segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

The office

[no trabalho, moças conversando]
_ Confesso que sou machista, mesmo. Certas coisas nunca devem sair de moda para mim. Por isso que não ensino meu filho a cozinhar. Já tem mulher demais lá em casa; melhor não efeminá-lo muito...
_ Nada mais justo.
_ Pra mim, homem só serve pra três coisas: pagar contas, fazer força e me dar prazer.
_ Hmm, deixa eu anotar...
_ Não é, Fulana? [se dirigindo a uma moça de saída para o almoço]
_ As duas primeiras até são fáceis, mas a terceira...
_ Ah, não é bem assim. Depende do cara e... [falou a moça saindo pro almoço]
_ Não falei? Esse 'depende' não me engana...

_ Cheirinho de peta...
_ Peta?
_ Sim, um biscoito salgadinho, seco...
_ Lá em casa chamamos isso de peido de lobo...

[fazendo levantamento de patrimônio, no serviço]
_ Com licença...
_ Que que você tanto olha aqui, guri? Quer meu número de tombo, é? Anota aí: é 2424!
[e mais uma vez a bicha velha do serviço me deixa de todas as cores podíveis...]

[uma das pedagogas lê um e-mail]
_ ...blablabla. Sem mais para o momento, despeço-me. Amplexo. Caramba, nunca vi ninguém com esse nome antes..
_ Gente, amplexo significa 'abraço'. Não é nome pessoal.
_ Sério?
_ Reparou a naturalidade com que ele falou isso? Quase chamando a gente de burro?

_ Homem tem mania de se contentar com pouco. Pra eles é só ter suas coisinhas que tá ótimo.
_ É mesmo. E quando eles levam pé de namorada? Já viu o processo de mendiguização que rola com eles?
_ Assim, me separei faz tempo, mas nem por isso irei atrás de pobre. Dá licença...

_ Não tenho de esperar a máquina terminar essa impressão antes?
_ Não, pode enviar o fax. Ela faz tudo ao mesmo tempo.
_ Pelo menos a máquina faz isso. Quem dera os homens fossem assim...
_ Eu não precisava ter ouvido isso.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Sem novidades

Tem coisas que nunca mudam todo ano. Aí vão elas, por ordem de irrelevância sem critério algum: uma participante do Biguebródio será ex-atriz (?) pornô, algum adolescente impúbere ganhará fama nacional com algum vídeo retardado no Iutúbi, palestinos e israelenses ficarão pokeando uns aos outros com bombas até o fim dos tempos (via Buddy poke intolerância religiosa), Jô Soares conseguirá tornar suas entrevistas ainda mais tediosas que no ano anterior, alguma garotinha com menos de dezoito anos terá seu trágico assassinato transformado em pão e circo pelos jornais, os americanos não conseguirão retirar suas tropas do Iraque, algum filme brasileiro pederá DE NOVO a corrida ao Oscar, a Record contratará algum ator decadente da Grobo, alguma banda moribunda sucesso nos anos 70 tocará no Brasil antes que algum integrante morra, Susana Vieira vai pegar mais um garotão (mães, tranquem seus garotos) e algum funk de metáfora rasteira cairá nas paradas de sucesso de novo. Pronto. Dá pra adiantar a fita e pularmos pra 2010 logo? A cerveja vai esquentar antes que eu possa ver o Dunga afundar a selecinha na copa do mundo de novo...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Do tempo que propagandas tinham trilha sonora

F: -Danilo...
D: -Fala!
F: -"Arranjei uma namoradinha - que bonitinha - que pele branquinha, que amor de gatinha, amar é tão bom...!"
D: -É, Fabinho...
F: -"Ela tem um nariz levantado, os olhos verdinhos, bastante puxados! Cabelos curtinhos ... e o sundown do lado..."
D/F: - "Sundown ela usa, não é de ninguém!"
D: - "Não pode ser minha..."
F: - "Nem minha também..."
D: - Hummm....!!!"


