quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Bloco de notas (XV)

As notas dadaístas dessa vez estão mais medíocres que de costume; exumei algumas perdidas dos arquivos só porque eu não tinha mais o que fazer. Torturem-se divirtam-se.

Bizarrice no E! True hollywood story (essa é de novembro de 2002, de meu deletado blog): sabia que o barzinho do barco particular de Aristoteles Onassis, um dos maridos de Jackeline Onassis, é todo revestido de prepúcio de baleia? A cônjuge até tentou convencê-lo a mudar a decoração, mas não adiantou!!! É como, ao se sentar no banquinho do bar, se sentasse na genitália do colossal mamífero!

Quando era criança, ainda me adaptando à frieza do mundo aqui fora, um de meus maiores desejos era a "extinção do dinheiro". Com razão, o associava à razão de toda desigualdade social, de toda imposição moral entre os homens... enfim, as bobagens que vagavam em nossas inocentes mentes de outrora...

Hoje à tarde, na TV anunciam a matéria dum programa qualquer: "Gugu abre o cofre do Clodovil"
E eu achando que o primeiro era passivo... essa conversa fiada de pintinho amarelinho, que "cabe aqui na minha mão"...

Eu ando feito um desenho animado! Já me disseram isso várias vezes, na infância. Talvez seja meu jeito furtivo e hesitante de caminhar por aí. Sei que n início a razão disso era o fato de eu não mover os braços quando percorri curtas distâncias. Mas da última vez acho que foi mais por andar me esgueirando por espaços pequenos graças à minha cintura de taquara, quase planando por entre a mobília dos lugares por onde passo. Ou também por arrastar sola, quase como se estivesse patinando.

Eu percebo involução na humanidade quando as pessoas começam a levar a sério demais criações pop. Pessoas que criam kama-sutra temático de Star wars, religião Jedi, ou insistem em fazer analogia das mais recentes descobertas tecnológicas com as inventadas no filme... cara, a durabilidade de elementos da cultura nerd me constrange. Esse filmeco medíocre de diálogos pobres, disfarçado de faroeste futurista, esse angu de épico com videogame não desce! Se já desceu em algum momento da história da humanidade, é hora de superar isso. Em síntese: incorporar elementos de uma criação fictícia à realidade é coisa de quem ainda não saiu da adoescência. Nessa nossa sociedade, então, onde as pessoas nunca saem da segunda adolescência...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Dois em um

Dois textos sobre o mesmo tema. Escritos em ocasiões diferentes, mas entregues ao mesmo tempo pra disfarçar a irrelevância de cada um. Quem disse que eu nunca faço promoções por aqui? Leve dois e pague um. Pague um minuto de leitura que nunca mais volta... =p


ABNTédio


As regras da ABNT são de uma desonestidade estética tremenda. Pouca gente tem algo inédito, ou ao menos relevante, a dizer, então pra quê mascarar isso com fontes tamanho 14 e espaçamentos 1,5 que só servem pra subtrair árvores? Que complexo de inferioridade cretino é esse de nossa cultura acadêmica! Para mim, acadêmico, uma formatação mais permissiva deveria vigorar, ao passo que eu, docente e pesquisador, deveria doravante adotar uma formatação mais austera, essa sim com utilidade real de se normatizar produção científica produzida por quem saiu da ilha da fantasia das salas de aula e tem uma perspectiva melhor do que pode produzir no meio acadêmico. Ou seja, a ABNT deveria funcionar como a uma espécie de rascunho ao estudante e como a uma revisão para o docente. Nivelar ambos dessa forma é sacanagem! É como colocar um garoto de escolinha de futebol jogando com um jogador profissional. Não precisamos disso; perdemos muitas mentes valiosas, que poderiam estar contribuindo para a pesquisa, porque queremos que eles escrevam como grandes teóricos ainda no banco da faculdade. Assim, tecnicamente falando, as normas da ABNT se comparam aos mais altos padrões internacionais; tudo que sugiro é que direcionemos melhor esse rigor e preciosismo técnicos, só isso. A vida é muito curta pra se gastar com essa formatação tediosa, pensava eu enquanto terminava meus projetos. Antes pensava, agora tenho certeza. Mas essa é só minha opinião; valorizo os profissionais que participam da produção acadêmica nacional. Só discordo dessa pompa gratuita a que as normas da ABNT nos submete, sufocando nosso ímpeto criativo de explorar conhecimento em nome dum formalismo que espanta os despreparados.


