sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O Brasil não é para amadores (VII)

Figueiredo ameaçou apoiar Argentina militarmente se britânicos a invadissem

BRASÍLIA - Arquivos secretos mostram que o governo brasileiro alertou os EUA que não aceitaria que tropas britânicas atacassem a região continental da Argentina durante a Guerra das Malvinas. O documento inédito, ao qual o Estado teve acesso, narra dois encontros em maio de 1982 entre os então presidentes do Brasil, general João Baptista Figueiredo, e dos EUA, Ronald Reagan, além do secretário de Estado dos EUA, Alexander Haig.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Desastres da retórica (VII)

  • Prazer em revê-lo!: o desastre da retórica definitivo. Essa eu aprendi numa história que ouvi esses dias. A pessoa foi cumprimentar um magistrado que vira uma ou duas vezes na vida, só. O sujeito, com clara dificuldade de reconhecer quem ele era (normal para uma pessoa pública), respondeu: Prazer em revê-lo! Ou seja, reverteu a situação esquisita de não saber com quem está falando, incutindo na pessoa que iniciou a comunicação uma dúvida de onde pode ter visto a pessoa da última vez, ou mesmo se o conhece! Ou seja, bota os dois no mesmo nível. Pra mim isso será tão útil: constantemente esqueço o nome das pessoas que me cumprimentam na rua. Sem falar nos encontros familiares, onde sempre preciso perguntar à namorada quem é que acaba de entrar na sala. Nas últimas semanas, perguntei três vezes a ela quem era a irmã de meu cunhado!!! Um erro honesto, vá: ela troca de parceiro como troca de roupa...
  • Depende: a palavra de ouro para pessoas incapazes de dar uma resposta, uma opinião ou simplesmente tomar uma decisão. O dependismo é um vício que considero pior que o gerundismo. Muito comum entre mulheres, é a forma mais fácil de arrumar gancho enquanto você recheia seu depende com alguma variável frequentemente dispensável na comunicação. A única função dele na comunicação, pra mim, é ganhar tempo quando você não tem segurança em sua opinião. Especialistas de verdade não usam ussa erva daninha de nossa língua.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O Brasil não é para amadores (VI)

Populismo

O período histórico compreendido entre o final da Segunda Guerra Mundial e 1964 foi "batizado" pelos historiadores e sociólogos de populista.

Segundo esses autores, o populismo corresponderia a uma forma específica de ação política, um método, mais do que propriamente um programa político. Em linhas gerais, o populismo de caracterizaria pela existência de um líder político carismático, cujos recursos de oratória e personalidade fossem capazes de conquistar a simpatia das massas rurais e urbanas. A força eleitoral desse líder não estaria na organização e no poder de seu partido ou de organismos da sociedade civil que o apoiassem. Seria, sim, o resultado de uma relação, de uma comunicação direta que o líder manteria com a massa de eleitores. Como consequência, nas sociedades marcadas pelo populismo, seria muito baixo o nível de organização das classes e dos grupos sociais, originando partidos fracos.

As classes populares, num contexto como esse, tenderiam a acreditar que a satisfação de suas reivindicações não seria resultado de sua ação organizada em partidos, sindicatos, associações de bairro e núcleos comunitários, mas, sim, fruto da ação de um chefe, de um salvador, que, no poder, tomaria medidas que lhes fossem benéficas. Criava-se, portanto, um círculo vicioso: as massas depositariam no líder a responsabilidade de realizar as reformas e não se organizariam; desorganizadas, não teriam como lutar pelas suas reivindicações e depositariam todas as suas esperanças no líder carismático. Haveria, assim, uma relação direta entre a intensidade da liderança do chefe populista e o grau de desorganização da sociedade civil.

Nesse esquema, as massas seriam vítimas dos mais variados tipos de manipulação. As medidas tomadas pelos chefes populistas teriam sempre caráter demagógico, isto é, seriam paliativas e não resolveriam os problemas.

Para os estudiosos que elaboraram esse conceito, ele se aplicaria aos mais variados tipos de lideranças políticas nacionais. Seriam populistas Getúlio Vargas (no segundo governo), Jânio Quadros, Leonel Brizola, João Goulart e Ademar de Barros. Ora, como um conceito que abarca políticos tão diferentes pode ser capaz de explicar alguma coisa importante a respeito de cada um deles?

Com o tempo, esse conceito começou a ser muito utilizado pela imprensa e foi se simplificando cada vez mais, até se tornar praticamente sinônimo de enganação, manipulação, traição e por aí afora. Em síntese, o político populista seria aquele que engana o povo fazendo promessas que não pode cumprir com o único objetivo de obter votos e vantagens pessoais.

Seguindo esse raciocínio, as lutas do povo brasileiro durante todo esse período e as experiências acumuladas nessa fase não poderiam ser muito valorizadas ou levadas a sério. Afinal, foram fruto de um jogo político de manipulação e enganação, no qual o povo em geral e os trabalhadores em particular saíram sempre perdendo. É interessante notar que essas ideias começaram a ser dfendidas e se tornaram verdades consagradas para a direita, a grande imprensa, a TV, o rádio e também para os intelectuais de esquerda, inclusive nos meios universitários, depois do golpe de 1964.

Em síntese, tanto para a direita como para a esquerda universitária, a trajetória política do país, do pós-guerra até o golpe, fora, de forma predominante, um equívoco. Para a direita, o golpe de 1964 viera para consertar esse equívoco e colocar o Brasil num rumo político "correto". A esquerda acadêmica, porém, achava que os trabalhadores deviam buscar para as suas lutas futuras novas fontes de inspiração, novas propostas, novas ideias. A experiência anterior não tinha nada de útil a oferecer.

(...)

Além do mais, aquilo que os sociólogos acadêmicos chamaram de "pacto populista", desenhado por Getúlio no início da década de 1950, estava em sintonia com as tendências mais modernas do capitalismo mundial no pós-guerra. Nesse período, os países industrializados (inspirados pelas teorias de Keynes elaboradas no entreguerras) promoviam a expansão das políticas de Previdência e de Assistência Social, e demonstravam que um modelo de desenvolvimento autossustentável e política de benefícios sociais não eram excludentes.

Apesar desses problemas e das várias interpretações sobre o fenômeno, o conceito de populismo se firmou e se vulgarizou para consumo do "grande público", tornando-se praticamente sinônimo de demagogia e manipulação. Essa associação teve efeitos perversos no proceso político até os dias de hoje. Como no pré-64 as propostas de reformas e benefícios sociais estavam, em parte, associadas aos líderes e partidos dito populistas, produziu-se uma enganosa associação (em especial depois do golpe militar de 1964): políticos e personalidades públicas que se manifestavam contra as injustiças sociais ou propunham reformas e benefícios sociais, quando não eram acusados de comunistas, eram chamados, pela grande imprensa que apoiava o regime militar, de populistas, isto é, manipuladores e demagogos. Eles eram desmoralizados antes mesmo de qualquer discussão sobre a viabilidade de suas propostas. E assim, a política econômica antipopular que se seguiu ao golpe como que ganhava legitimidade ou justificativa, por parecer a última alternativa entre o chamado populismo e o comunismo.


Extraído do livro de Roberson de Oliveira. História do Brasil: análise e reflexão. FTD: 1997, pp. 242-244

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Fomos chamados de idiotas

Semana passada foi escolhido o nome do mascote da Copa do mundo de 2014. O tatu-bola que criaram como identidade visual do evento até que é simpático. Já o nome... escolheram, em voto popular, o nome mais idiota possível. Fuleco! Sinto até minha virilidade ameaçada só de pronunciar esta merda de nome. O nome foi criado com a combinação de futebol mais ecologia. Conforme notícia do Terra, virou piada pronta na internet.

A Fifa anunciou nesta segunda-feira, após votação feita em seu site, que Fuleco será o nome do mascote da Copa do Mundo do Brasil 2014. Os outros concorrentes eram Zuzeco e Amijubi. O resultado parece não ter agradado uma parcela dos torcedores, que, pelo Twitter, criticou a escolha, e levou o assunto aos Trending Topics, lista de tópicos mais comentados no microblog.
“Já que não tinha nenhum nome pior, foi escolhido Fuleco pra fazer a gente pagar mais um mico em 2014”, criticou @MissMoserr. “Fuleiro + Timeco = Fuleco”, escreveram muitos internautas ironizando a Seleção.

“Calma, Fuleco. Com 18 anos, tu vai no cartório e troca de nome”, brincou @FCMuriloCouto_. “Pra mim Fuleco tá lindo, gente! Acho que eu nem saberia chamar esse Tatu de Zuzeco ou Amijubi”

Foram mais de 1,7 milhão de votos para batizar o tatu-bola, espécie de tatu que para se proteger se converte em bola, e está ameaçado de extinção. O nome surgiu da combinação de “futebol” e “ecologia”, e teve 48% dos votos.

Zuzeco, que teve 21% dos votos, nasceu da combinação entre “azul” e “ecologia”, e Amijubi é a mistura das palavras “amizade e “júbilo”.

Quem dera parasse por aí todo o ridículo que este evento futebolístico, devidamente sintetizado neste nome idiota, viesse a nos trazer (justo quando escolhem um mascote mais carismático, rola uma dessas). Confiram abaixo duas traduções que encontrei para o termo (do Priberam e do Dicionário informal):

fulecar (origem obscura)
v. intr.[Brasil] Perder, ao jogo, todo o dinheiro que se leva.Confrontar: folecar.

Fuleco 
Fuleco é um apelido para o ânus.O mesmo que cu.


Confesso que a tradução do Dicionário informal tem tudo pra ser pegadinha, trollagem de algum usuário. A postagem é de 26 de novembro, coincidentemente apenas alguns dias após divulgação do nome do mascote. Mas isso não importa. O que importa é que a organização do evento deu um jeito de esfregar na nossa cara a lambança que está sendo feita com o dinheiro público para construir pela metade a infra-estrutura necessária para uma copa do mundo, gastando dez vezes mais. Embutiram no nome do mascote a opinião institucional da Fifa (não apenas institucional, convenhamos) de que, como o deputado Romário disse, a certeza de que "a Copa do Mundo será o maior roubo da história". Bem que eu estava desconfiando desse papo de o nome ser combinação de "futebol e ecologia". Se fosse o caso, porque não futeco?

