segunda-feira, 26 de abril de 2010

Porque os Estados Unidos são um país culturalmente brega (II)

Zumbis: porque cargas d'água eles se dão ao trabalho de criar monstros que não estão vivos, nem mortos, e gostam de se alimentar de miolos (isso porque não vou falar do Cthulu aqui)? Assim, a figura do monstro, revestida de um caráter folclórico, é um caracter cultural como qualquer outro, que diz algo sobre uma sociedade. O que os zumbis dizem? Que os americanos adoram gore? Deve ser apenasmente isso, mesmo; que outro argumento antropológico, mesmo rasteiro, se sustentaria? Mas já que estamos aqui, teorizemos. Se monstros personificam medos, qual seria o maior temor de um povo briguento e beligerante como o deles? Sim: encontrar uma força indestrutível, que não tem medo da morte (porque está no limiar entre ela e a vida), escravizada por uma força maior. Como vocês devem saber, zumbis existem em culturas africanas bem antes do cinema estadunidense transformar isso em espetáculo. Até dançar com o Michael Jackson eles já dançaram. Então, numa cultura incipiente, avessa a abarcar heranças culturais mais tradicionais e academicistas, calcada em diversão barata e fútil, não é de se espantar esse status privilegiado dos zumbis no imaginário deles. Até porque suspense e terror, gêneros em que os zumbis geralmente se encaixam, são mais fáceis de se transformar em entretenimento. Suspenses são uma boa saída pela tangente numa cultura carente de artistas que adotam cânones cultrais mais tradicionais.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Tudo vira sexo hoje em dia

Vem cá, eu ainda preciso mencionar aqui o fato de revistas masculinas serem o pão e circo mais globalizado de todos? Não. Entretanto, convém pontuar um contraponto com revistas femininas. O que é mais alienante e direcionado a consumo? Dietas ou mulher pelada? A cor favorita do ator hollywoodiano da moda ou a fantasia sexual da atriz hollywoodiana da moda? É por essas e outras que revistas virtuais, atualmente, são as únicas que merecem minha atenção. Escolho no feed exatamente o que quero ler -- quando quero me manter bem informado e antenado com as tendências comportamentais de nossa geração --, e o que quero cobiçar -- por meio de fotos ou fantasias sublimadas em vídeos exageradamente machistas.

Aliás, se pensarmos bem, machismo é uma espécie de sinônimo de humor, sendo, nessa equação, o feminismo uma cópia barata e rancorosa do jeitinho espirituoso do machismo. Portanto, precisamos dos machistas para que o imaginário masculino não perca para sempre sua identidade em meio a essa irritante inconstância feminina vendida por revistas como atitude e personalidade. Mas sem exageros, claro. Eu odeio fazer parte da galera do 'deixa disso', que sempre termina um argumento com alguma aliviada politicamente incorreta, mas convém recorrer a isso às vezes.

Falo tudo isso por causa do esqueminha que rola desde sempre para uma mulher chegar ao estrelato. 1) Dar pra alguém famoso, participar de reality show, mostrar o corpo de alguma forma, entre várias outras; 2) Aceitar convite pra fazer ensaio provocante (poses sensuais que não mostram nada); 3) Posar nua e ter o resto da carreira engrenada por causa do grelo. A educação que as mulheres recebem* geralmente as orienta para primeiro fazerem doce (pra dar ibope) e só depois se entregarem aos desejos alheios. E, assim, toda a carreira delas se resume a isso. Atrizes de hollywood só começam a ter visibilidade depois de uma meia dúzia de cenas de sexo. Atrizes brasileiras, só depois de posarem nuas (cinema nacional não conta; nudez brasileira eu vejo em novela e carnaval, mesmo). Assim, esses argumentos me forçam a uma conclusão (sempre eles; não me façam dizê-lo): a fama para elas parece sempre se tratar de uma espécie de semiprostituição.

