sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Raspa do tacho

Tenho algumas teorias malucas, como vivo cá expondo. Uma delas é de como as músicas bregas matam mais que Portishead, Radiohead e outras bandas simpatizantes do suicídio juntas. Só com rimas óbvias, com introspecção paupérrima e sentimentalismo gratuito (que alcance entre as massas fantástico eles conseguem), devíamos considerar os cantores sertanejos um foco dessa atual doença social. Que crise econômica que nada (há quem diga que ela esteja tendo o suicídio como efeito colateral), quanto corno, brocha e pobre por aí saindo do bar e se jogando da ponte por causa da Boate azul... ou seja, Chitãozinho e Xororó é tr00.

Letroca. Há quanto tempo não ouço falar desse site (e do Fulano também; aquela fase da Internet de brincar de rifa acabou, felizmente). Fica o link, indispensável. E preu não esquecer mais, também. Jogos de palavras sempre me prendem a atenção. Já cheguei ao cúmulo da nerdice de baixar do finado Underdogs (portal de jogos descontinuados) o abandonware do Scrabble. Yeah...

Um tempo atrás assisti um filme no History Channel contando a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha. Até aí nada de mais, não fosse o fato de ser um filme de quatro horas, dividido em duas partes. No geral, o elenco é desconhecido, mas há algumas menções honrosas a se fazer, como Liev Schreiber, e Peter O'toole, que só sabe fazer papel de velho déspota decrépito, quase morrendo. Ele é muito bom nisso. Ele tem tanta pinta de moribundo que parece ser irmão do Keith Richards quando atua.

Um gênio. Esqueça aquele humor primário de tirinhas feitas no Paint (que também me fazem rachar o bico) e confira os diálogos de dois dos maiores compositores da música erudita em situações nonsense. Porra, não me canso de impressionar com a criatividade dos desocupados...


E um pacote de citações pra fechar.

"Nunca julgue um livro pelo seu filme."
J. W. Eagan

"Ele é pobre, mas tão pobre, que só tem dinheiro."
Pedro de Lara, ao ser sumariamente demitido por Silvio Santos, após anos de casa no canal dele, quando perguntado se guardava algum rancor.

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E assim fecho o ano de 2008 com mais um post dispensável e em eterna gratidão à minha chefe por ter adiado minhas férias em oito dias. Boas festas a todos, bebam sem moderação, depenem uma galinha viva e joguem cinzas de urubu em seu terreiro pra ter a pessoa amada de volta em quinze dias. E antes que se perguntem, este post está programado; não são tão patético a ponto de perder tempo com blog a cinco dias do ano novo. See ya.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Só mais um rostinho peitinho bonito

Vamos mandar a real: peito e bunda são importantes quando observamos alguém do sexo oposto. Naturalmente, muito marmanjo por aí responde que sua parte favorita da anatomia feminina é a bunda pra não pegar mal entre os amigos, já que sensibilidade pra se observar outras coisas nelas é um hábito visto de forma caricata no universo da testosterona. Mas como não estou numa rodinha de amigos não preciso elogiar a bunda de ninguém com afetação (não preciso dela pra fazê-lo, hohoho), cá exporei de forma mas analítica o que observo -- e o que evito a todo custo observar -- nas mulheres. O que considero bonito observar nelas são, pra começar, mãos. Não necessariamente aquelas que mais parecem carro alegórico, dado o excesso de esmalte ou aquelas florzinhas cafonas desenhadas perto das cutículas, mas aquelas de proporções harmoniosas. As alongadas pra mim conotam uma personalidade ardilosa. Eu e minhas teorias malucas; daqui a pouco escrevo um post apenas discorrendo sobre a relação diretamente proporcional entre o comprimento dos dedos e certos traços de personalidade. Eu poderia revolucionar a quiromancia com isso, mas gente com coisa melhor a fazer do que eu já criou a dermatoglifia (tem gente que adora catar milho...) pra isso. Outra coisa que observo são os olhos, e minha teoria a respeito das mãos encontra equivalente aqui, já que creio piamente que, quanto menor os olhos de uma mulher, mais ela tem a esconder e mais habilidade pra dissimular vem por tabela. Olhos de ressaca, amiguinhos; Machado de Assis sabia das coisas. Esse é um que deve ter se inspirado numa furada de olho que levou na adolescência pra escrever seu célebre romance. Outra coisa: quanto mais profundo um olhar (quanto mais dificuldade houver pra se identificar a cor dele e seu globo ocular), mais profunda encontra-se a localização de uma mágoa. Olhares perdidos, vejam só, encontram no breu de suas retinas o elo perdido das alegrias passadas.

Outra coisa que deixa minha imaginação passeando são cabelos. Lisos, encaracolados, volumosos, cada um com sua personalidade. Cada mechinha saltando ao ar, lutando ou cedendo à gravidade, em detalhes que, absurdos para as massas, sugerem muitas coisas para mim. Por isso faço um apelo pessoal: tinturas, Neutrox e Colorama não dá, garotas! Outra coisa: chapinha pra mim é o equivalente capilar pra espartilho. Não funciona pra mim. Pra quê photoshopar o próprio cabelo? Penteados de novela duram no máximo uns seis, oito meses; seu cabelo depois disso fica contigo, e não com a personagem coitadinha que se dá bem no final. Pensem nisso. Com o cabelo, a mulher desempenha diferentes papéis, então não se percam em seus personagens. E prossigamos o raciocínio falando da forma como elas se vestem. Estampas, cores lisas, combinações, tudo isso conta pra se analisar o bom gosto da pessoa. Inclusive o tamanho da bolsa: lembrem-se, vocês estão vestidas pra matar, e não pra ir à feira, então por obséquio descartem as bolsas grandes; ninguém vai jogar boliche nem fazer colheita de café hoje. Quanto às combinações de roupas, o ideal é que o calçado nunca seja de cor mais clara que o chão (ou ao menos mais clara do que você está vestindo), e que se tenha a consciência de que certas cores não foram feitas pra certos tecidos ou modelitos. Outra coisa: respeite seu biotipo e não me deixe com VA ao usar blusinhas que deixam a pancinha à mostra e os filetes de gordura laterais mais à mostra ainda. E mais uma coisa: saias sempre serão bem vindas! Desde que com estampas (seu pastor não manda no seu armário). Não são apenas jeans que nunca saem de moda.

Finda minha descrição das várias coisas que colaboram pra compor uma aura de paixão e unicidade que apenas uma presença feminina pode trazer, falemos daquelas que me deixam meio neurótico. Comecemos com narizes: eles são tão invasivos que os japoneses são famosos por praticamente escondê-los em sua manifestação pop mais notória, os animes. Não gosto dele porque o nariz não é exatamente algo que você escolhe observar ou evitar. Durante o beijo, se ele for muito grande, fica parecendo uma porteira aberta resvalando em seu olho durante o ósculo. Sem falar que uma ofegação pode passar do afrodisíaco pro broxante rapidamente. O inconveniente do nariz não é seu tamanho, mas seu formato estranho: não bastassem as orelhas, cuja cartilagem lhes confere um formato que destoa das sinuosidades de um belo semblante, temos ainda o nariz, cujo formato estranho... sei lá, talvez isso explique porque nenhuma espécie no reino animal se beije, pelo menos como nós fazemos. A evolução das espécies nos pregou uma peça. Mas chega de falar de nariz; esse assunto me desanima. Falemos também de -- preparem-se -- pêlos no buço! Sim, meus caros: aqueles folículos intrusos incrustados nos lábios de sua amada. Toda mulher tem, em maior ou menor grau. A única razão prelas não passarem a gilete naquela coisa asquerosa é prum simples beijo não virar um velcro entre seus buços. Ruim com ele, pior sem ele. Elas fazem sua parte: descolorem, arrancam com pinça, mas não adianta: ainda precisaremos de alguns milênios pra, com sorte, a biologia livrá-las de vez deles. Deixei todo mundo paranóico? Então agora vocês têm uma noção do que narizes fazem com meu psicológico. Mas não se preocupem: nos perdemos fácil num olhar. Não que peito e bunda não colaborem pra isso, mas por mais que estes saltem aos olhos, olhos alheios estarão à disposição pra pegar os seus no pulo e fazer os seus, sem objeção, fazer vigília a outras coisas.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Let's rock

Esse joguinho mudou minha vida.


Guitar Hero espremido num joguinho em flash: caiu uma lágrima de um olho. Como vou conseguir fingir ser eficiente no trabalho com um joguinho desses em meu desktop? Desafio... quando não é o Playstation quase me deixando com LER, é a Internet com essas pequenas maravilhas...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Amar é...

Nos anos 80, uma tirinha com esse título desfrutava de relativa fama aqui no país. Atualmente, sua autora, descendente de italianos (o que torna compreensível o espírito de seu traço) já é falecida, mas seu filho continua com a tirinha. Entretanto, seu peso no imaginário popular é talvez maior do que o fato de as pessoas, especificamente, conhecerem a tirinha. Falo da expressão que dá título ao post. Que desavisado nunca se pegou perguntando-se isso, naqueles momentos poeta que todo mundo tem quando tem tempo ocioso demais nas mãos? Então. Abaixo trago até vocês algumas dessas tirinhas, corrompidas pelo melhor estilo Mincin de criar punchlines infames. Leia-se: o blogueiro acordou espirituoso demais hoje.



Bota alguns milhões na minha conta pra ver se não deixo qualquer uma molhadina com o tamanho de meu patrimônio.


Essa fala por si só.


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Bom, é isso, crianças. A realidade nua e crua é a de que o amor é apenas uma relação de poder e status. O resto é poesia. Não que eu queira descartar de vez aquela sensação de toalha torcendo em meu duodeno ou de borboletas no estômago toda vez que começo a gostar de alguém mas, como diria Rita Lee (peço desculpas por profanar este post ao referir-me a ela), amor é prosa e sexo é poesia. A vida parece longa demais quando confabulamos em cima de assuntos que nunca se esgotam, então façamo-la parecer mais curta com temas leves enquanto jogamos ao fogo os cânones de nosso orgulho. Não sejamos ingênuos; de qualquer forma, precisamos de catarses... mesmo que discordes das minhas.

domingo, 7 de dezembro de 2008

O inferno é... (II)

_ Um pesadelo em que você se descobre o irmão mudo mais novo de Rory Gilmore;
_ Ser Beta tester vitalício da Microsoft;
_ Gente conversando contigo APENAS enquanto você assiste a um filme na TV;
_ Discurso de candidatos aos DCEs Brasil afora;
_ Ser batizado com nomes em que várias letras se repetem várias vezes (pobres tabeliões...);
_ Saber exatamente como os outros pensam;
_ Para atrizes: descobrir que Marcos Pasquim sofre de priapismo durante as gravações de cenas de seus libidinosos personagens;
_ Ser roommate do Bob Esponja;
_ Sogras argentinas;
_ Discutir crítica literária com Mallu Magalhães;
_ Ter aulas de gaita com Helio Flanders;
_ Cortar o cabelo com um integrante do Cachorro grande;
_ Ser maquiador do David Bowie;
_ Perder uma discussão pro Celso Amorim;
_ Dirigir com a mãe do lado;
_ Ir ao cinema nas férias;
_ Pintor daltônico falando de sua obra numa entrevista;
_ Piorar um quase com um depende;
_ Ver o Marcelo Faria nu numa peça de teatro (aconteceu comigo);
_ Defender monografia tendo o Macaco louco (sim, aquele símio chato d'as Meninas superpoderosas) como um dos integrantes da banda examinadora.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Só pra dizer que não falei de flores




