terça-feira, 25 de março de 2008

Desastres da retórica (II)

...e tals: não bastasse as constantes corruptelas que a expressão latina et coetera recebeu ao longo dos séculos, temos agora essa variante pré-adolescente pra empobrecer discurso alheio. Espécie de equivalente a bla bla bla, yada yada yada e outras onomatopéias de discurso vazio.
Ah, eu não quero!: quando a linguagem verbal (proferida graças a convenções sociais) contradiz a corporal, acabam-se os argumentos.
Também acho: atar-se à opinião alheia sempre dá margem a contradições nesse nó cego que é o parecer alheio a respeito das coisas. Não é tão desastroso assim, mas usar de dupla precaução sempre é recomendável. É a essas pequenas coisas que os outros vinculam a imagem que eles têm de você.
Como está o tempo?: putz, essa é péssima. Escancara a total falta de assunto da pobre alma buscando desesperadamente um pouco de atenção. Faça a alegria do pobrezinho, então: meneie a cabeça a 45 graus em direção a seu interlocutor, aumente o volume e continue ouvindo seu player.
Como vai você?: pergunta trivial que não raro soa a tola. As impressões mais relevantes sobre os outros não carecem de satisfação. Se isso não procedesse, ninguém nunca hesitaria em entabular diálogo quando em dias ruins.
Cantadas: pense nos chavões usados para se finalizar correspondências. Agora faça analogia disso a cantadas. Porque é mais ou menos isso que rola: elas não passam de uma despedida com uma frase espirituosa. Despedida de seu senso de ridículo. Se cantadas fizessem sentido, caminhoneiros teriam roadies a seus pés...


Um ano de blog, veja só. Bom ver que essas amostras da eterna confusão que é minha cabela, cá expelidas, renderam alguma coisa. Pagabéns paga mim... =)

sábado, 22 de março de 2008

Diferentes noites

Noite azulada, noite negra, noite escarlate.
Noite aspergida por chuva, noite acortinada pelas nuvens, noite vigiada pela lua.
Noite que invade, noite que espreita, noite que fenece.
Noite em sépia, noite gris, noite em silhuetas.
Noite em gradiente, noite ainda crepúsculo, noite a ser aurora.
Noite em adjetivo, noite em comunhão, noite em silêncios.
Noite em atos, noite na inércia, noite na liberdade.
Noite nos anseios, noite à alegria, noite à esperança.
Noite que lembra, noite que esquece, noite que se distancia de ambos.
Noite a passeio, noite à reclusão, noite ao percurso vazio.
Noite a vigiar o sonho, noite a acompanhar o pesadelo, noite a sediar o sono.
Noite que observa, noite que é álibi, noite que não conta a ninguém.

Noite aos ébrios, aurora aos sóbrios, crepúsculo à loucura.
Noite à razão, aurora à percepção, crepúsculo ao bom-senso.
Noite às cores puras, aurora às quentes, crepúsculo às frias.
Noite ao descontinuado, aurora ao que funciona, crepúsculo ao que falha.
Noite às analogias, aurora às coincidências, crepúsculo ao acaso.
Noite ao manuscrever, aurora ao digitar, crepúsculo ao prestidigitar.
Noite ao silêncio, aurora ao ruído, crepúsculo à música.
Noite à carne, aurora a dispersões, crepúsculo ao espírito.
Noite em hipérboles, aurora a eufemismos, crepúsculos em metáforas.
Noite que ecoa, aurora que silencia, crepúsculo que soa.
Noite em pranto, aurora em ceticismo, crepúsculo em resignação.
Noite que sorri, aurora que austera, crepúsculo pra não se olhar para trás.

terça-feira, 18 de março de 2008

Pérolas da sabedoria materna

* É, seu trouxa, vai vadiando desse jeito: quando o filho aparecer, ela vai começar a querer mandar em você!
* Divórcio é um saco. O bom é casar com pobre: some os dois pobres e juntem alguma coisa pra viverem bem...
* Filho, presta logo a porra desse concurso! Ou você quer passar o resto da vida dependendo de algum feladaputa?

