quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Que puxa...

Perguntas imbecis

* Posso contar?
* Quer aparecer na foto?
* Ficou com raiva?
* Porque você não arredonda minha nota, professor?
* Cospe ou engole?
* De quanto você precisa pra fechar nota?
* Concorda comigo?
* E as paquera?
* Porque você nunca admite estar errado?
* Quanto você ganha?
* Quer pagar quanto?
* Me dá um desconto?
* Você acredita mesmo no que acabou de dizer?
* Onde estava?
* O que você gosta de ouvir?
* Você sempre corta o cabelo assim?
* O que a crítica disse desse filme?
* Será que engorda?
* Você ouviu o novo álbum dos Loser manos?
* Porque não fazemos outra votação?
* O que você acha do Fulano?
* Devagar ou com força?
* Quantas mulheres há no elenco principal?
* Como assim, gente como você?
* Estou falando muito?
* Porque você tem de falar tudo que pensa?
* Já pensou no que vou fazer se você disser na íntegra o que acha disso?
* Custava dizer a verdade?
* Até quando?
* Quando eles vêm tocar aqui?
* Posso trazer Sicrano?
* Porque você não foi com a cara de Beltrano?
* Você não se importa com isso, né?
* É isso ou eu estou errado?
* Não percebe as reticências que há aqui?

Da série: posts irrelevantes...

Bloco de notas (VII)

Uma das coisas mais lamentáveis da vida não são os absurdos que fazemos em nome de ideais que somos cegos demais pra perceber intangiveis: é quando nos damos ao trabalho de conhecer as pessoas, mais do que deveríamos, em nome disso.

Não há livre-arbítrio no amor...

O arrependimento é um déja-vu por coisas que não acontecem, mas que ecoam eternamente em seu inconsciente. Ou seja, é antes um déja-vu que um ode à derrota.

A opinião do volúvel não é opinião. A opinião do resoluto também não. Ambas não passam de crenças, um perigoso e pretensioso cultivar de certezas. Talvez sequer passem de extremos de um contexto infeliz. Talvez sejam, no final das contas, o mesmo ponto-de-vista cego, cada um travestido à sua maneira.

Mais absurdo que ponderar tudo isso é leva em conta ponderações alheias me taxando de complexo. Não há nada de complexo no que penso, apenas abstrato (quanta pretensão, a minha). De propósito, que é pra evitar curioso lendo o que não deve. E pra dar dimensões diferentes a pensamentos simples.

Eu nunca vou crescer.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Juno


Só esse uniforme bizarro já valeu o filme... pensando bem, o fato de as massas não terem gostado do filme é outro fator que, pra mim, também já vale.

Update: a música no final é Anyone else but you, de The moldy peaches. Sugestão da própria Ellen Page, aliás.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Quase um déja-vu

_ E então, vocês se falaram depois de...
_ Não.
_ Mas o que você acha de...
_ Não faça isso...
_ Mas porquê? Há um problema a ser trabalhado aqui.
_ Não há.
_ Pense bem: você ainda sente algo...
_ É mesmo? O que percebo é que estou me desatando do passado. E essa conversinha mole condescendente sua em nada vai colaborar. Foi exatamente por isso que me dei alta no passado...
_ ...
_ Insistia tanto no tema, sem respeitar o tempo que eu precisava, que não tive opção. Me senti sem uma. Me excedi, mas era como se ela quisesse exatamente aquilo: se dispensou da tarefa de dizer o óbvio e esperou eu me cansar daquilo tudo. Mas não se engane: reconheço tudo que rolou ao longo desse tempo.
_ Você tem uma forma unilateral de pensar as coisas a seu redor, sabia? Dificuldade de enxergar opções, formas alternativas de considerar as coisas...
_ Unilateral? Me responda o quê eu tenho a fazer. Eu preferia estar errado. Eu preferia ter pisado feio na bola. Porque, pelo menos, haveria algo que eu pudesse fazer. Mas não, é sempre o outro que joga a merda no ventilador...
_ Mas tem certeza de que esse desligamento está acontecendo? Veja bem, mesmo depois de todo esse discurso você ainda vai...
_ Mas você achou que eu faria isso sozinho? Haverá mais gente. Fala sério, vai: achou mesmo que... zesus, sem comentários.
_ Não tente fugir de novo...
_ Isso não está acontecendo. Se estivesse, eu estaria... estaria... percebe?

