sábado, 28 de julho de 2007

Obrigatórios!

Tem links que deviam, por força de decreto, constar em todos os Bookmarks da web. Pela colossal abrangência de suas informações, pela robusta quantidade de material e pelas manhas de gerir, muito antes dessa febrezinha entre a tchurma da Web 2.0, material fornecido pelos próprios usuários. Muito antes de os portais acordarem pro potencial do conteúdo feito pelo punho de seus visitantes, sites fenfafionais como o Imdb, por exemplo, já contavam com uma invejosa base de dados de críticas de seus filmes. Até hoje a uso pra resenhar os filmes da faculdade e pra evitar ler livros enfadonhos; basta ler a resenha do filme, remover os comentários sobre as performances dos atores/diretores e voilà! Mas vamos aos links. O primeiro é dica daqui, mas os restantes são dicas minhas mesmo. Apenas o primeiro link não consta na minha listinha particular de sites que jamais saem de meus favoritos. Até porque favoritos são o conceito mais atrasado possível; sempre suscetíveis a mazelas no HD em que estiverem armazenados e tal e coisa. Tão atrasados quanto a tecnologia do e-mail, mas chega de palavrório e vamos aos links!


Web archive*
Imdb
The mushroom kingdon**
Gamefaqs
Wikipedia
Desciclopédia


Mais superficial que essa microlista, impossível. Mas como tô sem saco pra colocar mais links indispensáveis, ficam estes mesmo. Tão acessados por mim que sei cada link de cor; como sugeri acima, não confio em bookmarks.

____________

* Por meio dele, fiz um test-drive rápido. Antes da ascensão dos blogs, antes da turma do Youtube, antes dos feeds, antes do asp, do php, de qualquer coisa pra expurgar o aspecto quase artesanal da internet do final dos anos 90, havia um site produzido por um grupo de amigos do RJ que fez história: a Puta que pariu (não, não estou te xingando, cara-pálida). Hoje em dia cada um de seus membros toca a vida de acordo com suas aptidões: o Yabu até hoje entretém as hordas nerds com seus genéricos Comborangers, projeto paralelo que o fez abandonar a PQP na época; o El Cid toca A Arca, portal de quadrinhos, filmes e ramificações da mídia destinada aos nerds. Desconheço o destino do resto da galera. Saudades da seção de piadas, precária e diariamente atualizada numa página só, de quadrinhos, da Carmen... enfim, era um zine virtual que primou pela iniciativa numa época em que os populares sequer sonhavam em ter acesso a blogs, fotologs ou uma outra mídia instantânea qualquer pra se expressarem. É lógico que esse test-drive foi só o começo; ainda vou cavar bastante...
** Considerem esse um Editor's choice. Foge do escopo do post, mas nem por isso deixa de ser dos meus obrigatórios; leio praticamente desde a fundação do site e suas três ou quatro mudanças de servidor.

