terça-feira, 23 de outubro de 2007

Troféu Bonitinha mas Ordinária (VI)

Nessa edição achei por bem dividir o caneco com vários filmes menores. Filmes ruins o suficiente pra serem indicados mas não o suficiente pra serem indicados individualmente. Quando nem a mediocridade é suficiente pra se ser premiado isoladamente entre os medíocres. O critério para isso é a, digamos, presença de palco: afinal de contas, não basta um filme ser inferior para o considerarmos ruim; ele precisa ser ruim o suficiente pra:
_ Negar suas pretensões;
_ Não dar motivos pra cultivarmos interesse suficiente pra atravessar os primeiros trinta minutos de arte menor;
_ Nos horrorizar com suas atuações e opções estéticas;
_ Nos irritar com a volubilidade/morosidade assimétrica de seu enredo.
Faltou um desses itens, o filme deixa de ser merecedor individual de nossa premiação e se vê forçado a dividir nosso troféu abacaxi com outras películas cuja maior função é fazer volume no bandejão das Americanas... detalhe: um ponto desabonador da irrelevância de um filme é o fato de ele ser feito para TV. Um filme que sequer consegue alcançar as locadoras não merece tanta atenção assim da nossa parte; é o caso de nossa primeira indicação abaixo.

Book of days
A premissa desse filme é uma espécie de corruptela de Early edition, série antiga transmitida pelo Sony. Troque um jornal por um obituário em forma de livro e voilà. Fora isso, o filme se trata de uma sucessão de tomadas de humor involuntário (numa pálida investida dramática). Tão involuntária quanto a programação empoeirada do canal de onde descubro essa pérola, a MGM. Como é que um canal que até hoje reprisa Quatro casamentos e um funeral ainda está no ar? A propósito, pegue qualquer uma das atrizes pra concorrer ao troféu; sinceramente não faz diferença.

Demolidor
Óquei, até a primeira metade da película, todos os arquétipos hollywoodianos pra te fazer sentir justificado o suado dinheirinho empregado em sua ida ao cinema estavam sendo seguidos à risca. Até que o pai da Jennifer Garner morre estupidamente e na cena do enterro começam a macular a já maculada história com Evanescence na trilha sonora. Que merda, meu! Bandinha de roqueiro de shopping pra trilha sonora? Erraram feio a mão, nesse trecho do filme. E num outro posterior, com outra música da banda. Pior que filme pipoca, é filme brega. Sem falar os vilões caricatos: aquele negão de À espera de um milagre como vilão? Colin Farrell como um vilão também? Façam-me o favor! Esses tipos de vilão podiam até fazer sentido na segunda metade do século passado nos quadrinhos, mas no cinema simplesmente se resultou em algo desastroso! Tem coisa pior do que você acompanhar a trajetória do mocinho só pra descobrir que os vilões são cômicos? E a Jennifer, meu? Quando é que ela vai se dar conta de que o gênero femme fatale nunca vai convencer nela? Alias, Demolidor, ela não se toca, meu! Que absurdo: aquela carinha de "roubaram meu pirulito" não combina com esses papéis! Até dondocas como Keira Knightley brincando de pirata me convencem mais em papéis assim...

O vidente
Filme recente do Nicolas Cage com a Julianne Moore. O cara é clarividente e consegue enxergar eventos futuros com dois minutos de janela. Muito bem, tão logo a trama se desenrola, uma mocinha (Jessica Biel) aparece pra tentar segurar o telespectador. Agora me explica que graça tem um filme onde o ator passa 3/4 da projeção indo e voltando no tempo toda hora até chegar a um final feliz para, no final, descobrir que ficou faltando uma coisinha e repetir todoo processo de novo? Sim, tô espirrando spoiler pra evitar que o mundo se sujeite a uma história tão tolamente finalizada. Isso exposto, o filme não passa de um Efeito borboleta, só que sem o Ashton Kutcher. O que, acredite, não é suficiente pra acreditar nada a essa filme. Esses americanos e suas manias de criar historinhas de viagem no tempo cujo protagonista brinca com seu destino como se estivesse manuseando um videocassete temporal. Julianne Moore devia ter feito um favor a todos nós e ter tomado doril depois de filmar a heresia que responde por Hannibal. Esse estilo de tira durona ela nunca conseguiu aplicar num filme aceitável, veja que desperdício. A Jessica, bom, ela precisaria de mais cenas calientes pra não manchar seu lindo nominho em nossa infame premiação. Não foi dessa vez, Jessica...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Parental advisory: explicit antipathy (VIII)

