terça-feira, 25 de outubro de 2011

Guia para uma conversa não-soforífera

A maioria das pessoas é banal, modista e facilmente influenciável. Algumas sequer conseguem esconder bem seus preconceitos. Você infelizmente se envolverá em diversas situações sociais indesejadas, com pessoas que você não precisa conhecer. Para tentar sobreviver nesse meio, elaborei algumas dicas para te ajudar. Mas antes, deixarei vocês com alguns tipos sociais, para que você tenha uma noção do que evitar. Isso na verdade seria um post à parte, mas cabe tão bem à temática deste texto que manterei aqui. Depois dele, começo a discorrer sobre o tema no post original. Segue o post anteriormente escrito, com o título.



Quanta gente banal nesse mundo...



Tem coisa mais deprimente que amizade entre mulheres? De praxe, elas comentam com a gente que amizades femininas são raras porque a competição entre elas é sempre acirrada. Estão sempre competindo quem é a mais bonita, a mais sociável, a mais desejada, a mais bem-sucedida. Mas mais deprimente ainda é quando a amizade, apesar desses obstáculos e imbróglios, acontece. Por vários motivos: se você estiver por perto, vai irremediavelmente sobrar na conversa. O papo será cheio de internas e girará em torno de filhos, chefes/outras mulheres que elas odeiam e novela. Não é à toa que algumas delas já me confessaram abertamente que "mulheres são chatas". Não dá medo pensar num ser cuja explosão hormonal desencadeada pela maternidade faz com que elas considerem qualquer merda que os filhos pequenos façam -- inclusive o próprio fato de eles estarem fazendo merda, não necessariamente no banheiro -- como um dos eventos mais interessantes de suas vidas?

Sempre achei que pessoas que só falam do próprio trabalho são chatas e banais. Tive certeza no momento em que meu círculo social ficou infestado de gente formada em Direito. Pessoas de outras áreas se resignam ao fato de que ninguém é obrigado a se interessar por suas áreas de formação, mas as pessoas formadas em Direito sem perceber ignoram isso porque a área de formação delas "mexe com a vida das pessoas". Ainda bem que não tenho amigos médicos. Não porque tenho poucos amigos querendo virar açougueiro, mas porque eles se tornam socialmente execráveis depois que começam esta maledetta faculdade. Tanto é que eles só saem entre si; qualquer pessoa bacana não os suporta por perto por muito tempo. É impressionante como esta profissão avilta as pessoas. O ego delas cresce a níveis godzilescos e o desprezo pela vida que elas acabam cultivando assusta. Muitos gostam de pensar que usam a banalização da vida como mecanismo de defesa (por meio do humor, inclusive), uma forma de não se envolverem e sobreviver na profissão. Uma (ex)amiga minha, por exemplo, publicou em seu perfil em rede social o vídeo de um assalto que ocorreu num banco da cidade, onde o assaltante levou um tiro na cabeça. Imagens reais, que vazaram do circuito interno da galeria onde a agência funciona. Simples assim, como se fosse um desenho animado. O ser humano é gado para eles.

Bem, falar de adolescência é chutar cachorro morto. Posso dizer como é óbvio e entediante a forma intensa com que eles vivem, como se acham mais legais e espertos que todo mundo, como tudo vira drama para eles e como essa busca por autoafirmação que rola nesse período os deixa desconfortáveis socialmente. Não sabem se são adultos ou se ainda são crianças. Isso se agrava com essa educação com autoestima e regalias demais que nossa sociedade tem dado a elas. Basta ver os artistas que eles idolatram hoje em dia. A melhor parte da adolescência, definitivamente, é quando ela passa.

