terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Fuck the police

Abrindo 2012, elencarei aqui algumas sugestões de como exercer adequadamente catarse em relação a pessoas abjetas e desprezíveis que passam por sua vida. Ou apenas chatas. Porque o mundo já tem gente demais com vontade de mandar o chefe à merda que não faz nada. Se o motivo para isso for falta de criatividade de fazer isso de forma épica, anote algumas de minhas sugestões abaixo. Se o motivo for falta de loucura, compre alguns comprimidos mágicos pela internet.

  • Vá bêbado ao trabalho;
  • Quando mandar mensagens de fim de ano aos amigos, deixe claro no corpo da mensagem as exceções, as pessoas que você literalmente quer mandar pro inferno (na imagem ao lado, eu fiz isso há dois anos atrás). E escreva isso com todas as letras. É divertido ver a cara das pessoas, sem saber se condenam sua agressividade ou se louvam seus votos de ano novo;
  • Quando receber tarefas de pessoas que te enchem o saco no serviço, faça a tarefa mas não avise a pessoa que você o fez. Sempre que ela perguntar, diga que você ainda está fazendo. Invente desculpas, protele, enrole até ela estourar. Quando ela estiver pronta pra te carcar, avise que você terminou a tarefa faz tempo. Mantenha sempre as pessoas no escuro em relação à sua produtividade;
  • Cole placas de "sorria, você está sendo filmado" em todos os banheiros por onde passar;
  • Coloque um anúncio falso de acompanhante no jornal e informe o número do chefe/ex/alguém que você odeia;
  • Bote algumas gotinhas de laxante no café do trabalho. As idas repetidas ao banheiro funcionarão como estímulo repulsivo à bebida e incentivarão as pessoas a melhorarem seus hábitos noturnos;
  • Doe algumas playboys pro padre de sua igreja com dedicatória sugerindo deixar os coroinhas em paz;
  • Convença a namorada a fingir que a menstruação atrasou para ver a reação de seu sogro in loco;
  • Quando algum amigo seu estiver contando alguma história chata na roda, comece a repetir o que ele diz a cada pausa dele, como o Barbosa da TV Pirata fazia;
  • Demonstre claramente o que você pensa dos amigos de seus amigos que são mais novos que você. Fale abertamente que você "não está a fim de fingir que eles são interessantes esse final de semana";
  • Adote o Wally, personagem da tirinha do Dilbert, como guru das relações humanas. Replique o comportamento dele em todos os aspectos e transforme o ócio em arte;
  • Quando você, numa conversa, soltar veneno em relação a alguém, certifique-se de dar um contexto que inclua o máximo possível de pessoas. Por exemplo, conte algo assim: "Cara, eu vi a Fulana beijando outro cara na formatura. Bem que o Sicrano sempre me falou que o Fulano tava pegando sopa de outros machos faz tempo. Sorte do Beltrano, que comeu e vazou: ele quase a pediu em namoro." Isso vai dotar seu círculo social de uma aura de sinceridade que permitirá que vocês conheçam melhor uns aos outros, tornando assim as amizades mais transparentes;
  • Sempre subestime as pessoas. Nunca dedique mais que um minuto pra explicar algo. Já que 99% das pessoas só ouvem a si próprias, seria bobagem pensar que são capazes de interpretar e seguir instruções com propriedade. Ou que conseguem dar atenção a algo por mais que um minuto. Então dê uma instrução de cada vez. Só dê a próxima quando a primeira tiver sido concluída, e assim por diante;
  • As pessoas adoram desvirtuar dos assuntos durante discussões, com comparações, analogias e menções a terceiros. Então redirecione-as ao tópico principal dizendo: não é disso que estamos falando. Por exemplo: a pessoa diz "você é muito cricri, centralizador, cheio de manias. É exatamente como meu pai" e você replica "não é do seu pai que estamos falando". Ou então "mas eu não entendo, porque você fez isso? Com a Fulana você não fez." Novamente: "Não é da Fulana que estamos falando." Faça isso até irritar a pessoa, o que não vai demorar. E racionalize/relativize seus argumentos. É uma boa forma de demarcar seu espaço numa contenda;
  • Atribua sua opinião a terceiros, quando não quiser se expôr, se complicar ou se irritar à toa. "Esses dias conversei com Fulano e ele me disse que aquele filme é uma merda porque...". Isso, infelizmente, é mais necessário do que gostaria, no meu caso: as pessoas sempre acham que estou de rabugice. Elas confundem opinião com reclamação (família, então...). Então uso desse expediente pra elas não gastarem meu tempo dando palpite sobre minhas atitudes;
  • Use a música-tema do Pica-pau como toque de celular, esconda-o numa sala de reuniões num local impensável e ligue para si próprio. Observe a concentração das pessoas indo embora a cada ligação;