Triste. Pronto, falei. Que forma mais linda de objetificação. Isso é alvo de críticas minhas porque é vendido como algo natural. Não me importa quem consome, mas sim quem ainda não precisa fazê-lo, que também é a isso exposto. É natural uma mulher querer se sentir desejada, mas isso deixa de sê-lo quando transformamos isso num vetor para conferir fama a ela. O sexo pelo sexo. A revolução sexual fez a sociedade esquecer das dimensões da sexualidade e a fez condensá-las em páginas de revista, cenas picantes em filmes e quebras obsessivas de tabus que não levam a nada a não ser a perda de identidade afetiva. E a sociedade hipócrita ainda estranha os efeitos colaterias disso hoje em dia: minilésbicas de 13 anos, inúmeros vídeos caindo na net e jovens que já experimentaram metade do kama sutra sem coordenação motora o suficiente pra usar uma camisinha.

Assim, essa obsessão humana pelo proibido e lascivo, que nos acompanha desde o surgimento do primeiro pelo, sempre vai existir. Mas a gritante banalização disso não precisa e não deve ser assim. Tabus não existem isolados em si próprios, como um extremismo de costumes. Eles são códigos de conduta. Sendo o desejo uma força às vezes indomável, chega a ser irresponsável promovê-la da forma como nossa sociedade faz, nesse moralismo hipócrita que se lambuza no hedonismo ao mesmo tempo que exige condutas cristãs que apenas padres que vão passar o resto da vida sem comer uma mulher vêem sentido. Fala sério! Mexer com luxúria alheia é coisa séria. E o mainstream não é lugar pra isso; existem momentos oportunos para tal.


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* Pequeno update a seguir. Para elas, demonstrar que gostam de sexo é algo visto como vulnerabilidade, podendo estar sujeitas à interpretação maldosa (como se sentir prazer por algo fosse algo vergonhoso de se confessar) ou perda do interesse da parte do homem, já que este percebe que a mulher é solícita, não há o gostinho de desafio. Em ambos os casos, reduzida a "fácil" para as más línguas. Obviedades, mas quando falamos do ser humano o óbvio se reinventa deveras. Santa hipocrisia, Batman...!

Seguem dois links complementares, artigos de Luis Felipe Pondé, para a Folha de São Paulo: 'A revolução sexual é puro marketing' e 'Entre as pernas de uma mulher, só boas emoções nos esperam'.

domingo, 18 de abril de 2010

Trivialidade é desafio ou conquista?

Porque as pessoas tornam-se tão tediosas e banais depois que se casam? Isso não é implicância de quem está sozinho, garanto. Comece a observar as mais recentes vítimas, entre seu círculo de amizades, de pessoas que se casaram. Os assuntos tornam-se cotidianos, provincianos e triviais demais, meu. Tudo que as mulheres treinaram na época em que brincavam de boneca com a vizinha vem à tona. E não há apenas um bom sentido nisso. Vejam bem, nossa juventude será roubada pelo fardo da maternidade e facetas de nosso eu que exalavam sem obstruções na juventude serão esquecidas ('te dou outra vida pra te mostrar quem sou': cusioso isso, Cazuza nunca se casou mas fala bem dessa questão). Tudo isso em nome de quê? Em nome de um contrato oral afirmando que você nunca mais ficará sozinho. Por mais que às vezes os solteiros nos sintamos sós, esse tipo de constatação nos põe num dilema. E num desânimo não mais pelo que ainda não nos tange, mas pelo que nos tange, mesmo. Ruim com algo, pior sem ele. Em todo caso, haverá dias bons e dias ruins. E isso independe de nosso estado civil. Depende do quão a alegria alheia irrita. Não falo de inveja aqui, falo dos desencontros de cada um. Do osso que não largamos. Duma ideologia social perversa que transforma o estado civil numa indumentária hipócrita. Bradam que os solteiros são egoístas. Como se restringir o mundo à pessoa amada não fosse um egoísmo natural por si só. Fazemos coisas nababescas para sacramentar uniões afetivas mas esquecemos que essas bobagens não passam de adornos. Alegoria alguma esconde o cerne de tantas efemérides sociais por trás disso. O cérebro reptílico quer filhos; o límbico, varrer a solidão pra baixo do tapete; o neo-cortex, reunir riquezas e dividir ônus. Queremos tudo ao mesmo tempo, quando na verdade não passamos de pedintes do destino. Alguns mais persuasivos; outros nem tanto. O ruim de mendigar é isso: esquecemos de correr atrás do que podemos, de tanto pedir, e lembramos apenas do que não podemos. Como eu disse, haverá dias melhores e piores. São nos piores que nos esquecemos disso. Em todo caso, não é por exclusão que se vive...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Você não é as roupas que veste, querida!