sábado, 21 de julho de 2007

Protestantismo financeiro

A burguesia foi um rebuliço histórico positivo? Porque pra mim foi uma inserção de um problema que não existia na sociedade, que é a busca por ascensão social. Antes dela, pobre morria pobre e rico morria rico. Olha que maravilha, as pessoas eram poupadas de se torturarem com esperança e ambição. Acabavam não se iludindo com possibilidades sociais. Não se preocupavam com o ranho da pobreza se esparramando pelo chão estragando seus sapatos de couro. O status social de rico te elevava quase que a uma dimensão diferente. Classes sociais não se atritavam umas nas outras. Posses eram mais estilo de vida predestinado a pretensões de herança do que variantes da lei do mais 'esperto'. A quebra desse paradigma é altamente emblemática em cidades como o Rio de Janeiro, em que as classes sociais mais favorecidas convivem com morros que mais parecem tumores cravados em meio à malha urbana. O que quero dizer é que havia menos formas de as pessoas se iludirem ou evadirem: os bens de consumo com alguma espécie de valor agregado chegavam com mais dificuldade às pessoas e os meios de comunicação alcançavam apenas aos preparados para ter um mínimo de discernimento. Não vou me contradizer com nenhuma tendência marxista típica de calouro de universidade pública, eu vou é afirmar que havia mais equilíbrio e sutileza na mobilidade social antigamente, sem a burguesia. Ridículo dizer isso? Deixa de ser ridículo se eu acrescentar que a validade do que digo dependeria de um mínimo de responsabilidade em certas mudanças sociais desde então, mas isso seria pedir demais de uma História que sempre sobrepõe aqueles cujos interesses são derrotados. Digo que essa mudança na forma de pensar a economia e a ordem sociopolítica gerou muita gente que enriqueceu rapidamente sem merecimento algum. Um enorme desserviço a qualquer sociedade! Gente sem o menor preparo no caráter para gerir adequadamente essas cifras que bagunçam vários tipos de mercado ao inserir pessoas com condições de gerar toda sorte de concorrências desleais. De novo, não condeno a ascensão social, mas sim a freqüência com que os fatores que a favorecem atuam a favor nas finanças de uns e contra finanças de outros. Talvez o mundo não precisasse dessas crescentes gerações de novos-ricos que não sabem utilizar esse poderio monetário de forma eficiente ou conveniente. Não, cara-pálida, não quero criar uma cartilha pra magnata algum. No máximo, um guia. Coisa que hoje em dia governos tentam com leis anti-truste, impostos diferenciados e responsabilidade social. Quem dera isso fosse suficiente pra amenizar a bagunça que a burguesia deixou...

sexta-feira, 20 de julho de 2007

90 milhões em ação...

Futebol se constitui em uma perfeita analogia à natureza política de nosso país. Pensem: em vez de vendermos nossos campeonatos (produto manufaturado), o máximo que os estrangeiros fazem é comprar os jogadores (matéria-prima). O que se confere num negócio altamente conveniente ao comprador: comprando diretamente a matéria-prima, ele se desvencilha da dependência de ter de se submeter a reajustes aplicados ao produto manufaturado, e ainda garante recursos para manter seus subsídios de talentos desportivos. Os tempos são globalizados, mas os negócios ainda são coloniais para nós. A preguiça de se criar um savoir-faire nos rebaixa a nos despojarmos de nossos recursos naturais, por assim dizer. Um estreitamento mercadológico tão óbvio que funciona até hoje. Pegue qualquer mercado nacional em que o Brasil se destaque como o maior exportador do mundo. TODOS ELES são de matérias-primas. TODOS ELES têm preços controlados pelos compradores. A fatia do mercado nacional responsáveis pelo comércio internacional de carnes, por exemplo, permaneceu inalterado pelos últimos 50 anos. Porquê? Porque nos sujeitamos a comercializar prum mercado doentio que nos impõe rédeas. Que afunila seus gastos e arreganha seus lucros. E nós acatamos! Não à toa sou um torcedor pessimista. Desejo com vontade que nosso futebol mingue até o esquecimento, como aconteceu aos húngaros e seu futebol do começo do século XX que nos dias de hoje parece não ter como ter sido. Precisamos de elementos mais emblemáticos para vincular nossa auto-estima. Precisamos realizar um êxodo cultural e ocupar o imaginário popular com elementos que mereçam mais orgulho do que os lendários dribles do Garrincha. Esporte é condecoração, é pavão mostrando as plumas. Era pra ontem esse bando de imprestáveis sem costume que convencionamos chamar de povo procurar outra coisa pra justificarem seu arreganhar de plumas.

Nota mental: vai tomar no meio do seu cu, Mainardi.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Oi MigU... kOmU vai vXxxxxx?

