sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Bloco de notas (X)

* Impressiona como, ano após ano, a sociedade do estado estadunidense do Texas retrocede galopantemente. O estado que mais mata gente por meio da pena de morte agora permite que os professores de escolas andem armados. Ou seja, querem reinventar a lei do mais forte. Os EUA são um país adestrado pelos lobistas e multinacionais. Ou seja, a atual e definhante potência mundial não passa dum faroeste de engravatados inescrupulosos com armas mais perigosas que pistolas: incentivos do governo e vícios do imaginário popular, sob a égide do American way of life, usados para se legitimar ultrajantes arbitrariedades dos poderosos.
* Certa vez vi um episódio de CSI que investigava uma morte (alguém chame o Captain Obvious, por favor) cujo corpo estava desaparecido. Ao final, descobrem que isto ocorreu porque os amigos, querendo realizar um último desejo do falecido, exumaram o corpo e o levaram para uma bebedeira num bar. Pois bem. Esse poderia ser mais um daqueles momentos em que seria impossível a ficção imitar a realidade, certo? Pois é, sou tão bobinho que só descobri essa minha conjeturação ser uma ingênua bobagem agora há pouco. Falo da famadihana, amiguinhos...
* Um dos últimos filmes de animação tradicional que presta feito pela Disney, vejam só, não é feito com uma história original. Como muitos de seus grandes clássicos. Não me esqueci de A nova onda do imperador, não; este é exceção porque a história é original. Me peguei pensando nisso quando terminei de assistir, apenas pela quarta vez, o longa do Hercules no Jetix. Alguém tem que falar pra eles que esse esqueminha de passar Padrinhos mágicos umas seis vezes ao dia, além de longas que nem na Sessão da tarde passam mais, não vai garantir a sobrevivência deles como canal. Manter no ar uma versão travestida do finado Fox kids não pode dar futuro pra ninguém.
* Não há nada mais brasileiro (melhor, havia) na diplomacia brasileira do que Celso Amorim. Condescendente, fã de eufemismos e sem vontade própria, canaliza seu complexo de inferioridade com bairrismos históricos e sempre passa a impressão de que o Brasil se sente confortável em estar entre o fogo cruzado de países emergentes e superpotências. Sabe aquele povo do deixa-disso que sempre aparta brigas em festas? Celso Amorim, numa metáfora barata, assim julga se encaixar na política externa nacional. Doha? Fala sério, Celsinho se prende demais ao passado; ele deve achar que o cenário geopolítico mundial funciona de forma semelhante ao grêmio do qual participaa nos tempos de escola, só pode.
* Numa coisa os Jogos Olímpicos se aproximam da F-1 (e do futebol também, que coisa): além de cosmopolita, o quesito nacionalidade perdeu lá sua relevância. Aliás, ela virou moeda de troca. Na F-1, foda-se onde o cara nasceu; o que importa é ter uma escuderia decente e estar numa posição boa no ranking de construtores. No futebol, idem; pra quê gastar tanto tempo testando novos talentos nativos e peneirando gerações inteiras se posso simplesmente dar uma passadinha no núcleo pobre da novela (leia-se Brasil-il-il) e pegar um novo talento sem apoio de sua terra natal? Não é novidade que os Jogos Olímpicos são a competição esportiva mais política de todos os tempos, servindo apenas como vitrine pra vaidade de superpotências (ou seja, o ideal olímpico é apenas isso, um ideal), mas talvez se devesse considerar critérios menos superficiais pra classificação dos países. Essa parada de privilegiar quem tem mais ouros é algo antidesportivo demais! Esses dias, um comentarista da Band tava comentando que o Brasil tinha voltado à era do bronze, de tantas dessas medalhas que conquistara até então. Pra mim, devia haver três rankings: o tradicional como é feito hoje em dia, um que levasse em conta apenas a quantidade de medalhas, e outro por etnia (ignorando-se nacionalidade e levando em conta apenas as origens dos atletas; nesse caso, em vez de países, o ranking seria composto apenas de continentes). Quanto a minha última proposta, refresco a memória de vocês: judeu não é raça!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Coisas que só eu reparo (II)