Economistas. Pra quê eles servem? Porque os jornais passam tanto tempo falando de economia se o funcionamento real dela jamais é desnudado pelas mídias por motivos óbvios? Se eu quisesse gente falando sobre temas que fingem dominar eu voltava pra faculdade, porra! Enquanto o Jornal Nacional considera notícia o fato de o Marco Uchôa não usar capacete enquanto está na Líbia como correspondente internacional, pra quê torrar o valioso espaço das mídias falando desses números efêmeros e etéreos que nada significam para nós? Há os que vão argumentar que digo tudo isso só porque sou um analfabeto funcional que ignora como a economia influi em minha vida. Minha gente, pra quê nos enganarmos, pensando que temos alguma função além da de enriquecer a corja por trás desses números? Consumidores são tão descartáveis quanto os produtos que os mais ricos desse país nos empurram. Vivemos num mundo onde as corporações são maiores que governos. E é exatamente por isso que só a elas esse assunto é interessante. Governos nos devem satisfações; corporações, não, embora elas queiram que você pense o contrário. Mas a mídia é deles também; então é a linha editorial que eles querem. Me ponho a perguntar agora há quanto tempo as mídias têm esse hábito de falar do mercado financeiro, de nervosismo deste e de todo esse economês que não nos diz nada. Pensem comigo, nunca vi economia virar assunto entre os filósofos de bar...

Pessoas que falam de televisão. De reality shows, de séries que acompanham... é como se as pessoas voltassem à infância, e quisessem se impor dizendo "olha, tenho mais revistas em quadrinhos/bonecas/brinquedos que você-ê...". Não critico gente assim por causa da cultura de massa que a TV empurra, mas porque o conteúdo da TV não colabora para a coletividade como outras formas de arte, como cinema e literatura. Ambos sempre trazem insights, pontos de vista diferentes e novas e velhas dimensões da condição humana; já a televisão traz apenas o que o ibope manda. É como um macaquinho de realejo dançando cujos passos se dão conforme o público ao redor. Simplório demais. E por isso a TV sempre se reduz a reproduzir "tipos" de sua sociedade, nada mais. Quanto a séries, o formato mais longo de se contar uma história dificulta uma apreensão integral por parte do telespectador. Também fica muito à mercê de ibope, embora isso nem sempre afete no curto prazo a produção em questão.


Muito bem, agora podemos continuar com nosso texto. Avante!