"America is a mistake."
Sigmund Freud

Certo, agora eles têm um presidente negro. Mas cadê o Jack Bauer? E 'o rei da vela'?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Casual bagunçado

Sou vanguarda da moda desde a adolescência, sabiam? Desd'aquel'época eu e o pente não somos muito amigos por causa dum intermediário rebelde nessa equação: meu cabelo. Uma palha de aço premiada pelos genes loiros que me deixa com poucas alternaivas estéticas toda vez que cresce. A única alternativa é um tique que tenho quando este fica grande o bastante: fico enrolando as mechas da nuca indefinidamente. Fato é que, para justificar minha inépcia com aquele instrumento dentado feito para em teoria botar certa ordem em meu emaranhado capilar, inventei um estilo revolucionário para a época (em parte, pequena, pra evitar o espelho): o casual bagunçado. Não importa pra onde eu saísse, o que viesse a fazer, ele sempre me acompanhava. Indiferente à aprovação alheia, prático o suficiente pra dispensar produtos e eficiente expressão de seu usuário, o casual bagunçado viera pra ficar. Mesmo sob coações maternas por um penteado cafona, os infrutíferos penteados não duravam muito: minhas próprias madeixas começavam a clamar pelo casual bagunçado e, quando menos esperava, elas já haviam se rebelado, como pequenas cristas de ondas, pequenas pontas de iceberg zombando da gravidade. É raro rolarem umas pontas mais alfalfeanas (não me façam explicar essa referência óbvia), mas não posso reclamar. Um estilo tão contracultura como o meu tinha de ter seus efeitos colaterais. Hoje em dia, como tudo bacana e que salta aos olhos, foi covardemente expropriado pelo pop, meu estimado casual bagunçado. Hoje em dia, boybands emo de todas as partes do mundo passam horas no cabeleireiro pra despentearem estrategicamente seus cabelos. Fariseus. Acabaram com a proposta original. O casual bagunçado não era grunge nem punk, era apenas um descompromisso com a ditadura do pente, um louvor à natureza de cada cabelo. O casual estava acima de falsas estéticas de rebeldia. Não era anarquista nem niilista, era mero ode à preguiça aliado à desnecessidade, em muitas fases da vida dos que adotam esse penteado, com efemérides da vaidade (vaidade é placebo do ego). Uma amostra da penetração do tolerismo na moda (leiam meu manifesto nos arquivos). Mas o pop estigmatizou meu estimado casual bagunçado. Além de jamais me terem feito milionário por minha idéia boa o suficiente pra iconizar décadas inteiras, ainda a roubaram e a associaram a bandas morde-fronhas de filhos de dono de gravadora. Ardam no inferno, ladrões! Agonizem com a chegada de décadas novas que inventarão penteados idiotas o suficiente pra levarem o falso penteado bagunçado (só meu penteado era tr00. Tão tr00 que se esquivava do mainstream, do establishment) pro ostracismo e ocupar as mentes jovens com alguma estética pastelã. Quero uma nota sobre mim na Vogue, porra!


Puta merda, sou quase um porta-voz do Herchcovitch. Em vez de ter perdido quatro anos brincando de fazer faculdade, devia ter posado de estilista pra passar o resto de minha vida fazendo teste do sofá com modelos anoréxicas, pagando uma de consultor de moda (em vez de poeta de boteco, como os pobres do meu curso insistem em fazer). Odeio a certeza de que só os idiotas criativos e/ou espertos enriquecem hoje em dia...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Nem parece banco

Brasil pode ganhar poder com 'nova ordem mundial', dizem especialistas
Alessandra Corrêa
Da BBC Brasil em São Paulo


A crise econômica mundial está provocando mudanças profundas na geopolítica e, nesse novo cenário, o Brasil pode assumir um papel de maior destaque, afirmaram especialistas reunidos nesta sexta-feira em São Paulo. Segundo o historiador Paul Kennedy, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, o "momento unipolar" (expressão cunhada pelo analista Charles Krauthammer) surgido após a Guerra Fria, em que os Estados Unidos assumiram uma posição de grande poder, dá mostras de estar chegando ao fim.

Diretor de Estudos de Segurança Internacional de Yale, Kennedy atraiu atenção mundial no final da década de 80, ao lançar o livro Ascensão e Queda das Grandes Potências, em que discutia o declínio dos Estados Unidos. De acordo com o professor, se no aspecto militar os Estados Unidos continuam sendo uma grande potência, na área econômica e de finanças o cenário é diferente.

"Mesmo antes da crise dos mercados de subprime já era possível perceber uma mudança de poder, com a crescente influência de outras partes do mundo, como a Ásia", disse Kennedy, um dos palestrantes da conferência "Mudanças na balança de poder global: perspectivas econômicas e geopolíticas", promovida pelo Centro de Estudos Americanos da FAAP e pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso.

Segundo Kennedy, a atual crise deve marcar o início de um mundo multipolar, no qual os países são interdependentes e estão interconectados. "A crise mostrou que o Fed já não pode agir sozinho", disse. "Os países devem trabalhar juntos". Com essa nova realidade, disse Kennedy, ganha cada vez mais importância o chamado "soft power" - termo criado pelo professor de Harvard Joseph Nye para definir o poder de uma nação de influenciar e persuadir, sem uso de força militar, mas pela diplomacia. Entre os países que poderiam exercer esse tipo de influência, os especialistas citam o Brasil.

De acordo com o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, que também participou da conferência, apesar de o Brasil não ter poder militar, tem relevância na área de cooperação econômica e pode exercer o "soft power".


Mudanças

O consenso entre os especialistas que participaram da conferência é de que as relações entre os países não serão as mesmas depois da crise. (...) O diretor de publicações do Centro para o Estudo da Globalização da Universidade de Yale, Nayan Chanda, disse que o mundo atual está baseado em quatro pilares: sistema capitalista, equilíbrio nuclear, manutenção da governança por meio da ONU e o sistema de comércio global. "Os quatro estão abalados", afirmou.

De acordo com Chanda, o equilíbrio do poder nuclear foi quebrado com o surgimento de novos países nesse cenário, como Israel, Índia, Paquistão, Coréia do Norte e, possivelmente no futuro, Irã. O comércio global também dá sinais de enfraquecimento, principalmente após o fracasso das negociações da Rodada Doha, afirmou Chanda.

Ele citou ainda o aumento do protecionismo e do sentimento contrário aos imigrantes como aspectos do novo cenário mundial. Nessa nova realidade, Chanda destacou a rapidez com que os países reagiram à crise, a diáspora que faz com que a população mundial tenha se espalhado e pode ser uma barreira contra o nacionalismo, e o papel de destaque das comunicações no sentido de integrar o mundo.

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Já repararam como esse tipo de notícia nunca figura nos meios de comunicação em massa? Pra gente ver como catastrofismo vende mais jornais. Pensam os editores, vale mais a pena focarmos na choradeira previsível de especuladores, que usam até a própria alma como commodities, do que pensarmos o contexto atual com sobriedade e considerarmos cenários futuros. Noticiário sempre diz que o mercado tá tenso, que os investidores estão inseguros. Porra, nem se o PIB nacional duplicasse em seis meses esses putos ficariam otimistas, pelo menos nas palavras cínicas das linhas editoriais dos jornaizinhos de grêmio estudantil que consideramos jornalismo. Puta merda, será que ninguém nunca estudou História nos telejornais? Falam dessa crisezinha de merda como se nós, consumidores de produtos finais, tivéssemos a obrigação de agir do jeito que os bancos querem: comprando dólares, gastando menos e vendendo mais ações da bolsa. Os banqueiros estão se afogando na própria ganância e acham que precisamos nos importar com isso. O crescimento de nosso PIB deixou de ser uma bolha faz tempo. Pena que esses babacas têm dinheiro suficiente pra nos fazer preocupar com falácias como risco-Brasil, índices de exportação de carne e outros cabrestos, em vez de nos focarmos nos ingredientes dessa receita de bolo globalizada que chamamos de capitalismo. No final das contas, o dinheiro vai apenas mudar de mãos: morre um modelo econômico, nasce outro. Num mundo onde dinheiro não tem nacionalidade, crises são apátridas e agiotas têm múltiplas nacionalidades. Ou seja, há momentos em que o primo rico precisa de dez mangos emprestados do primo pobre...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Efeito borboleta

Foi em Maceió que nasceu Eloá Pimentel, e foi lá que a menina passou os dois primeiros anos de vida em um ambiente conturbado e de violência. Você vai conhecer agora detalhes do passado do pai dela. Foragido, ele foi acusado de pertencer a um grupo de extermínio antes de fugir da capital alagoana com a família.

O seqüestro que durou cinco dias revelou o passado de violência de Everaldo Pereira dos Santos, o pai de Eloá. A imagem chamou a atenção do perito Ailton Villanova, em Maceió. “Quando a câmera flagrou bem, que eu olhei, eu reconheci. Na hora, fiquei na dúvida: mas o que ele está fazendo ali?”, ele conta. Foi Ailton quem descobriu a coincidência: Everaldo Pereira dos Santos, o pai de Eloá, era foragido da Justiça havia 13 anos, acusado de uma série de assassinatos. Uma marca no rosto foi decisiva na identificação.

Everaldo não apareceu nem no enterro da filha e está foragido. “Do jeito que eles estão dizendo que eu sou o bicho de sete cabeças, eles vão querer me executar para queimar um arquivo”, alega Everaldo. As acusações trouxeram ao público histórias de violência dos anos 90. “A minha irmã foi morta porque sabia demais. Ela sabia dos crimes dele”, denuncia Rita de Cássia Alves Vieira, irmã de Marta.

Rita de Cássia e Claudinete vivem em Maceió. Elas são irmãs de Marta Lúcia Vieira, esquartejada em 1993. Marta tinha sido mulher de Everaldo. Quando foi morta, eles já estavam separados. “Ele vivia com ela há cinco anos e, quando entrou na polícia, se transformou. Já não era mais aquele homem e ela sentia medo”, conta Rita de Cássia. (...) Um irmão de Everaldo disse ao Fantástico que o foragido vai se entregar daqui a dez dias, a contar deste domingo. Se isso realmente acontecer, a polícia deve deixar Lindemberg e o pai de Eloá frente a frente, para que digam se cometeram mesmo crimes juntos.


Fonte: globo.com
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Não devo ser o único que vê ironia entre o passado do pai da pobre menina do seqüestro de Santo André e o triste destino de sua filha. Não vou massagear o lombo da redundância com ponderações sobre o carma dos outros, mas não consigo deixar de esboçar surpresa com essa peculiar amostra da teoria do caos. Vejam só do que é feito o tortouso percurso da vida neste caso: ex-PM participa de grupo de extermínio em seu estado. Entre suas vítimas -- a menos citada nos noticiários -- encontra-se uma ex-esposa. Possível crime passional. Vendo sua lista de pendências com a Justiça aumentando, ele faz o que qualquer nordestino brincando de jagunço em sua terra natal faria: brincar de retirante e se mudar para São Paulo, esperando com isso fugir de seu passado. Lá, cria sua família como um cidadão comum, até que um ex-namorado de sua filha a mantém refém e a mata depois de mais de cem horas de cárcere privado, por motivos que se aproximam dos que ele mesmo teve pra matar no passado. Pra você ver: bastou uma meia dúzia de gente da imprensa, doida pra vender jornais, fazer pão e circo do triste fim da menina, para as autoridades perceberem a inesperada coincidência. Pois é, cabo Everaldo, Deus adora dar sustos. Vai fazer falta os tempos em que os retirantes apenas trabalhavam em garagens paulistanas, sem fazer seus semelhantes de reféns. Sim, todos os envolvidos na tragédia têm origens nordestinas (a região mais machista, paternalista e coronelista do país). Gente com a esperança tentada de várias formas que acabam parando numa metrópole impiedosa que acaba atuando como pós-graduação de surtos psicóticos. Alguém precisa avisar a essa gente que São Paulo jamais foi terra de oportunidades para retirante algum. No máximo, serve como celeiro de foragidos, como o ex-cabo nos mostrou. Nem Linha direta faria melhor. Que sociedade é essa que precisa de requintes de crueldade pra se lembrar de se perguntar porquê?

