terça-feira, 25 de maio de 2010

Quando a heterossexualidade "cansa"

Tudo que fiz até aqui foi traçar um paralelo entre uma teoria de mesa de bar com algumas observações mais sólidas. O autor do blog, feliz com seus estilo de vida modesto que dificilmente o fará enjoar do sexo oposto, tentou falar do tema da forma mais isenta que estava seu alcance. Tirem suas conclusões...


Observe os homens bem-sucedidos que se destacam na noite. Aqueles com carros que custam mais do que todo o seu patrimônio somado. Aqueles que podem ter a mulher que quiserem. Que tem cargos invejados em empresas. Que se vestem bem, que viajam bastante, que são sofisticados e que entendem das coisas boas da vida. Entendem de vinhos bons, pratos exóticos, obras de arte, roupas de grife e de assuntos tão fúteis que só gente rica conversa. Mais de uma pessoa já esboçou algumas notas sobre a teoria que cá exporei, saliento. Então vamos lá: aparentemente, homens que atingem esse ponto de autorrealização na vida, que podem alcançar tudo o que desejam sem esforço, começam a perder o prazer, satisfação e a sensação de sucesso -- que beira o divino -- que atribuem a suas conquistas. De repente, todos os seus nababescos imóveis, suas inúmeras conquistas amorosas, seus carros de luxo não tem a mesma graça e deixam de ser símbolo de ostentação da masculinidade como tinham antes. Deve ser muito triste viver consigo próprio no momento em que suas conquistas afetivas atingem uma trivialidade tão tediosa que as mulheres deixam de ser um desafio ou um troféu: elas passam a se equivaler, na vida deles, a apenas mais uma de suas posses: mais um de seus carros, mais uma de suas empresas, mais uma de suas luxuosas mansões. Pouco importa o amor aqui: amor é coisa de pobre para eles. Não porque há o risco de nenhuma delas o terem amado um dia, mas exatamente pelo fato de o contrário ter acontecido apenas pelo que eles possuem. Não podemos esquecer que o poder no homem não é apenas um chamariz ao sexo feminino; é antes uma força motriz, num contexto evolucionista, que as arrebata numa atração irresistível pelo homem em questão. Ou seja, nem sempre é superficialidade e joguinho de aparências; é um traço de virilidade como qualquer outro para elas.

Isso esclarecido, continuemos. De frente a esse inesperado vazio existencial que só acomete às pessoas quando as realizações são maiores do que os desafios ainda por alcançar, o homem sente a necessidade de se sentir preenchido. Sim, meus caros, essa última frase tem um duplo sentido. Quando a heterossexualidade deixa de ser uma missão biológica por se cumprir, o sujeito começa a buscar novidades, coisas que ele, com todo o seu poder de influência e sofisticação por saciar, ainda não conseguiu: o amor e afeição de alguém do mesmo sexo (talvez nem isso, quando apenas a fútil busca por novidades está envolvida). Chocado? Certo, vamos acrescentar que muitos homossexuais são uns hipócritas desprezíveis por uma razão simples: eles preferem manter as aparências, ante uma sociedade que nunca vai aceitá-los como são, se relacionando com mulheres e iludindo-as com relacionamentos que não lhes trazem prazer e amor algum. Um círculo vicioso; é exatamente esse teatrinho condenável que os deixará à margem da sociedade para sempre. Feito esse adendo, continuemos. A atração por alguém do mesmo sexo passa a ser um vetor para se estabelecer contatos sociais como qualquer outro, ou mesmo como prática sexual, entre os mais jovens. E lembrem-se: 'relação' não implica em 'orientação' sexual. Quanta menininha nesse mundo que é bivolt na adolescência mas 'muda de ideia' na vida adulta! Temos aqui uma suposição de ordem evolucionista, de certo modo. Aqui, a função da homossexualidade como prática, treino sexual para um futuro parceiro do sexo oposto, cairia como uma luva. Isso porque nem falei do peso cultural nessa equação. Deve ser por isso que cursos de ciências sociais atraem tanta gente sexualmente ambígua.

