quinta-feira, 25 de março de 2010

Porque odeio a Meg Ryan


Vou ter pesadelos com essa imagem...

A Meg é daquela típica atriz que fica tempo demais fazendo comédias românticas (filmes comerciais por natureza), sabotando sem perceber todo seu potencial dramático. Até que chega o momento em que fica velha demais e começa a ser preterida pelos diretores. Todo mundo quer carne fresca e rostinhos bonitos em historinhas pudicas de amor, inclusive os diretores. Ela bem que tentou, desesperadamente, continuar com os holofotes virados para si, tomando a direção oposta e fazendo filmes indie medíocres, como In the cut, de 2003. Mas não deu, né Meg? Perdeu o bonde da história gostoso. Ela é um dos motivos porque considero Harry e Sally um dos filmes mais abjetos feitos por Hollywood até hoje. O maldito responsável por juntar ela e Billy Cristal numa mesma película, cheia de diálogos pretensiosos, neuroses irritantes e verborragia inconsequente disfarçada de introspecção praticamente inaugurou o gênero comédia romântica (contradição em termos). Não feliz em abarrotar as prateleiras das locadoras com historinhas românticas dispensáveis, feitas pra balzacas chorarem as pitangas após serem trocadas por uma garotinha dez anos mais nova, a Meg ainda testa nossa paciência com filmes proibitivos para diabéticos -- de tanta glicose contida num filme só -- como Cidade dos anjos. O mundo não precisava de bandas morde-fronha como Goo goo dolls, e graças à Meg, com a ajuda de Nicolas Cage, essas nulidades do meio musical ganham o mundo. Que estresse que essa mulher me dá!

E o pior é que essa velha mal-comida (imaginem, nem Dennis Quaid aguentou tanta moagem) deixa seguidores. Reese Witherspoon, pra ficar num exemplo. Djézuis, o mundo não merece tanto. A Reese tenta não cometer o mesmo erro dela e fica fazendo uma carinha de coitadinha sofredora caucasiana em alguns filmes de dramaturgia questionável (eu com anemia ficaria menos caucasiano que a Reese). Enfim, só o tempo dirá quanto tempo vai levar pra ela trilhar o mesmo caminho lamentável da Meg. Aliás, quanto ao rosto dela hoje em dia, precisamos ser sintéticos e vaticinar: Meg, não dá pra enxergar seu rosto com tanta bolsa de gordura por cima. Resigne-se ao fato de que estás envelhecendo e poupe-nos da vergonha alheia em ver seu rostinho passado. Contudo, se fôssemos fazer um paralelo com atrizes da geração dela, como Julia Roberts, eu só relevaria a Julia porque ela ao menos conseguiu manter certa dignidade artística. Closer, seguido dum conveniente hiato, me fez perdoá-la; ela pelo menos conseguiu alguns trabalhos razoáveis para mostrar a todos que "saiu por cima" em seus últimos trabalhos. Mas a Meg, coitadinha, não conseguiu. Sua decadência, creio eu, encontra paralelo no sex appeal de seus pares românticos. Por ordem cronológica: Tom Cruise, Dennis Quaid, Tom Hanks, Harrison Ford, Mark Ruffalo... nesse pé, Ben Stiller ainda vai trocar umas beijocas com ela. Periga umas das seringadas de botox vazar no olho dele, mas tudo bem. Tudo bem para mim; coitado do Ben. Mesmo hipoteticamente falando...