_ Eu tenho uma forma diferente de ver a vida, sabe?
_ Explique melhor.
_ Gente como eu é idealista. Derrotada, mas ainda idealista. Gente como eu ainda perde tempo acreditando nos outros. Ainda tenta descobrir as pequenas coisas. Isso explica porque as escolhas confortáveis e enfadonhas -- perceba a redundância -- não me encantam. Eu não gosto de dar às coisas mais importância do que realmente têm.
_ Percebo um certo romantismo nisso...
_ Toda menina tem um pouco da rosa. Redoma alguma se aplica nessas horas...
_ Presumo o quão disso você tenha recebido durante certas aulas...
_ Sim. Nas aulas eu tinha vontade de me jogar pela janela...
_ Percebo que você deixou de morrer de amor para se apaixonar eternamente.
_ (o que é que deu nele? Não esperava esse jogo de palavras) O que está acontecendo comigo mesmo, hein? Eu devia estar... não que eu quisesse estar como eu ia supor agora, mas... estranho. Eu devia estar desejando, com todas as minhas forças, que aquela talzinha* ardesse no inferno, mas de repente me percebo com todo o rancor se esvaindo. Todos nós nos consolamos uma hora. Veja só, me lembrei de outro trecho do...
_ Pense no que está acontecendo aqui como um processo de adaptabilidade.
_ (que academês desnecessário) *suspiro* No final das contas, acho que esses questionamentos sempre vão me acompanhar. Não se engane: não há arrependimentos. Tudo que foi veio de forma diferente da que esperava: além num sentido, aquém em outro. Mas posso dizer, sem sombra de dúvida, que jogar tudo pro alto é algo que todos deviam fazer ao menos uma vez em suas vidas previsíveis e planejadas. Sei o que tenho, sei o que posso perder. Sei que não há pontos finais...


_____________

* Tenham certeza, jovens: pensei num termo mais pesado nessa hora...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Jibóia engolindo elefante


Tem uma coisa que nunca contei sobre mim aqui. Por motivos óbvios. Tá, não tão óbvios: essa viadagem de escrever diarinho em blog é uma fase que enterrei há tempos. Portanto, se houver alguém por aqui lamentável o suficiente pra achar que isso virá a cá acontecer um dia, frustro suas expectativas neste momento.

Tem uma coisa que nunca contei sobre mim aqui. Uma delas é sobre um dos primeiros livros que li na infância. A primeira vez que o fiz, tudo que minha imaginação de criança (quando não se dispersava com vocabulário desconhecido) conseguia extrair da obra era uma história criativa, que falava de saudade e da superficialidade com que tendemos a observar as coisas, em detrimento da magia presente aos olhos de criança que tendemos a desdenhar. Mas, ao longo dos anos, toda vez que estava fazendo alguma coisa (arrumar a prateleira do escritório, procurar documentos) e encontrava este livro durante meus afazeres, não tinha erro: eu imadiatamente parava tudo que estivesse fazendo e iniciava a leitura. O mais impressionante nisso é que sou uma pessoa que se cansa fácil das coisas. Isso não significa que sou volúvel; me canso fácil das pessoas também, mas não das impressões que adquiro delas. Enfim. A última vez que isso aconteceu foi há quase cinco anos atrás: estava procurando um livro na biblioteca pra fazer um trabalho de faculdade e encontro a saudosa parábola do principezinho logo abaixo, na prateleira. É lógico que procrastinei meus estudos naquele momento (e desde quando eles me levarão a algum lugar?) e me dirigi ao escaninho mais próximo pra revisitar o mundo do principezinho (sem máscaras ou escudos, apenas com o singelo olhar de um personagem que nunca se cansava de redescobrir as pequenas coisas da vida)... toda relida é uma redescoberta de detalhes que passaram em branco da primeira vez que o li. Uma revisita ao que abandonamos em nome de coisas fora de nosso controle...


A propósito, iniciei o post com um trabalho em biscuit feito por Ana Paula Turriani. Vão lá no blog dela prestigiar o trabalho da moça, oras...

