terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Grandes lacunas da cultura brasileira

Coisas que não tem aqui que fazem com que muitos países do mundo sejam mais divertidos que o Brasi-il. Lá vão algumas:

_ Propagandas de cerveja em que os atores bebem o produto: sim, no país do carnaval, você pode anunciar seu produto de teor alcoólico de qualquer jeito. Pode elaborar as mais safadas fantasias machistas em 30 segundos, pode criar os mais retardados bordões imagináveis, pode até estereotipar minorias étnicas inteiras. Tudo menos mostrar alguém bebendo o precioso líquido. Porra, no exterior geral faz o diabo a quatro pra vender cerveja: mulheres seminuas, sugestão de consumo de drogas, piadinhas de teor sexual de vexar diretor de filme softcore... até gente bebendo cerveja eles mostram! Quanta obscenidade, gente: putaria pode mostrar. Menos mostrar gente consumindo o sagrado licor que as incita. Eles querem dar a entender, com essa caretice, que não precisamos de álcool para nos divertir de forma espontânea. Podemos até não precisar, mas pra aguentar esposa, filhos, chefe, aí sim precisamos. Ou seja, quando falamos de uma bebida dessas que torna as frágeis estruturas sociais minimamente sustentáveis, mostrar os atores bebendo não seria nada de mais. Cerveja no lugar de cachê: seria uma baita economia com as agências de publicidade. Povo sem visão...
_ Líderes de torcida durante partidas de futebol: ausência grave. Muita testosterona encerrada numa arena com dezenas de milhares de machos não pode prestar. Sacos de mijo e briga entre torcidas rivais corroboram isso. Já ouviram falar de brigas de torcida organizada durante eventos esportivos, aqueeeeles cheios de cheerleaders nos Estados Unidos, por exemplo? Pois é. Com uma meia dúzia de peitinhos bundinhas rostinhos bonitos, já dá pra dar uma equilibrada nos hormônios em fúria escondendo selvagens por trás de camisas de time. E não me venham com aquela bobagem de musa do brasileirão. Elas não fazem nem cócegas. Quando elas souberem fazer alguma coreografia, me liguem;
_ Permissividade etílica: a Rússia é um país tão legal que até um ex-presidente deles enchia os cornos de vodka e governava melhor que muitos líderes mundiais de sua época (para mais exemplos, jogue 'we love Russia' no Youtube; taí um povo que sabe se divertir). Já no resto do mundo, um inocente pileque derruba ministros e vira motivo de chacota em telejornais. Talvez tivéssemos governantes melhores com mais álcool. Esse povo se preocupa demais em compensar certos elementos de sua anatomia com esquemas de lavagem de dinheiro.
_ Resolução física de diferenças ideológicas: lá fora, se discordam de decisões políticas, as pessoas vão a encontros e convenções e jogam tortas, quebram o nariz (exemplo recente na Itália) ou controlam helicópteros de brinquedo de formato fálico (todos esses exemplos são fatos, inclusive o último, na Rússia, o país mais hors concours nesse sentido). Aqui, uma meia dúzia de manifestantes protesta pacificamente fazendo limpeza simbólica de fachadas de sede de governo, com rodos e esfregões. Isso quando não anistiamos mentores da tortura por trás de fardas. Fala sério. Gente como o Collor merecia ao menos um dentezinho subtraído em algum comício, mas em vez disso consegue uma vaga no atual desgoverno. Isso dá o que pensar. Pensar em como agredir adequadamente essa gente boçal...
_ Controle de zoonoses: detetizador deve ser uma profissão bastante restrita na Ásia. Num país onde se come escorpiões e baratas no espeto, eles não devem ter um mercado muito abrangente. Bela saída pela tangente cultural; exime as autoridades de realizar um controle sanitário. Nem cães escapam dessa. O que será que os funcionários da Sociedade Protetora dos Animais na Coreia come de almoço? Dar ração ao Totó enquanto se almoça um cãozinho saído do forno é uma situação paradoxal num lar qualquer. Em todo caso, troca-se um problema sanitário por outros: vacas sagradas, gente que cospe no chão o tempo todo... povinho esquisito. Em todo caso, esse elemento cultural é uma vantagem, nos fins de semana: quando faltar grana pro almoço, basta caçar insetos no quintal de casa e fritá-los. Se o Mc Donald's tivesse visão, começaria a vender esass merdas e abriria mão daqueles hambúrgueres escrotos que eles vendem...
_ Poligamia: essa faria sucesso entre jogadores de futebol. Seria quase uma distribuição informal de riquezas. A única parte chata seria o país ter que se adequar a uma religião chata qualquer que proíbe bebidas alcoólicas (a única substância lícita no mundo que faria a poligamia parecer um bom negócio) pra legitimar esse vetor cultural. O ponto negativo (eu disse negativo?) é que as novelas do Manoel Carlos despencariam em audiência; elas ficariam caretas demais num mundo assim.
_ Sexo em reality shows: no exterior, esses programas cheio de gente bonita e acéfala tem pegação o tempo todo. São quase como aquelas sessões privé da TV aberta, com softcore, sabe? As emissoras poderiam economizar uma grana preta con distribuidoras de filmes se simplesmente passassem sessões corujão desse hino ao ócio alheio chamado de reality shows. Sabe como é, programas assim cheio de gente que tá no atraso desde que entrou na casa, fazenda ou algo que o velha, é terreno fértil pra isso. Mas como não sou dono de canal de TV, whatever. Já basta aguentar esse circo no horário nobre. É nessas horas que a TV a cabo deixa de ser um luxo...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Suicídio assistido