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Impressões sobre um povo em extinção

O Uruguai é uma espécie de elo perdido entre o Brasil e a Argentina. Um povo de notável introspecção, que jamais te interrompe enquanto você fala. Sim, eu como brasileiro acho isso muuuito estranho. Uma fronteira entre a eterna autocomiseração tupiniquim e o ufanismo desmedido portenho, o uruguaio se mantém à margem do autorretrato melancólico cultural portenho e o sincretismo tupiniquim. A limpeza étnica dos colonizadores não deixou nenhum índio remanescente dos tempos coloniais para atestar a história anterior aos espanhóis  O que conheci da dança uruguaia, por exemplo, virou espetáculo do povo dominador numa famosa casa de espetáculos de lá, El milongón. Deve ter sido o único local da cidade onde vi um negro, pra vocês terem uma ideia. E dançando o candombe, que prontamente explicam, antes do espetáculo, nada ter a ver com nossa herança africana quase homônima.

Surgido de um acordo intermediado pelos ingleses com Brasil e Argentina, após a Guerra da Cisplatina, foi uma das pouquíssimas derrotas da classe política nacional do século XIX em seu esforço de manter o país uno. Justamente pelo temor de o Império brasileiro tentar a recolonização. Ou seja, por temor de o Uruguai virar mais um monumento da mentalidade retrógrada de sua classe política. Medo do atraso histórico, voluntário e involuntário, que tanto assola nosso país. Mas voltando ao Uruguai, o presidente do país, na época em que visitei, após saber que a população do país, de 3,5 milhões de habitantes, havia sofrido uma pequena redução para 3,3 milhões segundo o último Censo, declarou que o povo uruguaio "é um povo em extinção". (...) Em alguns aspectos, pode-se dizer que o Uruguai é o Panamá britânico: com fortes interesses na livre navegação pela Bacia do Rio da Prata, a potência da época intermediou a independência uruguaia. Bacia esta que, a incautos como eu, pareceu à primeira vista extensão do mar. A grandeza da natureza ali é fascinante: fascinante a ponto de ela delimitar parte da fronteira de um país sozinha.

A capital, em linhas gerais, é modesta: concentra quase metade da população do país e a arquitetura em estilo europeu é menos imponente que nos vizinhos do Cone Sul. Ela antes parece se esconder em meio aos prédios baixos apinhados ao longo das Ramblas. O hotel em que fiquei é de localização privilegiada: bem no centro da cidade mesmo, em frente à Plaza de la Independencia, com um prédio-casino anexo. E com uma antagônica bandeira do Catar, junto com a do Uruguai, logo na entrada, lembrando-nos que até o turismo alheio é globalizado hoje em dia: suas férias num canto são lucro para barões do petróleo em outro. O cassino é um local de luxo estranhamente envolvente, com muito tapete e tons vermelhos, onde o barulhinho das máquinas e o contraste do silêncio dos jogos de cartas parecem fazer uma bizarra dança em seus ouvidos, tentando te seduzir a deixar alguns pesos lá mesmo. Assim que se sai do hotel, o visitante é saudado pela estátua de Artigas, o herói nacional. A igreja matriz da cidade se localiza numa ruela adentro, após se passar por um portal ainda nesta praça, escondida no Centro velho, onde vários sebos, livrarias de encher os olhos e lanchonetes oferecendo o imperdível Chivito te aguardam. Ainda falando do Centro velho, as festas de réveillon por lá são bem interessantes. Começam no começo do dia 31, com pessoas comemorando nas ruas e jogando baldes d'água umas nas outras, pelas janelas dos prédios decanos do local. Algo inesperadamente carnavalesco, eu diria. Nesse réveillon em questão, passamos a data no hotel, mesmo, acompanhando de camarote a queima dos fogos diante da ampla janela do oitavo andar. Bem diferente, mesmo.

Em passagem rápida a Punta del Este, vimos as residências aonde a elite do país vai aos finais de semana. Com uma faixa litorânea e várias lojas de grife espalhadas, o local foi feito para se gastar dinheiro mesmo. Para mim não há muito a se falar de lá: é apenas uma região de veraneio. Na volta ao hotel, nesse mesmo dia, tive a oportunidade de conhecer a Casa pueblo, construção de um artista plástico local inspirada naquelas construções das ilhas gregas, com paredes brancas que refletem fortemente o sol, tornando impossível a entrada sem óculos de sol. Bem de frente pro mar mas sem litoral (o local fica bem acima do nível do mar), o local é um instigante labirinto, que brinca com sua noção de espaço o tempo todo, com várias obras dele e um ateliê. O próprio artista, em foto aérea, constata que a casa dele assume forma que lembra bastante o território brasileiro. É no mínimo um museu cujo prédio em si já é uma das obras em exposição.

Quanto aos bares e restaurantes da cidade, me chamou a atenção as carnes, geralmente com pouco sal mas sempre acompanhadas de um tempero à parte, tipo um vinagrete. Num dos restaurantes em que fui, estava tocando Moska ao fundo. Uma delícia. Quem dera nossos bares e restaurantes soubessem combinar com mais propriedade a música que tocam com a atmosfera de seus estabelecimentos.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O Brasil não é para amadores (V)

Trabalho e liberdade

No campo social, a transformação mais importante foi a extinção da escravidão. Com isso, o último obstáculo à generalização do trabalho livre, em suas várias modalidades, foi removido. Essa etapa foi uma das mais importantes no processo de generalização das relações de trabalho tipicamente capitalistas no país. (...) Se de um lado o fim da escravidão implicou um grande benefício para aqueles que ainda eram mantidos no cativeiro, de outro criou uma situação também adversa para os negros.

Eles foram entregues à sua própria sorte numa sociedade que os considerava uma "raça" inferior, indolente e indisciplinada. A variedade de preconceitos associada aos negros praticamente lhes fechou a porta no mercado de trabalho urbano. Nas fazendas, poucos ficaram. A permanência nas propriedades onde foram cativos lhes parecia insuportável. Como se tudo isso não bastasse, mais de três séculos e meio de escravidão enraizaram na mentalidade do negro uma associação entre o trabalho regular e a escravidão. Quer dizer, para os recém-libertados, a ideia de liberdade tinha relação com a ausência de vínculo com o trabalho regular. Isso criou uma série de dificuldades de adaptações às relações de trabalho capitalistas. Esse conjunto de circunstâncias acabou produzindo um único resultado: a integração do negro na sociedade não se realizou. Os ex-escravos e seus descendentes foram condenados às atividades marginais, ao trabalho informal e irregular, com remuneração incerta, longe dos setores-chaves da economia e sem perspectivas de ascensão social.

A única possibilidade de superar esse quadro era lhes propiciar o acesso a uma parcela de terra, para que tivessem condições, pelo menos, de garantir o seu próprio sustento. Mas isso implicava divisão de terras, ou seja, a criação de pequenas propriedades, alternativa que não se harmonizava com um Estado dominado por latifundiários. A falta de uma reforma agrária, na transição do Império para a República, abriu uma enorme "ferida social". Condenou milhares de homens e mulheres a uma condição de miséria, insegurança e marginalidade, produzindo efeitos tão profundos na sociedade brasileira que podem ser notado nitidamente nas estatísticas atuais (...) As heranças da escravidão continuam vivas como nunca. Naturalmente essa situação não se deve apenas ao passado escravista. Deve-se também ao fato de a sociedade brasileira (...) ter feito a opção de não enfrentar esse problema, de ignorar a particularidade da opressão que atinge os negros no Brasil.

Os séculos de escravidão contribuíram também para o desprestígio social do trabalho manual. Considerado trabalho de negro, quem o exercesse estava marcado pela inferioridade social. A contrapartida dessa desvalorização era o excessivo prestígio dado aos bachareis, dedicados a atividades que se colocavam no polo oposto do trabalho manual.



Fonte: Roberson de Oliveira. História do Brasil: Análise e Reflexão. FTD: 1997, pp. 186-187

sábado, 10 de novembro de 2012

Sociologia de boteco

Originalmente publicado mês passado no Piqui roído, de minha autoria (não que isso signifique que o texto tenha algo digno de nota).


Porque tem horas que você vai sobrar na conversa ou o couvert maltratará seus ouvidos. Nessas horas, recorro à sociologia de boteco: basicamente, é uma análise do ser humano em ambientes sociais, seja na hora da conquista, seja na falha desta. Vou elencar aqui alguns momentos épicos que presenciei:

  • Já é ou já era?: tomando todas com uns amigos no Clube de esquina, observamos num dado momento um cara cabeludo que estava a noite toda ao lado de uma menina. Estavam numa mesa longa, mais perto da banda. Conversaram até dizer chega, mas pegar que é bom, nada. Dava pra ver que a menina já estava ficando frustrada. Mãos coladas ao corpo, esperando desesperadamente o cara cumprir seu papel de macho e dar uns amassos. Até que o irmão de uma amiga, meio pá-virada e de pavio curto, ficou com vontade de ir ao banheiro e se deu ao trabalho de se levantar, se dirigir até o cara e falar no ouvido dele: "Se você não pegar, eu pego". Isso sim eu chamo de psicologia expressa: cinco minutos depois, reparamos que o cabeludo finalmente deixou de ser bunda-mole e pegou a garota!
  • Tem fogo?: também no Clube de esquina, foi assim: a biscate (de blusa branca, meio feinha, mas que compensava a feiúra sendo fácil) queria fogo para acender um cigarro. Quando o cara lhe apontou um isqueiro, ela deu um beijo de lingua nele como agradecimento. Tenso!
  • Velcro: o Clube é famoso por protagonizar meninas homo se pegando. Inclusive, as mulher têm medo do banheiro de lá por causa disso! Mas essa rolou na mesa, mesmo. Pouco antes de a banda começar a tocar naquela noite, tinha uma Joãozinho, de cabelo curto e camisa social pra fora da calça, que ficou o tempo todo ao lado de uma amiga. De braço ao redor das costas da outra, tentando se dar bem ali a qualquer custo. Não estava fácil: a moça desejada estava muito tímida. E toda vez que chegava algum conhecido deles, a Joãozinho cumprimentava, conversava, já ao lado da moça como se já estivessem juntas. Atitude mesmo.
  • Celular: essa foi no Hookerz. Estava eu com a namorada, e reparo num casal que se senta numa mesa em frente à nossa. Uma loira atraente (com uma blusa cinza de gola, cabelo longo escovado) com um cara de cabelo volumoso, meio playboy (com camisa azul-marinho da Abercrombie), com um semi-mullet. Cada um tomando a sua gelada calmamente. O cara não saía do celular. A moça estava com a linguagem corporal precisa de quem gosta de atitude: o corpo virado de frente para o cara, que, em vez de se virar em direção a ela, estava ocupado jogando alguma coisa no celular, virado a 90 graus dela! Ela de braço encostado à poltrona, arqueado em direção a ele, com a garrafa de cerveja na outra mão. Conversa vai e vem, e o cara não para de hesitar. Chega um momento em que ela se aproxima lentamente, ainda na mesma posição corporal como se tentasse bloquear o olhar de qualquer vadia por perto, e o beija. E sabe o que acontece depois? Com vergonha, ele volta a brincar no celular!!! Foi a pegação mais deprimente que eu já vi!!!

sábado, 3 de novembro de 2012

Eu me amo

Minha caixa de entrada pode ser "divertida"...
Acho que ainda vou criar um outro personagem no blog. Uma série de posts chamada de Cotidiano do casal mais ególatra do mundo. Mas não importa o quanto me esforce; meus pares no meu trabalho se superarão, como podem ver. Enquanto não toco esse projeto, deixo vocês com suposições, algumas pílulas do que se deve passar pela cabeça de um ególatra:



Ele: O mundo para quando eu não estou em meu local de trabalho. Se não estou presente, é porque não deve ser nada tão importante assim. 

