terça-feira, 22 de setembro de 2009

Coisas essencialmente bregas

_ Novos ricos;
_ Rappers cujos clipes tem mais mulher do que todas as que você traçou em sua vida juntas;
_ Gírias reducionistas: mara, sensáci...
_ Fotos de formatura cujo uso excessivo de flash mais parece uma mão de cal na cara da pessoa o que uma mera luz projetada em seu rosto;
_ Gente que usa ternos sem gravata;
_ Depoimentos de reality shows;
_ Backing vocal de grupos de pagode (além do grupo em si, claro);
_ Debates em programas de auditório sobre assuntos polêmicos;
_ O arquivo confidencial do Faustão;
_ Entrevistas de jogadores de futebol;
_ Eventos que usam músicas do Kenny G enquanto os convidados não tomam a palavra;
_ Comédias românticas onde os pombinhos só declaram seu amor na cena final quando começa a chover;
_ Qualquer clichê de filme de terror enlatado, a saber: lâmpadas que nunca se acendem, mulheres que passam o fim de semana sozinhas em casa, tombos que nem minha avó levaria, irmão gêmeo morto no parto querendo vingança...
_ Cartazes de filmes cujo fundo é branco: filmes assim nunca prestam. Nunca!
_ Dinâmicas de grupo feitas pra emocionar;
_ Calças com estampas;
_ Canetas com glitter;
_ Propagandas da Colgate;
_ Qualquer ator antes da fama;
_ Strip-teases caseiros no Iutúbe;
_ Programas de namoro na TV;
_ Usuários de caminhonetes 4x4 na cidade;
_ Softcore (de qualquer coisa).

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Confissões de uma memória fotográfica horrível

Voltando do feriado de Independência, enquanto faço check-in de minhas malas, com a possibilidade de acabar ficando no chão por causa duma cagada master da agência de viagens, meu irmão pede para que eu olhe à minha esquerda. 'Olha, é aquela atriz de Confissões de adolescente', diz. Lógico que tento dar uma olhada discreta; era fã da série. Umas seis olhadas discretas depois, acabo me recordando da merda de memória fotográfica que tenho e desisto. E ainda indago sobre a possibilidade de ele estar enganado. Porra, as três irmãs do seriado eram a Deborah Secco (do tempo que ela não tinha bunda o bastante nem pra posar na Capricho), a Paloma Duarte e uma terceira que não me lembro. Depois de muito pensar, ainda pergunto a ele: só pode ser a autora, a Maria Mariana. Não há outra possibilidade. Mas tudo ficou mais embananado ainda quando ele falou que a autora era uma das irmãs. Será?

Só mesmo a tecnologia pra cobrir as lacunas de minha memória televisiva, e lá fui eu. Antes de fazer essa pesquisa, me lembrei duma entrevista que ela deu pra Época, falando do orgulho que tinha de ser mãe, e irritando as feministas com sua opinião sobre o casamento (ao dizer que "Deus quer o homem no leme", frase dita nessa entrevista sob um contexto que a imprensa não estava disposta a expor com a sinceridade devida) e a posição da mulher nele. Uma posição bastante articulada, madura, materna e feminina -- que pensa uma união afetiva como um processo de compleição, e não como a uma zona de conforto feita para esquecermos quem somos, como placebo da solidão --, distante dessa mentalidade competitiva e hedonista que domina as mulheres de nossa geração. A autora possui uma opinião e senso de justiça próprios que por vezes desafiam involuntariamente algumas convenções sociais preguiçosas. Por isso mesmo a pessoa da artista me agrada tanto. Coisa que é raríssimo acontecer (adendo meu: jamais assistam entrevistas de cantores da MPB). Enfim. Fiz a pesquisa e... sim, minha memória fotográfica é uma merda. Paloma Duarte NUNCA atuou na série. Pior: eram QUATRO, e não três irmãs, como imaginava. Que a Maria não leia esses deslizes meus.

O episódio que ficou mais vívido em minha cabeça foi o do primeiro beijo. A forma como a mais introspectiva delas lidou com isso sempre me trouxe certa identificação; até mencionei isso no passado aqui no blog. A rodinha pra beijar que a turma da sala da Deborah Secco fez... e a cena do espelho, lembram? Elas ensaiando nele? Sim, a adolescência é uma época triste. Tudo durante ela parece especial, até nossa falta de dignidade (a presença dela é imaginária, e como vamos rir disso ainda...). Bom, só sei que, uma escala e seis horas de entra-e-sai de avião depois, ao pegar minha bagagem já em casa, nós dois encontramos a mesma menina, que supúnhamos ser a Maria Mariana, pegando sua bagagem. Mas mesmo que eu não tivesse me equivocado, não pediria autógrafo; passo longe desse tipo de tietagem. O valor sentimental do trabalho de um autor passa longe de uma mera amostra de sua caligrafia. Pois é. Aquele narizinho me enganou. O olhar também, talvez. Espero que a polícia nunca precise de mim para realizar um retrato falado. Temo pela pobre alma que pode ver o sol nascer quadrado por causa de mim...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Começo de semana

Boa maneira de começar a semana. Essa folhinha fica bem em frente à minha mesa no trabalho...