A intenção era colocar um vídeo dessa propaganda antiga da Sundown, mas de todas que encontrei no Iutúbio, só essa não constava. Espero que a descrição acima seja o bastante pra bater saudade. A melodia que toca ao fundo é uma paródia duma música do Emilio Santiago. Uma coisa que me deixa saudade das propagandas dos anos 90 é isso: as trilhas sonoras eram mais brasileiras, mais bem escolhidas. Não era essa viadagem que rola hoje em dia de o povo só escolher musiquinhas indie do Supergrass pra propagandas da Intel ou da Volks, por exemplo. Na época, algumas músicas pareciam ser feitas pra encaixar como uma luva nos produtos vendidos. Como as propagandas da Rider: tocava Tim Maia e Skank, meu! Versões originais. Quando você sonha em encontrar algo asssim no mercado publicitário hoje em dia? Coisas assim faziam esses produtos se acomodar com mais facilidade do imaginário das pessoas, com certeza. Sem falar na brasilidade que conferiam ao ato de consumir. Enfim, esse é um daqueles elementos de minha infância que gosto de resgatar e colocar aqui no blog pra encher linguiça entreter os supostos leitores daqui (sim, supostos: alguns devem existir apenas na minha cabeça, mas enfim). =p


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Update
: pesquisando, descubro precisamente qual é a música. Trata-se de Tereza da praia, cantada por Luiz Melodia em conjunto com Emilio Santiago. É como se a música fosse uma conversa entre amigos, mesmo; ficou bem bacana, o resultado. Escrita por Tom Jobim. Tá vendo, quando falo que as propagandas de antigamente eram menos jecas, ninguém acredita. Hoje em dia eles mostram crianças em propaganda de banco e ninguém fala nada, porra! Muito mais essas campanhas singelas, com um toque de Charlie Brown, do que essa farofada politicamente correta de hoje em dia. O Conar proibiu tanta coisa nas propagandas de hoje que até a criatividade deve ter sido também...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Rabugices

Mais triste que usar nome de ex pra intitular música é o fato de você achar que pode montar uma banda depois de comprar três edições da Teclado.

Futurama foi uma tentativa desesperada de Matt Groening de manter sua dignidade criativa.

Qualquer local público devia ter uma fila de atendimento preterencial. Sim, eu disse pre-te-ren-cial! Preterencial para: advogados, banqueiros, amigos do Lula, atendentes de telemarketing, torcedores do flamengo, idosos que se acham no direito de ser inconvenientes por causa da idade, chefes em geral, pessoas que calçam Croc*, adolescentes, gente que fala devagar ou que prolonga paroxítonas, gente que ouve Lenine, usuários de Mac, gente que usa camiseta de banda, homens que desabotoam mais de dois botões da camisa, mulheres que arrancam as sobrancelhas, gente que não pára de falar quando fica nervoso... enfim, ficam algumas sugestões. Com certeza desafogaríamos o atendimento ao público em muitos lugares. Na eventualidade de sobrar alguém, claro. =p
(* Felizmente essa modinha pavorosa ainda não assolou os incautos pés dos modistas daqui da cidade)

Minibafômetro à venda, o Grêmio usar Viagra para melhorar rendimento de seus atletas em partidas na altitude e a escalação de Milena Ceribelli para o Fantástico: qual dessas notícias é a mais bizarra?

Mais ou menos é um ruim confiante e um bom inseguro.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Todo poeta é adolescente, mas nem todo adolescente é poeta

Porque ser interessante parece ser uma espécie de licença pra ser biscate (quando falta peito e bunda, só resta isso pras meninas magrinhas, pedantes e com carinha de doente terem alguma chance com os caras mais descolados)? Comprar um abadá é mais barato e rápido, meninas. Por interessante, entenda aquela gentalha que lê os livros certos, vê os filmes certos e ouve as bandas certas pra passar uma imagem de descolado. Repare: qualquer groupie, qualquer estudante de humanas brincando de ser socialista no DCE, qualquer menina que decorou todas as letras de Ventura, qualquer menina que namore caras com mais pêlos faciais do que corporais, qualquer uma que se encaixe nesses meus convenientes estereótipos tem seus orifícios mais visitados que banco em horário de almoço. É como se elas pensassem, 'olha gente, eu sou tão cool que tô pouco me lixando pro que os outros sentem. Sou moderna, bem-resolvida, sofisticada e acho que vou mudar o mundo lendo meia dúzida de filósofos de sebo'. Visualmente, são sempre as mesmas: sempre as mesmas com estampas risíveis em festivais de música alternativa, sempre as mesmas com cabelos de tinturas berrantes, sempre as mesmas andando no shopping com camiseta de sua bandinha de Myspace favorita, sempre as mesmas que nunca saem da adolescência. Do tipo que confundem imaturidade com dúvidas quanto ao futuro. Do tipo que crêem piamente que seguirão carreira diplomática enquanto ouvem aquelas letras melosas. Maldita inclusão digital que permite a nossos jovens decorar frases feitas, conhecer bandas que eles fingem gostar e usar referências de filmes legais em seus perfis na internet pra fingirem ser cult. Fariséias!...

