sábado, 30 de outubro de 2010

Chaves!!!

Esse texto é de um fã. Coloquemos isso logo de início, sem constrangimento. E sem rodeios: Chaves e Chapolin estão de volta! Dessa vez sem termos de depender dos horários esquizofrênicos de tio Senor, o canal pago Cartoon network compra os direitos de exibição do programa. A partir de novembro começam a exibir os episódios. Com Chapolin vindo junto. Como fã incondicional, devo dizer que estou super animado com essa novidade. O Sbt deixou de passar Chapolin há dez anos, sem a menor possibilidade de voltar a transmitir os episódios. Eles alegam motivos mercadológicos. Provavelmente seja isso; nossa nostalgia não passa de curvas em gráficos de audiência para eles. Enfim, isso não importa. O que importa é quantas memórias afetivas esse seriado me traz!...

O CN está ficando bom em vender poeira. Sete anos atrás, fizeram isso com os Cavaleiros do zodíaco. Não só trouxeram os episódios novos como trouxeram no pacote a saga Hades! Pegaram no ponto fraco de muita gente: nostalgia! Que é o meu também, como devem ter percebido. Isso pouco antes das mídias sociais e dos sites de vídeo. Jogada de mestre: mexer com nerd dá dinheiro.

Nossa, esse seriado tem um papel tão importante em minha infância que me lembro como, religiosamente, ligava a TV depois da escola pra assistir aos episódios (ligava não, ainda ligo). Sentava em cima de um baú de madeira antigo e assistia a tudo atentamente, por uma TV facilmente mais velha que eu, na época. Peguei umas três aberturas diferentes do seriado. Eu era tão vidrado nas históras que chegava até a usar referências do seriado nas aulas! Isso é perigoso quando se está sendo alfabetizado; a professora me sujeitou a chacota naquele dia. Bom ver que a pedagogia avançou bastante de uns anos pra cá: hoje em dia, se aluno fica bravinho com professor, eles resolvem no tapa ou jogam videozinho caliente na net. Dizia eu que a aritmética...

Bom, além disso, eu enchia o saco de meus pais pra comprar tudo quanto era bobagem franqueada, como as revistinhas, a marreta biônica e aqueles óculos que funcionavam como canudo.

Essa notícia de o seriado agora ser transmitido na TV paga ganha um peso de grande novidade não pelo tempo absurdo que o seriado perdura na TV e na memória das pessoas, mas por causa da negligência com que o Sbt transmite os episódios. Gravações de péssima qualidade, episódios porcamente tesourados e emendados, horários arbitrários demais, episódios banidos por problemas judiciais cômicos (um dos casos é daqueles onde a realidade vence a ficção: tem um episódio em que Quico engole um radinho de pilha. Uma criança burra inventou de fazer o mesmo, e desde então o judeu nunca mais passou o episódio)...

Com a inclusão digital e a ascensão das redes sociais, a nostalgia ao redor do seriado atingiu níveis de seita. Inúmeras comunidades de or*** e sites correlatos surgiram, as mais obscuras referências do seriado começaram a surgir, e episódios e cenas que jamais foram exibidas no país tomaram de assalto a internet em sincronia com o surgimento dos sites de compartilhamento de vídeo. O peso do seriado na cultura popular é tão grande que os mais inimagináveis crossovers foram e ainda são feitos pelas mesmas pessoas que assistiam o seriado há quinze, vinte anos atrás, agora chegando à vida adulta, mas cultivando uma segunda infância subindo dublagens adulteradas, edições bizarras e cenas favoritas.

O humor universal que o seriado ostenta é fascinante. Funciona com quaisquer classes sociais, e ainda por cima reveste a própria genialidade com despretensão, por meio de um personagem de ingenuidade irritante que, enquanto diverte a criançada com humor pastelão, inocula leves ironias e inteligentes jogos de palavras. Quem acha que o humor de Chespirito é menor deve dar atenção especial a Chapolin, brilhante crítica social feita por meio de um anti-herói que, sob uma análise mais cuidadosa, mostra toda sua grandeza cômica. Mesmo em Chaves e em seus exageros, temos sacadas geniais de conflitos de classes sociais, de elementos de identidade cultural entre os latinoamericanos e uma reprodução bastante sincera da índole das massas.

