quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Eterno subestimado...


Sinfest é foda, meu. Tatsuya, ao que tudo indica, sempre será esse eterno loser amarelo subestimado. Uma lástima. Talvez seja melhor assim; desconfio de tirinhas com fãs demais... =)

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

"Vou pra Europa torrar seu dinheiro e já volto, pai..."

Há atualmente uma modinha comum entre as meninas que se aproximam da vida adulta: viajar. Não de férias, mas pra sair de casa mesmo. Antigamente elas se contentavam em apertar o nariz do Pateta na Disneilândia, agora elas só se contentam em puxar uma carreirinha num pub inglês qualquer enquanto tentam se lembrar do porquê daquela estranha dor na lombar no dia seguinte. Ah sim, e enquanto apagam as fotos mais comprometedoras da câmera digital e escolhem as fotos mais turísticas pra postar na web.

Trata-se duma desesperada tentativa de independência, na maioria dos casos. Algumas vão sob o pretexto de mudar de ares; as menos burguesas, sob o pretexto de estudar. Afinal de contas, pra quê anos de aulinhas de inglês se é mais fácil gastar o dindin de papai treinando a língua (entenda essa em todos os sentidos podíveis) em terras d'além mar? Sabe, é normal muitas meninas chegarem naquela fase da vida em que acham que têm condições de constituir vida profissional fora da asa de mãe e pai. A questão é a prepotência que nelas vai crescendo à medida que tentam e põem isso em prática. Como se independência as tornasse melhor que os outros. Como se família não passasse de um estorvo.

A vida moderna as está transformando em individualistas. Gente assim é meio assustadora às vezes. Não pelo fato de que a família simplesmente se torna insuportável depois que se descobre a vida por conta própria. Nem pelo fato de como elas passam a ver suas raízes. Talvez pelo fato de louvarem a esbórnia e acharem que isso é digno de alguma nota. Tudo bem porra, é pra isso que a juventude é feita: pra executarmos toda sorte de idiotices em nome dum impulso de vida que não durará pra sempre. Agora não me venham endeusar esse estilo de vida insustentável, fala sério! Que tem de mais estudar fora de casa? Que tem de mais conhecer lugares novos à revelia das facilidades que a terra natal oferece? São experiências, e não troféus!

Quem cai no mundo cedo garante que esse tipo de experiência é insubstituível. E daí? Tem experiências que virão independente de nossa vontade, pra quê ficar apressando essas coisas? Posso até admitir que resisto a crescer às vezes. Mas sair de casa é mera movimentação geográfica. Desnecessária muitas vezes, por sinal. Todo um círculo social que se deixa pra trás pra quê? Ambições pessoais? Vontade de conhecer o mundo? Só tem esse tipo de ambição, cair no mundo sem motivos decentes, quem nunca experimentou solidão nem nunca teve dificuldades de descobrir a saudade. Sério, experimenta ser ilegal num desses maravilhosos lugares de que você vai lotar seu álbum no Orkut mais tarde.

Mas porquê espremo a ferida e apenas menciono as meninas? Porque é mais incomum ver homens com esse tipo de viadagem. Se for pra torrar o dinheiro do velho, esses preferem fazê-lo localmente, mesmo. Até porque o que elas procuram ao se afastar de seus lares não é sucesso e outros sinônimos congêneres, são vivências, apenasmente isso. Acham que a sofisticação que não existe em sua terra natal será suficiente pra lhes trazer algo que venha a somar a suas vidas bestas. Puta merda, como esse tipo de futilidade me irrita...

domingo, 27 de janeiro de 2008

Teresinha



Composição: Chico Buarque/Maria Bethânia


O primeiro me chegou como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração
Mas não me negava nada, e, assustada, eu disse não

O segundo me chegou como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada, e, assustada, eu disse não

O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro, dentro do meu coração


Uma das melhores paródias que eu já vi! Rio até hoje, e olha que eu nem era nascido quando esse quadro foi filmado...

