domingo, 18 de dezembro de 2011

Trocando as bolas

Devo ter uma das piores memórias fotográficas de todos os tempos. E pra provar que não exagero, elevarei alguns exemplos para vocês. Pra mim, por exemplo, já virou praxe encontrar gente na rua, não fazer a mínima idéia de quem seja mas ter de fingir que lembra da pessoa por dez minutos. Isso rolou mês passado, mas o tempo todo acontece comigo. Por sorte, consegui deixar a desconhecida falar o bastante para que, ao perguntar sobre uma pessoa em comum de nosso círculo de amizades, eu matasse a charada. Já com celebridades… sintam o drama:

  • Confundi a Paula Fernandes com a Giovanna Antonelli;
  • Conheço pessoas igualzinhas à Ellen DeGeneres e ao Gene Wilder. Mas pergunta se sei os nomes;
  • Confundi Katy Perry com Zooey Deschanel. Mentira, não confundi. É um erro honesto da genética, só isso. Ou uma pulada de cerca do pai delas, vá saber;
  • Quando ouvi o Justin Bieber cantando pela primeira vez, podia jurar de pés juntos que era a Beyoncé ou a Shakira;
  • Encontrei uma menina no trabalho e ficamos conversando por uns dez minutos. A merda é que eu não lembrava o nome dela de jeito nenhum! Só lembrei por causa dum detalhe que ela soltou na conversa;
  • Um bêbado cantou pra mim no bar uma semana antes de o Corinthians ser campeão brasileiro. Ele puxou assunto, disse que me conhecia, queria fazer trenzinho no boteco... claro que também não lembro o nome dele!

E é isso, senhores. Com este post vagabundo, fecho a tampa por 2011. Não vou entrar no clichê de prometer que as atualizações serão mais frequentes (sem trema) para o ano que vem. Estou ciente de que blog velho é como velho de bengala: demooooora pra dar umazinha de vez em quando. Mas prometo que, seja o quão esporádico continue a dedilhar por aqui, que os posts continuarão a ser mais bem elaborados, como os últimos desse ano, maiores e mais detalhados, que passaram por várias revisões e escritos aos poucos, sem se afobar com a velocidade desta mídia aqui. Bom, no mais é isso. Feliz 2012 a todos e façam tudo que tiverem direito antes que a profecia maia acabe com tudo. Vá bêbado ao trabalho, coloque um anúncio falso de acompanhante no jornal informando o número do chefe/ex/alguém que você odeia, doe algumas playboys pro padre de sua igreja com dedicatória sugerindo deixar os coroinhas em paz, convença a namorada a fingir que a menstruação atrasou para ver a reação de seu sogro in loco. Gostaram das minhas sugestões de trollagem? Tente botar algumas em prática; de 2012 não passaremos mesmo... ;)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Os piores relógios do mundo

A gente tende a pensar que a tecnologia sempre vem para facilitar nossas vidas. Mas, como vocês verão nos exemplos abaixo, tem tecnologias que se mostram incapazes de fazer as coisas mais simples. Mostrar as horas é uma delas. Ao mesmo tempo que temos o relógio atômico, temos o relógio do Windows. Um paradoxo tecnológico. Engraçado como pensar que o relógio de pêndulo antigo da sua avó, ou mesmo os relógios de sol da Antiguidade são mais pontuais que os da Microsoft. Vivendo e aprendendo. Vamos lá.