Os mais sensibilizados poderiam afirmar ser isso apenas um caso isolado de tragédia mobilizada por adolescentes sucumbindo às dúvidas ao amor. Mas não é. O Brasil é um país machista. Crescemos aprendendo a nunca aceitar não de uma mulher (os adolescentes americanos viram franco-atiradores por falta de aceitação social; os nossos, por orgulho caricato). Prova palpável disso é que, após o trágico desfecho desse seqüestro, pelo menos outros dois casos semelhantes ocorreram país afora, alguns dias depois. As furiosas conseqüências do ciúme masculino não são novidade, mas o é legitimarmos isso, como ficou evidenciado de forma implícita pela atuação da polícia paulista. Lindemberg não foi visto como um crimimoso na ocasião, mas apenas como um jovem que não sabia lidar com a rejeição, que havia falhado em lidar com sua mulher. Temos um estigma de que o amor nas mulheres é condicionado. De que os sentimentos delas não passam de um mero condicionamento. De que quem falha ao obter o amor delas deve fazer de tudo para limpar sua honra. Essa ideologia de boteco precisa acabar, sob pena de esse tipo de incidente continuar a ser freqüente. Novelas com mulheres personagens que gostam de apanhar, que cedem a chantagens emocionais de seus maridos e que sempre perdoam as puladas de cerca deles em nada ajudam nisso. Só reforçam um perigoso estigma de violência. A vida não é uma peça rodrigueana, e isso precisa ser transmitido a nossos jovens desde cedo. Antes de educação sexual, precisamos dar educação emocional. Ensinar que mulheres não são causa, e sim efeito de nossas vidas. Nossas escolas, definitivamente, não são da vida...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Guerras esquecidas

Vivemos num país onde o único G4 sobre o qual a população discute é o do Brasileirão. Com isso, o Brasil tem algo muito em comum com os Estados Unidos. Sua população não sabe nada sobre política externa. Isso pode se dever às trocas culturais e econômicas, efervescentes no velho continente, que por cá apenas ecoam de forma pálida nos noticiários. Mas viver num país que não conhece seus personagens históricos é preocupante. Pode-se dizer que os americanos conhecem seus personagens históricos. Mas, zente, decorar a lista de presidentes que esquentaram a poltrona da Casa Branca ao longo do século XX nada diz sobre a consciência política de uma nação. Isso foi algo que me chamou atenção ao assistir um documentário do History Channel contando sobre um conflito armado entre Bolívia, Chile e Peru (a chamada Guerra do Pacífico), sobre o qual as populações das três nações nada sabem. Sim, cada um tem a Guerra do Paraguai que merece. No consciente coletivo desse canto da América do Sul, há um bairrismo em relação ao sentimento que cada vitória ou derrota inspirou em uma população toda. Mas não há um entendimento de quem foram essas pessoas por trás desses conflitos, muito menos o parecer deles mesmos, como população, a respeito disso tanto na época quanto hoje. Uma opinião pública sem âncora alguma. Pra gente ver: pelo menos três países da América do Sul querem mudar suas constituições e nada se fala a respeito disso! O que nos difere dos americanos é que não tentamos reescrever nossa própria política externa à base de chumbo -- derrubando governantes e iniciando guerras pra garantir o leitinho das crianças dos CEOs de empresas maquiavélicas --, querendo vender aço pra armas que o mundo só precisa porque o mesmo governo que subsidia essas indústrias é o mesmo que leva desgraça para fora de seu país, a fim de agradar seus pagadores de impostos preferidos. Ou seja, aquela historinha anarquista pré-adolescente do Clube da Luta pareceria menos ingênua se, em vez de atacarem os prédios do sistema financeiro norte-americano, Tyler Durden atacasse refinarias árabes de petróleo. Aí sim a merda iria fundo. De preto.

Mas não é pra falar das conseqüências da miragem jurídica, que os americanos convencionam chamar de eleições, que escrevo. O que motivou a guerra do Pacífico foi a disputa pelo nitrato do Atacama, mas o que sobra nos livros de história dos locais é uma falácia patriotista alienante. Uma América do Sul que não sabe lidar com seus recursos naturais. A mesma pirracinha boliviana de aumentar arbitrariamente os custos de seu nitrato no século XIX ecoa no gás natural do século XXI. Eles são tão sortudos de lidar com o país dum presidente cujos resquícios socialistas de sua juventude como metalúrgico não lhe permitem um certo egoísmo, compreensível de um país na posição de potência econômica dum continente, de se impor. Até mesmo nos esportes a América do Sul se comporta como se seus hermanos fossem de planetas diferentes. Os acordos comerciais são tímidos, o intercâmbio é pouco incentivado e os presidentes dos DCEs Brasil afora me lembram perigosamente de nossos atuais líderes. Esse autismo político, de um lado, poderia ter sua culpa na posição afastada em relação ao resto do mundo que a América do Sul tem, o que favoreceu poucas trocas político-econômicas por muito tempo, mas daí pra se acomodar nesse argumento fraco... não dá. O ruim é que nosso continente não tem tradição de participação popular em decisões importantes. E ainda por cima quer ver representantes de seu povo no poder. Pra quê? Pra quê termos representantes de um povo despreparado para pensar seu país de forma sensata? Pra ser marionete do empresariado ou, na mais infantil das hipóteses, começar a nacionalizar as coisas pra esconder suas vaidades políticas? Por isso que falei, no começo do blog, que Lula é brasileiro demais pra nos governar. Ser governado por representantes de elites não é exclusão. Condenar isso é ser reacionário sem causa. O preparo pra se representar uma nação está além da classe social de quem esquenta poltrona no Palácio do Planalto. Felizmente o tempo está nos ensinando a escrever nossa própria história, embora sem condições de participação popular. Aprender os interesses de uma nação não é sempre ouvir os gritos de ignorância da população. É antes fazê-la entender sua condição social, econômica, histórica...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Cólera catártica

Quem não odeia o lamentável impasse de, ao sair com amigos, sempre encontrar um babaca pra chamar uma ex para o mesmo evento? Considero simplesmente desprezível essa mania dos outros de achar que você tem a obrigação de fazer cara de paisagem ao encontrar alguém que preferia não ver. Puta merda, é muita hipocrisia! Lógico, todos argumentarão que nem sempre será possível marcar alguma coisa sem incluir alguém que você prefere evitar, mas daí pra não te alertarem a respeito disso é de uma canalhice que me ofende. Sim, pra mim é algo MUITO pessoal. E aquele outro argumento cretino de que não vale a pena deixar de ver os amigos por causa disso? Enfiem essa frase feita de auto-ajuda no esfíncter retal de vocês e me esqueçam. As pessoas falam como se elas fossem os únicos amigos que você tem. É direito de todos intransigir quando alguém te decepciona. Mas ninguém está disposto a respeitar isso hoje em dia. Somos forçados a ver tudo com naturalidade numa época em que a humanidade tenta a todo custo esgotar tabus sociais, afetivos e pessoais, às vezes os três convergindo. Tem gente que vê nobreza nisso. Não há nobreza alguma em deixar o amor-próprio de lado. Há quando se deseja o melhor a alguém, e não quando alguém te olha com desprezo toda vez que você a vê. Portanto, vamos combinar assim com quem insistir em contaminar minha vida social com essa sujeira espessa de minha vida amorosa: quero que vocês vão à merda e parem de poluir meu campo de visão enquanto perderem tempo refocilando em cima de minha paciência. Beijomeliga.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O inferno é...

_ James Blunt narrando uma partida de futebol;
_ Maratona de filmes do Didi;
_ Música dos anos 80 de fundo em correntes de e-mail das quais você será vítima durante palestras;
_ Filmes que nem os críticos conseguem dizer porque eles acham bom;
_ Faustão como atendente de SAC;
_ Galvão Bueno fazendo cobertura do velório de alguém famoso;
_ Transmissões de esportes praticados por mulheres;
_ Arquivo confidencial (sim, aquele quadro do Faustão) com um dos integrantes do Nx zero;
_ Desenhos da Warner;
_ Mesas redondas mediadas por gaúchos;
_ Musicais dublados (sim, essa eu já mencionei antes);
_ Pobre querendo ser bom em coisas que os ricos inventaram, de propósito, pra pobre nunca ser bom (tipo aqueles projetos de inclusão social que ensinam crianças a jogar golfe, sabe?);
_ Conversar por mais de três minutos com um economista;
_ Ver um advogado discorrendo sobre física quântica (vale qualquer outro assunto que ele nada entenda) pra defender um empregado vítima de acidente de trabalho;
_ Casais famosos cuja junção de nomes os transformam num ser ainda mais pedante e chato do que os dois separados;
_ Esudante de Comunicação social tentando ser macho ao perguntar o nome da sua amiga;
_ Corte da cabelo de recém-formados em Direito;
_ Corporativismos ridículos como a "Farmááááácia do adevogado";
_ Dublagens em que é possível ouvir sobras do áudio original;
_ Gente que só consegue falar de um assunto;
_ Jim Carrey como funcionário do CVV;
_ Membros da família que insistem em conversar quando cada um se encontra em membros diferentes da casa;
_ Ver o Jô Soares falando de assuntos que ele julga entender;
_ Gente que, ao falar, prolonga palavras que antecedem vírgulas ou pontos finais (comum em mulheres);
_ Lobão como militar, dando importantes instruções ao pelotão se aproximando do inimigo;
_ Banners prometendo ringtones grátis;
_ Ronaldinho Gaúcho fazendo um discurso de casamento;
_ Paulo Francis declamando num sarau;
_ Evaristo Costa e Sandra Annenberg fingindo ser amigos de infância após darem uma notícia inútil;
_ Notícias de celebridades no Terra ou no Ego;
_ Gente que fica mais de dez minutos contando uma mesma história, sem te dar tempo pra fingir interesse com uma indagação;
_ Bar que só vende Kaiser;
_ Um fime do Woody Allen estrelado pelo Eddie Murphy e pela Meg Ryan como casal romântico;
_ Filmes que você quer ver, cujos cartazes só são pendurados no shopping com a única função de tapar a infiltração da parede do cinema;
_ Remorso por atitudes das quais você se orgulha;
_ Medley de canções de Engenheiros do Hawaii;
_ Quando se descobre que apenas os defeitos conservam uma amizade (ou algo mais);
_ Estacionamentos maiores do que o local em que se quer ir após balizar o carro;
_ Momentos que precedem um fora;
_ Expectativas paridas por estatísticas;
_ Aulas de dança com Angela Guadagnin.

sábado, 4 de outubro de 2008

É bom porque é trash (III)