domingo, 16 de março de 2008

Teorias malucas

Por alguns posts do blog, já deve ter sido possível se constatar uma coisa de mim: adoro elaborar teorias absurdas em cima de dados empíricos e observações tendenciosas. Algumas que já escrevi aqui: prazo de validade para bandas, sachês como desserviço da engenharia de alimentos, gordinhas que usam piercing labial (superior, como destaquei no post do ano passado), políticos não-natos por um país melhor, implícito código de ética por trás de filas, proibição por lei de formação de bandas gaúchas, migração do pop do mainstream pro underground... tem inclusive algumas não-catalogadas, como a de que só vale a pena manter um blog atualizado se nunca se ultrapassar mais que um mês sem atualizações. Outras mais observáveis, como a de apenas os posts inúteis e com menos de 300 caracteres recebem comentários. Aliás, deixem-me colocar algumas aqui que lembrei agora:

* Depois de Rocky Balboa e Rambo IV, o que virá? O demolidor 2? O juiz 2? Daylight 2? Tenham medo do Stallone. Muito medo...
* Atores ofegantes da Grobo: parem pra reparar como a acústica utilizada na teledramaturgia nacional enfatiza os movimentos respiratórios dos atores. Que recurso barato! Perceberam? Às vezes a fala da personagem é tão desnecessária e superficial que todo aquele movimento pulmonar acaba gerando um certo humor involuntário. Fala sério, ator tem que tomar ar pra quê? Ele tá atuando, e não malhando na academia! Agora, se pegarmos produções em outras mídias, perceberemos um som mais límpido, com menos interrupções e intervenções nasais. Que extravagância (diria amadorismo), essa a de produtor de novela...
* As ruas do Centro daqui da cidade foram projetadas pra expulsar as motoristas. Pelo menos metade de todas as vias são de mão única, cortam avenidas desnecessariamente e são estreitas demais pra evitar afunilamentos. Mas sobre isso já discorri melhor no BR (meu blog anterior) há pelo menos dois anos atrás...

Desastres da retórica

* Sei lá: um desastre iminente está por vir. A falta de recursos de coerência é visível. Uma tola e condescendente adiação de dizeres maldosos está sendo feita.
* Mas não tem nada a ver: clara amostra de negação. E de falta de argumentos sólidos pra derrubar sua afirmação empiricamente comprovada e posta à mesa. Normalmente usada quando uma afirmação a respeito da natureza de um dado gênero é feita.
* Sabe o que eu acho?: quem pergunta a outrem a respeito da viabilidade da própria opinião é porque não tem algo bom a dizer. Ou, no mínimo, dirá algo gratuito demais, pessoal demais, tendencioso demais, ferino demais...
* Sabia que você ia reagir assim: usar a reação alheia como álibi é sacanagem da grossa, mas é um recurso amplamente usado. Nem sempre são respostas o que buscamos com perguntas: essa afirmação (cor)responde perfeitamente ao contexto de quem usa esse desastre da retórica. Esses movimentos NÃO foram friamente calculados...
* Tipo assim: evidente deficiência na utilização de preposições, o utilizador dessa locução (poderíamos dizer adverbial?) deixa claro que suas frases soltas denotam um argumento pessoal demais que, com muita dificuldade, foi elaborado no momento. Ou seja, a pessoa se manifesta mas não argumenta; só vai soltando uma meia dúzia de impressões pessoais tentando criar uma ligação com elas por meio desta abjeta locução.
* Tudo bem, não precisa contar se não quiser: quando eu parar de rir, escrevo algumas impressões a respeito dessa.

domingo, 9 de março de 2008

Odeio hospitais...

_ Hmmm, isso é medo ou nervosismo?
_ Isso é uma agulha entrando na minha veia, esperto.

