domingo, 18 de dezembro de 2011

Trocando as bolas

Devo ter uma das piores memórias fotográficas de todos os tempos. E pra provar que não exagero, elevarei alguns exemplos para vocês. Pra mim, por exemplo, já virou praxe encontrar gente na rua, não fazer a mínima idéia de quem seja mas ter de fingir que lembra da pessoa por dez minutos. Isso rolou mês passado, mas o tempo todo acontece comigo. Por sorte, consegui deixar a desconhecida falar o bastante para que, ao perguntar sobre uma pessoa em comum de nosso círculo de amizades, eu matasse a charada. Já com celebridades… sintam o drama:

  • Confundi a Paula Fernandes com a Giovanna Antonelli;
  • Conheço pessoas igualzinhas à Ellen DeGeneres e ao Gene Wilder. Mas pergunta se sei os nomes;
  • Confundi Katy Perry com Zooey Deschanel. Mentira, não confundi. É um erro honesto da genética, só isso. Ou uma pulada de cerca do pai delas, vá saber;
  • Quando ouvi o Justin Bieber cantando pela primeira vez, podia jurar de pés juntos que era a Beyoncé ou a Shakira;
  • Encontrei uma menina no trabalho e ficamos conversando por uns dez minutos. A merda é que eu não lembrava o nome dela de jeito nenhum! Só lembrei por causa dum detalhe que ela soltou na conversa;
  • Um bêbado cantou pra mim no bar uma semana antes de o Corinthians ser campeão brasileiro. Ele puxou assunto, disse que me conhecia, queria fazer trenzinho no boteco... claro que também não lembro o nome dele!

E é isso, senhores. Com este post vagabundo, fecho a tampa por 2011. Não vou entrar no clichê de prometer que as atualizações serão mais frequentes (sem trema) para o ano que vem. Estou ciente de que blog velho é como velho de bengala: demooooora pra dar umazinha de vez em quando. Mas prometo que, seja o quão esporádico continue a dedilhar por aqui, que os posts continuarão a ser mais bem elaborados, como os últimos desse ano, maiores e mais detalhados, que passaram por várias revisões e escritos aos poucos, sem se afobar com a velocidade desta mídia aqui. Bom, no mais é isso. Feliz 2012 a todos e façam tudo que tiverem direito antes que a profecia maia acabe com tudo. Vá bêbado ao trabalho, coloque um anúncio falso de acompanhante no jornal informando o número do chefe/ex/alguém que você odeia, doe algumas playboys pro padre de sua igreja com dedicatória sugerindo deixar os coroinhas em paz, convença a namorada a fingir que a menstruação atrasou para ver a reação de seu sogro in loco. Gostaram das minhas sugestões de trollagem? Tente botar algumas em prática; de 2012 não passaremos mesmo... ;)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Os piores relógios do mundo

A gente tende a pensar que a tecnologia sempre vem para facilitar nossas vidas. Mas, como vocês verão nos exemplos abaixo, tem tecnologias que se mostram incapazes de fazer as coisas mais simples. Mostrar as horas é uma delas. Ao mesmo tempo que temos o relógio atômico, temos o relógio do Windows. Um paradoxo tecnológico. Engraçado como pensar que o relógio de pêndulo antigo da sua avó, ou mesmo os relógios de sol da Antiguidade são mais pontuais que os da Microsoft. Vivendo e aprendendo. Vamos lá.

  • Relógio de videocassete: a ruindade deste é epica. Marcou toda uma geração. Era um enigma ajustá-lo e, com qualquer falta de luz, ele resetava pro meio-dia. Não raro, os números do relógio se confundiam com o do timer que marcava a duração do filme. Infelizmente, seu legado permaneceu: tudo quanto é eletrodoméstico hoje em dia usa algoritmo semelhante ao dele. Os fabricantes eram são incapazes de colocar uma bateria interna que permita que o relógio não resete após um pique de energia, ou mesmo uma tirada da tomada, para quando você quisesse mudar o aparelho de cômodo. E a cereja do bolo é que ele não estava preparado pro bug do milênio. Os mais velhos saberão do que estou falando: o bug do milênio era uma crendice que a sociedade mundial como um todo teve, achando que os relógios cujos algoritmos não estivessem adaptados para contabilizar o ano 2000 corretamente gerariam panes em sistemas e bancos de dados inteiros, trazendo caos à infra-estrutura de países inteiros ao redor do mundo. Tinha até estadunidense idiota estocando comida, achando que alguma usina abriria as comportas devido às supostas consequências desse bug. Claro, como todo mundo que tentou acabar com o mundo até hoje, não deu em nada: o bug gorou. O ano 2000 chegou e o máximo que aconteceu foi os videocassetes acharem que estávamos em 1978, já que o algoritmo deles não previa a passagem do ano 2000. E sabem o que é pior? O milênio não acabava no ano 2000! Acaba em 2001! Epic fail tecnológico.
  • Relógio do Windows: esse tem vontade própria. Se adianta e atrasa em uma hora quando bem entender. Se ajusta automaticamente pro horário de verão meses antes deste acontecer, e meses antes/depois dele acabar. Já perdi compromisso importante e quase bati ponto no trabalho uma hora antes de ir embora por causa desse relógio da desordem. E como se não bastasse, é esteticamente horrível: fica no ponto mais escondido possível da tela do Windows, num tamanho pequeno, como se quisessem te esconder as horas. Patético!
  • Calendário de relógio de ponteiro: por não possuírem circuitos eletrônicos que permitam algum tipo de programação, contam apenas com "padrões" do calendário. Mas basta chegar o mês de fevereiro, por exemplo, para o mostradorzinho ficar permanentemente errado. Não há muito a fazer, e fica por isso mesmo. Próximo.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Textos esquecidos

Quando comecei este blog, importei textos de meu blog anterior para que os incautos que passassem por aqui tivessem noção das bobagens que já escrevi. Só que nem todos os textos que importei foram aproveitados. Na verdade, no máximo uns 40% foram aproveitados. Os textos diarinho não foram aprovados no teste do tempo e se tornaram simplesmente chatos, dramáticos, berros de uma adolescência cheia de relutâncias para com o mundo e extremos que não faço questão de lembrar. Mas volta e meia me deparo com um ou outro que talvez merecesse uma republicação tardia. Eu disse talvez. A quem interessar possa, esse é um desses textos.

(originalmente escrito em 3 de setembro de 2005)


A abstração é algo engraçado. Principalmente quando se faz isso durante uma conversa. Com a F., a abstração que obtive ao longo dos anos é tanta que é como se eu falasse comigo mesmo. A figura dela nem sempre existe para meus olhos nessas horas. O diálogo interno sempre existiu; algo ou alguém para externá-lo, não. O pior é que jamais me utilizei (ou me fizeram utilizar) de artifícios indiretos para auxiliar a abstração como mecanismo auxiliador de exposição, como falar com meias, escrever, ou desenhar. Até porque dois terços do que acabo de citar eu já faço nas horas vagas. É engraçado muitas vezes concebê-la, à minha frente, como mera materialização dessas vozes internas que jamais nos deixam em paz. Só que, em vez de eu ter de me contentar com uma voz interna masculina, ao menos uma já externada palra feminina vem a me instigar. Depois das efemérides e articularidades de seus dizeres devidamente suplantadas pelo que quero -- e pelo que não quero também -- ouvir, claro. Já houve vezes em que os dizeres dela em nada se tornavam paralelos ao meu estado de espírito e a fúria em meus dizeres a faziam se esquivar de mim, não somente em palavras. Enquanto o olhar petrificado de um misto de frustração jazia após o descarrego de tal funesta desilusão, me imobilizando. Vulnerável após as entranhas de toda aquela abstração ter sido exposta. E se ver que a abstração não se trata somente de abstração. É sua verdade, agora sem dono, solta no mundo. Em toda sua simplicidade. Paradoxalmente te impulsionando e te repelindo a atuar em modos de fugir da simples e pessoal verdade, indelével. A abstração, quando se confunde com sua verdade -- porque, mais cedo ou mais tarde, haverá tal confusão -- dói. Sim, a verdade dói. Saber que certas verdades são particulares dói ainda mais. Singulariza o desalento. Não é algo que gostaria de receber personalizado. Prefiro personalizar as mentiras, mas customização alguma aumentaria as pernas destas.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Algumas pílulas

"Quem fala consente!"
Em casa, em relação a alguma situação diversa.

"É um grande exagero desnecessário."
Marco Luque, "humorista", comentando que a polêmica envolvendo seu ex-colega de trabalho Rafinha Bastos não interferiu na amizade entre os dois. Redundância é isso aí.

"Dilma, eu te amo."
Carlos Lupi, ex-Ministro do Trabalho, se pendurando com força nas bolas da presidenta, morrendo de medo de perder a boquinha do Ministério.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Quem precisa de mundos paralelos...

...quando se tem uma realidade que, sozinha, já é bizarra o bastante? Alguns apontamentos sobre isso:


  • Recentemente o Congresso dos Estados Unidos considerou a pizza um vegetal. Pode isso, Arnaldo? Com lobistas muito bem pagos da indústria alimentícia infiltrados no Congresso deles, até pinga vira suco. Como muitas dessas empresas têm contratos com o governo para fornecer a merenda escolar do sistema educacional deles, o que aconteceu? O Ministério da Agricultura deles (USDA) passou um projeto de lei exigindo redução no uso de batata e nos níveis de sódio dos alimentos que essas indústrias fornecem, entre outras medidas. Uma delas exigia uma quantia mínima de tomate, sendo que mesmo na forma de extrato seria contabilizada como vegetal, então é aí que os lobistas entraram. Os estadunidenses reinventaram a cadeia alimentar: agora querem decidir quais alimentos são ou não frutas, legumes... em algumas décadas eles devem chegar aos níveis de obesidade dos humanos de Wall-E; já estão começando a investir nisso ainda no ensino público...
  • ONGs que recebem dinheiro do governo. Esse tipo de aberração do poder público até já derrubou ministros do governo, mas não adianta: no Brasil, ONGs não são tão ONGs assim. Se os desvios de recursos públicos ou as acusações de o ex-ministro do Esporte favorecer a aplicação de recursos em prefeituras administradas por seu partido não fossem o bastante, ainda nos metem essa. Me lembro da indignação do Cap. Nascimento no Tropa de Elite toda vez que falava das ONGs nas favelas cariocas e aquele monte de jovenzinho de classe média brincando de mudar o mundo em território sem presença do estado. Como aquelas ONGs se mantêm por lá? Boa vontade das pessoas em ajudar o próximo que não é! Quanto vale ou é por quilo é um filme nacional que aborda essa questão de forma interessante. Da segunda vez não achei o filme tão bom assim, mas vale uma conferida.
  • Sasha Grey choca mais as pessoas lendo para criancinhas do que fazendo um duplo anal no seu antigo ofício. Ela abandonou o pornô e agora participa de um projeto que roda dos EUA com celebridades lendo livros para as crianças. Quanta hipocrisia: a Xuxa era acompanhante de executivos nos anos 80, namorou o Pelé, fez uma polêmica cena no cinema aliciando menor de idade e hoje em dia é rainha dos baixinhos! Pra quê o drama? É só sexo, e sexo feito no passado de ambas. A merda seria se, no caso a Sasha, se envolvesse com menores, coisa que não acontece. Mas não, para as hordas sexo é feio, é pecado e só deve ser visto às escondidas. Para eles, tudo bem a moça receber um bukkake e jogarem o vídeo disso no Youporn, mas Deus nos livre e guarde de uma mulher dessa ler histórias infantis para nossas crianças! E vestida, que absurdo! Como se ela fosse obrigada a passar a vida inteira sendo material de onanismo alheio. Um pouco de maturidade, minha gente.
  • Não sei que pacto ou mandinga o Mano Menezes fez, mas o trabalho foi bom: ele não sai da seleção por nada! Muitos técnicos já saíram por bem menos e ele continua firme e forte. Derrota pro Paraguai na Copa América, desempenho econômico com várias seleções nacionais amadoras, um futebol que não encanta de jeito nenhum... a coisa tá tão feia que os jogos do futebol feminino do Pan de Guadalajara estavam mais emocionantes do que essa seleção de merda que ele comanda! Com esse plantel dele, não passamos nem da primeira fase da Copa, mesmo jogando em casa! Talvez ele caia se tentar punir o Neymar por causa de alguma birrinha dele. Funcionou com o Dorival Jr. no Santos...
  • A crise econômica na Europa tem nos mostrado que todo mundo tem o seu dia de primo pobre. Foi lindo ver a Dilma falando no encontro do G20 (se não me engano) que o Brasil não daria um centavo, já que isso é função do FMI e tal e coisa. Legal ver o neoliberalismo enrabando alguns de seus maiores perpretadores. A coisa tá tão feia que a dívida grega de 100 bilhões foi perdoada em 50% só pra não correrem o risco de calote. Os mais exaltados de lá disseram que estaria rolando um "colonialismo às avessas" quando viram os chineses se interessando em comprar os papeis da dívida. Como esse mundo dá voltas...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Some e-cards

someecards.com - Foursquare is a modern, cheap way for needy, boring people to tell you where they are, so you can avoid them.

