quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Algumas pílulas

"Quem fala consente!"
Em casa, em relação a alguma situação diversa.

"É um grande exagero desnecessário."
Marco Luque, "humorista", comentando que a polêmica envolvendo seu ex-colega de trabalho Rafinha Bastos não interferiu na amizade entre os dois. Redundância é isso aí.

"Dilma, eu te amo."
Carlos Lupi, ex-Ministro do Trabalho, se pendurando com força nas bolas da presidenta, morrendo de medo de perder a boquinha do Ministério.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Quem precisa de mundos paralelos...

...quando se tem uma realidade que, sozinha, já é bizarra o bastante? Alguns apontamentos sobre isso:


  • Recentemente o Congresso dos Estados Unidos considerou a pizza um vegetal. Pode isso, Arnaldo? Com lobistas muito bem pagos da indústria alimentícia infiltrados no Congresso deles, até pinga vira suco. Como muitas dessas empresas têm contratos com o governo para fornecer a merenda escolar do sistema educacional deles, o que aconteceu? O Ministério da Agricultura deles (USDA) passou um projeto de lei exigindo redução no uso de batata e nos níveis de sódio dos alimentos que essas indústrias fornecem, entre outras medidas. Uma delas exigia uma quantia mínima de tomate, sendo que mesmo na forma de extrato seria contabilizada como vegetal, então é aí que os lobistas entraram. Os estadunidenses reinventaram a cadeia alimentar: agora querem decidir quais alimentos são ou não frutas, legumes... em algumas décadas eles devem chegar aos níveis de obesidade dos humanos de Wall-E; já estão começando a investir nisso ainda no ensino público...
  • ONGs que recebem dinheiro do governo. Esse tipo de aberração do poder público até já derrubou ministros do governo, mas não adianta: no Brasil, ONGs não são tão ONGs assim. Se os desvios de recursos públicos ou as acusações de o ex-ministro do Esporte favorecer a aplicação de recursos em prefeituras administradas por seu partido não fossem o bastante, ainda nos metem essa. Me lembro da indignação do Cap. Nascimento no Tropa de Elite toda vez que falava das ONGs nas favelas cariocas e aquele monte de jovenzinho de classe média brincando de mudar o mundo em território sem presença do estado. Como aquelas ONGs se mantêm por lá? Boa vontade das pessoas em ajudar o próximo que não é! Quanto vale ou é por quilo é um filme nacional que aborda essa questão de forma interessante. Da segunda vez não achei o filme tão bom assim, mas vale uma conferida.
  • Sasha Grey choca mais as pessoas lendo para criancinhas do que fazendo um duplo anal no seu antigo ofício. Ela abandonou o pornô e agora participa de um projeto que roda dos EUA com celebridades lendo livros para as crianças. Quanta hipocrisia: a Xuxa era acompanhante de executivos nos anos 80, namorou o Pelé, fez uma polêmica cena no cinema aliciando menor de idade e hoje em dia é rainha dos baixinhos! Pra quê o drama? É só sexo, e sexo feito no passado de ambas. A merda seria se, no caso a Sasha, se envolvesse com menores, coisa que não acontece. Mas não, para as hordas sexo é feio, é pecado e só deve ser visto às escondidas. Para eles, tudo bem a moça receber um bukkake e jogarem o vídeo disso no Youporn, mas Deus nos livre e guarde de uma mulher dessa ler histórias infantis para nossas crianças! E vestida, que absurdo! Como se ela fosse obrigada a passar a vida inteira sendo material de onanismo alheio. Um pouco de maturidade, minha gente.
  • Não sei que pacto ou mandinga o Mano Menezes fez, mas o trabalho foi bom: ele não sai da seleção por nada! Muitos técnicos já saíram por bem menos e ele continua firme e forte. Derrota pro Paraguai na Copa América, desempenho econômico com várias seleções nacionais amadoras, um futebol que não encanta de jeito nenhum... a coisa tá tão feia que os jogos do futebol feminino do Pan de Guadalajara estavam mais emocionantes do que essa seleção de merda que ele comanda! Com esse plantel dele, não passamos nem da primeira fase da Copa, mesmo jogando em casa! Talvez ele caia se tentar punir o Neymar por causa de alguma birrinha dele. Funcionou com o Dorival Jr. no Santos...
  • A crise econômica na Europa tem nos mostrado que todo mundo tem o seu dia de primo pobre. Foi lindo ver a Dilma falando no encontro do G20 (se não me engano) que o Brasil não daria um centavo, já que isso é função do FMI e tal e coisa. Legal ver o neoliberalismo enrabando alguns de seus maiores perpretadores. A coisa tá tão feia que a dívida grega de 100 bilhões foi perdoada em 50% só pra não correrem o risco de calote. Os mais exaltados de lá disseram que estaria rolando um "colonialismo às avessas" quando viram os chineses se interessando em comprar os papeis da dívida. Como esse mundo dá voltas...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Some e-cards

someecards.com - Foursquare is a modern, cheap way for needy, boring people to tell you where they are, so you can avoid them.

