sexta-feira, 25 de julho de 2008

Bloco de notas (IX)

* Misturo adágios sensatos com acusações supostamente absurdas. Sim, me orgulho muito de meu modus operandi;
* Poliphonic spree é muito jeca!;
* Sou fã de CSI, mas confesso que vou sentir falta dos tempos em que os produtores não precisavam ameaçar matar metade do elenco a cada episódio...;
* Porquê os americanos gostam tanto de produções pós-apocalípticas? Seria isso amostra coletiva de certos recalques deles mesmos em relação às desastrosas atitudes da política externa de seus governantes? É possível. Esse povo joga War demais na infância...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Manias recorrentes

Nada que beire a neuroses, mas nunca se sabe...
* Só consigo aumentar o volume da TV em números múltiplos de 3;
* Assisto (quer dizer, tento) TV em qualquer horário menos o nobre. Nunca o nobre. Tem algo de muito deprimente em ver TV nesse horário, convenhamos...;
* Todos os meses do blog com mais de dez posts têm de ser fechados com uma média redonda, qualquer que ela seja;
* Nunca dobro dinheiro nem nada de papel;

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Romântico incurável

* Aquela carinha de papel amassado me deixa louquinho!!
* Coitada, ela parece um gnomo quando se veste, mas é tão gente fina...
* Ah, a Fulana é aquele fiapo de gente que namorou o poeta?
* Não sei o que ele vê nela! O cabelo dela parece uma armação de guarda-chuva, porra!
* Você gosta de brincar de Playmobil, né não? (para a atual do seu amigo)
* Que saúde...
* Bela armação de óculos...
* Ei, você faz aulas de canto?
* Sinta-se lisonjeada, querida: hoje prestei uma homenagem a você (para o bem dela, é melhor não saber onde...)
* Cara, gamei naquela carinha de doente dela...
* Aquela carinha de velha carcomida (admito que Chaves é inspiração eterna pras melhores adjetivações femininas possíves)
* Eu que de longe de costa no escuro pareço o Tom cruise... (essa aprendi com o saudoso Dinho)
* Se engolir eu caso.
* Se vestir com tecido de pandorga voltou a ser moda?
* Eu não crio filhos, eu coleciono. Com diferentes mães...
* Eu, show da Ana Carolina, com você? Se quisesse minilésbicas a meu redor, voltava pro Ensino Médio...
* Você me ama? Que desperdício...
* Essa pelanquinha de gordura ao redor de sua blusa me deu um tesão...
* Já arranquei pele de peixe com menos estrias...
* Não é que ele não gosta de você: ele apenas te tolera...
* Não se preocupe: eu nunca penso em você quando estou comendo a Sicrana. E sim, ela é mais gostosa que você (elas sempre preferem a verdade...)
* Desista: vestido algum vai ressaltar essas panquecas debaixo de seu pescoço.
* Sabe aqueles gordos cuja papada se confunde facilmente com o torso e escondem o pescoço? Algo parecido ocorre com algumas partes suas...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Uma interna (IV)

Às vezes me sinto muito como a irmã mais velha de 'Confissões de adolescente', a única coisa que assisti até hoje com a Deborah Secco no meio. Não me darei ao trabalho de dizer porquê, mas acrescento que é coisa de primogenia. Penso que um dia devia dedicar um post à minha relação com os clássicos da TV Cultura, mas fica pruma outra ocasião. Pena que a geração Malhação não tenha condições de entender o que acabo de cá expor...

domingo, 20 de julho de 2008

Convenientes metáforas

Desafio todos vocês a associarem-nas a coisas incomodativas, imutáveis e evidentes a seu redor. Não apenas em você, mas em outrem também. Taí um exercício pra você, leitor desta bagaça aqui, não ficar apenas como leitor passivo...

* Pavão daltônico;
* Óculos estroboscópicos;
* Sapos com título de nobreza;
* Príncipes que precisam de sal no rabo;
* Relógio sem ponteiros;
* Morcego caolho;

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Textículo pra concurso

Me impressiona como as pessoas nunca se cansam de ler sempre as mesmas coisas. Opinião, definitivamente, é algo faccioso... segue abaixo as amenidades que expus em prova, esses dias.


Cultura dos povos indígenas: respeitar integralmente ou impor limites?

Sobreviventes dum verdadeiro genocídio promovido nos tempos de Brasil Colônia, os índios brasileiros estão na contramão da História: questões culturais em muitas aldeias, por exemplo, condenam à morte milhares de indígenas sob o entendimento de que certas doenças e condições congênitas são "maldições". Um choque cultural com nossos hábitos e tradições ocidentais, que tem como gravame o assistencialismo deficiente da FUNAI e a ausência do poder público.