Vislumbre

Tem coisas que vêm fácil demais e vão ainda mais facilmente. E nem é essa efemeridade que me incomoda a maior parte do tempo. É o quanto a gente se expõe mesmo sabendo dessa verdade. É o fato de ignorarmos, cientemente, que temos toda uma vontade própria ociosa, esperando ser praticada. Pensa o iludido (ou algum outro termo mais cuidadoso, se usarmos do eufemismo), liberdade de escolha é inútil sem fatores que induzam ao tendencioso, ao confortável. Que tipo de amor-próprio (?) é esse que cede tão facilmente a certos fatores de provocante magnetismo? Porque a gente simplesmente não se pode dar ao luxo de se desligar do que sente por meio de hierarquias absurdas ou desapego generalizado das coisas? Que tipo de cadafalso psicológico é esse, porra? Não, não acabou ainda; prepare-se pro pior: a possibilidade de isso tudo ser transitório ao sumir, do nada, e mais transitório ainda ao voltar. E a possibilidade de você, ciente, insistir em se sujeitar a isso.

Eu não vou entrar nesse círculo vicioso de novo. Não posso. Não por defesa, mas pelos outros recursos que a gente usa para tal, como mencionado no post 'Otimismo'. A defesa não está na fuga, mas em como se camufla o ataque. Ou, no máximo, a abordagem. Quando ninguém quer se dar ao trabalho de realizar um reconhecimento de uma situação, diplomacia torna-se inútil. Nem sei mais se as adversidades estão no trajeto em si ou c* q* a gente o percorre. É como quando a gente busca a solução de um desafio e se vê sem alternativas: raramente nos damos ao trabalho de cedermos à alternativa que sobrar. Por vezes porque não enxergamos, no auge de certo pragmatismo, o que restou. Em outras vezes, porque não há respostas certas a algumas perguntas. Como julgamentos de ditadores: por quanto será que essa gentalha do Judiciário vende suas almas pra fazer aquele teatrinho do absurdo? Pontos de vista não combinam com expectativas, isso é certo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Otimismo

Sabe qual o problema em se ser tão incisivo e ácido? É que o detentor dessas tentadoras mas inúteis faculdades mentais sempre terá de se resignar ao fato de que seu cinismo é mero escudo. Como muitas outras coisas. Os defeitos são mais confortáveis de se conviver do que as virtudes, tenham certeza. A recusa em se aceitar algumas convenientes verdades sob o temor de descobri-las fictícias é amostra disso. Não há tanta coerência assim no pessimismo e nas críticas fulminantes que ele fomenta... ao otimismo de repente se confere inesperada coerência.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Como ser chato

"Tirando aquelas partes com cânticos inconseqüentes, até que aqueles sermões com metáforas ingênuas e citações no imperativo são legaizinhas."

"Vem cá, quando é que essa banda vai começar a usar a guitarra, mesmo? Tô quase dormindo com esse baixo..."

"Ah, que surpresa, um suspense cheio de adolescente fútil fazendo uma idiotice suficiente pra pelo menos metade deles morrer no final. Gênio!"

"Mas é claro que não vou assistir esta merda só por causa desse ator!"

"Tem uma coisa que não entendo: porque tem tanta auto-ajuda vendendo horrores e aquele Minutos de sabedoria nunca figura entre os best-sellers? Justo o possivelmente único livro de auto-ajuda que não foi redigido por um ghost writer..."

"Estudei quatro anos nesta esbórnia em forma de universidade pra ter aula com um recém-formado?"

"Quantos estimulantes seriam necessários preu chegar no serviço e soltar um bom dia sincero pro meu chefe?"

"Cara, vá testar o flash de sua nova câmera em objetos inanimados, não em mim!"

