sexta-feira, 20 de junho de 2008

Da série: só vendo pra crer

Ca-ra-lho! Daqui pra frente eu terei a oportunidade de acompanhar pelo menos umas sete copas do mundo, um sem número de escândalos de ex-jogadores da seleção com travecos e mais uma dezena de vice-campeonatos do Vasco -- caso alguma coisa não me mate antes --, mas uma coisa garanto: nunca mais assistirei um jogo como o da Eurocopa que tava passando hoje à tarde na tevê. Zapeando entre os canais, passo por Croácia e Turquia. Pego a partida faltando quinze minutos pro final. Zero a zero. Penso com meus botões, o que tinha de dar, já deu; vou só passar olho nos momentos finais na mais pura falta do que fazer. Ledo engano. O que ainda estava por vir impressionava: ataque intenso da parte de ambas equipes. Sem bolas perdidas. Muita garra. Voleios pra evitar laterais, defesas inacreditáveis de Rustu, tudo reunido num jogo de azarões. As duas equipes disputavam ferrenhamente ir às semifinais pela primeira vez. O tempo regular termina e ninguém balança as redes. Chega a prorrogação, uns três minutos depois. Sim, minutos depois. Sem essa de show do intervalo; tava acompanhando pela Record, mesmo. Taí outro motivo pra ajudar a tornar a partida um evento: a ausência dos boçais da Grobo narrando. Tudo bem que a impressão que ficou é a de que a Mili se sentia boicotada o tempo todo pelo narrador principal, o que a levaria a falar rápido e freneticamente quando solicitada. Troque o Casagrande movido a Prozac pela moça movida a latas e mais latas de energético e você terá uma imagem do que digo.

Bola rolando, a Turquia investe bem mais no ataque, voltando à prorrogação bem mais ofensiva do que no tempo regular. Era como se a vida dos jogadores dependesse daquilo. Como se o jogo ainda fosse no tempo do império otomano e os descendentes de Saladino estivessem jogando pra não serem executados no dia seguinte. Uma atmosfera de desespero incrível. Os turcos se destacavam pelas viradas que os fizeram chegar até as quartas; os croatas, pela campanha com 100% de aproveitamento. Chega o segundo tempo da prorrogação, sem nenhum golzinho ainda. Bola rolando, Turquia continua jogando com todo o gás, mas um contra-ataque dos croatas balança as redes; Rustu sai mal do gol e deixa a bola entrar, de cabeça. Quando tudo levava a crer que os croatas iriam avançar na prorrogação, a Turquia arrancou um empate nos acréscimos. Rustu deu um chute para frente, a zaga croata não afastou e Semih Senturk bateu forte, no ângulo de Pletikosa, usando as palavras daqui pra descrever a inacreditável reação turca. Aquilo dilacerou o psicológico dos croatas, que perdem por 3 a 1 nos pênaltis, com duas bolas fora. Simplesmente sensacional. Nunca mais verei um jogo como esse...

O que é Mark Wahlberg?

Shyamalan has proved to us earlier that he can be as good as the best with masterpieces of cinema with The Sixth Sense and Unbreakable. Yet, since then, he has declined steadily. Signs and Village were good movies, but with Lady in the Water and now The Happening, he has touched a level of incompetence that could never have been expected of him.

(...)

And to add woe, the actors do not do much to better the experience – Mark Wahlberg and Zooey Deschanel are grossly miscast as the protagonists. Any of his previous leading men (Bruce Willis, Mel Gibson, Joaquin Phoenix and Paul Giamatti) can be imagined to have done a better job for the Science teacher that Wahlberg plays. The camera scrutinizes the performance to a degree that requires an actor with strength in emotions – Wahlberg instead brings a physical presence that the role does not need. Zooey, on the other hand, struts around like in a Disney movie, not for once threatened by the pandemonium.

Comentário do imdb.com, sobre Fim dos tempos.

É ótimo saber que não é apenas eu quem considera Mark Wahlberg um ator inútil. O cara ajudou a transformar o remake de Planeta dos macacos em algo insosso e faz isso até hoje em cada filme que protagoniza. Afinal de contas, o que é Mark Wahlberg? Sua atuação possui uma densidade que leva facilmente ao humor involuntário; aquelas caretas de criança que tem o doce arrancado da mão, que só ele faz, ainda engana muito diretor na hora de escolher elenco. Tudo bem que nem todo ator precisa dar uma atmosfera teatral a seus personagens, mas porra, o Mark parece ter saído dum daqueles esquetes da Universal de gente querendo "parar de sofrer". Fala sério...

