quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Entrevista com a mulher mais sincera do mundo (II)

Continuação de: Entrevista com a mulher mais sincera do mundo

EH: Qual foi a maior surpresa que você já fez para um homem?
MMS: Foi quando eu descobri os horários de meu ex com a atual. Aí eu ligava pra ele nesses horários, usando de uma intimidade indesejada para uma ex. Eu puxava assunto perguntando se ele estava malhando, dizendo que estava com saudades... essas amenidades que ganham ares de ataque quando um de seus machos está com outra fêmea. Às vezes eu mandava mensagens, pelo celular ou em redes sociais. Só pra ele ter a certeza de que pode até buscar outro rabo de saia, mas já demarquei meu território nele com minha xota. A cereja do bolo era quando um dia, me sentindo sozinha e querendo fazer pole dancing num mastro de carne, tirei uma foto minha pelada e mandei pra ele enquanto ele estava no cinema com a atual. Homem a gente não pega, coleciona. Eles preferem mijar num território primeiro pra dizer que algo é deles; a gente mantém o membro deles dentro de nós o suficiente para macular a pica e a reputação deles para sempre!


EH: Você parece se orgulhar de ficar atingindo seus ex depois das separações. Que prazer sádico é esse?
MMS: Tem um ditado que diz que, quando a gente ama -- ou seja, quando algo realmente é nosso --, a gente pode soltar que ele volta para a gente. Ou seja, se voltar é seu, é pra valer. Com homem é assim. Por isso que a gente chora de propósito pra ganhar discussões, eleva o tom de voz em público e, de propósito, faz amizade com amigas do mesmo círculo social da atual. Para que a gente tenha certeza de que esse macho desgarrado não se perderá no caminho. Com essa engenharia social, tem-se a oportunidade de divulgar versões favoráveis a ti do relacionamento, se inserir em eventos sociais onde você sabe que a atual estará e alimentar a paranoia desta se aproximando de seu macho toda vez que esta se afastar para, por exemplo, ir ao banheiro.


HE: Você fala muito mal de ex?
MMS: Bem, geralmente a fama de cada um deles os precede, então acaba sendo redundante muitas vezes. Mas creio que a forma mais velada e divertida de atingi-los é por meio de miguxices ou coisinhas fofas. Por exemplo, se eu vier com maldade pras meninas contando que meu ex não dava conta do recado a quatro paredes, a coisa pode se virar contra mim por acharem que estou querendo difamá-lo. Mas se eu vier com a retórica da miguxice e disser, "gente, ele era um fofo na hora H. Carinhoso, conversava comigo, me fazia massagem... Fazia uma carinha tão linda quando o amiguinho dele não queria trabalhar...", ganho mais credibilidade e ainda o humilho. Percebe a diferença?

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Compilação das pérolas do He-man

Essas são as mais recentes de todas. (post meio interno, eu sei)


_ Até que fez bem pra ele virar pai. Ele estava muito à toa. A vida dele antes se resumia a festas, pegar menininhas cheirando a leite e enrolar oito anos pra terminar a faculdade.
_ Pois é. Muito à-toa, mesmo.
_ Você sabia que à-toa, quando tem função adjetiva, ganha hífen?
_ Ah, hífen é aquela vírgula voadora?
_ Jesus... a "vírgula voadora" a que você se refere é o apóstrofo. Tô falando de hífen, o tracinho.



[vendo notícia na Internet em que policial de Brasília sofre tentativa de assalto em sua moto. Ele troca tiros com bandidos, que fogem ao descobrir que ele é PM. E este, em legítima defesa, mata os três pelas costas]
_ Nossa, a galera dos recursos humanos vai encher o saco em relação a isso.
_ Direitos humanos.
_ Iiiiisso isso isso.


_ Hoje me deu uma vontade de cortar o braço do Robinho...
_ Sim.
_ Cortar o braço da Alcione...
_ E como você fez? Você faz o número 2 fora de casa?
_ Ah, até faço. Mas não faço sem meus panos umedecidos.
_ Pára tudo! Que porra é essa?
_ Claro, na hora que espirra não dá pra passar sem.
_ Que coisa mais gay!


E abaixo segue uma compilação que fiz desses momentos Magda (do Sai de baixo) trazidas até nós por ele. Mas antes de lê-la, explico aos curiosos quem é o He-man. Certa feita, comentando entre amigos de alguma história envolvendo meu irmão, uma amiga sem noção nossa ouve parte da conversa e o alcunha de He-man, achando que este tinha alguma semelhança física comigo. Achei o apelido tão engraçado que pegou. Inclusive por aqui; chamá-lo de He-man é mais divertido. Enfim. Coisa de gente sem vida social na época. Vamos lá.



