terça-feira, 27 de setembro de 2011

Neologismo by Microsoft



Nota mental: suspeito de que alguém está copiando um texto meu por e-mail e repassando aos amigos. Isso tem já um bom tempo. Não é algo que me incomoda, mas gostaria de saber qual o texto em questão que ganhou a sobrevida necessária para habitar o mundo das mensagens encaminhadas de e-mail.

domingo, 18 de setembro de 2011

Como piorar um produto com estilo

Se tem uma coisa que detesto nesse capitalismo escandaloso e antiético de hoje em dia é essa mania das empresas de reduzir o peso líquido de seus produtos e manter o preço original. Por ex., quando a P&G  ainda não fabricava as batatas Pringles no país, elas eram importadas e vinham com quase 200g a R$6,99 em promoções. Hoje em dia reduziram pra 139g e passaram a cobrar R$10,99! Meu exemplo é na gôndola do supermercado; o exemplo que a seguir darei é mais escandaloso: recebi por e-mail. Sustentabilidade virou eufemismo pra cagar na qualidade de um serviço! Cara, que perverso isso. Vejam a imagem abaixo do e-mail em questão.



As pessoas elogiam o governo passado falando da ascensão econômica das classes C e D, mas se esquecem que este poder econômico se afunda num consumismo intermediado por empresas com atitudes inescrupulosas, ou mesmo mesquinhas e retrógradas como o e-mail acima mostra. No caso da empresa acima, as classes C e D estão consumindo mais sem contrapartida honesta das autoridades aeroportuárias! Além de eu ter de me submeter a esse conluio sem-vergonha de milhas, tenho ainda por cima de me submeter a filas de check-in surreais, aeroportos saturados e falta de investimentos na área. E ainda me vêm com essa conversa mole de sustentabilidade! Que bonito isso. Assim é fácil ser ecológico. Vou imprimir apenas flyers com papel reciclado de minha empresa, vou deixar de fabricar cartões nem vou oferecer mais lanchinhos a bordo pra evitar o máximo possível a pegada ecológica que minha empresa deixa. Vou deixar de oferecer copinhos de plástico nos bebedouros da empresa também. E de quebra, vou plantar uma arvorezinha. Lá no quinto dos infernos, bem longe das ilhas de calor representadas pelas regiões metropolitanas. Pronto, eu, megaempresário, lavei minha alma. De que adianta vermos ascensão econômica de classes sociais se a prestação de serviços não ascende junto? Fala sério! Capitalismo doente, esse.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mundo Bizarro