Ficar muito tempo à toa em casa, no mais absoluto sedentarismo, nos deixa mais propensos a nos apegarmos ao trash. Nesse contexto, volta e meia me encontro assistindo na TV aos famosos programas-barraco, aqueles em que uma apresentadora traz a pobraiada pra falar de seus problemas. Como diriam os Malvados numa de suas tirinhas, é daqueles momentos em que a TV vira "o psicólogo despreparado dos pobres". Tanto que quando vem alguma visita inesperada, tipo o primo que passa em sua casa depois da faculdade, ligo em programas, tipo os da Marcia, pra dar umas boas risadas. E pra fazê-lo ir embora mais cedo também, claro. Com abstração, você consegue se acabar de rir com a falta de dignidade dos outros. Tipo, tem cada caso que parece esquete do Zorra total. Alguns exemplos: a mulher que reclamava do irmão que não tomava banho, o marido ator pornô, o ricardão que começa a se cansar da amante... enfim, uma amostra de decadência melhor que a outra! O que só melhora com inovações como o uso de polígrafos. No SBT, o programa desse gênero deles é bem piegas. Regina Volpato é quase uma Silvia Poppovic com uns quilos a menos. Sem sal mess. Já a Marcia é aquela típica colega de trabalho que faz parte da turma do deixa disso, mas que adooooora dar um palpite sobre os recalques, frustrações e inseguranças alheias. Ela é também aquela coroa de classe média que sai do seu Corolla pra tirar satisfação contigo depois de bater em você ao tentar te cortar pela direita. Bem que eles podiam reformular esse tipo de programa para os artistas (sic) emergentes. Assim, convidar modelos, dançarinas do Faustão, atores de Malhação, gente desesperada pra aparecer, pra responder perguntas interessantes. Imagina o circo básico que a Marica faria. "Você já sentiu atração por algum ator durante uma cena picante? Você disse que não. Para o polígrafo..." ou então "Você já fez favores sexuais pra ganhar fala em algum episódio de Malhação? Você disse sim, e para o polígrafo...". Deixar o Superpop com esse monopólio não é justo.

Mas chega de falar de programas-barraco. Talvez o programa que mais adequadamente atenda à minha vontade de ver gente involuntariamente tosca (sim, tem que ser involuntário; isso em pobre na Marcia é redundância...) é O melhor do Brasil. Tem coisa melhor do que ver motoboy vestindo as roupas cheias de traça que a produção arruma, do fundo de seus armários de figurino, tentando xavecar meninas bem-nascidas? Cara, é quase uma seleção natural o que rola lá dentro; Darwin ficaria envaidecido. Marceneiro xavecando estudante de odonto, vendedor dando em cima de estudante de Direito, aquilo é um show de romances impossíveis. Tipo, o namoro na TV deve ter sido a única merda que a Record não copiou da Grobo nos últimos tempos. E o naipe das provas? Cheirar cangote do(a) pretendente, trazer presentinho pruma desconhecida... falo com convicção: o inferno é alguém ter a brilhante idéia de, um dia, colocar o Celso Portiolli (o mini-Silvio Santos) comandando um programa desse tipo (se já fizeram isso, perdoem abençoem minha enguenorança). Quer coisa mais linda, o cara com aquela voz de oferta de supermercado trocando idéias com aquela macharada solta sobre a melhor cantada? Porra, melhor que isso, só colocando o narrador da Sessão da tarde pra apresentar um programa desses. Já imaginaram (hmm, me lembrei agora que a Desciclopédia já)? Ia rolar algo assim: "este cara vai aprontar altas loucuras em busca de um grande amor. Só que essa gata vai dar o maior trabalho pra ele. Não perca isso e tudo mais no programa de hoje, com várias provas e convidados num clima de muuuuuita azaração."

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

"Prometo gerar mais empregos, porra!"

Durante o horário eleitoral
(após mostrar foto 3x4 do candidato sob uma mesa surrada, precedido de depoimentos dos pais. Sim, Mauro se acha o terceiro filho de Francisco)
"Pintava tumba de cemitério pra ganhar um dinheiro extra."

(durante transmissão de imagens de arquivo pessoal do candidato, a saber: uma gravação duma aparição dele e de sua família no programa da Xuxa)
"Este é Valtenir no programa da Xuxa, contando sua história de superação."

(candidato falando em frente a um fundo azul. Provavelmente a verba pra se digitalizar um fundo fora cortada pelo partido)
"Povo cuiabano, mais uma vez os poderosos tentam se manter no poder comprando pesquisas. Não acredite em pesquisas."

Durante debate do domingo passado
(dizeres antes de fazer pergunta a candidato)
"Antes da campanha, eu busquei o diálogo com os possíveis candidatos, já que meu nome para vice estava sendo cotado. Mas não consegui falar com ninguém do seu partido, candidato. Até tentei falar com Helinho (vice do sisudo candidato em questão, cujo partido recusou o diálogo), meu ex-aluno, mas sem sucesso."
(candidato se achando uma ilha de independência, achando que política se faz sozinho, replica)
"O PSOL não delibera com representantes das elites, dos poderosos como o senhor. Saibam que o partido dele está infiltrado na atual administração do governador por meio de vários cargos de indicação."

"Já que o candidato se gaba tanto da qualidade da água de nossa cidade, desafio o senhor a beber este copo de água do bairro 1o. de março."
(sim, o candidato desafiado bebeu)

(candidato enfurecido com acusações infames de seu adversário durante os programas eleitorais anteriores)
"O senhor atentou contra minha honra. Eu já provei com documentos sua falácia. Já provei que o senhor tira proveito de vítimas fazendo-as prestar depoimentos caluniosos."
(candidato replica, numa dose cavalar de cinismo)
"Caro candidato, eu não ia tocar nesse assunto hoje, mas já que fazes questão... tenho em mãos uma cópia dos autos do Tribunal de Justiça com informações 'interessantes' a respeito daqueeela ação trabalhista." (e começa a ler, de forma propositadamente delongada o cabeçalho, e lê o veredito. E isso porque não queriiiia tocar nesse assunto)
(candidato retruca)
"Pra começo de conversa, essa ação foi impetrada num tribunal de pequenas causas, fora do alcance da Justiça comum. O senhor não sabe o que diz."


Ah, a política é uma coisa linda. É uma obra-prima do humor involuntário. Tem sido a única merda que assisto na TV nas últimas semanas. E acreditem, meus amores: tem dias que lacrimejo de tanto rir. Passo mal em meio às gargalhadas ao ver candidatos esquecendo o que iam falar, com motes toscos, canastrices pra emocionar o público, esposa e amigos ao lado pra mostrarem ser gente boa, e propostas sem base. De antemão agradeço a essa gente toda por me fazer rir um pouco, depois dum dia de trabalho. Menções honrosas: Miron, Mazé, Casão, Julio Siqueira, Sgt. Demétrio, Rogério, Alencar do ferro velho, Mandioca, enfermeiros, PMs, pastores, homossexuais, idosos e professores candidatos em geral e todos os candidatos a prefeito, em maior ou menor grau. Meu muito obrigado. O poder de síntese de vocês me ensinou, mais do que nunca, que é possível ser engraçado quando se acredita falar sério. Aliás, uma observação: o presidente conseguiu uma façanha que ninguém conseguiu antes, creio eu: seus ministros viraram uma espécie de moeda de troca de cada candidato. Para as horas em que faltar criancinha e mãe solteira pra humanizar o candidato, basta colocar um ministro do governo Lula pra falar bem do candidato. É impressionante: todos os candidatos usaram esse recurso. O único que não se usou disso foi o candidato do PSOL, não principalmente pelo motivo óbvio de o partido ser um ninho de dissidentes do PT (e acreditem, isso não é motivo preponderante; todo mundo da oposição fez isso menos eles) e universitário brincando de líder sindical (talvez ambos sejam sinônimos, se pensarmos bem), mas também por causa do reduzido tempo de propaganda. Enfim, a política, nesse sentido, se aproxima cada vez mais do futebol: é uma caixinha de surpresas, tá cheio de caneleiro, de juiz ladrão... só faltou algo equivalente aos clubes europeus pra nos livrarmos de parte dessa corja de colarinho branco. Se nada disso o surpreende o bastante para que ainda consigas rir do cenário político daqui, finalizo com a seguinte lembrança: nosso estado é o único em que a justiça intervém para permitir a realização de rinhas de galo. Quantas analogias essa constatação permite...

domingo, 14 de setembro de 2008

Fulgencio Batista

Nome de um dos candidatos a vereador daqui da cidade. Homenagem involuntária ao presidente cubano derrubado pelo infame Fidel Castro? Com certeza. Brasileiro mal sabe o nome de seus representantes, que o diga os do restante da América Central.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Estudo de caso do Orkut (II)

* Foto povão: aquela que contém, no mínimo, mais de cinco pessoas. É tanta gente amontoada que esse tipo de foto se confunde facilmente com aquelas tiradas durante o corpo a corpo que os candidatos estão fazendo esse ano.
* Foto ensaio pra Playboy: a menina de sutiã em poses bovinas, com beicinho, cujas fotos compremetedoras daquela transa no banco de trás do Bentley do namorado vão cair na net, juntamente com um Print screen do perfil da gostosa...
* Foto churrasco na laje: aquelas tiradas em piscina, cachoeira, fundo de quintal e vários outros lugares focos de mosquito da dengue.
* Foto arroz de festa: aquelas em que os que aparecem na foto estão sempre de roupa social, com o convite de alguém que não pôde ir de última hora àquela festa de quinze anos.
* Foto tudo-menos-rosto: aquelas em que sai tudo. All-star, braço, perna, nuca, parte da orelha, menos o rosto. Bastante usada por meninas encalhadas. Não necessariamente gordas. Aquelas com teia de aranha em suas respectivas aranhas, que acham que chegarão a algum lugar ficando nos amassos com aqueles losers que tocam (quer dizer, eles tentam) em banda de garagem...
* Foto da infância: aquelas em que fica claro que o sujeito está estreando seu scanner novo.
* Foto espelho de banheiro: aquelas em que fica evidente que o dono da câmera ainda está dominando a função zoom do aparelho.
* Foto loja de conveniência: aquela em que alguém ficou apertado na balada e o carona teve que parar pro cara fazer o número 1 na sarjeta antes de comprar mais uma caixa de cerveja no posto mais próximo.
* Foto careta: qualquer uma daquelas tiradas em boate, com gente fazendo caretas em meio às luzes.
* Foto alcoólica: aquelas com gente montando pirâmides de cerveja. Ou com gente trôpega depois da pirâmide...

Leitura complementar: Classificados

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Estudo de caso do Orkut

A mediocridade sempre impera. Um certo site de relacionamento (é assim que a Grobo se refere ao Orkut) oferece uma penca de pequenos aplicativos web, entre jogos, testes e playlists (alguns bem interessantes), e o que as massas fazem? Popularizam o mais mongo deles, o Buddy poke. Triste. Agora ninguém mais deixa um oi ou puxa assunto via scrap: todo mundo prefere pokear os outros com aquelas animaçõezinhas 3D toscas (sim, se deram ao trabalho de criar um neologismo pra parada). É gente que cutuca, que beija, que soca, que faz cafuné... dá até pra organizar brigas por ele. Comece com um soco, siga com um chute... puta merda, coisa mais inútil. Até os trejeitos pessoais estão se virtualizando hoje em dia. Matrix made in Paraguay. Seria interessante, isso sim, uma versão politicamente incorreta do Buddy poke. Algumas sugestões abaixo para as mensagens possíveis:

* RiCaRdO_ está comendo Jessikah S2 [a namorada de seu melhor amigo];
* Filipe Muralha está treinando Jiu-jitsu na boate;
* Gatinha carente está se depilando;
* Jaum_Knabrava está tomando todas;
* Jaum_Knarava está vomitando no tapete;
* Carmona Nista está prestando uma homenagem a Camila *no scrap no add*;
* Gugu Santé está com herpes genital;
* Jessikah S2 está no Msn com PH Tripé [o melhor amigo de Ricardo_];
* Gatinha carente atingiu a velocidade 7 do créu;
* Alfredo D2 está de larica;
* Bruno TO VIAJANDO deu PT no carro do pai;
* Jessikah S2 disse a Gatinha carente que o pau de Ricardo_ é fino;
* Jessikah S2 e Gatinha carente vão ao banheiro juntinhas;
* Camila está com a menstruação atrasada;
* Felipe muralha espanca prostituta da Vila Mimosa;
* Ali Salim Mohamed explodiu mesquita sunita;
* John ligou para o Departamento de Imigração.