[tirando radiografia com um técnico que sofre de insônia]
_ Certo. Vou tirar mais uma só pra tirar uma dúvida.
_ Esquece. Sem roupa de proteção? Nem pensar.
_ Mas é uma emissão concentrada de radiação...
_ An-rãn...

[sala de espera]
_ Olha só essas duas. Essa cena tem cara de 'cheirei algo ilícito no Café e estou aqui agora'.
_ Podicrê.
_ Cara, ela tá usando um sutiã de lantejoulas douradas! Essa cena tem cara de...
_ Escorre esse veneno saindo de seus lábios, jovem...
_ Devo avisá-la que o carnaval passou?

_ E aí cara, tá aqui porque? Caiu do salto?
_ Adivinhou sozinho?

_ Vem pra cá, saci...
_ E então, quando podemos ir?
_ Talvez de manhã.
_ Deve ser alguma piadinha interna de médico...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Duelo de citações

_ O que te motiva a viver?
_ Não sei dizer. É tudo tão frugal. Tem uma frase de Oscar Wilde que diz: a maioria das pessoas não vive, apenas existe. Se fosse dar uma resposta, daria esta: eu apenas existo.
_ Bom, tenho uma outra frase pra você: existir precede a essência. Ou seja, há uma resposta que você não está cedendo...
_ (saudades dos tempos em que o pessimismo era suficiente...)

Frases soltas

_ Olha como ele come devagar, que bonitinho. Parece um passarinho...

_ Cara, você sabia que a água é o esperma do coco?

_ Não adianta tentar me queimar com essas historinhas. Sou inqueimável. Quase um extintor de incêndio!

_ E diga onde você vai, que eu vou varreeeeeendo...

_ Eu considero ganha, essa partida.

_ Tenho até dados estatísticos pra provar que isso vai acontecer de novo.
_ É mesmo? De que instituto você usou esses números, meu caro?
_ Nenhuma. Foi observação empírica, mesmo...

_ Ele é assim o tempo todo?

_ Zesus, zai deze corpo que não te pertence...

_ Ainda vou fundar minha própria seita, o tolerismo.
_ Daria pra fazer um livro de citações só com as viagens que você disse hoje...

_ Filho, na estrada da vida, já estou no acostamento...

quinta-feira, 6 de março de 2008

Civilidade é o meu ovo!

Porque elas valorizam tanto a civilidade? Reparem: não importa o tamanho da merda que elas tenham feito; sempre fica aquela sensação de que a civilidade é obrigatória. Em muitos aspectos, ela é hipocrisia da mais deslavada. Coisa de gente que resiste a aceitar certas descobertas em relação ao outro. É como se qualquer besteira que a gente fizesse possuísse uma certa legitimação pelo simples fato de ter sido feita abdicando-se da razão e adotando-se a emoção (como se esta não tivesse uma fração de razão que seja em sua composição). Egoísmo deslavado e ignorante, fala sério! Que feio isso, usar um hiato da razão, momento de criancice, a conseqüência errada como álibi. Sabe aqueles filmes feitos para o público feminino em que o otário que cai na besteira de gostar da protagonista leva toda sorte de saraivada e mesmo assim permanece irredutível? Meu, isso é falta de amor-próprio! Simples assim. Civilidade virou eufemismo pra passividade? Sim, há aquelas pessoas que possuem um ponto de equilíbrio e conseguem se poupar de habituais desgastes de certas relações. Agora, querer fazer exceção virar regra é demais pra minha cabeça! E é exatamente nesse sentido que o imaginário delas costuma funcionar. Perceba que estou sendo redundante com muitas coisas ditas mês passado, coisa que tentarei evitar a partir do próximo parágrafo.

