terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pleonasmos do jornalismo brasileiro

  • Candidato xis tem 30% dos votos, com margem de erro de três pontos, para mais ou para menos: não bastasse os telejornais (quaquaqua, jornal... e na TV...) papaguearem isso toda vez que fazem uma pesquisa, eles ainda por cima fazem questão de falar o intervalo de porcentagem compreendido pela margem de erro. Matemática não é assunto popular, como podem ver. O simples fato de se considerar quem encomanda essas pesquisas, apesar de registro no TSE, já não sugere o que certos segmentos da sociedade esperam das eleições?
  • O goleiro será indiciado por homicídio culposo, sem intenção de matar: para o povão, só existe crime quando eu tenho vontade de matar alguém. E nossa mídia parece querer perpetuar esse entendimento com esse pleonasmo. Talvez pra ficar mais fácil de, no futuro, vender esse tipo de notícia de forma mais fácil, caso alguma celebridade do canal cometa um homicídio culposo. Sem intenção de matar, viu gente? A sentença ainda não tem trânsito em julgado mas foi SEM INTENÇÃO DE MATAR, então tá tudo certo.
  • Duas pessoas morreram e centenas ficaram desabrigadas no interior de Minas Gerais: essa geralmente rola no começo do ano. Entra ano, sai ano, e sempre rola o mesmo copy-paste nas pautas de começo de ano. E, curiosamente, nunca se buscam culpados para essa situação. Políticos, secretários de infra-estrutura, empresários... tragédias naturais nunca tem nome. Ninguém se lembra dessas pessoas. O jornalismo no Brazil só se dá ao trabalho de fazer denúncia em programas que não são de estética essencialmente jornalística. E é sempre coisa superficial, nunca tem banco nem político de direita envolvido.
  • Atriz de novela passeia com seu cachorro nas areias de Copacabana: esse é o atual loren ipsum do jornalismo brazileiro. Quando o V do teclado das redações país afora começa a descolar de tanto copy-paste, esse tipo de notícia começa a pipocar em página de portal de internet. E quando der preguiça pra ler, tem sempre aqueles videozinhos engraçados que todo mundo viu pra colocar na página inicial como se fosse conteúdo exclusivo.
  • Dez pessoas morrem e trinta ficam feridas em atentado em [inserir nome de região do Oriente Médio aqui]: esse é o equivalente internacional ao pleonasmo acima. Nada mais a declarar.
  • Fulano vai recorrer da decisão: quando estudava pra cursinho, certa feita uma professora criticou essa mania da imprensa de falar do andamento de um processo como se cada novidade fosse uma decisão definitiva e final. Nesse ínterim, o fato de alguém recorrer de uma decisão não tem nada de esporádico ou digno de nota. Porra, é direito do safado. Nossas leis, vulneráveis a falhas decorrentes de tantas possibilidades de revisão de decisões, tornam um simples recurso algo ridiculamente redundante. Se existisse ética de verdade na imprensa, notícias de processos judiciais só deveriam ser veiculadas depois de trânsito em julgado. Mas se isso rolasse, decerto muito jornal por aí teria falido faz teeeempo...
  • E agora os gols da rodada: além de pleonasmo, é eufemismo da imprensa para "não quero me indispor com ninguém e/ou não tenho pauta escandalosa o suficiente pra derrubar ninguém, então vou cortar esse clima tenso falando de futebol". Me lembrou duma peça de Nelson Rodrigues que vi nas férias, 'A vida como ela é...'. Um dos contos transcritos para o teatro foi aquele do marido traído. A mulher começa a se engraçar com outro em plena época de copa do mundo. Durante esse período, os pensamentos do marido oscilam radicalmente entre limpar sua honra metendo o ferro na mulher ou comemorar de forma catártica o primeiro título mundial do Brasil em copas. Adivinhem o que aconteceu...
  • E a festa não tem hora pra acabar: cobertura de festas de carnaval Brasil afora. O repórter no meio da muvuca, nos carnavais de rua, conversando com bêbados, ou no camarote, acompanhando desfile das escolas de samba e fingindo entender os porquês das alegorias elaboradas pelos Joãozinhos trinta da vida. É o mais próximo que o brazileiro chega de se interessar por arte ou história. Seria interessante se houvesse uma formalização disso: vejam a Carvalhada, por exemplo. É uma festa popular que ensina História com propriedade. A única diferença entre ela e o carnaval carioca é a falta de interesse da Grobo e da Brahma em cima disso...
  • Aumentam os casos de latrocínio: roubo seguido de morte. Pode até este ser um termo mais jurídico, daquelas palavras divertidas que a turma da toga cria pra pobre não entender. Mas repetir feito papagaio que é "roubo seguido de morte" é demais. Repetir isso no começo de uma matéria, vá lá. Mas tem jornalista imbecil que repete a definição "roubo seguido de morte" toda vez que menciona a palavra durante sua matéria. Como um tique nervoso ou algum sintoma de Tourette. Fala sério! Você até chega a pensar que o "roubo seguido de mrote" faz parte do substantivo em si. Como quando você ouve tanto o nome de dupla musical que não consegue mais individualizá-las, sabe? Então.
  • Atriz/ex-BBB/ex-gostosa/pistoleira-que-ganhou-fama-com-vídeo-que-caiu-na-net ar-ra-sa com vestido Gucci em evento xis: típica matéria de jornalista (sic) escrevendo pra mulher frustrada que mal cabe no próprio pijama, assina a Contigo! religiosamente e sempre pede coca-cola light depois de se entupir de feijoada no self-service. A vida é mais do que isso, minha senhora. E, na minha opinião, reality shows só promovem desserviço ao institucionalizar a fofoca. Transformam um poderoso canal de fofoca -- um ambiente de confinação cheio de playboy, modelos e algumas ex-atrizes pornô escondidas no meio -- em pão e circo, na forma de competição. Ou seja, reality shows são uma espécie de Campeonato brasileiro feminino.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Lotação máxima