Quando eu falo que sou fã incondicional, não brinco. Já vi entrevista que o Quico deu pro finado programa Jô soares onze e meia, a que a Chiquinha deu para o programa vespertino da Sonia Abrão, e a manha que a turma do Pânico na Tv teve de entrevistar o Quico lá no México, mesmo! Sensacional. Até aqueles bonequinhos do Chaves que o Mcdonald's lançou no seu McLanche feliz no começo desse ano eu tenho! Uma pena pensar que a rede estadunidense de fast-food só fez isso porque seu contrato com a Disney havia acabado, mas azar! Eu tenho bonequinhos do Chaves e não te do-ou!!! Uma lástima foi a Chiquinha, já meio esclerosada, não topar ceder sua imagem para fabricação dos bonequinhos. Colocaram a insossa Paty no lugar dela! Sentiram o drama? Assim, uma das poucas omissões imperdoáveis minha como fanboy foi ainda não ter comprado o livro Chaves: foi sem querer querendo?, de um autor nacional, nem ter assistido a rapidíssima passagem de Quico pela Band, que comprara alguns episódios de seu programa solo, depois que ele e Roberto Gómez Bolaños tiveram suas "diferenças criativas".


E, bom, é isso. O texto ficou uma merda, com coerência reduzida. Quando a gente é fã, fica assim. Imagine se eu fosse fã do Restart. Só pra deixar meu registro. Iiiiisso isso isso...
(a quem interessar possa, mais um texto exumado de meus arquivos, quase legível


Atualização: seguem alguns links com mais nostalgia, a quem interessar possa. Criei inclusive uma tag só para o nosso querido seriado, como podem ver ao final do texto, logo acima dos comentários. Me aguardem; ano que vem vou publicar mais alguns textos de um projeto que não toquei pra frente, envolvendo o garoto do barril (e com sorte até dar continuidade a este). Sem enrolar mais, eis os links:

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Lei de Pinheiro

Lei de Godwin: quanto mais uma discussão durar, maior a possibilidade de alguém realizar uma comparação nazista contra seu desafeto. Possibilidade em progressão geométrica.
Lei de Murphy: se alguma coisa puder dar errado, dará. As coisas deixam de funcionar exatamente quando mais se precisa delas e vice-versa.
Lei de Pinheiro: durante uma conversa, no momento em que alguém demonstrar que não gosta de certa pessoa, uma terceira aparecerá para fazer suposições a respeito da sexualidade da pessoa criticada.


Cabe expor aqui o contexto que me fez, no auge de minha prepotência, criar esta pretensa lei. Hoje de manhã estava conversando com uma colega de trabalho. Nesse ínterim, uma professora passa (trabalho em uma faculdade), com uma cara que, à primeira vista, pode-se dizer fechada. Digo à primeira vista porque geralmente a vejo com esse semblante mas isso não sugere a mim que a pessoa esteja de bode; apenas sugere uma pessoa mais reservada. Eu pelo menos nunca tive problema com ela. Enfim. Essa colega comenta comigo que não gosta muito dela. Ressalta a cara ranzinza com que, segundo ela, a outra passou por nós. Menos de um minuto nessa conversa de corredor, aparece uma terceira pessoa, um supervisor. Quando essa colega de trabalho comenta suas observações, ele comenta que dizem que ela "gosta da mesma coisa que eu". Algo fora de contexto, gratuito, semelhante à lei de Godwin.

Mas o diferencial de minha lei é como ela testa, in loco, a velocidade do que a boca pequena diz das pessoas. Mais rápido que notícia na internet. E observem: nenhuma crítica tangível a respeito dela foi feita! Nenhum incidente que apoie as impressões dessa colega foi trazido à tona. Agora, se fosse uma pessoa hetero, decerto defeitos pululariam de todos! Não é impressionante como a orientação sexual alheia funciona como a um álibi pra nossa falta de argumento em falar da vida alheia? Ou como eufemismo para "frustrado(a)"? Não tiro a validade do argumento de se apontar evidências negativas de comportamento buscando-se argumentos pseudopsicológicos (muitas pessoas são mal-resolvidas mesmo, embora não caiba a nós avaliarmos isso). Mas tiro quando vira uma forma de criticar terceiros. Você pode me dizer que não é crítica, que apenas tratam-se de comentários que não passam de fofoca.

Se você pensa assim, fale abertamente com seus colegas de trabalho sobre suas amantes, campeão. Se abra com seu colega sobre aqueles sonhos esquisitos que você tem com ele. Fale abertamente a alguém que chegou um momento de sua vida em que você percebeu que seu casamento virou uma prisão, um teatrinho social, e que apenas alguém do mesmo sexo parece habilitado a te fazer sentir vivo novamente. É, deu pra perceber onde você esconde seus preconceitos. E como a vida dos outros não interessa. Se bem que essa última observação poucos alcançam. "Grandes mentes discutem ideias, mentes médias discutem eventos, e pequenas mentes discutem pessoas". Eleanor Rossevelt sabia das coisas...


Para fechar o post com meu pensamento, creio que a imagem abaixo fará mais justiça.