ou
Na União Soviética, as roupas usam você!
ou ainda
Para eles, você é mero produto para o consumidor final

Nossa sociedade atual faz uma irritante deificação do feminino. Nas propagandas, elas são sempre poderosas, nunca estão cansadas, estão sempre bem vestidas e com a casa impecável. Só dá elas em propagandas de produto de limpeza, hohoho. A ciência até ajuda nesse processo. Esses dias uma amiga tava comentando que pensava em ter uma "produção independente". No popular, queria um filho. Não necessariamente pensando em quem seria o pai. Repliquei argumentando que produções independentes sempre são feitas com investimento de uma empresa qualquer interessada na própria imagem. Com filhos não é diferente. Mas seguindo o raciocínio dela, seria a primeira produção independente da história realmente independente, sem nenhum planejamento orçamentário, ou ao menos afetivo e familiar.

Mas sabem de uma coisa? Mulheres não durariam muito tempo na terra sem homens. Elas não aguentariam muito tempo sem machos pra carregar peso, botar culpa pelas frescuras da TPM e ganhar discussões que elas mesmas começam. Ela sempre saem primeiro nos BBBs, pra ficar no popular. Como uma outra amiga costumava dizer, "homem só serve pra três coisas: fazer força, pagar minhas contas e me dar prazer". Sim, me senti um escravo de minha própria libido no momento que ouvi essa frase. Um pedinte imundo jogado na sarjeta. E a sociedade perpetua isso até mesmo nos novos galãs fabricados pelas mídias. Homens efeminados, que confundem sensibilidade com fragilidade, numa cristalização sádica do amor romântico. Se esse tipo de amor, que não existe -- é mera idealização literária -- já não funcionava tão bem assim no século XIX, que dirá numa época de individualismo em alta como a nossa.

Mulheres são humanas como todos nós. E a última coisa que preciso é uma sociedade transformando-as em commodity. Mas elas não percebem isso, e se acham o máximo estourando o limite de seus cartões com saltos altos que lhe darão problemas de postura permanentes em nome de um ideal de beleza concebido por gays frustrados dos circuitos de moda mundo afora. E, como se isso não bastasse, tratando o sexo oposto como seres inferiores. Como se todos os homens no mundo estivessem dispostos a enganá-las a qualquer momento. Como se as diferenças entre os sexos fosse algo condenável e inconciliável (a sociedade as incita e um embate ideológico que apenas as desgasta, como se o simples fato de ser feminina ou de fazer qualquer tipo de cessão numa relação fosse uma falha de caráter). Como se todos eles tivessem a obrigação de servi-la, agradá-la e dar-lhes atenção incondicional. Ou seja, o mundo é uma legião de popozudas se achando princesas desse baile funk infame que é nossa sociedade de consumo.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A internet descrita em aforismos