A quem interessar possa, estou com um novo "projeto pessoal" (como os artistas gostam de dizer): é o Jornalismo FAIL, onde, a partir de minha lupa, desconstruirei toda a vergonha alheia presente na depravação intelectual que convimos chamar de notícia hoje em dia. É rir para não chorar. Se você achava o máximo escrever textos revolucionários com jogos de palavras pobres em zines ou folhetins em época de faculdade, lave sua alma aqui: uma tiragem de milhares de exemplares não torna um texto merda relevante. Sem mais.

Voltando à programação normal


(texto inacabado)

Nas férias, observei uma iniciativa interessante da prefeitura local. Todo local que recebe aglomerações como bares, restaurantes ou boates, por exemplo, possuem uma plaquinha que informa o número exato de pessoas que cabe no recinto, dentro de condições mínimas de saúde e de conforto. Já rolou comigo de sair na noite com uma prima num lugar tão, mas tão apertado e cheio de gente que estavam deixando apenas as mulheres entrar, e mesmo assim, ela ficou menos de meia hora, dada a concentração insuportável de gente. Eu fiquei quase uma hora na fila só pra ela se dar ao luxo de botar os pés dentro do local. Mais tarde, depois de procurarmos outro local, fui deixá-la em casa. Qual a minha surpresa quando ela simplesmente desmaia feito uma jaca, caindo inconsciente no chão, enquanto abria a porta de casa! Ela tinha epilepsia. Cortou legal a cabeça. Nem preciso dizer que provavelmente a lotação insalubre a qual ela se submeteu desencadeou o desmaio, certo? Tarde demais, acabei de dizer.

Isso exposto, quero propor que medida semelhante fosse aplicada não apenas em minha cidade, mas no trânsito dela também! Se merda acontece em balada superlotada, imagina em vias públicas cheias de máquinas acima de 1 tonelada disputando espaço. Seria tão prático. Pensem comigo, essa coisa ridícula do rodízio que São Paulo tenta fazer em vão. Esses inúmeros acessos alternativos e viadutos que as autoridades insistem em inaugurar sem nunca admitir que se tratam de apenas um caminho mais longo ao mesmo destino. Já com uma lotação máxima para cada rua, olhem que prático isso seria: displays eletrônicos nas extremidades de cada sentido da via exibiriam a lotação máxima aceitável para que a fluidez do tráfego não seja prejudicada. Com sensores no asfalto, seria possível se realizar uma contagem eletrônica e, portanto, um controle desse fluxo. A contenção desse fluxo poderia ser feito via cancelas reforçadas ou semáforos. Não seria nada tão intangível assim; se pensarmos um pouco, o fato de multidões itneiras respeitarem luzesinhas dispostas ao alto em postes no meio de uma rua parece algo meio bizarro se supuséssemos isso em épocas diferentes.

Chocado? Achou radical o que proponho? Ótimo! Entretanto, não caio no lugar-comum de achar que a culpa dos congestionamentos é dos consumidores fúteis que insistem em comprar carros cada vez maiores e mais beberrões. Nãããão, não caiam nesse lobby cretino da indústria automobilística! Esses vermes são piores que banco, em alguns aspectos. Banco te endivida mas não te mata por causa dum recall adiado, carro sem airbag ou motor com potência bem maior do que deveria ser dada a pessoas comuns. As grandes indústrias teimam em culpar o consumidor pelas mazelas do planeta. Aquecimento global? Culpa minha, que não reciclo meu lixo e uso produtos cuja emissão de gases colabora pro efeito estufa. Congestionamento? Culpa minha, que não quero andar a pé. Obesidade? Culpa minha que como demais. E sabe o mais engraçado de tudo isso? A pegada ecológica de nós, pessoas comuns, não chega nem a 15% das emissões que culminam nessas mazelas do clima que se convencionou denominar aquecimento global. Pesquise fontes séries e confirme por si próprio.

Esse tipo de iniciativa no trânsito faria as pessoas investir mais em formas alternativas de transporte, como bicicletas ou transporte público. Esse último, infelizmente, depende diretamente de vontade política. Só um transporte público de qualidade fará as pessoas abrirem mão de seus carros gigantes, aquela gentalha jeca que compra 4 x4 mas nunca anda em fazenda. Se bem que, do jeito que brazileiro adora fazer as coisas de última hora, o período de adaptação seria beeem longo.