"Sim, eu me recuso a conversar com menores de idade. Porquê? Gente que ainda acha o máximo vestir camisa do Che, ficar de pileque com meio copo de cerveja, ter dificuldade em elaborar sentenças sem diminutivos e corruptelas, achar que alguém se interessa por suas bandas favoritas e citar Nietzche não merece poluir meus ouvidos..."

"Mas porquê esses imbecis começaram a tocar em português?"

"Que estação de rádio é essa? Tá na AM? Hã? É o CD da tua banda favorita que tá tocando? Um erro honesto da minha parte, então..."

"Los hermanos de novo? Vocês só podem estar de sacanagem..."

"Sabe qual a vantagem de ter nascido com esta carranca? A maioria dos idiotas evita se aproximar achando que vou mordê-los."

"Eu, chato? Não se engane: é só primeira impressão."

"Podia ser pior: eu podia estar tocando numa banda só pra transformar meus rabiscos no caderno da faculdade em música e me aproveitar do fato de o violão ser o instrumento musical mais afrodisíaco de todos os tempos."

"Sério, alguém tem que falar praquela menina que manchar o vestido com Campari e ir pro festival fingindo ser estampa não vai destacá-la de ninguém. Não é fácil ser esquisito em shows de rock..."

domingo, 13 de janeiro de 2008

Respirando fundo

Meu atual sonho de consumo hipotético é um oráculo. Seria o máximo obter respostas aos meus mais inquietantes questionamentos apenas trazendo oferendas, queimando incenso e trazendo a uma imagem de pedra as minhas dúvidas...

sábado, 12 de janeiro de 2008

Um bom descanso é metade do trabalho*

É inútil a gente ter esperança de que vai ganhar a vida com algo que gosta. O mundo sempre vai dar um jeito de deturpar a parte mais nobre de um ofício e nos fazer odiar o que mais nos gratificava antes da vida adulta. Fico pensando naquelas pessoas que trabalham em algo ao qual nunca vincularam satisfação alguma. Quem sai mais no lucro, aquele que se contenta com as pequenas recompensas (embora embebidas em falso altruísmo) de seu ofício ou aquele que se desliga de vez de qualquer possibilidade de identificação com seu ofício? Não é à toa que tem tanta gente por aí que se contentaria apenas em ser rico e se poupar de trabalhar em ocupações rasas.

Há quem diga que o trabalho dignifica. É fácil se lembrar disso quando se passa por um dia monótono no escritório, sem nada pra fazer. Mas o mundo não valoriza mais a dignidade. O mercado de trabalho do século XXI nunca foi tão maquiavélico, justificando fins com meios. Na Europa, generosos seguros-desemprego tentam, de certa forma, dissuadir pessoas de procurarem ocupação. Mas quando você vive num país que não é sério, é impossível de se escapar do paradoxo proposto por sua vocação (andaime ao redor da teoria) e o cotidiano de sua profissão (dinamite ao redor da prática).

Sério, o mundo não valoriza o ócio o suficiente. Em vez disso, prefere criar vagas desnecessárias, delegar funções deploráveis e desdenhar os avanços da tecnologia que prescindem os homens a certas atividades. Acabo de descrever uma mentalidade bem brasileira que, em vez de tomar as medidas necessárias para a produção de vagas empregatícias, prefere manter seus pobres ocupados em empregos desnecessários e insalubres.

O fato é que o ócio não se constitui simplesmente na total inércia: é antes uma homenagem a si mesmo do que vadiagem total. Veja bem, a função de seu ofício é social ou individual? Os benefícios que ele traz são sociais ou individuais? Você atribui algum tipo de identidade a seu ofício? Com essas perguntas, quero expor o seguinte: em nossa plural e individualizada sociedade, dar tanto valor assim ao trabalho é, de certo modo, apoiar o clientelismo e cooptar com coisas que não se concorda e/ou se desconhece.