A questão, entretanto, deve ainda ser vista sob outro prisma: os interesses envolvidos com a criação das reservas. Temos a vulnerabilidade ã segurança nacional, argumentada pelos militares, e o olho gordo dos madeireiros, cuja intervenção no meio ambiente, ao contrário dos militares, só colabora para a disseminação de doenças desconhecidas dos silvícolas. O isolamento de muitas aldeias deixa de ser realidade a cada ano e, sendo esses povos amparados por um órgão subsidiado pelo goveno, pelo menos em questões éticas os aspectos culturais devem ser intermediados. A menos que ainda achemos normal, em nossa sociedade, vermos pessoas morrendo em nome de crenças religiosas. Por lei, por exemplo, médico algum fica inerte quando uma Testemunha de Jeová recusa uma transfusão de sangue.

Podemos ainda reforçar esse argumento sob um ponto de vista judiciário: a vida é um bem indisponível, e cabe a nós, em respeito ao espólio cultural deixado pelas inúmeras aldeias dizimadas nos tempos coloniais, que o atraso desses povos não culmine em sua extinção. Por mais que vejamos com reserva a questão da imposição cultural, é mister que forneçamos a esses povos condições para que essas reservas, cuja existência deve-se a leis, não se tornem redutos de crimes contra a vida humana fomentados por questões culturais, essas sim tão adaptáveis quanto as leis que colaboram para protegê-las.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Duplo sentido em Chaves (II)

Do episódio em que ninguém entra em acordo em relação ao varal, e todo mundo joga a roupa de todo mundo no chão. Nessa cena, Dona Florinda discute com Seu Madruga quando esta joga no chão a calça dele que estava secando.

_ Eieiei, o que está fazendo?
_ Ora, este é o meu varal.
_ Nada disso, é meu!
_ A corda é minha!
_ Mas fui eu quem paguei pra instalar.
[entra Dona Clotilde]
_ Não se lembram? Foi o Sr. Barriga quem mandou instalar. Aí ele dividiu o varal em três partes. Uma pra Dona Florinda, uma pro Seu Madruga e uma pra mim.
_ Mas ele pendurou a calça do meu lado!
_ Nada disso: esse lado do varal é da Dona Clotilde, e ela é a última pessoa com direito a tirar minhas calças.
_ Oh, Seu Madruga...

terça-feira, 15 de julho de 2008

Divagações infundamentadas

Rascunhos totalmente dispensáveis dos quais ainda vou me arrepender de não ter apagado. Enquanto não faço isso, aproveitem algumas das tolices pelas quais meu processo criativo passa às vezes.


Você já teve medo de se repetir? Ainda bem que os tempos em que me preocupava obsessivamente com isso se foram. Era uma impressão, que me perseguia sempre, de que, se eu viesse a repetir com alguém algo que eu disse a outra, eu me tornaria insuportável e previsível aos olhos de quaisquer uns que viessem a travar diálogo comigo. Até que chegou o tempo em que descobri que o mundo é uma gigante redundância constantemente editada e relaxei um pouco. Não que isso tenha desligado de vez minha percepção quanto a detalhes ridículos e peculiaridades risíveis na natureza dos outros, mas foi um avanço: o problema de se ser autêntico o tempo todo é perceber o quão inútil isso acaba se tornando na maioria das ocasiões: a vida é uma mala-direta entediante, e seu nome consta nesse banco de dados há tempos...

Você já desejou sumir? Isso me ocorre muito. Não quando as coisas dão errado, nem quando elas não ocorrem do jeito e na ordem que eu gostaria, mas sim quando o ritmo em que elas ocorrem me passam a impressão de que não progrido, de que não cresço nunca. Por natureza não sou muito apegado a ambições, mas gostaria de ver resultados mais facilmente visíveis de minhas pequenas aspirações. Até porque o suficiente sempre será mais valioso do que o excesso: o primeiro nos ensina a usar de forma mais inteligente o que temos; o segundo, a desperdiçar. E é por isso que querer sumir é um desejo egoísta: a quem deixaria tal espólio (que apenas a mim tem valor)? De certas responsabilidades distância alguma nos afasta: mais vale uma consciência (inserir sinônimos aqui) monótona limpa do que uma interessante mas enlameada de preocupações daninhas...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Copiei mermo!