Vários fatores decerto viriam a complicar minha proposta. Um deles é o de pessoas que vão ao trabalho de carro. Ou seja, pessoas que têm horários a cumprir. Outro é o período de validade da "lotação máxima" (serve como nome para esse projeto): apenas dias úteis? E veículos que prestam serviços essenciais, como ambulâncias ou caminhões do corpo de bombeiros? Bom, isso já descarta o uso de cancelas reforçadas, outrora proposto. Mas reforça o uso de um outro recurso: o do chip veicular. É uma proposta polêmica, que pessoalmente discordo, mas seria o único recurso tecnológico a tornar possível o controle de veículos que viessem a desrespeitar a lotação máxima de vias públicas. Alguns podem discordar de mim e apostar na popularização do GPS. Mas contar com o fator humano é uma variável que não funciona no trânsito. Todo mundo tenta atalhos, tenta burlar blitze, tenta alguma gambiarra. O chip, portanto, mais difícil de ser desarmado dependendo da forma como fosse implantado, seria mais viável.

O que inevitavelmente nos conduzirá ao pedágio urbano. O que talvez indiretamente também viesse a forçar as pessoas a buscar formas alternativas de transporte. Sozinha, a "lotação máxima" pode não funcionar, então outras medidas precisariam ser tomadas: por exemplo, a proibição de construção de postos em avenidas. Outras sugestões:

  • Abolição do uso de calçadas para uso como estacionamento, mesmo as de 45 graus: problema grave aqui; em muitas calçadas simplesmente não se consegue andar;
  • Compra de veículos novos condicionada à quantidade de pessoas a se transportar: nos EUA, a prática do carpooling é comum nas vias expressas, que possuem faixas exclusivas para quem usa o carro para dar carona a alguém pro trabalho, por exemplo; mas aqui proponho controle mais radical disso: no momento da compra, mesmo;
  • Limitar o estacionamento de veículos numa região às pessoas que nela moram. Isso é feito em pequenas cidades da Inglaterra e funciona.
  • Transformar quaisquer vias com menos de 2,50m em calçadões. Sem exceções.
  • Estabelecer um ângulo mínimo para as esquinas que dão para avenidas. O modelo reto da maioria das esquinas dificulta o acesso do motorista às grandes avenidas e emperra o fluxo desta.

Tirinha de Bruno Maron, do genial Dinâmica de bruto. Já que o texto não saiu como eu esperava, ficam as observações incisivas dele em forma de quadrinho. Fui.

sábado, 20 de novembro de 2010

Conselhos que médicos nunca dão

Masturbe-se: rapazes, sabe o que acontece em seu corpo quando há ausência de atividade sexual? Ocorre o acúmulo de esperma. Sem ter como eliminar esse excedente, esse material vai perdendo a qualidade e a temperatura dos testículos se altera, portanto sua taxa de fertilidade diminui. O que acaba culminando na varicocele: inclusive a simetria entre os testículos se reduz; um acaba ficando maior que o outro. Então não se engane: embora a varicocele seja hereditária, a natureza te projetou pra prestar muita homenagem no banheiro, jovem impúbere. Na ausência de uma mulher pra te manter ocupado, é claro. Em resumo, quero dizer que esse conselho é daqueles bastante negligenciados por médicos: já imaginou se esse tipo de orientação caísse no senso comum e começasse em figurar naqueles especiais sobre sexo da Capricho, por exemplo? Você imagina Jairo Bouer com aquela carinha de orientador pedagógico dando essa dica? Imagina o Ministério da Saúde, além das propagandas sobre camisinha e DSTs, veiculando campanhas incentivando o cinco a um? Pois é.

Ande descalço: esses pais morde-fronha que nunca deixam os filhos rolar na sujeira ou sequer andar descalço atentam contra o sistema imunológico dessas pobres crianças. Quantas defesas simples o corpo deixa de criar com essas frescuras que nossa geração, criada no concreto, inventa! A mágica da infância é exatamente por ser uma fase mais simples da vida; esse nazismo materno pra se usar calçados eternamente é mais uma daquelas amostras de como ser mãe é o emprego mais chato do mundo. Pode reparar: crianças assim sempre se tornam futuros hipocondríacos. É gente que, ao crescer, nunca fica descalço. Pra nada! Gente que inclusive transa com meiões. Percebem o desserviço que pais assim fazem à sociedade?

Beba uma latinha ao acordar de ressaca: você sujeita seu corpo a doses medievais e álcool e ainda acha estranho acordar péssimo de manhã? Oras, como qualquer substância que entra em excesso em seu corpo, proveniente de dependência que esta gera, é de se esperar que haja uma crise de abstinência. Seria estranho o corpo não sentir uma radical cessão no consumo de determinada substância, assim do nada. Então, não ligue se você parecer um alcólatra pela manhã, ao abrir sua latinha: você está apenas preparando seu corpo para abandonar o consumo de álcool. Aos poucos, e não de forma brusca, cortando de vez. Se seus pais tomam uma tacinha de vinho pela amanhã pra "prevenir ataques cardíacos", você também pode, porra.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Bloco de notas (XVI)

Banheiros para portadores de necessidade. Se isso por si só já não é exclusão, não sei mais o que é. Os banheiros atuais já possuem cabinazinhas e privadas com tamanho especial para eles, bem como barra auxiliar (se pensou nos anões, pense novamente) e pia e espelho em altura mais baixa; pra quê então criar um lavatório apenas pra eles? Na época da luta pelos direitos civis, nos EUA, rolava essa aberração de banheiros diferenciados para brancos e negros. Não parece que nossa sociedade repete um erro histórico ao, em vez de promover iniciativas inclusivas como os banheiros modernos atualmente recebem, promover iniciativas que rotulam e estigmatizam essas pessoas? Reconheço todas as conquistas que essas pessoas têm adquirido em nossa sociedade, mas não é um exagero darmos a eles banheiros exclusivos? Como se ser um PNE fosse um terceiro sexo? Se essas pessoas querem se sentir incluídas e tratadas de igual para igual, como um banheiro à parte vai ajudar nisso se já o fazemos por lei em nossos próprios?