Tumblr: paraíso da serendipidade.
Blogger: templo das vidas medíocres.
Twitter: meca dos analfabetos.
Orkut: santuário dos trollers
Last.fm: éden de garotinhas adolescentes brincando de ser indie com as roupas da avó.
Chatroullette: janela pra voyeurs e exibicionistas.
Formspring: substituto virtual pra aqueles caderninhos de perguntas popular entre adolescentes.
Terra: compêndio de notícias inúteis sobre celebridades.
Uol: meia dúzia de páginas de conteúdo que ninguém vê por pirracinha deles em cima de um modelo econômico que não funciona mais na web.
E-mail: terra dos homens de pênis pequeno.
Youtube: televisão de cachorro.
Yahoo: é de comer?

sábado, 10 de abril de 2010

O mundo não está preparado para o absurdo

Estes são alguns excertos que extraí de uma comunidade que discutia O Estrangeiro, obra de Albert Camus. Fazia tanto tempo isso que até tinha esquecido desse texto, em meio à montanha de textos aqui. Eu li o livro e afirmo que é difícil pensar na tão-poderosa teoria do absurdo em algo além de um niilismo afetado, um agnosticismo mais cínico do que o habitualmente observado nos ateus, que não passa de mais um escapismo ordinário de um filósofo frustrado qualquer. Se deixássemos em definitivo de nos fazer perguntas toda vez que nos deparássemos com o vácuo que o absurdo deixa em nossas vidas, a humanidade jamais teria chegado onde chegou. Muito menos dândis sem-vergonha como Camus teriam saído do saco de seus pais. Usar o absurdo como pretexto para minorar a importância da ética em nossas vidas, ou como argumento para esnobar a loucura, é de certo modo negar a humanidade em cada um de nós. Especialmente a que diz respeito à necessidade que temos -- meio paternalista, saliento -- de crermos em uma força superior que nos protege e ampara. Ponto final. Agora confiram os excertos que eu separei antes que eu desate a escrever neste parágrafo novamente. =p


Conheço uma amigo muito intimo meu, que, certa vez perguntado sobre se ele acreditava em Deus, respondeu um tanto "estrangeiro": "Não sei, nunca parei para pensar." Me disse. E eu, fiquei um tanto atônito. Pois, de certa forma, ele estava mais do que certo. Não havia necessidade nenhuma de responder tal pergunta ou de que ela exista para ele. Mersault começa a luta da analise sobre o que é bom e o que é ruim. Só porque ele responde a vida de uma forma não convencional, não quer dizer que ele seja algo bizarro entre nós. E isso é o interessante de se pensar. A perpactiva dele é diferente e nós nos deixamos "abater" por sendo que ela é mais uma entre tantas. Colocar respostas as perguntas feitas pela natureza não possui um valor absoluto. Nós criamos, recriamos e destruimos tudo, todo o tempo. É só questão de pensar.

Admitindo que a existência seja absurda, ou seja, que não esteja amparada em nenhuma verdade, nenhum absoluto, e não possua portanto princípio, ordem, sentido ou finalidade, como então se pode definir o que seria certo, de modo a tomar decisões acertadas?

Mersault não é um homem que não pensa na vida nem nas coisas ao seu redor, ele é apenas indiferente a tudo isso. Ele mata um homem, é preso e condenado à morte e não dá muita importância a isso, tanto que ele não tenta se defender, ele apenas é sincero e as pessoas o julgam e codenam por isso.

Concordo com Artur Dapieve, cronista do Globo, quando disse que esse livro é de alguma forma a biografia de todo homem.

"Um mundo que se pode explicar, mesmo com raciocinios erroneos, é um mundo familiar". Mas e aqueles que não acham essa familiaridade, aqueles que são, por isso, estrangeiros? Têm eles a "santa " obrigação que a divina Providência e o contrato social e moral estabeleceram? E como poderiam, se estão separados do mundo? O movimento mais importante que faz Mersault na cela da cadeia é o movimento filosófico - parece que muitas pessoas esquecem disso. No vão em que ele se encontra, "a meio caminho do sol e da miséria", o "homem absurdo vislumbra um universo gélido e ardente, transparente e limitado, no qual nada é possivel, e tudo esta dado, depois do qual só há o desmoronamento e o nada. Pode então decidir aceitar a sua vida em semelhante universo e dele extair as suas forças, sua recusa à esperança e o testemunho obstinado de uma vida sem consolo"... é o que diz Camus.

eu vejo por um outro lado isso tudo...
vejo como se ele tivesse se cansado disso tudo e desistido, perdido todo tesão e sentido da vida...