Este site aqui me dirimiu várias dúvidas quanto a muitos personagens animados dos desenhos que costumava às vezes assisto. Quem diria que, por exemplo, constataria triste que um dos atores cuja amostra do site abaixo coloquei está terminando sua notória carreira contando piadinhas sem-graça no Zorra total? Guilherme Briggs é arroz de festa: é sempre mencionado. Mas tem uns personagens dignos de nota aí embaixo, que há tempos tentava descobrir as vozes por trás deles. Por hoje é só isso mesmo: um post kibado, como 90% de tudo que se faz na blogosfera hoje em dia. Enjoy... =p




domingo, 13 de julho de 2008

Uma década zicada

Os anos 90, musicalmente falando, foram de um mal-agouro espantoso. Integrantes de duplas sertanejas morrendo em acidente de carro, bandas inteiras morrendo em aviões fretados, cantores morrendo de doença, mesmo. Essas perdas (dependendo do ponto de vista a ser usado, claro; sim, eu não valho nada) só aceleravam a paralisia criativa que se seguiria na década seguinte. O mercado da música pop, a partir daquele momento, se tornaria tão árido que as únicas opções cogitadas pelas gravadoras nos anos seguintes seriam letras vulgares e a busca por estilos musicais de agressiva libidinagem. Diferente do exterior, por aqui as mídias tendem a romantizar a morte dessas pessoas. Ninguém hoje em dia se lembra de Leandro, por exemplo, como um fumante inveterado que viu seus pulmões se esfarelando antes dos 40 anos. Quando se lida com um povo emotivo como o brasileiro, essa talvez seja a melhor opção. Também dum ponto de vista financeiro, naturalmente. Com isso, o período de carência de dez anos se faz presente toda vez que alguém morre. Porque, como todos aqui devem saber, vivemos num país avesso a polêmicas. Um país que ainda faz caras e bocas quando seus autores de novela tentam colocar uma bitoquinha homo em último capítulo de novela.

Delongando minha palestra aqui, observamos que os grandes da indústria fonográfica preferiram esperar um milagre cair do céu do que investir nos talentos emergentes disponíveis. Mais um aspecto em que os brasileiros investem errado; nem nesse infame aspecto nossos políticos são originais. Com isso, temos hoje em dia uma leva de artistas (?) que só sabem copiar fórmulas, abanar o rabinho pra gravadora e vender atitude. Algo que nossa indústria cultural jamais precisou; fala sério, não vivemos numa época propensa a questionamentos (como antes, claro) e lutas "contra o sistema". Vivemos numa época em que é urgente redescobrirmos noso espólio artístico censurado em décadas passadas, mas ao mesmo tempo valorizar os compositores relevantes de nossa época. O país não precisa de mais um especial do Roberto Carlos. Precisamos é de canções que contenham mais elementos substanciais de nossa identidade cultural, que não se limitem aos recalques inspirados pelos cânones da bossa nova e da MPB. As gravadoras precisam se preocupar menos em lucrar com a plebe (um mercado efêmero demais pra se leva a sério) e buscar viabilidade comercial com a música eterna, aquela com qualidade técnica suficiente pra se perpetuar em quaisquer versões.

Que tipo de identidade pretendemos buscar para nós mesmos? Sim, porque, por mais paradoxal que possa parecer, isso não parece ser problema no exterior. Porque, assim, nas outras décadas houve um monte de gente morrendo também, mas a diferença é que na época havia condições de as pessoas ainda serem brindadas com artistas à altura dos que partiam. Já nos anos 90, isso acabou; nossa produção musical minguava. Lembro-me até de campanhas publicitárias da MTV, por exemplo, alertando sobre o estado moribundo do rock nacional na época, por exemplo. Se por um lado a democratização da cena independente na web ameniza isso, por outro intimida ainda mais as gravadoras a investirem a longo prazo em novos talentos. Essa síndrome underground dificulta a criação de ícones, já que cria fãs ciumentos (quer dizer, a maior parte do tempo é até preferível que eles restrinjam a propagação do lixo que ouvem) e dificulta a propagação de certos artistas (??) como referência. Porque, para alguém com musicalidade relevante, é preciso que vários outros, de importância meramente experimental, produzam na mesma época. Senão nossa música jamais sairá ou do saudosismo ou do vácuo popularesco criado por artistas (???) sem alguma diretriz a acrescentar. Porque ficar até o fim dos tempos exportando música elitizada e consumindo música de plebe será triste. Além de nos inibir de conhecer os ritmos que realmente importam...

sábado, 12 de julho de 2008

Síntese alheia

É de um feminismo pedante essa coisa de achar que Carrie Bradshaw e Sex And The City são retratos da mulher moderna, independente, resolvida. O filme? Não vi e não gostei. E sobre a série, vejo cada episódio como o retrato de um machismo incomensurável que, às vezes, tende à misoginia.