Hoje em dia o hype é ser espírita. Comprar livros que gente morta escreveu psicografado por vivos, ler ensinamentos de Allan Kardec, assistir filmes e novelas deles... quanto aos filmes, eles inclusive alçaram uma das maiores bilheterias do cinema nacional. Sempre que me falam de Nosso lar, me lembro dum filme que passava no Cinema em casa (ou Sessão da tarde, não lembro) em que o sujeito morre atropelado e vai para um céu muito parecido com o retratado no filme. Ele chega num metrô celestial e encontra todo mundo vestido de bata branca e cara de paisagem. Tem inclusive um momento do filme em que ele tem acesso a uma máquina que revela quem ele foi em vidas passadas. Ele descobre que foi um índio. Achei curioso eu lembrar desse filme porque o espiritismo só tem espaço em seu berço, na França, e aqui. Acho ainda mais curioso como o ser humano tende a imaginar coisas apenas se baseando no que ele conhece em terra. O que é natural. Peguemos por exemplo as danações que livros sagrados nos contam pra nos botar culpinha cristã. Todas elas não passam de sublimações terrenas, de uma forma ou outra tangíveis, de sofrimentos que ocorrem ainda em terra, certo? Então pra quê ese terrorismo pré-morte? Coisa mais infantil, papa. Façam como os espíritas; eles não precisam criar anjos da morte pra ter fiéis...

O horário de verão começou há quase um mês. E me pôs a pensar. Quando ele chega ao fim, algo paradoxal poderia ocorrer. Se temos de atrasar o relógio em uma hora, ele volta a ter 23 horas do último dia do horário de verão. Portanto, teríamos um círculo vicioso onde teríamos de atrasar o relógio até o fim dos tempos. Sob essa perspectiva, passaríamos o resto de nossas vidas presos num continuum espaço-temporal. Ou seja, seria mais lógico que o horário de verão terminasse a uma da manhã, e não a meia noite, como ocorre. Pra gente ver como as coisas são. No ano 2000, o mundo temia o bug do milênio, achando que os computadores entrariam em parafuso. Mas curiosamente algo sobre o fim do horário de verão nunca foi cogitado. Nem quando o dia 29 de fevereiro surge no calendário esse tipo de paranoia tem espaço. Não é espantoso imaginar que, há mais de dez anos atrás, milhares de idiotas começaram a estocar comida em casa como se a remota possibilidade de sistemas de informática não conseguirem interpretar datas adequadamente fosse suficiente pra acabar com o mundo? Mais fácil o Google fazer isso hoje em dia: eles sabem onde moro, tem meus dados pessoais… se eles derrubarem algum governo mundo afora, estamos todos perdidos!

Que medo da internet do trabalho! Mês passado tava escrevendo um texto e mencionei o or***. Aquele site de relacionamento roxinho, febre entre os brasileiros, que virou favela hoje em dia, sabe? Então. Eu não sei o que acontece, mas o sistema de bloqueio deles é tão nazista que qualquer site que contenha a palavra or*** simplesmente não entra. Fiquei feito uma besta aquele dia, tentando digitar o mesmo texto, sem saber porque o Blogger não salvava o texto enquanto digitava. Aí, crendo ser viagem na maionese minha, resolvo truncar a palavra como faço aqui. O texto salvou imediatamente! Só falta eu estar sendo vigiado nesse buraco e nem fazer ideia disso. Ainda bem que não usei esses dedos afiados pra falar de ninguém! Se eu me importasse o bastante com a vida de certos boçais daqui, talvez viesse a fazer isso: criar blog novo e escrever anonimamente. Material decerto não faltaria...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Muro das lamentações humorísticas

Esse texto servirá como um paredón para a atual geração de "humoristas" do Brazil. Gente anódina e bunda-mole que nunca se indispõe com ninguém e nunca fala de política. Ou seja, um humor que não incomoda. Nunca ouvi falar de humor assim, e vocês? Pois é, esse humor politicamente correto de merda está contaminando nossos "humoristas", e cabe a mim, um chato profissional, botá-los no seu devido lugar. Hermes e Renato já fizeram isso bem melhor que eu com seu personagem Dudu Marchioli, mas vou me limitar a chutar cachorro morto aqui. Esse texto vai funcionar como uma espécie de variante do quadro do Ral Gil, aquele de tirar ou não o chapéu pras pessoas, sabe? Então. Provavelmente alguns fãs chatos aparecerão pra proteger seus idolozinhos, mas fazer o quê. Vamos começar.