No meu tempo de ócio, farei alguns cartões ternos para as mais diversas situações sociais. Vamos começar com este. Sempre tem um adequado para as mais diversas situações. Quem dera bastasse usá-los...


Poisé, como devem ter percebido, voltei ao modelo tradicional do blog. Duas colunas e muita asneira escrita na principal. Eu tentei gostar da visualização dinâmica, mas não poder contar com os widgets foi de doer. Na verdade, eu gostei bastante: os blogs ganham um ar profissional, sofisticado, com uma estética mais diagramada, por assim dizer. Mas sem widgets me senti de mãos atadas: o acesso aos arquivos ficou mais difícil, os interessados em seguir o blog não teriam como fazê-lo, já que o widget par aisso não aparece, e por aí vai. Por ora, mantenho este modelo. Pobre mas limpinho. Quem sabe no futuro volto a deixar esse pardieiro virtual mais chique. A ver.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Entrevista com a mulher mais sincera do mundo

Texto para maiores de idade. Como comento recorrentemente em muitos posts, a sinceridade é a arma mais perigosa do mundo. Tanto pra vítima quanto pro algoz. Então resolvi imaginar uma hipotética entrevista de uma mulher que usa o sentimento mais inútil de todos, o ciúme, para controlar seu par de todas as formas imagináveis. Com joguinhos psicológicos e táticas para cercear a liberdade de seu amado, obtendo uma forma de prazer sádico que só o esforço masculino desesperado por provar fidelidade oferece. Claro, por mais que eu deixe minha imaginação insana trabalhar em relação a personagens hipotéticos como esse, a realidade sempre vencerá a ficção. Vamos lá.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Paradoxos possíveis


  • Ser mal atendido na fila do PROCON;
  • Ir à churrascaria e pedir refrigerante diet;
  • ONGs que funcionam sem dinheiro de governos;
  • Livros mais caros que DVDs;
  • Pedestres andando mais rápido que carros em grandes centros;
  • Celebridades que ficam ainda mais famosas quando querem fazer algo no anonimato;
  • Sushiman japonês;
  • Filósofos versando sobre qualquer coisa: depois de livros e mais livros, percebe-se que eles não versaram sobre absolutamente nada;
  • Jornais usados para ler;
  • Burocracias que geram necessidades em vez de saná-las;
  • Pessoas que concordam em comprar produtos de qualidade inferior sob o eufemismo "compra coletiva";
  • Madeireira falando de sustentabilidade em campanha publicitária;
  • Vendedores de livraria (ver post que escrevi sobre eles);
  • Joguinhos em redes sociais na internet que funcionam mais como sub-redes sociais do que joguinhos per se;
  • Lâmpadas que funcionam em filmes de terror;
  • Capitalismo que mata mais que comunismo;
  • Frutas mais transgênicas que as bobagens industrializadas que você consome;
  • Garçons que escolhem quando te atender;
  • Cozinheiros que escolhem quais ingredientes vão tirar do prato que você pedir;
  • Blogs usados para escrever.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"É crime ser classe média nesse país"

Seguindo a linha de pseudoposts para o blog (onde coloco textos que, por motivos bem alheios à condição deste blog, escrevi no cotidiano), coloco aqui a ata que escrevi por ocasião de aprovação da política de cotas na universidade daqui. Porque eu sou o Wikileaks de mim mesmo. É um texto de um parágrafo só, como toda ata, mas tem algumas pérolas. O título do post, por exemplo, veio de uma fala que pediram preu remover da ata, mas tem muito mais ouro nessa jazida de opiniões. Opinião de classe mérdia, de negro complexado, de pseudointelectual... divirtam-se com o circo que escrevi. Eles passaram muito perto da Lei de Godwin, como podem perceber.

(a propósito, vexemo-nos um pouco nesse momento: eles aprovaram aqui cota de 50%! Uma arbitrariedade estatística sob o eufemismo de política afirmativa. Naturalmente, os nomes foram alterados; posso ser louco de deixar vazar um documento de meu trabalho mas não sou burro. Enjoy)



Ata da Reunião do Departamento de Maria Mole

Aos vinte e sete dias do ano do tigre, os docentes da Faculdade de Maria Mole se reuniram na Sala 3, para uma reunião ordinária, tendo como pauta o posicionamento oficial da Faculdade de Maria Mole em relação ao sistema de cotas que a Escolinha do Professor Raimundo pretende adotar, conforme deliberado em reunião do Consepe. Presentes: Chaves, Seu Madruga, Dona Clotilde, Dona Florinda, Prof. Girafales e Jaiminho, o carteiro. Ausentes: Cirilo, Maria Joaquina e Geisy Arruda. Patty Pimentinha inicia a reunião falando brevemente da pauta da reunião, a política de cotas, e passa a palavra ao Primo Rico, representante da Faculdade junto ao Consepe, para contar o que ouviu na última reunião. Primo Rico usa da palavra para falar do debate em curso, que visa o ingresso de alunos egressos da escola pública ao ensino superior público. Homem-cueca pergunta se essa política de cotas exige que o aluno tenha cursado apenas o Ensino Médio integral em escola pública, e o Primo Rico confirma que sim. Este continua sua fala, falando que existem outras correntes sobre as cotas, sendo que uma delas prega a implementação paulatina, iniciando-se com 20% para então se chegar a 50% num prazo de talvez cinco anos. Outra corrente defende os 50% imediatos das cotas, sendo 40% deste valor reservado aos negros, e o restante para brancos e índios. Informa a todos que enviou por e-mail aos professores a proposta defendida pelo IE. Fala que, quando as cotas foram propostas no Consepe, alguns foram contra, argumentando se tratar de discriminação e que não há necessidade das cotas quando se pegam as estatísticas e se observa que de 30 a 40% das vagas de alguns cursos já são destinadas a pessoas oriundas das escolas públicas, levando em conta que o Direito conta com 20% de estudantes da rede pública em seus quadros, e que o único curso onde a defasagem permanece é na Medicina, que tem 97% de seus alunos oriundos da rede privada. Ressalta que o negro é tão capaz quanto o branco, precisando apenas de oportunidade para estudar. Os cursos de Letras e Medicina Veterinária se manifestaram contra, informa, e acrescenta os riscos de manipulação que uma política pública dessas pode gerar: pais matriculando filhos na escola pública apenas para isso. Lembra que o assunto é delicado, e que muitos ainda não têm posicionamento oficial, e que esta reunião é para elaborarmos um posicionamento oficial da Faculdade de Maria Mole, e não do Primo Rico. O professor prossegue, falando de seus 34 anos de atividade docente da Escolinha do Professor Raimundo, menciona os vários alunos negros fabulosos que teve, e afirma que políticas assim denigrem a imagem do negro, reforçando o estigma de que este não é inteligente. Acrescenta que o índio ainda talvez precise de cotas, mas não os negros. Critica essa tentativa de se transformar a universidade numa instituição de amparo social, lembrando que isso não é função dela. Fala também de uma outra armadilha por trás dessa política, a de desincentivo e desoneração do Estado e do Municípios quanto à educação. Destaca que a única diferença básica entre alunos da rede pública e privada são as horas de estudo, e finaliza falando da profusão de impetrações de mandados de segurança de pais de alunos do Ensino Médio que se sentirão lesados com esta política. Homem-cueca usa da palavra para parabenizar o Primo Rico, e fala da manifestação do Ministério Público em relação ao assunto, já que uma sobrecota esperada não veio e o movimento negro se manifestou, querendo 30% dessas cotas. A Reitoria inclusive teve de ir a Brasília, destacou. Informa que a STI enviou às coordenações de curso a relação dos alunos ingressantes, e informa que a Maria Mole conta com 50% de alunos oriundos da Escola Pública, muitos de Institutos Federais. Fala do estigma de que a profissão de professor não dá dinheiro, e concorda que a política desonera o Estado, mas afirma que é responsabilidade social da Escolinha do Professor Raimundo. Menciona estudo de 2008 que conclui que os alunos da rede particular têm 4 anos a mais de escolarização do que os da rede pública, estudo este feito no estado de São Paulo. E quanto ao exemplo da Medicina dado pelo Primo Rico, rebate dizendo que formados em Medicina não vão paraa saúde pública, e que só bolivianos topam ir para a rede pública, e finaliza dizendo haver outras ações afirmativas possíveis, como as sobrevagas, e declarando-se a favor das cotas. April O'Neil, citando o estudo citado pelo Homem-cueca, diz que este só revela como a educação pública está ruim, e pergunta se o que estamos tentando fazer é amenizar o problema a ser solucionado, e pergunta se algum dos presentes já tentaram dar aula a índio, que entram semianalfabetos na Faculdade. Primo Rico inicia fazendo um adendo à fala do Homem-cueca, falando que em sua época existiam políticas de nivelamento, e sugere que se recrie isso. Confessa seu ceticismo inicial em relação ao ENEM, mas dá mão à palmatória declarando que os alunos do 3º semestre são bem melhores do que quando entram no curso. E afirma que, com a cota de 50%, corre-se o risco de queda na qualidade do ensino. Homem-cueca afirma que não há diferença de redimento entre os alunos, independente da forma como ele ingressa na unviersidade, e fala que o desafio verdadeiro é tornar bom um aluno ruim. Fala que lidar com aluno bom é fácil, e que isso só reforça o determinismo social. April O'Neil discorda, e afirma que a universidade ressalta essas diferenças. Declara-se a favor de cotas, mas para nível socioeconômico, e que o que se tenta fazer é tapar o sol com a peneira, perpetuando-se assim o ensino ruim. Sapo Cururu pergunta se a discussão é interna, só da Escolinha do Professor Raimundo, ou se é determinação do MEC. Primo Rico responde que é interna. Dunga conta que, nas primeiras turmas da Faculdade, quando o aluno reprovava, pagava matéria à tarde, dizendo inclusive que o Pikachu tem pesquisa sobre a diferença de notas dos alunos do 1º e do 2º Semestre. Gorpo conta um incidente em que os alunos ficaram revoltados com ele quando pediu a estes que escrevessem em uma prova. Boneca Susi inicia sua fala se identidicando como uma ex-aluna de escola pública. Fala que a universidade pública é custeada pela massa, e que a equiparação deve ser feita com a reserva de vaga, por meio de condições proporcionais e socioeconômicas, acrescentando que a reparação social ocorre com o tempo. Afirma que o desestímulo não ocorre porque não há vagas para todos, poque uma coisa não anula e outra. Cota não impede melhora no ensino, afirma. Homem-cueca constata que essa política só vai afetar diretamente os cursos mais clássicos. Visconde de Sabugosa destaca a urgência dessa questão e pergunta a todos se queremos dar formação técnica ou humana. Se declara contra cotas para qualquer nível, fala do problema histórico diante de nós, e que a universidade não tem que resolver problemas da sociedade. Se declara inicialmente cotra as cotas, mas se mostra a favor de cotas para os menos favorecidos. Primo Rico fala que essa também é sua posição, mas diz que o Brasil, querendo ou não, fecha as portas pro cidadão exercer seus direitos. Fala que melhorar o ensino na base é coisa de vonte anos para mais, e que a escola pública funciona como motel, “entra uma turma e sai outra!”, e reforça o exagero da porcentagem de 50%. Homem-cueca declara que o problema não está no curso em si, mas no que ele vai oferecer, na visão do aluno. Primo Rico afirma que 20 a 25% está uma cota de bom tamanho. Pacato fala dos negros tirados da África, da situação histórica, dos alunos que entram mas não conseguem sair da universidade. E se põe a favor das cotas, caso se queira ficar esperando que o ensino público melhore. Primo Rico externa sua desconfiança em relação dos 50% dizendo que isso parece se tratar de um projeto de lei do senador Antero Paes de Barros, mas não quer partidarizar a discussão e responde ao Pacato dizendo que os negros não foram tirados da África; eles foram é aprisionados por outros negros, de tribos rivais, e vendidos aos brancos, e ressalta que a dívida maior é com os hebreus. Volta a propor sua sugestão de cota de 20 a 25%, independente de cor, por prazo indeterminado, afirmando que as pessoas vêem romantismo demais na pobreza. Visconde de Sabugosa afirma que gosta do filme Tropa de Elite por este “distribuir responsabilidades” sociais, afirma que é responsabilidade nossa também, e indaga aos presentes sobre as faltas docentes, fianlizando com seu apoio à proposta de 25% de cota. Em seguida, é aberta a votação. Primeiramente, a votação é aberta para os que são a favor e contra a política afirmativa. A aprovação é unânime. Em seguida, pergunta-se quanto à cota: 50% recebe seis votos, 25% recebe 7 votos e 20% não recebe nenhum voto. Depois, abre-se outra votação perguntando-se sobre a divisão dessas cotas em cores. Onze professores votam pela não-divisão em cotas, e um vota a favor da divisão. Uma abstenção. Outra votação é aberta quanto ao tempo de duração das cotas. Onze professores votam o período de dez anos, e só dois professores votam a aprovação das cotas por tempo indenterminado. Por último, pergunta-se se as cotas devem ser destinadas a 100% dos alunos do Ensino Médio da rede pública ou a ⅔ desses alunos. Dez professores votam por 100% dos alunos da rede pública, e apenas dois votam por ⅔ dos alunos da rede pública.