Se ser moderna é ser assim, tragam-me a vassoura. Quero limpar e voar.


Daqui. Fique até desanimado; esse excertozinho sintetizou radicalmente um monte de post meu. Bom saber que não sou o único a achar a Carrie uma vadia de marca maior. Essa atitude 'não vi e não gostei', definitivamente, tira minhas palavras. Como é que a televisão se tornou tão mulherzinha nos últimos anos, com esses programas cheios de pegação? Triste, isso...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O fundo do poço de um nerd

* Jogar dating simulators;
* Se dar ao trabalho de elaborar IPSs para eles;
* Dezenas de abandonwares pendentes na lista de seu gerenciador de downloads;
* Escrever taglines no msn;
* Se gabar, nas supostas rodas sociais que freqüenta, de suas proezas como Ircop;
* Consultar o Google earth, em vez de abrir a janela, pra ver como o tempo está hoje;
* Gastar boa parte de seu holerite com acessórios não-oficiais pro portátil que acaba de adquirir;
* Ter coragem de usar camisas contendo humor nerd;
* Assistir Wayne's world 16 vezes em menos de um mês;
* Lotar o álbum do Orkut com print screens contendo erros de ortografia de portais de notícia;
* Persuadir acaloradamente os amigos pra eles começarem a usar Ubuntu, Firefox e BROffice, como se a vida deles dependesse daquilo;
* Participar de fóruns só pra se sentir importante ao responder perguntas de leigos;
* Aprender dancinhas da moda pelo Youtube;
* Baixar suas revistas em quadrinhos favoritas e correr o risco de aumentar três graus de sua lente a longo prazo;
* Ter ereções ao contar pros amigos de suas proezas como aquela vez em que invadiu o site da Claro;
* Assistir um filme da Sandra Bullock (A rede);
* Ouvir Shamaan;
* Realizar mapeamento de pixels de suas roms favoritas;
* Usar sprites de jogos como emoticons;
* Começar a achar aros de óculos algo muito afrodisíaco;
* Ter mais contato com mulheres virtuais do que as de verdade;
* Ficar mais tempo arrumando skins pro Windows do que arrumando seu próprio armário. E se pegar, numa clara confusão mental, chamando suas blusas de "skins".

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Partida antecipada

O último reduto da inocência. O prelúdio. A cisão definitiva. Quando a ilusão do eterno se descortina ante os escombros do efêmero. O que se vai, ofuscando de imediato o que fica. Comiseração é mais solidariedade pelo que tememos do que cumplicidade pelo que aguardamos. Toda despedida nos rouba algo; cabe a nós não nos resignarmos a isso. Essa tristeza é rastro da única perda realmente relevante de nossas vidas. Arrastamos o que perdemos porque é mais fácil do que carregar o que se ganha. Odiamos responsabilidades; o consolo é uma delas. Talvez a única que reste... a mais desafiadora de nossas metas ao longo dos tempos é essa: domar a insatisfação sem deixar que seu rarear nos estagne. Alguns chamam isso de maturidade, mas não é dela que estou falando no momento. Saudade não é empecilho, é motivo. Efeito de causas que se perdem. A constância com valores diferentes, individuais. Só a ausência do eterno nos motiva de verdade...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Duplo sentido em Chaves

Do episódio em que todo mundo acha que Chaves está louco e tentam curar sua locuura com um balde d'água, porque "só se cura a louquice de um louco com água". Sim, só mesmo uma mente muito poluída como a minha pra se incumbir duma tarefa dessas...