  • Rafinha Bastos: um gauchinho metido a besta que se acha engraçado só porque é judeu. Um portal de internet disse que ele era engraçado e ele acreditou, isso há muitos anos atrás, bem antes dessa modinha standup. Ele tinha uma página superamadora chamada Página do Rafinha, com um humor primário, tão sofisticado quanto as letras do Restart. Hoje em dia ele paga uma de antenado, de ativista, fazendo jornalismo (sic) de protesto (sic) na Band. Ele tenta fazer uma mescla de rabugice com humor, quando, na verdade, ambos são a mesma coisa nele: mediocridade. No final das contas, acaba fazendo o mesmo "humor" que todos do ramo: contando meia dúzia de silogismos forçados, histórias do cotidiano e incidentes irrelevantes que ocorreram do trajeto do aeroporto até o local onde se apresentam. Sem mais.
  • Danilo Gentili: esse tenta passar uma imagem loser, com uma retórica lacônica, monótona e adolescente. Ele tenta construir um estilo, mas não consegue. É outro que gosta de bancar o engajado ao mesmo tempo que dota suas piadinhas de um niilismo vagabundo. Sua voz lembra quando você precisa pedir um documento qualquer em repartição pública e um servidor supemotivado vem te atender, sabe? Talvez com um bordão o Zorra total pudesse aproveitá-lo...
  • Bruno Mazzeo: o Chico Anysio Jr.. Parece que ele quer ser o novo Luiz Fernando Guimarães ou algo assim. Todos os programas que lança parecem versões paraguaias d'Os normais. A diferença dele pro pai é que ele prefere ser si próprio (socialmente desajustado, levemente neurótico) do que fazer papeis. Grande erro. Só falta ele também fazer standup nas horas vagas...
  • Felipe Andreoli: um oportunista. Ele é um comentarista esportivo, não um humorista. O lugar dele é ao lado de Milton Neves, tornando os programas deste quase assistíveis (fazer aquele cara calar a boca um pouquinho já seria lucro). Com sotaque forte, seu humor é óbvio. Só tem fluência no que diz quando fala de esporte. Sociável demais pra fazer humor...
  • Marcelo Adnet: este alia seu "humor" a imitações e improvisos, o que se mostra um diferencial. Infelizmente isso nem sempre consegue camuflar as limitações de seu humor. Com esse adicional, ele deveria explorar o humor político como ninguém, mas não o faz. É só mais um bunda-mole do ramo. O nonsense é matéria-prima principal de suas tiradas, mas este não funciona em todos os contextos, especialmente com o público nacional, acostumado a imitações de tipos regionais e apolíticas. Nem com celebridade ele mexe, porra! Silvio Santos não conta; ele é uma espécie de Nirvana do humor: ou seja, é daquele tipo de material que, como quem tá aprendendo a violar tocão, só humorista iniciante usa, pra pegar as manhas de imitar e tals. É, Marcelo, não deu. Eu quase tentei ajudar pro teu lado, mas não deu. Ser carioca não significa que você seja "engraçado", sorry.
  • Marcos Mion:  ele, humorista? Ráááááá, pegadinha do Mallandro...!
  • Sergio Mallandro: tá, ele não é humorista, é apenas chato. Mas também inventou de fazer standup. Um oportunista de carreira. Tão de carreira que, quando ele veio se apresentar em minha cidade, deu um rolo com a organização do show e cancelaram a parada. Não me perguntem se devolveram o dinheiro... deve ter sido mais uma das pegadinhas dele, vai saber.
  • Marco Luque: é impressão minha ou ele se daria melhor no Legendários?
  • Tom Cavalcante: perfeita amostra do que acontece quando você deixa à solta o ego de um humorista. O programa dele é reduto das mais homofóbicas, racistas e preconceituosas piadinhas do país. Ele se acha um Ari Toledo paraibano, que triste. Nem a Grobo aguentava mais ele, aí vem a emissora do bispo e perpetua nas telas esse modelo retrógrado de humor.
  • Leandro Hassum e Marcius Melhem: o gordo e o magro ganham versão global. Pelo menos isolaram os dois nos domingos ao medio-dia, que é pra poucos terem o acidente de assisti-los. Não por o humor deles ser de todo primário, mas por ainda não ter saído da fase Zorra total. Perderam pontos porque ambos fazem standup. Sorry guys...
Se eu esquecer de alguém, não tem problema: posso sempre escrever texto novo pra malhar gente nova. Me despeço aqui. Até o próximo post e bebam com moderação. Beber sozinho é chato (moderação, apelido esquisito, esse)...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Chovendo no molhado

Tem coisas que a gente só vai conquistar quando formos atrás delas não como objeto de nossa realização, mas como realização de nosso objeto. Explico: materializar metas. Situá-las em coisas tangíveis. Isso nos fará alcançar o que queremos. A busca pela realização flutua. O que flutua se dissipa e se afasta. Como nuvens, mesmo.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O esporte mais antigo do mundo

Antes de prosseguir: o post anterior ganhou uma pequena atualização. Convém conferir; é algo comum a todos nós. De volta à programação normal...