_ Tô evoluindo na natação. Semana passada passei pro lado mais fundo na aula.
_ Legal.
_ Até aprendi o nado cachorrinho.
_ Hã? Isso é posição sexual, jovem.
_ Que nada, é uma forma de nado.
_ Borboleta é uma forma de nado.
_ Que mente poluída...
_ Pensando bem, ambos são posições sexuais. Mas só um é nado, tenha certeza.

_ O que você acha de a gente usar peido alemão na sala dos bichos?
_ Fizeram uma parada dessas só pra essa ocasião? Bom trabalho. Vão lá e me deixem orgulhoso. O desgosto de ter presenciado a entrada de vocês nesta faculdade já me é suficiente.
_ Você devia fazer o maioooor sucesso em seus tempos de estudante...
_ Nem fazes idéia.
_ Voltando ao trote. Deixamos as janelas abertas?
_ Claro, queremos humilhá-los, e não asfixiá-los!
_ Precisamos pensar numa cantiga degradante o suficiente pra depois da bomba...

_ Faz tempo que ele não vem à aula.
_ A única função dele em sala era me fazer sentir mais estudioso. Presenciar tamanha preguiça num estudante só era estimulante. Por mais que você postergasse as coisas, havia sempre a certeza de alguém mais despreocupado que você sentado ao fundo.

_ Quer um DVD? Se eu levar mais um o frete sai grátis nessa loja virtual.
_ Deixe-me ver... procura os Loser manos no Cine Iris.
_ Taqui. Mas o preço...
_ Como eu imaginava. Procura o último do Belle, então.
_ Só um segundo. Caramba, será que eu li direito aqui na tela?
_ Porque DVD de gente 'cool' sempre é tão caro?
_ Se baratearem, vira mainstream...
_ Então confiramos alguns filmes. Diga um preu consultar aqui...
_ Procura um do Godard.
_ Godard não é pras massas... se eu quisesse noventa minutos de projeção vendo gente com roupas de brechó e cara de enterro, iria a um de verdade. Pegue por exemplo Je vous salue Marie. Que porra é aquela? A guria engravida virgem e fica o filme inteiro te enchendo o saco por causa disso.
_ Grandes merda. Qualquer garotinha de classe média faz isso hoje em dia; após abortar a pobre vida contaminada com seus genes e gerada com aquele playboy que ela nunca mais verá na vida, ela passa numa clínica e reconstitui o próprio hímem.
_ Claudia Ohana parece lisinha perto da ninfeta do filme.
_ Você não podia passar sem essa, não é mesmo?
_ Lógico que não.

_ Pensando bem, Nouvelle vague deve ser eufemismo dos franceses pra chamarem seus filmes B de kitsch.
_ Não seja tão leviano.
_ Porque não? Confessa que tem alguma coisa errada nessa modinhas pós-modernistas, vá...
_ Porque trauma indelével de verdade não está no Nouvelle vague. Masoquismo de verdade é pegar quaisquer adaptações de livros do Asimov dos últimos vinte anos. E, falando assim, você acaba se denunciando como aqueles frustrados que assistem a uma película famosa entre as rodinhas cult e não entendem nada. Você não quer se denunciar como aqueles medíocres que tentam impressionar os amigos alugando filmes do Lynch ou do Kubrick sem entender nada, quer?
_ Eu desconfio de filmes artísticos demais, viu? Filmes em que o diretor passa mais tempo filmando paisagens e o reflexo do sol em lagos do que o elenco propriamente dito.
_ Seria isso recurso deles pra economizar fita? Sabe como é, filme de baixo orçamento e tal... fica algo bonito, meio poético, mas increvelmente entediante. Os laboratórios deviam levar em conta os recursos psicossomáticos usados por esses filmes pra produzir os Valiums da vida...
_ Uma substância que reproduzisse a mesma síncope que quase te faz babar no sofá ao final daquela trabalhosa cena de câmera parada filmando algum detalhe irrelevante na relva. Eu compraria uma pilulazinha assim...