(nota mental: Zooey tá merecendo as honras de ressuscitar o Troféu Bonitinha mas ordinária, não acham? Eu também...)

sábado, 14 de junho de 2008

Desastres da retórica (IV)

* Pelo menos eu acho: confiar a validade de seu argumento em sua própria lógica é perigoso. Mas muito divertido; eu adoro criar teorias malucas. Contudo, ao elaborá-las, eu nunca as barateio com chavões como esse, claro.
* Eu acho que Fulano exagerou: por excelência, opiniões passionais, impulsivas ou movidas pelo simples fato de a pessoa ser amiga de alguém que não esteja no local pra se defender, não são das mais confiáveis. É que a maioria das pessoas têm medo de pensar por conta própria. Mesmo que isso signifique ir contra as atitudes de um amigo. Não diria que isso soa a certo fanatismo em relação aos melhores amigos, apenas que fechar os olhos para a mera possibilidade de levar em conta que uma pessoa próxima a você errou é omissão. Ou, no mínimo, prova de que a hipocrisia da pessoa tem aproximadamente a mesma extensão da deste amigo. Não admitir falhas de virtude em pessoas que não desejamos ver isso é menosprezar os outros. Como se pessoas fossem dogmas. Dá vontade de morar nas montanhas, às vezes.
* Ele era um cidadão exemplar: retórica de bajulação a gente morta, tem desastre da retórica pior?
* Ninguém aqui é criança: insinuar falta de maturidade em seus interlocutores. Isso me soa tão prepotente no discurso dos outros. Especialmente no daquelas pessoas que sempre querem ter a última palavra em tudo. Adianta se expor tanto assim aos idiotas? Não. Cada um no seu quadrado...
* Somos adultos: tinha me esquecido de que a idade nos exime de nossas idiotices. O chavão-mor dos adúlteros, definitivamente. Pensando bem, da próxima vez que cometer algum ato vexaminoso, evocarei essa premissa. Afinal de contas, minha imbecilidade foi feita com ciência. Fazer o quê, às vezes fazemos questão de termos o sadismo de errarmos voluntariamente. Quando faltar álibis, recorramos pois ao pior (?) deles: nós mesmos...
* Um ser humano fantástico: a menos que, em algum momento da humanidade, tenha existido um discurso meritório dirigido a um animal de estimação com discernimento pra ver alguma novidade nisso, por exemplo, pra mim esse sempre será um pleonasmo dos mais ordinários. Pra quê se destacar características ridiculamente inexoráveis do sujeito? Alguém aqui vai deixar de ser humano um dia? Com a presença de dinheiro isso se torna fácil, mas essa é uma outra história que um dia talvez eu dedique um post a respeito.

domingo, 8 de junho de 2008

Here we go...


Nunca foi tão cool ser nerd... (aceito como presente de aniversário atrasado, a propósito)

Desventuras do sexo masculino

São inúmeras, apesar de o pragmatismo que rege nossa índole tornar nossa vida confortavelmente mais objetiva. Naturalmente, esse conforto é tristemente contrabalançado com adversidades extrínsecas. São elas: obrigações sociais em excesso, efeitos colaterais da sinceridade, sentimentos alheios... sem falar das atribuições: individualismo, isolamento psicológico, impassividade, irredutibilidade... coisas que atentam gritantemente contra as porções mais selvagens das quais a natureza desse gênero é composta. Não bastasse essa eterna administração de coisas incompatíveis em si, ainda há que se aceitar várias formas desnecessárias de hierarquia. Basicamente, funciona assim: sabe quando você chega na sala e precisa fazer uma prova sobre um assunto que você nunca ouviu falar, com uma forma de avaliação por ti desconhecida? Bom, é por aí que funciona a 'escola da vida' para nós. Sejamos mais emblemáticos trazendo alguns exemplos:

* Honra: desde pequeno aprendemos a lidar com ataques a ela. Das mais diversas formas. Seja de desaforos levados pra casa proferidos por garotos maiores que você, seja por inferências coletivas -- normalmente vindas por meio de alcunhas --, esse é um quesito em que se é constantemente testado. Pena que a gente demora tanto pra se ver bem-resolvido o suficiente pra perceber a irrelevância disso.
* Rejeição: antes da descoberta do amor, a vida não tem com ser mais conveniente. Apenas coisas leves como hobbies, atribuições escolares e familiares ocupam a cabeça. Mas depois, um pandemônio se instala: uma obrigação implícita em se aceitar quieto toda sorte de desprezo, desdém e rejeição de meninas, e sequer se saber ao certo porquê, se faz presente. De repente, o convívio com elas levanta uma nuvem de formalidades que te cegará para sempre. Sua cabeça nunca mais terá o raciocínio cristalino e metódico de antes.
* Independência: pode-se obtê-la pela dor ou se utilizando experiência alheia. Infelizmente, essa última opção, de aproveitamento empírico, é desdenhada pela sociedade. É como se se tivesse a obrigação de nascer sabendo fazer certas coisas.
* Imposição: é obrigatório ser bom em certas coisas. Ter influência, presença de palco e saber impor seus termos. Muito embora a sociedade de consumo insista em convencer-nos exatamente do contrário, em nome de coisas como cumplicidade e igualdade, não se engane: essa premissa da coletividade nunca vai desaparecer. No dia que isso acontecer (nem que seja pelo menos contigo), tenha certeza: você deixou de ter mulher pra ter mais uma mãe a seu lado. Triste...
* Espirituosidade: quem não for dotado de um mínimo dela não terá a flexibilidade necessária pra ter um mínimo de dignidade para consigo mesmo. Digo isso porque ninguém vale nada. Tratar todos com a mesma hierarquia imaginária é inútil e só te dará a outrem uma visão negativa. Seriedade é propaganda do orgulho. Poucas coisas merecem ser levadas a sério, e nenhuma delas está nos outros. Abolir a afetação ao se utilizar dela é estritamente necessário: a menos que você goste de ser visto como bobo da corte pelos outros. Ou seja, aquele sujeito que desconhece o peso do que diz e se preocupa com julgamento alheio acaba sendo ignorado por cair no caricato independente do que tenha a dizer.
* Discrição: é proibida a individualidade. Procure algo em sua particularidade que possa se encaixar nas formas de identificação criadas pela coletividade ou ficarás à margem, sempre, nas rodas sociais.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Quando a ingenuidade é valorizada

É muito triste que hoje haja tão pouca informação inútil.

Música é ótimo pra vender as mais ordinárias ideologias. Uma delas é aquela de se buscar paz sem guerras. Outra é aquela de se buscar um homem ideal absolutamente submisso às vontades da suposta megera domada que ouve certas bandas. Não é à toa que música atrai mulheres como moscas ao mel. O mundo não precisa de mais Marias-palco, isso é certo. Até porque, pensem bem, música é uma espécie de linguagem apropriada pra licença poética: uma espécie de mentira sincera que as pessoas gostam de ouvir pra não se esquecerem do que não podem assumir sem medo em si mesmas. Com acordes, samplers, sintetizadores e coisas que o valham, posso apregoar de tudo. De letras misóginas e feministas às apologéticas à violência. Ou seja, uma espécie de inconsciente coletivo canalizada em melodias que facilitam a absorção alheia dos absurdos cantarolados em certos versos. O que soaria ridículo em qualquer discurso ganha estranha legitimidade quando musicado. Prefiro atribuir isso à busca por identidade que buscamos: afinal de contas, o que nos seria vexaminoso expressar individualmente, encontra na música um álibi. Com isso, vejam só, a música é uma daquelas manifestações artísticas que incentivam a ingenuidade em nome da fruição. Esse texto soa parecido a uma certa República que Platão idealizou há tempos. Por mais que eu odeie a idéia de os idiotas e preguiçosos também serem capazes de enriquecer e serem influentes, as formigas temos uma pontinha de desdém para com as cigarras. Gosto de pensar que um trouxa a mais perdendo tempo com arte é um a menos esquentando assento de repartição pública sendo remunerado com seus impostos. Para algumas pessoas, apenas o belo é um vício digno de se assumir (o que me faz ter dificuldade de entender porque tanto artista genial morre de overdose, mas enfim). Fazer o quê, às vezes precisamos de coisas inúteis. E sim, você acertou: o título do post é uma célebre frase do Wilde.