Ele: Mais importante do que se quer fazer, é a minha ciência em relação a trabalho alheio. Gozar com o pau dos outros é bom. Masturbar meu ego é ainda melhor...

Ele: Eu sou dono de tudo que faço. O outro não existe pra mim. O outro é um pobre coitado ainda não convertido pelos irredutíveis dogmas pessoais que meu ego tem a doutrinar outrem.

Ela: As coisas só funcionam quando eu as boto pra funcionar. O que funciona independente de mim é obra do acaso dando aos incompetentes atribuições que eu só não assumo porque porque minha capacidade reprodutiva de gerar pessoas com genes superiores o bastante para executar tarefas à excelência é pequena. Uma xota só é pouco pra purificar tanta gente profanando o mundo com seus genes... 

Ela: Liga para algum amigo seu pra gente sair de casal...
Ele: Eu não tenho amigos, tenho fãs. Amigo é coisa de gente carente; admiradores é coisa que só eu tenho. Artistas, por exemplo, não têm admiradores; têm apenas pessoas que não merecem saber que eu existo.

Ele: Ainda vou criar uma rede social onde tudo que você gostar e compartilhar vai automaticamente ativar um algoritmo para pesquisar algo engenhoso, inteligente e grandioso que fiz, mencionei ou comentei relacionado ao que você botar na internet.
Ela: Nossa mídia tenta fazer algo parecido com os políticos oriundos das elites que representam. Toda eleição, sinto que estão beatificando o Serra... 

Ela: Eu não sou preconceituosa. O outro não é importante o bastante pre eu me sentir assim...
Ele: Eu, por minha vez, sofro de preconceito: me acusam de megalomania só porque digo que modéstia é coisa de pobre.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O Brasil não é para amadores (IV)

Embrião do Imperialismo

Na transição do Império para a República (...), ocorreu uma série de mudanças, em especial na esfera política. Mudaram o regime político, o sistema eleitoral, o padrão de relações entre as esferas do poder central (Rio de Janeiro) e local (estados). Uma nova fração das elites latifundiárias, ligada à cafeicultura, se apropriou do núcleo do poder republicano.

No campo econômico (...), o desenvolvimento da cafeicultura e a crescente participação do capital inglês no financiamento das atividades ligadas ao café (transporte, empréstimo, comercialização) inseriram o Brasil numa nova articulação com o mercado mundial. Nessas novas condições, inauguradas no final do século XIX, a vinculação da economia brasileira a esse mercado deixa de ser estritamente comercial e passa a ser também financeira. Em outras palavras, a valorização do capital, sobretudo o inglês, nos negócios realizados com o Brasil não ocorre mais exclusivamente na esfera comercial (compra de mercadorias no Brasil e venda no mercado mundial). O lucro é também obtido com a implantação das ferrovias, com empréstimos e financiamentos para a aquisição de equipamentos e maquinaria para beneficiamento do café. A remuneração dos investimentos passa a ter um papel mais importante do que o comércio na valorização do capital que circulava nas várias regiões do planeta. Esse é um dos aspectos que marcam uma nova fase do capitalismo: o imperialismo.


Fonte: Roberson de Oliveira. História do Brasil: Análise e reflexão. FTD: 1997, p. 186

domingo, 21 de outubro de 2012

Tem gente que esquece fácil que o Estado é laico...

Diálogo entre eu e um colega de trabalho:

_ Este ofício aqui acabou de chegar, entrega pro Diretor.
_ Está bem.
_ É de uma igreja, pedindo uso do espaço da piscina para um batismo. O cara é teimosos, eu expliquei a ele que em nossa piscina não pode entrar de calça e bermuda. Nem os idosos a gente deixa entrar. Liberar pra eles vai dar problema: gente virá reclamando, querendo fazer também. Mas mesmo assim ele mandou o Ofício.
_ O problema nem é eles quererem ser batizados de roupa: o problema é que isso aqui é uma instituição pública. O Estado é laico, caramba!!!


Segue abaixo o teor do Ofício, pra vocês sentirem a cara de pau:


Assunto: Solicitação de utilização da piscina para realização de um grande batismo da Igreja Videira
Senhor Diretor,

1. Cumprimentando-o, solicito a colaboração de Vossa Senhoria no sentido de disponibilizar a utilização da piscina e arredores para realização de um grande batismo, no dia 01 de dezembro de 2012, das 13h00 às 19h00.
2. O evento contará com a participação de aproximadamente mil pessoas, dentre as quais quatrocentas irão se batizar. A utilização da piscina será exclusivamente para o batismo, e os batizandos estarão vestidos com bermuda e camiseta. Teremos, também um momento de louvor e adoração a Deus, em que utilizaremos microfones e caixas acústicas.
3. A igreja se responsabilizará por qualquer imprevisto ou incidente decorrido durante o evento, ressaltamos que contaremos com o apoio do Corpo de Bombeiros e Paramédicos para qualquer eventualidade.

Atenciosamente,


É mole, minha gente?

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

RIP Sylvia Kristel

A piada estava pronta mas as condolências são sinceras, Sylvia (o Carlos Zéfiro de saias, de nossa geração). Quanto garotinho esta moça iniciou antes da internet banda larga, antes dos reality shows, da popularização das letras de funk, da facilidade de gravar vídeos dos amiguinhos brincando pelado nos fundos da escola com o celular... enfim, antes da banalização. A Sylvia veio antes de tudo isso. E da forma mais antagônica imaginável no cinema erótico: fazendo erotismo com história! Era sempre o mesmo esquema: um rala-e-rola que não mostrava quase nada, com aquela música de motel ao fundo e as caras de bocas da atriz holandesa. Na puberdade isso era o máximo. Nessa idade o sexo feminino é quase um templo inatingível: acostumados a passar a infância desinteressados no sexo oposto, a puberdade muda todas as regras do jogo. Agora não é você quem desdenha a presença do feminino nas brincadeiras. É o feminino que te desdenha: você vira a brincadeira de garotinhas impúberes. Surge a frustração de se estar numa fase da vida sem habilidades sociais para despertar interesse de meninas da mesma idade. O feminino é quase uma civilização nova: é preciso descobrir suas motivações, o que as agrada, e como elas usam a própria inconstância pra conseguir tudo o que querem. É um aprendizado na marra. Como quase tudo que vem à natureza masculina. O homem possui tantas liberdades sociais que, ao encontrar um objetivo que não depende apenas de seu próprio esforço e paixão pela aventura, enlouquece. Não falo inicialmente do amor: falo da vaidade. Quem não quer ser desejado, querido, apreciado? Mas, como de praxe no homem forçado a se endurecer por bobagens entre iguais, as palavras que faltam só vêm quando o objeto de homenagem (com o perdão do trocadilho) delas não está mais entre nós. Só a perda fabrica um homem de verdade. Seja da liberdade, seja da virgindade, seja do orgulho em nome da pessoa amada. Ser homem é perder sempre, para não se perder algo mais importante à frente.

Mas tudo isso é um verdadeiro mistério para o homem na puberdade. A busca pelo acesso ao feminino é quase mística, de tanto aprendizado em relação a si mesmo e ao outro que isso exige. Você não é nada e não tem nada; como pode despertar interesse no outro? São tantas incongruências psicológicas que a experiência sexual acaba parecendo algo místico mesmo (todo mundo fala mas ninguém faz, na puberdade): nossa sociedade/cultura glamouriza demais uma das poucas facetas da natureza humana onde os vernizes sociais são brevemente deixados de lado em nome de um gozo no corpo da mulher amada. E não há nada de desabonador nisso: compartilhar um mesmo prazer a dois é uma breve recuperação da humanidade que perdemos cada vez mais nos grandes centros que tanto nos endurecem (novamente, com o perdão do trocadilho). Sempre me choco com isso quando vejo um filme europeu: o sexo é filmado de uma forma tão realista, sem fantasias, idealizações ou sublimações, que de repente parece algo real. Tangível. Mas a puberdade tem desse lado cruel: a gente se tortura demais por coisas que não existem em nós nem no outro (é um ferrenho conflito entre expectativas pessoas, sociais e paternas). E neste aspecto, Emanuelle foi uma válvula de escape para muitas gerações. Com certeza não pelo que mostrava (que não faz nem cócegas hoje em dia), mas pelo que sugeria: as fantasias eróticas. Época em que a garotada não se preocupava em imitar atrizes pornô como rola hoje em dia. Queriam apenas acessar o 'proibido' mundo do sexo, nem que fosse por meio de uma atriz simulando ser penetrada. Lembram-se daquele aparelhinho, aquela tiarinha com coração no centro que ela usava, para ler as mais loucas fantasias sexuais alheias? Eis uma metáfora legal. Ela fazia um trabalho catártico no outro. É como se ela fosse uma mulher mais experiente que, sabe-se lá porquê, se interessa por seu corpo inexperiente e, mais improvável ainda, entende seus medos que você julga ocultos. Ela, pelo menos na duração da película, te dispensa da engenharia social necessária para seduzi-la. Você ainda é jovem demais para amar. Que o diga entender as mulheres. Emanuelle é a fantasia definitiva da desvirginização masculina. Todo homem quer ter seu Amor Estranho Amor. Sua Malena. Sua Hannah Schmidt. E depois dizem que só as mulheres idealizam a primeira vez...

