segunda-feira, 28 de março de 2011

Trabalhar não é ruim...

(observação: ao final de cada mês, publicarei aqui posts de um projeto antigo meu: um blog que chamava de Chaves e a linguística, que possuía a modesta tarefa de realizar uma análise sem-vergonha, de teor risivelmente acadêmico, do rico insumo linguístico encontrado nos diálogos do seriado. Não ficou nada de mais, mas deu pra dar algumas risadas)


De volta à programação normal


Reconheço que não se trata de uma terminologia lingüística (mas sim lógica), mas faz-se necessário usá-lo para apreendermos adequadamente a sofisticação de pensamento de algus personagens de nosso amado seriado. Um silogismo se trata de um argumento lógico composto de duas premissas (premissa maior e premissa menor, respectivamente) e uma conclusão. É parte central do raciocínio dedutivo, onde se chega à descoberta de um fato por meio de outros dois já existentes e extrínsecos. Para a correta confecção de um silogismo, é preciso ter em mente que ambas premissas precisam ter algo em comum com a conclusão. E que, apesar de inicialmente incorrermos em presumir que existem infinitas formas de elaborar silogismos, certos fatos delimitam a quantidade de silogismos lógicos, corretamente elaborados. Por exemplo: o termo do meio (a premissa menor) pode ser sujeito ou predicado, mas não pode concluir nada. Abaixo segue um exemplo clássico para ilustrar o por ora dito:

Todo homem é mortal. Sócrates é homem. Então, Sócrates é mortal.

Existem quatro espécies de proposições: A, E, I, O. Entre estas proposições, é possível 64 combinações na estrutura do silogismo. Deste total, apenas 19 são válidas, e distribuem-se nas quatro figuras do silogismo. Essas 19 combinações possíveis, para fácil memorização, são normalmente associadas a palavras mnemônicas elaboradas ainda na época da escolástica medieval. Por exemplo: silogismos de forma AAA viram Barbara (como o do exemplo acima), os de forma EAE viram Celarent. Tomemos como exemplo este distinto silogismo de Seu Madruga¹, divagando sobre o trabalho e seus propagandeados benefícios para o espírito que nem sempre aparecem em nossas folhas de pagamento (devem ter cortado esse adicional hoje em dia).

Trabalhar não é ruim. O ruim é ter que trabalhar.

Observem no exemplo a seguir mais uma amostra de silogismo, fartamente recheada de redundâncias. Tão redundante que caberia com facilidade a observância de mais de um tipo de silogismo. Vejam como é fascinante a total propensão do discurso de Chaves a retomar o mesmo objeto inúmeras e inúmeras vezes sem a tola preocupação de aplicar, por exemplo, pronomes. Quem precisa de pronomes? Eu é que não preciso de pronomes.

Se quer saber, eu tenho uma corda pra pular corda porque eu gosto de pular corda e você não tem uma corda pra pular corda, portanto você não pode pular corda mas eu sim posso pular corda porque eu tenho uma corda pra pular corda...


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¹ Para o exemplo acima, uma consideração se faz necessária. Uma vez que este pode ser facilmente contestado, cá acrescento um recurso retórico à medida de retificação (ou antes disso, de adendo):
Ipsedixitismo é um termo pejorativo para uma afirmação retórica sem sustentação alguma; em lógica, é um termo para um argumento em falta. Não é explicitamente definido como um axioma, e com certeza não como uma premissa, mas freqüentemente aparece tal como é em silogismos como: "a economia precisa de mais cientistas, logo a expensão da educação científica dará impulso à futura economia". A proposição fica no ipsedixitismo a menos que razões sejam dadas para que a economia precise de mais cientistas. O termo foi cunhado por Jeremy Bentham, a partir da expressão latina
Ipse dixit ('ele mesmo disse'), para se aplicar a todos os argumentos políticos sem proveito. Esta é a origem do termo em sua aplicação moderna. Uma das situações para sua utilização é quando o ipsedixitismo presume consentimento geral, como num sermão (o exemplo dado por Seu Madruga cai aqui certinho). Outras situações são auto-referências à autoridade, crenças do senso-comum (ou seja, 'dogmas' sem comprovação imediata) e afirmações implícitas que acidentalmente são explicitadas. Por essas razões, em linhas gerais, é usado quando nenhum argumento para validar o discurso é necessário. Ou seja, depois desse adendo, o exemplo de Seu Madruga, decerto, seria mais corretamente classificado como uma amostra de falácia de irrelevância. De certo modo, um vício de retórica, por assim dizer.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Comida

Engraçado. Eu profano, blasfemo, incido em alguns pecados capitais como qualquer pessoa com vida social e curto humor negro. Mas se tem uma coisa com a qual não brinco nunca é com comida. Sei lá, religião a gente escolhe, dogmas a humanidade cria, preconceitos a gente escolhe ter... mas a fome, a nossa necessidade de subsistência, taí algo indisponível.