Filtro social

Brian Stelter has a great piece in the New York Times that I urge anyone interested in the media business to go and read right now — I’ll wait — and that includes reporters, editors and (most of all) managers, and probably IT departments and designers as well. The context of the piece is political reporting and political news, but I think the points Brian is making are relevant to the entire industry as a whole.

It’s not that there is anything earth-shatteringly new in the piece, mind you. But I think it does a great job of describing how digital “word of mouth” — in other words, social networking of all kinds including Twitter, IM, Facebook and so on — has become a dominant means of news delivery for young people in a way that I’m not sure old geezers like myself quite grasp, no matter how often people describe it (...). As Brian describes it in the story:

In essence, they are replacing the professional filter (reading The Washington Post, clicking on CNN.com) with a social one.

And then Stelter mentions Jane Buckingham of the Intelligence Group, a market research company, and says that during a focus group, one of the subjects — a college student — said to her:

"If the news is that important, it will find me."

Think about that for a second (...). I think that sums up, in ten simple words, what has happened to the way that many people (and not just young people, but those who use RSS readers and blogs and social networks as well) consume the news (...). Not only is there just so much of it out there that it’s virtually impossible to consume it all, but the very fact that someone you know — or trust — has passed on or blogged or Twittered or posted a link makes it more likely that you will read it.

Are most websites designed with this kind of principle in mind? Not really. Most of them are still designed as though people read the news the same way they do in the paper — starting at the front and moving page by page towards the back (of course, many people don’t read the newspaper this way either, but that’s another story). In reality, people come from every conceivable angle, dropping into stories and then disappearing, finding them through links and posts and Digg and elsewhere.


(texto daqui, encontrado aqui. Ambos via RSS no Google Reader, o que indica que me incluo na geração do filtro social, aquela que se guia mais pelas tendências e indicações alheias de uma informação do que pela reputação da fonte que a produziu. Folhear revistas ficou sooooo last week...)

domingo, 13 de setembro de 2009

Mulheres de óculos

(Foto por Makesmelaugh, em www.deviantart.com)

Tem coisa mais bonita que mulher de óculos? Os dois globinhos oculares sambando por detrás das lentes são o máximo. O franzir de sobrancelhas ladeando o estado de espírito, as armações funcionando como a escudos dos pudores denunciados pela dilatação das pupilas e as lentes trazendo aquele ar de sofisticação. Como se óculos fossem a cortina e os olhos, os bastidores da alma. Todo o resto em seu gestuário, um elenco à mercê de um diretor cheio de manias em sua cabeça.

Muitos, inclusive meios de comunicação, associam o uso de óculos à introspecção ou ao intelecto. Bobagens. Primeiras impressões. Já que acabo de expor estes tolos mitos, falemos do que cada elemento de um óculos diz sobre elas. As armações, por si só, já dizem muito: a cor do aro, a grossura das hastes, se estas são vazadas ou não... as mais básicas -- grossas, com cores lisas -- indicam meninas que priorizam o conhecimento à estética (sem descuidar do segundo); as de grifes famosas, classe (e menos propensão a se ater a causas ideológicas); as sem muitas surpresas (geralmente metálicas, mesmo), indicam meninas com um conhecimento invejável em suas áreas de atuação, mas considerável ignorância quanto aos assuntos relevantes do mundo. Uma outra coisa importante a se observar são o formato das lentes. As retangulares mostram uma preocupação com a adequação das lentes ao formato do rosto (vaidade em primeiro lugar); as circulares e grandes, uma preocupação maior com o alcance das lentes; as retangulares com altura um pouco maior, quase quadradas, mostram uma tendência meio vintage, além de denotar uma menina que quer se auto-afirmar mais pelo conhecimento que tem do que pelo rostinho bonito.

Comentei isso com uma ficante uma vez e ela ficou indignada. Não conseguia entender o porquê daquilo; achava tara de nerd. Porra, tara de nerd é anime. Mas sei lá, óculos dão um quê de pudor que me atrai. Se pararmos pra pensar, óculos são um acessório bastante subestimado pelas mulheres. Elas se enchem de penduricalhos como brincos, piercings, presilhas e pulseiras e ninguém fala nada. Agora, se em determinado contexto elas usam óculos, são tomadas por pessoas ultrapassadas, desligadas de um mínimo de estética. Um exagero. Afinal de contas, óculos adornam uma das mais ariscas expressões da linguagem corporal, os olhos. Há que se dar uma importância estética maior a isso, sob esse aspecto. Em alguns grupamentos sociais, certos nós num lenço ao pescoço ou alguma marca corporal dizem muito sobre a posição social da pessoa; devíamos repensar isso por meio dos óculos. São o tipo de acessório que, por serem úteis, não têm porque saírem de moda. Ou seja, um elemento universal da indumentária pessoal.