Miguxês não é dialeto, nem idioleto, muito menos uma linguagem própria! É, no máximo, uma gíria proeminente o suficiente para ser quase um jargão fazendo pose de tabu lingüístico. Mera corruptela que se resume a um primo pobre do l33t... Victor Hugo chegou a afirmar certa vez, n'Os Miseráveis, que o "argote é a língua da miséria". Seria estranho isso aplicar à mídia mais metalingüística do mundo? Não passaria o miguxês, essa degradante corruptela, de um senso de comunidade presente em pessoas da mesma idade em meio virtual? Possivelmente sim. Mas não falta estudioso levando a sério esse insumo lingüístico em decomposição que convencionam taxar de miguxês, internetês, entre outros nomes igualmente frugais. Não que eu não me traia ao usar alguns desses termos ao conversar com alguém pelo computador, mas moderação é o que discerne o ridículo da gíria oca. Essa linguagem alternativa se resume a uma subversão lexical inconseqüente e a uma regularização radical de verbos que facilmente já se observa no português comumente expresso na forma oral. Basicamente, o miguxês é mera herança leprosa de um ensino engessado de língua portuguesa por parte de nosso sistema educacional. A isso adicionado, uma radical propensão reducionista herdada do inglês -- já batizado com os argotes dos BBS, dos grupos de discussão pré-internet e outros guetos virtuais --, nada mais. Portanto não me venham endeusar essa merda de escrita como se fosse algo digno de ser preservado. Futilidades como encontrar canais como o Telecine cedendo a essa linguagem retrógrada em suas legendas é o cúmulo! É como se estivéssemos ante textos taquigrafados de forma irresponsável. As palavras têm história pra contar, e incendiar esse passado etimológico com o miguxês é algo futurista demais (me refiro à ideologia do manifesto do início do séc. XX; não usei essa palavrta a esmo)! Reconheçamos as novas funções e entrelinhas propostas pela forma como algumas dessas expressões surgem e são aplicadas, mas sem fanatismos. Muitas línguas têm recursos para expressar, por exemplo, o estado emocional no momento em que a pessoa se expressa, algo que pode se presumir no miguxês, possivelmente. Mas vejamos essa linguagem jovem como mero estudo de caso, nada mais. Não nos constranjamos a abraçar essa sublíngua como forma aceitável de se comunicar!...

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Depósito de esperma

Como eu disse em posts anteriores, os idiotas são muito bons em nos fazer rir. Saquem só essas jóias raras, que estava lendo nesse momento num desconhecido site de relacionamento famoso entre brasileiros, e que cá reproduzirei pra entulhar esse blog com asneiras prescindíveis:


A humilhação de não ser visto como MACHO[1]
Conheci uma menina qdo estudava no ensino médio, e era doido com ela. Realmente apaixonado, na epoca tinha 17 anos. Na época não consegui chegar nela por causa da timidez. Passo um tempo e agente acabo parando de conversa um com outro. Nisso passo um tempo, por não ter conseguido ficar com ela, fui superando minha timidez nesse sentido. Fiquei, namorei... E nesse tempo eu nunca esqueci ela. Até que com 21 anos, eu reencontro ela no orkut, a gente marco de sai. Saimos, nos divertimos. Neste dia consegui ficar com ela... quase 4 anos levei para isso. O problema é que depois disso ela não quis mais nada afirmando que não gosta de ficar com amigos. Só que o problema é que sou doido com ela ainda... E hoje a pedi em namoro, e mais uma vez levei um fora dela. Só que desta vez ela alego que me vê como amigo e não como homem (Ja tinha trauma em levar fora por causa da palavra amiga, agora isso piora). Mas que bosta... O problema é que não vejo ela como amiga, nem nos vejo como bons colegas... Só queria não ta apaixonado por ela (Eu realmente estou apaixonado por ela...)