Nada mais havendo a tratar, foi dado o encerramento dos trabalhos e eu, Bozo, Secretário Executivo, lavro a presente Ata.


Cuiabá, 27 dias do ano do tigre

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Guia para uma conversa não-soforífera

A maioria das pessoas é banal, modista e facilmente influenciável. Algumas sequer conseguem esconder bem seus preconceitos. Você infelizmente se envolverá em diversas situações sociais indesejadas, com pessoas que você não precisa conhecer. Para tentar sobreviver nesse meio, elaborei algumas dicas para te ajudar. Mas antes, deixarei vocês com alguns tipos sociais, para que você tenha uma noção do que evitar. Isso na verdade seria um post à parte, mas cabe tão bem à temática deste texto que manterei aqui. Depois dele, começo a discorrer sobre o tema no post original. Segue o post anteriormente escrito, com o título.



Quanta gente banal nesse mundo...



Tem coisa mais deprimente que amizade entre mulheres? De praxe, elas comentam com a gente que amizades femininas são raras porque a competição entre elas é sempre acirrada. Estão sempre competindo quem é a mais bonita, a mais sociável, a mais desejada, a mais bem-sucedida. Mas mais deprimente ainda é quando a amizade, apesar desses obstáculos e imbróglios, acontece. Por vários motivos: se você estiver por perto, vai irremediavelmente sobrar na conversa. O papo será cheio de internas e girará em torno de filhos, chefes/outras mulheres que elas odeiam e novela. Não é à toa que algumas delas já me confessaram abertamente que "mulheres são chatas". Não dá medo pensar num ser cuja explosão hormonal desencadeada pela maternidade faz com que elas considerem qualquer merda que os filhos pequenos façam -- inclusive o próprio fato de eles estarem fazendo merda, não necessariamente no banheiro -- como um dos eventos mais interessantes de suas vidas?

Sempre achei que pessoas que só falam do próprio trabalho são chatas e banais. Tive certeza no momento em que meu círculo social ficou infestado de gente formada em Direito. Pessoas de outras áreas se resignam ao fato de que ninguém é obrigado a se interessar por suas áreas de formação, mas as pessoas formadas em Direito sem perceber ignoram isso porque a área de formação delas "mexe com a vida das pessoas". Ainda bem que não tenho amigos médicos. Não porque tenho poucos amigos querendo virar açougueiro, mas porque eles se tornam socialmente execráveis depois que começam esta maledetta faculdade. Tanto é que eles só saem entre si; qualquer pessoa bacana não os suporta por perto por muito tempo. É impressionante como esta profissão avilta as pessoas. O ego delas cresce a níveis godzilescos e o desprezo pela vida que elas acabam cultivando assusta. Muitos gostam de pensar que usam a banalização da vida como mecanismo de defesa (por meio do humor, inclusive), uma forma de não se envolverem e sobreviver na profissão. Uma (ex)amiga minha, por exemplo, publicou em seu perfil em rede social o vídeo de um assalto que ocorreu num banco da cidade, onde o assaltante levou um tiro na cabeça. Imagens reais, que vazaram do circuito interno da galeria onde a agência funciona. Simples assim, como se fosse um desenho animado. O ser humano é gado para eles.

Bem, falar de adolescência é chutar cachorro morto. Posso dizer como é óbvio e entediante a forma intensa com que eles vivem, como se acham mais legais e espertos que todo mundo, como tudo vira drama para eles e como essa busca por autoafirmação que rola nesse período os deixa desconfortáveis socialmente. Não sabem se são adultos ou se ainda são crianças. Isso se agrava com essa educação com autoestima e regalias demais que nossa sociedade tem dado a elas. Basta ver os artistas que eles idolatram hoje em dia. A melhor parte da adolescência, definitivamente, é quando ela passa.

Economistas. Pra quê eles servem? Porque os jornais passam tanto tempo falando de economia se o funcionamento real dela jamais é desnudado pelas mídias por motivos óbvios? Se eu quisesse gente falando sobre temas que fingem dominar eu voltava pra faculdade, porra! Enquanto o Jornal Nacional considera notícia o fato de o Marco Uchôa não usar capacete enquanto está na Líbia como correspondente internacional, pra quê torrar o valioso espaço das mídias falando desses números efêmeros e etéreos que nada significam para nós? Há os que vão argumentar que digo tudo isso só porque sou um analfabeto funcional que ignora como a economia influi em minha vida. Minha gente, pra quê nos enganarmos, pensando que temos alguma função além da de enriquecer a corja por trás desses números? Consumidores são tão descartáveis quanto os produtos que os mais ricos desse país nos empurram. Vivemos num mundo onde as corporações são maiores que governos. E é exatamente por isso que só a elas esse assunto é interessante. Governos nos devem satisfações; corporações, não, embora elas queiram que você pense o contrário. Mas a mídia é deles também; então é a linha editorial que eles querem. Me ponho a perguntar agora há quanto tempo as mídias têm esse hábito de falar do mercado financeiro, de nervosismo deste e de todo esse economês que não nos diz nada. Pensem comigo, nunca vi economia virar assunto entre os filósofos de bar...

Pessoas que falam de televisão. De reality shows, de séries que acompanham... é como se as pessoas voltassem à infância, e quisessem se impor dizendo "olha, tenho mais revistas em quadrinhos/bonecas/brinquedos que você-ê...". Não critico gente assim por causa da cultura de massa que a TV empurra, mas porque o conteúdo da TV não colabora para a coletividade como outras formas de arte, como cinema e literatura. Ambos sempre trazem insights, pontos de vista diferentes e novas e velhas dimensões da condição humana; já a televisão traz apenas o que o ibope manda. É como um macaquinho de realejo dançando cujos passos se dão conforme o público ao redor. Simplório demais. E por isso a TV sempre se reduz a reproduzir "tipos" de sua sociedade, nada mais. Quanto a séries, o formato mais longo de se contar uma história dificulta uma apreensão integral por parte do telespectador. Também fica muito à mercê de ibope, embora isso nem sempre afete no curto prazo a produção em questão.


Muito bem, agora podemos continuar com nosso texto. Avante!

  • Não existe conversa divertida sem álcool: só ele forma filósofos de boteco, a escalação perfeita para seu time e piadas engraçadas. Toda conversa que você entabular antes dele é mero prelúdio. Então trate de fingir bem que você é uma pessoa interessante e com atitude. Porque se você tentar fazer isso após o álcool, vai dar merda. Não porque você necessariamente fique inconveniente por causa dele, mas pelo fato de ele funcionar como um álibi de qualquer argumento absurdo, falácia, egotrip ou gafe.
  • Evite conversar com pessoas idosas demais: não tenho nada contra idosos, mas a maturidade faz com que eles não queiram ouvir mais nada. Querem apenas dar conselhos, no auge dessa pequena complacente arrogância que eles têm. Vivi mais que você, portanto posso te aconselhar em relação a qualquer coisa, pensam eles. Eles são ótimos para relações de trabalho: já viveram o bastante para não ter mais pressa, e a experiência os faz tomar decisões mais razoáveis (mas quando são ruins de trabalhar...). Eles também são ótimos para contar histórias. Mas porque aconselho a evitar conversas com idosos, afinal? Porque será um monólogo. Como eu disse, eles não ouvem mais nada e acabam caindo num paradoxo em que os mais novos não querem ouvi-los. Há exceções, claro. Mas fique ciente das limitações que os mais velhos trazem nas conversas em rodas sociais.
  • Evite sair com amigos que namoram (ao menos na companhia do par): essa é independente de você estar ou não solteiro. Como eu disse no post Dicas de um macho penetrador, todo homem comprometido é de direita, quer goste ou não. Muitas mulheres criticam o fato de homens ficarem muito "palhaços" quando estão entre amigos. Mas isso devia ser elogiado por elas: somos capazes de relaxar entre comuns! Isso é um pró, não é um contra. Mas a vida de aparências delas as impede de aceitar isto. Coisas da vida.
  • Não se deixe ser usado: tem gente que some, e só volta a dar notícia quando quer usar seu ouvido como penico quando termina com namorado ou uma merda muito grande acontece em suas vidas. E o pior é muita gente assim nem sequer disfarça o fato de que não estão interessados em sua presença e só querem encher teu penico. Meio maniqueísta, isso. A menos que esse "amigo" pague sua breja, caia fora. Todo mundo tem seus problemas; ouvir gente que só te procura quando eles aparecem não vai mudar isso e só vai reforçar um comportamento egoísta de gente que acha que amigos só servem pra essas coisas.
  • Não misture círculos sociais: se num círculo social há amigos que conhecem histórias que podem te complicar ou constranger na frente de namorada ou outros amigos, não misture os círculos! Parece óbvio, mas é terreno fértil pra DRs e pra surgirem histórias podres suas que você nem lembrava mais! A mistura de círculos pode ser cogitada em situações beeeem esporádicas, como seu aniversário por exemplo. Mas pense como exceção, sempre!
  • Nada a ver: se você acha tem certeza de que a maioria dos seus amigos não têm nada a ver com você e que 90% do que eles dizem ou gostam te entedia, então deixe de ser tão carente e pare de sair com eles só pra não ficar sobrando no fim de semana, porra! Eu dou desconto se, apesar das pouquíssimas coisas em comum, a amizade for forte. Mas mesmo assim, saia com uma, duas pessoas assim, no máximo. Senão, você não se forçará nunca a conhecer gente mais a ver com você! Internet, outros amigos... conhecer gente mais afim fica mais fácil assim. Só fica impossível se você sair com os mesmos banais de sempre. E se você é daqueles que sai muito com primos, o raciocínio é semelhante. Quanto mais apertados forem seus laços familiares, menos gente nova você acaba conhecendo.
  • Palavras-chave para quebrar o gelo e iniciar uma conversa: futebol e mulher, para homens. Já para mulheres...esqueça as palavras-chave. Elas, instintivamente, só querem saber se você é um bom provedor. Então a maioria apenas perguntará sobre seu trabalho, seus hobbies... sobre suas coisas. Elas acham que você é o seu trabalho, ao contrário do raciocínio de Tyler Durden. Elas só não vão perguntar o tamanho do seu pau porque (ainda) não é socialmente aceitável. Mas caso você tire a sorte na loteria e esbarre com uma menina leve, descontraída e sem frescura, fale qualquer besteira. Fazê-la rir será o bastante pra quebrar o gelo. No momento em que a seriedade de um primeiro contato for quebrada, será fácil entabular um diálogo; qualquer coisa virará assunto. Até a falta de assunto. E mesmo quando o assunto acabar, elogios sempre funcionam como tapa-buracos dialogais.
  • Conte histórias: tem gente que é ótima nisso. Mas se você é como eu, que não consegue contar muitos detalhes sem se perder no relato, então priorize o contexto da história. Tente encontrar coisas em comum que ela também saiba, ou pessoas envolvidas no relato que ela também conhece. Fica mais fácil; ela vai acabar preenchendo as lacunas pra você, do jeito que mulher fala...
  • Seja levemente polêmico ou politicamente incorreto: isso quebra a monotonia. Além de mostrar que você tem atitude, caso esteja tentando impressionar uma "amiga". Atitude é sempre assunto. Por mais vazio que seja. Enquanto os assuntos legais e relevantes não vêm, use da atitude se aplicável.
  • Não calcule rigorosamente a conta: você sempre vai se passar por chato se contabilizar rigorosamente os centavos. Se eu quisesse alguém cuidando das minhas finanças, tinha contratado um contador, porra! Então, ao fechar a conta e terminar a saideira, calcule por alto a divisão com os amigos. Você não vai ficar mais pobre por causa de 50 centavos. E deixe os recibos na mesa, caso saia mais cedo.
  • Flanelinhas: pra nenhum deles arranhar seu carro, sempre sorria e concorde quando eles pedirem pra cuidar de seu veículo. Ao ir embora, dê a partida e simule estar procurando moedas pra dar a ele. Quando o volante estiver virado o suficiente pra sair, pise fundo e deixe o trouxa com raiva de você. Só faça isso se você não for habitué do bar. Ou dê, no mínimo, umas duas semanas de intervalo entre as idas ao local. Ou dê moedas pelos préstimos do rapaz. Mas dê pouco. Afinal de contas, não foi um serviço que você solicitou. Já fui embora de lugar após dar cinco centavos ao drogadito que quis cuidar do meu carro. É sempre divertido ver a cara deles depois disso.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Banco de ideias