Suicídio assistido vira negócio de natureza industrial
por João Pereira Coutinho, para a Folha


Sou contra a pena de morte. Não interessa se a pessoa a merece. Ou se a solicita. Matar é matar. Excluindo casos de autodefesa, que não entram na categoria, penas capitais são homicídios voluntários. Ludwig Minelli discorda. Quem é Minelli? Segundo a última edição da revista americana "The Atlantic", que dedica ao homem artigo notável e arrepiante, é fundador da polêmica Dignitas, empresa suíça que permite uma morte eficaz a quem não tem uma vida plena. Ou, no mínimo, perspectivas de uma vida plena.

Até o momento, foram mil os clientes da Dignitas que entraram pelo próprio pé e saíram entre quatro tábuas, ou reduzidas a uma urna de cinzas. Existem 6.000 na lista para limpeza futura. E o sonho de Minelli, se "sonho" é a palavra certa para aspiração tão macabra, é poder um dia aplicar o tratamento a qualquer pessoa que o deseje, doente ou não. Nas palavras de Minelli, o suicídio é "o último direito humano".

Verdade que a Suíça não está isolada na lista dos países onde o suicídio assistido é legal. Na Holanda, na Bélgica, no Luxemburgo e em certos Estados americanos, como em Wa- shington ou Montana, doentes terminais podem apressar o fim. Mas a Suíça é mais "liberal" na prática; e a Dignitas é o símbolo dessa liberalidade, aceitando clientes de todo o mundo que viajam para Zurique em busca de uma saída. "Turismo suicida", eis o nome do fluxo. Que nome.

O artigo não tece nenhum julgamento sobre as práticas de Minelli. A lei permite. Cumpra-se a lei. Mas, lendo as descrições do negócio, é difícil não sentir um arrepio de horror pela espinha abaixo.

O horror começa na natureza "industrial" das matanças. O cliente chega. É instalado em quarto da empresa. No dia combinado, e na hora estabelecida, é levado para uma divisão apropriada, onde recebe uma mistura química que vai neutralizando os seus sinais vitais.

Finalmente morto, o corpo é removido. Conta Minelli que, antes da Dignitas ter instalações mais apropriadas, longe da vista comum, o cortejo de corpos provocava indignação entre as vizinhanças burguesas. Imagino.