Outra coisa: o encontrei de novo ontem, enquanto tentava de novo estudar pra uma prova. É lógico que não ignorarei esse chamado. Agora caiam fora daqui e não esperem mais post pra hoje; estarei ocupado lendo o livro de novo...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Muitos amores, muitas dores

Uma das maiores amostras de sadismo perpetradas por essa sarcástica entidade suporior que nos coloca no mundo não é a de nos submeter ao amor. Não é a de nos submeter a coisas contra as quais não podemos lutar. Não é a de nos submeter a mazelas que não enxergamos. É a da sensibilidade. Com ela sua vida pende em extremos o tempo todo. Ora você se levanta com uma discreta alegria em si, ora você passa pelo dia tão transtornado que se arrepende não do dia que nasceu, mas do momento do dia em que teve a infeliz idéia de se levantar da cama. E nisso passamos os dias: procurando formas de nos distrair de nossas falhas, limitações e anseios. Cada um carregando sua cruz. Tentando encobrir o mórbido de certas discorrências pessoais e o aparentemente inevitável de outras. A esperança é uma capciosa forma de pessimismo às vezes. E quando você se percebe suscetível a se deixar afetar por isso, pode ter certeza: você está fechando os olhos. Talvez bem antes disso você sequer estivesse enxergando. Em todo caso, a esperança é um sentimento muito perigoso para gente como eu. Não pelo medo da falha, nem pelo do sucesso, mas pelas coisas que, do nada, ela te faz acreditar...

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Não sou de postar vídeos, mas...




Kings of convenience: wining a battle, losing the war

O fio

Como Ariadne conseguiu sair do labirinto de Minotauro? Pois é. Essa analogia cai bem quando falamos da solidão também. Todo solitário tem um fio condutor estendido por alguém. Nem todos conseguem observá-lo estendido em seu caminho. E é por isso que acabam se escondendo de tudo quando menos esperam. Viram fantasmas e nem percebem. Passam a se desconhecer: acabam com tempo demais pra procurar contradições em si mesmos. Mas e quando se percebe que não há ninguém estendendo um fio para se chegar à saída? Primeiro, pare pra pensar no que te levou a se aventurar por tal labirinto. Perseu tinha uma besta mitológica a derrotar pra salvar sua amada, e você? Tem algo a se arriscar a ponto de se orgulhar da possibilidade de falhar? Quando tiver, encontrarás a saída. E seu fio...

Família

Depois dos dezoito anos, nunca mais conheci ninguém com uma estrutura familiar saudável. Pelo menos aquela que os especiais de natal costuma(va)m propagandear, com pai, mãe, irmãos em frente à lareira, todo mundo feliz para sempre, sem nenhuma sorte de conflito pra azedar as coisas. Não. Depois dessa idade comecei a perceber como as pessoas são umbiguistas, frágeis e desconhecedoras do que são capazes. Constato isso ao observar como são as coisas aqui em casa hoje em dia: relacionamentos novos, peuqenas derrotas e experiências novas são abertamente discutidas. Pais comuns jamais conversariam, em pé de igualdade, sobre relacionamentos com seus filhos. Os anseios, as dificuldades... numa família comum, tudo isso é discorrido pelos pais com certo ar de superioridade, já que o casamento, dentro de uma família, é como se fosse um contrato indissolúvel. Como se o amor entre eles fosse um troféu que os dispensase de abordar quaisquer conflitos a seu redor. O que eles não percebem é que toda forma de proteção que eles empenham em cima dos próprios filhos é ingênua: muitas vezes, arbitrariedades dotadas de uma cega arrogância. Não é apenas do mundo que devemos proteger os filhos (já que é pra ele que eles os criam, por mais difícil que seja isso admitir às vezes), é também deles mesmos, muitas vezes. O ruim de famílias perfeitas demais é isso: nada aparece para pôr à prova o equilíbrio das relações pessoais envolvidas. Essa ausência de provações proporciona uma miragem cuja distinção não se consegue mais fazer: o hábito torna-se arquétipo.