Pensem comigo: se já rola aquela farra na hora de a galera escolher a nacionalidade de seu perfil, simplesmente entraríamos num caos com uma versão dessas do Buddy poke. Entraríamos numa era em que aparências cairiam por terra e, virtualmente, todos poderiam ser vistos in loco. Um mundo equilibrado. Se não houvesse tanto brasileiro, bairrismos internacionai poderiam rolar como o das últimas frases acima.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Bloco de notas (XI)

_ Eu estava quase me redimindo com Stephen King depois de 1408, mas o nevoeiro... putz, e dessa vez nem dá pra apontar o dedo também pra direção; dessa vez o King refocilou na mediocridade sozinho. Assim, do ponto de vista da literatura, o ensaio tem lá seu valor, mas sua versão pra cinema não ficou necessariamente algo lá muito atraente. Autores eternamente overrated me cansam a beleza...
_ Porque jogos de luta clássicos têm essa cretina tendência de, ao serem convertidos para o formato 3D, atraírem personagens bizarros e jogabilidade pobre? Será que o realismo proporcionado por gráficos poligonais incute aos desenvolvedores uma espécie de licença poética -- aplicada aos games -- para criar personagens emos que parecem ter saído de filmes B? Porra, se é essa a intenção, peguem um filme qualquer do gênero, tipo Grindhouse, Hellraiser, o Massacre da serra elétrica e outros mais tr00, e façam um remake mais honesto. Ora, estamos na geração revival, mesmo... repara, tudo feito antes dos anos 90 está sendo obsessivamente revirado por produtores e empresas em geral; pra quê insultar a inteligência dos jogadores com personagens saídos de clips do David Bowie? A propósito, recomendo uma visita do Videogame lookalikes, cuja premissa é uma teoria difícil de ser refutada: a de que David Bowie está em todos os jogos de videogames. Endosso fortemente esse site... =p
_ Porque será que Fanta Uva é o refrigerante mais abnegado do mercado? Todo mundo bebe, mas ninguém admite. Tipo, o sabor de laranja tem mais gosto de papel com desinfetante do que o de uva propriamente dito. Sob esse argumento, a Cherry Coke devia estar no mercado até hoje. Ela e a Fanta Citrus. Sabor manga? Na boa, os empresários da Coca-cola precisam de gente nova pro seu departamento de marketing...
_ O que o Ocidente pretende com a relutância em reconhecer a independência da Abecásia e da Ossétia do Sul? Sei lá, nem os próprios kosovares recomendam que o mundo veja a independência de seu sofrido país como exemplo a ser seguido. Ou seja, reconhecer essas duas províncias, como o próprio ministro georgiano afirma, talvez não passe de um blefe russo, mesmo. Eles fizeram nhoque com a capital chechena cerca de dez anos atrás e de repente, com a melhor das intenções, viram a bundinha pra duas regiões separatistas que sequer compreendem suas fronteiras? Mais: a independência de Kosovo, almejada pela Europa e pelos EUA, à revelia da ONU, abriu um precedente que ecoa na decisão russa. Algo parecido com o que os americanos gostam de fazer com regiões instáveis, barganhar acordos internacionais desrespeitados em nome de bairrismos heranças da Guerra Fria? É uma cilada, Bino...
_ O Na madruga Fx funciona melhor no fim de noite do que o finado Fxxx. Apesar de estarmos falando do "canal do homem", uma hora cansa ficar mostrando closes softcore e o Ashley se dando mal com a mulherada no Sin cities. Pena que as piadinhas infames dos broxas do man show permanecem. Porra, eles trouxeram até Dexter pra programação! Melhor que isso, só se a Fox assumir que está transformando seu canal principal em canal de mulherzinha cheio de sitcoms com balzacas neuróticas (como se não bastasse o Fox life pra isso) e trazer 24 horas pras noites de segunda... prefiro me manter na esperança; eles foram medíocres o bastante pra trazer o Não perturbe pro Fx. Ou seja, trocaram gato por lebre assim tão facilmente.
_ Family guy é melhor que Simpsons! Estes últimos são ícones dos anos 90 e não pertencem ao início do século XXI, com tantos excessos já banalizados. Por isso que não tenho a menor pressa em assistir o filme da família de Springfield. Se quisesse ver reprises deles, ligava na Fox. Matt Groening é um vendido...
_ Um gênio. Assim defino o candidato à reeleição na prefeitura daqui. Como todo candidato, ele ressaltou as obras realizadas por sua gestão, principalmente as no tocante à revitalização do Centro da cidade. Não satisfeito com isso, ele chamou também pessoas de vários setores da cultura, área na qual investiu maciçamente, para darem seu depoimento. E ainda por cima conseguiu contato com uma certa banda cover do Bob Dylan originária daqui para, de lá de São Paulo onde tentam seguir carreira, por telefone, dar seu apoio ao candidato. Que mala sem alça. Toda aquela grana depositada em bandas ruins na forma de festivais de música independente parecem finalmente terem culminado em seu mais legítimo propósito: cabo eleitoral. Poucas vezes vi um candidato alcançar a juventude de forma tão emblemática e eficaz. E ainda por cima com jovens no cenário dito alternativo, aqueles mesmos que passam a tarde inteira baixando discografia dos Smiths e posando de anarquistas apolíticos que querem mudar o país votando nulo. Praticamente garantiu a reeleição.

sábado, 6 de setembro de 2008

Tô molhadinha...

Outro dia uma amiga achou engraçado o fato de eu ter uma certa tara por meninas de coque (ir ao aeroporto, de certo modo, é uma das melhores partes das férias). Mas tem algo que precede isso: mulher debaixo d'água. Sei lá, devo ter assistido A pequena sereia demais na infância. Por outro lado, odiava quando pasava Splash na Sessão da tarde. Mais pela dublagem do Tom Hanks e pelo jeitão caipira da sereia do que pela historinha água-com-açúcar, claro. E não, não fui ver Aquamarine no cinema, caralho. Mas em relação a coques, ressalto que sou exigente: não pode ser um coque qualquer, daqueles meio caídos, tipo cabelo de hospital. Tem que ser bem rente, alinhado, sem pontas duplas. Uma carinha de matrona completa o conjunto da obra.

Voltando às meninas embaixo d'água, vocês têm que admitir: é o fetiche mais discreto de todos. Você não precisa persuadir a namorada a usar fantasias ridículas (brincar de cosplay é coisa de nerd virgem), ela não precisa entrar no personagem nem usar indumentária cuja eventualidade de alguém encontrar no armário exija uma saída pela tangente. Não, basta um maiô (licença poética pra biquíni), de preferência algo um pouco vintage e voilà. Mais: brincar de médico em locais públicos é muito mais conveniente quando há água envolvida. Putz, até me lembro dum incidente esse ano, mas como tem gente demais conhecida lendo esta bagaça me absterei de comentar. E assim, você, nas conversas mais picantes com os amigos, não irá ruborizar, no auge da hipocrisia, quando rolar de alguém comentar sobre algum fetiche peculiar e calhar de você e a patroa o terem posto em prática. Mas se você por acaso gosta de usar as calcinhas da patroa, ruborizar não é o bastante pra você: fotos suas caírem na net por vingança dela, sim. Desgraça alheia é sempre melhor...

Sem mais delongas, divirtam-se

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Xaveco master 6000

Cantada phantástica que aprendi no programa do Rodrigo Faro, O melhor do Brasil:

_ Oi, você é VHS ou DVD? Várias horas de sexo ou deita, vira e dorme?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Pílulas

[no aeroporto]
_ Pega. Eles não as deixaram passar com isto aqui.
_ Lixas de unha?
_ Sim.
_ É, o plano delas de render o piloto foi por água abaixo...
_ Agora elas não podem mais desviar a rota pra praia mais próxima.
_ Nem jogar o avião contra o Cristo Redentor...

_ ...aí você vira à esquerda e sobe.
_ Você não odeia gente que, em vez de dizer em que direção você deve ir, generaliza as instruções pra se encontrar um endereço simplesmente dizendo pra subir? Porra, eu estou de carro, e não de aeronave!
_ É mesmo...
[tempos depois]
_ Certo, agora você sobe até encontrar o portão verde.

_ Sou tão loser que até na hora de comprar meu lanche no Subway consigo, ao pegar o refrigerante, errar o sabor: apertei o botão pra Fanta sem querer!
_ Já te contei da vez em que a porta automática do shopping fechou na minha cara?
_ Sim sim...

_ Esse barzinho virou o novo point GLS da cidade.
_ Quando foi que isso aconteceu?
_ Bom, um lugar que toca DVDs de barraquinha, só com músicas oitentistas, ia atrair gente assim mais cedo ou mais tarde.
_ Rapaz, quanta sapata por aqui! Quer que eu te apresente a algumas delas?
_ No, thanks.
_ Tem certeza? Essa sua franjinha à la Patti Smith faria o maior sucesso.
[minutos depois, playboy de carro importado passa tentando se dar bem com uma delas. Elas se agacham pra dar o fora nele; nisso dona do bar passa por nossa mesa e comenta]
_ Nossa, quanta estria...

_ Vamos pro zero [zona localizada numa cidade vizinha]!
_ Se me pedir isso de novo, vou começar a te chamar de Fenômeno.
_ Pela goleada que vocês levaram na pelada hoje?
_ Não, por essa tara sua por pomo de Adão...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Xuxa é tr00

"Olá, cuiabenses!"
Xuxa, quando veio fazer um show para os baixinhos aqui na cidade, em idos dos anos 90.