Bairrismo engraçadinho à parte, os estudos mais recentes sugerem que a orientação -- eu disse orientação -- sexual não é aprendida, e sim fruto de atividade nervosa já formada. Portanto, no caso do riquinho que se enjoa de mulheres, falamos de um comportamento aprendido, um fenótipo (aqui, aspectos culturais teriam mais peso, possivelmente impulsionados pela superficialidade e liberdade sexual de nossa sociedade atual). Sem implicações ao genótipo, portanto nada comprovado sobre hereditariedade. Vejam só, a reprodução é apenas uma das funções do ato sexual; e não a definitiva. Eu vivo mas não vejo de tudo [cinismo detected]. Além do mais, o comportamento homossexual não se limita ao ato físico em si. Toda relação envolve dominação e submissão, um papel masculino e feminino. No mundo sadomaso, quem manda na relação é sempre o submisso (este é quem estabelece os limites de sua entrega no processo). Aquela história de que quando um não quer, dois não fazem. Fazendo um paralelo com conceitos de dominação e submissão, poderíamos estar falando aqui de uma troca de papéis. Só quem tem um poder pode se dar ao luxo de abrir mão dele. Um luxo que homens com excessiva facilidade com mulheres, aliado à facilidade excessiva com que pode alcançar suas vontades, têm acesso. Muito embora muitos vejam essa troca de papéis como um mito, cuja presença na Literatura tem em Marquês de Sade e Leopold von Sacher-Masoch os exemplos mais notórios. Mas é só um paralelo, o que fiz. Enfim, coisas desse mundo moderno demais em que vivemos que decerto são coisas de sempre.


Para uma leitura mais científica -- e até um pouco antropológica -- a respeito do assunto, complementar o post com este artigo.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Chupa, Tarantino!!!


Pulp fiction, Kill Bill, Cães de aluguel... é tudo conto de fadas perto das páginas policiais daqui.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Anarchy in the powered by the UK

Título alternativo: the good, the bad, and the british.


Os ingleses são os maiores parasitas de toda a História. Querem que o mundo todo seja a Inglaterra e que todos idolatrem seus valores; no auge de sua prepotência, criam medidas, padrões, esportes e conceitos próprios, só pra não se misturarem à gentalha que eles consideram o resto do mundo. Quando isso não é possível, usam a política externa como um tabuleiro de War. Financiam lucrativas guerras (Iraque, Bálcãs), flagelam países que esboçam condições de desenvolvimento sustentável ou escarram de vez na miséria alheia (Paraguai e países africanos), fazem pirracinha iniciando crises diplomáticas (Irã ou, pra ficar num exemplo tupiniquim, a questão Christie) e, pra tirarem o seu arse da reta, sempre invadem o país dos outros por meio de alianças (até sem querer você pensará num exemplo). Numa briga de escola, o inglês não é aquele que vai quebrar o nariz do colega durante a briga, mas sim aquele que recolherá o dinheiro da garotada afoita ao redor que quiser apostar nos brigões da vez.

Oportunistas por natureza, só não meteram chumbo em seus vizinhos até hoje porque um mar os separa. Os franceses tiveram Napoleão, os alemães, Hitler. Independente de quem a Inglaterra tivesse, eles teriam de se resignar ao fato de seu poder bélico terrestre precisar ser descentralizado. Um país que penou sob o puritanismo doente de Cromwell e uma revolução industrial sem responsabilidade social alguma inevitavelmente se tornaria cínico demais pra cultivar idealismo suficiente pra alimentar a megalomania expansionista de um rei qualquer. E deve ser por isso que os ingleses passaram pelo século XX sem perder tempo com as falácias comunistas. O que evitou a ascensão de um Mussolini versão inglesa não foi nem tanto o ceticismo tão típico do povo britânico, mas sim sua busca por dinheiro, única idelogia que eles seguem às cegas.

Orgulhosos de cultivarem uma postura neutra, inglês não se contenta em ficar em cima do muro; num vigiado por um inglês, com certeza este estaria segurando uma corda com um gancho na outra ponta pra algum desavisado poder pular sob alguma condição escusa. Não me surpreenderia se houvese uma vala do outro lado do muro. Ou seja, enquanto os suíços guardam o dinheiro de homicidas de colarinho branco, os ingleses preferem a agiotagem feita com dinheiro gerado por especulações de ordem geopolítica. Eles são tão dados à experimentação sociológica e à sátira social que se acham no direito de subverter ordens sociais inteiras tanto dentro quanto fora de seu território. Criam inimigos e querem que o mundo os odeie também. Voltando à metáfora da escola, são o típico peralta que apronta e bota a culpa em outro. De certo modo, ser inglês é mais absorver cultura e posses alheias do que conquistar suas próprias. E o pior é que fizeram escola: pegue toda a produção cultural norte-americana e peneire as colaborações estrangeiras: o que sobrar, de produção nata, consistirá no quê? No simplório e no massificado.