Nos últimos anos tem tanta coisa que mudou que torna-se impossível não se revisitar certas coisas. Separações, perdas e conflitos familiares te fazem repensar esses arquétipos. Os problemas no paraíso te fazem gerir a parada sob nova direção. Vocês percebem que têm apenas uns aos outros. Percebem que muitas de suas críticas têm fundamento mas continuam sendo gratuitas mesmo assim. Percebem que as coisas que não podem mudar são tudo o que resta depois de ver a vida lhes incidindo perdas relevantes. Percebem que, depois de certas coisas, seus pais são mero upgrade do que você virá a ser. Percebem que, sem certos alicerces, as pessoas tornam-se irreconhecíveis. Percebam que vocês são farinha do mesmo saco. Que por mais que elas tentem jogar tudo pro alto, numa tentativa desesperada de se reerguer e de se livrar de cobranças desnecessárias, elas sabem o que estão fazendo, por mais que tenham dificuldade de visualizá-lo. Continuar torna-se necessário. Dessacralizar o passado, também. Reconhecer os méritos do presente, muito mais. Nada mais será como antes. Ou seja, sempre é hora de reconhecermos a efemeridade de nossos valores. Antes que estes nos engulam de vez. Que nem sempre sejam necessárias perdas grandes para que isso aconteça...

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Dilemas

Dilemas. A vida de todo mundo está cercado deles. Por exemplo: se você escolher estudar algo que gosta mas que não te dê projeção social, se arrependerá da suposta subestimada a qual você se submeteu em relação ao próprio futuro. Mas se escolher estudar algo com mais 'futuro', digamos assim, poderá, por sua vez, se remoer por deixar de fazer algo com o qual se identificava mais. Sim, esse tipo de impasse me deixa muito puto. Outro exemplo: se você escolher se relacionar com alguém que goste de você mas que tem pouquíssimo a ver contigo, se arrependerá de ter por perto uma pessoa com pouca sofisticação e recursos pessoais suficientes pra te manter interessado em sua presença. Mas se escolher alguém com várias afinidades contigo mas que não goste de você (pelo menos não o suficiente), se arrependerá de ter relevado certas coisas, especialmente da natureza deste alguém. Sim, me reservo ao direito de dizer pela enésima vez que essas faltas de certezas me desorientam de vez.

Sabe quando a falta de resultado de suas decisões (ou ao menos tentativa de tomar algumas) te desgasta tanto pra nada? Pra simples constatação de que nenhuma de suas escolhas te leva a nada? Pois é. Seu destino vira uma pálida e opaca imagem de si mesmo -- que você gostaria de desconhecer -- e você nem percebe. Detalhe importante: ainda não sou velho o suficiente pra sentir tal cansaço. Cansaço por não poder abraçar duas decisões ao mesmo tempo. Cansaço por, quando possível, não ter o pique necessário para isso. Cansaço por, quando finalmente se encontra uma decisão da qual não se tem motivo algum pra se envergonhar, os resultados dela te frustram. Ainda não sou velho o suficiente pra ter um volume de decisões substancial para me arrepender. Arrependimento é distração. Dispersão, diria. Isso exposto, infiro: eu gostaria de conhecer os momentos mais estrategicamente apropriados pra se perder as estribeiras...

Mas espere: de repente, amostras de suas marcas aparecem no cotidiano. Nada de mais, mas serve como exemplo. Alguém que você não via há anos te encontra na rua, e faz com que aquela quase uma hora pondo a conversa em dia levante a poeira que cobria seus passos no caminho. Aí acaba-se vendo que a nulidade de seus atos está apenas em sua natureza: é apenas nela que você permanece o mesmo. Para o mundo, veja só, há algo de diferente em você. Seus gostos, seus momentos memoráveis, tudo isso é nuance dessa intrincada aquarela que é sua vida besta. Cheia de tons opacos, mas não vai deixar de ser seu auto-retrato por causa disso. Perceba que suas escolhas funcionam como a pinceladas nesse processo. Independente de como a tinta virá a ser marcada em tela, você já as tomou. Como você vai manifestá-las é conseqüëncia não do que você pretende pintar, mas sim em que galeria pretende expor. E encerro aqui esta metáfora barata...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A diferença entre o remédio e o veneno