Desprezo absoluto [2]
_ ando completamente revoltado com as mulheres. sendo bonzinho e tímido, não conseguia nem sequer uma companhia para ir ao cinema, enquanto os caras que as tratam feito lixo sempre estavam levando a melhor e as levando para o motel. agora decidi que não devo olhá-las nem sequer por um milésimo de segundo. mulher é muito esperta. se você a olhar, nem que seja por uma fração de segundo, ela percebe e saca que você é mais um otário bajulador. o segredo é esse. faz meses que não dou corda pra mulher nenhuma nem sequer desvio meu olhar para alguma. o segredo é desprezá-las radicalmente. não olho mais na cara dessas mocréias. dei meu grito de independência. jamais vou rastejar por puta nenhuma.
_ existe 2 lados da moeda amigo. as vezes elas podem nem te dar atenção seja com ou sem desprezo vc precisa mostrar q é homem... seja o fodao msm, fale merda converse com muitas mulheres, mas tudo moderadamente pa nao vira amiguinho de mulé. faça todas axarem q vc é o fodão e elas vão cair aos seus pés
_ "mulher é muito esperta. se você a olhar, nem que seja por uma fração de segundo, ela percebe e saca que você é mais um otário bajulador" Pior que é verdade. Nada mais irritante q vc está numa boa, feliz, assobiando, masclando um chiclete. De repente, SEM KERER ABSOLUTAMENTE SEM KERER vc resvala o olhar numa guria. Ela vira a cara e faz cara de nojo, se achando a poderosa, como se eu fosse um estuprador ou apenas mais um capacho afim dela a admirando. Antes eu ficava mto PUTO com essas vacas esses depositos de esperma. Hoje ela que se foda, se precisa alimentar seu ego dessa forma torpe, vá em frente filha do capeta.

Depoimento humilhante sobre homens feios [3]
_ O MEU TIO É GORDO E SOFREU MUITO DURANTE A VIDA TODA POR CAUSA DA APARENCIA. ELE TEM 48 ANOS E NUNCA TEVE NENHUMA NAMORADA. TENHO MEDO DA MINHA VIDA TOMAR O MESMO RUMO, PORQUE MEU TIO E INTELIGENTE E LEGAL, TEM UM MONTE DE AMIGOS, MAS MULHER NENHUMA VE ELE COMO HOMEM PQ ELE TEM PROBLEMA DE OBESIDADE.
_ Essa coisa de que "cedo ou tarde aparece alguem" é balela pros patéticos se conformarem.
Eu trabalho pro MPAS (ministério da previdencia e assistencia social) e saber toda a vida do cara faz parte do meu trabalho. E vou te dizer, a quantidade de pessoas (homens feios na verdade) que vive a vida toda sozinho sem "encontrar alguem" não é brincadeira não.
Ja pra mulher é mais facil, já que mulher sozinha em casa sexta de noite só em filme de terror mesmo...
_ Sinceramente se fosse comigo eu ja tinha me matado. isso ai e pra ve como essa sociedade e doentia , negocio nao e se legal , e ter aparencia pra nao ser rejeitado.

Aniston diz: Brad Pitt é pior que pedreiro na cama [4]
_ [segue copy-paste de reportagem do portal de fofoca do Terra]
A atriz Jennifer Aniston, 38 anos, contou a uma amiga que seu novo namorado, o modelo britânico Paul Sculfor, 36, é melhor que seu ex-marido, Brad Pitt, 43, na cama, informou a revista norte-americana Star. Ela deixou escapar que ele é melhor na cama que Brad e Vince Vaughn", disse a amiga da atriz se referindo também ao outro ex de Jennifer. (...) De acordo com a pessoa, a atriz está muito feliz com o novo relacionamento. "Ele (Paul) comprou um enorme buquê de flores, chocolates e champanhe. E ela adorou. (...) "Ela não está incomodada com fofocas. Ela quer dar uma chance para ele mostrar que é o cara certo", completou.
[segue observações do criador do tópico]
Ela tá adorando ser comida. O choclatinho, flor, champanhe, sem um sexo viril e duro nelas nao é de nada. O sexo bom tem mais peso que a flor e chocolate pq ela gosta disso só pq ele é MASCULO ANTES. Lembrando que esse novo namorado da Aniston é ex-pedreiro rs
_ Amor de pica é o que fica.
_ Amor de pica é o que fica[2]
_ amor de pica é o q fica [3]
_ "Jen está seguindo seu coração". Na minha terra a gente chama de outra coisa isso que ela tá deixando guiar ela...