Digam o que quiserem sobre a rainha. Mas numa coisa ela tem um mérito indelével hoje em dia: antes de qualquer atriz decadente cogitar fazer um filme pornô em pleno início de século XXI, antes de qualquer ex-gostosa cogitar ser cutucada por alguma estrela das Brasileirinhas, ela já o fazia, antes mesmo de sua carreira atingir o ápice. E com menor de idade que é pra polemizar mais. Quase uma Madonna brasileira, só que com capa na Playboy e sem beijinho em pop stars do mesmo sexo (te cuida, Ivete). Quem diria, dona Maria das Graças Meneghel é precursora da sacanagem na TV brasileira (e antes do estrelato porque ela pode). Antes da Gretchen, antes da Leila Lopes, antes do Kid Bengala. Muito antes de a Luciana Gimenez sequer sonhar em entrevistar gente assim no Superpop, a loira já dava tudo de si na telinha. Um exemplo a ser seguido pelos baixinhos: quer forma mais digna e honesta de levar a vida do que usar o próprio corpo pra ficar famoso? Quer brincadeira mais divertida do que sentir um macho penetrador dentro do si e ter um filho com ele pra disfarçar sua clara homossexualidade? Caraca, essa mulher devia ser nomeada embaixatriz da juventude pela ONU (no voto popular, ela levava fácil). Educação sexual subliminar, fantástico! Já imaginou se ela resolvesse alcunhar seus peitos com o nome de alguma fruta? Ela não só seria precursora das mulheres-fruta como também daria até pra ela usar isso nos seus programas de hoje em dia: a linha editorial 'só para baixinhos' que ela faz hoje em dia, com musiquinha de patinhos e tal, ficaria muito mais divertida assim. Imaginem a cena: um quadro dum programa dela em que ela aponta para um dos peitos (ou uma das nádegas, tanto faz: as possibilidades são interessantes) e pergunta qual o nome da fruta que ela ostenta debaixo do pescoço. Porra, com algo assim passando na TV em minha infância, nunca mais pisaria na escola. Ficaria o dia inteiro ouvindo ela grasnar antes de ela subir na nave. Não é à toa que na época preferia a Mara Maravilha. Preferia uma morena em trajes mínimos vestida de indiazinha do que uma loira pirocada pelo Pelé...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Bloco de notas (X)

* Impressiona como, ano após ano, a sociedade do estado estadunidense do Texas retrocede galopantemente. O estado que mais mata gente por meio da pena de morte agora permite que os professores de escolas andem armados. Ou seja, querem reinventar a lei do mais forte. Os EUA são um país adestrado pelos lobistas e multinacionais. Ou seja, a atual e definhante potência mundial não passa dum faroeste de engravatados inescrupulosos com armas mais perigosas que pistolas: incentivos do governo e vícios do imaginário popular, sob a égide do American way of life, usados para se legitimar ultrajantes arbitrariedades dos poderosos.
* Certa vez vi um episódio de CSI que investigava uma morte (alguém chame o Captain Obvious, por favor) cujo corpo estava desaparecido. Ao final, descobrem que isto ocorreu porque os amigos, querendo realizar um último desejo do falecido, exumaram o corpo e o levaram para uma bebedeira num bar. Pois bem. Esse poderia ser mais um daqueles momentos em que seria impossível a ficção imitar a realidade, certo? Pois é, sou tão bobinho que só descobri essa minha conjeturação ser uma ingênua bobagem agora há pouco. Falo da famadihana, amiguinhos...
* Um dos últimos filmes de animação tradicional que presta feito pela Disney, vejam só, não é feito com uma história original. Como muitos de seus grandes clássicos. Não me esqueci de A nova onda do imperador, não; este é exceção porque a história é original. Me peguei pensando nisso quando terminei de assistir, apenas pela quarta vez, o longa do Hercules no Jetix. Alguém tem que falar pra eles que esse esqueminha de passar Padrinhos mágicos umas seis vezes ao dia, além de longas que nem na Sessão da tarde passam mais, não vai garantir a sobrevivência deles como canal. Manter no ar uma versão travestida do finado Fox kids não pode dar futuro pra ninguém.
* Não há nada mais brasileiro (melhor, havia) na diplomacia brasileira do que Celso Amorim. Condescendente, fã de eufemismos e sem vontade própria, canaliza seu complexo de inferioridade com bairrismos históricos e sempre passa a impressão de que o Brasil se sente confortável em estar entre o fogo cruzado de países emergentes e superpotências. Sabe aquele povo do deixa-disso que sempre aparta brigas em festas? Celso Amorim, numa metáfora barata, assim julga se encaixar na política externa nacional. Doha? Fala sério, Celsinho se prende demais ao passado; ele deve achar que o cenário geopolítico mundial funciona de forma semelhante ao grêmio do qual participaa nos tempos de escola, só pode.
* Numa coisa os Jogos Olímpicos se aproximam da F-1 (e do futebol também, que coisa): além de cosmopolita, o quesito nacionalidade perdeu lá sua relevância. Aliás, ela virou moeda de troca. Na F-1, foda-se onde o cara nasceu; o que importa é ter uma escuderia decente e estar numa posição boa no ranking de construtores. No futebol, idem; pra quê gastar tanto tempo testando novos talentos nativos e peneirando gerações inteiras se posso simplesmente dar uma passadinha no núcleo pobre da novela (leia-se Brasil-il-il) e pegar um novo talento sem apoio de sua terra natal? Não é novidade que os Jogos Olímpicos são a competição esportiva mais política de todos os tempos, servindo apenas como vitrine pra vaidade de superpotências (ou seja, o ideal olímpico é apenas isso, um ideal), mas talvez se devesse considerar critérios menos superficiais pra classificação dos países. Essa parada de privilegiar quem tem mais ouros é algo antidesportivo demais! Esses dias, um comentarista da Band tava comentando que o Brasil tinha voltado à era do bronze, de tantas dessas medalhas que conquistara até então. Pra mim, devia haver três rankings: o tradicional como é feito hoje em dia, um que levasse em conta apenas a quantidade de medalhas, e outro por etnia (ignorando-se nacionalidade e levando em conta apenas as origens dos atletas; nesse caso, em vez de países, o ranking seria composto apenas de continentes). Quanto a minha última proposta, refresco a memória de vocês: judeu não é raça!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Coisas que só eu reparo (II)

* Nos quadrinhos Disney, todas as frases dos personagens terminavam com um ponto de exclamação!;
* Falta um pedaço em minha orelha esquerda;
* As pessoas dão importância demais pro gosto musical alheio;
* Quando escrevo alguma coisa em punho, minha letra nunca encosta nas pautas da folha. Nunca!;
* Diariamente teorias consagradas com epônimos são constantemente recriadas por pessoas que ignoravam totalmente a existência de alguém que tenha nisso pensado antes. Talvez seja hora de repensarmos o mérito de epônimos; coisa que até cientistas estão fazendo atualmente;
* O plástico, no século XXI, começa a se mostrar uma das invenções mais inúteis da indústria mundial, invertendo totalmente o papel que exercera no século passado. Demora demais pra se decompor, dá mais trabalho pra abrir embalagens, polui mais, é um eficiente asfixiador, virou pretexto pra se reduzir cada vez mais o conteúdo de certos produtos...;
* Bolsas grandes. Você não odeia mulher que usa bolsa grande? Sempre tenho a impressão de que estão indo à feira. A tendência de toda indumentária feita pro sexo feminimo é o minimalismo, digamos assim. Bolsas grandes, nesse contexto, não são uma discrepância bem-vinda. A menos que funcionem como escudo pra falta de pano eventualmente incutir algum pudor, claro;
* Risadas histéricas: porque para algumas pessoas, não basta uma mera digitação semialeatória de caracteres simulando gargalhadas. A pessoa precisa espancar o teclado nesse processo. Quase um cinco-a-um com três ou quatro teclas feito por tiradas que pedem apenas dois neurônios para sua correta assimilação;
* Para os donos de restaurante, o mundo inteiro é canhoto. Da próxima vez que você se sentar em um, observe: seus talheres estarão dispostos de forma a atender às necessidades deles (garfo à esquerda, faca à direita). O único lugar do mundo em que minorias são tratadas como maiorias...

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Palestras são uma fraude

Quando crescer, quero ser palestrante. Pra quê? Pra poder apresentar em slides algumas correntes de e-mail, macaquear minha platéia com algumas dinâmicas e dizer o óbvio ululante com uma retórica cativante. O que observo desses eventos, cuja inscrição muitas vezes atinge preços ofensivos, é que tudo o que se diz já sabemos empiricamente. Certa vez uma amiga me disse que consultor "é aquela pessoa que pega seu relógio e te diz que horas são". Palestrantes talvez não passem disso, independente de suas conquistas profissionais. Tudo bem que sempre desconfio de palestrantes sociáveis demais, aqueles com piadas prontas, estilo despojado e retórica semiinformal, mas me incomoda como se perde tanto tempo com o óbvio. Alguns ainda testam nossa paciência com handouts e materiais de apoio com a mesma função de jornal: embrulho pra peixe no dia seguinte. Muitos palestrantes argumentam que treinar a inteligência visual é preciso, mas ela é também o caminho mais rápido pra se cair no vazio da prolixidade promíscua por aplausos. O problema é que a maioria dos palestrantes não considera vício essa busca obsessiva por empatia do público que eles fazem. Pra mim, uma palestra decente é aquela em que o sujeito fala sobre o assunto, se delonga em algum detalhe não apenas à medida de curiosidade, mas também à medida de aprendizado, mesmo, e que não economize em informação, sem medo de recorrer a argumentos técnicos. Ou seja, que faça com que o ouvinte se sinta inserido nas decisões propostas por ele, que ele se veja pensando por conta própria, incorporando um papel entre os vários que terá de incorporar para aprimorar o campo abordado pelo palestrante. Abrir espaço pra perguntas é outro sinal de maturidade de um palestrante, penso. Mas nem todos fazem isso. O que me motivou a escrever o texto de hoje foi uma palestra pra qual ganhei um convite. O preço do convite? R$52! E o que obtive? Tudo que descrevi na terceira frase desse post. Ou seja: verborragia de status. Espero que a vieoconferência se torne algo extremamente banal um dia, porque aí o tempo que se perde com socializações ridículas talvez se reduze. Mas posso estar sendo ingênuo. Sei lá, talvez o que se devesse recomendar antes de palestras seriam leituras complementares, constantes na ficha de inscrição e nos convites. Para que o palestrante não se rastejasse no óbvio e pudese trazer algo relevante. Eu sou um aprendiz sinestésico, confesso (daqueles que precisam ver a prática omo algo palpável e tangível pra aprenderem mais rapidamente), tanto que assistir aulas costuma ser suficiente preu me sair bem em provas. Mas palestras... que retrocesso, meu. Se quisesse ver um maluco falando coisas que já sei, iria pruma stand up comedy, não pra porra duma palestra.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Manias são versões shareware do inferno, tenho dito

Algumas pra exemplificar o que o título do post diz:

* Gente que deixa o fio de eletrônicos, de propósito, por baixo destes, quando os muda de lugar, por exemplo;
* Gente que fica atrás do computador;
* Chefe carente de carinho;
* Programas em canais diferentes cujos intervalos comerciais passam simultaneamente;
* Ex que ocupa o mesmo lugar no espaço, não importando o que se faça na noite;
* Filmes medíocres com grande divulgação e vice-versa;
* Finais de jogos de videogame cuja precariedade se devia ao triste fato de a softhouse dispor todos os recursos da época, de forma banal, no desenrolar do jogo em si;
* Propagandas da Colgate;
* Vícios hollywoodianos impostos pela Gay mafia;
* Fãs de Gilmore Girls;
* Trailers que mais parecem sinopses do que teasers (porque acham que até hoje não assisti X-men 3? A Fox e seu poder de síntese transformaram os trailers e teasers em uma espécie de sinopse que me prescindiu de vez de ir ao cinema)
* Vilões de novela;
* Blogs tão medíocres que mais parecem correntes de e-mail;
* Gente que não consegue apagar a luz quando se retira de um cômodo da casa;
* Atores com cara de idiota que começam a carreira com besteiróis e são alçados ao estrelato (se eu quisesse ser famoso, seguiria o exemplo do Stifler com a torta. Felizmente prefiro o anonimato);
* Artista com mania de achar que tem opinião;
* Risada da Ana Paula Arosio;
* Artistas que começam a se beijar quando as doações do Teleton começam a baixar;
* DVDs que pulam independente de onde compre ou de quem empreste;
* Explicações científicas que se resvalam na Navalha de Ocklam;
* Piadinhas com jargões;
* Pessoas que te conhecem que parecem disputar contigo, ao se encontrarem na rua, um jogo de encarar (o perdedor tem de abordar e cumprimentar o vencedor; óbvio que sempre ganho);
* Eleições que permitem que uma quantidade impossível de se memorizar, de candidatos, tenham a oportunidade de realizar boca-de-urna, uma vez que jamais gravaremos o nome de todos eles (devia rolar uma espécie de pré-seleção pros cargos mais mainstream, como vereadores e deputados, para que apenas os que saibam escrever o próprio nome e contar zeros fiquem na corrida);
* Bandas que a gravadora começa a lançar ao estrelato a partir de suas piores músicas.

sábado, 9 de agosto de 2008

Bem-aventurados sejam os desocupados...