Paciência stricto sensu

Pós graduações são mais deprimentes do que as graduações? Descobrirei isso nos próximos meses. Faz diferença ser enganado de segunda a sexta ou apenas nos finais de semana? Se das pós graduações pra frente nosso sistema educacional já se dá ao luxo de trabalhar com certa flexibilidade das aulas presenciais, porque não transformar esta merda toda em não presencial? Em vez de facilitadores (esses eufemismos que os teóricos da Administração criam do nada, adooooro), teríamos orientadores. Ficamos anos esperando, durante a Faculdade, pra termos orientadores que nos darão o passe pra formatura; pra que esperar mais em pós? O canudo já tá com a gente; pra quê esquentar assento de faculdade de novo? Se bem que faculdade sem centro acadêmico enchendo teus cornos já é lucro.

domingo, 15 de agosto de 2010

A realidade sempre vence a ficção

Em propagandas de bebida alcoólica, qualquer lugar é lugar pra festa: elevador, repartição, bingo, posto de gasolina abandonado, piscina vazia, terraço de prédio, gramado com orvalho... assim, na cabeça dos publicitários da Smirnoff e da Skol (de onde tirei os exemplos), qualquer programa de índio beirando do flash mob vira um lugar em potencial pra festa, pruma rave urbana. E assim, em mais um daqueles exemplos de que a realidade sempre vence a ficção, já ouvi falar de uns trouxas nos grandes centros com uma modinha de levar os amigos para um quarto de motel e fazer uma festinha (sem duplo sentido, infelizmente) lá mesmo. Bando de morde-fronhas; quarto de hotel com mais de três pessoas só serve pruma ciosa: orgia. Algo diferente disso soa como a criança querendo entrar em balada depois de matinê.

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Em mais de uma ocasião, me lembro de ter visto em programas de TV (às vezes desenhos, às vezes programas com gente de verdade, mesmo), algum personagem maquiavélico tentando convencer um outro personagem, ao acabar de engolir sem querer algumas sementes enquanto come melancia, que a semente vai crescer até virar uma frondosa árvore (no caso do exempo que dei, um frondoso pé de melancia). Lendo meus feeds, encontro esta singela nota da Rússia, naqueles momentos em que a realidade, aliada à internet, silenciosamente nos mostra sua infinita criatividade e e refresca nossa memória em relação à sua infinita vanguarda. Segue a nota (sem a imagem; clique no link e ponha seu estômago à prova):

kayfabe: diamonds-n-rubies:tipxs: A Russian man who was...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pitaco sobre Inception

Por ocasião dessa crítica aqui.

De fato, saí do cinema com a ilusão de ter visto filmes mais desafiadores, no tocante à linguagem onírica. Mas não creio que isso desvaloriza o esforço cinematográfico de Nolan. O filme deixar de propor debates filosóficos, a meu ver, apenas o torna mais acessível. Matrix tentou propor esse debate e não se saiu nada bem; a trilogia perdeu o fôlego logo no segundo filme por causa disso. Ou seja: cinema não precisa ser mesa-redonda intelectual o tempo todo; contar bem uma história é o bastante. Peguemos Brilho eterno de uma mente sem lembranças, por exemplo: o filme explora bem a linguagem onírica, mas não considero os personagens cativantes nem observo cenas tão antológicas assim. Mas é nessas horas que devemos observar o filme como um todo. No caso de Inception, o filme pende um pouco pro lado da ficção científica quando Dom Cobb revela ter implantado uma ideia na mente da esposa, então temos um álibi aceitável pro que Janot define como "sentimentalismo". Para mim, o histórico emocioal do Cobb só parece sentimentalismo no mundo consciente, racional; como o diretor nos insere num outro plano mental, o do inconsciente, isto assume dimensão diferente. Em todo caso, um filme com uma premissa dessas só chegaria assim aos cinemas. Como todo diretor, Nolan precisou fazer escolhas. E não creio que ele tenha errado; no máximo se colocou no seu devido lugar: nas bilheterias de Hollywood.

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Update: no post de 19 de julho, comentei sobre uma ida minha à livraria. Comentei inclusive que se as livrarias me incentivassem a comprar e-readers, passaria a voltar a me interessar em consumir livros. Pois bem, meus caros. Vejam só o link que recebi hoje (dia 13) pelo e-mail. Tô ficando bom em prever tendências, veja só. Papel é soooo last week...

A beleza conversando com a relevância

A primeira vez que se ouve uma música linda é daquelas pequenas coisas que me fazem lembrar porque vale a pena deixar o niilismo de lado às vezes. O lirismo acaricia nossa bagagem cultural e nos leva a patamares que nos trás um orgulho agradável. O de ter acesso à beleza e, mis importante que isso, descobri-la por conta própria. Se isso não é importante, não sei mais o que é. Só não comparo isso ao clássico exemplo da primeira vez carnal porque, ante uma descoberta e fruição pessoal dessa, você não precisa se por ao lado de alguém tão limitado a carente como você, só pra te fazer relembrar da frivolidade de sua existência. E é isso. A vantagem de ser mero espectador do belo é não ser artista, ou seja, zumbi de sua própria arte.

domingo, 8 de agosto de 2010

Sedução FAIL


Meu estômago revirou. Ela posando de safada é pior do que bancando a santinha do pau oco. E essa língua, Zesus? Parece uma sanguessuga. Audrey se revirou no túmulo essa semana...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Empatia

Menino, não postava um vídeo aqui faz uma cara. Esse aqui, entretanto, justifica a quebra desse jejum. É um vídeo da Cognitive media com uma palestra sobre empatia. De teor antropológico, é um necessário passeio pela história da humanidade que aborda o tremor por que todas as instituições que seguimos por séculos esão passando com as descobertas científicas dos últimos 20 anos. Prepare o ouvido; o vídeo tá sem legenda e o maluco fala mais que locutor de rádio, mas vale cada minuto. Peace out.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sem manual de instruções

(desenho de Jean)
(texto com limitações. Preparem-se pra ler lugares-comuns e raciocínios que não saem do lugar. Nesse momento, a mediocridade só não me incomoda porque certos assuntos são instigantes exatamente por isso, por serem imóveis em seu cerne.)