* Mulher não quer ser respeitada. Pelo menos não o tempo todo;
* Apenas o que você não for será sempre afrodisíaco a elas;
* Desculpas são só palavras;
* A dificuldade delas em compreender a índole masculina indica a clara deficiência ególatra delas de ouvir e de se colocar no lugar de outrem;
* Tudo tem poder de barganha;
* Gostos pessoais são sacralizados por elas: mania besta de romantizar pequenas coisas em excesso;
* Machismo é escudo. Mas antes de tudo é orgulho;
* Feminismo é rancor;
* Sensibilidade não é álibi perfeito;
* Omissões não são atenuantes;
* Instabilidade é muito barulho por nada e pouca chantagem pra tudo;
* Rancor é um excesso proveniente de excessos anteriores;
* Pequenos gestos são inconfundíveis, especiais e únicos. Os grandes, nem tanto;
* Só se analisa com frieza a natureza do sexo oposto ao se distanciar afetivamente dele;
* Defeitos têm a única função de não tornar as qualidades cansativas;
* A única certeza de qualquer relação é o desgaste: muita coisa é consumida nesse processo;
* Só se preserva uma relação quando houver algo a ser usado contra você (ou seja, você sempre é isca pra si mesmo);
* Reciprocidade? Desconfie de todas elas;
* O que uma mulher quer? O que você não puder dar no momento;
* Como obter o amor de uma? Talvez seja algo equivalente à sorte: você não a conquista, você tem é acesso a ela sem perceber e pronto;
* Mexida no cabelo, desvio de olhar, produção diferente, efusão reduzida em sua presença, papaguear menor do que o normal: é tão fácil captar as mentiras da maioria delas. A gente se deixa enganar fácil demais, penso às vezes...
* Dominação é algo a se fazer de forma subliminar: a certeza dela sempre imbuirá o dominado a buscar motivos pra contradizer o dominante e pra conter seu pesar em relação a isso.


Update: leitura recomendada para o momento. Mais sensatez do que raramente me dou ao trabalho de ter. Blog daqui, veja só. A propósito, todos os links da coluna direita que contiverem [c] são de blogs daqui de Hell city. Enjoy...

Ah, a literatura...

[aula de literatura]
_ "The only reason Salieri has no (female) pupils is beacause he can't get it up." Traduz pra mim...
_ Não olha pra mim... (corando)
_ Que foi? Não gosta daquilo?
_ Gosto quando é o meu "getting up", querida...
[depois da aula]
_ Achei que vocês iam ficar sem graça.
_ Filho, já faz tempo que vejo aquilo "getting up".
_ É, eu realmente sou conservador. Pra pensar que ainda há quem se constranja com isso...

_ Vocês já tiveram a sensação de querer muito ser capaz de algo na vida mas se descobrir sem talento ou capacidade para isso? Salieri queria ser mais talentoso que Mozart, mas por mais que tivesse fama a voz de Deus se manifestava no outro. Eu, por exemplo, adoraria poder tocar piano, mas quem disse que consigo dedilhar alguma coisa no maldito instrumento? Queria também estar escrevendo artigos, me dedicar ao doutorado, mas não, estou presa aqui com vocês.
[aula prossegue]
_ Não adianta gente, a arte é algo que vem naturalmente. Sob a ótica hegeliana, não há esforço no mundo que te leve ao sublime, à arte. Por exemplo, se um dia tentassem me fazer estudar cálculo, imaginem o esforço olímpico que eu teria de fazer pra entender aquilo. E, mesmo assim, nem chegaria perto de entender realmente o funcionamento da coisa. Então.

[dia seguinte, durante o estágio: aula sobre clothing]
_ Então professora, eu posso dizer que "he's wearing a garter?"
_ Não sei que tipo de fantasia você tem comigo, mas... guarde pra si mesma, sim?
_ Como assim?
_ O que você acha que 'garter' significa?
_ Cueca...
_ 'Get it up' com uma garter... você não é normal, sabia?


Update: Esse post todo foi uma interna. Eu devia mudar título...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Uma interna... (II)


E volta o cão arrependido
Com suas orelhas tão fartas
Com seu osso roído
E o rabo entre as patas

Detalhe importante: o verso é repetido 44 vezes...
(Foto encontrada no devianart.com. Tirada pelo usuário xbombergirlx)

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Bambaleão...




Oun oun... não sei vocês mas, além do papo-furado, acho engraçado pra caramba a desproporção entre as mãos e a cabeça de Bambaleão. Três vivas pro canal Rá-tim-bum trazendo a gerações, como a minha, esses crássicos da programação televisiva infantil dos anos 80. Do tempo em que nem só com bundas os canais de tevê garantiam seu cascalho. Engraçado como não tive um acesso de nostalgia desses antes por aqui...