  • Não existe conversa divertida sem álcool: só ele forma filósofos de boteco, a escalação perfeita para seu time e piadas engraçadas. Toda conversa que você entabular antes dele é mero prelúdio. Então trate de fingir bem que você é uma pessoa interessante e com atitude. Porque se você tentar fazer isso após o álcool, vai dar merda. Não porque você necessariamente fique inconveniente por causa dele, mas pelo fato de ele funcionar como um álibi de qualquer argumento absurdo, falácia, egotrip ou gafe.
  • Evite conversar com pessoas idosas demais: não tenho nada contra idosos, mas a maturidade faz com que eles não queiram ouvir mais nada. Querem apenas dar conselhos, no auge dessa pequena complacente arrogância que eles têm. Vivi mais que você, portanto posso te aconselhar em relação a qualquer coisa, pensam eles. Eles são ótimos para relações de trabalho: já viveram o bastante para não ter mais pressa, e a experiência os faz tomar decisões mais razoáveis (mas quando são ruins de trabalhar...). Eles também são ótimos para contar histórias. Mas porque aconselho a evitar conversas com idosos, afinal? Porque será um monólogo. Como eu disse, eles não ouvem mais nada e acabam caindo num paradoxo em que os mais novos não querem ouvi-los. Há exceções, claro. Mas fique ciente das limitações que os mais velhos trazem nas conversas em rodas sociais.
  • Evite sair com amigos que namoram (ao menos na companhia do par): essa é independente de você estar ou não solteiro. Como eu disse no post Dicas de um macho penetrador, todo homem comprometido é de direita, quer goste ou não. Muitas mulheres criticam o fato de homens ficarem muito "palhaços" quando estão entre amigos. Mas isso devia ser elogiado por elas: somos capazes de relaxar entre comuns! Isso é um pró, não é um contra. Mas a vida de aparências delas as impede de aceitar isto. Coisas da vida.
  • Não se deixe ser usado: tem gente que some, e só volta a dar notícia quando quer usar seu ouvido como penico quando termina com namorado ou uma merda muito grande acontece em suas vidas. E o pior é muita gente assim nem sequer disfarça o fato de que não estão interessados em sua presença e só querem encher teu penico. Meio maniqueísta, isso. A menos que esse "amigo" pague sua breja, caia fora. Todo mundo tem seus problemas; ouvir gente que só te procura quando eles aparecem não vai mudar isso e só vai reforçar um comportamento egoísta de gente que acha que amigos só servem pra essas coisas.
  • Não misture círculos sociais: se num círculo social há amigos que conhecem histórias que podem te complicar ou constranger na frente de namorada ou outros amigos, não misture os círculos! Parece óbvio, mas é terreno fértil pra DRs e pra surgirem histórias podres suas que você nem lembrava mais! A mistura de círculos pode ser cogitada em situações beeeem esporádicas, como seu aniversário por exemplo. Mas pense como exceção, sempre!
  • Nada a ver: se você acha tem certeza de que a maioria dos seus amigos não têm nada a ver com você e que 90% do que eles dizem ou gostam te entedia, então deixe de ser tão carente e pare de sair com eles só pra não ficar sobrando no fim de semana, porra! Eu dou desconto se, apesar das pouquíssimas coisas em comum, a amizade for forte. Mas mesmo assim, saia com uma, duas pessoas assim, no máximo. Senão, você não se forçará nunca a conhecer gente mais a ver com você! Internet, outros amigos... conhecer gente mais afim fica mais fácil assim. Só fica impossível se você sair com os mesmos banais de sempre. E se você é daqueles que sai muito com primos, o raciocínio é semelhante. Quanto mais apertados forem seus laços familiares, menos gente nova você acaba conhecendo.
  • Palavras-chave para quebrar o gelo e iniciar uma conversa: futebol e mulher, para homens. Já para mulheres...esqueça as palavras-chave. Elas, instintivamente, só querem saber se você é um bom provedor. Então a maioria apenas perguntará sobre seu trabalho, seus hobbies... sobre suas coisas. Elas acham que você é o seu trabalho, ao contrário do raciocínio de Tyler Durden. Elas só não vão perguntar o tamanho do seu pau porque (ainda) não é socialmente aceitável. Mas caso você tire a sorte na loteria e esbarre com uma menina leve, descontraída e sem frescura, fale qualquer besteira. Fazê-la rir será o bastante pra quebrar o gelo. No momento em que a seriedade de um primeiro contato for quebrada, será fácil entabular um diálogo; qualquer coisa virará assunto. Até a falta de assunto. E mesmo quando o assunto acabar, elogios sempre funcionam como tapa-buracos dialogais.
  • Conte histórias: tem gente que é ótima nisso. Mas se você é como eu, que não consegue contar muitos detalhes sem se perder no relato, então priorize o contexto da história. Tente encontrar coisas em comum que ela também saiba, ou pessoas envolvidas no relato que ela também conhece. Fica mais fácil; ela vai acabar preenchendo as lacunas pra você, do jeito que mulher fala...
  • Seja levemente polêmico ou politicamente incorreto: isso quebra a monotonia. Além de mostrar que você tem atitude, caso esteja tentando impressionar uma "amiga". Atitude é sempre assunto. Por mais vazio que seja. Enquanto os assuntos legais e relevantes não vêm, use da atitude se aplicável.
  • Não calcule rigorosamente a conta: você sempre vai se passar por chato se contabilizar rigorosamente os centavos. Se eu quisesse alguém cuidando das minhas finanças, tinha contratado um contador, porra! Então, ao fechar a conta e terminar a saideira, calcule por alto a divisão com os amigos. Você não vai ficar mais pobre por causa de 50 centavos. E deixe os recibos na mesa, caso saia mais cedo.
  • Flanelinhas: pra nenhum deles arranhar seu carro, sempre sorria e concorde quando eles pedirem pra cuidar de seu veículo. Ao ir embora, dê a partida e simule estar procurando moedas pra dar a ele. Quando o volante estiver virado o suficiente pra sair, pise fundo e deixe o trouxa com raiva de você. Só faça isso se você não for habitué do bar. Ou dê, no mínimo, umas duas semanas de intervalo entre as idas ao local. Ou dê moedas pelos préstimos do rapaz. Mas dê pouco. Afinal de contas, não foi um serviço que você solicitou. Já fui embora de lugar após dar cinco centavos ao drogadito que quis cuidar do meu carro. É sempre divertido ver a cara deles depois disso.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Banco de ideias

Fala sério: acho que ainda sou pobre por hobby mesmo, porque com essas ideias brilhantes minhas eu devia ter minha multinacional! Uma sala só pra mim, um campo de minigolf em frente à minha mesa e uma legião de puxassacos que eu usaria extensivamente pra trazerem meu café predileto, comprarem presentes de aniversário de casamento, passar minhas roupas e massagear meus pés. Claro, sem me esquecer de deitar e rolar no neoliberalismo do país dos outros e construir indústrias mundo afora com mão-de-obra baratíssima e mercados pouco regulamentados. Mas enquanto esse dia não chega, adianto algumas de minhas ideias pra vocês. Quero meus royalties, porra!