Behind the scenes (II)

_ Luz, câmera, ação!
_ Não tá faltando algo nessa cena não, diretor?
_ Calaboca e pega um donut pra mim.
[atriz começa a beijar o vácuo por cerca de dois minutos]
_ Corta!
_ Puta que pariu, o que foi agora?
_ Faltou emoção, Demi! Parece que você tá beijando o próprio braço!
_ Não podíamos praticar essa cena com o Patrick, só pra facilitar na hora da pós-produção?
_ Boa tentativa, mas não vou mudar o script de novo por sua casa. Agora, de volta pro set. Quero ver língua dessa vez.
_ Minha língua tá começando a ficar dormente. Eu vou é pegar mononucleose desse jeito.
_ Pense nisso como prevenção: sapinho eu garanto que você não pega...

[semanas depois, na pós-produção]
_ Que falta de química desses dois! Tento encaixá-los no fundo verde há mais de um mês e nada!
_ Você bem que podia ter ouvido a Demi...
_ O Patrick não quis. Exageraram no alho no coquetel daquele dia, então nada feito.
_ Hmm. Deixa eu conferir essa fita demo... [ouve] Não, você não vai colocar isso aqui na trilha sonora. Não!
_ Meu, a mulher vai passar o filme inteiro nos amassos com um espectro e você sugere que eu lance esta farofa nos cinemas apenas com ruídos do ambiente? É exigência do estúdio, sorry... mas não se preocupe: a música tem potencial pra vender disco.
_ Tem é potencial pra virar música de motel, isso sim. [olhando os últimos rolos de gravação] Podia ao menos tirar esses raiozinhos psicodélicos na cena em que o vilão morre. Vamos distribuir um romance, e não uma continuação dos Caça-fantasmas.
_ Relaxe, essas bobagens vendem que nem água entre o público feminino...
[supostas cenas dos bastidores de Ghost que não serão incluídas no DVD]

domingo, 14 de outubro de 2007

Parental advisory: Explicit antipathy (VII)

_ Olha, é a prima da fulana.
_ Pois é, veio vestida com um coador de café... [vestido amarelo de bolinhas]
_ Aquela ali não tinha visto por aqui ainda.
_ Qual, aquela vestida com um tabuleiro de Twister? [vestido branco com bolonas]

_ Ih, essa banda vai acabar?
_ Acabar não, o baterista vai seguir "projetos pessoais".
_ E se o vocalista sair?
_ Aí o fim da banda terá ocorrido por "diferenças criativas irreconciliáveis".
_ E o recesso dos Loser manos, hein?
_ Gente, esse povo se acha muito importante...
_ Você se daria bem como RP de banda...

_ Só sei que é algo muito desolador. Você dedica tantos anos a uma coisa pra quê? Pra descobrir que sua vida não depende do quanto você estuda, mas sim das oportunidades a seu redor.
_ Tem ido atrás delas?
_ Não muito...
_ Normal.
_ Não sei o que tá acontecendo comigo. Não tenho ímpeto nem ambição pra nada! Tudo que faço na vida é pra cumprir tabela.
_ Como o São Paulo no brasileirão?
_ Não, como o Corinthians, na zona com a vadia da sua...
_ Fariseu! Contenha seus ímpetos vilipendiosos...
_ Preciosismo pra "falou a boca, pagou o..."?
_ É isso mesmo. Me poupe.