Fala sério: acho que ainda sou pobre por hobby mesmo, porque com essas ideias brilhantes minhas eu devia ter minha multinacional! Uma sala só pra mim, um campo de minigolf em frente à minha mesa e uma legião de puxassacos que eu usaria extensivamente pra trazerem meu café predileto, comprarem presentes de aniversário de casamento, passar minhas roupas e massagear meus pés. Claro, sem me esquecer de deitar e rolar no neoliberalismo do país dos outros e construir indústrias mundo afora com mão-de-obra baratíssima e mercados pouco regulamentados. Mas enquanto esse dia não chega, adianto algumas de minhas ideias pra vocês. Quero meus royalties, porra!


Divisória para bancos traseiros de carros: perfeito para quem tem filhos pequenos que não conseguem ficar de boca fechada por um minuto que seja. Instalados entre os bancos e com isolamento acústico, um não conseguiria se comunicar com o outro, o que daria tempo hábil para que cada uma exercitasse sua individualidade como bem entendesse, sem maltratar os ouvidos dos pais. Certifique-se de entupir os bancos traseiros de joguinhos e filminhos. Para que os pais possam verificar periodicamente se tudo está em ordem, caso desejem isolamento total dos monstrinhos, um tapume pode ser colocado em frente aos bancos traseiros, com uma janelinha em vidro temperado, como em limusines: o patrão não precisa nem se preocupar em puxar assunto com o chofer; ele entra no veículo e é levado aonde precisar.

Alianças com GPS: essa ideia eu tive de brincadeira quando a namorada estava trazendo o assunto casamento à mesa. E o feitiço virou contra o feiticeiro rapidinho, como podem supor. Imaginem as possibilidades que isso traria a acordos pré-nupciais ou regimes de casamento. Elas poderiam também vir com códigos de barra que contivesse informações básicas do casal -- como documentos pessoais, vínculos empregatícios atuais e tudo o mais, como o CU (cadastro único) quer fazer -- a ser lido por leitores instalados em repartições públicas ou comércio. As empresas de cartão fazem isso com cartões chipados; nada muito distante do futuro. Mas devo confessar que a parada do GPS é meio assustadora: se hoje em dia você consulta endereços no GPS de seu carro, imagina se o casal puder fazer o mesmo apenas com a aliança...

Computadores com vidro retrovisor: um monte de gente já teve essa ideia. A maioria em sites de humor, mas teve. Mas não deixa de ser brilhante. Quanto marido que deixaria de ser pego pela esposa vendo pornografia, quando filho onanista evitaria flagras constrangedores dos pais, quanto adolescente escondendo o que apronta em sites de relacionamento... o espelhinho basicamente potencializaria o que sempre aconteceu na internet, com o adicional de ser um repelente de chatos.

Sapatos com odômetro: realizando-se uma rápida configuração inicial, o software determinaria o percurso mínimo necessário a se andar todo dia para se perder peso. Viraria sensação rápida entre as mulheres; as lojas de calçados ficariam abarrotadas de fêmeas eternamente insatisfeitas com o próprio corpo e... bem, isso se tornaria paradoxal, já que a cultura do carro transforma qualquer distância em algo aparentemente quilométrico. Na minha família, qualquer distância com mais de 100 metros parece uma maratona por causa desse vício do carro! Imaginem a novela que é quando eles precisam arrumar vaga pra estacionar no centro da cidade. Se quisermos viajar um pouco na maionese, quem sabe uma invenção dessa não viesse a amenizar o problema com trânsito nas grandes cidades. Ou no mínimo aumentar os lucros dos fabricantes de chocolate: quanta mulher por aí que viria a se sentir oprimida ao ser informada que ela não vai emagrecer o bastante andando apenas meia hora por dia...

Wikileaks da vida real: não quer se comprometer iniciando uma fofoca ou dando corda para um boato? Não tem problema; nas conversas de cabeleireiro com as amigas, basta citar o wikileaks da vizinhança, colaborar anonimamente com o site e informar às amigas que "alguém" enviou arquivos, por exemplo, do laudo médico que constata que a vizinha da rua de trás é bipolar, da decisão judicial que determina de quanto é a pensão que a ex-mulher do teu vizinho do lado recebe, ou mesmo fotos comprometedoras da filhinha do militar reformado dando mole pro filho do padeiro e tendo encontros amorosos na cama dos pais. Se Assange fosse um homem que prezasse mais o dinheiro do que mexer com os brios de governos inteiros, teria feito algo nesse sentido: uma plataforma que permitisse às pessoas criar colunas sociais clandestinas das comunidades onde vivem. Ele viraria o novo Mark Zuckerberg na velocidade da luz! E o melhor: sem photoshop, falsas amizades e toda aquela maquiagem de redes sociais. Tudo que haveria é a intimidade das pessoas sangrando em páginas públicas. Algo inédito na internet, como pode-se ver: redes sociais destruindo vidas alheias...

Versão do site transparencia.org para igrejas: para quem não sabe, o Portal da transparência reúne prestações contas de diversos setores da administração pública. Nada mais adequado; o dinheiro é nosso e é importante sabermos como ele é gasto. Mas e quando pagamos o dízimo a nossos padres, pastores, xamãs, curandeiros e pedófilos em geral? Como é que fica? Não é razoável que essas pessoas também tivessem de se reportar a um site em comum, em relação a como gastam as doações de seus fieis? Também acho. Se isso não viesse a mobilizar os fieis mais aguerridos, no mínimo faria a alegria da Receita, dos ateus que criticam o modus operandi dessas religiões e dos religiosos mais radicais. Enfim, botaria mais lenha na fogueira. Felizmente, aceleraria a percepção pública do tamanho da ganância dessas instituições religiosas...

Campanhas para doação de material pornográfico: cansou de pintar de branco sua Sexy da Gretchen? Perdeu a graça tentar encontrar o grelo da Claudia Ohana daquela Playboy oitentista? Então você poderia doar seu material para essa campanha. Imaginem as hordas de onanistas fudidos demais na vida pra arrumar mulheres de verdade que poderiam ser beneficiados com essas doações! Quanta frustração deixaria de ser canalizada por vias ilegais e contra pudor alheio com material assim à disposição gratuitamente! Quanta gente que só conta com novela das oito pra ver atriz pagando um peitinho! É claro que minha sugestão é politicamente incorreta, mas teria lá sua utilidade manter os tarados ocupados... seria como doar camisinhas, com o diferencial de que se terá a certeza de que não usarão as revistas pra fazer balão d'água.

Mostradores de senha de atendimento que calcula o tempo estimado para atendimento: ideia tão simples que chega a ser idiota não ser prática comum. A Justiça já está habituada em lidar com os engraçadinhos que entram em fila de banco só de sacanagem, pra depois pensar em processar o banco com base naquela lei da fila. Algo assim talvez até permitisse que os clientes resolvessem outras coisas enquanto sua senha não é chamada, já que eles teriam uma noção do tempo que levaria pra serem atendidos. Claro, minha ideia tinha que ser adotada no serviço público a rigor. Não necessariamente a União, mas definitivamente o Estado...

Ignição de carro acionada por peso: nas grandes metrópoles, a população em geral reclama bastante das pessoas que usam carros individualmente. Não dão carona pra ninguém e assim subutilizam a capacidade de transporte do veículo, sobrecarregando assim as vias públicas. Uma solução interessante para isso seria a instalação de sensores de peso em cada banco do veículo (com sensores de calor para que, naturalmente, ninguém tente enganar o sistema colocando objetos para ativar o sistema). Assim que cada assento atingir o peso mínimo a ser estabelecido pela legislação (por um período de tempo também a ser estabelecido), uma luz no painel se acenderia e o veículo poderia ser ligado. Os estadunidenses tentam contornar o problema do engarrafamento com carpools, vias exclusivas pra carros com mais de dois passageiros, por exemplo. Mas isso é bobagem, um mero paliativo difícil de fiscalizar. Com minha sugestão, ao mesmo tempo que isso forçaria as pessoas a socializar mais o uso de seus carros e a usar caminhos mais inteligentes para transportar todos dentro do veículo, também poderia ter efeitos colaterais, como empresas de transporte público usando este princípio para evitar botar nas ruas ônibus cujas linhas tenham passageiros "de menos".

Tatuagem reluzente contendo o número de seus documentos pessoais: resolveria o problema dos esquecidos, que nunca usam carteiras nem portam documentos pessoais. Funciona assim: é uma tatuagem feita com uma tinta que, a olho nu, é bem clarinha, difícil de ver. Originalmente, a tinta branca usada nos estúdios não é fluorescente, mas uma que aparece no escuro poderia ser desenvolvida. Não seria nada inédito demais; usar limão dá efeito semelhante, apesar de nada recomendável à pele. De qualquer  forma, uma tatuagem assim agilizaria investigações de homicídio. Todo mundo é apenas um número para seus governos, mesmo; não seria nada de mais isso se oficializar e terminarem de rotular a gente como gado. Preocupação com falsificação existiria, mas isso poderia ter alguns elementos de controle semelhantes aos de emissão de dinheiro: uso de tinta especial com determinada composição química ou textura, por exemplo.

Computadores recarregados pelo ritmo de aperto das teclas do teclado: seria um combate agressivo à procrastinação! Computadores desenvolvidos sem nenhum fio para se ligar à rede elétrica, com uma bateria que seria recarregada por meio de um sistema que geraria eletricidade através do aperto de teclas. Nada absurdo demais; a realidade sempre chega antes: por exemplo, ouvi falar certa vez de uma bicicleta cujas pedaladas recarregavam o celular que você deixava no painel da bicicleta. Como podem ver, um pesadelo ao ócio. Não deixem seu chefe ler este post.