...pra viajarem na maionese como nesta historinha em quadrinhos nos contando como seria uma singela partida de RPG no apê do Seinfeld. Saiu daqui.

Update: olha que gracinha, o Blogger não quer sbunir a imagem no tamanho original, para leitura mais adequada. Então entrem no 9gag e dêem uma procurada; lá vai ter num tamanho mais legível.

Sonhos recorrentes

Do presente ou do passado, presenteio (?) vocês com alguns deles. Riam das sobras de meu inconsciente. Ou surpreendam-se com a linguagem onírica dizendo o que ninguém diz acordado...

  • Reunião de cúpula de ex-namoradas comentando sobre meu desempenho com cada uma delas;
  • Fuga de um algoz desconhecido, sempre sem rosto que, independente do quanto eu corresse, conseguia se aproximar mais e mais exatamente no momento em que mais eu apertasse o passo. E sempre com algum obstáculo preu tropeçar, claro;
  • Eu feito de refém, amarrado a uma cadeira, sendo questionado por uma pessoa com quem tive pouquíssimo contato por razões que até conheço, numa rasteira variante de Glenn Close em Atração fatal;
  • Mais um clichê: andando calmamente pelo colégio, minhas roupas começam a desaparecer misteriosamente. Do nada, cada peça parece se desintegrar espontaneamente. Segue-se o desespero: onde se esconder?

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Vício


O que há de tão relaxante em se estourar pequenos gomos de ar dispostos em uma superfície de plástico? Sei lá, só sei que é muito bom. É como estourar balões de festa, só que sem o som estridente e sem crianças ao redor. O futuro será triste se a indústria, um dia, preterir o plástico bolha a algum outro material pra conservar seus produtos...

domingo, 3 de agosto de 2008

Verdades sobre a mesa

Perdida no seu mundo
Afogada nas verdades
Que insiste me guardar
Cercada de maldade
Que mesmo inteligente
não vai enxergar

Faz mais de três anos. E sabe o que é mais irônico? Só descobri se tratar de uma letra de música há pouco. E sei que nunca mais serei o mesmo. Para o bem e para o mal. Quando acabo inferindo que nunca aprendo, percebo que apenas estou falhando em me divertir. Quando tento me convencer de se tratar de sina, de algo que contra o qual não tenho forças pra fazer algo, me vejo ante o inevitável fato de que a reciprocidade que procuro nunca existirá sob o rigor de qualquer forma de mensurabilidade que eu venha a adotar. Não se trata de eu temer a suficiência. Nem de idealização. Trata-se talvez de uma daquelas razões que só fazem sentido e encontram entnedimento em letras de música. Daquelas cuja composição sempre será ofuscada por uma mais brega, composta antes.

As pessoas têm medo. Se a solidão é o "retrato do mal que carregas em ti desde que nasceu", o que ela sigifica para gente como eu? Não quero respostas. Quero apenas deixar de ser refém do amargor alheio. Me dar o direito de enterrar o rancor e encoleirar a indiferença antes que ela devore coisas em mim (não somente em mim, talvez) que custo a lembrar onde deixei perdidas. Poder um dia falar sobre o assunto sem sentir formigamentos. Descobrir que o amor não é algo que acontece somente aos outros; esse tipo de bobagem costuma-se inferir a doenças e desgraças. Até esse dia, pouco resta a fazer. Deixar de olhar pras nuvens é um começo. A pior derrota é aquela da qual não se pode sair do estádio cuja final se perdeu. O pior poeta é aquele cuja pena não se afasta do papel quando o alcance das palavras acaba. E o pior texto é aquele cujo autor só fala por metáforas, como este. Sumam daqui, bando de desocupados!

sábado, 2 de agosto de 2008

Hancock... o Will anda trabalhando demais?

Will Smith é ator das massas. Sempre atua em filmes familiares e com finais que, de certo modo, justifiquem a redenção dos personagens que protagoniza. Algo parecido ocorre com Adam Sandler, só que com um toque de humor: aquele arquétipo de cara desajeitado ainda vai lhe render muitas doletas em bilheteria. Mas voltando a Will Smith, poupo petardos a ele porque seria redundante perto dos soltados por Ben Affleck naquele filme do Kevin Smith de findos de 2004. Entretanto, ressalto o apelo emocional desse ator porque isso ofusca a engenhosidade de alguns roteiros dos quais ele se incumbe de participar. Mais ou menos como quando você assiste um filme da Disney, dá boas risadas, se emociona e percebe um roteiro competente, mas sabe que aquela canastrice do final, de os mocinhos ficando juntos e os vilões tendo um terrível fim, não será descartado.

Tá, não dá pra esperar algo diferente do Fresh Prince. Mas porra, esse tipo de ator, com certeza, chegará em um momento de suas carreiras em que irão preferir projetos mais sérios e com um compromisso artístico e dramático maior. Aí você me explica como convencer um diretor a escalar um ex-protagonista de sitcom, ex-rapper e ex-bode expiatório de adaptações ruins de livros do Asimov a fazer um filme mais sério. Jim Carrey conseguiu, mas ele soube planejar suas metas artísticas: ele deixou de ser Ace Ventura e não se limitou a fazer sempre o mesmo personagem,como Eddie Murphy faz até hoje. Merda, o negão é uma versão americana do Renato Aragão, só que sem criancinhas, mais chato e com sotaque do gueto. Um ponto a favor pro Will é que, apesar de ter um quê de caricato em sua atuação, seu espectro como ator não se limita a uma meia dúzia de trejeitos travestido de sotaque de ex-morador do Bronx; ele se preocupa mais com os valores que seus personagens incorporam do que com o próprio umbigo, ou seja, o exato oposto do Eddie.

Com isso, quero dizer que Will poderá perder seu lugar em Hollywood se insistir nessas produções mainstream que condenam roteiros interessantes ao óbvio. Um começo talvez seja optar por um papel antagonista em seus próximos filmes, pra haver menos interferência em seus recursos dramáticos. Não foi exatamente isso que Jim Carrey fez; ele se encontrou em papéis de protagonista. Mas ele não tentava ser maior do que o roteiro propunha. Algo muito válido: tem coisa mais irritante do que ator que se torna maior do que o filme (ou assim se julga), como Eddie Murphy faz? Depois que a produção do ator torna-se profílica a certo ponto, apenas papéis antagonistas o salvarão de se tornarem cansativos às platéias que os acompanharem nos cinemas. A impressão que me dá é que Will quer se tornar o próximo Denzel Washington (que adora protagonizar personagens politicamente corretos). Talvez fosse mais louvável ele tentar se tornar o próximo Morgan Freeman (mais versátil)...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Bloco de notas (IX)

* Misturo adágios sensatos com acusações supostamente absurdas. Sim, me orgulho muito de meu modus operandi;
* Poliphonic spree é muito jeca!;
* Sou fã de CSI, mas confesso que vou sentir falta dos tempos em que os produtores não precisavam ameaçar matar metade do elenco a cada episódio...;
* Porquê os americanos gostam tanto de produções pós-apocalípticas? Seria isso amostra coletiva de certos recalques deles mesmos em relação às desastrosas atitudes da política externa de seus governantes? É possível. Esse povo joga War demais na infância...

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Manias recorrentes

Nada que beire a neuroses, mas nunca se sabe...
* Só consigo aumentar o volume da TV em números múltiplos de 3;
* Assisto (quer dizer, tento) TV em qualquer horário menos o nobre. Nunca o nobre. Tem algo de muito deprimente em ver TV nesse horário, convenhamos...;
* Todos os meses do blog com mais de dez posts têm de ser fechados com uma média redonda, qualquer que ela seja;
* Nunca dobro dinheiro nem nada de papel;

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Romântico incurável

* Aquela carinha de papel amassado me deixa louquinho!!
* Coitada, ela parece um gnomo quando se veste, mas é tão gente fina...
* Ah, a Fulana é aquele fiapo de gente que namorou o poeta?
* Não sei o que ele vê nela! O cabelo dela parece uma armação de guarda-chuva, porra!
* Você gosta de brincar de Playmobil, né não? (para a atual do seu amigo)
* Que saúde...
* Bela armação de óculos...
* Ei, você faz aulas de canto?
* Sinta-se lisonjeada, querida: hoje prestei uma homenagem a você (para o bem dela, é melhor não saber onde...)
* Cara, gamei naquela carinha de doente dela...
* Aquela carinha de velha carcomida (admito que Chaves é inspiração eterna pras melhores adjetivações femininas possíves)
* Eu que de longe de costa no escuro pareço o Tom cruise... (essa aprendi com o saudoso Dinho)
* Se engolir eu caso.
* Se vestir com tecido de pandorga voltou a ser moda?
* Eu não crio filhos, eu coleciono. Com diferentes mães...
* Eu, show da Ana Carolina, com você? Se quisesse minilésbicas a meu redor, voltava pro Ensino Médio...
* Você me ama? Que desperdício...
* Essa pelanquinha de gordura ao redor de sua blusa me deu um tesão...
* Já arranquei pele de peixe com menos estrias...
* Não é que ele não gosta de você: ele apenas te tolera...
* Não se preocupe: eu nunca penso em você quando estou comendo a Sicrana. E sim, ela é mais gostosa que você (elas sempre preferem a verdade...)
* Desista: vestido algum vai ressaltar essas panquecas debaixo de seu pescoço.
* Sabe aqueles gordos cuja papada se confunde facilmente com o torso e escondem o pescoço? Algo parecido ocorre com algumas partes suas...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Uma interna (IV)

Às vezes me sinto muito como a irmã mais velha de 'Confissões de adolescente', a única coisa que assisti até hoje com a Deborah Secco no meio. Não me darei ao trabalho de dizer porquê, mas acrescento que é coisa de primogenia. Penso que um dia devia dedicar um post à minha relação com os clássicos da TV Cultura, mas fica pruma outra ocasião. Pena que a geração Malhação não tenha condições de entender o que acabo de cá expor...

domingo, 20 de julho de 2008

Convenientes metáforas

Desafio todos vocês a associarem-nas a coisas incomodativas, imutáveis e evidentes a seu redor. Não apenas em você, mas em outrem também. Taí um exercício pra você, leitor desta bagaça aqui, não ficar apenas como leitor passivo...

* Pavão daltônico;
* Óculos estroboscópicos;
* Sapos com título de nobreza;
* Príncipes que precisam de sal no rabo;
* Relógio sem ponteiros;
* Morcego caolho;

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Textículo pra concurso

Me impressiona como as pessoas nunca se cansam de ler sempre as mesmas coisas. Opinião, definitivamente, é algo faccioso... segue abaixo as amenidades que expus em prova, esses dias.


Cultura dos povos indígenas: respeitar integralmente ou impor limites?