Entra na fila, Jennifer Aniston; você será a próxima a virar arroz de festa de comédia romântica. Talvez até ganhe um texto meu no futuro...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Eu daria um bom crítico de cinema

Filmes de ação são datados. Que forma mais idiota de começar um texto! Bom, a merda já foi excretada, então prossigamos. O 007 de hoje será o atentado ao bom gosto de amanhã. Hoje passou um especial na Tv aberta de Star wars, aquele faroestezinho futurista sem-vergonha de George Lucas, e essa questão me estava ocorrendo. Quantos diálogos ridículos, meu deus do céu! Sem ligações lógicas entre o raciocínio de um personagem com o outro, sem nenhum segundo plano emocional que torne os personagens minimamente interessantes nem relações sociais verossímeis. O filme é só espuma e até hoje é um ícone pop intocável. E a fórmula, infelizmente, sempre funcionará. Cenas de ação que desafiam as leis da Física, frases de efeito pro mocinho mostrar que sempre está por cima da carne seca, e uma donzela em perigo -- pro diretor poder mostrar a plateia que seu herói é um macho penetrador e pras meninas gastarem seu dinheiro com um filme que não gostam só pra verem um final feliz -- pra ser salva no final. Bom, é preciso ter bolas pra se criticar um cânone nerd como Star wars, mas é pra isso que deus me colocou no mundo: pra pentelhar com minhas observações joselitosas. Precisavam ver as reações calorosas quando menosprezei as habilidades de Sofia Coppola como diretora, ao dar alguns pitacos sobre Encontros e desencontros para uns amigos. Tive a sensação de estar profanando algum símbolo religioso.

Filmes cult às vezes são um eficiente substituto ao Valium. Tomadas longas, silêncios mais longos ainda, pausas dramáticas... isso quando o esmero técnico do diretor é tão grande que este se esquece de tornar a história interessante para que o expectador fique até o final da película. Acreditem em mim: Godard é traumático. Mas tudo isso a gente releva. O que complica são aqueles exageros de introspecção, usados na tentativa de se dar densidade a um personagem, que dão efeito contrário: apenas o tornam uma colcha de retalhos das intenções do diretor com o filme. É chato também quando um tema interessante é usado apenas como isca para se contar uma história trivial. Pois é, mais difícil que se fazer um filme cult, é se fazer um filme cult sincero, sem roteiros meramente derivados de devaneios caleidoscópicos. Que não sirva apenas como calço de porta de sessões de cinema de espaços culturais. Ou como cinzeiro pro baseado de quem se sujeita a assistir certos absurdos cuja existência só percebemos por virarem queridinhos de críticos. No final das contas, crítica de cinema -- de qualquer coisa, na verdade -- é como discurso de funeral: é pra louvar as qualidades e esconder desdéns com defeitos. Só imagino o tipo de enterro que seja digno de se evidenciar defeitos...

quarta-feira, 3 de março de 2010

Burburinho (II)

_ Esses dias encontrei uma amiga minha que tá fazendo faculdade lá no IL. Ela comenta comigo sobre a última do Robertinho. Teve uma aula em que ele comentou sobre as novas mídias, e inclusive mencionou o fato de o Saramago também ter um twitter. Aí, na aula seguinte, ele fala de uma teoria que ele estava esboçando em 140 caracteres, e esbraveja para nozes: "ELE COPIOU MINHA IDEIA!!! Eu tive essa mesma ideia em mil novecentos e bolinha, e blablabla..."
_ Falando em ideias copiadas, esses dias eu tava comentando com ela sobre uma ideia prum conto, filme ou alguma outra forma de narrativa. Trata-se de um mundo em que a morte é uma espécie de cargo. A cada mil anos, uma alma penada é aleatoriamente escolhida para reencarnar no mundo com a função de ceifar almas alheias. Então, ela realizaria esse serviço, ao mesmo tempo em que levaria uma vida normal, mas sempre se reunindo com um conselho, também de almas penadas. Aí ela joga um balde de água fria em mim e me diz que já fizeram isso com a série Dead like me.
_ Bobinho, esse menino...

_ Esse fim de semana tava vendo filme no apê dum amigo. O lugar é tão grande que tem dois andares dentro de um.
_ Cuma?
_ Sim, o andar é dividido em dois. Na parte de cima fica um escritório.
_ O nome disso é duplex.
_ Um andar dividido em dois...
_ Duplex.
_ Cara, o cerumano é muito espaçoso...