(tirem as crianças da sala)

A hiperbanalização do sexo que a mídia promove atualmente me dá a impressão de que hoje em dia esse importante ato de intimidade entre um casal tem mais status de esporte que de envolvimento e entrega afetivos, por assim dizer. Vejam só, a promiscuidade é valorizada como se a quantidade de parceiros(as) te fizesse melhor, com mais vigor físico ou mais descolado que alguém, o desempenho de proporções irreais e hercúleas que certos vídeos por aí sugerem, sem falar na perfeita sincronia e falta de imprevistos como cheiros esquisitos, posições incômodas e gestos que involuntariamente brocham o parceiro(a). Outrossim, levando em conta esses elementos que fazem com que o ato sexual soe mais como uma apresentação acrobática ou uma cena de ação bem elaborada dum enlatado qualquer de Hollywood, venho até aqui propor a conferência ao sexo do status de esporte. Tipo uma variante da ginástica. Porque, segundo os diretores e os atores (não necessariamente os célebres por seu talento dramático), sexo não é para pessoas comuns. Para eles, homens nunca falham e mulheres nunca menstruam. De acordo com as cenas perfeitamente editadas e com iluminação impecável, aliada a diálogos pertinentes ao momento, pessoas normais não tem condições de chegar até lá. Portanto, normatizemos um pouco a parada, introduzindo inclusive alguns elementos e regras como critérios de competição, a fim de sensibilizar o COI num futuro não tão distante.
  • Delimitação da área de cópula: em torneios de artes marciais, seu objetivo não é descer o cacete no adversário até ele ficar inconsciente (você não precisa matar ninguém; a petite morte serve). Pelo menos nos sérios; a menos que você considere torneios abjetos como o Ultimate fighting, cheio de esteróides, um esporte digno de nota. Assim, se eu estou lutando judô e quero derrubar meu adversário, devo fazê-lo dentro do tatame, ao redor das linhas que delimitam o espaço deste. O mesmo deve ser aplicado a nosso novo esporte; imagina você estar lá com sua parceira, se remexendo mais que lagartixa que acaba de perder o rabo durante o coito. O que vai acontecer? Você no mínimo vai derrubá-la da cama. Ou perder o equilíbrio e escorregar pro lado. Inclusive, poderíamos criar duas categorias: estilo livre, num assoalho levemente acolchoado, ou em cima de uma cama king size, mesmo. Com penalidades previstas para qualquer parte do corpo que ultrapasse a linha ou, no caso da cama, toque no chão (podendo haver variações nesta regra de acordo com a categoria a ser praticada).
  • Quilômetros rodados: algo possível de ser feito se instalando odômetros na base do genital masculino. Porque apenas duração não é o bastante; é preciso se aliar isso ao desempenho do macho penetrador.
  • Triatlon: múltiplos parceiros. Ao mesmo tempo, um de cada vez ou alternado. Exigiria grande preparo físico, muita concentração e resistência física, além de um timing perfeito. Ao contrário do triatlo tradicional, o desempenho daqui seria interpretado pela duração, e não pelo melhor tempo, associado a outros critérios de pontuação. Chegar ao final da prova seria uma conquista em si já considerável.
  • Posições realizadas: cada qual teria um grau de dificuldade definido, e por conseguinte uma pontuação associada a isso. Se na ginástica deve-se realizar uma combinação de movimentos, aliados a alguns mandatórios, não teria porque ser diferente aqui. Só não vale entrar em combate de meião, né campeão? Se quer honrar as cores da bandeira de sua nação, tatue nas costas, porra.
  • Graça: sabiam que esse é um critério de pontuação na ginástica feminina (poderia-se criar um paralelo aqui, possivelmente até estendê-lo aos homens)? Inclusive com o vigor com que a moça chega/simula seu orgasmo. O trabalho de cintura dela poderia sustentar um sistema de pontuação complexo, inclusive levando-se em conta a sincronia com os movimentos pélvicos do parceiro. O grau de ousadia e de sedução poderiam também ser levados em conta. Uma dancinha sexy, um strip... até uma musiquinha poderia rolar durante a performance. Mas, pelo amor de Deus, nada de Kenny G. Suplico a vocês. A menos que você seja dono de motel, procure uma trilha sonora decente em sua casa e capriche...
  • Zonas erógenas: a geração de estímulos, aliada à posição escolhida e ao grau de excitação, devidamente monitorado pro recurso a ser futuramente decidido, seria outro critério de pontuação. Como um massagista acessando os pontos de energia do corpo do paciente ou um boxeador buscando os pontos fracos do adversário.
  • Flexibilidade de sexualidade: um outro fator a ser estudado nas performances é a troca de papéis ou combinação destas. Muitos esportes têm provas de revezamento e de duplas. Só a imaginação dita as possibilidades aqui. O que seria levado em conta aqui é a capacidade de excitar e ser excitado. Não seria nada de muito diferente do que muitos atletas fazem na vida privada; pergunte a pessoas que jogam vôlei...
  • Aparelhos: propomos um esporte com óbvios paralelos com a ginástica artística e não falamos de aparelhos? Não, senhor: eles podem se fazer presentes aqui. O cavalo é o mais óbvio deles. Barras laterais, assimétricas, trampolins... são muitas possibilidades. Inclusive possibilidades inéditas, como levantamento de peso ou ginástica rítmica, com aquelas fitinhas. Já assistiram 'Queime depois de ler'? Então, o invento do George Clooney serviria bem como um dos aparelhos a ser aplicados...
  • Duração: contagem progressiva, não regressiva. A regressiva é algo que já rola na realidade. E como constatamos há pouco, ninguém quer falar de realidade na hora do entra-e-sai. Aqui, teríamos um critério que funcionaria melhor como desempate, após os outros elementos de pontuação terem sido levados em conta. Os exames antidoping teriam de ser bastante rigorosos; uma certa pílula azul anda fazendo muita gente ter um pouco mais de alegria na cama...
Bonus track: elementos do esporte em si além de sua prática.
  • Mesas-redondas: em vez daquele monte de velho que não sai do atraso faz tempo, e pior de tudo, falando de futebol, teríamos pessoas falando sobre um esporte que realmente entendem. O futebol, esporte excludente que é, com jogadores reservas, caneleiros e craques frustrados que viram comentaristas, perderia espaço fácil pro nosso novo esporte. No nosso, não tem reservas nem uniformes brochantes (a menos que você curta um látex), e o melhor que você faz é ignorar seu técnico. Sem falar que os tira-teimas seriam beeeem mais interessantes. E sem o Tiago Leifert, Galvão Bueno ou qualquer um da turma da Grobo. Já imaginou? Sensacional!!!
  • Técnico: no país de 190 milhões de técnicos, quem perderia tempo querendo ser técnico? Todos prefeririam ser titular, oras!
  • Não-alienação: o futebol tradicionalmente é a melhor forma de distrair a população de decisões impopulares de governantes. Essa carapuça não serviria a nosso esporte; já te fodem no trabalho, mesmo... sem falar a esposa vendo a gravidade brincar com o corpo dela. Então, tentar usar esse artifício pra te distrair teria é efeito contrário, isso sim. Seria como usar a F1 pra tentar nos distrair...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Forever alone