* Nos quadrinhos Disney, todas as frases dos personagens terminavam com um ponto de exclamação!;
* Falta um pedaço em minha orelha esquerda;
* As pessoas dão importância demais pro gosto musical alheio;
* Quando escrevo alguma coisa em punho, minha letra nunca encosta nas pautas da folha. Nunca!;
* Diariamente teorias consagradas com epônimos são constantemente recriadas por pessoas que ignoravam totalmente a existência de alguém que tenha nisso pensado antes. Talvez seja hora de repensarmos o mérito de epônimos; coisa que até cientistas estão fazendo atualmente;
* O plástico, no século XXI, começa a se mostrar uma das invenções mais inúteis da indústria mundial, invertendo totalmente o papel que exercera no século passado. Demora demais pra se decompor, dá mais trabalho pra abrir embalagens, polui mais, é um eficiente asfixiador, virou pretexto pra se reduzir cada vez mais o conteúdo de certos produtos...;
* Bolsas grandes. Você não odeia mulher que usa bolsa grande? Sempre tenho a impressão de que estão indo à feira. A tendência de toda indumentária feita pro sexo feminimo é o minimalismo, digamos assim. Bolsas grandes, nesse contexto, não são uma discrepância bem-vinda. A menos que funcionem como escudo pra falta de pano eventualmente incutir algum pudor, claro;
* Risadas histéricas: porque para algumas pessoas, não basta uma mera digitação semialeatória de caracteres simulando gargalhadas. A pessoa precisa espancar o teclado nesse processo. Quase um cinco-a-um com três ou quatro teclas feito por tiradas que pedem apenas dois neurônios para sua correta assimilação;
* Para os donos de restaurante, o mundo inteiro é canhoto. Da próxima vez que você se sentar em um, observe: seus talheres estarão dispostos de forma a atender às necessidades deles (garfo à esquerda, faca à direita). O único lugar do mundo em que minorias são tratadas como maiorias...

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Palestras são uma fraude

Quando crescer, quero ser palestrante. Pra quê? Pra poder apresentar em slides algumas correntes de e-mail, macaquear minha platéia com algumas dinâmicas e dizer o óbvio ululante com uma retórica cativante. O que observo desses eventos, cuja inscrição muitas vezes atinge preços ofensivos, é que tudo o que se diz já sabemos empiricamente. Certa vez uma amiga me disse que consultor "é aquela pessoa que pega seu relógio e te diz que horas são". Palestrantes talvez não passem disso, independente de suas conquistas profissionais. Tudo bem que sempre desconfio de palestrantes sociáveis demais, aqueles com piadas prontas, estilo despojado e retórica semiinformal, mas me incomoda como se perde tanto tempo com o óbvio. Alguns ainda testam nossa paciência com handouts e materiais de apoio com a mesma função de jornal: embrulho pra peixe no dia seguinte. Muitos palestrantes argumentam que treinar a inteligência visual é preciso, mas ela é também o caminho mais rápido pra se cair no vazio da prolixidade promíscua por aplausos. O problema é que a maioria dos palestrantes não considera vício essa busca obsessiva por empatia do público que eles fazem. Pra mim, uma palestra decente é aquela em que o sujeito fala sobre o assunto, se delonga em algum detalhe não apenas à medida de curiosidade, mas também à medida de aprendizado, mesmo, e que não economize em informação, sem medo de recorrer a argumentos técnicos. Ou seja, que faça com que o ouvinte se sinta inserido nas decisões propostas por ele, que ele se veja pensando por conta própria, incorporando um papel entre os vários que terá de incorporar para aprimorar o campo abordado pelo palestrante. Abrir espaço pra perguntas é outro sinal de maturidade de um palestrante, penso. Mas nem todos fazem isso. O que me motivou a escrever o texto de hoje foi uma palestra pra qual ganhei um convite. O preço do convite? R$52! E o que obtive? Tudo que descrevi na terceira frase desse post. Ou seja: verborragia de status. Espero que a vieoconferência se torne algo extremamente banal um dia, porque aí o tempo que se perde com socializações ridículas talvez se reduze. Mas posso estar sendo ingênuo. Sei lá, talvez o que se devesse recomendar antes de palestras seriam leituras complementares, constantes na ficha de inscrição e nos convites. Para que o palestrante não se rastejasse no óbvio e pudese trazer algo relevante. Eu sou um aprendiz sinestésico, confesso (daqueles que precisam ver a prática omo algo palpável e tangível pra aprenderem mais rapidamente), tanto que assistir aulas costuma ser suficiente preu me sair bem em provas. Mas palestras... que retrocesso, meu. Se quisesse ver um maluco falando coisas que já sei, iria pruma stand up comedy, não pra porra duma palestra.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Manias são versões shareware do inferno, tenho dito

Algumas pra exemplificar o que o título do post diz:

* Gente que deixa o fio de eletrônicos, de propósito, por baixo destes, quando os muda de lugar, por exemplo;
* Gente que fica atrás do computador;
* Chefe carente de carinho;
* Programas em canais diferentes cujos intervalos comerciais passam simultaneamente;
* Ex que ocupa o mesmo lugar no espaço, não importando o que se faça na noite;
* Filmes medíocres com grande divulgação e vice-versa;
* Finais de jogos de videogame cuja precariedade se devia ao triste fato de a softhouse dispor todos os recursos da época, de forma banal, no desenrolar do jogo em si;
* Propagandas da Colgate;
* Vícios hollywoodianos impostos pela Gay mafia;
* Fãs de Gilmore Girls;
* Trailers que mais parecem sinopses do que teasers (porque acham que até hoje não assisti X-men 3? A Fox e seu poder de síntese transformaram os trailers e teasers em uma espécie de sinopse que me prescindiu de vez de ir ao cinema)
* Vilões de novela;
* Blogs tão medíocres que mais parecem correntes de e-mail;
* Gente que não consegue apagar a luz quando se retira de um cômodo da casa;
* Atores com cara de idiota que começam a carreira com besteiróis e são alçados ao estrelato (se eu quisesse ser famoso, seguiria o exemplo do Stifler com a torta. Felizmente prefiro o anonimato);
* Artista com mania de achar que tem opinião;
* Risada da Ana Paula Arosio;
* Artistas que começam a se beijar quando as doações do Teleton começam a baixar;
* DVDs que pulam independente de onde compre ou de quem empreste;
* Explicações científicas que se resvalam na Navalha de Ocklam;
* Piadinhas com jargões;
* Pessoas que te conhecem que parecem disputar contigo, ao se encontrarem na rua, um jogo de encarar (o perdedor tem de abordar e cumprimentar o vencedor; óbvio que sempre ganho);
* Eleições que permitem que uma quantidade impossível de se memorizar, de candidatos, tenham a oportunidade de realizar boca-de-urna, uma vez que jamais gravaremos o nome de todos eles (devia rolar uma espécie de pré-seleção pros cargos mais mainstream, como vereadores e deputados, para que apenas os que saibam escrever o próprio nome e contar zeros fiquem na corrida);
* Bandas que a gravadora começa a lançar ao estrelato a partir de suas piores músicas.

sábado, 9 de agosto de 2008

Bem-aventurados sejam os desocupados...




...pra viajarem na maionese como nesta historinha em quadrinhos nos contando como seria uma singela partida de RPG no apê do Seinfeld. Saiu daqui.

Update: olha que gracinha, o Blogger não quer sbunir a imagem no tamanho original, para leitura mais adequada. Então entrem no 9gag e dêem uma procurada; lá vai ter num tamanho mais legível.

Sonhos recorrentes

Do presente ou do passado, presenteio (?) vocês com alguns deles. Riam das sobras de meu inconsciente. Ou surpreendam-se com a linguagem onírica dizendo o que ninguém diz acordado...

  • Reunião de cúpula de ex-namoradas comentando sobre meu desempenho com cada uma delas;
  • Fuga de um algoz desconhecido, sempre sem rosto que, independente do quanto eu corresse, conseguia se aproximar mais e mais exatamente no momento em que mais eu apertasse o passo. E sempre com algum obstáculo preu tropeçar, claro;
  • Eu feito de refém, amarrado a uma cadeira, sendo questionado por uma pessoa com quem tive pouquíssimo contato por razões que até conheço, numa rasteira variante de Glenn Close em Atração fatal;
  • Mais um clichê: andando calmamente pelo colégio, minhas roupas começam a desaparecer misteriosamente. Do nada, cada peça parece se desintegrar espontaneamente. Segue-se o desespero: onde se esconder?

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Vício


O que há de tão relaxante em se estourar pequenos gomos de ar dispostos em uma superfície de plástico? Sei lá, só sei que é muito bom. É como estourar balões de festa, só que sem o som estridente e sem crianças ao redor. O futuro será triste se a indústria, um dia, preterir o plástico bolha a algum outro material pra conservar seus produtos...

domingo, 3 de agosto de 2008

Verdades sobre a mesa

Perdida no seu mundo
Afogada nas verdades
Que insiste me guardar
Cercada de maldade
Que mesmo inteligente
não vai enxergar

Faz mais de três anos. E sabe o que é mais irônico? Só descobri se tratar de uma letra de música há pouco. E sei que nunca mais serei o mesmo. Para o bem e para o mal. Quando acabo inferindo que nunca aprendo, percebo que apenas estou falhando em me divertir. Quando tento me convencer de se tratar de sina, de algo que contra o qual não tenho forças pra fazer algo, me vejo ante o inevitável fato de que a reciprocidade que procuro nunca existirá sob o rigor de qualquer forma de mensurabilidade que eu venha a adotar. Não se trata de eu temer a suficiência. Nem de idealização. Trata-se talvez de uma daquelas razões que só fazem sentido e encontram entnedimento em letras de música. Daquelas cuja composição sempre será ofuscada por uma mais brega, composta antes.