Quando vejo aquelas piadinhas de programas estadunidenses envolvendo comida, meu estômago dá pulos. Isso não se faz. Posso atestar que o humor evolui à medida que testa seus limites, o que acontece quando é possível rir de si próprio, ou pelo menos do próximo. E quando não é possível? Não o é por ainda nos faltar senso de humor ou por, por incrível que pareça, existir mesmo fronteiras que o humor não deve ultrapassar? Prefiro uma resposta mais objetiva: já que temos um elemento universal, que não consiste em minorias nem em meros apontamentos sociais, creio que dá para centralizar nossa perspectiva de humor sob o parâmetro do bom gosto. Pense bem, naquelas comédias antigas, pastelão, em que banquetes terminavam em guerras de comida, era realmente das tortadas que você ria? Ou era da atmosfera caótica que uma série de eventos, gerados por falha de comunicação, produziram?

sexta-feira, 18 de março de 2011

Como ser distraído

Todas as sugestões de como ser avoado, distraído e disperso, aconteceram comigo. E a coisa só piora quando estou ansioso. Então, vocês estão sendo escolados em lapsos de memória com um expert. Querem ver?

  • Ir ao trabalho com a camisa pelo avesso: confia, já rolou comigo. Manhãs, por definição, são a parte mais deprimente do dia. Vestir-se de acordo para ambiente de trabalho também. Tem pessoas nesse contexto que parecem ter saído de desenhos animados: usam sempre as mesmas roupas! No máximo, variando algumas cores. Decerto, nenhuma delas jamais foi com a camisa pelo avesso...
  • Confundir nomes de colegas de trabalho: geralmente gravo nomes com facilidade. Mas não feições. E é essa minha limitação que faz com que troque as bolas. Engraçado que nunca me confundi em relação às gêmeas que vejo de vez em quando por lá. Uma vez fui entregar um documento e as duas estavam juntas. Coisa rara, elas estão em momentos diferentes dum curso que rola lá perto. Aí, só de sacanagem, pergunto a um terceiro por perto: 'Com qual das duas eu falo'? Sim, elas quase me degolaram. Teve também uma outra ocasião, isso quando havia acabado de conhecer uma delas. Me dirijo à menina pelo nome dela e esta me corrige: fala que é Sicrana, que são gêmeas e tal. Na falta do que fazer, digo que ela "é a mais bonita". Claro que sobrou pra mim; a outra veio tirar satisfações comigo depois.
  • Quase trancar uma das professoras: essa foi no começo desta última copa. Tava trancando a sala no final da manhã pra ver o jogo com os amigos. Época saudosa; matar trabalho se institucionaliza no povo por um mês. Acontece que o banheiro feminino fica em minha sala. Apenas o feminino. Acha estranho? Passa a fazer sentido depois de dezenas de remendos por que toda repartição pública passa. Bom, no que eu tava trancando a porta e indo embora, volto e abro com a sensação de ter esquecido alguma coisa ligada. Eu realmente tinha esquecido: uma das professoras no banheiro. Deve ser por isso que, de vez em quando, algumas delas avisam para "eu não trancá-las". Não deve ser apenas por vergonha ou claustrofobia...
  • Confundir datas de reuniões: coloco a data correta no documento de convocação mas informo a data errada. Por que que eu sou assim? Esses dias, por exemplo, comprando passagem aérea, por um triz não compro voo pra data errada! Na época de faculdade, ou mesmo de escola, vivia confundindo datas de provas! Mas quase sempre pra antes. Às vezes me matava de estudar pra provas que achava que eram hoje, mas só seriam aplicadas três semanas depois!
  • Esquecer de usar peças íntimas: não se preocupem, essa só acontecia na infância. A garotada só descobria isso quando eu brincava no trepa-trepa. Menino, como isso deu o que falar na época... mamãe contou que, certa feita, cheguei a mostrar a uma outra menina do jardim, os micuins que tinham invadido minhas partes pudendas. A direção conservadora -- e ignorante, obscurantista -- da época me tachou de tarado. Deve ter sido a única vez em época escolar que meus pais tiveram de ir à escola por eu ter aprontado alguma. Não por eu ter batido, apanhado ou colocado peido alemão dentro de sala, mas apenas por mostrar como vim ao mundo. Crianças sabem como se divertir...