_ E aí?
_ Como vai? Acabou de chegar?
_ Pois é. Olha, você viu o Tiago?
_ Qual deles, o afetado?
_ ...
_ Finja que não disse nada. Pode se retirar...

_ Já leu a carta aberta do Luciano Huck?
_ Aquela em que ele chora sobre o rolex roubado?
_ Sim.
_ Justo um cara tão legal ser assaltado assim...
_ Pois é: o IDH da favela em que os assaltantes se enconderem vai triplicar depois desse relevante evento.
_ É o tipo de evento que não deveria nem figurar nas páginas policiais. Tá mais pra distribuição de renda do que delito propriamente dito.
_ Pobrezinho, quase perdeu o vôo pra NY comprando espaço na Folha pra sua cartinha...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Troféu Bonitinha mas Ordinária (V)


Hora de estrear nossa premiação com um filme nacional. Ao contrário dos Academy awards, não temos pudores de homenagear a mediocridade brasileira. Nessa edição, ela responde por Inesquecível, com Murilo Benício (difícil saber onde ele nos constrange mais, se em novela das sete ou no cinema nacional), Caco Ciocler (com esse biotipo de bunda-mole não é de se estranhar que ele passe sua carreira com papéis de coitadinho até minguar no esquecimento) e Guilhermina Guinle. Trata-se da primeira investida na dramaturgia da parte do mesmo diretor dos filmes da Xuxa. Isso explica a sensacional habilidade dele de transformar recursos de dramaticidade em esquetes de verossimilhança comparáveis àqueles que a Universal exibe nas madrugadas. O Murilo por natureza já parece um robô com suas feições anestesiadas, ingenuamente estudadas. O Caco é o típico ator que interpretará o mesmo tipo pelo resto da carreira, como disse há pouco. A Guilhermina, bom, sua função é simplesmente a de embelezar o filme e fechar o triângulo amoroso da trama. Mas não se engane, não há cenas de nudez suficientes pra transformar o corpo da atriz em conteúdo kitsch de fetichista. É, você percebe a nulidade de um filme nacional quando nem a bunda da protagonista justifica o masoquismo do seu próprio bom-gosto. Que bela forma de tirar proveito da reserva de mercado do cinema nacional, aliás: pegar meia dúzia de atores grobais, um roteiro escrito pelo neto do diretor e uma premissa ambiciosa o suficiente pra capturar o público nessa pegadinha. Ou seja, o que mata nesse filme não é a mediocridade em si, mas a falta de honestidade quando com ela em mãos. Desperdiçar temas promissores só pra abocanhar verba da Petrobras é sacanagem, porra!


Um adendo: deve existir uma mentalidade, no mundinho dos atores/diretores, de que produções em que o ator se expõe em cenas de nudez conta como pontos para este ser escolhido pelos diretores, como um indicativo do compromisso do ator com seu personagem. Como se isso fosse algum indicativo de maturidade artística (ou isso ou uma tremenda falha de comunicação, como insinuarei a seguir). Pensa o diretor, "melhor fazer essa cara de conteúdo e elogiar o trabalho dela, já que não conseguirei me levantar dessa cadeira pelos próximos dez minutos pra sugerir um posicionamento diferente no cenário." Pensa a atriz, "sabia que não era apenas mais um rostinho bonito". E tem razão: é também uma perna, um peito, uma bundinha bonitos... a propósito, pensa ela também, quando o ator safa a penetra durante aquela cena caliente, "acho que tá rolando uma transa técnica, mais ou menos como faço com meus beijos na novela..."

domingo, 7 de outubro de 2007

Parental advisory: Explicit antipathy (VI)

Ateus são engraçados... acreditam piamente que seu cinismo contém um ar de superioridade.