Veja bem, civilidade em nada é indicativo de se aceitar certas coisas com maturidade. Nunca dependeu disso. Civilidade é o cultivar de um desapego suficiente para se possibilitar uma reintegração social aos níveis anteriores à besteira que ela fez. Ou seja, cultivar indiferença. O que não é algo agradável de se fazer. E deve ser por isso que me fodo bonitamente em muitos aspectos. Sempre haverá gente tão desesperada pra se preservar que não hesitará em alvejar o primeiro desavisado que lhe aparecer. Uma agressividade psicológica desnecessária. Em linhas gerais, a única função de convenções sociais deve ser essa mesmo: a de termos a sensação de que as pessoas são civilizadas por meio da inibição de acessos de sinceridade excessivos. E pra não nos excluirmos de certos círculos. O preço que a gente paga por certas coisas, pois é. As pessoas (as que erram) agem como se o sofrimento fosse opcional (com leviandade, em outras palavras). Tenho pena de quem acredita nisso: ele é perfeitamente canalizável, mas NUNCA opcional. Mas elas se esquecem disso. E só acabam se relembrando quando têm o próprio umbigo furado inadvertidamente. Ou seja, as pessoas preferem se soterrar em sua própria ignorância de si mesmas do que ao menos tentar entender como as coisas podem atingir o outro.


Não é a ausência de palavras que poupa os outros de certos golpes. Nem a mentira, muito menos a omissão. Na verdade, não estamos poupados de nada. Quando os outros tentam evitar mostrar o lado feio de sua natureza, não estão poupando ninguém: estão é atingindo pelas costas. Negando suas fraquezas. O que é muito fácil quando se deixa algo perecer em nome de um outro a que se tem acesso. Egoísmo...

segunda-feira, 3 de março de 2008

Mérito

Comigo, a sensação de certeza de mérito só vem quando o que não mereço acontece. Como assim? Extendamo-nos mais um pouco derrubando uma verdade do imaginário popular: o esforço não é uma medida universal para aferirmos o merecimento. Se fosse, não haveria tanta gente ardilosa por aí dando o próprio sangue em nome de causas escusas. Isso esclarecido, continuemos. Devemos definir isso então como um estado de espírito do indivíduo ou do outro? Que vias o merecimento toma pra se instalar nos atos que lhes pede autonomia alforria? Na minha humilde opinião, penso que o merecimento funciona de um jeito parecido com o sofrimento para com o herói trágico. São as provações que produzem o mérito, e não as glórias em si. Isso já foi dito inúmeras vezes por gente bem mais gabaritada que eu. Por outro lado, negar méritos é uma forma velada de orgulho. Porque apenas quando a indignação começa a comichar nossos corações é que nos vemos imbuídos a buscar, repentinamente, o conceito de mérito. Talvez o mérito, com isso, se trate, de certo modo, de vaidade: é mais conveniente investir(em) louros a nossos atos do que estes serem dotados de incômoda esterilidade. Nossa natureza nos dá valores sentimentais a gestos de tal forma que nos impede de tal distanciamento. Tudo bem que o mérito presume recompensas que conferem certa hipocrisia a tudo que fazemos, mas é dessas pequenas barganhas que é feita a vida...

Para os trouxas que votam nulo

Tentemos nesse momento deixar em suspensão esse paternalismo que domina nossa consciência política. Para quê isso? Para levarmos em conta fatos simples em ciências sociais como a política. O que nos faz pensar que uma instituição que nos representa é obrigada a "dar" o que precisamos para o bom convívio em sociedade? Nunca vi um direito ser cedido, em vez de conquistado. E não se engane, não será a partir de agora. Onde está a lógica desse tipo de concessão? Melhor ainda: que lógica resta quando está lógica primeira não se faz presente? Respondo: a da cidadania. Ela antecede quaisquer credos políticos. Mas isso é difícil de se perceber, para o miserável. Tudo que este almeja é sobreviver com dignidade. As atribuições de nossos representantes nas diferentes esferas do Legislativo foram já tão mitificadas que a lamentável inversão de valores virou convenção: é como se não fôssemos representados por ninguém, é como se ainda estivéssemos na Idade Média com cobradores de impostos trotando a cavalo até sua cabana, lhe extorquindo impostos cuja aplicação você desconhece e informando desmandos reais cuja natureza não se vexa em se lambuzar com o arbitrário. Não justifico manifestações populares nas ruas com isso: não é com vandalismo e amostras gratuitas de fúria popular que se deve evidenciar a consciência de uma população. É com mudanças de valores e com um Legislativo que não se limite a paliativos ante mazelas sociais. Por isso que a idéia de se atear fogo em todos os DCEs das universidades públicas do país (como os cobradores de impostos da Idade Média fariam, veja só) não me desagrada tanto: ajudaria a reduzir a quantidade de analfabetos políticos barulhentos. Antes de derrubarmos regimes políticos, precisamos derrubar valores daninhos. Muitas vezes, apenas tombar o último é suficiente. Em outras vezes, nenhum dos dois é suficiente: apenas imposições de ordem econômica fomentarão isso. Dinheiro fala, e às vezes apenas ele é ouvido.