terça-feira, 15 de março de 2011

Kuru kuru Kururin

Aqui estou eu mais uma vez pra falar de um game que passa bem longe do mainstream. Bucha de canhão do GBA, Kuru Kuru Kururin é um puzzle bastante original que, vejam só, apesar de sua simplicidade, ganhou uma sequência ainda no GBA e ganhou referência na série Super Smash Bros. A trilha sonora é feita na medida, sem muitos sons agudos e bem relaxante, como de praxe nos puzzles da Nintendo. Para quem está sempre em busca de conceitos diferentes nos games, Kururin é uma boa pedida.

Enredo
Kururin, um pato azul, tem vários irmãos. À medida que a numerosa família vai passeando, seus irmãozinhos vão se dispersando. De repente, quando se dá por si, todos eles desaparecem. A mãe, em pânico, pede para que ele percorra os mundos do game em busca dos filhotes. Nosso protagonista pega seu helicóptero e sai em busca de cada um deles. Uma história cheia de surpresas e fortes emoções, como podem perceber. À medida que você prossegue no game e encontra seus irmãozinhos, nosso solitário piloto vem até cada um deles com a frase: “Hi Fulano, mom is worried about you at home.” Lembra vagamente Super Mario Bros., quando você vai passando por cada castelo resgatando os cogumelos súditos da princesa, que dizem sempre a ele a mesma coisa. Por incrível que pareça, é uma historinha bem capenga, sem vilões, mesmo. O game pelo game.

Jogabilidade
Você controla Kururin por meio de visão aérea. O helicóptero se locomove com uma velocidade fixa, que pode ser aumentada pressionando-se B ou A durante sua locomoção. No modo Adventure, os itens disponíveis não possuem utilidade durante as fases. São pequenas alterações para as hélices, que em nada interferem em sua performance. Eles ficam à disposição do jogador, na tela inicial (no mdo Make up), após o jogador terminar a fase em que o item se encontra.

Cada mundo por onde o jogador passa é dividido em três fases. Na primeira de cada mundo, o professor Hare dá uma dica de como passar pelos trechos mais difíceis. Nas restantes, esses itens para personalizar o helicóptero aparecem. Em cores e formas diferentes, às vezes com uns passarinhos como adorno, por mais paradoxal que isso possa parecer. Ainda no modo Adventure, antes de se iniciar nas fases, há um tutorial onde o professor Hare te dá uma visão geral do game.

Há um modo Challenge, onde o que se tem são pequenos percursos, cujo objetivo é completá-los e, se possível, bater recordes. Aqui, não tem o professor Hare pra ajudar; cabe a você descobrir como passar pelos intrincados percursos disponíveis, mais curtos e mais desafiadores.

Cada fase/puzzle tem sua conclusão marcada de acordo com seu desempenho. Por exemplo, se você terminar sem bater o helirin uma única vez (é assim como o helicóptero é batizado no game), a fase é marcada com uma estrela. Se bater um recorde, o ponto ou estrela da fase fica dourado. Uma forma de o game sempre te incentivar a melhorar. Já dentro de uma fase, é preciso cuidado. O cronômetro só começa a contar no momento em que você abandona a zona azul inicial. O helirin resiste a apenas três pancadas nas laterais. Cada pancada é punida com um acréscimo de três segundos no cronômetro. Como não há itens que interferem no desempenho do jogador no game, a única forma de recuperar seu life é aproximando de uma zona rosa, presente na metade de cada fase e que funciona como um checkpoint também.