Captcha auditivo: essa eu vi no Doghouse ou no Abstruse goose, se não me engano. Consiste em um software que, imediatamente após você escrever algo em sites, fóruns e comunidades virtuais, lê em voz alta o que você acabou de escrever, antes de você poder enviar. Após constatar o grau de bairrismo e imbecilidade do que acabara de escrever, muitos internautas se sentiriam inibidos com as idiotices que escrevem e dessa forma deixariam de enviar as frases intolerantes, racistas, bairristas, idiotas, nerds, estilo attention whore, estilo forever alone, ou qualquer outra que possa gerar ações judiciais. Perceberam que muitas invenções, inicialmente sugerida de forma humorística em tirinhas na net, são mais geniais do que o humor embutido nelas parece sugerir? Acho que o mundo seria um lugar melhor se os departamentos de ideias das indústrias passassem a conter humoristas. A necessidade é a mãe da invenção, mas a idiotice (ou aversão a esta) é avó.

Um sistema numérico que faça sentido, para leis: Direito é um idioma criado pra pobre não entender, diziam já os Malvados. Isso se reflete ainda na nossa língua portuguesa, cheia de floreios e regras gramaticais obscuras e elitistas feitas com a clara intenção de se elitizar uma variante da língua. E continua refletindo na forma como os artigos de uma lei são organizados, por exemplo. Pra começar, as leis ganham números arbitrários, seguidos de barra e o ano em que foram criadas. Como se cada lei fosse uma mera carteira de identidade, onde você mete um número qualquer e pronto. A falta de lógica prossegue nos artigos: os números destes até que são organizados por títulos, mas a ordem numérica é mantida ao longo de todo a Lei. Por exemplo, se quero citar o Artigo 37 da Constituição ou o Artigo 814 do Código Civil, vejam que pouco prático: decorar um número desses, arbitrário. Nossos juristas podiam aprender com os religiosos: quando quero citar algo da Bíblia, é muito mais fácil me fazer entendido: cito o livro, o capítulo e o versículo (ex.: Salmos 23:1). Muito mais prático e direcionado. Voltando ao exemplo da Constituição, não seria mais fácil, por ex., se eu citasse Título 2, Capítulo 7, seção 1, artigo 1 (ficaria algo do tipo CF 2, 7, 1, 1)? Ou mesmo CC 6, 17, 1 (sim, ignorei o fato de que títulos e capítulos se escrevem em romanos). Números menores, mais objetivo, mais fácil de memorizar. Se por um lado as pessoas acharem que a excessiva fragmentação da localização do artigo dificulta sua localização, posso afirmar que deixar de se usar apenas uma numeração, e se usar várias numerações para cada capítulo ou título deixa os números bem mais intuitivos e mais fácil de se desenvolver mnemônica. Leis passam facilmente das centenas de artigos; fica contraproducente lidar com números tão grandes assim. Como se quisessem dificultar de propósito o conhecimento da Lei. O que não duvido, dada a natureza elitista do nosso Direito.

Entrevista com o homem mais sincero do mundo

Texto para maiores de idade. Como comento recorrentemente em muitos posts, a sinceridade é a arma mais perigosa do mundo. Tanto pra vítima quanto pro algoz. Então resolvi imaginar uma hipotética entrevista de um homem que exerce todos os seus impulsos viris sem nenhum freio, avançando sem dó o sinal vermelho que delimita os limites que levam à misoginia. Claro, por mais que eu deixe minha imaginação insana trabalhar em relação a personagens hipotéticos como esse, a realidade sempre vencerá a ficção. Mr. Catra e a banda larga que o digam. Passem pro próximo post, meninas. Podem acabar trincando o monitor de raiva com o que lerão.




Hipotético entrevistador: o que o senhor pensa da monogamia?
Homem mais sincero do mundo: é um desperdício gerado por contrato social. Veja bem, os homens vêm ao mundo com tanto amor para dar, e precisam se contentar com apenas uma mulher? Isso não significa que o sujeito não tem botão de desliga no pau ou que não dá a mínima a sua companheira. Significa apenas que quer variar o cardápio, sabe? Você vai a um restaurante por anos a fio e pede sempre o mesmo prato? Vai chegar uma hora que você, por exemplo, vai se enjoar por completo de macarronada, correto? A gente nasce com tanta energia, tanta disposição para entrar numa xota quentinha pra isso? Não há nada de condenável em um dia querer experimentar uma branquinha, no outro uma moreninha, quiçá uma ruiva... aliás, isso demonstra que sou um homem que gosta de surpresas. Elas não vivem reclamando que seus respectivos machos são sem-graça, sempre as levam pros mesmos lugares, tem manias irritantes e as comem sempre do mesmo jeito? Então. Não tenho direito a não querer surpresas, quebra de rotina ou variedade? Fala sério! Se quisessem me fidelizar com uma xota só, deviam elaborar um programa de fidelidade para esse fim. Tipo, o dinheiro que gasto com uma mulher, eu devia poder converter em pontos pra gastar com algo pra mim. Putas, cervejas importadas, viagens... Porque com essa conjuntura atual, amigo... sabe como é.

HE: está falando sério?
HMS: claro que estou. Nós homens somos incubidos da nobre missão da natureza de carregar esse suquinho mágico que as deixa tão felizes. Carregamos alegria a granel. Elas deviam se considerar privilegiadas de receber nosso néctar do amor, assim tão fácil. Porra, nem recibo eu peço depois de comer uma profissional do sexo. Depois de uma bela gozada na cara da minha transa, tem algo mais sincero do que dizer "gata, sua xota é  uma delícia, mas você é só um passatempo pra mim". Além de ela não se sentir amarrada num compromisso, ela poderia se sentir orgulhosa de representar uma quebra de rotina minha. Tem orgulho maior que uma mulher pode sentir do que saber que eu não vou desgastar todo o sex appeal dela estragando tudo com monogamia?

HE: qual foi o pior fora que você já levou?
HMS: eu não levo fora. Apenas descubro se elas têm bom gosto. Além do mais, se o "fora" for de uma mulher feia demais, apenas pergunto quanto custa.

HE: o que você mais gosta na hora H?
HMS: vou começar dizendo o que odeio. Esses eufemismos retardados que as pessoas brancas inventam pra sexo. Hora H, amigo? Faça-me o favor! Não estamos mais naquelas aulinhas de educação sexual do ensino fundamental! Mas voltando à sua pergunta: gosto de muitas coisas. Adoro, por exemplo, a carinha que elas fazem quando devoram minha pica dura, rija, quentinha. Aqueles olhos arregalados, como de quem está no refeitório da prisão morrendo de medo de um preso mais forte roubar sua comida, sabe? Faz sentido elas terem essa cara. O privilégio de sentir meu pau grande roçando na boquinha gulosa delas dura poucos minutos. Quem dera eu pudesse usá-lo como chupeta particular toda vez que elas começam a falar sem parar durante discussões...

HE: você já foi disputado por duas mulheres ao mesmo tempo?
HMS: bem, elas estão sempre trocando figurinhas, sabe? Então, com certeza sim. Mas as que têm dignidide preferem fingir que não. O problema é que elas preferem enfeiar e podar a atitude de seus machos só para que as outras não os cobicem. Ou você nunca se perguntou porque casamento engorda tanto? Mas para quem adora um escândalo, garanto que comer mulher pobre tem suas vantagens. Elas são mais vigorosas ao disputar um macho. Gritam, discutem, puxam cabelo... mostram o valor que o meu passe tem. Sabe, um critério bom para saber a nota de uma mulher na cama é beijo. Pode soar meio gay falar isso, mas quanto mais língua, melhor. Ainda nesse momento ela tem a oportunidade de mostrar suas habilidades com a língua. Elas tendem a deixar a língua de lado à medida que o relacionamento fica sério. Para se darem ao respeito. Amigo, se prazer tivesse algo a ver com respeito, obedecer aos mais velhos me daria tesão nas mais inusitadas situações cotidianas. Família, chefe, autoridades... imagine a bizarrice que ia ser? Porra nenhuma! Prazer envolve dominação. Envolve ela submeter seu corpo ao peso do meu e aguentar a pressão da minha glande cuspindo o leitinho da alegria no útero escondido no fundo da buceta alargada dela. Na cama, mulher alguma é princesinha: é minha putinha da vez. Não se esqueça nunca, rapaz: mulher safada é mulher em estado bruto! Ávida por dar e receber prazer. Como todas deveriam ser. A Natália não me deixa mentir.

HE: você sempre foi misógino assim?
HMS: amigo, misoginia não tem nada a ver com isso. Não tenho repúdio pelas mulheres, não as inferiorizo. Aliás, tenho tanto amor por elas que gostaria de transmiti-lo a todas. Infelizmente tenho apenas uma vida e um pau vigoroso para isso, então me contento em fazer a minha parte. O que quero dizer é que mulher não quer ser respeitada o tempo todo. Na cama é que é hora de demarcar seu território. Elas não gostam de colo, de proteção, de um macho que as banque? Então. Tinha uma amiga que dizia que os homens só serviam pra três coisas: pagar minhas contas, fazer força e me dar prazer. Portanto, amigo, estou apenas fazendo minha parte. Esse papo careta de direitos iguais para ambos os sexos é coisa dessa nossa sociedade brocha, sem-graça, politicamente correta, onde as pessoas não entendem uma ironiazinha que seja! O problema não é o humor negro em si, mas essa necessidade de catequizar as pessoas em relação ao certo e ao errado, já que as massas não conseguem pensar sozinhas! E, bem, levando em conta esse princípio de que as pessoas não querem raciocinar tanto assim é que muitas mulheres são mais fáceis que nota de um real. Você pode aprontar o que quiser com elas se disser sempre o que elas quiserem ouvir. Então, a diferença entre o humor negro que reforça estereótipo e o que faz as pessoas rirem de si próprias é a pessoa: se ela for uma analfabeta funcional, vai acreditar em qualquer coisa. Até se eu disser que tenho alergia ao látex da camisinha. Ou se eu disser que meu leitinho é um hidratante natural que remove pés-de-galinha, poros e suaviza rugas da pele.

HE: com o quê você trabalha?
HMS: isso é pergunta típica de mulher fácil! Sempre achando que nosso trabalho ou nosso carro são extensão da nossa pica. Sabe o que seria uma boa ideia para bônus de final de ano para trabalhadores? Chefes que instalassem cabines com glory holes. Não vivem dizendo que falta calor humano nas instituições? Gente que dá apertos de mão, abraços, que não tenta puxar teu tapete toda hora? Pegar na minha pica seria um excelente começo. Melhor tratamento de stress de todos os tempos! Não seria lindo se as funcionárias do mês tivessem foto sua pendurada na parede pagando peitinho? Além de estimular a humildade delas, as faria sentir seus corpos valorizados, o que as tornaria mais bem-resolvidas consigo próprias e diminuiria essa quantidade absurda de mulher que superfatura o próprio passe! Então, respondendo à sua pergunta, não importa meu trabalho: eu devia é ser consultor de recursos humanos, isso sim.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Preciso de novos amigos (V)


Publicitário prestes a se formar, queriam o quê? Um ensaio? Maledetta geração twitter.
(o comentário dele não me ofendeu; só a mediocridade dele que me ofende, mesmo: trocadilho poooobre...)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Neologismo by Microsoft



Nota mental: suspeito de que alguém está copiando um texto meu por e-mail e repassando aos amigos. Isso tem já um bom tempo. Não é algo que me incomoda, mas gostaria de saber qual o texto em questão que ganhou a sobrevida necessária para habitar o mundo das mensagens encaminhadas de e-mail.

domingo, 18 de setembro de 2011

Como piorar um produto com estilo

Se tem uma coisa que detesto nesse capitalismo escandaloso e antiético de hoje em dia é essa mania das empresas de reduzir o peso líquido de seus produtos e manter o preço original. Por ex., quando a P&G  ainda não fabricava as batatas Pringles no país, elas eram importadas e vinham com quase 200g a R$6,99 em promoções. Hoje em dia reduziram pra 139g e passaram a cobrar R$10,99! Meu exemplo é na gôndola do supermercado; o exemplo que a seguir darei é mais escandaloso: recebi por e-mail. Sustentabilidade virou eufemismo pra cagar na qualidade de um serviço! Cara, que perverso isso. Vejam a imagem abaixo do e-mail em questão.