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Reunião de cúpula

Pautas dessa reunião:
* Adivinhar pensamentos alheios;
* Não confundir 'cativar' com outras coisas;
* Canalizar a raiva de formas diferentes;
* Descartar uso de retórica;
* Levar em conta o previsível, fazer vista grossa ao imprevisível;
* Constatar que não há direitos, apenas deveres expressos sob eufemismos;
* Guardar o ego no bolso: não há lugar pra vaidade nessas horas;
* Abolir vínculos. Não há interdependência nesses quesitos;
* Perceber que tem tanta coisa que não ocupa o mesmo lugar no espaço...;
* Lembrar-se disso: básico é avançado e avançado é básico.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Às vezes eu queria ser diferente

Às vezes eu queria ser diferente. Ver com mais naturalidade as coisas. Pensar menos na vida. Dar menos margem à melancolia. Me deixar levar mais. Estudar menos as atitudes alheias. Aproveitar as coisas, não como símile cretina em busca de coisas constrangedoras demais pra cá expor, mas como legítima fruição. Não ver estranheza nesse inquietante estado de espírito que denominamos alegria. Usar menos infinitivos. Ter amnésia seletiva. Aceitar coisas que não posso mudar e não me deixar abater por isso. Me cobrar menos. Romper essa eterna contradição do que sou com o que creio que deveria ser. Calar aquelas vozes internas, ou ao menos provar que elas estão erradas. Jogar tudo pro alto não por culpa ou cansaço, mas por mero impulso veemente. Orgulhar-me de meus momentos de idiotice. Me dar o direito de, sinceramente, rir de mim mesmo. Não desdenhar meu próprio passado nem subestimar o alheio. Me poupar de abstrações desnecessárias do que sinto como esta. Desmedir tudo que faço. Subverter pelo simples prazer de subverter. Olhar pro céu sem esperar nada cair em sua cabeça. Não conter nada. Se sentir merecedor das coisas boas que te acontecem. Me livrar dessa afetação presente em meus momentos de introspecção. Simplificar. Encontrar. Perceber. Ser. Estar.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Nada se cria...

Nenhum de nós, como qualquer coisa produzida no sul, é lamentável. Prova cabal disso? Compare Starman, do David Bowie, com o Astronauta de prata deles. Pois é. Pra você ver. Eu (quase) tento não ter esta gratuita implicância com a produção musical gaudéria, mas não dá!...

Pequeno e pretensioso dicionário da natureza humana

* Expansivos: pessoas que te fazem ter a legítima sensação de que você a conhece por anos, apesar de fazer menos de seis meses que você fala com ela. Suas histórias raramente te fazem sentir disperso, seus trejeitos são particulares e acessíveis o suficiente pra que você nunca se sinta estranho à piada interna do momento, e sua índole calorosa sempre te mantém por perto.
* Armados: gente que testa seus gostos pessoais o tempo todo, te sondando o tempo todo acerca de suas preferências como se aquilo devesse ser requisito obrigatório pra pessoa se dar ao trabalho de lembrar seu nome. A adolescência, por natureza, nos faz armados (mas há razão de ser pra isso, a busca por aceitação aliada às suas afinidades), mas nos manter assim após ela é lamentável.
* Desarmados: gente que se entrega tanto a novas relações que acha que o fato de ser alvejado por julgamentos alheios é um pré-requisito necessário pra ser aceito em algumas panelinhas. Como se a pessoa fosse um eterno calouro social.
* Solitários: pessoas aparentemente auto-suficientes que preferem se concentrar em coisas que lhe aprazem do que compartilhar sua presença com o mundo. Porquê disso? Qualquer círculo social é um buraco negro em potencial que, querendo ou não, vai te roubar um pouco de sua individualidade e te fazer entrar numa espécie de barganha social em que o solitário (e suas poucas lembranças relevantes) se encontraria constantemente tendo de realizar a manutenção de contatos em excesso.
* Nômades: o tipo de gente que todo mundo conhece mas com quem ninguém convive. Sempre tem tiradas engraçadas o suficiente pra ser lembrado por todos, mas não conteúdo suficiente pra manter sua particular atenção por muito tempo. São sociáveis mas desapegados. Como muitas pessoas grudentas desejamos que fossem; a estas falta desapego.
* Apêndices: os famosos sem sal. Nem enfadonhos, nem divertidos. Nem interessantes, nem rasos. São mais lembrados por conhecer alguém divertido pertencente a seu mesmo círculo social do que por sua índole propriamente dita.
* Ranzinzas: criticam tudo e todos. Mais lembrados pela língua impudica do que por outras particularidades suas, na maior parte do tempo. Muitos deles também se incluem na categoria dos desarmados, embora nunca admitam.
* Dadaístas: são pessoas particularmente interessantes por causa disso. Mestres em desvirtuar conversas com seu pensamento não-linear, sempre são companhias inusitadas o suficiente pra se manter por perto. Sua singularidade é que o faz cativar outrem. E é ela mesma também que os tornam mais misteriosos do que aparentam.
* Mímicos: não existem sem estar em suas panelinhas. Nada do que gostam ou tomam por hobbies faz sentido sem alguém conhecido por perto pra compartilhar. Todos nós temos um pouco de mímico, mas isso é constrangedor demais pra qualquer um confessar.