_ Professor ensopado... digo, Prof. Girafales.
_ Dona empapada... digo, Dona Florinda.
_ Que milagre escorrer por aqui... digo, aparecer por aqui.
_ Vim lhe trazer esta lama de flores. Digo, este buquê de flores.
_ Não gostaria de entrar e tomar um copo d'água... digo, uma xícara de café?
_ Não seria umedecê-la muito? Digo, não seria muito incômodo?

terça-feira, 8 de julho de 2008

O teatro brasileiro é uma comédia*

Já repararam que brasileiro nunca quer se emocionar? As pessoas querem apenas rir. O tempo todo. Falo isso quando confiro as opções de peças de teatro, por exemplo, que a cidade oferece. E quando tentam fazê-lo, é sempre com fórmulas e finais de boa previsibilidade. Por esse lado, temos uma herança da monotonia da nossa literatura do século XIX, pouco aberta a ponderações sociológicas e históricas, a experimentalismos (em seu enredo, que fique claro) e arraigada demais a um romantismo adolescente. Compreendo que o fantástico jeitão espirituoso de ser do brasileiro é argumento legítimo para isso. Mas percebam: nossa produção cultural de hoje em dia é pouco dada a testar tabus e a questionar valores. Em vez disso, prefere se baratear na libidinagem gratuita. Peito e bunda, pra ser mais conciso. É como se nossa mão-de-obra cultural só escrevesse coisas pra sessões matinê, levando em conta a técnica e relevância estética do que fazem. Uma espécie de recalque, como se nossa mediocridade jamais pudesse ser exposta vigorosamente e, em vez disso, rpecisássemos sempre usar do humor como eufemismo pra tentar expô-la. Fala sério. Nossos melhores satiristas não merecem tamanho ostracismo. Porque sátiras não são feitas pra rirmos de nós mesmos. São feitas pra deliberar sobre o ridículo de forma inteligente. Pra nos desafiar a pensarmos por conta própria. Mas nossa educação dificilmente permite a fruição adequada de nossos artistas, e tudo que acabo de dizer acaba parecendo prepotência pra maioria. O humor é o placebo cultural do brasileiro. Uma espécie de recurso estético que equivale ao "jeitinho" brasileiro no campo da indústria cultural. Sim, somos previsíveis demais. E gostamos disso às vezes; somos uma nação que se diverte com reprises vespertinas de novelas, não nos esqueçamos disso. Queremos floreios, e não jardins.

* Sim, o título do post é pra ser apreendido em mais de um sentido.

domingo, 6 de julho de 2008

Minha banda é mais desconhecida que a sua, rá!

O rock é daqueles estilos musicais em que qualidade vale mais que quantidade? Eu acho que não; estilos musicais que se encaixam nesse mérito têm mais apelo entre os mais velhos. Senão seria suficiente você usar aquela sua camisa preta do Dead Kennedys até evaporar e descartar a possibilidade de conhecer outras bandas. Mais ou menos como acontece na adolescência, quando a garotada acha que não existe no mundo bandas superiores ao Nirvana ou ao Guns'n'roses, por exemplo. Mera busca de identidade musical. Essas bandas são tão lugar-comum hoje em dia que sua única utilidade é introduzir os impúberes ao mundinho de riffs, gritinhos afetados e cabelos despenteados do rock. Um ritmo que impõe apuros estéticos a seus fãs: o rock é um ritmo que deixa rastros. Conhecer certas bandas é quase como ser torcedor no futebol: sempre há aquela torcida pra certos vocalistas (às vezes a própria banda) voltarem, pro grupo abandonar algumas mudanças em seu estilo, ou mesmo para que a banda consiga manter sua estética sem se repetir ou baratear seu trabalho com exigências de gravadora.

Onde quero chegar? Ao fato de que hoje em dia uma banda só é hype se for o mais underground possível. Ou seja, como se bandas fossem elementos de um ritual de iniciação secreta. Um sinal secreto duma irmandade musical. Barulho que não é para as massas, enfim. Isso, naturalmente, acaba se deslizando rapidamente pro famoso ciúme musical: fã que é fã de rock parece se apegar a suas bandas favoritas como a um cientista que realiza uma descoberta e não quer ver o mundo usurpando de sua patente, preferindo se esquivar da comunidade científica. Quase um alquimista. Agora pegue qualquer outro estilo musical e veja se isso acontece. Em todos eles, qualidade sempre virá antes de quantidade. Pegue fãs de musicais, de música brega, erudita, pop, qualquer outro estilo musical: é isso que se observará, impreterivelmente. Curiosa, essa natureza experimentalista e reacionária constante no rock. Não basta ter qualidade musical ou técnica, é preciso sempre trazer algo novo. Reinventar a estética por trás de acordes e letras subversivas.