Algumas sem link:

2005 (a última é de um amigo dele)
_ Cara, ela é muito alta!
_ Mas isso não é problema: nossas bocas são da mesma altura!
_ Ela é da minha altura, rapá!

_ Aí perguntei a ela: mas porque você deixou a "marca registrada" nele? No que ela responde: "deixei porque ele pediu".
_ Por marca registrada, entenda esse proeminente e discreto chupão no pescoço.
_ ...
_ Pedir pra deixar marca registrada é o cúmulo. Imagino o que ele pedira antes de pedir isso...
_ ...
_ Patético...

_ Essa aconteceu comigo essa semana: enquanto tomava banho, consegui quebrar o chuveiro de novo...
_ Putz, que cabecinha pequena, hein?
_ Novidade... aí, meu pai, puto da vida, me forçou a ir com ele comprar outro chuveiro e a instalá-lo. Aí fui, sem problema. Quando voltamos pra casa, ele começava a remover o chuveiro antigo e pediu para que eu desligasse o registro lá fora. Pra sacaneá-lo um pouco, me dirijo até o corredor e simulo passos pesados até a porta. Espero uns cinco minutos lá fora, fingindo ter desligado o registro, e volto pra dentro, com os memsos passos pesados. Aí ele desmonta o chuveiro e leva aquele jato d'água na cara. Cara, como ri naquela hora...
_ Acontece nas melhores famílias...
_ Mas nem tive muito tempo de rir do incidente: tentei fugir mas ele me pegou imediatamente pelo pescoço e esfregou minha fuça no cano solto por onde a água jorrava. Antes que me afogasse, ele me fez fechar o registro...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Palavras legais que ela usa

Quando conversamos, às vezes comento com a namorada como a profissão dela elitiza a língua. Que é um instrumento de dominação, enfatizo. Ela não acredita. Exemplifico com as inúmeras expressões pedantes e locuções adverbiais obscuras fossilizadas da última flor do Lácio e as expressões latinas que os profissionais da área dela papagueiam sem ter a menor ideia do que significam. Além das palavras que a profissão dela gosta de inventar, só para falar diferente de pobre. Palavras que em todos as situações comunicativas possuem um significado mudam de significado radicalmente quando aplicadas no contexto jurídico. Uma subversão semântica radical em nome de "um dialeto de rico criado pra pobre não entender", na acepção dos Malvados.

De qualquer forma, não vim aqui pra falar dos aspectos sociolinguístico das palavras que usamos, mas apenas para exemplificar o peculiar vocabulário dela com algumas palavras que já ouvi dela.


  • Comburente: inflamável. Apesar de a palavra ser erudita, tem a vantagem de não ser composta de forma aparentemente contraditória, como seu sinônimo. Porque geralmente palavras iniciando-se em im-/in- indicam algo que não pode ser feito, que não é tangível. Dessa forma, quando dizemos que algo é inflamável, os estudantes estrangeiros de português decerto devem sempre ficar na dúvida se aquilo realmente pode pega fogo. Ao dizer que é comburente, pelo menos não se tem de se sujeitar a essa irregularidade constrangedora de nossa língua. Confesso que o Esperanto me deixou mimado demais... =p
  • Lupanar: puteiro. Parece palavra que velho usa quando tem família por perto e quer contar pros amigos que tá aprontando.
  • Acepipe: aperitivo. Essa, quando ela soltou no GTalk, precisei até conferir na Internet do que se tratava. Fica até sofisticado você dizer que vai comer azeitonas e salaminho ao chamar essa tábua de frios de acepipe. Truque que restaurantes geralmente usam. Restaurante que se preze, quando serve Romeu e Julieta de sobremesa. Esses dias ela usou também a variante antepasto. Alguém andou lendo muito Aulete na infância;
  • Mãe d'água: forma que os antigos usavam para se referir a sereias. Uma lenda amazônica, inclusive. Mais curiosa que essa, só a ama de leite que minha vó falava. Ela chamava todas as empregadas que passavam por nossa casa de ama de leite. Nunca tinha me tocado da maldade implícita nessa expressão do começo do século passado até passar por um museu, dois meses atrás, com alguns objetos de época. A exibição continha alguns anúncios de jornal procurando amas de leite, e a descrição me fez cair a ficha. E me enojar um pouco também. Maravilha de mães que se recusam a amamentar em nome da vaidade...
  • Locupletar: roubar, subtrair algo de alguém. E ela ainda teimou comigo dizendo que esta palavra é um termo jurídico. Gente, isso não passa de um termo elitista pedante fossilizado que não serve pra nada no português atualmente falado. A única função de palavras assim é o de usar a língua como instrumento de dominação. Ela argumenta que "não é obrigada a reduzir o vocabulário só porque as outras pessoas não são tão estudadas quanto ela". Não sei se ela está sendo pedante ou eu que estou com complexo de inferioridade linguístico. Voto pela primeira opção.