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O Brasil não é para amadores (III)

Our friends in the South

BRAZIL has probably never mattered more to America than it does now. America has probably never mattered less to Brazil. Not that relations are bad between the two countries—far from it; they are increasingly cordial and productive. But America has finally, belatedly, woken up to the fact there is a vast, stable country to its south as well as its north; a country, moreover, with a fast-growing and voraciously consuming middle class that seems to offer salvation to American businesses struggling in a moribund domestic market. Brazil, meanwhile, neither needs loans from American-dominated global financial institutions, nor is it otherwise beholden to the country. The United States is no longer even its biggest trading partner. China took that spot in 2009.

sábado, 13 de outubro de 2012

Tinha que ser dito

A série Millennium (composta por livros do autor sueco Stieg Larsson com histórias investigativas engenhosas, muito bem boladas, protagonizadas por Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander), conseguiu uma façanha raríssima na distribuição nacional do filme: via de regra, o Brasil costuma traduzir muito mal o título de seus filmes, a ponto de estragar o filme inteiro em alguns casos, só com a tradução do título. Mas deu pra ver, nesse caso, que a culpa foi dos estadunideneses: vejam só, eles têm um talento todo especial pra estragar o título de produções internacionais também (a turma do anime nos EUA sabe o que digo; é cada aberração dos tradutores de lá...). Comparem:

English: Millennium -- The girl with the dragon tattoo
Português: Millennium -- Os homens que não amavam as mulheres

À primeira vista, a tradução do português pode parecer randômica, como se observa de praxe aqui. Mas, dando-se uma atenta olhada no título do filme em sueco (sim, Hollywood não fez o filme; por isso que não cagaram na história do livro com clichês), observa-se que em sueco o título é literalmente esse.  Claro, hollywood se deu ao trabalho de fazer uma versão própria, mas há um filme original, feito na Suécia mesmo, de 2009. Vendido de forma enganadora pelas Americanas para mim: a capa era bem escura, com uns tons vermelhos, e omitiam os nomes do elenco principal. E colocaram uma foto da personagem principal dando a entender que a produção era hollywoodiana, mesmo. E claro, como de praxe também em textos que falam dos ridículos critérios de nossos distribuidores para trazer filmes de fora pra cá, abaixo elenco alguns exemplos clássicos de como alguns filmes foram arruinados por uma tradução preguiçosa que subestima a inteligência do brasileiro:
  • Annie Hall -- Noiva neurótica, noivo nervoso
  • Ripley's game -- O retorno do talentoso Ripley (detalhe: o filme não tem nada a ver com O talentoso Ripley; são no máximo histórias diferentes em torno de um mesmo personagem em épocas radicamente diferentes. O critério para tradução do título foi meramente comercial)
  • Lost in translation -- Encontros e desencontros
  • Wayne's world -- Quanto mais idiota melhor
  • Zak and Miri make a Porno -- Pagando bem que mal tem
  • The hangover -- Se beber não case

Muito mais exemplos aqui, trazidos até a gente por São Google.

domingo, 7 de outubro de 2012

Bloco de notas (XXII)

  • Como ser artista: pegue um ramo (música, artes plásticas, o que for) e faça algo que ninguém fez antes. Pronto. Acabo de resumir a aura de um artista: chamar a atenção antes de todo mundo. Ser artista é ser um adolescente estético, basicamente;
  • Sabe o que é mais engraçado? É mais caro para um governo manter as pessoas trabalhando do que não trabalhando. Manter uma economia aquecida não é fácil. Dessa forma, toda crise que se preze surge por causa do emprego, e não por causa do desemprego. As pessoas não se revoltam com desemprego, se revoltam com falta de direitos. Então a melhor forma de uma população protestar e conseguir o que quer é se manter desempregada? Sob esse ponto de vista, esse monte de adolescente impúbere que fica gastando dinheiro de papai esquentando sofá de DCE está fazendo uma patética forma de protesto fazendo o que melhor fazem: porra nenhuma! Acho que começo a entender porque as universidades públicas são tão ruins: deve ser uma estratégia do governo de fabricar esponjas: gente que, em vez de trabalhar, fica mendigando bolsas de mestrado, de projetos de extensão e outras desculpas pra não arrumar emprego de verdade! Eu já sabia!!!;
  • Dizem que a masculinidade é a eterna quinta série. Se mulheres reclamam que é um saco ter amigas do mesmo sexo, é porque não sabem o que é ter amigos sem idade mental suficiente pra falar com você sem inventar apelidos infantis, contar vantagem pelas conquistas do time do coração, usar de trocadilhos infames ou questionar sua virilidade só porque você tá sem saco pra fingir que só pensa em cerveja, mulher e futebol;
  • Uma vez eu li que Hollywood enfrenta constantes dificuldades para distribuir seus filmes na China. Os distribuidores de lá, por exemplo, não gostaram nada de como o novo Karate Kid (com o Jackie Chan e o filho do Will Smith) retratou os jovens chineses: como vilões da trama que praticam bullying em estrangeiros. Ou seja, os estadunidenses, tãããão dados a fazer humor negro com etnias e minorias, precisa se dar ao trabalho de perder a piada pra não sair no preju.  Engraçado vê-los com o rabo entre as pernas. Semana passada fui assistir a Ted (aqueeeele que titio Protógenes quer tirar de cartaz), longa-metragem de Seth McFarlane, a mente obcecada por referências pop, lip syncs bizarros e escatologia por trás de Family Guy. No filme, ele faz o que aprendeu com Family Guy. Ao contrário de South Park, o humor dele anda meio datado, mas rende boas risadas. Ao público masculino, diga-se de passagem. Enfim. Teve uma parte do filme em que Ted e seu dono estão numa festinha da pesada e quebram a parede. O vizinho chinês do lado não gostou nada de ter gente quebrando a parede de seu quarto e vai reclamar. E ele não levou a pior: deu uma panelada na cabeça da galera, comprou briga mesmo. O Seth já não é mais aquele...;
  • O Google sketchup vicia mesmo! As noções de Geometria descritiva que aprendi na faculdade caça-níquel de arquitetura duma certa universidade daqui servem pra alguma coisa nessas horas. Mas mesmo quem é totalmente leigo se vira bem com o programa. Vídeos intuitivos do Youtube dando aulas não faltam. Tô me divertindo um bocado. Fiz uma maquete 3D de minha própria casa. Meu próximo passo é reproduzir em 3D a primeira fase do Super Mario Bros! Fuck yea. \o/
  • Tema do Programa da tarde, atração vespertina do canal do bispo: "A periguete é uma evolução da perua"? Eu não sei. Só sei que a humanidade involui um pouco a cada programa desse...
  • Na última vez que andei pela Av. Paulista, nas férias, quando passei pelo Banco de la Nación Argentina, vi algo muito raro: argentino com dinheiro. *ba dum tss*;
  • E o jogo de volta do Brasil e Argentina pelo Superclássico das Américas, hein? Um estádio sem luz por duas horas na cidade de Resistencia. O lugar ficou mais apagado que o futebol do Mano...

domingo, 30 de setembro de 2012

O Brasil não é para amadores (II)

A corrupção

O contrabando nunca teria atingido a dimensão oceânica que atingiu se não contasse com a cumplicidade das autoridades coloniais portuguesas sediadas no Brasil. A face interna do contrabando internacional era a corrupção.

Tal qual aprendizes de feiticeiro, as elites nativas, que começavam a se formar, assimilavam a mentalidade corrupta dos administradores coloniais.

Aprendizes dedicados, essas elites rapidamente dominaram os mecanismos da corrupção. Acostumaram-se com as inúmeras vantagens que a sua prática, em grande escala, trazia. Raramente punida, ela se cristalizou como algo natural ao nosso modo de vida e à nossa origem. Nesse contexto, a corrupção aparecia, aos olhos dos brancos pobres, mestiços e negros libertos, associada a uma condição de poder. Parecia mais o exercício de um privilégio do que prática de um crime. Numa sociedade fortemente hierarquizada, na qual a ascensão social era rara, não surpreende que todas as lasses subalternas tendessem a praticá-la.

Entre outras coisas, porque era uma forma de o homem comum e "desclassificado" exercitar uma atitude típica dos poderosos e, assim, aproximar-se, ao menos simbolicamente, da condição das elites. Em síntese, a corrupção se propagava por todo o tecido social.



Extraído do livro de Roberson de Oliveira, História do Brasil: análise e reflexão. FTD: 1997. pp. 74-75. Do capítulo 6: As minas de ouro: o Brasil do século XVIII

sábado, 22 de setembro de 2012

Entrevista com a mulher mais sincera do mundo (III)

Ver entrevistas anteriores:
Entrevista com a mulher mais sincera do mundo (II)
Entrevista com a mulher mais sincera do mundo


EH: Você já leu 50 tons de cinza?
MMS: Amiga, em tempos politicamente corretos como o nosso, aquela merda não serve pra lubrificar nem a minha sobrinha de dez anos! Não confio em best sellers. O que sei é que o livro surgiu de um fan fiction da saga Crepúsculo! Só o fato de um fan fiction virar livro me dá vontade de incendiar toda livraria que eu encontrar pela frente com esse livro na vitrine! Puta merda, só uma mulher muito carente pra achar que esse romantismo pasteurizado leva a algum lugar. Macho pra mim não pode brilhar como o vampiro da série. Muito pelo contrário: ele tem é que se esconder bem no escuro e me possuir como uma vagabunda, mesmo. Se eu quisesse um merdinha como o Edward Cullen atrás de meu sangue, pediria uma chupada sem avisá-lo de que estou menstruada...