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Porque não vale a pena ser criativo com nomes

Alguns exemplos:
  • Nomes de mulher com júnior no final;
  • Nome de escola pública;
  • Nome de banda;
  • Nomes de pet shop;
  • Siglas de sindicatos:
  • Apelidos carinhosos entre casais;
  • Apelidos carinhosos ao genital masculino;
  • Nome de linhas de móveis;
  • Pokémons;
  • Toponímia de Star wars;
  • Histórias que inventam seus próprios idiomas.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A taça do mundo é noooooossaaaaa...

No Brasil, os jogadores de futebol são como artistas: adotam um "nome artístico": um apelido mongo qualquer que os seguirá por toda carreira futebolística. Já com os cartunistas, isso não ocorre, salvo exceções que confirmam a regra. Por outro lado, na Argentina, ocorre exatamente o oposto. Os cartunistas de lá, inclusive, figuram constantemente em bancas e livrarias, ao passo que os daqui se consideram com sorte se ganharem um espacinho reduto de centímetros no caderno de entretenimento d'O Globo. Os jogadores daqui, por sua vez, são objeto de uma deificação patética. São vistos como se o futebol fosse a única forma nobre de mobilidade social, por não ser trabalho e por envolver inteligência corporal. Ou seja, o brazileiro é convenientemente mantido num curralzinho cultural, longe de artistas que os façam pensar. Se acha que isso é discurso de DCE, fale pra mim o nome de pelo menos cinco artistas, de quaisquer segmentos, cuja técnica e/ou postura crítica ante o público seja reconhecida mais aqui do que lá fora, sem aparecer na rede Grobo nem ser citado pela Veja. E o mais importante, sem copiar ninguém nem assumir zonas de conforto em excesso em seu trabalho.

Sabe aquele pai turco que acha que o filho é obrigado a seguir carreira tocando os negócios da família? Sem liberdade de escolha nem nada? Vejo o futebol mais ou menos assim por aqui. Como se nosso passado com a bola fosse uma herança a ser preservada a todo custo. Como se fosse aceitável compensarmos nossa insegurança intelectual com nossa egotrip esportiva. Não estou dizendo que seja tão diferente assim com os hermanos; a diferença é que lá não há 190 milhões de técnicos pegando dirigentes esportivos pra cristo a cada eliminação em copa, enquanto os políticos, com essa distração em voga, aprovam tradicionais aumentos salariais e medidas impopulares. Pelo menos não tão descaradamente. Aliás, analisando como o futebol manipula as esperanças das massas aqui, é como se a função dele fosse semelhante à da política: chega um técnico novo, nos promete o céu e o máximo que obtemos disso é uma taça erguida a dois metros do solo. Com o diferencial de o futebol atuar como um tribunal de pequenas causas; o resultado de nossas expectativas vem mais rápido, e mais facilmente observável. Cabe metáfora. A seleção nacional são os escravos capturados; a torcida, os leões; as massas, a plateia desse Coliseu infame, e o César da vez... bom, esse tá ocupado demais arrumando sua coroa de louros e jogando aviõezinhos pro auditório, rarraáiiii.

Por sua vez, os hermanos compensam o período de vacas magras de seu futebol com seus expoentes culturais. E não apenas isso: independente do período porque o futebol deles passe, não usam o esporte como catarse. Muito pelo contrário: a postura bairrista deles é bem menor que a nossa nesse quesito. Dias após a eliminação deles, a mídia de lá ainda comentava sobe o assunto. Se por um lado tinha os nazistas da bola, querendo o couro de Maradona, por outro tínhamos gente disposta a analisar de forma crítica o que saiu errado. Fica difícil embasar tudo isso quando nos lembramos das declarações polêmicas do ex-técnico deles. A diferença é que eles colocam o esporte no seu devido lugar: como apenas uma competição, nada mais. Já a gente, não; o futebol é álibi pra tudo quanto é tipo de omissão. Inclusive temos a petulância de nos intitularmos "o país do futebol", como se o mundo inteiro nos devesse royalties (levando em conta quanta gente nós importamos pra time europeu, é algo a se pensar, mas você entendeu meu raciocínio agora). Mas todo esporte tem o Piquet que merece, fazer o quê…

domingo, 17 de outubro de 2010

O melhor de todos os mundos possíveis

Eu tenho um amigo que é uma espécie de versão masculina da Pollyanna. O mais irônico da história é que ele já teve seus dias de São Jorge e pegou uma Poliana diametralmente oposta à criada por Eleanor H. Porter em seu livro. Adendo maldoso aqui: Deus do céu, a guria parece uma trombadinha; tinha os olhos tão arregalados que sempre tinha a impressão de que pulariam pra fora do rosto a qualquer momento. Fim do adendo maldoso. Inclusive, uma vez encontrei esse livro na estante da sala de estar da casa dele. A vida é engraçada. E eu achando que só cinema podia nos fornecer referências e simbolismos tão específicos assim.