Esse meme, que surgiu como variante do FFFFUUUU e do fuck yea já me fez rir litros na interwebs. E como não tenho nada de relevante pra escrever por ora, inicio texto novo tendo como mote este nosso querido personagem do imaginário cybercoletivo e suas constantes explorações de sua falta de dignidade. Não chego aos pés dele, mas farei um paralelo com algumas situações por que passo (a partir da terceira, nenhuma delas diz respeito a mim). Vamos lá.


  • Cumprimentar conhecidos remotos na rua: você está comendo alguma coisa ou vendo os preços em uma vitrine, e chega a pessoa pra falar com você. Só que vocês nunca conversaram nem sequer se apresentaram formalmente. Ou seja, são daquelas pessoas que você conhece apenas indiretamente. Irmão da amiga da sua irmã, amigo da amiga, sobrinha da esposa do seu tio, estranho que um amigo seu apresentou numa festa cujo nome o álcool não te permite lembrar... gente assim. Aí a pessoa te cumprimenta achando que você tem obrigação de lembrar quem ela é. Esses dias chegou uma menina assim, dessas que "conheço indiretamente". Lembro que houve até uma ocasião, num aniversário, em que houve uma remota chance de a gente conversar brevemente, mas ela preferiu travar diálogo com outra pessoa na ocasião. Detalhe importante: era uma mesa longa, e ela estava sentada DO MEU LADO! E minha irmã, que estava na minha frente numa mesa, esse dia, ainda achou inadmissível minha conduta. Ah, dá licença! A pessoa te vê em eventos sociais com amigos em comum e, em vez de estabelecer mais um ramo em seu círculo social para ao menos afirmar algum tipo de empatia com -- que seja -- amenidades, se volta a panelinhas consagradas, e ainda quer algum tipo de atenção minha? Faça-me o favor...
  • Conhecidos indiretos que só vem falar com você pra saber como uma terceira pessoa está: ironicamente, a última amostra dessa situação aconteceu no mesmo local do item anterior. Como escrevi em junho desse ano, a pesoa puxa assunto com você só pra saber de uma outra pessoa. Além de entregar seu desinteresse em você, a pessoa mostra que você está sobrando na roda. [1] Ignoro sumariamente, sem dó. 
  • Entrar compulsivamente em redes sociais em busca de pequenas amostras de atenção: você sempre tem coisa melhor pra fazer. Sempre tem alguma coisa pra terminar em prazo apertado. Mas você é carente o bastante pra, em meio a esses afazeres, arrumar tempo pra conferir mensagens e fotos novas. Por exemplo, nesse momento ninguém no msn está online e não recebo mensagens novas há dias.
  • Criar perfis para animais de estimação: sintoma de que sua vida social é mínima. Mas pior que isso é gente que trata cachorro melhor que gente. Eu tenho uma amiga que já deixou de sair inúmeras vezes com os amigos porque um de seus cães estava doente. Tem histórias que ela conta, de quando alguns deles passam mal ou comem veneno, que parecem episódio do ER (Plantão médico) ou do E24. É gente que acha que cães são seres angelicais. Ou seja, confundem instinto com ideais de caráter humano. Cães e gente dá concessão quando compara com donos de gatos. Eles se acham acima do céu e da terra só porque tem um animal de estimação que os despreza o tempo todo. Parece que a estes encontram maior facilidade de interpretar personalidade. Mesmo caso: confundem instinto com ideal blasé de personalidade.
  • Considera redes sociais extensão de sua vida social: triste. A pessoa considera o simples fato de conversar com você via MSN ou te mandar recadinho como um evento social. Ela acha que isso é o bastante pra manter uma amizade. Pra quê te chamar pra sair no fim de semana se ela pode muito bem fazer isso sozinha, subir algumas fotos, conversar com quem foi e se inteirar sobre as novas da sociedade em casa? Vida social (ou melhor, IRL) é sooooo last decade...
  • Gente que não sai com os amigos porque não gostam de certos lugares que frequentam: ando percebendo que, depois que o período que compreende uma geração (por volta de 25 anos) se encerra, os padrões de vida social das pessoas ficam alto ou baixo demais. Fica virtualmente impossível encontrar um lugar em comum que todos de seu grupo de amigos queira ou acabe indo. Todos se acham importantes demais, achando que você deve adequar as coisas que deseja fazer no fim de semana ao que eles gostam. E eu achando que a adolescência passava para todos...