Quando penso nos mais constangedores absurdos que homens são capazes de fazer por mulheres, penso comigo mesmo como é triste ser assim tão escravo de seus próprios hormônios. O volume de pornografia que homens consomem, as inúmeras concessões feitas para se adequar aos caprichos ególatras da fêmea cobiçada e fazê-la abrir as pernas pra você, a constante perseguição à dignidade e amor-próprio que a literatura e o cinema promovem com histórias de amor intangíveis, o oceano de sugestões sexuais que nos cerca... some a tudo isso uma nova geração de mulheres educadas para serem mais poderosas que deveriam. Que te tratam como um pária até sem querer. Que trabalham, tem filhos e assumem posições influentes sem ajuda de homens. Preocupante.

Antes que eu caia numa retórica circular e comece a discorrer inconsequentemente, levado por um acesso adolescente de rancor, argumentemos: meninas, imaginem-se como um homem por um dia que seja. Você não poderá falar de seus sentimentos (não sem ser ridicularizado ou ter o que disse relativizado), terá de criar asserção necessária para conquistar uma mulher (sempre sujeito a reações instáveis e buscas de arquétipos ridículos que vão te prejudicar indiretamente), não poderá se beneficiar de regra alguma de cavalheirismo (quase todas as iniciativas de etiqueta social terão de partir de você), terá de ouvir muito mais do que falar (porque mulheres só ouvem a si mesmas, no final das contas), terá de constatar que há várias limitações à vaidade masculina (algumas anatômicas, outras sociais, mais outras de moda, mesmo) e terá de se acostumar ao mundo te reduzindo a um depósito de testosterna sem sentimento e romantismo (muitas chegam a ser frias, já que eeeeeeles não tem sentimento mesmo, transformando relacionamentos numa série de joguinhos cujas regras elas reinventam a todo tempo), obrigado a furar qualquer objeto com orifícios circulares que vir pela frente... sintam o drama.

Nossa sociedade criou mulheres que se recusam a serem guiadas pelos homens. Metáfora mais visível disso hoje em dia é quando você convida uma delas para uma dança. Muitas ficarão rígidas, dificultando a movimentação. Como se você estivesse carregando um saco de batatas em vez de dançar. Pensem comigo: dá pra navegar pela vida se, em vez de se deixar levar pelo leme, apenas se preocupar em soltar âncora? Elas vão negar até a morte, mas para mim as mulheres veem o feminino mais como fardo do que como dádiva. Veem o masculino como uma vantagem desleal da natureza. Gente, a natureza não mexe com vantagens. Mexe com adaptações evolutivas, linguagem corporal, buscas instintivas em conflito com valores sociais... essas coisas. Isso possivelmente explica tanto terrorismo da parte delas: chantagens emocionais, vontade de controlar sua vida...

Estava me recordando de um filme que assisti esses di
as: as mil e uma noites de Pasolini. O filme conta várias estórias do clássico da literatura de forma entrelaçada. A que mais me chama a atenção é a de Aziz e Aziza. As diferenças entre os sexos era tão radical que era como se os dois falassem línguas diferentes. Um mundo interior que convenções sociais reprime. Não bastasse essas diferentes dimensões de mundo entre homens e mulheres, há também essa deturpação da autoestima feminina feita pelo pop, criando mulheres cujas "atitudes libertárias contrastam com seus amores doídos e, mais importante, com a própria insistência de fazer a vida girar em torno dos homens o tempo todo (...) projetando-se em ideais", buscando no marido "o fim de todo o tédio"*. Falta romantismo no mundo individualista de hoje, cada vez menos dado a cerimônias das pequenezas do cotidiano e mais dado a uma glamourização da solidão do que a uma celebração das particularidades do espírito. Nossa cultura ocidental parece se esconder tanto em conceitos que o simples fato de se criar o belo, em cima de linguagens criativas já existentes, é visto como limitação. Ou seja, romantismo virou clichê. E mais uma faceta pós-moderna, desconstruída, destituída de contexto, limitada a adorno da libido.


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* Raciocínio encontrado no artigo 'De Emma a Amy' de Daniel Piza, para o Estadão.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Infographics are fun

How Politics Works: Lesson Three

do Dizzy Thinks

This is Lesson Three in the exciting series called "How Politics Works". Today you're going to learn how to create an electoral campaign strategy.