A princípo pode não parecer, mas a Nintendo sabe explorar muito bem as limitações que um game de visão aérea, protagonizado por um helicóptero, pode oferecer. Muitas fases vão exigir nervos de aço, pensamento rápido e interpretação de como se usar corretamente s particularidades de cada percurso a fim de se chegar ao final da fase, marcado por uma área laranja no mapa.

sábado, 12 de março de 2011

Bloco de notas (XVII)

Agora há pouco me lembrei que este blog completa quatro anos (fora os quatro anteriores que eu escrevia em outro canto). Devagar e sempre. Meu processo criativo anda tão irregular que essa data quase me passou despercebido. Isso é comum em blogs longevos; a diferença deste é que, diferente da maioria, nunca me permito passar mais que um mês sem colocar nada: o Zeitgeist se perde, não adianta. Então é isso: quatro anos de cinismo, parabéns pra você (por 'você', entendam o meu eu que insiste em recionalizar tudo que observa). E obrigado aos dedicados leitores que tenho: são poucos mas são bons. O blog me levou aos mais inesperados lugares e às mais improváveis amizades. A algumas decepções também, mas a vida é assim: cheia de oportunidades pra minar nossas expectativas. Coisas da internet.

Voltando à programação normal... 


Um exemplo de mau gosto involuntário (será?): lembram-se daquela propaganda do Twix em que uns idiotas ficavam falando a palavra chocolate de forma meio espasmada, esquisita? Pois é: os portadores da síndrome de Tourette devem odiá-los com todas as forças hoje em dia.

Os participantes do American Idol são todos umas bichinhas amadoras! Deviam convidar Eric Cartman a cantar Poker face, como ele faz em South Park...

Aracnofobia é um filme que aterroriza bem mais que Tubarão! Sigam meu raciocínio: qual desses filmes a Globo reprisava mais? Qual deles incute um medo mais aterrador: um que trabalha com uma fobia que pode te atacar no conforto do seu lar ou outro medo que você só lembrará de exercitar quando viajar pra Recife? Qual deles eu assisti? Rá, filmes de terror fácil são coisa de matinê! Na puberdade eu ja sabia disso; hoje em dia tenho certeza.

O que aconteceu com os coletivos que aprendemos na escola? Esses dias numa conversa perguntei a meu irmão da última vez que ele deu um ramalhete à namorada. Só faltou ele perguntar se era de comer, o tal do ramalhete. E me perguntou em que década foi a última vez que fui a uma floricultura, se foi nos anos 60, talvez. Disse que a palavra "certa" era buquê, e ainda ficou tirando uma com minha cara. Fala sério! Até desanima de pensar na quantidade de coletivos que tive de decorar no primário, vendo-os cair em vertiginoso desuso. Eles conferiam uma elegância tão grande a tudo que a gente dizia. Tudo bem que raramente consigo usá-los em contextos normais, mas pensem comigo que bacana: se sou uma pessoa influente, tipo um empresário ou um político, não tenho um grupo de assessores, tenho um séquito; se estou no rio pescando, não encontrou um monte de peixinho, encontro um cardume; se me perco na selva e encontro um grupo de lobos se aproximando, não serei cercado pelo grupo, serei comido pela alcateia. E por aí vai. Acho que, só de sacanagem, quando quiser camuflar algo que tiver a dizer, vou usar só coletivos. Vão achar que venho de Portugal em dois tempos...

Não me culpem, mas sinto um prazer quase sádico ao andar pela rua e ver uma mulher deixada pela mão pelo próprio carro, esperando um trouxa qualquer pra trocar o pneu por ela. Sempre que vejo isso, me recorre à mente lembranças das atitudes mais feministas e desprezíveis por que já passei com algumas meninas. É como se eu me sentisse vingado por meio de outrem. É como ver o carma em ação. Além do mais, é sempre divertido vê-las levando susto da vida. Elas a caminho de algum programa com o namorado (que a muitas se resume a mera ocasião pra exercitar seu domínio sobre eles), se achando tão independentes, tão superiores, tão multitarefas em relação ao sexo oposto, quanto de repente... puf, o pneu estoura! Sim, eu admito: desgraça lheia é como mulher do outro, é sempre melhor!

terça-feira, 8 de março de 2011

Onde está?

Crianças, por falta do que fazer, contaminei a net com um outro site. O nome: não sei desenhar. Às vezes acordo me achando engraçado, então resolvi canalizar esses momentos de degradação do humor engraçado num lugar só. Humor engraçado não é pleonasmo; se fosse, Casseta e planeta e Didi mocó seriam engraçados até hoje. Beijo nos seus corações.