Para perceberem que não exagero: quando nas rodas, sempre que rolava alguma fofoca, ele era sempre o único que relativizava o veneno que a gente soltava. E ainda por cima conseguia encontrar as mais absordas, intangíveis e diplomáticas qualidades no objeto de crítica nosso. Tudo bem que o povo gaúcho é meio assim. Sem querer botar um povo inteiro numa caixa, claro. Essa mania de encaixar todas as coisas do mundo em sua visão particular é bem deles, mesmo. Quando em relacionamentos, esse meu amigo era sempre o mais apaixonado, portanto sempre o mais suscetível a ser usado pelas meninas. O último relacionamento dele foi algo trágico o bastante para afastá-lo de todos os amigos. O saldo disso foi um galho que ele levou. E mesmo assim ele acabou voltando para ela depois de um tempo. Esta menina em questão fez de tudo: causava ciúmes nele (ele estuda fora) contando dos caras que davam em cima dela, ofendia verbalmente as amigas mais próximas dele, invadia todas as contas de redes sociais dele e pintava e bordava. Uma verdadeira censora. Eu costumava chamá-la não de namorada, mas de cão de guarda.

Mas não se preocupem, não vou borrar a tela com historinha pessoal enfadonha. Serei mais pragmático. O título do post refere-se a uma frase usada como argumento central da Teodiceia, ensaio do filósofo alemão Gottfried Leibniz, cujo raciocínio de segue. Se Deus é onipresente, onibenevolente e onisciente, como explicamos o sofrimento e injustiça existentes no mundo? Para Leibniz, havia de se levar em conta uma preocupação central: a de se reconciliar a liberdade humana (de fato, a própria liberdade de Deus) com o determinismo inerente à sua própria teoria do universo. A solução proposta por Leibniz confere a Deus a função de otimizador da coleção de todas as possibilidades originais. Já que ele é bom e onipotente, e já que Ele escolheu este mundo de todas as possibilidades existentes, este mundo deve ser bom. Assim, este mundo é o melhor de todos os mundos possíveis. Seguindo esse raciocínio, precisamos do mal para trabalharmos os melhores aspectos da humanidade. Deus, apesar de onipotente, não poderia melhorar o mundo de um jeito sem piorá-lo do outro. Ou seja, errar não é apenas humano. É divino também, vejam só que epifania fantástica a minha.

Poderia isso servir como um bom argumento para tentar compreender o vão e mesquinho problema que temos em relação a esse amigo meu? Pessoas que confundem falta de amor-próprio com amor romântico são inconscientemente imbuídos por isso? Eu compenso falhas graves de meu parceiro tentando ser o melhor amante possível? Não soa como a certa autodestruição, isso? Se bem que dizem que a gente destrói tudo o que ama. Deve ser por isso que odeio coisas/pessoas/situações novas; fico com medo de estragar ou me cansar fácil. Vejam só, o amor parece ser dos poucos momentos em que a humanidade não é movida pela força-motriz da curiosidade. Pelo menos no que tange sua duração. Em todo caso, creio que chegou o momento oportuno para deliberarmos a respeito da...

Schadenfreude!

Ah, essas palavras legais que os alemães criam... seria ela a razão por que o destino nos inquieta tanto? Felicidade alheia nos incomoda quando nos sentimos carentes e tristes, e ainda por cima nos estagna. E a Schadenfreude? Dá na mesma. Mas talvez nesta última nossa inveja atinja níveis altamente deterministas. O mundo não parece justo ou acolhedor para meu lado e quero extravasar minha frustração em pessoas que são objetos dessa distribuição de alegria desigual. Além do fator autoestima, poderíamos determinar a Schadenfreud como um mecanismo de manutenção do mal pela humanidade? Quando desejamos a pior pena possível para um criminoso, não seria isso um recurso natural de nosso intelecto para não banalizarmos atos criminosos que atentam contra o convívio social? Essa mesma perseguição à banalização não se pode observar quando em situações menores? Ou você acha que arquirrivais não se comprazem mutuamente com a Schadenfreude? Chega a ser algo tão importante que esta acaba de transformando em motivação nos casos mais ferrenhos de rivalidade.

Engraçado quando tentam nos empurrar culpa cristã. Quando questionam nossos valores porque nos desviamos de padrões morais. Essa culpa é gerada pela mesma religião cujos fieis tem a Schadenfreude legitimada em textos sagrados. Benditas sejam as religiões que não vigiam nem punem, mas antes guiam e trabalham a harmonia do ser com o universo! E vejam só: dum ponto de vista mais sagaz, nossas leis não seriam uma forma institucionalizada de... Schadenfreude? Então. Essa disciplina social que as leis nos trazem não servem para manutenção do bem, servem para que as mesquinhezas de nosso caráter não se voltem contra nós mesmos nem contra outrem. Não importa a instituição; até crime tem que ser organizado para que um dia se institucionalize. Se o bem não é instituição, é no mínimo uma ideologia.