_ Semana passada um amigo de longa data se casou. Virou pastor, veja só.
_ Veja só, mess. E você lá, no cenáculo, aposto.
_ Certeza...
_ Você parece do tipo que bate altos papos com ele antes de dormir, mas usa desse sarcasmo barato no dia-a-dia pra se preservar, não?
_ Ô...
_ Quando é que você vai abandonar essas modinhas adolescentes?
_ Só quando aquele negão sarado de Nazaré me pegar de jeito, ui.
_ Você deve fazer o maior sucesso na sua paróquia...

_ Mas se você é avessa a religiões, como imagina seu casamento?
_ Ah, imagino numa floresta, ao ar livre, em contato com a natureza...
_ Papinho mais wicca, esse.
_ Pare de zicar meus sonhos, vá...
_ Decerto, a cerimônia será realizada com algum ritual pagão celta.
_ Quem sabe...
_ E o juiz de paz, consumará a união em élfico, é? Sabe como é, latim é coisa de padre pedófilo, certo?
_ (monólogo mental) Que saco...

_ O que te levou a desdenhar a religião? Algum evento em particular?
_ É que ele me deu o maior cano. Eu
tinha pedido pra ganhar na mega-sena com todas as minhas forças quando mais jovem, e nada aconteceu!
_ É mesmo?
_ Ah, mas quando aquele cantor, o Leandro, estava lutando contra o câncer, eu rezei, vá...
_ Vai ver é uma questão de prioridades: você pediu a grana antes. Foi mal, Leandro...
_ Peraí, fiquei a ver navios nos dois casos. Viu só como a fé é um mal negócio?


Bom, já deu. Fiquemos agora com uma seleção de algumas frases mais recentes:

_ Deve ser a primeira vez que você corta o cabelo como gente. Antes você só mandava tosar, né?
Meu irmão acerca de meu novo visu...

[assistindo, pela enésima vez, O nome da rosa, na cena em que a misteriosa mulher beija o noviço]
_ Meu, esse garotinho (o Christian Slater), com esse corte franciscano, ele fica igualzinho ao W. (nosso professor nazista com calvície)
[É, nunca mais terei aulas desse professor da mesma forma...]

_ Professora, o que significa esse verbo, mesmo?
_ O quê, você não sabe? Estou pasma... procura direito!
[as aulas de literatura podem ser divertidas...]

_ Taqui seu filme. [ela devolve 'Um amor para recordar' para ele]
_ E aí, gostou?
_ Ah, eu amei. Brigada, viu?
[ela se retira]
_ Cara, você quer furar mesmo, né? Fala aí, Beavis [meu apelido].
_ Se ele emprestar Cidade dos anjos a ela, vai ser oficial: ele ficou assexuado...

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Isso non ecziste...

O mundo de um romântico é um conto de fadas. O romântico é personificado na vovozinha com catarata, que não vê Chapeuzinho liberando pro Lobo mau antes de ela conspirar com o caçador pra apagar o Lobo mau e fraudar a seguradora. Simples assim.

Já ouviu falar que amor romântico não existe? Não se preocupe em tentar me contestar: um dia você perceberá isso (se não perceber, o cinismo que contaminará seu ser o fará ao menos nisso crer). Por meio de uma das duas opções que o mundo te dá: pela sensatez ou pelo sofrimento. A sensatez consiste em pensar suas decisões na vida de forma estratégica, seja acatando conselhos, seja abstraindo-os empiricamente. O sofrimento, em não pensá-las, enquanto você se dispõe a abrir os braços para uma amostra de satisfação acompanhada de uma fração de segundo que precede o fulminante suplício que aguarda os que nunca aprendem. O sofrimento é insumo da aventura. A sensatez, migalha dela. Desses materiais são feitos os mais intensos momentos dignos de serem lembrados e constatados por toda sua vida besta. Sofrimento é mais que assumir riscos: é assumir a vontade de debochar -- involuntariamente, por vezes -- do fracasso à espreita. A sensatez, mera aposta: crença de que seu risco realmente é calculado. É por essas e outras que o sublime nas relações humanas é mera lisonja incontida de seu próprio ego para algo que ele ainda desconhece. Vaidade é fardo, e não acessório...