Divisória para bancos traseiros de carros: perfeito para quem tem filhos pequenos que não conseguem ficar de boca fechada por um minuto que seja. Instalados entre os bancos e com isolamento acústico, um não conseguiria se comunicar com o outro, o que daria tempo hábil para que cada uma exercitasse sua individualidade como bem entendesse, sem maltratar os ouvidos dos pais. Certifique-se de entupir os bancos traseiros de joguinhos e filminhos. Para que os pais possam verificar periodicamente se tudo está em ordem, caso desejem isolamento total dos monstrinhos, um tapume pode ser colocado em frente aos bancos traseiros, com uma janelinha em vidro temperado, como em limusines: o patrão não precisa nem se preocupar em puxar assunto com o chofer; ele entra no veículo e é levado aonde precisar.

Alianças com GPS: essa ideia eu tive de brincadeira quando a namorada estava trazendo o assunto casamento à mesa. E o feitiço virou contra o feiticeiro rapidinho, como podem supor. Imaginem as possibilidades que isso traria a acordos pré-nupciais ou regimes de casamento. Elas poderiam também vir com códigos de barra que contivesse informações básicas do casal -- como documentos pessoais, vínculos empregatícios atuais e tudo o mais, como o CU (cadastro único) quer fazer -- a ser lido por leitores instalados em repartições públicas ou comércio. As empresas de cartão fazem isso com cartões chipados; nada muito distante do futuro. Mas devo confessar que a parada do GPS é meio assustadora: se hoje em dia você consulta endereços no GPS de seu carro, imagina se o casal puder fazer o mesmo apenas com a aliança...

Computadores com vidro retrovisor: um monte de gente já teve essa ideia. A maioria em sites de humor, mas teve. Mas não deixa de ser brilhante. Quanto marido que deixaria de ser pego pela esposa vendo pornografia, quando filho onanista evitaria flagras constrangedores dos pais, quanto adolescente escondendo o que apronta em sites de relacionamento... o espelhinho basicamente potencializaria o que sempre aconteceu na internet, com o adicional de ser um repelente de chatos.

Sapatos com odômetro: realizando-se uma rápida configuração inicial, o software determinaria o percurso mínimo necessário a se andar todo dia para se perder peso. Viraria sensação rápida entre as mulheres; as lojas de calçados ficariam abarrotadas de fêmeas eternamente insatisfeitas com o próprio corpo e... bem, isso se tornaria paradoxal, já que a cultura do carro transforma qualquer distância em algo aparentemente quilométrico. Na minha família, qualquer distância com mais de 100 metros parece uma maratona por causa desse vício do carro! Imaginem a novela que é quando eles precisam arrumar vaga pra estacionar no centro da cidade. Se quisermos viajar um pouco na maionese, quem sabe uma invenção dessa não viesse a amenizar o problema com trânsito nas grandes cidades. Ou no mínimo aumentar os lucros dos fabricantes de chocolate: quanta mulher por aí que viria a se sentir oprimida ao ser informada que ela não vai emagrecer o bastante andando apenas meia hora por dia...

Wikileaks da vida real: não quer se comprometer iniciando uma fofoca ou dando corda para um boato? Não tem problema; nas conversas de cabeleireiro com as amigas, basta citar o wikileaks da vizinhança, colaborar anonimamente com o site e informar às amigas que "alguém" enviou arquivos, por exemplo, do laudo médico que constata que a vizinha da rua de trás é bipolar, da decisão judicial que determina de quanto é a pensão que a ex-mulher do teu vizinho do lado recebe, ou mesmo fotos comprometedoras da filhinha do militar reformado dando mole pro filho do padeiro e tendo encontros amorosos na cama dos pais. Se Assange fosse um homem que prezasse mais o dinheiro do que mexer com os brios de governos inteiros, teria feito algo nesse sentido: uma plataforma que permitisse às pessoas criar colunas sociais clandestinas das comunidades onde vivem. Ele viraria o novo Mark Zuckerberg na velocidade da luz! E o melhor: sem photoshop, falsas amizades e toda aquela maquiagem de redes sociais. Tudo que haveria é a intimidade das pessoas sangrando em páginas públicas. Algo inédito na internet, como pode-se ver: redes sociais destruindo vidas alheias...