Já que não temos como institucionalizar o amor, como ficamos com a questão do meu amigo sem dignidade? Pelo jeito, creio que cada um tem sua forma de expor sua sinceridade no amor. Alguns pisando, outros acariciando. Falo de sinceridade porque sem ela não temos amor. Podemos até tê-lo com interesses, mas não sem sinceridade. Nem que esta seja apenas para consigo próprio. Amor não pede princípios nobres; isso é idealização, além de arroubo adolescente. Você apenas não quer morrer sozinho. Quer medir as pessoas, botá-las em caixas. Quando elas não cabem, eis a Schadenfreude! O ser humano é vaidoso, e por bem ou por mal ele precisa se orgulhar de como ele é lembrado pelo próximo. Ele não quer ter a certeza de que é a ocasião é que faz o ladrão. Ele quer ser essencial, e às vezes acha que conseguirá isso por meio do demérito a outrem. O amor é uma questão de timing (frase do fime 2046, de Wong kar wai).

E termino este texto com um célebre poema de Fernando Pessoa, sob o heterônimo de Álvaro de Campos. Beijo nos seus empedernidos corações.


Toda emoção verdadeira é mentira na inteligência, pois se não dá nela.
Toda a emoção tem portanto uma expressão falsa.
Exprimir-se é dizer o que não se sente.
Os cavalos da cavalaria é que formam a cavalaria.
Sem as montadas, os cavaleiros seriam peões.
O lugar é que faz a localidade. Estar é ser.
Fingir é conhecer-se.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Críticas genéricas a filmes

Quando você descobrir que não consegue gostar daquele filme em cima da qual os críticos ou os amigos babam aquele ovo, não passe vergonha: use uma de nossas pílulas pra sua opinião adversa não passar batida nem parecer solitária ou fruto de um gosto pessoal limitado.

  • Esse ator faz exatamente o mesmo papel há anos!
  • Quando é que a história começa nesse filme?
  • Mais uma história superestimada. Essa meia dúzia de cenas longas e silenciosas de paisagem não transmitem introspecção alguma! Se eu quisesse ver tanta paisagem assim assistia um documentário do Animal planet, porra!
  • O que esse cara tinha na cabeça? Provavelmente algo como, "Vou canalizar toda minha segunda adolescência nesse meu último filme, colocando todas as musiquinhas de brit rock que eu ouvia na época e fazer o elenco inteiro se vestir com roupas de brechó".
  • Não gostei da fotografia, pretensiosa demais.
  • Hahahaha, quem escreveu esses diálogos? Algum roteirista do Zorra total?
  • Olhem só esse ângulo arrogante da câmera. Se acha o novo Kubrick, só pode.
  • Minino, quanta cena de nudez. O elenco da Brasileirinhas coraria...
  • Filme nacional, fazer o quê.
  • O diretor não consegue esconder sua simpatia pelos personagens retratados.
  • Ficou com medo de polemizar (numa frase, acabo de contar toda a história do cinema nacional)
  • Que finalzinho cheio de soluções fáceis e concessões!!
  • Se eu quisesse ver tanta gente assim pintada de azul, baixava episódios dos Smurfs pelo torrent.
  • Quanta verborragia, minha cabeça até começou a doer. É filme de italiano ou judeu?
  • Esse é daquele tipo de filme em que, em vez de o elenco fazer laboratório para os personagens que incorporarão, o diretor faz isso com a audiência.
  • É só um filme de terror (eufemismo para extravagante, inverossímil e sensacionalista)!
  • Meryl Streep (é possível com vária atrizes)? Faça-me o favor. Há quantos anos ela não consegue expressar emoções! Não deve nem ser culpa do botox, deve ser o embalsamador que ela usa...
  • O livro é melhor.
  • Trilha sonora legal... pra quê fizeram um clip tão grande? Ah, é um filme? Me avisem com antecedência na próxima...
  • Tinha que ser bobagem de Hollywood pra enfiarem romancezinho onde não tem. É uma história real, porra! Pouco interessa quem dá pro protagonista; preocupem-se apenas em contar bem a história, raios!
  • Filme de balzaca.
  • É tão ruim que é kitsch...
  • Esse filme vai ser mais útil pra onanista procurando peitinho de fora do que pra figurar em centros culturais...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Mínimas diferenças (III)

Paris Hilton não é Perez Hilton. E, com toda a sinceridade do mundo, prefiro não saber o porquê.

Lingerie day não é casual day nem propaganda da Duloren: mas decerto pode ter sido marketing viral da última. Em todo caso, uma desculpa bem-vinda pra ver tanta mulher nerd por aí com pouco tecido.

Robbie Williams não é Robin Williams: um acha que canta; o outro acha que faz humor. Alguém disse isso a ambos e eles acreditaram.