Nota: texto inacabado. A versão final vai ficar aqui antes que eu acabe perdendo o post...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Mobral na web

(mensagem SMS) (...) Voce precisa dar quantinuidade ao (...).

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[episódios do Chaves, frases esparsas]
Seu Madruga: Você não sabe o que é queijo? K-E-J-Ó! Que-jo!
Chaves: Eu sabo.

Seu Madruga: Pois é, mas é que essas crianças são uns verdadeiros poliglotas... Poliglotas, esses, das cavernas...
Prof. Girafales: Trogloditas! São trogloditas! Você não sabe o significado do vocábulo troglodita?
Seu Madruga: Eu não sei nem o significado do vocábulo vocábulo...

Chaves: Eu prefiro ficar aqui, porquê a rua é plública, e tenho o direito de ficar onde der na telha, porquê a rua é plública e tenho o direito de ficar onde der na telha, porquê a rua é plública e tenho o direito de ficar onde der na telha...

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E algumas redundâncias que já ouvi, in loco: Start inicial, elo de ligação, voltou novamente pra cadeia, ainda continua aqui, mensalidade mensal, os principais destaques do programa de hoje, pastel feito na hora, núcleo principal...


Ficam aqui registrados alguns exemplos do que o cerumano hiletrado é capaz de fazer com um teclado na mão. Ou quando lhe é dada a palavra...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Bloco de notas (XIV)

Drive thrus são a invenção mais monga que o capitalismo trouxe à sociedade, acompanhado dos fast food. Vejam que raciocínio fantástico o deles: eu sou um cliente, estou com fome mas não quero entrar no restaurante nem usar a porra do telefone pra fazer um pedido, então vou me dar ao trabalho de pegar meu carro, ir ao restaurante, pegar uma fila de meia hora e voltar pra casa todo feliz com meu sanduíche-íche cancerígeno e meu brindezinho do McLanche feliz.

Ao telefone, F vira sempre S. Já B, P, D e T viram um fonema só, indistinguível. Tanto badulaque que metem nos celulares e nunca se preocupam em melhoriar a tecnologia responsável por transmitir áudio.

Esses dias tava ouvindo rádio (pelo computador, já que minha cidade não é civilizada o bastante pra ter canais de comunicação com dignidade o suficiente preu consumir). Teve um programa em que Erasmo Carlos foi radialista por um dia, e nesse ínterim apresentou algumas músicas enquanto apresentava. E garanto a vocês: a quantidade de ligações neurolõgicas dele deve ser semelhante à de Gilberto ex-ministro Gil. Como vocês perceberam, isso não foi um elogio. Comédia demais ele comentando sobre Assim caminha a humanidade, de Lulu Santos. É como se ele tivesse coposto a música. O que também não foi um elogio. Fala sério! Depois de quatro anos de faculdade de Letras ainda me surpreendo com a torpeza interpretativa alheia. Talvez eu deixe de me supreender se começar a ouvir mais as sociológicas letras de Seu Jorge...

A prova de que eu preciso fazer algo de útil com minha vida é quando me pego soltando cantadas no Formspring. Polemizar em comunidades de redes sociais é soooooo last week. Usar essas frases curtinhas pra tuitar (que viadagem, esse neologismo), também. ... =p

A refilmagem de Karate kid que estão fazendo, adivinhem só, não terá o Karate como cerne da história. Terá o kung fu. Em vez de Pat Morita, Jackie Chan. Em vez de Ralph Macchio, Jaden Smith. Como serão as cenas de treinamento do filme? Será que Jackie vai tentar ensinar o garoto alguns malabarismos circenses durante cenas de ação, em vez de chutes na montanha como o Seu Miyagi fazia? Tenham medo... medo de o paizão Will Smith cogitar participar da trilha sonora.

Fones de ouvido tem prazo de validade. Independente do quanto você os use.