Versão do site transparencia.org para igrejas: para quem não sabe, o Portal da transparência reúne prestações contas de diversos setores da administração pública. Nada mais adequado; o dinheiro é nosso e é importante sabermos como ele é gasto. Mas e quando pagamos o dízimo a nossos padres, pastores, xamãs, curandeiros e pedófilos em geral? Como é que fica? Não é razoável que essas pessoas também tivessem de se reportar a um site em comum, em relação a como gastam as doações de seus fieis? Também acho. Se isso não viesse a mobilizar os fieis mais aguerridos, no mínimo faria a alegria da Receita, dos ateus que criticam o modus operandi dessas religiões e dos religiosos mais radicais. Enfim, botaria mais lenha na fogueira. Felizmente, aceleraria a percepção pública do tamanho da ganância dessas instituições religiosas...

Campanhas para doação de material pornográfico: cansou de pintar de branco sua Sexy da Gretchen? Perdeu a graça tentar encontrar o grelo da Claudia Ohana daquela Playboy oitentista? Então você poderia doar seu material para essa campanha. Imaginem as hordas de onanistas fudidos demais na vida pra arrumar mulheres de verdade que poderiam ser beneficiados com essas doações! Quanta frustração deixaria de ser canalizada por vias ilegais e contra pudor alheio com material assim à disposição gratuitamente! Quanta gente que só conta com novela das oito pra ver atriz pagando um peitinho! É claro que minha sugestão é politicamente incorreta, mas teria lá sua utilidade manter os tarados ocupados... seria como doar camisinhas, com o diferencial de que se terá a certeza de que não usarão as revistas pra fazer balão d'água.

Mostradores de senha de atendimento que calcula o tempo estimado para atendimento: ideia tão simples que chega a ser idiota não ser prática comum. A Justiça já está habituada em lidar com os engraçadinhos que entram em fila de banco só de sacanagem, pra depois pensar em processar o banco com base naquela lei da fila. Algo assim talvez até permitisse que os clientes resolvessem outras coisas enquanto sua senha não é chamada, já que eles teriam uma noção do tempo que levaria pra serem atendidos. Claro, minha ideia tinha que ser adotada no serviço público a rigor. Não necessariamente a União, mas definitivamente o Estado...

Ignição de carro acionada por peso: nas grandes metrópoles, a população em geral reclama bastante das pessoas que usam carros individualmente. Não dão carona pra ninguém e assim subutilizam a capacidade de transporte do veículo, sobrecarregando assim as vias públicas. Uma solução interessante para isso seria a instalação de sensores de peso em cada banco do veículo (com sensores de calor para que, naturalmente, ninguém tente enganar o sistema colocando objetos para ativar o sistema). Assim que cada assento atingir o peso mínimo a ser estabelecido pela legislação (por um período de tempo também a ser estabelecido), uma luz no painel se acenderia e o veículo poderia ser ligado. Os estadunidenses tentam contornar o problema do engarrafamento com carpools, vias exclusivas pra carros com mais de dois passageiros, por exemplo. Mas isso é bobagem, um mero paliativo difícil de fiscalizar. Com minha sugestão, ao mesmo tempo que isso forçaria as pessoas a socializar mais o uso de seus carros e a usar caminhos mais inteligentes para transportar todos dentro do veículo, também poderia ter efeitos colaterais, como empresas de transporte público usando este princípio para evitar botar nas ruas ônibus cujas linhas tenham passageiros "de menos".