domingo, 11 de janeiro de 2009

O original de desoriginaliza

Literatura é esoterismo. Poesia é a arte de se jogar verde. Arte é masturbação intelectual e placebo do belo. Ideais são brinquedinhos de montar. Parece que, quanto mais cultura a humanidade produz, menos ela se revela a si própria. Em tempos de informação demais, tudo que conseguimos fazer hoje em dia é desconstruir. Esquecer o universal em nome de referências efêmeras. O mundo tem revolucionário frustrado demais brincando de ser artista...

sábado, 10 de janeiro de 2009

Até quando...

Quem começa a discorrer sobre a contenda entre israelenses e palestinos se perguntando quem começou, já começou a falar do assunto de forma errada. Muito errada. Quando um desentendimento envolve terceiros, o pontapé inicial deixa de ser ponto de referência há muito tempo. Alguém por acaso, durante brigas na escola, em casa ou em algum evento do cotidiano, pergunta quem começou a briga quando encontra dois indidíduos se esbofeteando? Não, você separa os dois primatas antes que um arranque o dente do outro. Pra mim, tudo começou muito errado nessa história: a ONU iniciou seu trabalho humanitário com o pé esquerdo ao dar a um povo, há séculos sem nação, um território recheado de gente que os odeia. Não que no resto do mundo não seja assim, mas pelo menos ninguém na Europa lança mísseis contra guetos. Apenas constrói campos de concentração*. Seria o mesmo que criar uma nação para ciganos bem no meio do leste europeu ou reconhecer o Curdistão. Nossa realidade geopolítica, e talvez a de qualquer outro momento da História, jamais permitiu a criação de uma nação meramente por decreto, como a ONU fez. E ainda por cima se fez isso com um povo cuja mentalidade é de extremo rancor como... os judeus. Que tipo de povo é esse que faz questão de replicar em palestinos gravíssimos erros de história que eles mesmo sofreram ao longo de séculos? Certa vez li que o maior problema a fim de se alcançar um utópico acordo de paz é mais de ordem emocional que política (o nome Yitsak Rabin tem que nos dizer alguma coisa). Isso é válido afirmar. Mas na discussão não temos apenas duas lideranças políticas: temos uma terceira liderança, essa de ordem paramilitar, que justifica seus atos por meio da religião. Os grupos terroristas. Percebam o drama: uma ordem social em que um estado não-laico é constante vítima de sua religião. Povos que têm um espaço físico, seja um estado ou uma reserva de qualquer espécie, ou seja, algo delegado por diplomacia e não conquistado, sempre estarão nesse círculo vicioso. Porque são ilhas. E porque sempre serão vistos como intrusos. Sejam índios, sejam ciganos, sejam minorias, sejam judeus.

Em vez de dar autonomia, ou se limitar a dar algumas liberdades políticas, não: a ONU dá aos judeus um estado inteiro numa região que é centro nervoso de duas religiões monoteístas. Pior: a manifestação popular se sobrepõe muito facilmente aos atos de seus políticos. É quase um anarquismo religioso viver numa região assim. Mas tudo isso está alheio ao que vai acontecer aos judeus ou aos palestinos. A diplomacia só conta com paliativos e acordos de conveniência. Até a paz virou barganha naquele lugar; ela é vista como um recurso natural finito por eles. Quer queiramos ou não, a História é um exemplo preciso de como a lei do mais forte impregna nossa natureza. Nenhum momento bipolarizado da História (seja de qual ordem consista tal bipolaridade**) permitiu que ambos os pólos coexistissem por muito tempo. Ou seja: um dos lados prevalecerá. À revelia de acordos internacionais. O mundo é pequeno demais para duas religiões monoteístas. E toda vez que um tipo de bipolaridade desses surgir em algum ponto localizado, será esse barril de pólvora que ajuda a vender jornais. O mesmo povo que criou as bases para os abusos do sistema financeiro mundial de hoje é o mesmo que -- ao legitimar a mais essencial hipocrisia capitalista impregnada no mundo --, quer tratar seus inimigos com o mesmo ódio que aprendeu ao longo dos tempos. Shylock deixou de ser judeu pra virar palestino (esta frase foi uma referência quase óbvia ao famoso discurso de defesa do judeu d'O Mercador de Veneza, de Shakespeare). Percebam: o motivo pro mundo não tentar deter os judeus de forma enérgica é o fato de eles estarem agindo movidos pelo preconceito com que o próprio mundo os tratou. E, claro, porque eles têm dinheiro. Israel comprou o silêncio nada eloqüente do mundo. E não há fanatismo do mundo árabe que venha a detê-los. Isso, se tiver de ser, a própria História o fará. A religião nunca definiu rumos na História, antes os entravou. Quem define o que ensinaremos a nossos filhos sobre os povos opressores e os povos oprimidos são nossos políticos, e não nossas crenças. Oremos pelos palestinos. E pelos mais fracos que vieram antes e que vierem depois deles.