Sei lá, confessem que essa idéia é levemente melhor do que se resignar ao fato de ter tanto idiota por aí recebendo atenção demais pelo fato de empenhar muito trabalho às suas irrelevâncias. Não é porque o trabalho é algo importante em nossas vidas que mereça ser levado tão a sério, como uma seita. Nem caio na heresia de dizer que o mundo precisa de mais dândis, bon vivants, andarilhos, especuladores, artistas e outros urubus do suor alheio em geral. Chega de tantalizar tanto assim a labuta. O mundo não precisa de tantas formigas, precisa é de gente que ao menos se dê ao trabalho de ter um estilo de vida e que não o confunda com seu trabalho.


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* Provérbio iugoslavo. A propósito, tava me esquecendo da parte mais divertida de ter blog: redigir os absurdos mais absurdos possíveis com argumentos estranhamente válidos. E sim, acredito que o trabalho dignifica. Meu contra-cheque me fará pensar o contrário às vezes, mas eu sou teimoso demais pra cair na real. Por hoje é só...

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Vendo coisa onde não tem

Pensava naquilo como a um pacote. Achava que aquela empolgação, aquelas pequenas descobertas e aquele estado de espírito único eram coisas que vinham sempre juntas. Não contava com o fato de o mundo ser um lugar estranho o suficiente pra confundi-lo. Por vezes pensava, 'será que, quanto mais esperamos alguma coisa, mais criamos expectativas absurdas a respeito do que se anseia e acabamos desabonando a concretização do que anseamos?'. Seria aquilo mera novidade passageira? Temia muito se tornar daquelas pessoas que nunca sabem o que querem. Ou daquelas que se enjoam fácil das coisas, quão pior. Sim, se sentia mal em estar (?) reduzindo seu sonho a mero impulso duma juventude definhante. Queria tanto saber o que fazer. Encontrar essa receita de bolo e fazer a massa crescer uniforme, sempre do mesmo jeito. Porque não percebia o estourar dos fogos ao cravar, no peito do último de seus demônios, aquele mesmo tridente que tanto o espezinhara? Um espírito treinado? Um espírito impaciente? Às vezes as perguntas mais perigosas são aquelas com respostas que talvez nem sempre estejamos dispostos a ouvir. E talvez por aí esteja uma importante verdade da vida: mais importante que obter as respostas, ou mesmo o empenho em buscá-las, é estar disposto a interpretá-las de formas por vezes contrárias aos enunciados de seus questionamentos. A dúvida é o preço da pureza. Certeza é veredito?


Textículo que encontrei perdido no fundo da gaveta, finalmente publicado. Daqueles pequenos pedaços de nós mesmos aos quais atribuímos nostalgia de vez em quando. Ou não...

Parental advisory: explicit antipathy (X)

_ Então te vejo amanhã pra gente estudar a apostila, tá?
_ Ele quer te comer, hein?
[leva um tapa]
_ Você sabe que eu estou certo!
[leva outro]
_ ...
[leva mais um]
_ Qual o teu problema? Não falei nada dessa vez!
_ É, mas pensou.
_ É, tem razão.

[passa pela mesa um garoto com camisa pra dentro da calça, óculos, bottom de Nossa Senhora e cabelo penteado à moda anos 30]
_ Nisso que dá deixar a mãe te vestir...

_ Ela comentou comigo, 'até hoje eu só gostei de caras legais. Tem você, tem Sicrano, tem Beltrano...' No que eu respondi: 'hmm... não sou tão legal assim'.
_ Tem razão. Ser legal o tempo todo é um pouco de masoquismo.
_ Chega a ser uma primeira impressão que o povo tem de mim. Aí, depois de algum tempo, eles comentam 'puxa, achei que você era mais legal'.
_ Comigo, essa primeira impressão é o contrário.
_ Claro que sim...
_ Fico pensando: por 'legal', elas devem entender 'nunca tentaram me comer por serem losers demais', ou algo assim.
_ É possível. Elas devem ficar pensando, enquanto ele discorre sobre táticas pro Final Fantasy, 'até quando ele vai fingir que não reparou nesse top justinho que tô usando?'
_ Caras legais voam... assim como meninas que não dão.
_ Pior. Não existe legal, existe derrotado. Gente pessimista demais pra se permitir interessado na menina cujo vestido de bolinha cafona ela jura que você vai achar o máximo.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Parental advisory: Explicit antipathy (IX)