Tatuagem reluzente contendo o número de seus documentos pessoais: resolveria o problema dos esquecidos, que nunca usam carteiras nem portam documentos pessoais. Funciona assim: é uma tatuagem feita com uma tinta que, a olho nu, é bem clarinha, difícil de ver. Originalmente, a tinta branca usada nos estúdios não é fluorescente, mas uma que aparece no escuro poderia ser desenvolvida. Não seria nada inédito demais; usar limão dá efeito semelhante, apesar de nada recomendável à pele. De qualquer  forma, uma tatuagem assim agilizaria investigações de homicídio. Todo mundo é apenas um número para seus governos, mesmo; não seria nada de mais isso se oficializar e terminarem de rotular a gente como gado. Preocupação com falsificação existiria, mas isso poderia ter alguns elementos de controle semelhantes aos de emissão de dinheiro: uso de tinta especial com determinada composição química ou textura, por exemplo.

Computadores recarregados pelo ritmo de aperto das teclas do teclado: seria um combate agressivo à procrastinação! Computadores desenvolvidos sem nenhum fio para se ligar à rede elétrica, com uma bateria que seria recarregada por meio de um sistema que geraria eletricidade através do aperto de teclas. Nada absurdo demais; a realidade sempre chega antes: por exemplo, ouvi falar certa vez de uma bicicleta cujas pedaladas recarregavam o celular que você deixava no painel da bicicleta. Como podem ver, um pesadelo ao ócio. Não deixem seu chefe ler este post.

Captcha auditivo: essa eu vi no Doghouse ou no Abstruse goose, se não me engano. Consiste em um software que, imediatamente após você escrever algo em sites, fóruns e comunidades virtuais, lê em voz alta o que você acabou de escrever, antes de você poder enviar. Após constatar o grau de bairrismo e imbecilidade do que acabara de escrever, muitos internautas se sentiriam inibidos com as idiotices que escrevem e dessa forma deixariam de enviar as frases intolerantes, racistas, bairristas, idiotas, nerds, estilo attention whore, estilo forever alone, ou qualquer outra que possa gerar ações judiciais. Perceberam que muitas invenções, inicialmente sugerida de forma humorística em tirinhas na net, são mais geniais do que o humor embutido nelas parece sugerir? Acho que o mundo seria um lugar melhor se os departamentos de ideias das indústrias passassem a conter humoristas. A necessidade é a mãe da invenção, mas a idiotice (ou aversão a esta) é avó.

Um sistema numérico que faça sentido, para leis: Direito é um idioma criado pra pobre não entender, diziam já os Malvados. Isso se reflete ainda na nossa língua portuguesa, cheia de floreios e regras gramaticais obscuras e elitistas feitas com a clara intenção de se elitizar uma variante da língua. E continua refletindo na forma como os artigos de uma lei são organizados, por exemplo. Pra começar, as leis ganham números arbitrários, seguidos de barra e o ano em que foram criadas. Como se cada lei fosse uma mera carteira de identidade, onde você mete um número qualquer e pronto. A falta de lógica prossegue nos artigos: os números destes até que são organizados por títulos, mas a ordem numérica é mantida ao longo de todo a Lei. Por exemplo, se quero citar o Artigo 37 da Constituição ou o Artigo 814 do Código Civil, vejam que pouco prático: decorar um número desses, arbitrário. Nossos juristas podiam aprender com os religiosos: quando quero citar algo da Bíblia, é muito mais fácil me fazer entendido: cito o livro, o capítulo e o versículo (ex.: Salmos 23:1). Muito mais prático e direcionado. Voltando ao exemplo da Constituição, não seria mais fácil, por ex., se eu citasse Título 2, Capítulo 7, seção 1, artigo 1 (ficaria algo do tipo CF 2, 7, 1, 1)? Ou mesmo CC 6, 17, 1 (sim, ignorei o fato de que títulos e capítulos se escrevem em romanos). Números menores, mais objetivo, mais fácil de memorizar. Se por um lado as pessoas acharem que a excessiva fragmentação da localização do artigo dificulta sua localização, posso afirmar que deixar de se usar apenas uma numeração, e se usar várias numerações para cada capítulo ou título deixa os números bem mais intuitivos e mais fácil de se desenvolver mnemônica. Leis passam facilmente das centenas de artigos; fica contraproducente lidar com números tão grandes assim. Como se quisessem dificultar de propósito o conhecimento da Lei. O que não duvido, dada a natureza elitista do nosso Direito.

