quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O Brasil não é um país sério


Até tirei Print, de tão surreal que a notícia parece. Talvez eu até faça uma seção fixa no site com notícias assim. Já tinha ouvido falar de um caso assim no quadro 'Proteste já', do CQC. Mas achava difícil algo assim acontecer em alguma das ruas antigas, tortuosas e estreitas de minha cidade. Provavelmente vai acabar em pizza. Lembram-se da passarela do 3 américas? Para quem desconhece do que falo, trago aqui o asssunto. Há muitos anos atrás, foi construído um shopping center num terreno que pertence à União. O que se iniciou em uma área urbana municipal se estendeu no quintal de propriedade federal. Mesmo assim o shopping foi erguido porcamente, pela metade, como tudo nessa cidade, onde consideramos normal obras, mesmo as privadas, serem inauguradas com pedreiros ainda pintando muro e rebocando paredes.

E não para por aí. Sem ter para onde crescer, eles ampliaram as dependências do local construindo um prédio novo, não anexo. Também em área da União, com um córrego bem atrás. Ecologicamente correto, como se vê. Aí, como os prédios (e não falo apenas desse construídos em terras da União; falo do outro onde ficam as salas de cinema hoje em dia) não tem nenhum acesso físico ligando um ao outro, decidem fazer uma passarela. Segundo nossas leis, obras não podem se encontrar acima do solo, como é o caso da passarela. "Danos ao meio ambiente", argumentam os promotores. Sorry, dotores, mas essa vocês perderam. E vão perder a questão da Tufik Affi fácil fácil se não agirem rápido. O argumento de se evitar tráfego com a passarela, apesar de esta ter usufruto particular, perdurou. E quanto a se vender ma rua inteira?

Me lembro que, na época de escola, ouvi alguns boatos de que eles queriam construir uma "estação de integração" naquele terreno bem em frente à essa rua, portanto bem na frente do Atacadão. Imagino o berreiro que os empresários do local devem ter feito. Agora eles devem estar beeeem quietinhos. É como o ditado britânico diz: dinheiro fala. E manda o interesse público à merda quando bem entende.

Para quem não se lembra, em meados dos anos 90 o ex-prefeito Roberto França construiu, em vários pontos na cidade, terminais para as linhas de ônibus funcionarem em integração. Quem pegava uma linha nem precisava saber ao certo como chegar onde queria ir; bastava saber em que estação de integração a linha passava. A ideia era boa, sua execução não foi. Cuiabá é um desastre do ponto de vista urbanístico. O descaso de décadas de administrações ruins incide até hoje num centro comercial sem infraestrutura que não atrai mais empresas há décadas, além de ruas estreitas, poucos acessos alternativos e trágico descaso com o patrimônio histórico. O resultado disso é uma cidade onde temos dificuldade de encontrarmos elementos de seu passado, bem como regiões tradicionais sendo descaracterizadas pela ausência do poder público, como o Porto. Quem se lembra da Estação Bispo Dom José tem um exemplo emblemático disso. Simplesmente por falta de adequação viária, uma praça de importância histórica, que continha um pedaço valioso de seu passado, além de ser um passeio público, foi totalmente desfigurada pra dar lugar a um ponto de ônibus gigante. Não tão gigante, como o crescente tráfego na cidade mostraria em pouco tempo. Todas as infames estações de integração foram desativadas em 2005; apenas as que ficam dentro de bairros, com avenidas principais amplas e mais preparadas para receber tantos ônibus, continuam em funcionamento.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Ai ispique ingliche

O léxico de uma língua diz muito sobre a índole de um povo. Peguemos o inglês por exemplo. Mesmo palavras cotidianas dessa língua tem um quê de morbidez. A expressão I'll kill you, vejam só, indica mera exaltação dos nervos de quem fala. O que me chama a atenção é o elitismo envolto nos jargões militares, que não se desvencilham das raízes francesas (isso é uma constante em todo o idioma, mas o elitismo aqui está na cristalização do léxico, independente dos caprichos fonéticos da língua inglesa). Observe o nome das patentes, pra constatar isso. Essa natureza beligerante deles também se estampa nos profílicos idioms presentes em situações de contexto bélico. Por exemplo, a direção em que o inimigo se encontra encontra analogia com um relógio. Target, 12 o'clock. Ou seja, uma criatividade linguística incomum num idioma onde phrasal verbs (verbos que combinados com preposições definem vários contextos para o uso de um verbo) e poucos instrumentos etimológicos/gramáticos para adaptação de palavras estrangeiras predominam. Quando afirmo que os povos de origem inglesa são beligerantes, me lembro daquele discurso clássico de Patton, em filme homônimo, logo no comecinho da película. Raríssimo uma cena resumir tão bem o Zeitgeist de um povo tão concisamente, de forma tão marcante.