Nota mental: é ridículo, mas um dia a gente se torna capaz de rir disso. Além do óbvio ululante de que um dia apreciaremos com consternação os absurdos impúberes de nosso modo de ver as coisas de anos atrás, ainda seremos capazes de louvar nossa inexperiência. Deviam ter me despachado com manual de instruções, definitivamente.
Nota mental 2: vou só colocar alguns; se colocasse todos os engraçados teria de criar um novo blog só pra isso...

domingo, 15 de julho de 2007

O país mais jeca do mundo



Há uma coisa na qual o Brasil é bom em manter tradição, devo reconhecer. Não, não me refiro à tradição nacional em alguns esportes, nem às referentes ao melindroso jeitinho que lustra a auto-estima do povo brasileiro. Nada referente ao esporte como pluma pra pavão. Me refiro, isso sim, à impecável tradição nacional de cometer gafes. Lembram-se como foi lindo ver as comemorações dos 500 anos de "descobrimento" com um imprevisto atrãs do outro? Agora, sete anos depois, com nossa nação sediando um evento pré-olímpico sem empolgação alguma por parte de sua população, a zica volta a dar as caras. Quer dizer, os organizadores tentaram manter a tradição de toda abertura de jogos panamericanos ser feita pelo presidente da nação-sede, mas adivinha o que acontece quando esses jogos são trazidos à república das bananas? O presidente é vaiado! Ocasião perfeita pra se lavar roupa suja. Pra quê CPIs, pra quê me manter informado acerca dos desmandos parlamentares, pra quê participar das decisões do Congresso, pra quê levar a sério a possibilidade de se manifestar a respeito disso? Nada disso, demonstremos nosso enrustido repúdio a nosso bronco presidente no exato momento em que ninguém a solicita: a abertura dos jogos panamericanos! É como se todos nós, povo, fôssemos reféns e tivéssemos tido um breve momento pra estravasarmos nosso desespero típico de analfabetos políticos (somos reféns de nossa cretinice, maravilha...). Mentalidade de colônia. Mentira, se fosse de colônia, provavelmente viriam alguns oficiais representando a Metrópole pra descer o sarrafo. Bottom line: dá pra levar a sério um povo dado a pirracinhas como o nosso? O carnaval já passou mas sempre tem quem não apareceu o suficiente pra encher o saco.

domingo, 8 de julho de 2007

À deriva


Só um daqueles momentos de letargia que nem deveria constar nos autos... ainda não é hora de esse post sair.

Seres detestáveis, mas (aparentemente) inofensivos (II)

Palestrantes, terapeutas e oradores motivacionais como um todo: o que leva um sujeito, que se crê emergente num determinado empreendimento de sua vida, a desembolsar consideráveis somas de dinheiro para ouvir estranhos falarem (com pretensão de um certo teor maquiavélico) sobre auto-estima? Porque me deixar levar por dinâmicas, recursos de retórica e exemplos corporativistas para tentar me escolar ao sucesso? Gente como Max Gehringer e Aly Baddauhy parecem mais urubus zombando da ousadia alheia de sonhar, sei lá. Como é prático pegar um assunto tão abrangente, subjetivo e individual quanto o empreendedorismo de cada um de nós e transformar isso em sopão pra vender a aspirantes ao sucesso! Gente muitas vezes iletrada arruma um ganha-pão não ensinando a vender a limonada, mas fingindo ensinar a fazer uma. Uma engenhosa forma de se institucionalizar as massas aos ideais de produção do mercado. Sim, é uma forma de incentivar as pessoas a agirem e pensarem de forma independente. Mas não deixa de ter o seu quinhão de demagogia, essas palestras. Sob uma analogia mais educacional: sua colocação no vestibular de nada vale se você for um estudante inexpressivo, e de nada vale ter sido um estudante genial se nada souber auferir com o conhecimento obtido em quatro anos de engodo acadêmico. Sucesso é mais carma do que esforço. Palestras assim são para pessoas que ainda não querem acordar para caóticas verdades da realidade nossa, de elementos atemporais como ações nem sempre gerarem reações (esperadas). Não há simetria nem relações de progressão geométrica ao se buscar o sucesso. Este sequer tem uma concepção uniforme: procurar-se a coisa errada no lugar errado é o que derruba a maioria dos emergentes à auto-satisfação num dado aspecto de suas vidas. E com toda essa subjetividade os palestrantes continuam a tirar um bom trocado país afora... até o Roberto Shinyashiki, um perdedor cujo único mérito foi ser médico na comissão técnica de uma seleção brasileira perdedora no começo dessa década, tira sua casquinha. Vejam como o pessimismo é facilmente manipulável. A ponto de fazer as pessoas crerem que o otimismo é material a se ter vergonha de possuir. Sucesso é ópio, auto-estima é síndrome de abstinência.