Depois de removidos, os corpos são levados para os fornos crematórios. Onde eu já ouvi isso? Aliás, as ressonâncias do cenário não ficam pelos fornos. Também se aplicam ao método. Na Suíça, existem quatro grandes empresas que operam no negócio da morte. E todas elas usam pentobarbital sódico, uma combinação poderosa que permite uma morte "limpa" e "indolor". Infelizmente para Minelli, os médicos não são generosos na prescrição do pentobarbital, e a maioria desaprova os entusiasmos mórbidos da Dignitas. Minelli tem procurado outros meios para os mesmos fins.

Nos últimos tempos, tem gaseado os clientes. O espetáculo, admite o próprio, não é bonito de ver. Um corpo moribundo, perpassado por violentos espasmos, nunca é bonito de ver. Mas, garante Minelli, não há qualquer dor no processo.

Acredito. Mas a dor não é apenas uma questão física; também existe uma dor moral que parece ausente da consciência do homem. Minelli e seus cúmplices aproximam-se da morte, e da eliminação física de seres humanos, com a mesma naturalidade mecânica que podemos observar nos matadouros. A lei permite? Sem dúvida.

Mas essa espécie de positivismo ético não nos leva longe: uma história da legislação humana, ao longo dos tempos, seria sempre uma história de brutalidades abençoadas pelos códigos. O negócio de Minelli suplanta os códigos e lida com a pergunta última da nossa condição: seremos apenas meros animais para abate quando a doença nos visita?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Profissões (sic) superestimadas

Artistas: falam desse povo como se eles fossem entidades metafísicas as quais quaisquer dejetos verborrágicos que venham a soltar valesse ouro. Falam deles como se todo artista fosse ativista. Falam como se esse povo tivesse nascido pra ser revolucionário. Gente, fama não é carreira. Não acredite quando a mídia capitanear uma meia dúzia de sucessos como carreira. Arte é fruição, portanto não tem compromisso algum com aspirações profissionais (sic) ou apenas do ego. Enfim, cigarras em mundo de formigas.

Modelos: se andar rebolando o quadril fosse um emprego de verdade, o Brasil passaria décadas sem registrar taxas de desemprego acima do 0,0001%. O tipo de bico (sim, um bico) onde ser apenas um rostinho bonito é pré-requisito para ser empregado (sic). Eu não aguento quando as revistas falam de alguém que é ator/modelo/cantor. Todos nós sabemos que não dá pra ser os três ao mesmo tempo. Quando beleza é currículo, temos um mercado perverso rondando nossas capas de revista. Quanta adolescente cheirando a leite por aí torra dinheiro dos pais brincando de ser modelo em cidade grande, vonitando entre um desfile e outro? Esse tipo de mercado não tem estranhos parlelos com atividades clandestinas, ilegais? Drogas caras nas festas mais chiques, testes do sofá, pegação total em nome de fotógrafos frustrados...

Lutadores de vale-tudo: já vi barracos mais emocionantes na escola do que aquelas lutas. Sem falar que esses combates mais parecem uma sublimação de tendências homossexuais de muitos que assistem e/ou lutam. Aquele shortinho colorido, as mordidinhas na orelha, o cuidado übermetrossexual com a saúde... eles não me enganam. Um dia ainda vão criar uma categoria onde os lutadores terão de se besuntar com óleo. Querem mesmo que eu leve a sério um esporte (sic) herdeiro direto do Wrestle americano e do Telecatch? Considerar esporte uma mera atração dominical no melhor estilo Faustão é demais. E não me venham com essa conversa mole de luta greco-romana ser esporte olímpico. Eles não tinham televisão na época, capisce? Sem falar que gregos, desde o tempo de Sócrates, já eram meio chegados em se amarrotarem com outros machos.

Filósofo: hoje em dia, eufemismo pra vagabundo. Ou petista. Vai me dizer que é profissão um sujeito que passa a vida inteira refletindo mas nunca põe em prática nada do que teoriza? Teorias que o próprio teórico não põe em prática nunca prestam. Lembram-se do Manifesto Comunista? Aquele verme alemão condenou milhões de civis mundo afora mas nunca experimentou as sandices sociológicas que propunha em seu tratado. Então, aprendam a lição, queridos: não confiem em filósofos. Tudo que eles fazem é masturbação mental. Mais ou menos o que você faz no bar com os amigos quando fala de temas que só a bebida te convence você ser expert, só que com muito mais pedância.