  • Use filosofia em situações inapropriadas. Pesquise algumas frases legais do Philosoraptor e comece a usar em seu cotidiano;
  • Use argumentos insólitos. Esses dias, por ex., me criticaram por eu ter dado à minha irmã "apenas" R$20 pra comprar um presente pro aniversário duma menina que detesto, que quase tive que ir. Aí usei o argumento de que suposto valor pequeno é para "ensinar a ela o valor cristão da humildade e para dar a ela a oportunidade de ser feliz com pouco". Quando tento convencer a patroa de topar um ménage à trois, argumento que é a oportunidade perfeita de ela se gabar do partidão que ela tem na cama, mostrando inclusive à garota como é que faz, e me emprestando se ela pedir com jeitinho. Sem falar na economia na hora de dividir a conta do motel ou minha modesta colaboração para tirá-la do atraso e deixá-la mais feliz. Como podem ver, nem sempre meus argumentos funcionam. Mas depois de meia hora de conversa com uma amiga das antigas, consegui a aprovação em relação aos R$20 doados para a compra do presente! ;)
  • Se você escreve atas de reuniões no seu trabalho, escreva em minúcias tudo que acontece. Inclusive as fofocas. Sempre é divertido a cara de tacho das pessoas quando estão corrigindo a ata;
  • Coloque um tijolo na porta do elevador, para prendê-lo no seu andar. Especialmente em dia de pagar aluguel ou evitar visitas chatas. E aperte os botões de todos os andares. Deixe também um aviso na porta dizendo que "saiu pra almoçar", caso a pessoa a ser evitada seja teimosa;
  • Essa é do mal, vi em sites tipo lamebook.com ou failbook.com: para as meninas. Entre em chats, IMs, chatroulette ou outros lugares pra conversar com pessoas aleatórias. Puxe assunto com o rapaz, dê mole pra ele e peça pra ele mandar o link do perfil dele em rede social. Ao ver que o rapaz está namorando, certifique-se de tirar print e salvar logs de todas as conversas que tiver com ele. E envie à namorada, se vangloriando. Parabéns, você acaba de destruir um relacionamento de um trouxa ingênuo;
  • Dê respostas idiotas a perguntas ainda mais idiotas. Veja o exemplo da imagem anterior e aprenda humildemente com os trolls da internet. Leia sempre o Yahoo! respostas para inspiração. Só lá você encontra pessoas perguntando se é saudável comer a própria menstruação, ou se transar durante a gravidez pode engravidar o bebê. Os dois exemplos são verdadeiros;
  • Cansado de ver seu amigo babaca que sempre passa a conversa na mulher, que sempre pula a cerca e fica se gabando da própria virilidade? Então dê o troco. Passe batom e beije a gola da camisa dele, quando ele não a estiver usando. Homens são distraídos, então coloque a marquinha perto do cangote. Tente também borrifar um perfume, bem de leve, na região com a marca de batom. Quando ele se arrumar e botar a camisa, ele decerto terá muito a explicar à patroa...;
  • Se seu amigo é do tipo que vive arrumando confusão, adora aparecer e usa o próprio carro como extensão do pau, realize o desejo dele de ser reparado por todas as fêmeas na noite: convença-o a instalar som automotivo com frequência suficiente pra ativar o alarme de outros carros. Dirijam-se ao local mais badalado da cidade, com muitos bares e restaurantes e com certo trânsito de preferência. Liguem o som na frequência certa. Diga que teve a impressão de ter ouvido o porta-malas aberto, pegue a chave emprestado para abrir. A essa altura, com sorte, alguns alarmes terão disparado. Ative o alarme com seu amigo dentro do carro, mostre a chave pra ele e comece a dar uns amassos exatamente na mina que ele estava a fim, na frente dele. Arranhe a porta com a chave (caso você não goste dele) e deixe-a em cima do capô. Pegue seu carro que você estrategicamente terá deixado perto do local, estacionado, e vá embora com sua garota. Se o cara aprontou alguma com ela, será ainda mais fácil convencê-la de seu plano maquiavélico. Um playboy com som automotivo de cada vez por um mundo melhor;
  • Conhece alguém que adora humilhar mendigos? Então anote essa. Separe algumas roupas suas com três semanas ou mais sem lavar. Quando mais fedida e encardida, melhor. Compre um taser e leve consigo quando sair com essa pessoa. Fique atrás de uma porta quando ele se distrair para, por exemplo, entrar numa sala ou voltar do banheiro. Aplique o taser na nuca, de modo a ele não vê-lo. Quando ele estiver imobilizado, cubra os olhos dele com uma venda, coloque-o no carro (certifique-se de não ter estacionado longe) e largue-o num ponto movimentado do centro da cidade. Coloque ao lado dele um pedaço de papelão escrito com alguma mensagem típica da mendicância.