No meu tempo de ócio, farei alguns cartões ternos para as mais diversas situações sociais. Vamos começar com este. Sempre tem um adequado para as mais diversas situações. Quem dera bastasse usá-los...


Poisé, como devem ter percebido, voltei ao modelo tradicional do blog. Duas colunas e muita asneira escrita na principal. Eu tentei gostar da visualização dinâmica, mas não poder contar com os widgets foi de doer. Na verdade, eu gostei bastante: os blogs ganham um ar profissional, sofisticado, com uma estética mais diagramada, por assim dizer. Mas sem widgets me senti de mãos atadas: o acesso aos arquivos ficou mais difícil, os interessados em seguir o blog não teriam como fazê-lo, já que o widget par aisso não aparece, e por aí vai. Por ora, mantenho este modelo. Pobre mas limpinho. Quem sabe no futuro volto a deixar esse pardieiro virtual mais chique. A ver.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Entrevista com a mulher mais sincera do mundo

Texto para maiores de idade. Como comento recorrentemente em muitos posts, a sinceridade é a arma mais perigosa do mundo. Tanto pra vítima quanto pro algoz. Então resolvi imaginar uma hipotética entrevista de uma mulher que usa o sentimento mais inútil de todos, o ciúme, para controlar seu par de todas as formas imagináveis. Com joguinhos psicológicos e táticas para cercear a liberdade de seu amado, obtendo uma forma de prazer sádico que só o esforço masculino desesperado por provar fidelidade oferece. Claro, por mais que eu deixe minha imaginação insana trabalhar em relação a personagens hipotéticos como esse, a realidade sempre vencerá a ficção. Vamos lá.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Paradoxos possíveis


  • Ser mal atendido na fila do PROCON;
  • Ir à churrascaria e pedir refrigerante diet;
  • ONGs que funcionam sem dinheiro de governos;
  • Livros mais caros que DVDs;
  • Pedestres andando mais rápido que carros em grandes centros;
  • Celebridades que ficam ainda mais famosas quando querem fazer algo no anonimato;
  • Sushiman japonês;
  • Filósofos versando sobre qualquer coisa: depois de livros e mais livros, percebe-se que eles não versaram sobre absolutamente nada;
  • Jornais usados para ler;
  • Burocracias que geram necessidades em vez de saná-las;
  • Pessoas que concordam em comprar produtos de qualidade inferior sob o eufemismo "compra coletiva";
  • Madeireira falando de sustentabilidade em campanha publicitária;
  • Vendedores de livraria (ver post que escrevi sobre eles);
  • Joguinhos em redes sociais na internet que funcionam mais como sub-redes sociais do que joguinhos per se;
  • Lâmpadas que funcionam em filmes de terror;
  • Capitalismo que mata mais que comunismo;
  • Frutas mais transgênicas que as bobagens industrializadas que você consome;
  • Garçons que escolhem quando te atender;
  • Cozinheiros que escolhem quais ingredientes vão tirar do prato que você pedir;
  • Blogs usados para escrever.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"É crime ser classe média nesse país"

Seguindo a linha de pseudoposts para o blog (onde coloco textos que, por motivos bem alheios à condição deste blog, escrevi no cotidiano), coloco aqui a ata que escrevi por ocasião de aprovação da política de cotas na universidade daqui. Porque eu sou o Wikileaks de mim mesmo. É um texto de um parágrafo só, como toda ata, mas tem algumas pérolas. O título do post, por exemplo, veio de uma fala que pediram preu remover da ata, mas tem muito mais ouro nessa jazida de opiniões. Opinião de classe mérdia, de negro complexado, de pseudointelectual... divirtam-se com o circo que escrevi. Eles passaram muito perto da Lei de Godwin, como podem perceber.