EH: Você gosta de ser mulher?
MMS: Gosto sim. Ver o mundo se curvar ante minhas pernas é sempre divertido. Exibir a cara de seu macho fazendo algo que detesta, em fotos nas redes sociais, é o melhor troféu que uma fêmea pode querer, pra pisar na cara das recalcadas. Mas devo confessar que meu gênero anda mal representado esses dias. Por exemplo, semana passada fui conferir meu e-mail no computador de uma amiga, e o que encontro? Um vídeo do Youtube chamado "105º beijo de Roberta e Diego". Sério, aquela songamonga não merece se reproduzir! Eu preferiria ter encontrado pornô hardcore em vez daquilo! Parei de sair com ela com medo de os machos acharem que sou tão desinteressante quanto ela.

sábado, 15 de setembro de 2012

Impressões sobre a capital cercada pelos Andes

Recentemente conheci o Chile. E à medida que o ônibus me levava ao hotel, ficava com a crescente impressão de que o país deve ser o pedaço mais oriental das américas em que já pisei. O hotel em que fiquei, por exemplo, foi construído com tecnologia japonesa, cujas estruturas são sustentadas com fundações que se dividem em dois eixos que distribuem o impacto gerado por abalos sísmicos alicerce abaixo. Segundo o guia, essa tecnologia permite que os prédios resistam a terremotos de até 8 pontos na escala Richter. Além de cada quarto ter sua energia fornecida por paineis solares que, segundo informado pelo guia, dão conta de "apenas" 25 minutos de água quente. O banheiro, nada mais japonês: de design futurista, com o box estilizado como uma cápsula, levei quinze minutos pra aprender a usá-lo. Havia dois chuveiros verticais e quatro frontais, além de duas torneiras e mais duas torneiras fora do box do banheiro, responsáveis pela temperatura. Depois do banheiro, me limpei tanto quanto sujei o banheiro. Uma proporção inacreditável. Nos meus próximos banhos, peguei o jeito e a bagunça foi menor. Essa coisa de banheiro japonês ser esquisito me ocorreu por causa de uma história que o cantor Leonardo contou numa entrevista que assisti certa feita: ele contou que os banheiros de Tóquio tinham duas mãozinhas metálicas que te ajudavam a te limpar após a obra. Felizmente, não inventaram isso no hotel em que fiquei.

E o toque oriental não para na hospedagem em que fiquei. Nas ruas, encontram-se restaurantes chineses de duas em duas quadras. É mais fácil comer um yakissoba do que um Big mac em Santiago! E embora a descendência do povo chileno puxe em grande parte dos povos das montanhas, como os mapuches e os incas, que os conquistaram, os olhinhos puxados, especialmente nos bebês, se faz perceber facilmente nas ruas. Teve também algo que ouvi na volta que me fez ter ainda mais certeza de que o Chile foi/é ponto de encontro de muitos povos orientais: alguém na fila do check-in estava comentando com seu par que achou o aeroporto pequeno, mas com o espaço muito mais bem-aproveitado do que Guarulhos, por exemplo, que mais parece um angu de rodoviária com galpão e não cabe nada. Reparem Guarulhos: os terminais são tão grandes que, se você estiver com o horário apertado, vai se ver correndo feito louco pelos saguões do local. Em compensação, se voltar do Brasil após viajar ao exterior, será espremido num reduzido espaço destinado à Imigração, numa fila ridiculamente grande que até eu, nativo, preciso pegar. E, mais puro reflexo de nossa síndrome de vira-lata, nessa mesma fila os estrangeiros têm preferência. São colocados numa fila bem menor, observando a constrangedora cena de brasileiros sendo arrebanhados para terem o direito de voltar ao próprio país. Encontro dificuldade em constatar que só eu achei esta cena paradoxal, ao observar várias pessoas que aproveitaram a viagem comigo aguardando na fila, sem perceber nada de errado nem motivo para indignação.

Um comentário de política externa


There are many parallels between Presidents Carter and Obama. Carter let America’s ally, the Shah of Iran fall in 1979, paving the way for the takeover of the country by religious fanatics. In the aftermath, America suffered the indignity of its embassy staff being taken hostage for 444 days and a botched operation to rescue them. Iran has become the axis of evil in the region, supporting Hamas, Hezbollah and Assad and is now close to acquiring nuclear weapons, thanks to Obama’s dogged insistence on ineffective sanctions. Under Obama, Iran embarrassed America again by parading around with our latest technology drone, which they somehow landed intact. I find it curious that there was no investigation or explanation from the Defense Department as to how the Iranians managed to land and steal the drone.
Following Carter’s missteps, Obama let a strategic ally of America, Hosni Mubarak of Egypt, fall in 2011, allowing the suppressed Muslim Brotherhood to gain prominence in politics, jeopardizing the hard-won Middle East peace treaty between Egypt and Israel. Egypt has gone off course so much that Obama recently declared publicly that the US may no longer consider Egypt as an ally: an idiotic statement from the US President, who is on the campaign trail, has no time for daily intelligence briefings and is more concerned with his poll numbers than American embassies under attack in Muslim countries. So much for “a new beginning based on mutual interest and respect” speech Obama spouted in Cairo on June 4, 2009.
The mistakes by these two incompetent leaders are costly, irreparable and work against the interests of America and peace in the region. Making a habit of abandoning its staunch allies at the first sign of trouble is not the best strategy to forge new ties around the world or to reassuring existing allies that the USA is a dependable friend.


O tipo de sensatez que a gente não encontra nas seções de comentários de noticiários das américas...

(link aqui)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Bloco de notas (XXI)

Bem, deu pra perceber que escrever é uma parte importante de mim. Vou parar de mimimi com esses textículos de despedida, como o de três meses atrás. Eu devia saber que meu ego não permitiria deixar à revelia minhas epifanias, empáfias e abobrinhas em geral. Vou escrever cada vez menos, mas continuarei por aqui. Lancei uma reformulação do template para botar uma ordem mais espartana em meus arquivos. Pelo menos no meio virtual não preciso me preocupar com a rinite... no mais é isso: percam tempo com minhas pílulas habituais (pílulas em negrito são atualizações).

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Brasil não é para amadores

Alguns textos para ajudar a entender nosso país medíocre. Nova série de textos, escritos por diversos autores, para botar nossa História em perspectiva. E pra tirar poeira dos velhos livros de Ensino Médio.
Extraído do livro de Roberson de Oliveira, História do Brasil: análise e reflexão. FTD: 1997.


Considerações sobre o processo de independência
pp. 122-123


O "7 de setembro" foi a formalização de uma situação de fato. Desde a transferência da corte, a opressão portuguesa não se fazia sentir nem na esfera econômica nem na política. Essa questão foi mito bem observada por Caio Prado Jr. em seu livro Evolução política do Brasil, na seguinte passagem: "O certo é que se os marcos cronológicos com que os historiadores assinalam a evolução social e política dos povos não se estribassem unicamente nos caracteres externos e formais dos fatos, mas refletissem a sua significação intima, a independência brasileira teria sido antedatada de 14 anos".

Outro aspecto decisivo que merece ser destacado refere-se ao fato de que determinados procedimentos políticos que marcaram a transição para a independência tenderam a se repetir em outros momentos importantes da história política do Brasil.
Um desses procedimentos, como já mencionamos, foi o esforço gigantesco da aristocracia rural, a elite da época, em manter o povo afastado do processo político da independência. A aristocracia temia que o povo entrasse no cenário e mudasse o rumo dos acontecimentos em seu benefício. Isso se refletiu na implantação da República, na Revolução de 30 ("Façamos a revolução antes que o povo a faça", dizia Antônio Carlos, importante político mineiro), no golpe de 64 e, mais recentemente, na campanha pelas Diretas-já, onde, apesar do clamor popular, as elites políticas optaram por uma solução negociada, que frustrou milhões de brasileiros.
Esse traço característico da política brasileira enraizou ideias de consequências nefastas. Introjetou a impressão de que as mudanças políticas ocorrem sem necessidade de participação popular. Daí decorre um certo desprezo do povo pela política, porque parece algo que não tem relação com a sua vida. É algo distante, que evoluiu independentemente dele.
Já as elites políticas, por ter sido, até gora, bem-sucedidas em suas manobras e negociações, acabaram acreditando que a política é realmente um espaço exclusivo dos privilegiados, dos ricos, dos que estudam em boas escolas e têm diplomas (de preferência de centros americanos e europeus). A massa, pobre e considerada ignara, por não preencher esses requisitos, não teria condições para o exercício da política.
A exclusão das classes desfavorecidas pode ser considerada um dos princípios que vêm orientando a ação política das elites, pelo menos, desde a época da independência.


A corrupção
pp. 74-75
Do capítulo 6: As minas de ouro: o Brasil do século XVIII


O contrabando nunca teria atingido a dimensão oceânica que atingiu se não contasse com a cumplicidade das autoridades coloniais portuguesas sediadas no Brasil. A face interna do contrabando internacional era a corrupção.
Tal qual aprendizes de feiticeiro, as elites nativas, que começavam a se formar, assimilavam a mentalidade corrupta dos administradores coloniais.
Aprendizes dedicados, essas elites rapidamente dominaram os mecanismos da corrupção. Acostumaram-se com as inúmeras vantagens que a sua prática, em grande escala, trazia. Raramente punida, ela se cristalizou como algo natural ao nosso modo de vida e à nossa origem. Nesse contexto, a corrupção aparecia, aos olhos dos brancos pobres, mestiços e negros libertos, associada a uma condição de poder. Parecia mais o exercício de um privilégio do que prática de um crime. Numa sociedade fortemente hierarquizada, na qual a ascensão social era rara, não surpreende que todas as lasses subalternas tendessem a praticá-la.
Entre outras coisas, porque era uma forma de o homem comum e "desclassificado" exercitar uma atitude típica dos poderosos e, assim, aproximar-se, ao menos simbolicamente, da condição das elites. Em síntese, a corrupção se propagava por todo o tecido social.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Textos esquecidos (II)

Quando comecei este blog, importei textos de meu blog anterior para que os incautos que passassem por aqui tivessem noção das bobagens que já escrevi. Só que nem todos os textos que importei foram aproveitados. Na verdade, no máximo uns 40% foram aproveitados. Os textos diarinho não foram aprovados no teste do tempo e se tornaram simplesmente chatos, dramáticos, berros de uma adolescência cheia de relutâncias para com o mundo e extremos que não faço questão de lembrar. Mas volta e meia me deparo com um ou outro que talvez merecesse uma republicação tardia. Eu disse talvez. A quem interessar possa, esse é um desses textos.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Mundo bizarro: habilidades sobrehumanas

Teve um texto ano passado em que soltei a imaginação para ponderar como seria um hipotético Mundo Bizarro, onde tudo é rigorosamente o contrário ao nosso. Como rolava com o Super-homem. Após escrever o texto, recebi um instigante desafio nos comentários. Como seria o mundo onde as pessoas teriam habilidades sobrehumanas? A princípio, respondi lá mesmo que Stan Lee chegou antes de mim, e mandou muito bem: ele ganha milhões com sua imaginação há décadas! Mas deixarei aqui minha humilde contribuição a essa ideia proposta por Mr. Poneis, fiel leitor deste beco de ideias virtual. Vamos lá.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A realidade sempre supera a ficção

Neste post aqui, dei uma sugestão de uma invenção, a ignição de carro ativada por peso. E não é que tem japonês inventando isso? Vejam essa notícia do Estadão. Agora posso morrer em paz sabendo que, como todo visionário, morrerei pobre e fudido, esquecido pelas pessoas de meu tempo.