Um outro ponto é a universalização por que a língua passa: verbos e substantivos latinos importados sem muita cerimônia demonstram isso. Mesmo que, para o falante nativo, essa forma de 'adaptação' feita pelos falantes estrangeiros por vezes soe como elitista, remetendo à tradição catedrática de se usar o latim em quaisquer áreas do conhecimento. Mas isso é chover no molhado; continuemos com meu raciocínio. Os falantes nativos, em seu imaginário coletivo, parecem ver o porte de armas como parte de sua liberdade individual, e a batalha como um direito. Tal vanglória coletiva se reflete também na relação desse povo com o dinheiro, visto aqui como a válvula de escape definitiva, numa cruel associação com autoestima. É quase um crime ser pobre em países anglófonos; basta ver a forma estereotipada com que eles são retratados. Essa obsessão por vetores de pecados capitais, portanto, diz muito sobre a língua que eles falam. O inglês, apesar de não possuir artigo definido neutro, possui terceira pessoa do singular neutra, impessoal: it. Mas, quando se fala de bombas e quaisquer projéteis que explodam, she é usado. Uma alusão ao feminino, uma espécie de ode à destruição. A Vênus da pólvora condensada num pronome pessoal. A interpretação que o Ocidente tem do feminino, de yang do yin, do preto no branco, se observa aqui: a energia negra é acentuada por um pronome feminino. Eu ia até indicar um livro excelente onde Simone de Beauvoir fala sobre a questão do feminino sob um ponto de vista mais filosófico, mas a vida é curta demais pra se ler a masturbação mental desse povo intelectual.

Me lembrei agora dum documentário que passou no euro channel sobre como, supostamente, a língua alemã teria sido usada de forma ideológica durante o regime nazista, seja nos documentos oficiais, seja pela escolha das palavras. Incrivelmente chato, sem música de fundo, mas interessante. Daria algo legal fazer algo semelhante com a língua inglesa.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Dois tapas na cara

Quando a gente fala, a gente se escuta.

Um exercício pra você: TOLERAR as relações.

(essa última, então...)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Nem parece banco (II)

Dinheiro vindo do nada
Referenciado em www.mv-brasil.org.br

Uma sociedade sem dinheiro vivo e os microchips são parte de uma ferramenta fundamental no controle da existência humana: o sistema financeiro mundial.

Pergunte às pessoas porque elas não estão dizendo ou fazendo o que realmente acreditam ser o correto e a resposta será medo. E uma das principais expressões desse medo é a necessidade de ganhar dinheiro para sobreviver. Essa é a idéia: se você pode inflar artificialmente o custo das necessidades básicas como comida, moradia e vestuário, você pode pressionar as pessoas a servir o seu sistema. Quanto menos você precisa ganhar, mais escolhas você tem para viver a vida como achar melhor. E quanto mais você precisa, menos escolhas você tem.

Essa fraude é fundada na maior de todas as trapaças: o pagamento de juros sobre um dinheiro que não existe. O fato de que nós, como um todo, toleramos isso, revela muito sobre a escala da clonagem mental coletiva que tem se espalhado neste planeta.

Os bancos controlados pela Elite estão emprestando legalmente (como de costume), dez mil dólares para cada mil que eles realmente possuem. É como se você possuísse cem dólares, mas emprestasse mil para os seus amigos e cobrasse juros por isso. Se cada um dos seus amigos exigisse dinheiro vivo, você não poderia fazer essa fraude funcionar, mas os bancos não têm esse problema porque a maioria das suas transações não envolve dinheiro vivo. Eles trabalham principalmente com "dinheiro" teórico: cheques e cartões de crédito. Se todo mundo fosse ao banco ao mesmo tempo para pedir o seu dinheiro de volta, os bancos acabariam falidos muitas vezes porque eles estão emprestando uma quantia muito maior do que eles têm depositado. Apenas uma fração do dinheiro que os bancos “emprestam” existe fisicamente.



Como estragar um texto com informações relevantes e a abordagem de um contexto feita de forma acessível? Simples: brincando de militante do PSTU, defendendo um nacionalismo adolescente. Apesar desse erro clássico, recomendo a leitura desse artigo de David Icke, cujo excerto exponho acima. Ninguém fala de bancos, e convém levar em conta o que os poucos que se aventuram tem a dizer. Porque, como vocês tem observado, levar a sério jornalismo de emissoras que falam de uma tragédia natural como o terremoto do Haiti com uma cara de cobertura de reality show não dá.