As pessoas elogiam o governo passado falando da ascensão econômica das classes C e D, mas se esquecem que este poder econômico se afunda num consumismo intermediado por empresas com atitudes inescrupulosas, ou mesmo mesquinhas e retrógradas como o e-mail acima mostra. No caso da empresa acima, as classes C e D estão consumindo mais sem contrapartida honesta das autoridades aeroportuárias! Além de eu ter de me submeter a esse conluio sem-vergonha de milhas, tenho ainda por cima de me submeter a filas de check-in surreais, aeroportos saturados e falta de investimentos na área. E ainda me vêm com essa conversa mole de sustentabilidade! Que bonito isso. Assim é fácil ser ecológico. Vou imprimir apenas flyers com papel reciclado de minha empresa, vou deixar de fabricar cartões nem vou oferecer mais lanchinhos a bordo pra evitar o máximo possível a pegada ecológica que minha empresa deixa. Vou deixar de oferecer copinhos de plástico nos bebedouros da empresa também. E de quebra, vou plantar uma arvorezinha. Lá no quinto dos infernos, bem longe das ilhas de calor representadas pelas regiões metropolitanas. Pronto, eu, megaempresário, lavei minha alma. De que adianta vermos ascensão econômica de classes sociais se a prestação de serviços não ascende junto? Fala sério! Capitalismo doente, esse.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mundo Bizarro

Hoje minha falta do que fazer será suficiente para imaginar como as coisas funcionariam num Mundo Bizarro. Onde, como vocês devem saber, tudo funciona de forma exatamente oposta. Vocês podem não acreditar, mas a vida consiste em se substituir uma preocupação por outra. Acham mesmo que, mesmo que várias coisas boas rolassem no Mundo Bizarro, não dariam um jeitinho de botar água nesse chope? Vou demonstrar como.
  • Bancos: no Mundo Bizarro, você não guarda seu dinheiro nem paga taxas abusivas de cheque especial, empréstimos e outros eufemismos pra sodomização financeira. Eles te dão dinheiro! Portanto, o que aconteceria num mundo onde os bancos não te roubam um centavo? Possivelmente, a sociedade entraria num frenesi consumista tão inacreditável que as ruas se tornariam intransitáveis, dado o épico volume de carros que as ruas das já inchadas grandes cidades ganhariam com as novas classes C e D consumindo. O governo teria de aplicar recorrentes pacotes de socorro financeiro para os bancos darem conta de seus préstimos para com seus clientes. As pessoas começariam a se tornar mais extravagantes do que já são, comprando coisas nababescas apenas para ter, sem a menor intenção de realmente precisarem ou usarem o que têm. Não que isso aconteça fora do Mundo Bizarro. Por exemplo, as pessoas começariam a comprar casas inteiras para seus cães e gatos, a usar seus quintais para estacionar seus helicópteros, e ninguém mais ganharia dinheiro com prostituição. Do jeito que a humanidade gosta de agregar valor às coisas, sexo viraria uma moeda paralela. Por exemplo, como impressionar uma mulher o suficiente, se dinheiro não requer esforço para ser obtido? Perceberam o dilema antropológico aqui? Tendo o dinheiro, a mais emblemática das relações de poder que a humanidade já inventou até hoje, sido anulada, restaria apenas o sexo, a única força-motriz que faz a humanidade realizar grandes feitos. Homens constróem grandes pontes, palácios, panteões culturais e maravilhas tecnológicas pra quê? Pra pegar mulher, porra! Pensem bem: nunca vi ninguém criando banda apenas por seu talento. Assim, se você quisesse ir ao mercado fazer a compra do mês, decerto deveria estar preparado para, literalmente, passar o cartão. Ou lhe passarem o cartão, no caso das leitoras. Aquelas esteirinhas pra fazer compras ganhariam outra função, que não a de passar os produtos da gôndola. Num mundo em que passamos 1/3 de nossas vidas trabalhando em empregos que detestamos e não nos motiva, imagina se de repente a única e rasa motivação nossa de fazê-lo desaparecesse? Em pouco tempo, voltaríamos à Idade da Pedra. Sem dinheiro, ninguém mais precisaria ir a baladas e shows com música ruim pra pegar mulheres mais disponíveis por causa do álcool. Bastaria ir no portão do vizinho, dar umas palmadas na filhinha dele e levar pra casa seu prêmio. Como o dinheiro se tornaria algo banalizado, os homens passariam a investir ainda menos do que já investem na própria vaidade. Em vez de roupas, perfumes e tênis de marca, de repente camisas de time virariam uma valiosa e afrodisíaca indumentária. Mais ou menos como ternos de linha. Abordar uma fêmea com uma camisa do flamengo e havaianas genéricas seria socialmente valorizado e considerado indumentária de alguém bem-apessoado.
  • Trabalho: já que se ganha dinheiro sem trabalhar no Mundo Bizarro, comunidades inteiras começariam a se isolar. Por um lado isso seria positivo; saber que gaúchos e baianos estariam isolados em suas respectivas terras, sem conseguir interagir com o resto do país, seria confortante. Sem gente pra cuidar da infraestrutura de serviços e estruturas importantes, em pouco tempo pontes inteiras começariam a ruir, o asfalto das estradas desapareceria em meio a tanto entulho acumulado em sua extensão, como garrafas de cerveja, móveis velhos e carros desmanchados, e aeroportos virariam morada de indigentes, já que ninguém precisaria trabalhar com isso pra ganhar dinheiro. Possivelmente a única indústria que se manteria de pé é a das bebidas alcoólicas. Se já precisamos de álcool no mundo normal e careta que é o nosso, imagina no Mundo Bizarro, sem serviços essenciais e instituições públicas, e cheio de mulheres peludas usando calcinhas cor de pele. Sem redações de revistas de comportamento femininas funcionando, elas não teriam meios de comunicação para aliená-las o suficiente para ficarem ditatorialmente "bonitas" como as revistas do mundo normal mandam hoje em dia. Muitas engordariam tanto que um novo padrão de beleza surgirá. As farmácias passarão a ter balanças industriais, para dar conta de tanta gordura. Claro, a indústria farmacêutica não desapareceria: muito pelo contrário, tratamentos mirabolantes começariam a surgir. Simpatias, chás e outras bobagens que os mais velhos faziam voltarão a ficar em voga. Maconha começará a ser usada como calmante e, como já acontece no mundo normal, para ficar mais fácil de convencer a mulherada a se deixar sodomizarem. Coca-cola começará a ser receitada como xarope expectorante.
  • Cultura: estranhamente, o filme Idiocracy se tornará uma das películas mais cult do Mundo Bizarro. Será considerada uma poderosa sátira social, um tanto profética, que jamais fica datada. Os cinemas rarearão mas não desaparecerão: muitos virarão salões de orgias. Já que o dinheiro perdeu a graça no Mundo Bizarro, qual será a única forma de ostentação disponível? Pois é. E já que no mundo normal sexo é um assunto tabu, que todo mundo gosta de bancar o falso moralista fingindo que não faz nem que tem taras esquisitas, no Mundo Bizarro a abstinência seria tabu. De repente, banheiros masculinos não teriam mais aquelas divisórias que impedem, felizmente, a comparação de tamanhos, os banhos públicos ficariam perturbadoramente comuns e as revistas masculinas passariam a apresentar apenas mulheres vestidas. Já que no Mundo Bizarro ficaria mais difícil brincar com a libido masculina dada a profusão da nudez alheia, escondê-la seria uma forma de provocação. Paradoxal. Entre os jovens, aliado à inclusão digital, a produção de vídeos na Internet com proezas sexuais cada vez mais audaciosas seria comum. Esqueça PCSiqueira, esqueça Felipe Neto, esqueça o Vitinho Sou Foda, esqueça os videozinhos engraçados; a modinha seria exibir explicitamente aos amiguinhos sua intimidade, com transas épicas. As meninas começariam a não se sentir aceitas se não participarem de ao menos uma transa hardcore devidamente filmada e publicada na comunidade virtual da escola. Youtube daria lugar ao Youporn. As meninas consideradas mais descoladas seriam aquelas que já fizeram bukkake ou dividiram o parceiro com outra, com direito a tudo filmado. Já que o sexo ganharia essa perturbadora função social, clubes exclusivos surgiriam apenas pras pessoas praticarem o ato carnal. Como no último filme do Kubrick, o De olhos bem fechados, sabe? Porque, mesmo no Mundo Bizarro, os mais ricos querem dar um jeito de se diferenciarem dos mais pobres. E é falando de diferenciações entre ricos e pobres que começamos a falar de...
  • Esporte: se ricos gostam de criar esportes idiotas pra pobre não praticar no nosso mundo, o que acontece no Mundo Bizarro? Esportes ainda mais bizarros! Tão bizarros que a F1 seria considerada um esporte. Com o desaparecimento das forças armadas (como disse, várias instituições ruiriam), a única forma que a sociedade encontraria de resolver suas diferenças na porrada seria por meio de torcidas organizadas. A diplomacia seria o campo de futebol; o chumbo, a arquibancada. Trilhões de dólares estadunidenses investidos em tecnologia bélica seriam substituídos por garrafadas, linchamentos públicos, sacos de mijo e arpões improvisados com barras de ferro encontradas no local. Guerrilhas proliferariam, e possivelmente o tráfico de gente se tornaria endêmico, causando a volta da escravidão. Os mercados públicos começariam a vender gente, no melhor estilo Roma antiga. E como dinheiro não é mais moeda de troca, pequenos acordos de paz, escambos e armistícios funcionariam como moeda de troca. Por exemplo: o educado comprador chega à barraca e barganha dizendo "aí, eu compro essa sua escrava morena de 1,80m em troca de eu não invadir sua casa à noite e saquear tudo que você tiver nem botar fogo em tudo que encontrar. Fechado?" Ou então ele diz algo como "Quero casar com esse rapazinho polaco aqui, e ofereço três vaquinhas mais dois fuzis como dote. E aí, topa?". Ou seja, nosso conceito de comércio involuiria aos temos dos sumérios. Nada muito absurdo de acontecer; basta lembrarmos que, infelizmente, casamentos arranjados ainda são comuns na Ásia. Em países onde conceitos como ordem pública - mantida por forças estatais como polícias -, ou mesmo garantias sociais mínimas - como saneamento básico e educação básica universal -, não existem.
  • Moradia: guetos surgiriam por toda parte. Alguns criados por minorias para ficar mais fácil de uns defenderem os outros; já outros seriam criados por grupos mais fortes, para segregar, mesmo. O conceito de nação desapareceria. Muitos virariam nômades. A ONU continuaria a ser o que sempre foi: um ponto turístico de NY, nada mais. Sem políticas de controle de natalidade, provavelmente mais da metade do mundo seria chinês ou indiano em menos de três décadas, fazendo com que a civilização ocidental como um todo se tornasse a maior minoria do mundo. As TVs passariam apenas animes e filmes de Bollywood, a Polishop venderia apenas bugigangas chinesas e todas as terras cultiváveis virariam monoculturas monstruosas de arroz. Os poucos empregos que viessem a restar no Mundo Bizarro seriam terceirizados pelos indianos e os produtos seriam subfaturados pelos chineses. A fome seria endêmica, e roubos famélicos seriam bastante frequentes. Pra você ver. Tudo isso porque os bancos começaram a dar dinheiro pras pessoas...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Interdisciplinaridade?




Este é o último texto do projeto Chaves e a linguística. Um post que se resume a um vídeo incorporado, mas enfim. Avisarei vocês caso dê continuidade a essa empreitada de relevância questionável. Peace out.