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* Para os idiotas que escondem seu anti-semitismo no politicamente correto: isso foi uma ironia!

** A maior bipolaridade do século XX não foi religiosa, foi meramente econômica. O lado russo prescindia desse luxo distorcendo os dizeres marxistas de que a religião é o ópio do povo. Ou seja, pegaram um elemento intrínseco da natureza humana, a busca por divindades e consolos por meio de forças superiores, e o vilanizaram. Eles transformaram igrejas em depósitos! Ou seja, não era em igrejas que os comunistas comiam criancinhas. Voltando ao raciocínio, a maior bipolaridade do século XX também não foi cultural; o paternalismo doente dos comunistas também não permitia isso. Em última análise, a maior bipolaridade do século XX foi essencialmente política. Os dois lados transformaram o mundo num tabuleiro de War. Numa realidade geoolítica em que o homem poderia se dizimar pela primeira vez na História, convinha ascender e derrubar ditadores dos países dos outros, fazer panfletagem política por meio da ciência e usar segredos militares como moeda de troca. A Guerra Fria foi um joguinho chato de Batalha naval que só afundava navios dos outros. Diferente da bipolaridade religiosa no Oriente Médio, cujos políticos e líderes terroristas só destróem à própria terra. Saudades da Guerra Fria, já dizia a M. no penúltimo filme do 007, o Cassino Royale.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Uma triste invenção da humanidade

Relógio com localizador GPS para você não perder seu filho

Crianças adoram ir para ruas, shoppings, cinemas, parques, e muitas vezes têm a mania de sair correndo na frente de seus pais e com isso podem acabar se perdendo. Se seu filho é assim e você quer ficar mais tranquilo ao sair na rua com ele pode comprar o relógio da Lok8u que vem com GPS embutido para você nunca mais ficar desesperado procurando-o. Para monitorá-lo bastará os pais terem em mãos um computador ou um celular com internet. Para aumentar a segurança os pais ainda podem delimitar uma zona de segurança, especificando por quantos metros seu filho pode se distanciar de certo ponto, caso a criança ultrapasse um limite, um aviso é enviado para os pais.

O melhor de tudo é que o relógio conta ainda com um sistema que avisa se o relógio sair do pulso de seu filho, caso ele ou outra pessoa retire. O par do relógio custa £149.99, e deve estar disponível para venda a partir de Março no Reino Unido. O relógio pode não ser atraente mas é bastante funcional.

Encontrei aqui.


Sempre soube que a paranóia da humanidade chegaria a esse ponto, e que alguma invenção degradante como essa viesse a ser criada. Se acha que exagero ao dizer isso, espere até seus monstrinhos chegarem à adolescência: eles não vão deixar de fumar maconha atrás do muro da escola nem deixar de fazer sexo sem proteção com a amiguinha fácil do fundão por causa da porra dum relógio símbolo dessa síndrome de Big Brother que vivemos. Reparem: todo mundo nos vigia, menos as autoridades de segurança pública. Invenções assim só provam que as pessoas só enxergam o que querem, e que não importa quanto as mazelas sociais fermentem debaixo de nossos narizes, insistiremos sempre em paliativos, e nunca em prevenção. A existência antes da vida adulta em si consiste, do ponto de vista da liberdade individual e ignorando-se idade, uma ditadura: você não toma decisões; seus pais as tomam para você. Você visita parentes à força, está sempre à mercê da vontade deles pra tudo, desde posses até desejos do que fazer com seu tempo livre. O poder familiar já é um exercício de autoridade mais do que suficiente para a índole de uma pessoa; pra quê dar a ele mais severidade, desconfiança e legitimação a exageros em castigos do que o necessário por meio de um dispositivo daninho à confiança entre pais e filhos como este? Crescer não se trata de fazer tudo o que os pais querem, trata-se de criar bolas o bastante pra sermos senhores de nossos próprios atos e descobrirmos o que nos faz felizes. E isso os pais não podem fazer, por mais que se neguem a confessar. Qualquer pedagogo discorrerá melhor do que eu sobre as conseqüências de um aparato como esse na criação de uma pessoa. Mesmo que as crianças -- por mais endiabradas que sejam e/ou permaneçam alheias ao uso de tal dispositivo -- não tenham grandes alterações em relação à sua criação, isso invariavelmente é mais uma derrota da humanidade. Que entra numa era em que suas tecnologias, em vez de professores, são mais usadas para educar seus filhos. O século XXI não precisa de tecnologias, precisa de pais.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Volta, Dani...