(a propósito, vexemo-nos um pouco nesse momento: eles aprovaram aqui cota de 50%! Uma arbitrariedade estatística sob o eufemismo de política afirmativa. Naturalmente, os nomes foram alterados; posso ser louco de deixar vazar um documento de meu trabalho mas não sou burro. Enjoy)



Ata da Reunião do Departamento de Maria Mole

Aos vinte e sete dias do ano do tigre, os docentes da Faculdade de Maria Mole se reuniram na Sala 3, para uma reunião ordinária, tendo como pauta o posicionamento oficial da Faculdade de Maria Mole em relação ao sistema de cotas que a Escolinha do Professor Raimundo pretende adotar, conforme deliberado em reunião do Consepe. Presentes: Chaves, Seu Madruga, Dona Clotilde, Dona Florinda, Prof. Girafales e Jaiminho, o carteiro. Ausentes: Cirilo, Maria Joaquina e Geisy Arruda. Patty Pimentinha inicia a reunião falando brevemente da pauta da reunião, a política de cotas, e passa a palavra ao Primo Rico, representante da Faculdade junto ao Consepe, para contar o que ouviu na última reunião. Primo Rico usa da palavra para falar do debate em curso, que visa o ingresso de alunos egressos da escola pública ao ensino superior público. Homem-cueca pergunta se essa política de cotas exige que o aluno tenha cursado apenas o Ensino Médio integral em escola pública, e o Primo Rico confirma que sim. Este continua sua fala, falando que existem outras correntes sobre as cotas, sendo que uma delas prega a implementação paulatina, iniciando-se com 20% para então se chegar a 50% num prazo de talvez cinco anos. Outra corrente defende os 50% imediatos das cotas, sendo 40% deste valor reservado aos negros, e o restante para brancos e índios. Informa a todos que enviou por e-mail aos professores a proposta defendida pelo IE. Fala que, quando as cotas foram propostas no Consepe, alguns foram contra, argumentando se tratar de discriminação e que não há necessidade das cotas quando se pegam as estatísticas e se observa que de 30 a 40% das vagas de alguns cursos já são destinadas a pessoas oriundas das escolas públicas, levando em conta que o Direito conta com 20% de estudantes da rede pública em seus quadros, e que o único curso onde a defasagem permanece é na Medicina, que tem 97% de seus alunos oriundos da rede privada. Ressalta que o negro é tão capaz quanto o branco, precisando apenas de oportunidade para estudar. Os cursos de Letras e Medicina Veterinária se manifestaram contra, informa, e acrescenta os riscos de manipulação que uma política pública dessas pode gerar: pais matriculando filhos na escola pública apenas para isso. Lembra que o assunto é delicado, e que muitos ainda não têm posicionamento oficial, e que esta reunião é para elaborarmos um posicionamento oficial da Faculdade de Maria Mole, e não do Primo Rico. O professor prossegue, falando de seus 34 anos de atividade docente da Escolinha do Professor Raimundo, menciona os vários alunos negros fabulosos que teve, e afirma que políticas assim denigrem a imagem do negro, reforçando o estigma de que este não é inteligente. Acrescenta que o índio ainda talvez precise de cotas, mas não os negros. Critica essa tentativa de se transformar a universidade numa instituição de amparo social, lembrando que isso não é função dela. Fala também de uma outra armadilha por trás dessa política, a de desincentivo e desoneração do Estado e do Municípios quanto à educação. Destaca que a única diferença básica entre alunos da rede pública e privada são as horas de estudo, e finaliza falando da profusão de impetrações de mandados de segurança de pais de alunos do Ensino Médio que se sentirão lesados com esta política. Homem-cueca usa da palavra para parabenizar o Primo Rico, e fala da manifestação do Ministério Público em relação ao assunto, já que uma sobrecota esperada não veio e o movimento negro se manifestou, querendo 30% dessas cotas. A Reitoria inclusive teve de ir a Brasília, destacou. Informa que a STI enviou às coordenações de curso a relação dos alunos ingressantes, e informa que a Maria Mole conta com 50% de alunos oriundos da Escola Pública, muitos de Institutos Federais. Fala do estigma de que a profissão de professor não dá dinheiro, e concorda que a política desonera o Estado, mas afirma que é responsabilidade social da Escolinha do Professor Raimundo. Menciona estudo de 2008 que conclui que os alunos da rede particular têm 4 anos a mais de escolarização do que os da rede pública, estudo este feito no estado de São Paulo. E quanto ao exemplo da Medicina dado pelo Primo Rico, rebate dizendo que formados em Medicina não vão paraa saúde pública, e que só bolivianos topam ir para a rede pública, e finaliza dizendo haver outras ações afirmativas possíveis, como as sobrevagas, e declarando-se a favor das cotas. April O'Neil, citando o estudo citado pelo Homem-cueca, diz que este só revela como a educação pública está ruim, e pergunta se o que estamos tentando fazer é amenizar o problema a