Mas perder o tesão pela vida não significa se entregar. E, de fato, desistir das esperanças mundanas e humanas, reconhecer a finitude inexoravel da vida... Tudo isso não é "perder o tesão" pela vida, ou melhor, pela ilusão impossivel e estranha que é a vida neste mundo...?


Pra finalizar o post, deixo aqui um link sobre um livro que fala de forma menos pedante, por meio de um personagem niilista, sobre o absurdo. Falo d'O Homem dos Dados, do psiquiatra de pseudônimo Luke Rhinehart. Penso em comprar uma cópia pra mim; coisa rara quando levo em conta que moro num país em que funcionários de livrarias não entendem de livros. Deviam ver como eram os úlimos livros que comprei numa promoção; tão acabados que pareciam ser de sebo...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Porque os Estados Unidos são um país culturalmente brega

Cantores de A capela: fico imaginando o que motivou a criação desse "gênero" musical. Um frustrado qualquer que possivelmente não sabia tocar violão bem o suficiente pra pegar mulher chegou pros amigos igualmente encalhados e disse, "aí galera, porque a gente não cria um estilo musical onde reproduzimos todo um compasso musical com nossa própria voz, trajando roupa de pipoqueiro?" Parece enredo de esquete do Monty Python, né? Mas é verdade, infelizmente. A única coisa que gosto de A capella é quando eles cantam temas de videogame no Youtube ou quando Family guy satiriza essa gênero com alguma piadinha hilária fazendo pilhéria do gênero à exaustão. Fora isso, A capella parece coisa de cantores de chuveiro e colegas de trabalho chatos que adoram cantarolar quando andam pelos corredores. SÓ quando andam pelos corredores, que é pra ter audiência.

Musicais: tem muitos tipos de artistas que os americanos não conseguem produzir. Eles devem invejar enormemente a tradição europeia de pintores, filósofos, tenores e compositores eruditos. Levando isso em conta, criaram uma forma teatralizada de se cantar. Pega-se uma história e se descrevem os acontecimentos nela de forma poética. Mais ou menos como os trovadores e cantores de bardo faziam na antiguidade, e os repentistas, na atualidade. Só que, em vez de eles encherem o saco ao vivo, enchem o saco para milhões de audiência, em filmes e referências na televisão. Uma coisa é você ouvir música com sua proposta original: emocionar e distrair. Agora outra é ouvir música como fluxo do inconsciente de personagem de musical, seja com a ingenuidade do amor romântico em um personagem, seja com o senso de justiça particular de m personagem qualquer, ou então qualquer outro recurso dramático que venha a calhar. Na moral minha gente, deixem esse tipo de música (a que conta histórias) com os negros. Eles inventaram o hip-hop, o jazz, o samba... portanto, eles sabem, muito melhor do que nozes, caucasianos caretas, como fazer isso.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Funcionários que não entendem do que vendem

Quando você vai comprar uma roupa, presume que o vendedor entenda se aquela roupa está na moda, de que material é feita, se tem um caimento legal no cliente. Quando vai comprar uma geladeira, presume que o vendedor saiba sobre os detalhes técnicos do produto, bem como informações sobre garantia, espaço interno, o perfil do cliente que se encaixa melhor para a aquisição do produto... enfim, detalhes pequenos que fazem a diferença entre você achar que está apenas atendendo a um acesso consumista desnecessário e você ter certeza.