Quanto tempo tenho
Pra matar essa saudade
Meu bem o ciúme
É pura vaidade
Se tu foges o tempo
Logo traz ansiedade
Respirar o amor
Aspirando liberdade

Tenho a vida doida
Encabeço o mundo
Sou ariano torto
Vivo de amor profundo
Sou perecível ao tempo
Vivo por um segundo
Perdoa meu amor
Esse nobre vagabundo


Antes da Ivete, antes de Claudia Leitte, acreditem: a Bahia trouxe às paradas algumas baladas pop que deixam saudade. A gente era feliz e não sabia. Um cenário musical sem biscates compondo letras libertinas demais ao microfone e com letras com uma estética que ainda guardava certa dignidade musical. Ouvi essa música por acaso durante as férias. Me fez lembrar dos tempos em que quem cantava nos programas de auditório eram as bocas, e não as bundas, das baianas. Época boa: ainda não conhecia o amor, vislumbrava poucas coisas passíveis de me angustiar do alto de meu mundinho e achava o futuro tão intangível quanto um acordo de paz no Oriente Médio. Como o mundo dá voltas! Voltas o bastante pro amor não correspondido da Xuxa estourar nas paradas, pro Marcelo Camelo sair com menores de idade e pro Chiclete com banana ter dado continuidade ao legado de gente descartável como Netinho. Mundinho estranho. Termino meus dizeres deixando meu apelo: volta, Dani!...

domingo, 4 de janeiro de 2009

Momentos das férias

_ Hunf, homem só serve pra esperar mulher, mesmo.
[após ouvir frase acima de uma conversa alheia, proferida por uma mulher saindo do mercado]
_ Ouviu essa?
_ Infelizmente, sim. Que triste.
_ É triste porque é verdade.


_ Esse lugar tá me deixando deprimido.
_ Como assim?
_ Pensa: estamos num shopping construído por mero capricho da rede hoteleira aqui na esquina. Tipo, essa meia dúzia de lojas daqui foi construído apenas pros bacanas não terem de se misturar à pobraiada. Enfim, essa mania de rico de ser espaçoso. Mas saca o local. Na entrada tem carros em exposição, os quais apenas o fato de eu hipoteticamente entrar em meu bairro com um deles duplicaria o PIB da região. Todas as gostosas contratadas pra enfeitar mais o carro são loirinhas arianas. Ou seja, politicamente correto é frescura de campanha do governo. Por dentro, viadagens de rico, como massagem com jato d'água, estandes de country club e massagens exóticas. Ao redor, apenas meninas bem nascidas que vestem o que ganho em um mês de labuta. Porra, rolou maior síndrome de Foguinho agora. Aquele personagem da novela, sabe? Aquele que não tem onde cair morto mas quer cair nas graças da menina rica do núcleo classe média alta da novela. Vesti as sandálias da humildade naquele lugar...
_ E precisou rodar metade do país pra sentir isso pela primeira vez?
_ Não é a primeira vez. Mas já reparou como rico tem mania de pagar o máximo possível por qualquer merda? Quantos lugares aqui na enseada cobram por uma pizza o suficiente pra comprarmos cestas básicas pra pelo menos metade dos ambulantes de frente pro shopping neste momento?
_ Caraca, você é o rei do drama. Complexo besta, esse...
_ Cara, os cães das madame daqui têm o pelo mais bem cuidado do que eu!
_ O que não é difícil...
_ Você entendeu!...
_ O dinheiro é deles, ora!
_ Em teoria...

[vendo novela]
_ Putz, eu tava quase gostando da vilania da Flora. Mas essa cena digna de vilã da Disney em que ela CANTA pros convidados tentando retomar sua carreira de cantora foi triste. Tragicômico, no mínimo.