sábado, 25 de abril de 2009

O tempo está acabando...

...e não sei o que pensar disso. Não sei se surto, não sei se relaxo. Não sei porque busco dúvidas no outro quando tenho as minhas por conta própria. O que sei é que o futuro e o acaso parecem irmãos gêmeos, de vez em quando. Sorrisos que arrefecem o feito. Sintonia vã.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Novas formalidades

Formas de tratamento, eufemismos e outros floreios importantes para se tornar agradável a convivência em ambientes tão diversos como o de trabalho ou de amizades, são convenções de longa data cuja presença a gente nem percebe mais. As da inernet, também. Delonguemo-nos por ora sobre risadas. Texto não expressa as sutilezas que apenas ao vivo as pessoas expressam, como constrangimento, distração, dissimulação e o humor da pessoa. Essa limitação fez com que o imaginário coletivo, inserido em ambiente virtual, criasse um recurso -- extraoficial do ponto de vista da gramática -- para delimitar o efeito de uma frase na janela do IM de uma pessoa. A saber, a risada. Se formos ler uma entrevista, risos são expressos entre colchetes. Eles possuem livre trânsito na sintaxe, permitindo até trocadilhos. Horríveis, por sinal, mas permitem. Com isso, relacionemos algumas variantes das risadas virtuais:

_ rsrsrs: a mais metalinguística e reducionista delas. Os risos entre colchetes, usados em entrevistas, demandam um tempo de digitação que se torna imporaticável no ambiente virtual. Portanto, os usuários apararam as arestas e eliminaram todas as vogais desse vocábulo. Tão antigo quanto o 'quer tc', que hoje em dia parece uma locução verbal do século XVI perto de como as pessoas escrevem na web hoje em dia.

_ hauhauahuahauhau, akoakaokaokao, heheuaehauehaueh, hoaheoaheoah: dezenas de variantes são possíveis. Aqui, o que vale é a ênfase. Ela expressa a euforia de quem ouve um determinado comentário. Comum entre adolescentes por motivos óbvios. Quanto mais caracteres aleatórios, melhor. Sem se esquecer de entremear algumas vogais, afinal de contas não existe risada exclusivamente consonantal. A do item anterior é uma redução, e não uma risada exclusivamente consonantal. Os estrangeiros, não muito chegados em espancar teclados, preferem o LOL, um acrônimo reducionista de risada.

_ kkkkkkk: a mais sintética e fácil de se digitar. Ótima pra quem ainda tem pouca intimidade com o teclado.

_ haha, hehe: risadas contidas, que podem conotar sarcasmo dependendo do contexto.

_ hihi, hoho: risadas que conotam pudor e vilania, respectivamente. Por mais que o ambiente virtual desdenhe vogais, elas acabam, quando menos se espera, desempenhando um papel semântico incrível. Coisa comparável ao que se observa na lojban (joga no Google, leigo).

Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, risadas na internet não se limitam a externar o humor da pessoa. Servem também para a pessoa demonstrar que está prestando atenção no que a outra diz e para deixar implícito que o que o interlocutor disse não a ofendeu. Se já é complicado falar com mulheres, imagina num ambiente em que o estado de espírito delas pode permanecer uma incógnita. Assim, a risada na internet pode se encaixar em algumas figuras de estilo: pode ser eufemismo, pode ser hipérbole, pode até ser aliteração a nível sintático: a cada frase espirituosa, uma risada; quase um condicionamento que as mulheres se cansam de fazer longe de computadores, bem antes de eles existirem. Quantos caras sem-graça, durante um encontro, ouvem as mulheres rindo de suas histórias sem-graça por mera questão de etiqueta? Num ambiente de especial propensão a falhas de comunicação, como o virtual, a risada é essencial.

sábado, 18 de abril de 2009

Nunca nos conhecemos o bastante...

Músicas não me dizem nada (de novo, talvez).
Sinais parecem não passar de arroubos poéticos do cotidiano.
Evidências parecem não passar de insumos do pessimismo.
Momentos parecem ser sumários espasmos inconseqüentes.
Futuro que o passado esconde é o mesmo que o presente mostra.
Vista que escolhemos ignorar; invisível que não optamos em ver.
Certezas são pop, dúvidas são alternativas.
Deriva da vontade.

Nunca se vê o bastante; apenas o que se ignora parece ser suficiente.
Não é fácil se esquecer...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sensações

_ Sentir um liso nos dedos quando se toca algo inesperado;
_ Relaxamento enquanto se organiza algo;
_ Oscilações de sua caligrafia, análogas a seu estado de espírito, enquanto se escreve;
_ Tocar nariz alheio;
_ Vertigem e leve dormência ao se levantar os pés;
_ Avalanche sucedendo constrangimentos;
_ VA em filmes;
_ Sonos rasos demais para trazer sonhos que te deixam pairando no vácuo enquanto de olhos fechados, descansando, ansiando o tempo passar mais rápido.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Uma interna (IV)

Com meu fabuloso poder de síntese, trago três frases viscerais sobre os últimos sete dias. O que dizer deles...