Assuntos como falar das taxas de juros daquele banco completo e presença são pautas que não cabem em meio a tantas chamadas de reality shows, jogos do Brasileirão e atrações da novela das 8. Essa turma que compra o leitinho das crianças em cima de juros de endividados manipula políticos, empresários, mas parecem invisíveis. Esquemas de corrupção que caem na mídia, por exemplo, nunca incorrem no atrevimento de mexer com a imagem de bancos poderosos. Sei lá, ainda vai chegar um momento em que voltaremos ao tempo dos impérios, aquela forma de governo com um líder de poderes absolutos, que se afirma enviado de um deus pagão qualquer. A única diferença da Antiguidade clássica pra agora é o deus a ser reverenciado: o nome dele será dinheiro. E caberá no seu bolso. Viva a Era da Informação!!!

Cheguei a esse texto por causa de uma imagem das férias: um cartaz de nacionalismo exacerbado do MV-Brasil, ONG nacionalista, com os dizeres: "Haloween é o cacete! Viva a cultura nacional!" Pensei com meus botões, 'veja só, eles ainda existem!'. A primeira vez que tinha ouvido falar deles foi há muitos atrás, quando me deparei na internet com um papel de parede com a Mônica expulsando o Pernalonga. O discurso de DCE continua o mesmo; pelo menos rola de vez em quando alguns textos como esse que encontrei. Pelas imagens do site, dá pra ver que eles continuam bem ativos! Participam de várias manifestações, dão entrevistas... sei lá, quando a ingenuidade alheia tem algo relevante a dizer, não é necessário anularmos todo o discurso por causa disso. É por desconhecer isso que colunistas tem uma relação tão predatória. De vez em quando, o jornalismo é a pior das máfias. Um exemplo é Bianca Abinader. Não ponho a mão no fogo por políticos pra citar um deles como exemplo, então paro neste, no caso uma servidora.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Desastres da retórica (V)

Não vou falar nada: quando uma mulher (sim, essa frase será proferida por uma) soltar essa, tenha certeza: ela está irritada o bastante pra dar a entender que está exaurida o suficiente pra te encher o saco com o mesmo discurso repetitivo, chato e politicamente correto. Mas tenha outra certeza: ela não se conterá, e pouquíssimo tempo depois entrará num círculo vicioso, reclamando insistentemente da mesma coisa. Não porque elas não são conformistas, mas porque elas precisam deliberadamente reclamar de alguma coisa quando julgam o feedback do parceiro ser insuficiente pro grau de atenção que desejam receber, ou então quando o feedback nada tem a ver com o que desejam receber. Contudo, esse aparente paradoxo não merece exagerada preocupação; raramente elas sabem o que querem. Como eu falei no primeiro post de novembro passado. O que merece preocupação é quando realmente elas não falam nada...

Depois eu te ligo: clássica saída pela tangente. Você não quer combinar alguma coisa pessoalmente, então usa um aparato de comunicação como álibi para seu desinteresse em combinar algo com alguém. Muito embora essa frase feita externe também a inabilidade de muitas pessoas de honrarem compromissos e de quererem fazer tudo de uma vez, achando que telefones funcionam como um botão de espera. O telefone funciona muito bem como subterfúgio da indiferença; o da mentira, todos os outros meios de comunicação, sejam os que os usuários sejam ativos, seja os que sejam passivos. À medida que a tecnologia avança, mais fundo vamos para os subterrâneos da natureza humana. Não que precisemos dela para isso...

Ah, mas a simpatia o deixa bonito: essa a minha irmã soltou durante as férias. Ela se referia a um cara com cerca de 1,65, casado com uma loira sulista um pouco magra de mesma estatura, que fazia as excursões com a gente. Puxava assunto com todo mundo, já tinha feito alguns amigos durante a semana de convívio e tava praticamente fazendo contrabando, de tanto aresanato que estava levando pra volta. O fato é que não se trata de um homem dotado de caracteres de beleza que as mulheres procuram. É japonês mestiço, baixo e um pouco acima do peso, portanto longe dos padrões das novelas. Isso me lembra dum conselho imbatível em relacionamentos que chegou a mim: "ao feio só resta ser legal", eu ouvi. Aquilo me intrigou, mas meu breve esboço de hipocrisia caiu rapidamente por terra. Ouvi falar também que o humor seria uma característica mais masculina. Ou seja, elementos que favorecem a empatia seriam associados à testosterona por fazerem parte do ato de cortesia, a que todo homem precisa se dedicar para conquistar uma mulher. Ou seja, para as mulheres o mundo é um gigantesco cardápio -- no tocante a relacionamentos --, onde elas reclamam constantemente da comida ao mesmo tempo em que estranham a demora no atendimento.

Distorções cognitivas: não falarei de nenhuma em particular. Trata-se de termos teorizados por Robert Leahy, doutor em psicologia cognitiva, ainda vivo, que possui artigos bastante elucidativos em seu site, além de dezenas de livros lançados. Quando você se cansar das teorias de boteco minhas, procure algo dele e boa leitura. Beijomeliga.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Porque é belo?