Entrevista com o homem mais sincero do mundo

Texto para maiores de idade. Como comento recorrentemente em muitos posts, a sinceridade é a arma mais perigosa do mundo. Tanto pra vítima quanto pro algoz. Então resolvi imaginar uma hipotética entrevista de um homem que exerce todos os seus impulsos viris sem nenhum freio, avançando sem dó o sinal vermelho que delimita os limites que levam à misoginia. Claro, por mais que eu deixe minha imaginação insana trabalhar em relação a personagens hipotéticos como esse, a realidade sempre vencerá a ficção. Mr. Catra e a banda larga que o digam. Passem pro próximo post, meninas. Podem acabar trincando o monitor de raiva com o que lerão.




Hipotético entrevistador: o que o senhor pensa da monogamia?
Homem mais sincero do mundo: é um desperdício gerado por contrato social. Veja bem, os homens vêm ao mundo com tanto amor para dar, e precisam se contentar com apenas uma mulher? Isso não significa que o sujeito não tem botão de desliga no pau ou que não dá a mínima a sua companheira. Significa apenas que quer variar o cardápio, sabe? Você vai a um restaurante por anos a fio e pede sempre o mesmo prato? Vai chegar uma hora que você, por exemplo, vai se enjoar por completo de macarronada, correto? A gente nasce com tanta energia, tanta disposição para entrar numa xota quentinha pra isso? Não há nada de condenável em um dia querer experimentar uma branquinha, no outro uma moreninha, quiçá uma ruiva... aliás, isso demonstra que sou um homem que gosta de surpresas. Elas não vivem reclamando que seus respectivos machos são sem-graça, sempre as levam pros mesmos lugares, tem manias irritantes e as comem sempre do mesmo jeito? Então. Não tenho direito a não querer surpresas, quebra de rotina ou variedade? Fala sério! Se quisessem me fidelizar com uma xota só, deviam elaborar um programa de fidelidade para esse fim. Tipo, o dinheiro que gasto com uma mulher, eu devia poder converter em pontos pra gastar com algo pra mim. Putas, cervejas importadas, viagens... Porque com essa conjuntura atual, amigo... sabe como é.

HE: está falando sério?
HMS: claro que estou. Nós homens somos incubidos da nobre missão da natureza de carregar esse suquinho mágico que as deixa tão felizes. Carregamos alegria a granel. Elas deviam se considerar privilegiadas de receber nosso néctar do amor, assim tão fácil. Porra, nem recibo eu peço depois de comer uma profissional do sexo. Depois de uma bela gozada na cara da minha transa, tem algo mais sincero do que dizer "gata, sua xota é  uma delícia, mas você é só um passatempo pra mim". Além de ela não se sentir amarrada num compromisso, ela poderia se sentir orgulhosa de representar uma quebra de rotina minha. Tem orgulho maior que uma mulher pode sentir do que saber que eu não vou desgastar todo o sex appeal dela estragando tudo com monogamia?

HE: qual foi o pior fora que você já levou?
HMS: eu não levo fora. Apenas descubro se elas têm bom gosto. Além do mais, se o "fora" for de uma mulher feia demais, apenas pergunto quanto custa.

HE: o que você mais gosta na hora H?
HMS: vou começar dizendo o que odeio. Esses eufemismos retardados que as pessoas brancas inventam pra sexo. Hora H, amigo? Faça-me o favor! Não estamos mais naquelas aulinhas de educação sexual do ensino fundamental! Mas voltando à sua pergunta: gosto de muitas coisas. Adoro, por exemplo, a carinha que elas fazem quando devoram minha pica dura, rija, quentinha. Aqueles olhos arregalados, como de quem está no refeitório da prisão morrendo de medo de um preso mais forte roubar sua comida, sabe? Faz sentido elas terem essa cara. O privilégio de sentir meu pau grande roçando na boquinha gulosa delas dura poucos minutos. Quem dera eu pudesse usá-lo como chupeta particular toda vez que elas começam a falar sem parar durante discussões...