Mas se a quantidade tem mais valor que quantidade no rock, é aí que encontramos uma desvantagem nesse estilo: margem à mediocridade (festivais de música independente, o mundo não precisa de tantos deles). As letras podem até ser universais, mas os instrumentos por trás deles nem sempre o são. Ou seria o contrário? Talvez nenhum dos dois, já que estamos falando duma manifestação musical que, por natureza, vem da contracultura, que mesmo que não passe de um anarquismo inconseqüente a maior parte do tempo, é elemento que invariavelmente contribui para o espólio do belo que cada geração deixa. Um ritmo musical que desconhece temas centrais acaba desafiando definições, veja só. Um ritmo musical que não discrimina a introspecção de seus compositores. Não se engane, isso acontece bastante nos outros estilos musicais. Mas no rock há uma certa simbiose entre as letras e as sensações desejadas no processo criativo.

sábado, 5 de julho de 2008

Eufemismos pós-modernos

* Mulher moderna: fácil. E ninguém me convence do contrário. Independência e volubilidade não são pretexto pra agir feito promíscuas prepotentes (o são pra indústria de consumo vender mais bobagens pra esvaziar a carteira do público feminino, e pra vender boxes de Sex and the city, lógico) que se orgulham de não saber cozinhar e atribuem suas insubordinações a uma paranóia quanto a uma especulatória guerra dos sexos. Ou seja, uma geração que quer apenas direitos, sem deveres. Que está desaprendendo a ser feminina... reparem: toda campanha de marketing direcionada a elas, não raro, vêm com mensagens meio adolescentes do tipo "você rompe as regras?". É como se, às vezes, elas nunca saísse dela, mesmo...
* Agregar valor: convencer as pessoas do valor que algo não tem. Vender gato por lebre. Algo parecido com o que aquele cara-de-pau da Tecnomix faz nos programas de auditório ao longo da semana. A contour pillow infestada de ácaros que minha mãe comprou anos atrás não me deixa mentir; a caminha do meu cachorro é mais ergonômica que aquilo.
* Gente feliz: pessoas que fazem empréstimos pessoais, que têm dinheiro ou que se importam com a opinião alheia.
* Motivação: descontos fantasiosos de produtos em prateleiras de supermercado, argumentos cármicos pra seus desvios, ambições quanto a coisas que são seu direito mas você nem sempre percebe...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Um filme necessário


Wall-e é ficção científica, é sátira social, é uma fantástica metáfora da condição humana. E ainda por cima um desenho acessível às crianças. Uma visão de futuro que surpreende em pleno século XXI: se isso não for suficiente pra uma conferida nessa animação, a dimensão emocional conferida a uma produção em que os diálogos são o menos importante o convencerá (pare por aqui caso ainda não tenha assistido). O filme, ironicamente, reconta a evolução humana por meio de suas criações. Dizer mais estraga... se já não o fiz.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Videokê é para os fracos! (II)



A prova de que a TV a cabo tá fazendo falta é o fato de eu estar entulhando o blog com um trecho de Friends. Por ora, desconsiderem este fato desabonador. Direi porquê: há mais de seis meses atrás escrevi um texto falando sobre minha mania de colecionar vídeos de personagens de sitcom fazendo covers bizarros de músicas. Eis que, descompromissadamente, encontro mais um vídeo para uma bem-vinda adesão à minha coleção: Matthew Perry trazendo até nós uma inesperada versão de David Bowie (Space oddity, pra ser mais preciso). Perto disso, American Idol é fichinha: é fácil ser constrangido em rede nacional cantando singles da Madonna; agora quero ver quem tem as manhas de assassinar uma das letras do camaleão do rock, gravar e colocar pros amigos assistirem... =p


Nota: há um outro episódio em que quem canta essa música é o personagem de Matt LeBlanc, mas a versão desse vídeo é mais legal. A cara de diarréia de Perry cantando 'engines o-o-o-o-onnn...' é daquelas bizarrices que grudam feito chiclete.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Brilho

Do meio-tom ao breu. Da desesperança à culpa pela inércia. Quando a auto-estima em nada interfere no posicionamento do holofote. Quando a abstração morde e assopra. Ao esperarmos a vida começar, secretamente sondamos seu término. Alguns chamam isso de filosofia de vida. Outros supõem, disso, efemeridades como inveja. Somos o que perdemos ou deixamos de ser o que nos resta? Porque nunca aprendemos, afinal? Que estranha responsabilidade é essa de sermos nós mesmos o tempo todo e nos auto-coagir a crer que isso deva ser suficiente? Da penumbra, pouco se enxerga do ato em execução; apenas vozes abafadas ressoam. A adjacência delas se confunde, por ora, com monólogos. Ninguém está disposto a ouvir os dizeres provenientes das silhuetas desenhadas pelo meio-tom...