Quero meus royalties, viu, galera?

terça-feira, 17 de abril de 2012

Queixa

A função de empregada é resquício dos tempos coloniais. Rebotalho de preconceito, desigualdade social e discriminação. Hoje em dia, é um trabalho claramente informal com leis de formal. Um anacronismo tipicamente brasileiro. E detalhe: nem conselho de classe essas profissionais têm! Ou seja,a gente paga e nunca sabe a procedência do profissional dentro de casa. Fala alguém já roubado dentro de casa por algumas delas. Agora que mordi, vou assoprar: não estou desmerecendo a categoria; apenas criticando como no Brasil a gente tá sempre pagando por coisas sem garantias de qualidade ou de manutenção de nossos direitos. Seja a gente empregado, seja a gente chefe. Minha queixa pode ser estendida a quaisquer profissões. Inclusive à minha: minha categoria também não tem conselho regulador! Então me dou a liberdade de criticar isso. Na lógica de escolinhas de idiomas, tenho de disputar espaço com adolescentes no primeiro ano da Faculdade de Direito (sem a formação adequada e que acham que entendem de uma língua, estrangeira ou não, só porque fizeram dois semestre nos Fisks da vida). Elas querem que a gente (COM formação) faça como no antigo slogan das Cassa Bahia, que cheguemos até o empregador e perguntemos "quer pagar quanto?" Maravilha de país...

terça-feira, 10 de abril de 2012

Literatura (?) para leigos

Uma das vantagens de se formar num curso que ninguém leva a sério é a ampliação da visão de mundo que se adquire. Por exemplo, toda vez que assisto a um filme ou leio um livro, sempre me encontro fazendo analogias e percebendo referências que passam desapercebidas pra maioria. Você vê coisas que ninguém vê. Amplia sua experiência ao ler uma história. Entende melhor a cabeça do autor. Este é um texto meio wikipediano, já que se utiliza de referências pop. Alguns exemplos preu brincar de dar alguma utilidade às aulas de literatura que tive:


  • Eugene: personagem de Hey Arnold!, célebre por ter uma sorte ruim mas, independente da gravidade da situação em que esteja, sempre levar em consideração o ponto positivo da situação. Por exemplo, se Eugene estivesse num prédio em chamas, imediatamente ele diria algo do tipo "ainda bem que estou no terceiro andar". A inspiração do autor, Craig Bartlett, para a criação desse personagem, possivelmente deriva diretamente de Pollyanna, personagem de romance homônimo de Eleanor H. Porter. No livro, a garota fica o tempo todo brincando de 'Glad game', jogo que consiste em se olhar pro lado bom das coisas. Chega um momento na história em que ela não brinca sozinha disso, e ensina essa brincadeira a várias personagens do livro, que lhe são gratas por isso lhes ajudar a olhar para suas próprias vidas de forma mais positiva e motivadora. Mas no livro a garota passa por uma dura provação que põe à prova o otimismo da garota, entretanto o desfecho da história não corresponde rogorosamente ao que quase sempre acontece ao azarado Eugene.
  • Sr. Dinky: personagem roxo de Doug. Trata-se de um senhor aposentado cujo passatempo é comprar quinquilharias mirabolantes. Não à toa, seu mais célebre bordão é "e foi muito caro". Tem um episódio em que ele vai à pesca. Há um peixe no lago que ele nunca consegue pescar. Aqui, a analogia com O velho e o mar de Hemingway é das mais óbvias. Adivinha o que acontece quando ele consegue finalmente capturar o peixe? Pois é. A diferença é que, no desenho animado, o peixe tem uma sorte melhor. Não cairia bem o Sr. Dinky ser retratado como um homem cansado e derrotado como Hemingway fez no livro, obviamente. Fiquei apenas num exemplo aqui, mas as referências a esse livro são inúmeras; coisa mais fácil é encontrar alguma produção com referências a isso.
  • Grande parte da produção de filmes teen da década passada: garota disposta a fazer de tudo pra se tornar popular -- ou ao menos se enturmar com os populares -- consegue chamar a atenção de um rapaz popular e eles combinam de se encontrar no baile de formatura da escola. Ela fica nas nuvens. Se arruma com esmero, espera com ansiedade o momento de estar nos braços de seu príncipe encantado. Ao chegar ao baile, os amigos invejosos arrumam uma forma de humilhá-la na frente de seu grande amor. Esse é um dos maiores medos incrustados no imagináio popular das adolescentes norte-americanas, só pode. Que garota quer passar o resto da vida sendo chamada de Carrie? Que garota quer ser banhada de piche ao chegar ao centro do salão com seu paquera? É uma referência tão gasta que até CSI já se valeu dessa célebre personagem de Stephen King para um de seus episódios.


Esse aqui é um post antigo que eu nunca quis/consegui terminar. Especialmente depois que o Mr. Poneis me indicou o site do TV Tropes (joga no Google, criança). Aí ficou sem sentido de vez eu terminar este texto. Deixo aqui por curiosidade, só. Era isso ou deixar o blog às moscas. Não entendam isso como desleixo meu; apenas como uma pausa para que meu ócio criativo comece. =p

sábado, 10 de março de 2012

Falácias: mundo dominado por mulheres

O pensamento coletivo costuma supor que o mundo seria melhor sem homens no comando de quaisquer tipos de poder. Político, militar, social, etc. Isso não é verdade. Desvios na natureza humana não escolhem sexo em particular. O único acréscimo nessa equação, quando falamos de homens, é a agressividade trazida pela testosterona. Que não é exclusividade nossa; apenas somos dotados mais desse hormônio do que as mulheres. Mas a indústria pop, esporadicamente, gosta de botar sua imaginação pra funcionar e criar filmes e livros com sociedades onde as mulheres estão no comando. Esquecendo-se de que todas as evoluções conquistadas pela humanidade, seja quais tenham sido suas motivações, todas tiveram como força-motriz a motivação de facilitar a vida da humanidade como um todo, a fim de o macho provedor ter condições cada vez melhores de manter uma prole a ostentar um poder social, financeiro, de posses. Altruísmo é um aspecto da natureza humana que se encontra num ponto evoluído demais de nossa humanidade para o localizarmos na coletividade.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Entrevista com a mulher mais sincera do mundo (II)

Continuação de: Entrevista com a mulher mais sincera do mundo

EH: Qual foi a maior surpresa que você já fez para um homem?
MMS: Foi quando eu descobri os horários de meu ex com a atual. Aí eu ligava pra ele nesses horários, usando de uma intimidade indesejada para uma ex. Eu puxava assunto perguntando se ele estava malhando, dizendo que estava com saudades... essas amenidades que ganham ares de ataque quando um de seus machos está com outra fêmea. Às vezes eu mandava mensagens, pelo celular ou em redes sociais. Só pra ele ter a certeza de que pode até buscar outro rabo de saia, mas já demarquei meu território nele com minha xota. A cereja do bolo era quando um dia, me sentindo sozinha e querendo fazer pole dancing num mastro de carne, tirei uma foto minha pelada e mandei pra ele enquanto ele estava no cinema com a atual. Homem a gente não pega, coleciona. Eles preferem mijar num território primeiro pra dizer que algo é deles; a gente mantém o membro deles dentro de nós o suficiente para macular a pica e a reputação deles para sempre!


EH: Você parece se orgulhar de ficar atingindo seus ex depois das separações. Que prazer sádico é esse?
MMS: Tem um ditado que diz que, quando a gente ama -- ou seja, quando algo realmente é nosso --, a gente pode soltar que ele volta para a gente. Ou seja, se voltar é seu, é pra valer. Com homem é assim. Por isso que a gente chora de propósito pra ganhar discussões, eleva o tom de voz em público e, de propósito, faz amizade com amigas do mesmo círculo social da atual. Para que a gente tenha certeza de que esse macho desgarrado não se perderá no caminho. Com essa engenharia social, tem-se a oportunidade de divulgar versões favoráveis a ti do relacionamento, se inserir em eventos sociais onde você sabe que a atual estará e alimentar a paranoia desta se aproximando de seu macho toda vez que esta se afastar para, por exemplo, ir ao banheiro.


HE: Você fala muito mal de ex?
MMS: Bem, geralmente a fama de cada um deles os precede, então acaba sendo redundante muitas vezes. Mas creio que a forma mais velada e divertida de atingi-los é por meio de miguxices ou coisinhas fofas. Por exemplo, se eu vier com maldade pras meninas contando que meu ex não dava conta do recado a quatro paredes, a coisa pode se virar contra mim por acharem que estou querendo difamá-lo. Mas se eu vier com a retórica da miguxice e disser, "gente, ele era um fofo na hora H. Carinhoso, conversava comigo, me fazia massagem... Fazia uma carinha tão linda quando o amiguinho dele não queria trabalhar...", ganho mais credibilidade e ainda o humilho. Percebe a diferença?

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Compilação das pérolas do He-man

Essas são as mais recentes de todas. (post meio interno, eu sei)


_ Até que fez bem pra ele virar pai. Ele estava muito à toa. A vida dele antes se resumia a festas, pegar menininhas cheirando a leite e enrolar oito anos pra terminar a faculdade.
_ Pois é. Muito à-toa, mesmo.
_ Você sabia que à-toa, quando tem função adjetiva, ganha hífen?
_ Ah, hífen é aquela vírgula voadora?
_ Jesus... a "vírgula voadora" a que você se refere é o apóstrofo. Tô falando de hífen, o tracinho.