domingo, 2 de março de 2008

Livros que não precisavam ter sido escritos

* Como falar dos livros que não lemos: ainda preciso dizer o que títulos assim me fazem pensar do atual mercado editorial nacional? São livros assim que me fazem evitar livrarias: aquele monte de funcionário que mal consegue soletrar o nome do autor que você procura e aquela gente fazendo cara de conteúdo enquanto folheia livros do Diogo Mainardi ou do Dan Brown. Merda, o mundo não precisa de mais pseudos do que já têm...
* Manifesto comunista: nunca vi dar em coisa boa ficar juntando um monte de pobre pra fazer panelaço. Amostras disso? Torneiros mecânicos na presidência, ditaduras alinhadas com a política externa dos outros e inúmeros crimes contra a humanidade. O que se pensar dum maluco mal-comido que repudiava a importância maléfica do capital na ordem mundial? Isso: um lunático que acreditou piamente que distribuir as pobrezas por igual se configura em menos hiopcrisia do que gerir as riquezas existentes. Subversão total a coisas intocáveis da natureza humana...
* Sermões do Pe. Antonio Vieira: sério, pessoas que lêem os sermões desse cara vão morrer virgens, não é possível. Antigamente padre não tinha canal de TV pra encher o saco, então faziam isso oralmente, mesmo. O celibato faz coisas estranhas à cabeça dos homens, e essa é uma amostra disso: textos de incrível prolixidade. Só não entra no Guinnes book por causa disso porque a crítica literária ainda vê algum valor nos floreios anteriores ao século XX...
* Lula é minha anta: sim, pro Diogo Mainardi, ficar projetando sua estranha tara pelo Lula em sua coluna na Vaja não é mais suficiente: precisou se dar ao trabalho de escrever um livro para isso. Deve dar um belo calço de porta...
* Não somos racistas: taí mais um critério altamente tendencioso e absurdo que vou adotar a partir de agora. Se algum dirigente/ator/apresentador/qualquercoisa da rede Grobo escrever um livro, nem pela capa passo o olho. Aquele monte de minissérie de favelado e aquelas inúmeras gravações no núcleo pobre das novelas deram a Ali Kamel uma estranha percepção da realidade em nosso país. Leitura de classe média, fazer o quê...
* Wunderblogs: em vez de essa corja fazer cara de conteúdo atrás de seus monitores, não: tiveram de matar várias inocentes árvores de eucalipto pra fazer isso no fundo da prateleira de livraria. Ainda bem que a editora dessa gentalha não possui uma distribuição abrangente o suficiente pra manchar minha retina com infeliz publicação...
* O segredo: faz a mesma farofa que o Minutos de sabedoria faz, só que com papel chique e mais pompa e circunstância. Lógico que sua prtensdão é insustentável e seu teor cai facilmente no de auto-ajuda, mas fazer o quê. Funciona como um belo caça-níqueis revestido de certo marketing à la Senhor dos anéis: reparem a capa, a forma como o livro é vendida, com certo apelo entre a banda nerd.
* A dieta do dr. Atkins: o que mais se encontra em jornaleiro é revista de mulherzinha vendendo promessas absurdas de perda de peso a preços mais acessíveis. Pra todas as variantes podíveis do sexo feminino: socialites, empregadas, Amélias, modernosas, mal-comidas... tem pra todos os gostos. Mas nãããão, a porra desse médico tem que ficar emagrecendo a carteira do trouxa do marido cuja esposa se sujeita a comprar essas asneiras...
* Design arquitetônico: Gildo Montenegro fez algo que os outros só não fizeram até hoje por faltar cara-de-pau suficiente no mundo pra isso: transformar uma apostila de faculdade (cheia de borrões, piadinhas sem-graça e didática), daquelas em prateleira de xerox, em livro. Gênio. Quer um vidrinho de peroba, Gildo?