sábado, 5 de março de 2011

Tipos de humor

Humor não tem fórmulas prontas. É importante refrescar a memória das pessoas em relação a isso hoje em dia, porque com essa modinha standup, tá todo mundo se achando engraçado com seus showzinhos, contas no Twitter e blogs que copiam vídeos engraçados. Então, observando tudo isso de cima do muro, vou botar em pratos limpos pra vocês como se faz humor de verdade.
  • Maldade (humor negro): como Thomas Paine nos ensina, o senso comum nasce do surgimento de um ideal que, quando adotado coletivamente, se consolida na mente e nas ações das pessoas, em combate a uma ideia opressora, outrora imposta. Então temos um ciclo. E uma conclusão. Usar o senso comum contra si próprio é lindo: ele denuncia os locais onde escondemos nossa hipocrisia e nos dá a oportunidade de uma autocrítica. Os conceitos que a humanidade cria são uma eterna comédia. Mestres como Sacha Baron Cohen fazem arte com isso. Pegar estereótipos, preconceitos (ou, melhor ainda, descobrir onde as pessoas escondem os seus), minorias e amostras de crueldade é humor em estado bruto. Maldade é a força motriz de qualquer forma de humor. Porque, se trabalhamos humor sob a forma de idiotice, por exemplo, é porque estamos conferindo a este (ou evidenciando, mesmo) uma interpretação de inferioridade do objeto de humor. Se trabalhamos sob a forma de verdade, é porque ela dói. E é por isso que a contamos com humor: o humor é gelol da verdade. O brazileiro que o diga...
  • Nonsense: este humor é calcado em se quebrar a sequência lógica de um raciocínio, a fim de gerar humor com uma reação ou resultado inesperado. Isso funciona muito bem com situações que culminam em desfechos completamente imprevisíveis, mas ganha um apelo a mais quando se recorre a referências culturais. Por exemplo, inserir numa cena cotidiana uma referência a um grande sucesso do cinema, como uma frase de efeito ou uma coreografia, é sensacional. Funciona muito bem se usado de forma inteligente. Programas como Family guy não me deixam mentir. Devemos muito a Monty Python nesse aspecto. E mesmo quando o recurso humorístico não surte o efeito desejado, tem-se no mínimo um apelo nostálgico, o que já conquista empatia do público e recupera a este memórias afetivas que podem favorecer a obtenção do efeito humorístico futuramente. Quando menos esperamos, o passado ganha aparência nonsense. Precisamos dele pra buscar algum sentido de no ssas existências; seria estranho, portanto, se o passado sempre fizesse sentido.
  • Idiotice: idiotice sempre vai funcionar como humor porque, diferente da inteligência, é ilimitada. O fato de sermos humanos já é fonte riquíssima para idiotices. Somos falívies e às vezes queremos que tudo seja do noso jeito. Pronto, taí um material infindável. Idiotices evidenciam nossos equívocos e limitações. O erro é ode à condição humana. Ele sempre vai mexer com a gente. Se você souber dar efeito humorístico a isso, então...
  • Verdade: os bobos da corte, na época das monarquias, eram bastante populares exatamente por criticar ou ironizar um contexto social contando verdades. Mas não a verdade pura, claro: esta era dita de forma a ridicularizar, exagerar a realidade, ou evidenciar ironias. Ou seja, o bobo fazia o rei, como ser humano, rir de si próprio. Se você não sabe cantar, o humor é sua arma para expressar a verdade sem sofrer a fúria de alguém superior a você. Ou ao menos levar isso na esportiva. Ou seja, você, cordeiro, irritar o lobo com uma atitude passivo-agressiva.
  • Irritação (teste da paciência alheia): sempre será fonte de humor testarmos a resiliência e extensão de convenções sociais por meio de personagens irritantes ou desajustados. Isso ocorre porque, quando as máscaras caem, vemos a essência do ser humano gritando. Vemos seu desespero ao descobrir que o inferno é o outro. Sim, às vezes o inferno é si próprio. Todo ser humano tem potencial pra ser insuportável, então porque não começar por si próprio de vez em quando? Fica a critério do criador da personagem.
  • Reação: diferenças culturais sempre geram choques que geram humor. Não poderia ser diferente entre duas linguagens que carregamos conosco: a corporal e a oral. Uma sempre diz a verdade; a outra, sempre a maquia. Raramente há sincronia entre elas. Naturalmente, tem gente que prefere realizar esse contraste com, em vez de usar a linguagem corporal, usar a linguagem mental. Aqueles pensamentos conscientes ou não que elaboramos diante de situações presentes, iminentes ou passadas. Esse contraste é ainda mais poderoso porque não se limita ao presente, como ocorre com a linguagem corporal.