Para conferir os textos anteriores desse projeto, comece com o último texto do mês de janeiro desse ano; todo último texto de cada mês até então é de textos referentes a este projeto.

domingo, 28 de agosto de 2011

Dicas de um macho penetrador

Algumas pequenas linhas-guia que desenvolvi para que os homens sobrevivam com alguma dignidade nesse mundo cada vez mais azul-calcinha em que vivemos, onde o policitamente correto reina, dietas naturebas predominam e propagandas de cerveja não mostram mais ninguém bebendo cerveja.

  •  Lógica é coisa de matemático. Nos momentos de ciúme dela, diga apenas o que ela quer ouvir e fica tudo certo. Não estou te dando licença pra mentir. Dá pra dizer tudo que alguém quer ouvir sem se contar uma mentira. Vejam os publicitários: eles nos ensinam há décadas que dá pra contar mentiras dizendo apenas a verdade. Mas não é isso que te sugeri; diga o que ela precisa ouvir, só isso. Para as mulheres se desculpar nem sempre significa que você está errado e o outro está certo, significa apenas que você valoriza mais a relação que seu ego. Então siga esse raciocínio e não se complique à toa. Se ao longo do tempo ela não ceder uma única vez, nem mesmo a conversas prosaicas que envolvam assuntos leves e mundanos, corra dela. Apague todos os números que tiver dela, todos os registros virtuais e físicos que tiver e parta pra outra, porque essa aí, meu caro, não vai mudar. Essa é o contrário do vinho: só piora com o tempo! Mas claro, se você também for tão egoísta quanto ela, seu ego ocupará tanto espaço em sua personalidade que isso nela se tornará tolerável.
  • Se você, como eu, é espirituoso, sarcástico e tem algumas opiniões polêmicas ou heterodoxas, saiba que relacionamentos são uma forma de censura. Você vai se fuder bonitamente se disser rigorosamente tudo o que pensa. Ter uma visão niilista do mundo é pedir pra rolar DR, no mínimo. Niilismo é coisa de solteiro: eles não precisam se preocupar com o que seu par romântico vai pensar deles já que não os têm. Todo homem comprometido é de direita, quer goste, quer não.
  • Sexo nunca é demais. Mesmo quando você está um bagaço depois de um dia cheio, não deixe de amaciar a carne de sua parceira. Espera só pra ver o bagaço que você vai ficar depois que os filhos chegarem. Portanto, nos momentos de intimidade, apalpe-a, massageie-a, passe sua barba por fazer no cangote até ela implorar pra você entrar nela. As preliminares sempre são proporcionais ao que ela fará na cama por você. Sem falar que ajudam a ganhar tempo quando a ereção demora a chegar ou não tende a durar muito no momento. Não perca nenhuma oportunidade pra entrar em campo. Muitos nãos viram sim quando um membro jovem, rijo e quentinho aparece na mão delas.
  • Adultério é algo superestimado. Como um professor meu costumava dizer, "não há ganhadores em triângulos amorosos". Ele passava mais tempo aula contando da própria vida do que dando aula. Mesmo assim foram as aulas mais produtivas da faculdade. Se você entra na faculdade achando que vai aprender alguma coisa, é porque ainda não aprendeu como o Brasil funciona. Mas voltando a falar de adultérios, puladas de cerca e afins. Todo homem possui esse impulso por motivos em parte evolucionários (garantir sobrevivência da espécie e tals), como todo mundo tá careca de saber. Mas o que venho colocar aqui é que relacionamentos por natureza são zonas de conforto. O homem por natureza é aventureiro: gosta de se arriscar, explorar novas possibilidades e dar a cara a tapa quando julga valer a pena algo que quer. A mesma coisa é com mulheres. eles não traem por vingança, como mulheres fazem. Traem por impulso inconsequente. Querem apenas se divertir. É como aposta: a mesa sempre ganha. Não importa o quanto você arranca de dinheiro dos outros, a mesa sempre leva a melhor. Portanto, pulada de cerca é coisa de moleque que quer tudo, nunca se satisfaz com nada. Com autoestima demais, como todo mundo dessa geração bunda-mole de hoje em dia. Macho de verdade honra seus compromissos. Até porque não importa quanta merda você tenha de aguentar de seu amor, aguentar uma mulher traída por perto é infinitamente pior.
  • Terra queimada. Esta é o nome de uma estratégia que os russos usaram na II Guerra Mundial quando foram atacados pelos alemães. Como as tropas não estavam equipadas e preparadas pra peitar os alemães, o que o exército vermelho fez? Recuou para o leste, queimando todas as vilas, plantações e cidades que encontrava pelo caminho, para que os alemães não tivessem como alimentar suas tropas ou o que pilhar e saquear nas cidades. A História provou que estavam certos. O mesmo raciocínio se aplica quando algo dá errado afetivamente: quando você trai e é descoberto, ou quando você é sacaneado. Você só vai se libertar de verdade quando se livrar de tudo que lembra a pessoa que você atingir ou pela qual foi atingido. Se não fizer isso, você por exemplo vai ter de aguentar amigos babacas perguntando de ex, amigos marcando você em fotos de redes sociais onde a ex aparece, boatos de amigas da menina que você sacaneou aumentando a merda que você fez e até inventando coisas que nunca rolaram. Olha a bola de neve que isso vira. É por essas e outras que, enquanto você não mudar as amizades, evitar gente que te faça lembrar do ocorrido em redes sociais ou se livrar de coisas que te associem à pessoa sacaneada ou que te sacaneou, você só estará se torturando à toa. Muitos podem afirmar, "ah, mas eu já desencanei, a presença do outro não me incomoda". Não interessa: trata-se de relações interpessoais rotas, que você não pode mais remediar e que vão te atrapalhar quando menos esperar. Se livrar de tudo que lembra o outro não é ser reacionário ou impulsivo: é um exercício de desapego que precisamos fazer mais. O que não vai faltar nesse mundo é gente desprezível que jamais deveria ter cruzado seu caminho. Agora, se você prefere fingir que isso não te atinge e conviver normalmente com a pessoa, vá em frente. Continue enganando a si próprio. O mundo já tem aparências demais; você não precisa entrar nesse esquema hipócrita.
  • Ria, e o mundo rirá com você. Chore, e vai chorar sozinho. É um provérbio coreano que resume perfeitamente como o mundo vai lidar com seu sofrimento. E não espere que seja diferente com sua amada. O mundo vai sempre relativizar o sofrimento nos homens. Acham que sentimento é coisa de mulher. Então não perca tempo abrindo seu coração pra qualquer pessoa. De preferência, se você sentir muito esta necessidade, faça isso com pessoas completamente fora de seu círculo social, para que não haja a menor possibilidade de eles soltarem uma opinião viciada, influenciado pelo que eles pensam de você, nem comentem isso com conhecidos. Muito menos com mulheres; elas não sabem guardar segredo. Terapia também é recomendado. É porrada, mas funciona. As pessoas consideram no homem o sofrimento como algo patético e constrangedor. Nas mulheres, consideram apenas catarse, às vezes bem, às vezes mal dirigida. Tenha isso em mente e jamais fale do passado quando conhecer gente nova. Muito menos com os amigos mais antigos. Só se abra, quando necessário, com pessoas neutras! Não raro, pessoas próxima vão acabar projetando suas próprias frustrações nos "conselhos", muitas vezes não solicitados, que derem. O mundo estaria cheio de bilionários se conselhos dessem dinheiro. O auditório da Márcia ou da Silvia Poppovic concentrariam pelo menos metade do nosso PIB se conselhos dessem dinheiro... então, perceba o seguinte: ninguém quer conselhos. Quer apenas aceitação, aprovação. Se você precisa disso quando abrir seu coração, só vai se irritar à toa, especialmente com os amigos mais antigos.
  • Num mundo onde separações e divórcios se banalizaram de forma assustadora (onde ouvimos inclusive falar de casamentos que duram 48, 72 horas, no máximo uns cinco dias), convém ter-se o seguinte pensamento: gaste apenas com coisas que a potencial ex a seu lado não possa arrancar de você. Viagens são uma boa pedida. Restaurantes caros também. Se desconfiar de chifre, putas caras entram no rol. Se está mal resolvido em relação a isso ou outras coisas, torre seu dindin com terapia (é sempre melhor ouvir estranhos te julgando do que pessoas próximas a você fazendo isso). Acordo pré-nupcial e regime de Separação total de bens são obrigatórios. Esqueça carro do ano, casa mais espaçosa, Tv de tela plana ou qualquer tipo de bem físico. Gaste quantias consideráveis de dinheiro apenas com coisas que você pode desfrutar sem haver a menor possibilidade de te roubarem futuramente. Até porque gente te roubando não vai faltar nessa vida. E não falo dos flanelinhas da esquina. Falo dos profissionais: bancos, governo, ex-esposas que conhecem o Código Civil de trás pra frente (tem gente demais formada em Direito hoje em dia)... e não me venham com esse papo politicamente correto em relação a pensões: num mundo onde mulheres dividem (com ressalvas) em pé de igualdade as vagas no mercado com os homens, é humilhação demais, além de se passar por uma experiência de separação, ainda ver seu patrimônio sumariamente subtraído por um juiz para o qual você é só mais um número de processo na mesa dele. Digam o que quiserem, mas falta sensibilidade do Judiciário em relação aos homens neste aspecto. Quanto filho vítima da síndrome de alienação parental, quanta gente na pobreza por causa de decisões judiciais nesse sentido...

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domingo, 21 de agosto de 2011

Preciso de novos amigos (IV)

O conceito de humor de alguns incautos de meus círculos sociais...

...e um bom meme que vale mais que mil palavras.


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Pre-ri-go!

Figuras de metaplasmos são alterações ortográficas de uma palavra que acompanham o processo de evolução natural de qualquer língua. Também é bastante usada na poesia, mas de forma consciente. Tomando por base as amostras coletadas de Chaves, podemos inferir que os moradores da Vila estão a anos-luz de nosso atual léxico. Um seriado a frente de seu tempo, veja só. Abaixo seguem exemplos de figuras de metaplasmos, convenientemente classificadas:

Metaplasmos que adicionam letras ou sons
Prótese:

Este símbolo representa prerigo!! Ouviram bem??? PRE-RI-GO!!!

Epêntese:
Isto é uma caliúnia! Uma caliúnia! Você sabe o que é uma caliúnia?
Estou caçando inseptos.
Isso não é gato não, é um Massacote...


Paragoge: ainda sem exemplos.


Metaplasmos que eliminam letras ou sons:
Aférese:

Síncope:
Apócope:
Os três ainda carecem de exemplos.


Metaplasmos que trocam ordem de letras ou sons:
Metátese
(outrora mencionada no post sobre spoonerismo):
A poprósito...
Hiperbibasmo (ou metaplasmo quantitativo, mencionado no mesmo post acima supracitado)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Jornalismo FAIL


A série de posts com o título acima fazia parte de um outro projeto homônimo meu. Vou deixar aqui as melhores (e esta primeira creio ser a melhor de todas, no mínimo entre as top 3), pra vocês se divertirem com o amadorismo do jornalismo daqui. A mediocridade é tanta que não há a menor chance de você ter de se preocupar com credibilidade ou parcialidade. Conceitos assim são avançados demais em redações onde sequer se encontram revisores, ou ao menos pessoas que conferem suas fontes ou escrevem algo além do que foi copiado de releases alheios. Se você pensa em fazer jornalismo, essa série de posts te fará lembrar porque não exigem mais diplomas para exercício da profissão. Quando sua autoestima estiver baixa, abra alguns dos posts desta série e sinta-se o novo Nassif por alguns segundos...


(a propósito, este é o primeiro post que escrevo testando esta nova funcionalidade do Google, onde você pode informar o local de onde, ou sobre o quê você escreve. Bem legal. Mal podia imaginar eu que, seis anos após meu primeiro contato com o Google maps, este se espalharia a ponto de virar até funcionalidade de um simples post de blog. Talvez fosse questão de tempo; vejam o Youtube...)

domingo, 10 de julho de 2011

O primeiro estágio

Como vocês devem saber, a morte tem cinco estágios. Vou abordar o primeiro: a negação. Este se manifesta verbalmente, de maneira bem visível. Mas, mesmo quando a pessoa enlutada quer tentar se distrair e não falar muito delongadamente sobre o assunto, podemos percebê-la por perto. Reparem que o enlutado vai sempre se referir ao falecido no presente. Vai contar histórias mas vai manter este tempo verbal. O verbo 'ser' em particular será bastante usado assim.