Nota mental: sim, acredito que criticar seja uma arte perdida. Veja só, nem tenho tanta implicância assim com esse povo e os escalpelei com apenas um post! This is fun...

Parental advisory: Explicit antipathy (V)

[instalando um scanner]
_ O que você está fazendo?
_ Não sei, o que é que eu poderia estar fazendo com um scanner?

_ Posso te fazer uma pergunta?
_ [continua a ouvir música]
_ Porquê você ainda não...
_ [sequer ouve a pergunta, absorto nas músicas evacuadas pelos fones de ouvido]
_ Ei, eu te fiz uma pergunta. [enfático]
_ E eu não respondi!

_ É minha gente, professor se faz de besta pra viver.
_ Os alunos também, professora, tenha certeza...

_ Locais onde toca música alternativa são tão trash que sempre dá pra dar umas boas risadas com o figurino pseudo de seus transeuntes.
_ Realmente. Olha só aquela baixinha vestida com a cortina da mãe...
_ Cara, aquilo é uma camisa ou um pijama?
_ Talvez sejam os dois.
[minutos depois]
_ Bjork não faria melhor... tá parecendo um balão de festa junina!
_ Deve ser falta de atenção na infância, isso...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Bloco de notas (III)

Pessoas que nunca generalizam levam exceções a sério demais. E depois o povo reclama dos debochados: nunca generalizar é o ganha-pão de qualquer lobista no mundo. Portanto, não tenhamos tanto medo assim de explorar estrereótipos!!!

Política é como problema de cada um: ruim com um, pior com outro. Mais constrangedor que dólares na cueca. Se um estadista não é coronelista, é caudilhista. Se não é caudilhista, é clientelista. Se não é clientelista, é paternalista. Se não é paternalista, é petista. Se não é petista, é esquerdista. Se não é esquerdista... adivinha?

A única função dos idiotas é divertir o mundo. São suas incongruências que tornam certas situações risíveis. E só.

Professor faz voto de pobreza? Então porque todo mundo torce o nariz quando vê um profissional desses ganhando mais do que o comum? Porque médicos, advogados, engenheiros e outras profissões têm o direito à ambição financeira, do ponto de vista de nossa sociedade? Quando é que profissionalismo vira altruísmo? Saco...

A mulher precisa se 'vestir' de homem para adquirir a liberdade de agir. Não à toa, também ouvi certa vez que elas não são criativas. O que muda de figura quando se cutuca o cerne de seus espíritos, a vaidade. Feita tal ressava, tem-se um ser metódico na afeição, mas conivente com a lógica. Onde a criatividade ou a liberdade cá entram? Não entram, só saem. Expulsos pelo cinismo e displicência, delas tão característico, quanto à (quase) anárquica complacência, espasmada arbitrariedade e insurgente solidariedade que farreiam em suas sitiadas mentes. Elas não foram feitas para lutar contra a sorte, mas foram pra erguer templos à própria dignidade. Para vincular váris nuances de si mesmas aos mais peculiares elementos externos...

E pra terminar: desconfie dos civilizados. Sempre!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Sinônimos...

Fama e política são sinônimos. Em ambos, há uma constante necessidade de se manter aparências, de se dizer efemérides por mera questão de convenções sociais, e de fazer malabarismos com interesses alheios. Seja passando alguém pra trás, seja promovendo alguém pra se manter sob holofotes. Fato é que ambos são elementos de eficaz alienação na vida besta das pessoas. Enquanto a política parece mais um jogo de azar envolvendo interesses públicos, a fama poderia ser descrita como semelhante jogo de azar, só que envolvendo egos. Mas peraí, política também envolve egos. Então distinguamos a fama da política neste quesito afirmando que a primeira monta o circo e a segunda amassa o pão. Sim, o colarinho branco faz isso antes do tinhoso...! O poder tem fachada altiva e interior não raro porcamente mobiliado. Tudo superfaturado, diga-se de passagem: verbas, por exemplo, viram figurinhas repetidas em quem fica mal-acostumado a poder...