As pessoas têm medo. Se a solidão é o "retrato do mal que carregas em ti desde que nasceu", o que ela sigifica para gente como eu? Não quero respostas. Quero apenas deixar de ser refém do amargor alheio. Me dar o direito de enterrar o rancor e encoleirar a indiferença antes que ela devore coisas em mim (não somente em mim, talvez) que custo a lembrar onde deixei perdidas. Poder um dia falar sobre o assunto sem sentir formigamentos. Descobrir que o amor não é algo que acontece somente aos outros; esse tipo de bobagem costuma-se inferir a doenças e desgraças. Até esse dia, pouco resta a fazer. Deixar de olhar pras nuvens é um começo. A pior derrota é aquela da qual não se pode sair do estádio cuja final se perdeu. O pior poeta é aquele cuja pena não se afasta do papel quando o alcance das palavras acaba. E o pior texto é aquele cujo autor só fala por metáforas, como este. Sumam daqui, bando de desocupados!

sábado, 2 de agosto de 2008

Hancock... o Will anda trabalhando demais?

Will Smith é ator das massas. Sempre atua em filmes familiares e com finais que, de certo modo, justifiquem a redenção dos personagens que protagoniza. Algo parecido ocorre com Adam Sandler, só que com um toque de humor: aquele arquétipo de cara desajeitado ainda vai lhe render muitas doletas em bilheteria. Mas voltando a Will Smith, poupo petardos a ele porque seria redundante perto dos soltados por Ben Affleck naquele filme do Kevin Smith de findos de 2004. Entretanto, ressalto o apelo emocional desse ator porque isso ofusca a engenhosidade de alguns roteiros dos quais ele se incumbe de participar. Mais ou menos como quando você assiste um filme da Disney, dá boas risadas, se emociona e percebe um roteiro competente, mas sabe que aquela canastrice do final, de os mocinhos ficando juntos e os vilões tendo um terrível fim, não será descartado.

Tá, não dá pra esperar algo diferente do Fresh Prince. Mas porra, esse tipo de ator, com certeza, chegará em um momento de suas carreiras em que irão preferir projetos mais sérios e com um compromisso artístico e dramático maior. Aí você me explica como convencer um diretor a escalar um ex-protagonista de sitcom, ex-rapper e ex-bode expiatório de adaptações ruins de livros do Asimov a fazer um filme mais sério. Jim Carrey conseguiu, mas ele soube planejar suas metas artísticas: ele deixou de ser Ace Ventura e não se limitou a fazer sempre o mesmo personagem,como Eddie Murphy faz até hoje. Merda, o negão é uma versão americana do Renato Aragão, só que sem criancinhas, mais chato e com sotaque do gueto. Um ponto a favor pro Will é que, apesar de ter um quê de caricato em sua atuação, seu espectro como ator não se limita a uma meia dúzia de trejeitos travestido de sotaque de ex-morador do Bronx; ele se preocupa mais com os valores que seus personagens incorporam do que com o próprio umbigo, ou seja, o exato oposto do Eddie.

Com isso, quero dizer que Will poderá perder seu lugar em Hollywood se insistir nessas produções mainstream que condenam roteiros interessantes ao óbvio. Um começo talvez seja optar por um papel antagonista em seus próximos filmes, pra haver menos interferência em seus recursos dramáticos. Não foi exatamente isso que Jim Carrey fez; ele se encontrou em papéis de protagonista. Mas ele não tentava ser maior do que o roteiro propunha. Algo muito válido: tem coisa mais irritante do que ator que se torna maior do que o filme (ou assim se julga), como Eddie Murphy faz? Depois que a produção do ator torna-se profílica a certo ponto, apenas papéis antagonistas o salvarão de se tornarem cansativos às platéias que os acompanharem nos cinemas. A impressão que me dá é que Will quer se tornar o próximo Denzel Washington (que adora protagonizar personagens politicamente corretos). Talvez fosse mais louvável ele tentar se tornar o próximo Morgan Freeman (mais versátil)...