Gostaram das minhas sugestões de trollagem? Tente botar algumas em prática; de 2012 não passaremos mesmo... ;)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Jornalismo FAIL (III)

Putaria com regras. Porque até lupanares têm que ter ordem na casa. Aparentemente, nossa política é uma exceção.

Às vezes me arrependo um pouco de ter passado o Delete no meu outro blog, o Jornalismo FAIL. Olha quanta coisa bizarra eu conseguia achar na mídia local. Eram notícias tão peculiares e/ou porcamente escritas que a preocupação com a isenção e apuração dos fatos era problemas que de longe eram precedidos pelo analfabetismo funcional de nossos jornalistas. Bem, fazer o quê. Esporadicamente vou soltando por aqui algumas das entradas mais marcantes desse meio finado projeto.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Pro dia nascer feliz


Ando numa fase em que nunca estive mais carpe diem. E nem precisei envelhecer tanto pra isso; bastou apenas colocar minhas ambições no seu devido lugar. Devido apenas para mim, pelo jeito: quando falo de algum hobby que me interessa, por vezes me dizem, "mas porque você não faz algo que dá dinheiro, porra?" Eu respondo: já passo oito horas diárias fazendo isso, pra quê vou estragar um hobby misturando diversão com trabalho? Pra colecionar aquele papel verde que permite que eu compre bugigangas na compra coletiva? Fala sério! Se gosto de estudar línguas diferentes, viajar pra lugares novos, descobrir jogos  novos e hobbies que me façam fazer coisas banais de forma melhor, isso não é perder tempo com coisas que não dão dinheiro. Isso é viver. É fruição. Tirar fotos melhor, descobrir novos sabores degustando bebidas novas, combinando alimentos melhor, cruzando ramos do conhecimento diferentes para apreender melhor uma forma de arte ou uma ideia. Quem não consegue buscar motivação para sempre aprender mais, fazer ou apreciar melhor alguma coisa nessa vida, se esqueceu pra que esta serve.

Eu prefiro ficar contra o establishment (repita essa palavra três vezes com a boca cheia de farofa). Porque ele quer que a gente se mantenha alienado em nossos empregos medíocres, e sei que a vida é mais que um emprego que não te faça passar fome. Por exemplo, sempre marco minhas férias imediatamente após o Carnaval e sempre entre períodos antes ou depois de meses tradicionalmente reservados às férias pelas massas, como janeiro, julho ou dezembro. Às vezes marco as férias imediatamente após um feriado prolongado. Ócio criativo não é tempo desperdiçado. Faço isso pro dia nascer feliz. Pro mundo inteiro acordar e a gente dormir. Porra. E acreditem em mim: já convenci algumas pessoas a entrar no esquema. Elas, como eu, ficam na cidade nos meses mais mortos para seus trabalhos (com mais tempo para si próprias) e somem quando todos começam a voltar. Eu devia chamar minha tática de marcar férias de tática Cazuza. Como na música homônima do título do post. Rir de coisas obviamente engraçadas para a geração posterior à sua também é uma forma de manter uma abertura geracional saudável. Mas limite-se ao humor; não perca tempo com a música que ouvem hoje em dia. Limite-se ao filtro solar imortalizado na voz do chato do Pedro Bial. E jogue fora sua TV, de preferência.

Se fosse dar uma sugestão de como botar ordem em sua vida, diria para começar jogando fora todas os objetos que possam se associar a lembranças particularmente negativas. Eu disse particularmente porque tem coisas que trazem lembranças boas juntos; nesse caso mantenha-as. Prossiga aplicando os 5S em suas coisas. O que não tiver função só ocupa espaço. Jogue fora o que for inútil, e cuidado pra não entrar em negação. Se você nunca usou algo até hoje, isso não vai mudar amanhã. Dê as coisas que não usa mais. Assim, redescobrirá que elas não são extensão de seu corpo e ainda podem ajudar outrem. Democratize seus recursos materiais. Se você busca satisfação mais em adquiri-los do que em usá-los, está dominado pelo dinheiro. Você não ganha dinheiro, o dinheiro ganha você. Prossiga fazendo favores sem olhar a quem. Preocupe-se mais com a realização de um objetivo alheio do que em criar obstáculos para isso. Acaba sendo engenharia social independente de você ter um pensamento político ou não. Tempo é como espaço: sempre dá para arrumar mais. Se bobear até a Física Quântica chega a essa conclusão. E o último passo: não tente convencer ninguém que tem opiniões contrárias à sua. Já que opiniões são expressão de nossa individualidade, não há necessidade de se dogmatizar. Já temos religiões, partidos políticos e reality shows o bastante pra isso: alienar. Sorria e concorde. Não com o que a pessoa diz, mas com sua liberdade de expressão exercida. Não interessa o que ela pensa; interessa ela estar externando suas limitações intelectuais para que você aprenda o que não dizer e aprimorar sua visão de mundo. E só. Vou dormir.