Cheryl Cole não é Sheryl Crow nem Cherry Coke: uma delas é cantora country; a outra posso morrer sem saber o que toca (se é que toca), e a última é uma Coca-cola metida a besta que lançaram nos anos 90, na minha adolescência. Ficou menos de seis meses no mercado, mas é a bobagem pop, das três mencionadas, da qual mais vividamente me lembro.

PEC não é PEC: a primeira, Proposta de emenda constitucional, nada tem a ver com a segunda, a Pre-existing condition. A primeira mata com força de lei; a segunda, com força do dinheiro. A primeira mata aos poucos; a segunda, às vezes mais rápido: é o eufemismo das seguradoras americanas pra dizerem que preferem te ver morrendo a pagar exames simples para tratamentos de saúde. Lembre-se disso ao tentar embromar o plano de saúde com cirurgias estéticas...

JK não é JK: ambos foram presidentes, um americano, outro brasileiro. Um era a bitch do outro. Nossa malha ferroviária e dívida externa que o digam. Irônico o nosso ter morrido num "acidente" de carro e o outro, bem, ter morrido dentro de um carro também. Creio que essa combinação de fatos históricos diz algo sobre ambos os países...

David Cardoso não é David Caruso: o primeiro se acha um presente de Deus pras mulheres, uma espécie de Pereio sóbrio; o segundo se acha um Chuck Norris senil com lentes escuras bifocais. Um soube quando se aposentar, já o outro... parece agente funerário brincando de detetive em Miami.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Pequenos negócios, grandes solidões

Sites de namoro cobram por seus serviços. O problema nisso é que eles querem te cobrar antes de você sequer conseguir usar o serviço. Quer mandar uma mensagem? Eles cobram antes. Quer ler um e-mail? Idem. Quer colocar mais fotos em seu álbum ou ter mais visualizações nas pesquisas? Mesma coisa. Não vou falar aqui dessa exploração perversa da solidão alheia, usada como mais um segmento de mercado. Seria redundante. Mas decerto eu teria mais visão, se eu fosse dono de uma empreitada virtual dessas.

Se você usa um programa de mensagens instantâneas, tipo os MSN da vida, as softhouses não vão te cobrar antes de você usar o serviço, certo? Então não há porque o raciocínio não funcionar aqui. Alguma loja virtual te cobra por um produto antes de mostrá-lo? Algum site de relacionamento te cobra pra você poder adicionar um amigo que te encontrou numa pesquisa? Alguém já tentou te cobrar pra criar uma conta de e-mail? Nos tempos de internet discada, recordo que isso acontecia. E o que se sucedeu? Simples, o serviço só se popularizou horrores quando se tornou gratuito.

Não é à toa que sites de relacionamento só sobrevivem porque se aliam a grandes portais, que crêem produzir conteúdo relevante, como os Uols e Terras da vida. Esse modelo de negócio é falido e oportunista, e avilta o saudável hábito de se conhecer pessoas novas pela internet. Defensores desses sites podem argumentar que se paga por controle de qualidade, já que usuários fake e trollers são devidamente monitorados. Isso não é verdade. Pessoas enganadas por conquistadores baratos em busca de pensão e dinheiro fácil não faltam, e independem desse tipo de controle. A internet atual prova que é perfeitamente possível realizar controle de qualidade de conteúdo transferindo-se essa tarefa aos próprios usuários. Sites de vídeo e blogs permitem que usuários categorizem seus vídeos com tags. Sites de relacionamento permitem que você sinalize (flag), caso considere um usuário suspeito. E por aí vai. Então, controle de qualidade aqui é falácia.

Se eu fosse dono de um site desses, seria mais honesto. Não cobraria pelo serviço em si. Mas cobraria por serviços extras, opcionais. Mais visualizações em pesquisas, dados pessoais como idade/formação/gostos pessoais, inserções de sua imagem em banners no site (se é que isso não é feito), exibição de fotos, acesso a comunidades/fóruns para se conversar sobre determinados temas… redes sociais apostam em comunidades e a mobilidade social de seus usuários não só é positiva como aponta tendências, conteúdo de pesquisa mercadológica -- interessante a várias empresas -- que pode perfeitamente servir como fonte de renda para o site. Percebam: apostar na busca das pessoas por exclusividade não tem porque não dar certo.