Impressões totalmente dispensáveis do cotidiano

* Pêlos nos ombros: o horror, o horror;
* Camisetas que os outros usam pra caminhar;
* Letreiros de "ofertas" de shopping;
* Calçadas;
* Uniformes de vendedores;
* Encontrar conhecidos cujos nomes você desconhece;
* Encontrar desconhecidos cujas feições você conhece;
* Não sei o que me deixa mais deprimido: ficar em casa ou acenar seriamente com a possibilidade de ter de arrumar um emprego esse ano;
* Blogs escritos por meninas testando minha paciência com prosa barata (não que eu não façao isso às vezes também... =p);
* Widgets, RSS, vídeos... sinceramente, não existe nada relevante na web fora dos blogs. Por exemplo, depois de descobrir o esnips, provavelmente nunca mais baixarei mp3

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Quando é que eu vou crescer?

Resigne-se às suas escolhas, mas nunca à sua natureza. Essa sensação de nadar contra a corrente não cessa. A de encontrar dilemas em todas as suas decisões, também não. O que quer que esteja procurando, não procure mais. Aceite o inevitável. Estude o roteiro. Deixe de usar seus medos como álibis. Tem coisas que não temos forças suficientes pra encontrarmos sozinhos. Contudo, força coletiva alguma nos levará a certos achados também. Baseie sua perspicácia em tentativas. Perdoe o erro e desconfie da verdade. Seja o que pensas ser antes que algo te convença do contrário. A questão não é mais do que somos capazes: é se as aspirações trazidas por nossa capacidade nos são suficientes. Em momentos assim é como se estivéssemos descendo ladeira abaixo em ponto morto e nem percebêssemos...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Tempo...



Sem mais para o momento.

Bloco de notas (VI)

_ Ai miga, ontem eu assisti aquele filme em que o John Travolta aparece só de sunguinha...
_ É, isso eu posso com certeza morrer sem ver.
_ É, mas você não vai pro céu...

_ Vou pegar algo pra beber e já volto.
_ Vejamos os CDs dele...
[volta com os bebes]
_ É o tchan? Só pra contrariar? Katinguelê?
_ Ah, vocês encontrarão de tudo aí.
_ CDs da Caras?
_ Que tem de mais?
_ CDs da Caras são uma clara tentativa desesperada de classe média querendo pagar uma de erudita...

_ Eu não pertenço àquele lugar.
_ Vem cá, esse vai ser mais um daqueles diálogos no melhor estilo 'teatro do absurdo'?
_ Sim!
_ Droga...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Coisas patéticas dessa vida besta nossa de cada dia (II)