Eu me lembro inclusive de um exemplo interessante disso vindo da cultura pop. Num episódio de CSI, Brass, o chefe de polícia, fica com a pulga na orelha num caso de um homem que acabara de enviuvar e recebeu uma generosa apólice de seguro. Ele comenta com o legista que o homem só falava da mulher no passado. Achou estranho, e sugeriu ao médico que exumasse o corpo; falou diretamente com ele porque Grissom "não se interessaria", segundo ele. O médico reluta, reclama da exposição pública que exumações geram, mas acaba cedendo. Com isso, Brass acaba descobrindo evidências de que o homem fraudou o seguro: havia matado a própria mulher para enriquecer. Tudo isso por causa do verbo ser conjugado no passado. O único da série que não entende de ciência forense pegou um homicida só se atentando à sua lábia.

Nada no mundo nos prepara para isso. Li certa vez inclusive, de um poeta acho, que "toda noite, quando dormimos, ensaiamos para isso. Um dia a gente acerta". O budismo dá as boas-vindas à ela; o catolicismo, arrebanha pelo medo dela. De qualquer forma, ela nos faz lembrar que tudo na vida é um empréstimo. Passamos 100% de nosso tempo buscando alguma forma de nos diferenciar que, quando chegamos a um momento em comum em que somos todos nivelados por baixo (em todos os sentidos da palavra), nos recusamos a aceitar isso. Queremos acreditar que apenas o que sentimos é o que existe. Uma forma de ignorância em sua forma mais primitiva surge. Não importa se o universo é tão complexo que a existência de um além-vida é apenas uma das possibilidades. Queremos por perto o que conhecemos. Achamos que esse alguém é nosso. O ser humano quer ser senhor de tudo, inclusive do que não tem ou jamais teve controle. E assim ele inutiliza vários hectares de terra reservando alguns pedaços a seus falecidos. Taí a lição mais importante de desapego que a humanidade precisa ter. Ninguém enterra cachorros quando eles morrem; a eles reservamos com mais naturalidade atos de dignidade como cremação e sacrifício, quando necessário.

Nessas horas, as religiões parecem um erro. Elas afirmam interceder entre o céu e a terra, mas perpetuam esse recalque de enterrar seus mortos. A aceitação, último estágio da morte, é abortado ao máximo; isso afastaria os fiéis das missas, de um ponto de vista publicitário. Não é à toa que este conceito foi iniciado pelos católicos bem antes de agências multimilionárias jurarem de pés juntos que precisamos dos produtos inúteis que eles vendem. Não lhes parece que cemitérios são um dos maiores golpes publicitários feitos até hoje? Vejam toda uma indústria funerária por trás, sem falar da indústria da fé. Inclusive nos foi incutida a perversa ideia coletiva de que uma "aceitação excessiva" da morte indica uma indiferença perante ela. Ou seja, eu sou obrigado a conservar um naco de tristeza sempre que me lembro do ocorrido. A igreja (e antes dela a sociedade) não gosta dos estrangeiros de Camus. Nem da filosofia budista, que fala da morte como todo mundo deveria falar: como um rito de passagem. A aceitação desmantela convenções e status sociais. De repente, dotado dela, parece que estamos acima dos que passarão o tempo todo se lamuriando por seus mortos. Ficamos mais prontos para continuar, e isso dá uma liberdade que ninguém quer. Inclusive a família, às vezes. Viver aceitando-se com tranquilidade a consequência definitiva da vida nos tornaria perigosos demais para certos poderosos. O Estado, por exemplo, considera o suicídio caro demais.


Leitura complementar: Dignitas
(Obs.: o texto anterior foi escrito antes de a Tiger mom ganhar fama internacional e virar meme na internet. Leiam sobre ela; minha criatividade jamais dá conta da realidade. =p)

terça-feira, 5 de julho de 2011

Pedagogia expressa

Em tempos excessivamente permissivos que fomentam amostras constrangedoras disso na TV, como o Supernanny, Malcolm in the middle e programas de "humor" que difamam e fazem piadinhas sobre estupro, creio que convém elaborar um guia (tão raso e enlatado quanto tudo em nossos tempos), para acompanhar esses tempos dinâmicos da era da informação. Aplicado à educação de seus filhos, venho, com um texto só, botar Paulo Freire, Piaget e Vigotsky no chinelo. Sem essa de construtivismo, educação inclusiva, interacionismo e outros placebos teóricos pra disfarçar sua vontade de matar seus monstrinhos quando eles pedem pela centésima vez o brindezinho do Ben10 no McLanche feliz. Apertem os cintos, pais de primeira viagem: é preciso ter pulso com a criançada escrota de hoje em dia. E confiem em mim, bancar o mal é uma das melhores partes da paternidade. Afinal de contas, é uma das poucas hierarquias sociais das quais você é o único responsável. Sem subordinados, sem prestação de contas (salvo à justiça, é claro), sem regimentos e legislações pra empatar sua foda. Vamos lá.

  • Aprendizado pela porrada: seu filho quer botar o dedo na tomada? Tudo bem. Inclusive, diga a ele que, "se ele tocar naquele buraco engraçado na parede, ele vai sentir umas coceguinhas engraçadas." Bastará uma tocada para ele aprender em definitivo a não botar a mão onde não foi chamado. Seu filho quer aprender a nadar em piscinas para adultos, fundas demais pra ele? Jogue-o na piscina e fique na borda. Pise na mão dele toda vez que ele tentar sair da piscina. Tire-o de lá quando ele começar a ter cãibras nos braços. Seu filho não quer comer? Nos próximos três dias, sirva apenas alimentos que ele não gosta. Esvazie a despensa e todos os armários onde ele possa ter acesso à comida. Se ele teimar demais, corte a água também. Em pouco tempo, ele cede.
  • Susto nos inquietos: seu filho não para de correr em lugares públicos e vive te dando trabalho pra acompanhá-lo ou encontrá-lo? Não tem problema: quando isso acontecer, entre na loja mais próxima do local onde o sumiço aconteceu e espere o guarda do local voltar com o pirralho se derretendo aos prantos. Claro, combine antes com a segurança este pequeno exercício de confiança seu. Mas oriente-os a não levar o filho "perdido" imediatamente pra você. Faça o guarda procurar você por uma meia hora, leve-o à sala de segurança do local, e desligue seu telefone por cerca de uma hora. Quando religar o telefone, peça a um terceiro pra avisar, com voz desesperada, que você foi parar no hospital vítima de um infarto depois de notar o desaparecimento do filho. Vá para a praça de alimentação e deleite-se com a cara de parede descascando do seu filhote quando ele voltar acompanhado do guarda. De repente, sua companhia se tornará bem interessante pra ele. Essa medida terapêutica vai funcionar, mas infelizmente pode levar aos...
  • Carentes demais: se o problema é inverso (o moleque não larga do rabo de sua saia), aproveite cada oportunidade para, quando na presença de outro adulto, compartilhar com este os fatos constrangedores da vidinha de seu filho. Conte quanto tempo ele levou pra largar a chupeta, da vez em que mijou na cama depois de assistir a um filme de terror, das palavras que ele não consegue pronunciar direito... e faça chantagem emocional ameaçando contar à minúcia estes detalhes sórdidos sempre que ele se recusar a desgrudar de você em lugares públicos.
  • Birrentos: seu filho abre o berreiro sempre que quer que você compre alguma coisa? Esse problema é simples de resolver: compre um megafone e, toda vez que ele fizer isso, berre para todos com quantos anos ele parou de mamar. Berre que ele tem medo de palhaços. Que não sabe amarrar o cadarço. Que apanha dos amiguinhos na escola.
  • Mimado/superprotegido demais: negue todas as vontades dele. Quando ele perguntar porquê, responde que é porque você quer. E faça certa chantagem, dizendo que ele não merece, e fale de quantas criancinhas no mundo são felizes com bem menos. Só faça algo por ele quando este começar a implorar. Nunca dê dinheiro, empreste. Com juros. E pegue objetos pessoais dele como garantia. Nunca compre brinquedos. Dê ideias para ele improvisar alguns. Não ajude-o no dever de casa, e esconda todas as calculadoras, computadores e dicionários. Dê "concessões" de uso de cada um desses itens a cada bimestre que ele passar.
  • Rebeldes demais: antes da puberdade, folheie uma revista de tatuagem e peça a ele dicas pra cobrir uma tatuagem com símbolo ocultista que você vai alegar ter na virilha. Mostre também o desenho do Faustão que você quer usar para cobrir as costas. Se ele não cair nessa, comece a usar tatuagens adesivas, daquelas removíveis, por uns tempos. Fume maconha nos fins de semana e pergunte se ele não quer um pouco. Simule convulsões ao beber mate leão que você vai alegar ser chá de cogumelo. Ah, e conte detalhes de sua vida sexual (puxe assunto sobre as meninas que ele anda pegando) com uma intimidade que ele jamais gostaria de ter contigo. Use um tom de narrativa, como se estivesse contando um conto erótico. Fale de sua parceira como se fosse uma biscate bêbada de balada, com julgamento enfraquecido pela bebida.
  • Gastadores: seu filho gasta demais? Sem problema. Um dia, quando ele sair com os amigos e pra variar cogitar gastar um dinheiro excessivo que não tem com bobagem, sente-se com seus amigos na sala de estar e joguem pôquer. Quando ele voltar pra casa, fique totalmente pelado e esvazie seu (O seu) armário, dizendo que perdeu tudo no jogo. Repita isso na próxima vez que ele sair, mas dessa vez tire o colchão dele do quarto; deixe apenas o estrado na cama. Na próxima, faça isso com a TV. Por último, faça isso com a mãe dele: combine com ela para esta sair com as amigas e use seu talento para atuação no último grau: com cara triste, chorosa (não se esqueça de parecer meio bêbado), diga quer perdeu a mãe dele no pôquer.
  • Educação sexual: quando eles chegarem à puberdade e você desconfiar que eles já têm idade suficiente pra tirarem a roupa, comecem (você e sua parceira) a gritar à noite, como se estivessem tendo uma noite de sexo selvagem. Caprichem; não deixem ele dormir. Algumas semanas depois, finjam que a camisinha estourou. E contem, no café da manhã, que ele vai ganhar um irmãozinho. Vendam algumas coisas do quarto dele argumentando que precisam de dinheiro pro enxoval e outras despesas. Façam ele sair de casa pra atender alguns dos "desejos" da mãe grávida. É a oportunidade de vocês se divertirem inventando desejos bizarros.

Mas, por mais que eu viaje na maionese com um texto obviamente satírico como este, como sempre, a realidade sempre supera a ficção. Ninguém precisa da pedagogia expressa pra destuir infâncias, precisa apenas de recalques, frustrações e falta de noção. Numa conversa, alguém comenta comigo de uma amiga que recebeu uma educação perversa de uma mãe depressiva. Por exemplo, a mãe fazia a filha lavar as cuecas do irmão! E, num dos aniversários da menina, a mãe começa a reformar a casa exatamente nessa época, só para inviabilizar uma comemoração em casa. Como pode-se ver, o poder de família é muito mal exercido por algumas pessoas. Chega até a ser tentador se elaborar legislação mais específica pra regular essa balbúrdia na educação dos filhos justificada por hábitos culturais que vemos hoje, já que hoje em dia somos dotados de valiosos conhecimentos dos campos da pedagogia, psicologia, relações humanas, que poderiam solidamente embasar uma lei coerente. Mas não, em vez disso, preferimos punir em vez de vigiar. De que adianta um Estatuto da Criança e Adolescente se abusos de sequelas menos penais que psicológicas continuam ocorrendo?

Este não é o primeiro texto que escrevo sobre como detonar infâncias. Cliquem aqui pra ler o anterior.