_ Gente, tenho duas notícias, uma boa e uma má. A boa é que o Fulano me deu o aval pra usar o outro laboratório e o garoto já instalou o Photoshop lá. A má notícia é que terei que sair daqui a pouco pruma reunião.
_ Qual delas era a boa, mesmo?

[assistindo um programa da ESPN falando sobre a judoca Edinanci]
_ ...não quero demonstrar vaidade, sou discreta.
_ Não se preocupe, isso não vai acontecer. [para a TV]
_ Perto dela, a Rebeca [Gusmão] é uma mocinha...

_ Que ridículo, esse cover do Super Mario só sabe fazer cadeira?
_ Me responde o que você está fazedo com esta cadeira, nesse momento.
_ Ah, assim é muito fácil obter fama. Vou colocar furos em todas as cadeiras da minha casa, então. Coisa mais inútil...
_ Inútil? No quê você costuma se sentar?
_ Depende de onde eu estiver...
_ Ui.
_ Começo a me lembrar porque tranquei Arquitetura... pra evitar o convívio com imbecis assim, que fazem nome pintando cadeira de balanço da vó com tinta fosforecente e colocando em mostras como tendência...
_ Ah, mas essas soluções de design são tão bonitas...
_ E pensar que quase fui a uma palesta do Ruy Ohtake. Só agora sei o atentado ao bom-gosto da qual escapei. Espero que ele também não nos flagele com portfolios e mais portfolios de cadeiras...
_ Não seja tão nazista! Designers têm a função também de trabalhar a ergonomia desses objetos de interiores...
_ É mesmo? Porque todos eles parecem desenhar sobre a premissa do "quanto mais desconfortável, melhor". Porque você acha que rico nunca se senta na própria mobília? Repara, aquelas cadeiras chiquérrimas sempre ficam vazias. Eles ficam é no sofá por respeito à própria espinha dorsal...

[passando por uma feira numa praça]
_ Eu fazia um curso de artesanato no comecinho do curso.
_ A faculdade acaba com toda a poesia, não é mesmo?
_ E como.
_ Você entra em busca do conhecimento, e sai fugindo dele.
_ Você entra querendo mudar o mundo, e o mundo acaba te mudando...

domingo, 6 de janeiro de 2008

Maturidade

Maturidade é algo curioso. Te faz aprender a viver com as dúvidas e a passar a aceitá-las como uma força-motriz de nossas vidas que nunca nos abandona. Como se o aprendizado apenas suscitasse a substituição de uma preocupação por outra.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Pais e filhos

_ Ah, mas é a minha única alegria.

_ Eu vou fazer essa lipo e ponto final!
_ Que ótimo, depois de velha resolveu ficar vaidosa...!
_ Eu vou sair com esse conjunto e pronto!
_ Que ótimo, depois de velha resolveu ficar ridícula...!


_ Compra tudo que estiver na lista, filho.

[sai de casa]

[volta pra casa, guarda tudo na despensa]

_ Filho, você esqueceu pasta de dente!
_ Mas não estava na lista!

_ Estava sim!

_ Não estava. Mas você não faz nada direito, mesmo...

[nesse momento o filho embrulha e joga fora a lista, que obviamente não tinha a maldita pasta de dente]


_ Teve um amigo da família que passou o natal com a gente uma vez. E eu naquela fase anti-social da adolescência. Aí ele falava com todo mundo, mostrava animação. Mais tarde, minha mãe comenta, 'porquê você não pode ser mais como o Fulano? Ele é tão de bem com a vida...'
_ Como as pessoas se impressionam com pouco...