Eu gosto de saber explicar porquê gosto das coisas. E é por isso que repudio os ecléticos. Essa gente é daquele tipo que aprecia mais a popularidade de algo do que sua composição propriamente dita. Uma coisa que me deixa incomodado é, por exemplo, ver um filme, e não saber ao certo porque aquela cena me desperta certas emoções, independente do que esteja visualmente impresso em película. Ou mesmo em músicas, ao constatar que aquela experimentação (ou ausência dela) faz uma sopa com várias coisas em seu estado de espírito cuja receita você desconhece. Assim, certas ciências como a semiótica até atribuem explicação a certas coisas, mas análises (feitas por estudiosos ou não) parecem baratear tanto a essência de uma produção artística que facilmente caem na canastrice. Vide a legião de puxa-sacos na web e seus fóruns analisando letras de suas bandas favoritas.

Conceitos como o inconsciente coletivo de Jung, convenções sociais, ou o conceito da arte pela arte, propriamente dita vêm a tentar atuar como complemento a isso: correntes artísticas que vendam os olhos ao contexto a seu redor e produzem sob a premissa de arte pela arte acabam se tornando vazias (já que o belo, sem uma mobilização específica no espectador, parece inútil): eles devem ter algo a dizer? Será que devíamos voltar aos pensadores antigos ou apenas revisitar mais a filosofia? Seria mais honesto nos debruçarmos ante teorias apropriadas do que nos apoiarmos tolamente nesse livre-arbítrio ao tentarmos expressar como uma obra se manifesta em nós? Talvez. Mas escolas, correntes e movimentos não são para as massas: são poucos os que sabem argumentar a respeito de seus próprios gostos. Se é que isto deve ser levado em conta; a crítica literária que o diga.

Será que tudo que nos agrada artisticamente não passa disso, de metáforas? E o que se afasta de nossa compreensão tanto material quanto metafísica de mundo? É possível também que elas funcionem como formas de se falar de temas universais de forma dissociada das amarras da verossimilhança linear. Símbolos, analogias, sugestões e outras formas de se sugerir e condensar contextos parecem nos fascinar mais do que a mera condução a um final feliz. Sim, para esse meu argumento ignoro as apetências das massas; levo em conta apenas quem sabe admirar as coisas além das aparências.


Odeio terminar posts assim, sem sair desse andar em círculos...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Relógiofone

A LG está realizando meio maior sonho retrofuturista de todos: falar ao telefone por meio de um relógio de pulso (GD910), como nossos super-heróis favoritos faziam antes do advento da tecnologia dos telefones celulares. A bateria nunca acabava e não tinha conta no fim do mês. Todo mundo era ligador (vá à merda, Oi) e não precisava ficar perdendo a dignidade com promoções ridículas de operadora. Me lembro até duma propaganda antiiiiiga da Intel, do começo dos anos 90, em que o maluco tinha um relógio de pulso supersofisticado, que fazia tudo, até digitar texto e elaborar gráficos complexos. Só faltava cozinhar pro cara. Naturalmente, o design desse telefone que a LG quer emplacar não me agradou muito. Nos filmes e desenhos, o relógio era mais encorpado, quase como um escudo, uma caneleira no braço. Eu digo a vocês: a LG soube explorar um nicho interessante, o dos consumidores nerds fissurados em ficção científica. Mas se eles tivessem visão mesmo, deixariam de lado essa viadagem de relógio -- cá pra nós, um atentado visual mesmo para os padrões de designers -- e desenvolveriam alguma tecnologia que simulasse as transmissões de vídeo holográficas de Star wars. Não precisava nem ser uma tecnologia nova; um simulacro vagabundo e infantil já seria suficiente, tipo uma animação em flash. Sei lá, um mini-HD que registrasse, numa resolução baixíssima, uma pequena gravação ao vivo da pessoa do outro lado da linha, com umas piscadas intermitentes -- que a empresa poderia argumentar como um charme da tecnologia holográfica, em vez da limitação da quantidade de quadros do ministreaming -- já seria ouro. Não havera iPhone que aguentasse tal concorrência. Imagino as filas intermináveis de nerds para comprar uma merda desses, num prazer quase sexual de exibir aos amiguinhos fantasiados de Han Solo seu mais novo brinquedinho. Te cuida, Steve Jobs. Eu tô chegando...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Pra começar 2010

Os rabugentos são as pessoas mais sinceras do mundo.

Adendo: hipocrisia é uma forma bizarra de humor, de ironia. A rabugice é um diamante a ser lapidado; nunca o desdenhe no outro.