Nos tempos áureos de Fotolog, por exemplo, eles se davam ao trabalho de cobrar pra você ter uma conta gold, que te permitia adicionar mais de uma foto por dia. O que de certo modo bate com o que sugeri no parágrafo anterior. O problema é que o site em si nunca se preocupava em melhorar o serviço aos visitantes: a resolução das imagens era baixa, a interface era limitada e até mesmo a quantidade de comentários a se receber era limitada a 10. Pararam no tempo. Aí vieram vários genéricos, pra suprir as melhorias que o Fotolog negava aos usuários, e por fim veio o Flickr pra enterrar a popularidade desse serviço. Erro semelhante cometem o Formspring e o Chatroulette: de tendência cairá rápido pro ostracismo, se já não o ocorreu. A diferença é que o Fotolog não permitia integração alguma com outros sites. O que foi fatal para ele, já que em seu auge, antes da ascensão das redes sociais, o Fotolog funcionava como uma espécie de coluna social de jovens. Não souberam enxergar isso, não mantinham um diálogo com o usuário, e terminaram em seu atual isolamento virtual.

Para escrever esse texto, entrei por curiosidade no Fotolog pra ver se algo mudou. É incrível; não mudaram uma vírgula. A mesma interface de uns sete, oito anos atrás, praticamente intocada. Isso é preciosismo virtual, simplesmente um suicídio em termos de internet. Sites de relacionamento, em linhas gerais, tem mais sorte que o Fotolog porque eles estão lidando com pessoas carentes, senão teriam o mesmo merecido destino do Fotolog. Essa falta de visão dos sites de namoro me entristece. Não porque poda o livre-arbítrio do usuário de pagar apenas se quiser pelo serviço. Mas porque atenta contra a proposta original da internet, que é compartilhar, e não ilhar, a informação. É nessas horas que faz-se urgente uma legislação adequada para isso. Imagine você numa loja de eletrodomésticos querendo comprar uma geladeira. Ou num cabeleireiro, querendo cortar o cabelo. Já imaginou se te cobrassem antes pelo serviço? Percebem como esse tipo de negócio deixa o consumidor numa posição frágil? Se escrever uma legislação própria dá tanto trabalho assim, que pelo menos adaptem o código de defesa do consumidor pra isso, oras.

Admito que há alguns negócios que dependem da sorte. Por exemplo, se tenho problemas de infertilidade e quero tentar ter um filho, o tratamento para isso é um serviço que me é vendido sem garantia absoluta de sucesso. Isso não se aplica a sites de namoro: eles não dependem de ciência pra funcionar, e quem faz todo o trabalho é o próprio usuário. Porra, vou pagar a terceiros pra realizar uma tarefa em meu benefício por tempo limitado? Por outro lado, se compro um terreno sem nada, é problema meu construir alguma coisa. A diferença é que, nesse processo, tenho garantias legais. Não se tem garantia alguma com sites de relacionamento. Pode-se terminar o processo magoado, ludibriado por golpistas. Então, tenham certeza: não é problema nosso o fato de sites de relacionamento não saberem lucrar com seus serviços.

Querem nos vender o direito a uma comunicação, por natureza cheia de ruídos, que a internet proporciona. Ou seja, vender iglu pra esquimó. Eles precisam nos oferecer mais. Mas sabem que seus usuários não querem exposição, então é por isso que as coisas ficam como estão. Se você, meu caro, já perdeu tempo, em algum momento de sua vida com esse tipo de site, aposte em seu amor-próprio e busque no mundo real a pessoa que procura. As "histórias de sucesso" que esses sites contam de casais apaixonados são como os antes e depois em propagandas de aparelhos pra emagrecer. Tomara que a Polishop não me leia; daqui a pouco esses putos acabam tendo a idéia de criar um site desse tipo. Vender produtos dessa forma eles já vendem...

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Impressões pessoais dos anos 90

Apesar de eu ter sido bem novo na época, tem coisas nos anos 90 que são impossíveis de a gente não sentir saudade. Era um tempo em que músicas de duplo sentido ainda não eram tão descaradamente combinadas com mulheres seminuas dançando na boquinha de garrafas. Sem falar que a música tinha mais espaço no mainstream: havia mais preocupação em se criar baladinhas românticas do que inserir duplos sentidos e bobagens enlatadas de gravadora. Estas ainda davam chance ao artista de ganhar seu público. As pessoas ainda compravam CDs, mídia nova que exterminou o LP de vez. Isso não é bem um trunfo; desde aquela época os preços eram impraticáveis. Foi mais um marco. Quem poderia imaginar que um dia essa tecnologia resultaria no mais moderno suporte pra copo de todos os tempos? Quem poderia imaginar que o campo de atuação da tecnologia a serviço da cultura, de repente se deslocava do espaço físico para a informação etérea?