[vendo notícia na Internet em que policial de Brasília sofre tentativa de assalto em sua moto. Ele troca tiros com bandidos, que fogem ao descobrir que ele é PM. E este, em legítima defesa, mata os três pelas costas]
_ Nossa, a galera dos recursos humanos vai encher o saco em relação a isso.
_ Direitos humanos.
_ Iiiiisso isso isso.


_ Hoje me deu uma vontade de cortar o braço do Robinho...
_ Sim.
_ Cortar o braço da Alcione...
_ E como você fez? Você faz o número 2 fora de casa?
_ Ah, até faço. Mas não faço sem meus panos umedecidos.
_ Pára tudo! Que porra é essa?
_ Claro, na hora que espirra não dá pra passar sem.
_ Que coisa mais gay!


E abaixo segue uma compilação que fiz desses momentos Magda (do Sai de baixo) trazidas até nós por ele. Mas antes de lê-la, explico aos curiosos quem é o He-man. Certa feita, comentando entre amigos de alguma história envolvendo meu irmão, uma amiga sem noção nossa ouve parte da conversa e o alcunha de He-man, achando que este tinha alguma semelhança física comigo. Achei o apelido tão engraçado que pegou. Inclusive por aqui; chamá-lo de He-man é mais divertido. Enfim. Coisa de gente sem vida social na época. Vamos lá.



Algumas sem link:

2005 (a última é de um amigo dele)
_ Cara, ela é muito alta!
_ Mas isso não é problema: nossas bocas são da mesma altura!
_ Ela é da minha altura, rapá!

_ Aí perguntei a ela: mas porque você deixou a "marca registrada" nele? No que ela responde: "deixei porque ele pediu".
_ Por marca registrada, entenda esse proeminente e discreto chupão no pescoço.
_ ...
_ Pedir pra deixar marca registrada é o cúmulo. Imagino o que ele pedira antes de pedir isso...
_ ...
_ Patético...

_ Essa aconteceu comigo essa semana: enquanto tomava banho, consegui quebrar o chuveiro de novo...
_ Putz, que cabecinha pequena, hein?
_ Novidade... aí, meu pai, puto da vida, me forçou a ir com ele comprar outro chuveiro e a instalá-lo. Aí fui, sem problema. Quando voltamos pra casa, ele começava a remover o chuveiro antigo e pediu para que eu desligasse o registro lá fora. Pra sacaneá-lo um pouco, me dirijo até o corredor e simulo passos pesados até a porta. Espero uns cinco minutos lá fora, fingindo ter desligado o registro, e volto pra dentro, com os memsos passos pesados. Aí ele desmonta o chuveiro e leva aquele jato d'água na cara. Cara, como ri naquela hora...
_ Acontece nas melhores famílias...
_ Mas nem tive muito tempo de rir do incidente: tentei fugir mas ele me pegou imediatamente pelo pescoço e esfregou minha fuça no cano solto por onde a água jorrava. Antes que me afogasse, ele me fez fechar o registro...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Palavras legais que ela usa

Quando conversamos, às vezes comento com a namorada como a profissão dela elitiza a língua. Que é um instrumento de dominação, enfatizo. Ela não acredita. Exemplifico com as inúmeras expressões pedantes e locuções adverbiais obscuras fossilizadas da última flor do Lácio e as expressões latinas que os profissionais da área dela papagueiam sem ter a menor ideia do que significam. Além das palavras que a profissão dela gosta de inventar, só para falar diferente de pobre. Palavras que em todos as situações comunicativas possuem um significado mudam de significado radicalmente quando aplicadas no contexto jurídico. Uma subversão semântica radical em nome de "um dialeto de rico criado pra pobre não entender", na acepção dos Malvados.

De qualquer forma, não vim aqui pra falar dos aspectos sociolinguístico das palavras que usamos, mas apenas para exemplificar o peculiar vocabulário dela com algumas palavras que já ouvi dela.


  • Comburente: inflamável. Apesar de a palavra ser erudita, tem a vantagem de não ser composta de forma aparentemente contraditória, como seu sinônimo. Porque geralmente palavras iniciando-se em im-/in- indicam algo que não pode ser feito, que não é tangível. Dessa forma, quando dizemos que algo é inflamável, os estudantes estrangeiros de português decerto devem sempre ficar na dúvida se aquilo realmente pode pega fogo. Ao dizer que é comburente, pelo menos não se tem de se sujeitar a essa irregularidade constrangedora de nossa língua. Confesso que o Esperanto me deixou mimado demais... =p
  • Lupanar: puteiro. Parece palavra que velho usa quando tem família por perto e quer contar pros amigos que tá aprontando.
  • Acepipe: aperitivo. Essa, quando ela soltou no GTalk, precisei até conferir na Internet do que se tratava. Fica até sofisticado você dizer que vai comer azeitonas e salaminho ao chamar essa tábua de frios de acepipe. Truque que restaurantes geralmente usam. Restaurante que se preze, quando serve Romeu e Julieta de sobremesa. Esses dias ela usou também a variante antepasto. Alguém andou lendo muito Aulete na infância;
  • Mãe d'água: forma que os antigos usavam para se referir a sereias. Uma lenda amazônica, inclusive. Mais curiosa que essa, só a ama de leite que minha vó falava. Ela chamava todas as empregadas que passavam por nossa casa de ama de leite. Nunca tinha me tocado da maldade implícita nessa expressão do começo do século passado até passar por um museu, dois meses atrás, com alguns objetos de época. A exibição continha alguns anúncios de jornal procurando amas de leite, e a descrição me fez cair a ficha. E me enojar um pouco também. Maravilha de mães que se recusam a amamentar em nome da vaidade...
  • Locupletar: roubar, subtrair algo de alguém. E ela ainda teimou comigo dizendo que esta palavra é um termo jurídico. Gente, isso não passa de um termo elitista pedante fossilizado que não serve pra nada no português atualmente falado. A única função de palavras assim é o de usar a língua como instrumento de dominação. Ela argumenta que "não é obrigada a reduzir o vocabulário só porque as outras pessoas não são tão estudadas quanto ela". Não sei se ela está sendo pedante ou eu que estou com complexo de inferioridade linguístico. Voto pela primeira opção.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Fuck the police

Abrindo 2012, elencarei aqui algumas sugestões de como exercer adequadamente catarse em relação a pessoas abjetas e desprezíveis que passam por sua vida. Ou apenas chatas. Porque o mundo já tem gente demais com vontade de mandar o chefe à merda que não faz nada. Se o motivo para isso for falta de criatividade de fazer isso de forma épica, anote algumas de minhas sugestões abaixo. Se o motivo for falta de loucura, compre alguns comprimidos mágicos pela internet.