  • Os assuntos nas rodas são modismos nerds: você está saindo com aqueles amigos de longa data, e de repente falta assunto. Para evitar que o ego deles salte à frente e eles comecem a falar sem parar de si próprios ou se gabarem da última viagem deles, alguém pergunta se eles conhecem link tal ou vídeo tal. Ou seja, a partir de momentos assim, sua vida social depende do tamanho de sua lista de favoritos ou de quantos feeds e vídeos você acessa. Não condeno totalmente isso, mas deixo avisado: se não quer que pelo menos metade das conversas termine assim, evite publicitários, designers ou nerds.
  • Namoros: você não leu errado não. Eles são excelentes pra isolar amizades. E pra reduzir radicamente o leque de assuntos abordados nas rodas sociais. Quaisquer assuntos que resvalem em mínima amostra de machismo serão suficientes para DRs. Você nunca mais será você mesmo. Pelo menos quando com ela, então já viu. Mas o pior é quando ela deixar de pudores e começar a mandar abertamente em sua vida. Você deixará de ir a certos lugares, deixará de falar com certas pessoas e terá de fingir que certas manias dela não te fazem brochar. E não se engane: elas só acham que o relacionamento vai bem quando você ceder a algumas dessas imposições. Você não serve, e precisa "mudar" de acordo com o que elas querem. Como se você fosse um penduricalho de brechó qualquer, sabe? Que precisa de remendos, reparos? Pois é, elas são inseguras o bastante pra achar que precisam mandar em você pra ter a impressão de que você não tomará a lógica decisão de abandoná-las.
  • Puxar assunto por meio de críticas: essa independe de quanto tempo você conhece a pessoa. Se acaba de conhecê-la ou não. Infelizmente as pessoas têm dificuldade de perceber como reclamar é uma arte, e que críticas não são mera amostra de animosidade do espírito. Simplesmente tratam-se de uma opinião, de uma impressão a respeito de algo que você observou. Só isso. A exaltação apenas demonstra o peso disso em seu espírito. Mas não, os outros veem crítica como sinônimo de ranzinzice. Como se isso fosse ruim; os ranzinzas são as pessoas mais sinceras do mundo. Contudo, será em vão alertá-las disso; críticas são ótimas pra detonar primeiras impressões e o alerta definitivo pra algumas pessoas te evitarem, achando que você não está de bom humor. Outra coisa que as pessoas não percebem é que a melhor maneira de unir duas pessoas, que aparentemente não têm motivos pra travar um contato, uma conversa mais próxima, é achar algo em comum que detestam ou discordam. Vejam os filmes, crianças: vilões não se juntam por causa do trabalho em equipe...
  • Gente que você vê mais na rua do que convive: à primeira vista, lembra os conhecidos indiretos que citei no primeiro tópico. A diferença é que esta gente você conhece. Você fez curso ou faculdade com eles, trabalhou com eles, enfim, realizou alguma atividade com eles. Só que, além de o contato não ter sido aprofundado e vocês não terem nada em comum, você os vê na rua com uma frequência muito maior do que os momentos de interação social por meio do qual vocês originalmente se conheceram. Como quando você encontra um amigo na rua mas, quinze minutos depois, passa por ele sem querer, sabe? Fica sempre a dúvida: cumprimenta de novo ou não? Então. Cumprimentar gente assim acaba se tornando uma obrigação porque, com o tempo, fica cada vez mais difícil lembrar o nome da pessoa, ou como você a conheceu, ou ao menos fingir interesse com a presença dela. Você não tem nada contra essas pessoas. O que ocorre é que o contato social e a empatia foram insuficientes para se estabelecer um contato mais duradouro. Insuficiente para se configurar em uma pessoa conhecida, ou conhecido indireto, quiçá amizade.

Atualização: falando em solidão, tem o blog de uma cartunista dos Estados Unidos que recomendo bastante, como bonus track. Não por haver poucas meninas no ramo, mas por causa da forma sincera e não-rancorosa com que ela fala do tema. Porque, não se enganem, a maioria das mulheres tendem a glamurizar a solidão, inclusive as que desenham. Esta não cai neste erro, e a imersão da personagem neste aspecto é natural. É como um diário visual. Aquelas peculiaridades que a vida só nos traz são retratadas com propriedade, sem melodramas típicos de comédia romântica. Senhoras e senhores, apresento-vos Liz Prince.
Atualização 2: adicionei o último tópico menos de uma semana após publicação do texto. Tava entalado; bastou um momento caótico de inspiração (como todos são) pra deglutir aqui. Enjoy.