E quando o vendedor é de livraria? Tem coisa mais desanimadora que eu procurar um título qualquer e a moça sequer se dar ao trabalho de saber um pouco sobre o autor? Eles sempre se limitam a consultar no sistema a disponibilidade do livro. Simples assim. De forma estéril. É como se eu tivesse comprando carne em açougue. Eles nem sequer instigam o potencial leitor a analisar algum livro similiar, que seja mais caro, antes de se decidir. Porque se você for comprar um computador, decerto vão te mostrar um mais caro antes de você se decidir. Agora, se eu for numa livraria e comprar uma ediçãozinha de bolso pra Martin Claret ou da L&PM Pocket, por exemplo, vai ficar por isso mesmo. Não vão me oferecer uma edição com capa mais resistente nem com pepel melhor. É triste, mas todo aquele romantismo das livrarias dos filmes não existe na vida real. Não possui o menor sustentáculo. Ninguém cita passagens de clássicos da literatura enquanto passeia pelas prateleiras. Ninguém conhece pessoas sofisticadas enquanto folheia os livros. Ninguém inicia um romance coadunando com algum livro a folhear. Enfim, aquela casualidade, aquele ar provinciano de comércio de rua, de descoberta ao se encontrar uma lojinha nova, substituído por aquelas cápsulas de concreto nos isolando do mundo denominados shopping centers, acabaram com tudo.

Uma vez uma professora me relatou o seguinte incidente: ela foi comprar uns livros e, entre eles, queria um exemplar do Manifesto comunista para uma aula. Percebendo a ignorância da moça, pediu pra ela jogar no sistema. Em vez de pesquisar por Marx, a mulher pesquisa por Marques. Tremenda broxada intelectual. Essa professora em particular tentou nos inspirar no começo do curso. Na primeira aula da primeira semana, veio com aqueles carregadores de duas rodas, pra carregar bujão de gás, cheio de livros. Que propaganda enganosa! Falou brevemente de cada um dos títulos, nos passando a impressão de que realmente haveria gente motivada e preparada pra nos falar sobre aquelas obras. Mal sabíamos o que aqueles 4 anos nos reservariam: um exército de substitutos (metade sem sequer com uma mísera especialização); disciplinas decepadas num atentado curricular sem precedentes (era tanta matéria cortada fora da estrutura original que tive um professor que até ironizava, dizendo que nosso curso 'tinha deixado de ser presencial'); apenas um ou dois doutores (que faziam apenas figuração, mas eram reis em terra de cego) e uma legião de petista chorando as pitangas por ter votado no Lula. Resultado dessa equação? Uma greve, meses de estágio porcamente realizados em semanas (pasmem: parcialmente em sala de aula) e dezenas de analfabetos funcionais com direito à prisão especial.

Sob esse contexto, professores também são funcionários desse tipo, que não sabem o que vendem. Eles colecionam uma meia dúzia de ideologias, autores favoritos e projetos de pesquisa pra encher linguiça no currículo Lattes pra conseguir progressão funcional. A diferença é que eles vendem conceitos que não dominam, ideologias de ingenuidade típica de DCE e preguiça intelectual residindo em apostilas poeirentas. Alguns parecem até agente de viagem de tanta propaganda que fazem de Cuba. Como com os funcionários de livraria, perguntem por autores. Se isso não derrubá-los, ataque o lulismo. Se saírem pela tangente, encaixe algum assunto tabu em seu argumento. Se aparentemente nada disso surtir efeito, os efeitos implícitos se farão presentes quando o docente marcar trabalhos orais, em excesso, de assuntos que você podia perfeitamente ler no conforto de seu lar. Ou quando o professor não mantiver os alunos ocupados o suficiente para que eles deixem de percam tempo com saraus, festinhas medonhas e congressos inúteis. Ou seja, professor ruim é como vendedor que não consegue prender a atenção do cliente em um só produto. O que acontece? Além de o cliente sair sem levar nada, andando em rumo pela loja, ainda fica sem saber sobre as opções que o mercado oferece do produto que deseja.