HE: você já foi disputado por duas mulheres ao mesmo tempo?
HMS: bem, elas estão sempre trocando figurinhas, sabe? Então, com certeza sim. Mas as que têm dignidide preferem fingir que não. O problema é que elas preferem enfeiar e podar a atitude de seus machos só para que as outras não os cobicem. Ou você nunca se perguntou porque casamento engorda tanto? Mas para quem adora um escândalo, garanto que comer mulher pobre tem suas vantagens. Elas são mais vigorosas ao disputar um macho. Gritam, discutem, puxam cabelo... mostram o valor que o meu passe tem. Sabe, um critério bom para saber a nota de uma mulher na cama é beijo. Pode soar meio gay falar isso, mas quanto mais língua, melhor. Ainda nesse momento ela tem a oportunidade de mostrar suas habilidades com a língua. Elas tendem a deixar a língua de lado à medida que o relacionamento fica sério. Para se darem ao respeito. Amigo, se prazer tivesse algo a ver com respeito, obedecer aos mais velhos me daria tesão nas mais inusitadas situações cotidianas. Família, chefe, autoridades... imagine a bizarrice que ia ser? Porra nenhuma! Prazer envolve dominação. Envolve ela submeter seu corpo ao peso do meu e aguentar a pressão da minha glande cuspindo o leitinho da alegria no útero escondido no fundo da buceta alargada dela. Na cama, mulher alguma é princesinha: é minha putinha da vez. Não se esqueça nunca, rapaz: mulher safada é mulher em estado bruto! Ávida por dar e receber prazer. Como todas deveriam ser. A Natália não me deixa mentir.

HE: você sempre foi misógino assim?
HMS: amigo, misoginia não tem nada a ver com isso. Não tenho repúdio pelas mulheres, não as inferiorizo. Aliás, tenho tanto amor por elas que gostaria de transmiti-lo a todas. Infelizmente tenho apenas uma vida e um pau vigoroso para isso, então me contento em fazer a minha parte. O que quero dizer é que mulher não quer ser respeitada o tempo todo. Na cama é que é hora de demarcar seu território. Elas não gostam de colo, de proteção, de um macho que as banque? Então. Tinha uma amiga que dizia que os homens só serviam pra três coisas: pagar minhas contas, fazer força e me dar prazer. Portanto, amigo, estou apenas fazendo minha parte. Esse papo careta de direitos iguais para ambos os sexos é coisa dessa nossa sociedade brocha, sem-graça, politicamente correta, onde as pessoas não entendem uma ironiazinha que seja! O problema não é o humor negro em si, mas essa necessidade de catequizar as pessoas em relação ao certo e ao errado, já que as massas não conseguem pensar sozinhas! E, bem, levando em conta esse princípio de que as pessoas não querem raciocinar tanto assim é que muitas mulheres são mais fáceis que nota de um real. Você pode aprontar o que quiser com elas se disser sempre o que elas quiserem ouvir. Então, a diferença entre o humor negro que reforça estereótipo e o que faz as pessoas rirem de si próprias é a pessoa: se ela for uma analfabeta funcional, vai acreditar em qualquer coisa. Até se eu disser que tenho alergia ao látex da camisinha. Ou se eu disser que meu leitinho é um hidratante natural que remove pés-de-galinha, poros e suaviza rugas da pele.

HE: com o quê você trabalha?
HMS: isso é pergunta típica de mulher fácil! Sempre achando que nosso trabalho ou nosso carro são extensão da nossa pica. Sabe o que seria uma boa ideia para bônus de final de ano para trabalhadores? Chefes que instalassem cabines com glory holes. Não vivem dizendo que falta calor humano nas instituições? Gente que dá apertos de mão, abraços, que não tenta puxar teu tapete toda hora? Pegar na minha pica seria um excelente começo. Melhor tratamento de stress de todos os tempos! Não seria lindo se as funcionárias do mês tivessem foto sua pendurada na parede pagando peitinho? Além de estimular a humildade delas, as faria sentir seus corpos valorizados, o que as tornaria mais bem-resolvidas consigo próprias e diminuiria essa quantidade absurda de mulher que superfatura o próprio passe! Então, respondendo à sua pergunta, não importa meu trabalho: eu devia é ser consultor de recursos humanos, isso sim.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Preciso de novos amigos (V)


Publicitário prestes a se formar, queriam o quê? Um ensaio? Maledetta geração twitter.
(o comentário dele não me ofendeu; só a mediocridade dele que me ofende, mesmo: trocadilho poooobre...)