O que eles representam pra você

Até onde se pode ir

Nosso S2 é uma casa aberta. Com a chave debaixo do carpete. E numa vizinhança cheia de fofoqueiros.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Desabafos

_ Aquela igreja que Oscar Niemeyer construiu em Brasília é o prédio religioso mais cafona de todos os tempos!
_ Não há calçadas em minha cidade. De dia, tenho a sensação de morar em Bombaim; quando não é um tuk-tuk tentando me atropelar, são os pedestres tentando fazê-lo, caminhando, literalmente, pelas ruas. Pra mim, 50 cm de concreto não é calçada; é, no máximo, uma imitação de ciclovia. Esqueceram de falar isso pros urbanistas daqui...;
_ Sabe aquelas pseudociências famosas entre os escritores de literatura do começo do século XX, que pregavam superioridade de raças e tals, que diziam que miscigenações produzem genes inferiores? Elas parecem tentadoras toda vez que aquele maldito pedreiro nordestino que tá consertando seu telhado desaparece, te deixando à mercê de goteiras, e só voltando quando a fome aperta. Ainda vou fundar minha pseudociência. Vou batizá-la de brasileirismo. Se for pra esconder meu preconceito, que seja com terminologias próprias, e não com hipocrisia. E você, onde esconde seu preconceito?
_ Toda mulher se acha uma designer em potencial quando abre um restaurante ou se cansa da disposição dos móveis em casa. Toda mulher se acha uma enfermeira com potencial não explorado quando alguém fica doente. Substâncias cujo nome ela mal consegue pronunciar ela subitamente adquire gabarito para adminisstrá-las na pobre alma que cair na besteira de adoecer em casa. E toda mulher se acha uma economista em potencial quando as contas começam a chegar. Deviam criar uma faculdade de economia doméstica pra toda essa pretensão multitarefa delas. Quer coisa mais conveniente que dar teor acadêmico a aulas pra aprender a fazer bolo sem solar?
_ O serviço público é a maior incubadeira de falhas de comunicação que eu já vi. E isso porque ainda nem saí do estágio probatório. Serão longos três anos trabalhando como funcionário do mês...
_ Cara de padre, de psicopata, ser chamado de amiguinho pelas mulheres mais velhas... gente, assim eu broxo. Tentem gravar meu nominho, sim?
_ O futebol é uma fantástica invenção da humanidade para manter as mulheres longe da TV. Quantos maridos Brasil afora jamais conseguiriam encostar num controle remoto se não fosse graças ao esporte bretão? Por isso, creio que se os estrategistas por trás da audiência tivessem visão, fariam uma novela sobre... futebol! A Placar se converteria subitamente numa revista de fofocas e, a exemplo do universo de cultura inútil produzido pelo biguebróder, qualquer merda que viesse a acontecer numa novela desse tipo seria amplamente divulgado nos portais da moda na web. Esses caras ganhariam tanto dinheiro que, daí pra frente, quem seria sondado pelos europeus não seriam apenas os jogadores de futebol, mas os atores. Até imagino Déborah Secco com aquela vozinha de asmática fazendo papel de imigrante em novelas portuguesas. Ou o Ronaldinho Gaúcho protagonizando uma versão moderna d'O Corcunda de Notre-dame na RTP. O sucesso seria tanto que as lojas de eletrodomésticos precisariam criar cotas máximas pra vender suas TVs por consumidor. E mais: se a novela fosse sobre duas equipes femininas de futebol de sabão, o Boninho poderia até se candidatar a presidente que ganhava fácil no primeiro turno.
_ Finda a elucubração delirante acima, uma outra afim me ocorre: levando em conta que, do ponto de vista da evolução, paramos há vinte mil anos atrás, por isso mesmo apresentando imensa dificuldade para se adaptar à monogamia que a sociedade careta exige, creio que muitos homens deviam trabalhar isso sob a forma de estímulo repulsivo, na melhor manifestação comportamental prática no cotidiano. Skinner coraria. Explico: para combater seus impulsos reprodutivos, eles poderiam usar o elemento sociocultural mais arraigado e que mais lhes incute fidelidade -- seu time do coração -- e alcunhar suas esposas com ele. Como quando Alex Delarge teve sua música favorita associada à violência e condicionada a se manifestar patologicamente na forma de estímulos repulsivos. Já imaginou o bizarro nisso? Quem ia querer trair sua São Paulo por uma Palmeirinha qualquer por aí? Quem trocaria sua Portuguesa por uma figueirensezinha qualquer? Em compensação, qualquer um com uma América ou Bahia em casa a trocaria até por uma Criciúma, fácil, fácil... o.O