Hoje minha falta do que fazer será suficiente para imaginar como as coisas funcionariam num Mundo Bizarro. Onde, como vocês devem saber, tudo funciona de forma exatamente oposta. Vocês podem não acreditar, mas a vida consiste em se substituir uma preocupação por outra. Acham mesmo que, mesmo que várias coisas boas rolassem no Mundo Bizarro, não dariam um jeitinho de botar água nesse chope? Vou demonstrar como.
  • Bancos: no Mundo Bizarro, você não guarda seu dinheiro nem paga taxas abusivas de cheque especial, empréstimos e outros eufemismos pra sodomização financeira. Eles te dão dinheiro! Portanto, o que aconteceria num mundo onde os bancos não te roubam um centavo? Possivelmente, a sociedade entraria num frenesi consumista tão inacreditável que as ruas se tornariam intransitáveis, dado o épico volume de carros que as ruas das já inchadas grandes cidades ganhariam com as novas classes C e D consumindo. O governo teria de aplicar recorrentes pacotes de socorro financeiro para os bancos darem conta de seus préstimos para com seus clientes. As pessoas começariam a se tornar mais extravagantes do que já são, comprando coisas nababescas apenas para ter, sem a menor intenção de realmente precisarem ou usarem o que têm. Não que isso aconteça fora do Mundo Bizarro. Por exemplo, as pessoas começariam a comprar casas inteiras para seus cães e gatos, a usar seus quintais para estacionar seus helicópteros, e ninguém mais ganharia dinheiro com prostituição. Do jeito que a humanidade gosta de agregar valor às coisas, sexo viraria uma moeda paralela. Por exemplo, como impressionar uma mulher o suficiente, se dinheiro não requer esforço para ser obtido? Perceberam o dilema antropológico aqui? Tendo o dinheiro, a mais emblemática das relações de poder que a humanidade já inventou até hoje, sido anulada, restaria apenas o sexo, a única força-motriz que faz a humanidade realizar grandes feitos. Homens constróem grandes pontes, palácios, panteões culturais e maravilhas tecnológicas pra quê? Pra pegar mulher, porra! Pensem bem: nunca vi ninguém criando banda apenas por seu talento. Assim, se você quisesse ir ao mercado fazer a compra do mês, decerto deveria estar preparado para, literalmente, passar o cartão. Ou lhe passarem o cartão, no caso das leitoras. Aquelas esteirinhas pra fazer compras ganhariam outra função, que não a de passar os produtos da gôndola. Num mundo em que passamos 1/3 de nossas vidas trabalhando em empregos que detestamos e não nos motiva, imagina se de repente a única e rasa motivação nossa de fazê-lo desaparecesse? Em pouco tempo, voltaríamos à Idade da Pedra. Sem dinheiro, ninguém mais precisaria ir a baladas e shows com música ruim pra pegar mulheres mais disponíveis por causa do álcool. Bastaria ir no portão do vizinho, dar umas palmadas na filhinha dele e levar pra casa seu prêmio. Como o dinheiro se tornaria algo banalizado, os homens passariam a investir ainda menos do que já investem na própria vaidade. Em vez de roupas, perfumes e tênis de marca, de repente camisas de time virariam uma valiosa e afrodisíaca indumentária. Mais ou menos como ternos de linha. Abordar uma fêmea com uma camisa do flamengo e havaianas genéricas seria socialmente valorizado e considerado indumentária de alguém bem-apessoado.
  • Trabalho: já que se ganha dinheiro sem trabalhar no Mundo Bizarro, comunidades inteiras começariam a se isolar. Por um lado isso seria positivo; saber que gaúchos e baianos estariam isolados em suas respectivas terras, sem conseguir interagir com o resto do país, seria confortante. Sem gente pra cuidar da infraestrutura de serviços e estruturas importantes, em pouco tempo pontes inteiras começariam a ruir, o asfalto das estradas desapareceria em meio a tanto entulho acumulado em sua extensão, como garrafas de cerveja, móveis velhos e carros desmanchados, e aeroportos virariam morada de indigentes, já que ninguém precisaria trabalhar com isso pra ganhar dinheiro. Possivelmente a única indústria que se manteria de pé é a das bebidas alcoólicas. Se já precisamos de álcool no mundo normal e careta que é o nosso, imagina no Mundo Bizarro, sem serviços essenciais e instituições públicas, e cheio de mulheres peludas usando calcinhas cor de pele. Sem redações de revistas de comportamento femininas funcionando, elas não teriam meios de comunicação para aliená-las o suficiente para ficarem ditatorialmente "bonitas" como as revistas do mundo normal mandam hoje em dia. Muitas engordariam tanto que um novo padrão de beleza surgirá. As farmácias passarão a ter balanças industriais, para dar conta de tanta gordura. Claro, a indústria farmacêutica não desapareceria: muito pelo contrário, tratamentos mirabolantes começariam a surgir. Simpatias, chás e outras bobagens que os mais velhos faziam voltarão a ficar em voga. Maconha começará a ser usada como calmante e, como já acontece no mundo normal, para ficar mais fácil de convencer a mulherada a se deixar sodomizarem. Coca-cola começará a ser receitada como xarope expectorante.