Talvez gente como o deputado Clô sejam uma boa amostra do que acontecem quando os dois sinônimos coexistem em um mesmo pária...

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Verdades cristãs

Deus é o maior álibi de todos os tempos. E o único ao qual os ditadores muitas vezes têm acesso.

O Espírito Santo é tão bom de cama que conseguiu conceber uma messiânica criança sem sequer deflorar sua progenitora. Ou o cara é um Príapo bíblico de homérica ejaculação ou é o maior ilusionista de todos os tempos...

Teria aquela cruz, ao qual o Homem foi penitenciado, sido um resquício da Antiguidade de práticas sadomasoquistas? Sabe, as chibatadas, o fetiche de levá-las de homens de uniforme...

O céu é como área vip: só com RSVP você entra. É pelo menos o que infiro dos ameaçadores sermões de certos padres...

Depois desse post, eu suponho que não vá para o céu. Vou precisar de advogado pro meu julgamento final...

terça-feira, 3 de julho de 2007

A realidade é mais ficcional do que você pensa

Você percebe que a vida é mais escabrosa que filme kitsch passando no Corujão quando...
_ Pensa em como o marido da Denise Fraga consegue manter uma ereção com aquela risada;
_ Vários hábitos seus do cotidiano beiram a sintomas de TOC e você sequer tem vontade de se importar com isso, preferindo, pelo contrário, anexá-los à sua personalidade;
_ Encontra filme infantil dublado pelo Silvio Luis;
_ Descobre pessoas que assistem religiosamente às decanas séries do Nick at Nite;
_ Constata que até hoje não prenderam o Michael Jackson;
_ Vai registrar ocorrência em delegacia e encontra mulher implorando pro delegado retirar o BO contra o marido argumentando que "ele só fica assim quando bebe";
_ Analisa como as pessoas podiam ser bêbadas, drogadas, pedófilas, sofrer de erotismo etc., e mesmo assim ter tudo isso devidamente expurgado apenas por aparecer na tevê ou ter fama. Era mais legal ser famoso nos anos 60, veja só. Você morria de overdose e todo mundo romanceava isso;
_ Assiste a um filme nacional e pode jurar que já viu alguma coisa nele que lembra àquele vizinho esquisito;
_ Tenta imaginar a Tonia Carrero precisando tirar foto 3x4 pra renovar a carteira de identidade;
_ Imagina o Rubinho se olhando no espelho e buscando motivação pra ser sacaneado pela sorte e por sua escuderia (nah, cheguei tarde; o Schummy já tirou com a cara dele antes de mim, no final do ano passado...);
_ Descobre mulheres na rua que têm mais cabelo no peito que você;
_ Percebe que quase todos os episódios da história de nosso país são vistos com a mesma banalidade com que se ouve na tevê um homem-bomba se suicidando na Faixa de Gaza;
_ Ben Stiller, Jack Black e genéricos nem chegam perto de retratar em seus filmes o limbo ao qual certos losers que você conhece chegaram em suas vidas sociais;
_ Pela enésima vez, insone, se pega na madrugada assistindo um filme tão ruim que mais parece sobras de estúdio remendadas do que uma película per se;
_ Lê no jornal alguma tentativa frustrada de zoofilia num bairro periférico qualquer;
_ Tenta pensar nas obras do acaso que te fizeram conhecer certas pessoas e conclui que acidentes acontecem (e te ligam no dia seguinte pedindo dinheiro emprestado);
_ Percebe que a única diferença entre filmes B e a realidade é a ausência de trilha sonora para a última;
_ A fantasia sexual de certas pessoas REALMENTE é sexual;
_ Fica difícil entender porque chamam o reality show da mansão de Playboy de reality show se sequer mostram um peitinho que seja. Esses puritanos...