  • Relógio de videocassete: a ruindade deste é epica. Marcou toda uma geração. Era um enigma ajustá-lo e, com qualquer falta de luz, ele resetava pro meio-dia. Não raro, os números do relógio se confundiam com o do timer que marcava a duração do filme. Infelizmente, seu legado permaneceu: tudo quanto é eletrodoméstico hoje em dia usa algoritmo semelhante ao dele. Os fabricantes eram são incapazes de colocar uma bateria interna que permita que o relógio não resete após um pique de energia, ou mesmo uma tirada da tomada, para quando você quisesse mudar o aparelho de cômodo. E a cereja do bolo é que ele não estava preparado pro bug do milênio. Os mais velhos saberão do que estou falando: o bug do milênio era uma crendice que a sociedade mundial como um todo teve, achando que os relógios cujos algoritmos não estivessem adaptados para contabilizar o ano 2000 corretamente gerariam panes em sistemas e bancos de dados inteiros, trazendo caos à infra-estrutura de países inteiros ao redor do mundo. Tinha até estadunidense idiota estocando comida, achando que alguma usina abriria as comportas devido às supostas consequências desse bug. Claro, como todo mundo que tentou acabar com o mundo até hoje, não deu em nada: o bug gorou. O ano 2000 chegou e o máximo que aconteceu foi os videocassetes acharem que estávamos em 1978, já que o algoritmo deles não previa a passagem do ano 2000. E sabem o que é pior? O milênio não acabava no ano 2000! Acaba em 2001! Epic fail tecnológico.
  • Relógio do Windows: esse tem vontade própria. Se adianta e atrasa em uma hora quando bem entender. Se ajusta automaticamente pro horário de verão meses antes deste acontecer, e meses antes/depois dele acabar. Já perdi compromisso importante e quase bati ponto no trabalho uma hora antes de ir embora por causa desse relógio da desordem. E como se não bastasse, é esteticamente horrível: fica no ponto mais escondido possível da tela do Windows, num tamanho pequeno, como se quisessem te esconder as horas. Patético!
  • Calendário de relógio de ponteiro: por não possuírem circuitos eletrônicos que permitam algum tipo de programação, contam apenas com "padrões" do calendário. Mas basta chegar o mês de fevereiro, por exemplo, para o mostradorzinho ficar permanentemente errado. Não há muito a fazer, e fica por isso mesmo. Próximo.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Textos esquecidos

Quando comecei este blog, importei textos de meu blog anterior para que os incautos que passassem por aqui tivessem noção das bobagens que já escrevi. Só que nem todos os textos que importei foram aproveitados. Na verdade, no máximo uns 40% foram aproveitados. Os textos diarinho não foram aprovados no teste do tempo e se tornaram simplesmente chatos, dramáticos, berros de uma adolescência cheia de relutâncias para com o mundo e extremos que não faço questão de lembrar. Mas volta e meia me deparo com um ou outro que talvez merecesse uma republicação tardia. Eu disse talvez. A quem interessar possa, esse é um desses textos.

(originalmente escrito em 3 de setembro de 2005)


A abstração é algo engraçado. Principalmente quando se faz isso durante uma conversa. Com a F., a abstração que obtive ao longo dos anos é tanta que é como se eu falasse comigo mesmo. A figura dela nem sempre existe para meus olhos nessas horas. O diálogo interno sempre existiu; algo ou alguém para externá-lo, não. O pior é que jamais me utilizei (ou me fizeram utilizar) de artifícios indiretos para auxiliar a abstração como mecanismo auxiliador de exposição, como falar com meias, escrever, ou desenhar. Até porque dois terços do que acabo de citar eu já faço nas horas vagas. É engraçado muitas vezes concebê-la, à minha frente, como mera materialização dessas vozes internas que jamais nos deixam em paz. Só que, em vez de eu ter de me contentar com uma voz interna masculina, ao menos uma já externada palra feminina vem a me instigar. Depois das efemérides e articularidades de seus dizeres devidamente suplantadas pelo que quero -- e pelo que não quero também -- ouvir, claro. Já houve vezes em que os dizeres dela em nada se tornavam paralelos ao meu estado de espírito e a fúria em meus dizeres a faziam se esquivar de mim, não somente em palavras. Enquanto o olhar petrificado de um misto de frustração jazia após o descarrego de tal funesta desilusão, me imobilizando. Vulnerável após as entranhas de toda aquela abstração ter sido exposta. E se ver que a abstração não se trata somente de abstração. É sua verdade, agora sem dono, solta no mundo. Em toda sua simplicidade. Paradoxalmente te impulsionando e te repelindo a atuar em modos de fugir da simples e pessoal verdade, indelével. A abstração, quando se confunde com sua verdade -- porque, mais cedo ou mais tarde, haverá tal confusão -- dói. Sim, a verdade dói. Saber que certas verdades são particulares dói ainda mais. Singulariza o desalento. Não é algo que gostaria de receber personalizado. Prefiro personalizar as mentiras, mas customização alguma aumentaria as pernas destas.