É impressão minha ou o Bial usa o mesmo figurino do filho do Fabio Jr. (o Fabio Jr. Jr., aquele da Malhação) toda vez que apresenta o biguebróder?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O filme invisível

Todos aqui já ouviram falar de humor involuntário. E de tristeza involuntária? Bom, foi exatamente isso que obtive ao assistir A mulher invisível, com Selton Mello. Não por ser um filme com o Selton Mello. Não por ser um filme nacional. Nem por ser uma comédia romântica E filme nacional. Mas por ser mais uma daquelas histórias que tratam com humor as grandes desilusões do cerumano. A história de um homem que, absorto em uma avassaladora depressão pelo término de um casamento aparentemente perfeito, é contada de forma muito ignóbil. Tudo no roteiro é muito mastigadinho e vomitado para o telespectador. O filme em momento algum testa o telespectador nos detalhes. É apenas uma sucessão de piadas readaptadas de sitcoms e deglutidas num filme nacional distribuído por uma grande empresa do cinema estadunidense.

O que há de engraçado em ver o cérebro do protagonista criar uma mulher dionisíaca, perfeita, que se mostra uma rigorosa e impecável reprodução de todo tipo de personificação da luxúria masculina? Desde quando descrever por descrever tanto fetiche assim torna um filme engraçado? Meu peito dava uns estranhos apertos e espasmos quando via o abismo em que a vida do personagem se lançava à medida que a história se desenrolava e esse castelo de cartas se aproximava de desmoronar. Admito que isso acontecia antes pela mediocridade do que assistia do que pela fútil carga emocional da trama. Eu não esperava nenhum Shutter Island, Fight club, shallow Hal ou uma outra película qualquer que trabalhasse melhor com ilusões ou transtornos psicóticos como a esquizofrenia, mas não esperava ter minha inteligência insultada dessa forma.

O personagem recorre à escrita como catarse. Conta toda a história da mulher imaginária em um livro. Mas o filme não fornece segundo plano algum para isso. Nenhuma referência literária, nenhum insight típico de quem possui sensibiildade suficiente pra contar uma história em palavra escrita... nem problema pra arrumar uma editora ele teve! Só mencionei esse furo da história em particular pra acrescentar que, mais pra frente, o filme tenta sem sucesso entrelaçar a história da mulher fictícia com a real, a vizinha que gosta dele. Falhou terrivelmente. Como se se tentasse sugerir que relacionamentos não existem por si só, mas apenas na mente, nos anseios e desejos do apaixonado. Como se a realidade não tivesse papel algum nela e que esta fosse mero obstáculo. Desenvolvimento paupérrimo da história. E ainda tentam fazer humor com tudo isso.

Humor funciona com perfeição quando a gente não tem pena em excesso do personagem. Quando a empatia com os infortúnios do personagem refere-se às mazelas em níveis tangíveis a nós mesmos. Nesse caso, a imaginação do personagem não passa de uma desesperada tentativa de a mente do personagem protegê-lo da realidade, à sua maneira. É uma falta de dignidade muito além dos limites do humor. Limite este que se encontra no momento que o personagem deixa de fazer apontamentos sobre as coisas que lhe incomodam e se isola numa ilusão hermeticamente fechada que desfila ante à realidade. A fronteira da ironia, do sarcasmo, dos maneirismos, enfim, de vários elementos que compõem humor, foi há muito ultrapassada. E o telespectador se encontra à deriva, sem perceber, numa história rasa, mesmo quando falamos de um filme de humor sem pretensões como esse.

Ao nível dramático, é mais um daqueles filmes que coisifica o sexo masculino (há público que goste disso). A solidão é tratada como tabu, e o prazer vira extensão do consumismo. As necessidades psíquicas trocam lugar com os relacionamentos, que agora há pouco mencionei: o primeiro é mera projeção de algo que está fisicamente estabelecido, e o segundo, mero fruto de nosso engenho mental coadunando com o que sentimos. Não achem que o filme promoveu toda essa divagação ridícula até aqui exposta. O filme, se tivesse essa ambição, teria falhado. O que ele promoveu foi uma aula sobre como não fazer cinema, e como ganhar dinheiro com as massas. Só isso. Além de, é claro, de fazer o que todo mundo faz hoje em dia: pegar algum tormento de alma alheia e transformar em humor. É só o que fazemos hoje em dia; esquecemos de nos divertir com os pequenos constrangimentos de nossa existência e criamos desvios maiores pra nos sentirmos menos piores...