* Propagandas de Activia (aquelas com depoimentos de balzacas felizes que voltaram a ser capazes de executar a hercúlea tarefa de soltar o número 2 depois de meia-dúzia de potinhos do milagroso iogurte);
* Gente vestida em premiações pornô;
* Objetos pessoais de celebridades que atingem fortunas em casas de leilões;
* Músicas individuais que tocam durante a entrada de formandos em baile de formatura (era mais fácil contratar um DJ e dançar numa boate, não?);
* Cerveja sem álcool;
* Gente que não raspa a cabeça (apesar de o cabelo crespo de alguns chegar a ser usado por joões-de-barro como moradia);
* Pessoas com mais de 150 amigos no Orkut;
* Gente que ainda acha que universidades públicas sobrevivem sem iniciativa privada e que elas realmente têm um papel relevante na sociedade;
* Virais como o 2 girls 1 cup, que quase me fizeram abolir a casquinha do Bobs de minha dieta;
* Encontrar o ex naquela mesma festa que você só foi porque o amigo não parou de te pentelhar pra ir;
* Gente que se dá ao trabalho de tentar descobrir o que mulheres querem. Tome por base a gravidez, que demonstra claramente como a maioria das vontades delas são fantasiosas, sem razões lógicas, fúteis, volúveis e transitórias. Sim, meu caro, a vida não passa de uma eterna especulação...;
* Listas dadaístas como esta

São todas iguais...


Já pararam pra se perguntar porque mulher tem tanta curiosidade de conhecer boates GLS? O que será que um ambiente que toca Diane Ross tem de tão glamuroso e hip (sim, reparei que esse anglicismo caiu de forma pouco viril agora) pra fasciná-las? A idéia de encontrar vários homens e nenhum pra dar em cima delas? Ou a idéia de encontrar várias mulheres de pochete interessadas em suas curvas? Talvez seja a idéia de que, em lugares assim, elas podem se privar por alguns momentos do capcioso joguinho de sedução e não ficar se preocupando em receber alguma cantada porca a qualquer momento. Pode ser também o tipo de música que toca em lugares assim que as chama atenção, normalmente coletâneas retrôs sortidas menos óbvias do que as usadas por casas noturnas comuns. Mas é lógico que a última frase é conversa pra boi dormir; não caio nesse argumento.

Todas elas, face ao natural desinteresse de seus amigos homens quanto à idéia de ir a um lugar desses, vão acusá-los de medo do novo, de machismo e outros bairrismos que não me darei ao trabalho de cá descrever. Balela. Se isso fosse vero, boates GLS não existiriam; o máximo que haveria são guetos e pequenas festas organizadas no fundo de prédios pouco suspeitos que é pra evitar reprovação alheia e menifestações de ódio. Mas não é o que acontece. A turminha da purpurina não se preocupa mais em se esconder, coletivamente falando. Individualmente, a cautela sempre existirá: ficaria surpreso com a quantidade de gente por aí que nunca sai desse eterno teatrinho hétero por causa de aprovação social. O que talvez, portanto, chame a atenção do sexo feminino em relação a lugares assim seja a dança. Sim, meia dúzia de passos no chão são incrivelmente afrodisíacos. Sem falar no quesito fantasia, fetiche, imaginário feminino: imagina o quão provocante deve ser prum grupo de amigas ver tanto macho junto num mesmo lugar, requebrando até o chão e não dando a mínima pra elas. E, de quebra, ainda sabem conversar sobre moda, cultura pop e outras bobagens interessantes ao universo delas. Lugares assim devem funcionar como uma espécie de universo paralelo pra elas (tipo um bizarro world), sob esse prisma. Da mesma forma que, se um dia um empresário corajoso tivesse a inglória coragem de abrir uma boate com temática, digamos nerd (é, me faltou um termo mais justo, mas use sua imaginação para um melhor), e os homens encontrassem, entre os freqüentadores habituais, mulheres com poucas frescuras, que não fossem muito chegadas em ensaiar uns passinhos ante à primeira bobagem discotecada que viesse a tocar, que realmente se interessassem pela última maratona de Warcraft que você organizou entre amigos, que soubessem conversar sobre carros, futebol, informática e não corassem ao ouvir as peripécias sexuais deles (numa óbvia tentativa delas de dissimular recato). Pois é. Infelizmente as sapatas não são assim (são inclusive um tanto hostis, diria que elas são um infeliz derivado desse feminismo rancoroso sem razão de ser de hoje em dia), e talvez seja por isso que boates GLS não chamem a atenção da maioria dos homens. Até porque gente sentando no quibe e esfregando velcro qualquer um já tá cansado de ver hoje em dia... vou pra balada só pra ver isso? Fala sério, a maioria vai é preferir a pegação unissex, mesmo...


Imagem da primeira edição do site ideiafixa.com, revista eletrônica de arte.