  • Cultura: estranhamente, o filme Idiocracy se tornará uma das películas mais cult do Mundo Bizarro. Será considerada uma poderosa sátira social, um tanto profética, que jamais fica datada. Os cinemas rarearão mas não desaparecerão: muitos virarão salões de orgias. Já que o dinheiro perdeu a graça no Mundo Bizarro, qual será a única forma de ostentação disponível? Pois é. E já que no mundo normal sexo é um assunto tabu, que todo mundo gosta de bancar o falso moralista fingindo que não faz nem que tem taras esquisitas, no Mundo Bizarro a abstinência seria tabu. De repente, banheiros masculinos não teriam mais aquelas divisórias que impedem, felizmente, a comparação de tamanhos, os banhos públicos ficariam perturbadoramente comuns e as revistas masculinas passariam a apresentar apenas mulheres vestidas. Já que no Mundo Bizarro ficaria mais difícil brincar com a libido masculina dada a profusão da nudez alheia, escondê-la seria uma forma de provocação. Paradoxal. Entre os jovens, aliado à inclusão digital, a produção de vídeos na Internet com proezas sexuais cada vez mais audaciosas seria comum. Esqueça PCSiqueira, esqueça Felipe Neto, esqueça o Vitinho Sou Foda, esqueça os videozinhos engraçados; a modinha seria exibir explicitamente aos amiguinhos sua intimidade, com transas épicas. As meninas começariam a não se sentir aceitas se não participarem de ao menos uma transa hardcore devidamente filmada e publicada na comunidade virtual da escola. Youtube daria lugar ao Youporn. As meninas consideradas mais descoladas seriam aquelas que já fizeram bukkake ou dividiram o parceiro com outra, com direito a tudo filmado. Já que o sexo ganharia essa perturbadora função social, clubes exclusivos surgiriam apenas pras pessoas praticarem o ato carnal. Como no último filme do Kubrick, o De olhos bem fechados, sabe? Porque, mesmo no Mundo Bizarro, os mais ricos querem dar um jeito de se diferenciarem dos mais pobres. E é falando de diferenciações entre ricos e pobres que começamos a falar de...
  • Esporte: se ricos gostam de criar esportes idiotas pra pobre não praticar no nosso mundo, o que acontece no Mundo Bizarro? Esportes ainda mais bizarros! Tão bizarros que a F1 seria considerada um esporte. Com o desaparecimento das forças armadas (como disse, várias instituições ruiriam), a única forma que a sociedade encontraria de resolver suas diferenças na porrada seria por meio de torcidas organizadas. A diplomacia seria o campo de futebol; o chumbo, a arquibancada. Trilhões de dólares estadunidenses investidos em tecnologia bélica seriam substituídos por garrafadas, linchamentos públicos, sacos de mijo e arpões improvisados com barras de ferro encontradas no local. Guerrilhas proliferariam, e possivelmente o tráfico de gente se tornaria endêmico, causando a volta da escravidão. Os mercados públicos começariam a vender gente, no melhor estilo Roma antiga. E como dinheiro não é mais moeda de troca, pequenos acordos de paz, escambos e armistícios funcionariam como moeda de troca. Por exemplo: o educado comprador chega à barraca e barganha dizendo "aí, eu compro essa sua escrava morena de 1,80m em troca de eu não invadir sua casa à noite e saquear tudo que você tiver nem botar fogo em tudo que encontrar. Fechado?" Ou então ele diz algo como "Quero casar com esse rapazinho polaco aqui, e ofereço três vaquinhas mais dois fuzis como dote. E aí, topa?". Ou seja, nosso conceito de comércio involuiria aos temos dos sumérios. Nada muito absurdo de acontecer; basta lembrarmos que, infelizmente, casamentos arranjados ainda são comuns na Ásia. Em países onde conceitos como ordem pública - mantida por forças estatais como polícias -, ou mesmo garantias sociais mínimas - como saneamento básico e educação básica universal -, não existem.
  • Moradia: guetos surgiriam por toda parte. Alguns criados por minorias para ficar mais fácil de uns defenderem os outros; já outros seriam criados por grupos mais fortes, para segregar, mesmo. O conceito de nação desapareceria. Muitos virariam nômades. A ONU continuaria a ser o que sempre foi: um ponto turístico de NY, nada mais. Sem políticas de controle de natalidade, provavelmente mais da metade do mundo seria chinês ou indiano em menos de três décadas, fazendo com que a civilização ocidental como um todo se tornasse a maior minoria do mundo. As TVs passariam apenas animes e filmes de Bollywood, a Polishop venderia apenas bugigangas chinesas e todas as terras cultiváveis virariam monoculturas monstruosas de arroz. Os poucos empregos que viessem a restar no Mundo Bizarro seriam terceirizados pelos indianos e os produtos seriam subfaturados pelos chineses. A fome seria endêmica, e roubos famélicos seriam bastante frequentes. Pra você ver. Tudo isso porque os bancos começaram a dar dinheiro pras pessoas...