A empatia, necessária e obtida em reuniões sociais presenciais, minguava. A cultura do medo se instalava a pés firmes, embalada por décadas de negligência do poder público. Um simples passeio fora de um carro, seja qual for o lugar, inspira um temor inconsciente na coletividade. Eram tempos em que a vida noturna era menos perigosa e mais divertida. Não por menos opções e mais criatividade apenas, mas pela ausência de celulares. Nenhum maldito aparelho pra te desconcentrar em reuniões e eventos sociais. Ligar pra avisar onde está? Pra avisar que chegou? Pra encher saco de amigo depois de tomar todas na balada? Não senhor. Nada dessa paranoia, dessa mendicância por atenção. Ainda existia espaço pessoal. E um aparelho a menos pra se levar trabalho pra casa. Na época a tecnologia só nos lobotomizava em casa; da década seguinte pra frente essa fronteira foi transposta. Criou-se uma nova senzala, cheia de botões e bancos de dados. A realidade hoje virou apenas mais um assunto pra twitar, ou seja, só mais um elemento pra se converter em expressão virtual. Deu uma vontade de largar tudo e viver numa comunidade Amish agora... passou.

As séries de TV eram mais leves. O American way começava a ser desconstruído. Não tinha toda essa pegação inconsequente de hoje em dia nem tanta violência. Estavam a caminho disso, porém. As séries não tinham o mesmo teor inquisitivo e investigativo das atuais, mas tudo a seu tempo: ainda havia ingenuidade o bastante na época para a banalização do crime não dominar a mídia. O máximo que tinham era... arquivo X. Ou seja, na época ficção científica ainda interessava às pessoas. A sensação de que o futuro estava distante ainda existia. Hoje não; vivemos como se o futuro não existisse. O futuro é agora, e a tecnologia corre em nossa direção. A passos largos. Deve ser por isso que os esquetes da TV atualmente se voltam mais para a observação, altamente aprimorada pela tecnologia em câmeras e outros equipamentos de radiodifusão, do que pela programação propriamente dita. Não se conta mais a piada de português hoje em dia; prefere-se filmá-la e sugeri-la com excertos da realidade fora de contexto.

A internet ainda era um clube restrito. Como um continente a ser descoberto, esperando o começo das Grandes Navegações. Navegar por ela era como falar de algo mitológico. Um refúgio, um asilo político numa terra com leis frouxas. A tecnologia aqui perdera o status político que perdurou durante a Guerra Fria. Isso desacelerou algumas ambições do espírito humano, como a chegada a Marte, por exemplo. Mas vitaminou a disseminação das tecnologias no cotidiano das pessoas. A internet em si é expoente máximo disso: uma mídia restrita a órgãos governamentais de repente cai no mainstream. O Zeitgeist do século, que precisou se recompor depois de duas grandes guerras que bagunçaram a ordem geopolítica, via seus esforços de cerca de cinquenta anos perder fôlego. O poder da tradição ficava mais frágil, em todos os aspectos. O surgimento de uma nova mídia como essa funciona como a mais perfeita metáfora desse novo momento da humanidade. Testemunhado justamente na última década do século.

A ingenuidade dos anos 80, travestida de cortes de cabelo medonhos, morria. Experimentar e desconstruir ainda são palavras (melhor, verbos) de ordem na cultura ocidental, a diferença é que grupos e elementos socias marginais começavam a ganhar espaço nas manifestações culturais. A inadequação da humanidade ante tantas mudanças sociais fazia as pessoas caminhar pelas bordas. Uma década mais reflexiva, onde nossas músicas e filmes mostram que a velocidade não nos leva mais rápido aos lugares e momentos importantes da vida. Depois de tantas décadas servindo de laboratório pra golpes e desmandos políticos, a sensação é a de precisarmos reaprender várias coisas. Não escrevemos mais manifestos; lemos com ceticismo o que já foi escrito e nos negamos a ceder ao consagrado. Tentamos nos encontrar em nossos paradoxos e esquecemos de verdades simples. Do exagero de uma década passamos à ressaca moral em outra. A lei do consumo mostra seu lado mais constrangedor...

Hoje em dia as pessoas acham que sabem rir de si mesmas. Inclusive acham que essa legião de humoristas anódinos do standup fazem isso bem. Bobagem. Até os anos 90 a gente sabia. Só não tínhamos importado fórmulas estrangeiras ainda. Na época, o humor questionava com mais sutileza. E expunha os preconceitos da sociedade, como sempre. Ainda havia saudosismo nessa área. O humor não era meramente catártico como hoje em dia. Mas era composto de panelinhas bem restritas. E tenhamos autocrítica: o humor brasileiro é limitado, primário; se foca mais em estereótipos e exageros de regionalismos do que críticas a elementos universais do ser humano. Uma coisa que não mudou até hoje nesse meio tempo é nossos políticos ainda não terem visão suficiente pra usar o humor a seu favor. Veem humor como chacota, como questionamento, como ameaça. Quando na verdade ela é a forma mais conveniente de se contar coisas impossíveis de se contar em contextos normais. Nosso humor tenta ter opinião, mas é simplesmente analfabeto funcional. Basta passear pelos TTs do twitter pra reparar rapidamente nisso.