Eu devia estar dormindo

_ (...) Busco agora a simplicidade! Cansei de me iludir com a sofisticação em outros!
_ ...
_ Sabe, eu sou do tipo de pessoa que não se conforma com opções confortáveis, simples. Nãããão, preciso de decisões complicadas, que tenham um mínimo de transcendental em minha cabeça doente! Pelo menos relativo a minhas metas pessoais. As afetivas, começo a abrir exceção. Veja bem, as opções simples nos prescindem das descobertas que apenas as complicadas nos trazem. Quando a gente leva em conta que estamos condenados a passar por um dilema atrás do outro, o que fazer? Apenas escolher as opções mais confortáveis como se se atrever a buscar coisas que nos aprazem, ou ao menos nos interessem, fosse algo secundário?
_ Certo, deixe-me tentar sintetizar algumas dessas coisas...
_ Estou cansado de ficar me dando ao trabalho de ainda me surpreender com o egoísmo alheio! Puta merda, que desatino é esse que nos leva a subestimar a alegria alheia? Eu não quero acabar me tornando o que mais odeio! Se há algo de nobre em eu buscar minhas cegas crenças, que facilmente se confundem com sublimações, como posso declinar dessa atribuição?
_ ...
_ Apesar disso tudo, temo que volte a ver o chão se esvaindo sob meus pés de novo. Vai ser diferente dessa vez?
_ Por acaso eu tenho bola de cristal?
_ Pra quê vou perder tempo com efemeridades em nome de carências? Já passei muito tempo sem acesso a subterfúgios pessoais, distrações e válvulas de escape. Me atrevo a me submeter a uma espera maior. Quero acreditar em algo que valha a pena. Quero compartilhar o que há de bom em mim, mas ninguém parece disposto a isso. Toda essa indiferença alheia pra quê? Pra uma auto-preservação cega? Pra uma supervalorização do próprio umbigo? Pra fazer os outros de vitrine? Ninguém mais sabe se contentar com o bem-estar do outro...
_ Minha nossa, de que planeta você veio?
_ De Marte, e você?

sábado, 1 de março de 2008

Beijing 2008

Tem uma coisa que li no Catarro verde esse ano que concordo plenamente: o símbolo adotado para os jogos olímpicos é simplório de doer! Como puderam preterir este logotipo (o encontrei enquanto revirava uns arquivos antigos; data da segunda metade de 2004) por aquele? Não é à toa que, com essa falta de tino da parte do COI, nenhum mascote mais conseguiu a empatia do público... quando ouço dos mais velhos relatos de como o mascote dos jogos olímpicos de Moscou, por exemplo, tinha apelo entre os fãs do esporte, me pergunto o que levou ao departamento de idéias do COI de se descuidar tanto disso. Imagina quanta grana em franquias e merchan que esse povo deve estar perdendo, com esses símbolos estéreis atualmente adotados. Pra reiterar o que digo, pesquise por curiosidade os três últimos mascotes dos jogos olímpicos. São tão esquisitos que parecem ter saído dum cartoon medíocre qualquer da TV a cabo. Alguns deles parecem até ter sido usados como mascotes de paradas gay. Eu hein...