Afe, falar dos docentes de minha faculdade me deu uma deprê agora. Vou queimar minhas apostilas velhas e já volto.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Quando a genética te sacaneia

Nascer pobre e feio não é problema algum. Infelizmente a natureza dá direito a quase todo mundo de contaminar o mundo com seus genes. Você pode ser chato, tartamudo, flamenguista, todas essas coisas inclusive, mas pelo menos não é famoso o suficiente pra virar motivo de chacota a uma quantia considerável de gente. Agora imagina se você fosse...

Filho do Fabio Jr.: ser filho de um cara (rei das empregadas) cujas músicas são tão boas quanto as novelas que fez e programas que apresentou não é animador. Basta a ver a cara da pobre alma que herdou os genes dele, atualmente fazendo estágio em Malhação. Parece um garotinho de dez anos com aqueles relógios coloridos, roupas que parecem ter sido tingidas com tinta flourescente e aquela carinha de vocalista do NX zero. Tudo que as revistas pré-adolescentes buscam num galã acéfalo qualquer. Tipo um Dado Dolabella, só que afetado demais pra bater em mulher e com menos dicção. Melhor que isso, só se ele fosse vampiro...

Filho da Preta Gil: sabe quando você vai em festa ruim daquelas com cerveja barata e gente chata? Então, no final sempre sobram daquelas gordas encalhadas que ninguém quer pegar, certo? Preta Gil é personificação famosa disso. Ela me faz lembrar de que camisinhas não são 100% eficazes. Além de ser escrota pra caralho (ela liberou pro Marcos Mion, sabiam?), com uma pobreza ímpar de espírito e admiração deplorável por música de trio elétrico, é paradoxalmente paparicada na rodinha da MPB. Enfim, daquelas artistas (hahahaahahaha, peraí, deixa eu me acalmar; descontrolei de tanto rir agora) mais famosas pelas notas na Contigo do que por sua músic-hauahuahauahauhauahauahuahauhauahauahuahauhauahuahauahuahauhauahuahauahuahauhauahuahauahuahauhauahuauaauhauhauahuahaua (sorry crianças, ato reflexo de meus dedos depois desse raciocínio), que de tão medíocre chega a ser meio obscura. Já ouviu alguma coisa dela? Não é pra menos... aliás, o nome dela até funciona como eufemismo, tabu pra palavrão. "Seu filho-da-preta!"... (deixa pra lá, o mundo tem palavrões o bastante; não cabe a mim criar outro)

Filho da Regina Duarte: ser filho de uma mulher que nasceu pra ser Helena em novela do Manoel Carlos deve ser dose. Se a vida dessa menina for como a das novelas dele, coitada... na de agora ela perdeu o movimento de quase todo o corpo; nem quero imaginar no que o sadismo criativo do Maneco será capaz na próxima.

Filho da Xuxa: além de crescer ouvindo musiquinhas infantis alienantes e reforçadoras de estereótipos, tem aqueles filmes horríveis de que ela participará com a mãe, manchando para sempre qualquer cogitação séria de seguir carreira como atriz. Sem falar a redoma de fantasia em que uma menina assim é criada. Acreditando em cegonhas, unicórnios e políticos honestos. Como a Sandyjunior, vejam só. Espero que ela cogite em seguir carreira internacional como a Sandyjunior. Mas que não volte, de preferência.

Filho de José Neumane Pinto: você é colunista de jornal do SBT, trabalha no SBT, apresenta seus programas com só-tá-qui e trabalha no SBT. Mais falta de dignidade que isso, só se a pobre alma for escalada pra apresentar o resultado parcial da Tele sena. Ou virar quebra-galho como o Celso Portioli. Esse aí apresenta até funeral se Silvio Santos mandar. Vai ser mela-cueca assim lá na p***...