ser solucionado, e pergunta se algum dos presentes já tentaram dar aula a índio, que entram semianalfabetos na Faculdade. Primo Rico inicia fazendo um adendo à fala do Homem-cueca, falando que em sua época existiam políticas de nivelamento, e sugere que se recrie isso. Confessa seu ceticismo inicial em relação ao ENEM, mas dá mão à palmatória declarando que os alunos do 3º semestre são bem melhores do que quando entram no curso. E afirma que, com a cota de 50%, corre-se o risco de queda na qualidade do ensino. Homem-cueca afirma que não há diferença de redimento entre os alunos, independente da forma como ele ingressa na unviersidade, e fala que o desafio verdadeiro é tornar bom um aluno ruim. Fala que lidar com aluno bom é fácil, e que isso só reforça o determinismo social. April O'Neil discorda, e afirma que a universidade ressalta essas diferenças. Declara-se a favor de cotas, mas para nível socioeconômico, e que o que se tenta fazer é tapar o sol com a peneira, perpetuando-se assim o ensino ruim. Sapo Cururu pergunta se a discussão é interna, só da Escolinha do Professor Raimundo, ou se é determinação do MEC. Primo Rico responde que é interna. Dunga conta que, nas primeiras turmas da Faculdade, quando o aluno reprovava, pagava matéria à tarde, dizendo inclusive que o Pikachu tem pesquisa sobre a diferença de notas dos alunos do 1º e do 2º Semestre. Gorpo conta um incidente em que os alunos ficaram revoltados com ele quando pediu a estes que escrevessem em uma prova. Boneca Susi inicia sua fala se identidicando como uma ex-aluna de escola pública. Fala que a universidade pública é custeada pela massa, e que a equiparação deve ser feita com a reserva de vaga, por meio de condições proporcionais e socioeconômicas, acrescentando que a reparação social ocorre com o tempo. Afirma que o desestímulo não ocorre porque não há vagas para todos, poque uma coisa não anula e outra. Cota não impede melhora no ensino, afirma. Homem-cueca constata que essa política só vai afetar diretamente os cursos mais clássicos. Visconde de Sabugosa destaca a urgência dessa questão e pergunta a todos se queremos dar formação técnica ou humana. Se declara contra cotas para qualquer nível, fala do problema histórico diante de nós, e que a universidade não tem que resolver problemas da sociedade. Se declara inicialmente cotra as cotas, mas se mostra a favor de cotas para os menos favorecidos. Primo Rico fala que essa também é sua posição, mas diz que o Brasil, querendo ou não, fecha as portas pro cidadão exercer seus direitos. Fala que melhorar o ensino na base é coisa de vonte anos para mais, e que a escola pública funciona como motel, “entra uma turma e sai outra!”, e reforça o exagero da porcentagem de 50%. Homem-cueca declara que o problema não está no curso em si, mas no que ele vai oferecer, na visão do aluno. Primo Rico afirma que 20 a 25% está uma cota de bom tamanho. Pacato fala dos negros tirados da África, da situação histórica, dos alunos que entram mas não conseguem sair da universidade. E se põe a favor das cotas, caso se queira ficar esperando que o ensino público melhore. Primo Rico externa sua desconfiança em relação dos 50% dizendo que isso parece se tratar de um projeto de lei do senador Antero Paes de Barros, mas não quer partidarizar a discussão e responde ao Pacato dizendo que os negros não foram tirados da África; eles foram é aprisionados por outros negros, de tribos rivais, e vendidos aos brancos, e ressalta que a dívida maior é com os hebreus. Volta a propor sua sugestão de cota de 20 a 25%, independente de cor, por prazo indeterminado, afirmando que as pessoas vêem romantismo demais na pobreza. Visconde de Sabugosa afirma que gosta do filme Tropa de Elite por este “distribuir responsabilidades” sociais, afirma que é responsabilidade nossa também, e indaga aos presentes sobre as faltas docentes, fianlizando com seu apoio à proposta de 25% de cota. Em seguida, é aberta a votação. Primeiramente, a votação é aberta para os que são a favor e contra a política afirmativa. A aprovação é unânime. Em seguida, pergunta-se quanto à cota: 50% recebe seis votos, 25% recebe 7 votos e 20% não recebe nenhum voto. Depois, abre-se outra votação perguntando-se sobre a divisão dessas cotas em cores. Onze professores votam pela não-divisão em cotas, e um vota a favor da divisão. Uma abstenção. Outra votação é aberta quanto ao tempo de duração das cotas. Onze professores votam o período de dez anos, e só dois professores votam a aprovação das cotas por tempo indenterminado. Por último, pergunta-se se as cotas devem ser destinadas a 100% dos alunos do Ensino Médio da rede pública ou a ⅔ desses alunos. Dez professores votam por 100% dos alunos da rede pública, e apenas dois votam por ⅔ dos alunos da rede pública.

Nada mais havendo a tratar, foi dado o encerramento dos trabalhos e eu, Bozo, Secretário Executivo, lavro a presente Ata.


Cuiabá, 27 dias do ano do tigre