Sobreviventes dum verdadeiro genocídio promovido nos tempos de Brasil Colônia, os índios brasileiros estão na contramão da História: questões culturais em muitas aldeias, por exemplo, condenam à morte milhares de indígenas sob o entendimento de que certas doenças e condições congênitas são "maldições". Um choque cultural com nossos hábitos e tradições ocidentais, que tem como gravame o assistencialismo deficiente da FUNAI e a ausência do poder público.

A questão, entretanto, deve ainda ser vista sob outro prisma: os interesses envolvidos com a criação das reservas. Temos a vulnerabilidade ã segurança nacional, argumentada pelos militares, e o olho gordo dos madeireiros, cuja intervenção no meio ambiente, ao contrário dos militares, só colabora para a disseminação de doenças desconhecidas dos silvícolas. O isolamento de muitas aldeias deixa de ser realidade a cada ano e, sendo esses povos amparados por um órgão subsidiado pelo goveno, pelo menos em questões éticas os aspectos culturais devem ser intermediados. A menos que ainda achemos normal, em nossa sociedade, vermos pessoas morrendo em nome de crenças religiosas. Por lei, por exemplo, médico algum fica inerte quando uma Testemunha de Jeová recusa uma transfusão de sangue.

Podemos ainda reforçar esse argumento sob um ponto de vista judiciário: a vida é um bem indisponível, e cabe a nós, em respeito ao espólio cultural deixado pelas inúmeras aldeias dizimadas nos tempos coloniais, que o atraso desses povos não culmine em sua extinção. Por mais que vejamos com reserva a questão da imposição cultural, é mister que forneçamos a esses povos condições para que essas reservas, cuja existência deve-se a leis, não se tornem redutos de crimes contra a vida humana fomentados por questões culturais, essas sim tão adaptáveis quanto as leis que colaboram para protegê-las.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Duplo sentido em Chaves (II)

Do episódio em que ninguém entra em acordo em relação ao varal, e todo mundo joga a roupa de todo mundo no chão. Nessa cena, Dona Florinda discute com Seu Madruga quando esta joga no chão a calça dele que estava secando.

_ Eieiei, o que está fazendo?
_ Ora, este é o meu varal.
_ Nada disso, é meu!
_ A corda é minha!
_ Mas fui eu quem paguei pra instalar.
[entra Dona Clotilde]
_ Não se lembram? Foi o Sr. Barriga quem mandou instalar. Aí ele dividiu o varal em três partes. Uma pra Dona Florinda, uma pro Seu Madruga e uma pra mim.
_ Mas ele pendurou a calça do meu lado!
_ Nada disso: esse lado do varal é da Dona Clotilde, e ela é a última pessoa com direito a tirar minhas calças.
_ Oh, Seu Madruga...

terça-feira, 15 de julho de 2008

Divagações infundamentadas

Rascunhos totalmente dispensáveis dos quais ainda vou me arrepender de não ter apagado. Enquanto não faço isso, aproveitem algumas das tolices pelas quais meu processo criativo passa às vezes.


Você já teve medo de se repetir? Ainda bem que os tempos em que me preocupava obsessivamente com isso se foram. Era uma impressão, que me perseguia sempre, de que, se eu viesse a repetir com alguém algo que eu disse a outra, eu me tornaria insuportável e previsível aos olhos de quaisquer uns que viessem a travar diálogo comigo. Até que chegou o tempo em que descobri que o mundo é uma gigante redundância constantemente editada e relaxei um pouco. Não que isso tenha desligado de vez minha percepção quanto a detalhes ridículos e peculiaridades risíveis na natureza dos outros, mas foi um avanço: o problema de se ser autêntico o tempo todo é perceber o quão inútil isso acaba se tornando na maioria das ocasiões: a vida é uma mala-direta entediante, e seu nome consta nesse banco de dados há tempos...

Você já desejou sumir? Isso me ocorre muito. Não quando as coisas dão errado, nem quando elas não ocorrem do jeito e na ordem que eu gostaria, mas sim quando o ritmo em que elas ocorrem me passam a impressão de que não progrido, de que não cresço nunca. Por natureza não sou muito apegado a ambições, mas gostaria de ver resultados mais facilmente visíveis de minhas pequenas aspirações. Até porque o suficiente sempre será mais valioso do que o excesso: o primeiro nos ensina a usar de forma mais inteligente o que temos; o segundo, a desperdiçar. E é por isso que querer sumir é um desejo egoísta: a quem deixaria tal espólio (que apenas a mim tem valor)? De certas responsabilidades distância alguma nos afasta: mais vale uma consciência (inserir sinônimos aqui) monótona limpa do que uma interessante mas enlameada de preocupações daninhas...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Copiei mermo!

Este site aqui me dirimiu várias dúvidas quanto a muitos personagens animados dos desenhos que costumava às vezes assisto. Quem diria que, por exemplo, constataria triste que um dos atores cuja amostra do site abaixo coloquei está terminando sua notória carreira contando piadinhas sem-graça no Zorra total? Guilherme Briggs é arroz de festa: é sempre mencionado. Mas tem uns personagens dignos de nota aí embaixo, que há tempos tentava descobrir as vozes por trás deles. Por hoje é só isso mesmo: um post kibado, como 90% de tudo que se faz na blogosfera hoje em dia. Enjoy... =p




domingo, 13 de julho de 2008

Uma década zicada

Os anos 90, musicalmente falando, foram de um mal-agouro espantoso. Integrantes de duplas sertanejas morrendo em acidente de carro, bandas inteiras morrendo em aviões fretados, cantores morrendo de doença, mesmo. Essas perdas (dependendo do ponto de vista a ser usado, claro; sim, eu não valho nada) só aceleravam a paralisia criativa que se seguiria na década seguinte. O mercado da música pop, a partir daquele momento, se tornaria tão árido que as únicas opções cogitadas pelas gravadoras nos anos seguintes seriam letras vulgares e a busca por estilos musicais de agressiva libidinagem. Diferente do exterior, por aqui as mídias tendem a romantizar a morte dessas pessoas. Ninguém hoje em dia se lembra de Leandro, por exemplo, como um fumante inveterado que viu seus pulmões se esfarelando antes dos 40 anos. Quando se lida com um povo emotivo como o brasileiro, essa talvez seja a melhor opção. Também dum ponto de vista financeiro, naturalmente. Com isso, o período de carência de dez anos se faz presente toda vez que alguém morre. Porque, como todos aqui devem saber, vivemos num país avesso a polêmicas. Um país que ainda faz caras e bocas quando seus autores de novela tentam colocar uma bitoquinha homo em último capítulo de novela.

Delongando minha palestra aqui, observamos que os grandes da indústria fonográfica preferiram esperar um milagre cair do céu do que investir nos talentos emergentes disponíveis. Mais um aspecto em que os brasileiros investem errado; nem nesse infame aspecto nossos políticos são originais. Com isso, temos hoje em dia uma leva de artistas (?) que só sabem copiar fórmulas, abanar o rabinho pra gravadora e vender atitude. Algo que nossa indústria cultural jamais precisou; fala sério, não vivemos numa época propensa a questionamentos (como antes, claro) e lutas "contra o sistema". Vivemos numa época em que é urgente redescobrirmos noso espólio artístico censurado em décadas passadas, mas ao mesmo tempo valorizar os compositores relevantes de nossa época. O país não precisa de mais um especial do Roberto Carlos. Precisamos é de canções que contenham mais elementos substanciais de nossa identidade cultural, que não se limitem aos recalques inspirados pelos cânones da bossa nova e da MPB. As gravadoras precisam se preocupar menos em lucrar com a plebe (um mercado efêmero demais pra se leva a sério) e buscar viabilidade comercial com a música eterna, aquela com qualidade técnica suficiente pra se perpetuar em quaisquer versões.

Que tipo de identidade pretendemos buscar para nós mesmos? Sim, porque, por mais paradoxal que possa parecer, isso não parece ser problema no exterior. Porque, assim, nas outras décadas houve um monte de gente morrendo também, mas a diferença é que na época havia condições de as pessoas ainda serem brindadas com artistas à altura dos que partiam. Já nos anos 90, isso acabou; nossa produção musical minguava. Lembro-me até de campanhas publicitárias da MTV, por exemplo, alertando sobre o estado moribundo do rock nacional na época, por exemplo. Se por um lado a democratização da cena independente na web ameniza isso, por outro intimida ainda mais as gravadoras a investirem a longo prazo em novos talentos. Essa síndrome underground dificulta a criação de ícones, já que cria fãs ciumentos (quer dizer, a maior parte do tempo é até preferível que eles restrinjam a propagação do lixo que ouvem) e dificulta a propagação de certos artistas (??) como referência. Porque, para alguém com musicalidade relevante, é preciso que vários outros, de importância meramente experimental, produzam na mesma época. Senão nossa música jamais sairá ou do saudosismo ou do vácuo popularesco criado por artistas (???) sem alguma diretriz a acrescentar. Porque ficar até o fim dos tempos exportando música elitizada e consumindo música de plebe será triste. Além de nos inibir de conhecer os ritmos que realmente importam...

sábado, 12 de julho de 2008

Síntese alheia

É de um feminismo pedante essa coisa de achar que Carrie Bradshaw e Sex And The City são retratos da mulher moderna, independente, resolvida. O filme? Não vi e não gostei. E sobre a série, vejo cada episódio como o retrato de um machismo incomensurável que, às vezes, tende à misoginia.

Se ser moderna é ser assim, tragam-me a vassoura. Quero limpar e voar.


Daqui. Fique até desanimado; esse excertozinho sintetizou radicalmente um monte de post meu. Bom saber que não sou o único a achar a Carrie uma vadia de marca maior. Essa atitude 'não vi e não gostei', definitivamente, tira minhas palavras. Como é que a televisão se tornou tão mulherzinha nos últimos anos, com esses programas cheios de pegação? Triste, isso...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O fundo do poço de um nerd

* Jogar dating simulators;
* Se dar ao trabalho de elaborar IPSs para eles;
* Dezenas de abandonwares pendentes na lista de seu gerenciador de downloads;
* Escrever taglines no msn;
* Se gabar, nas supostas rodas sociais que freqüenta, de suas proezas como Ircop;
* Consultar o Google earth, em vez de abrir a janela, pra ver como o tempo está hoje;
* Gastar boa parte de seu holerite com acessórios não-oficiais pro portátil que acaba de adquirir;
* Ter coragem de usar camisas contendo humor nerd;
* Assistir Wayne's world 16 vezes em menos de um mês;
* Lotar o álbum do Orkut com print screens contendo erros de ortografia de portais de notícia;
* Persuadir acaloradamente os amigos pra eles começarem a usar Ubuntu, Firefox e BROffice, como se a vida deles dependesse daquilo;
* Participar de fóruns só pra se sentir importante ao responder perguntas de leigos;
* Aprender dancinhas da moda pelo Youtube;
* Baixar suas revistas em quadrinhos favoritas e correr o risco de aumentar três graus de sua lente a longo prazo;
* Ter ereções ao contar pros amigos de suas proezas como aquela vez em que invadiu o site da Claro;
* Assistir um filme da Sandra Bullock (A rede);
* Ouvir Shamaan;
* Realizar mapeamento de pixels de suas roms favoritas;
* Usar sprites de jogos como emoticons;
* Começar a achar aros de óculos algo muito afrodisíaco;
* Ter mais contato com mulheres virtuais do que as de verdade;
* Ficar mais tempo arrumando skins pro Windows do que arrumando seu próprio armário. E se pegar, numa clara confusão mental, chamando suas blusas de "skins".