  • Vá bêbado ao trabalho;
  • Quando mandar mensagens de fim de ano aos amigos, deixe claro no corpo da mensagem as exceções, as pessoas que você literalmente quer mandar pro inferno (na imagem ao lado, eu fiz isso há dois anos atrás). E escreva isso com todas as letras. É divertido ver a cara das pessoas, sem saber se condenam sua agressividade ou se louvam seus votos de ano novo;
  • Quando receber tarefas de pessoas que te enchem o saco no serviço, faça a tarefa mas não avise a pessoa que você o fez. Sempre que ela perguntar, diga que você ainda está fazendo. Invente desculpas, protele, enrole até ela estourar. Quando ela estiver pronta pra te carcar, avise que você terminou a tarefa faz tempo. Mantenha sempre as pessoas no escuro em relação à sua produtividade;
  • Cole placas de "sorria, você está sendo filmado" em todos os banheiros por onde passar;
  • Coloque um anúncio falso de acompanhante no jornal e informe o número do chefe/ex/alguém que você odeia;
  • Bote algumas gotinhas de laxante no café do trabalho. As idas repetidas ao banheiro funcionarão como estímulo repulsivo à bebida e incentivarão as pessoas a melhorarem seus hábitos noturnos;
  • Doe algumas playboys pro padre de sua igreja com dedicatória sugerindo deixar os coroinhas em paz;
  • Convença a namorada a fingir que a menstruação atrasou para ver a reação de seu sogro in loco;
  • Quando algum amigo seu estiver contando alguma história chata na roda, comece a repetir o que ele diz a cada pausa dele, como o Barbosa da TV Pirata fazia;
  • Demonstre claramente o que você pensa dos amigos de seus amigos que são mais novos que você. Fale abertamente que você "não está a fim de fingir que eles são interessantes esse final de semana";
  • Adote o Wally, personagem da tirinha do Dilbert, como guru das relações humanas. Replique o comportamento dele em todos os aspectos e transforme o ócio em arte;
  • Quando você, numa conversa, soltar veneno em relação a alguém, certifique-se de dar um contexto que inclua o máximo possível de pessoas. Por exemplo, conte algo assim: "Cara, eu vi a Fulana beijando outro cara na formatura. Bem que o Sicrano sempre me falou que o Fulano tava pegando sopa de outros machos faz tempo. Sorte do Beltrano, que comeu e vazou: ele quase a pediu em namoro." Isso vai dotar seu círculo social de uma aura de sinceridade que permitirá que vocês conheçam melhor uns aos outros, tornando assim as amizades mais transparentes;
  • Sempre subestime as pessoas. Nunca dedique mais que um minuto pra explicar algo. Já que 99% das pessoas só ouvem a si próprias, seria bobagem pensar que são capazes de interpretar e seguir instruções com propriedade. Ou que conseguem dar atenção a algo por mais que um minuto. Então dê uma instrução de cada vez. Só dê a próxima quando a primeira tiver sido concluída, e assim por diante;
  • As pessoas adoram desvirtuar dos assuntos durante discussões, com comparações, analogias e menções a terceiros. Então redirecione-as ao tópico principal dizendo: não é disso que estamos falando. Por exemplo: a pessoa diz "você é muito cricri, centralizador, cheio de manias. É exatamente como meu pai" e você replica "não é do seu pai que estamos falando". Ou então "mas eu não entendo, porque você fez isso? Com a Fulana você não fez." Novamente: "Não é da Fulana que estamos falando." Faça isso até irritar a pessoa, o que não vai demorar. E racionalize/relativize seus argumentos. É uma boa forma de demarcar seu espaço numa contenda;
  • Atribua sua opinião a terceiros, quando não quiser se expôr, se complicar ou se irritar à toa. "Esses dias conversei com Fulano e ele me disse que aquele filme é uma merda porque...". Isso, infelizmente, é mais necessário do que gostaria, no meu caso: as pessoas sempre acham que estou de rabugice. Elas confundem opinião com reclamação (família, então...). Então uso desse expediente pra elas não gastarem meu tempo dando palpite sobre minhas atitudes;
  • Use a música-tema do Pica-pau como toque de celular, esconda-o numa sala de reuniões num local impensável e ligue para si próprio. Observe a concentração das pessoas indo embora a cada ligação;
  • Use filosofia em situações inapropriadas. Pesquise algumas frases legais do Philosoraptor e comece a usar em seu cotidiano;
  • Use argumentos insólitos. Esses dias, por ex., me criticaram por eu ter dado à minha irmã "apenas" R$20 pra comprar um presente pro aniversário duma menina que detesto, que quase tive que ir. Aí usei o argumento de que suposto valor pequeno é para "ensinar a ela o valor cristão da humildade e para dar a ela a oportunidade de ser feliz com pouco". Quando tento convencer a patroa de topar um ménage à trois, argumento que é a oportunidade perfeita de ela se gabar do partidão que ela tem na cama, mostrando inclusive à garota como é que faz, e me emprestando se ela pedir com jeitinho. Sem falar na economia na hora de dividir a conta do motel ou minha modesta colaboração para tirá-la do atraso e deixá-la mais feliz. Como podem ver, nem sempre meus argumentos funcionam. Mas depois de meia hora de conversa com uma amiga das antigas, consegui a aprovação em relação aos R$20 doados para a compra do presente! ;)
  • Se você escreve atas de reuniões no seu trabalho, escreva em minúcias tudo que acontece. Inclusive as fofocas. Sempre é divertido a cara de tacho das pessoas quando estão corrigindo a ata;
  • Coloque um tijolo na porta do elevador, para prendê-lo no seu andar. Especialmente em dia de pagar aluguel ou evitar visitas chatas. E aperte os botões de todos os andares. Deixe também um aviso na porta dizendo que "saiu pra almoçar", caso a pessoa a ser evitada seja teimosa;
  • Essa é do mal, vi em sites tipo lamebook.com ou failbook.com: para as meninas. Entre em chats, IMs, chatroulette ou outros lugares pra conversar com pessoas aleatórias. Puxe assunto com o rapaz, dê mole pra ele e peça pra ele mandar o link do perfil dele em rede social. Ao ver que o rapaz está namorando, certifique-se de tirar print e salvar logs de todas as conversas que tiver com ele. E envie à namorada, se vangloriando. Parabéns, você acaba de destruir um relacionamento de um trouxa ingênuo;
  • Dê respostas idiotas a perguntas ainda mais idiotas. Veja o exemplo da imagem anterior e aprenda humildemente com os trolls da internet. Leia sempre o Yahoo! respostas para inspiração. Só lá você encontra pessoas perguntando se é saudável comer a própria menstruação, ou se transar durante a gravidez pode engravidar o bebê. Os dois exemplos são verdadeiros;
  • Cansado de ver seu amigo babaca que sempre passa a conversa na mulher, que sempre pula a cerca e fica se gabando da própria virilidade? Então dê o troco. Passe batom e beije a gola da camisa dele, quando ele não a estiver usando. Homens são distraídos, então coloque a marquinha perto do cangote. Tente também borrifar um perfume, bem de leve, na região com a marca de batom. Quando ele se arrumar e botar a camisa, ele decerto terá muito a explicar à patroa...;
  • Se seu amigo é do tipo que vive arrumando confusão, adora aparecer e usa o próprio carro como extensão do pau, realize o desejo dele de ser reparado por todas as fêmeas na noite: convença-o a instalar som automotivo com frequência suficiente pra ativar o alarme de outros carros. Dirijam-se ao local mais badalado da cidade, com muitos bares e restaurantes e com certo trânsito de preferência. Liguem o som na frequência certa. Diga que teve a impressão de ter ouvido o porta-malas aberto, pegue a chave emprestado para abrir. A essa altura, com sorte, alguns alarmes terão disparado. Ative o alarme com seu amigo dentro do carro, mostre a chave pra ele e comece a dar uns amassos exatamente na mina que ele estava a fim, na frente dele. Arranhe a porta com a chave (caso você não goste dele) e deixe-a em cima do capô. Pegue seu carro que você estrategicamente terá deixado perto do local, estacionado, e vá embora com sua garota. Se o cara aprontou alguma com ela, será ainda mais fácil convencê-la de seu plano maquiavélico. Um playboy com som automotivo de cada vez por um mundo melhor;
  • Conhece alguém que adora humilhar mendigos? Então anote essa. Separe algumas roupas suas com três semanas ou mais sem lavar. Quando mais fedida e encardida, melhor. Compre um taser e leve consigo quando sair com essa pessoa. Fique atrás de uma porta quando ele se distrair para, por exemplo, entrar numa sala ou voltar do banheiro. Aplique o taser na nuca, de modo a ele não vê-lo. Quando ele estiver imobilizado, cubra os olhos dele com uma venda, coloque-o no carro (certifique-se de não ter estacionado longe) e largue-o num ponto movimentado do centro da cidade. Coloque ao lado dele um pedaço de papelão escrito com alguma mensagem típica da mendicância.

Gostaram das minhas sugestões de trollagem? Tente botar algumas em prática; de 2012 não passaremos mesmo... ;)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Jornalismo FAIL (III)

Putaria com regras. Porque até lupanares têm que ter ordem na casa. Aparentemente, nossa política é uma exceção.

Às vezes me arrependo um pouco de ter passado o Delete no meu outro blog, o Jornalismo FAIL. Olha quanta coisa bizarra eu conseguia achar na mídia local. Eram notícias tão peculiares e/ou porcamente escritas que a preocupação com a isenção e apuração dos fatos era problemas que de longe eram precedidos pelo analfabetismo funcional de nossos jornalistas. Bem, fazer o quê. Esporadicamente vou soltando por aqui algumas das entradas mais marcantes desse meio finado projeto.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Pro dia nascer feliz


Ando numa fase em que nunca estive mais carpe diem. E nem precisei envelhecer tanto pra isso; bastou apenas colocar minhas ambições no seu devido lugar. Devido apenas para mim, pelo jeito: quando falo de algum hobby que me interessa, por vezes me dizem, "mas porque você não faz algo que dá dinheiro, porra?" Eu respondo: já passo oito horas diárias fazendo isso, pra quê vou estragar um hobby misturando diversão com trabalho? Pra colecionar aquele papel verde que permite que eu compre bugigangas na compra coletiva? Fala sério! Se gosto de estudar línguas diferentes, viajar pra lugares novos, descobrir jogos  novos e hobbies que me façam fazer coisas banais de forma melhor, isso não é perder tempo com coisas que não dão dinheiro. Isso é viver. É fruição. Tirar fotos melhor, descobrir novos sabores degustando bebidas novas, combinando alimentos melhor, cruzando ramos do conhecimento diferentes para apreender melhor uma forma de arte ou uma ideia. Quem não consegue buscar motivação para sempre aprender mais, fazer ou apreciar melhor alguma coisa nessa vida, se esqueceu pra que esta serve.

Eu prefiro ficar contra o establishment (repita essa palavra três vezes com a boca cheia de farofa). Porque ele quer que a gente se mantenha alienado em nossos empregos medíocres, e sei que a vida é mais que um emprego que não te faça passar fome. Por exemplo, sempre marco minhas férias imediatamente após o Carnaval e sempre entre períodos antes ou depois de meses tradicionalmente reservados às férias pelas massas, como janeiro, julho ou dezembro. Às vezes marco as férias imediatamente após um feriado prolongado. Ócio criativo não é tempo desperdiçado. Faço isso pro dia nascer feliz. Pro mundo inteiro acordar e a gente dormir. Porra. E acreditem em mim: já convenci algumas pessoas a entrar no esquema. Elas, como eu, ficam na cidade nos meses mais mortos para seus trabalhos (com mais tempo para si próprias) e somem quando todos começam a voltar. Eu devia chamar minha tática de marcar férias de tática Cazuza. Como na música homônima do título do post. Rir de coisas obviamente engraçadas para a geração posterior à sua também é uma forma de manter uma abertura geracional saudável. Mas limite-se ao humor; não perca tempo com a música que ouvem hoje em dia. Limite-se ao filtro solar imortalizado na voz do chato do Pedro Bial. E jogue fora sua TV, de preferência.

Se fosse dar uma sugestão de como botar ordem em sua vida, diria para começar jogando fora todas os objetos que possam se associar a lembranças particularmente negativas. Eu disse particularmente porque tem coisas que trazem lembranças boas juntos; nesse caso mantenha-as. Prossiga aplicando os 5S em suas coisas. O que não tiver função só ocupa espaço. Jogue fora o que for inútil, e cuidado pra não entrar em negação. Se você nunca usou algo até hoje, isso não vai mudar amanhã. Dê as coisas que não usa mais. Assim, redescobrirá que elas não são extensão de seu corpo e ainda podem ajudar outrem. Democratize seus recursos materiais. Se você busca satisfação mais em adquiri-los do que em usá-los, está dominado pelo dinheiro. Você não ganha dinheiro, o dinheiro ganha você. Prossiga fazendo favores sem olhar a quem. Preocupe-se mais com a realização de um objetivo alheio do que em criar obstáculos para isso. Acaba sendo engenharia social independente de você ter um pensamento político ou não. Tempo é como espaço: sempre dá para arrumar mais. Se bobear até a Física Quântica chega a essa conclusão. E o último passo: não tente convencer ninguém que tem opiniões contrárias à sua. Já que opiniões são expressão de nossa individualidade, não há necessidade de se dogmatizar. Já temos religiões, partidos políticos e reality shows o bastante pra isso: alienar. Sorria e concorde. Não com o que a pessoa diz, mas com sua liberdade de expressão exercida. Não interessa o que ela pensa; interessa ela estar externando suas limitações intelectuais para que você aprenda o que não dizer e aprimorar sua visão de mundo. E só. Vou dormir.