Atendente de telemarketing: e-mail pentelha o consumidor com rapidez bem maior. E sem grosserias de pessoas que recebem propaganda não-solicitada. Sem falar no desserviço que essa prática gera na sociedade. Consumidores se sentindo ludibriados com promessas mentirosas, ligações inesperadas que geram constrangimentos, e venda de bancos de dados com informações de consumidores desavisados. Inclua aí também o atendimento ao consumidor e suas musiquinhas de espera: você precisa merecer ser atendido, segundo a filosofia de trabalho deles. Com tanta coisa que já se faz online...

Jornalista: não vou chutar cachorro morto e dizer que é por causa do diploma facultativo. É por causa dos vícios dessa classe por si só, mesmo. Fontes que não são confirmadas, mídias colaborativas que são íma de boataria e analfabetos funcionais e notícias do Terra que maculam uma classe inteira ('Luana Piovani passeia com o cachorro' nunca vai ser notícia, jovens). Os mais medíocres vão terminar como assessores de imprensa. Os mais medíocres ainda vão terminar colaborando para jornais online. Os analfabetos vão ficar com o que sobrar: aquele zinezinho sem-vergonha que chamam de mídia impressa. Num contexto onde as pessoas podem escoler quais e quanta informação desejam consumir, pouca diferença faz no nome de quem a notícia foi gerada. Também falo de opinião, nosso próximo emprego superestimado.

Colunistas: você deixa de assistir filmes ruins por causa de críticos? Deixou de votar no Lula por causa de Diogo Mainardi? Bom, isso deve dizer o suficiente sobre colunistas. Cuja maioria só escreve suas bobagens rigorosamente alinhada à mentalidade continuísta da classe média. Dar nome a opinião é algo a se pensar. Notícia tem nome, por acaso? O dono do grupo de notícias para o qual eles escreverem, decerto tem.

Técnicos: sim, os de futebol. O Brasil tem centenas de milhões deles, mesmo. A maioria dos jogadores nem aqui joga, mesmo. Vai chegar o dia que até técnicos serão escalados do exterior pra jogar em seus países de origem.

Sexólogos: o pior é imaginar que tem gente que assim se intitula. Enfim, revistas adolescente falam o suficiente sobre o assunto. E a Tv ilustra mais do que suficiente sobre. Hoje em dia, portanto, o que é tabu não é o sexo. É a abstinência. Mas isso a mídia do comportamento não quer que você saiba; eles querem continuar vendendo aqueeeelas revistas com mais do mesmo -- sugerindo que sua vida sexual precisa ter padrões olímpicos --, com dicas para apimentar a relação, lugares pra comprar consolo, etc.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Breguices

_ Figurinos de vilões da Grobo: preto é básico, mas nessa galerinha é um uniforme.
_ Coleção de copos de requeijão da Caras, que ela denomina de "Royal Collection", com detalhes "folheados a ouro". Aqueeeeeela com a Princesa Paola de Orleans e Bragança aparecendo nas propagandas, parecendo um pastel de belém recheado, sabe? Pois é.
_ Alvin e os esquilos 2: qualquer desenho animado com dubladores cuja voz possui uma agudez humanamente impossível de se atingir é sumariamente irritante!
_ Indústria póstuma da Literatura. Consiste em que escritores menos conhecidos que, com a batuta da família do falecido, escrevem obras em seu nome. Sidney Sheldon é um exemplo. Ou você acha que alguém psicografa os livros que publicam dele até hoje?
_ Sandálias Croc.
_ Sandálias Croc. Só pra ficar claro.
_ Atrizes velhas que ficam saindo com garotões. Coisa mais asquerosa. Abuso de menores, isso. Nisso que dá não aparecer um macho de verdade pra empurrar numa mulher quando jovem. Aí envelhece e fica tentando compensar. Caprichem no Corega, senhoras...