipicamente brasileiro. E detalhe: nem conselho de classe essas profissionais têm! Ou seja,a gente paga e nunca sabe a procedência do profissional dentro de casa. Fala alguém já roubado dentro de casa por algumas delas. Agora que mordi, vou assoprar: não estou desmerecendo a categoria; apenas criticando como no Brasil a gente tá sempre pagando por coisas sem garantias de qualidade ou de manutenção de nossos direitos. Seja a gente empregado, seja a gente chefe. Minha queixa pode ser estendida a quaisquer profissões. Inclusive à minha: minha categoria também não tem conselho regulador! Então me dou a liberdade de criticar isso. Na lógica de escolinhas de idiomas, tenho de disputar espaço com adolescentes no primeiro ano da Faculdade de Direito (sem a formação adequada e que acham que entendem de uma língua, estrangeira ou não, só porque fizeram dois semestre nos Fisks da vida). Elas querem que a gente (COM formação) faça como no antigo slogan das Cassa Bahia, que cheguemos até o empregador e perguntemos "quer pagar quanto?" Maravilha de país...

terça-feira, 10 de abril de 2012

Literatura (?) para leigos

Uma das vantagens de se formar num curso que ninguém leva a sério é a ampliação da visão de mundo que se adquire. Por exemplo, toda vez que assisto a um filme ou leio um livro, sempre me encontro fazendo analogias e percebendo referências que passam desapercebidas pra maioria. Você vê coisas que ninguém vê. Amplia sua experiência ao ler uma história. Entende melhor a cabeça do autor. Este é um texto meio wikipediano, já que se utiliza de referências pop. Alguns exemplos preu brincar de dar alguma utilidade às aulas de literatura que tive:


  • Eugene: personagem de Hey Arnold!, célebre por ter uma sorte ruim mas, independente da gravidade da situação em que esteja, sempre levar em consideração o ponto positivo da situação. Por exemplo, se Eugene estivesse num prédio em chamas, imediatamente ele diria algo do tipo "ainda bem que estou no terceiro andar". A inspiração do autor, Craig Bartlett, para a criação desse personagem, possivelmente deriva diretamente de Pollyanna, personagem de romance homônimo de Eleanor H. Porter. No livro, a garota fica o tempo todo brincando de 'Glad game', jogo que consiste em se olhar pro lado bom das coisas. Chega um momento na história em que ela não brinca sozinha disso, e ensina essa brincadeira a várias personagens do livro, que lhe são gratas por isso lhes ajudar a olhar para suas próprias vidas de forma mais positiva e motivadora. Mas no livro a garota passa por uma dura provação que põe à prova o otimismo da garota, entretanto o desfecho da história não corresponde rogorosamente ao que quase sempre acontece ao azarado Eugene.
  • Sr. Dinky: personagem roxo de Doug. Trata-se de um senhor aposentado cujo passatempo é comprar quinquilharias mirabolantes. Não à toa, seu mais célebre bordão é "e foi muito caro". Tem um episódio em que ele vai à pesca. Há um peixe no lago que ele nunca consegue pescar. Aqui, a analogia com O velho e o mar de Hemingway é das mais óbvias. Adivinha o que acontece quando ele consegue finalmente capturar o peixe? Pois é. A diferença é que, no desenho animado, o peixe tem uma sorte melhor. Não cairia bem o Sr. Dinky ser retratado como um homem cansado e derrotado como Hemingway fez no livro, obviamente. Fiquei apenas num exemplo aqui, mas as referências a esse livro são inúmeras; coisa mais fácil é encontrar alguma produção com referências a isso.
  • Grande parte da produção de filmes teen da década passada: garota disposta a fazer de tudo pra se tornar popular -- ou ao menos se enturmar com os populares -- consegue chamar a atenção de um rapaz popular e eles combinam de se encontrar no baile de formatura da escola. Ela fica nas nuvens. Se arruma com esmero, espera com ansiedade o momento de estar nos braços de seu príncipe encantado. Ao chegar ao baile, os amigos invejosos arrumam uma forma de humilhá-la na frente de seu grande amor. Esse é um dos maiores medos incrustados no imagináio popular das adolescentes norte-americanas, só pode. Que garota quer passar o resto da vida sendo chamada de Carrie? Que garota quer ser banhada de piche ao chegar ao centro do salão com seu paquera? É uma referência tão gasta que até CSI já se valeu dessa célebre personagem de Stephen King para um de seus episódios.


Esse aqui é um post antigo que eu nunca quis/consegui terminar. Especialmente depois que o Mr. Poneis me indicou o site do TV Tropes (joga no Google, criança). Aí ficou sem sentido de vez eu terminar este texto. Deixo aqui por curiosidade, só. Era isso ou deixar o blog às moscas. Não entendam isso como desleixo meu; apenas como uma pausa para que meu ócio criativo comece. =p