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Pop cigano

É um erro classificar o pop como um gênero musical. Devíamos nele pensar como um vírus que se aloja em qualquer gênero musical e que se replica de acordo com o hospedeiro em que se aloja. Pop é massificação. Massificação não faz escola pra ninguém; pelo contrário, ela reduz todo um gênero musical a uma mala-direta sonora. Produtores musicais, veja só, não passam de treinadores da mediocridade, que usam o plágio como aquecimento para as vendas dos discos de seus artistas. Isso especialmente num mundo cada vez menor, com músicas cada vez mais simbióticas. Por o pop estar diretamente associado a sucesso, coloquemos isso em paralelo com a mentalidade, por exemplo do brasileiro, que acha que o sucesso é ruim mas mesmo assim volta todo feliz pra casa com o CD ao vivo da Ivete comprado numa barraquinha a duas quadras da loja de CDs mais próxima. Certo, essa mentalidade é reflexo da máxima rodrigueana toda unanimidade é burra. Mas também é reflexo dum indolente hábito do consumidor cultural brasileiro de menosprezar a inserção de versatilidade numa dada música proposta pelo pop. Brasileiro acha que tudo que chega ao grande público tem que obrigatoriamente ser genial. Como se a genialidade fosse passível de cultivo. Não à toa a cena musical está definhando tanto que as pessoas (em especial o público jovem, aliado à democratização musical trazida pela web) estão mais atraídas pela cena independete do que pelo que as grandes gravadoras, acorvadadas por uma nova realidade mercadológica que os deixa como cegos em tiroteio, querem vender. Realmente o pop é cigano. Teria ele migrado do mainstream pro underground? Em tempos pós-modernos, não estranhe nada!...

domingo, 1 de julho de 2007

De acordo com a Lei 7.675...

Se tem uma coisa que sempre me fará desdenhar o Direito é a arbitrariedade das leis. Não de seu conteúdo, o que seria óbvio demais relatar, mas pela maneira como elas são enumeradas. É algo que descamba pra pura decoreba, aquele mar de números desconexos no tal livro de leis. Que a galera do deixa-disso não me venha com a questão da interpretação, que ela é quem se sobrepõe aos meros decoradores de códigos. Fala sério, todo banco de dados de abrangência nacional, por exemplo os que dizem respeito a veículos, possuem algum sentido em seus números. Os números de chassis dizem quase tudo sobre um veículo, ora bolas. Um número de registro acadêmico de uma instituição de ensino, também. Que dizer dos seqüenciais fornecidos por companhias de saneamento e telefônicas? Então porque cargas d'água todo código de lei que se preze se esparrama na arbitrariedade ao enumerar suas leis? Essa forma cumulativa, usada para a enumeração, lembra a usada para a confecção de RGs e CPFs e para a criação de linhas telefônicas. É um método retrógado de organização que distancia os cidadãos comuns da forma como as leis são dispostas em suas devidas esferas de poder. É uma elitização dos direitos para se facilitar a propagação dos deveres. Típico de governos arcaicos: sobrecarregar a população com deveres para sugerir uma noção de justiça por meio de quase indiscriminada propagação destes, e camuflar seus direitos. Pensando bem, não é algo exclusivo de governos arcaicos (é algo universal em sociedades); gostaria de ver um teórico do Direito propondo uma forma de se organizar os códigos de forma eficiente e intuitiva. Qualquer pessoa que lide com banco de dados saberia fazer isso, elaborando uma chave primária. Raios! Os magistrados não foram feitos pra contar ou organizar. Isso é com gente formada em biblioteconomia ou com conhecimentos elementares de bancos de dados. Cinco anos de faculdade pro sujeito se sujeitar a estudar as leis de seu país numa completa balbúrdia confeccionada em papel que se desatualiza rapidamente. Sim, tenho horror ao Direito! Não que o blogueiro que vos fala tenha problemas com regras e leis, ele tem é problema com como elas a ele são repassadas...

Envelheçam, pelo amor de Deus!

Entrevista do site do Jornal da Grobo. Sim, sinto-me envergonhado por usá-lo como referência para um post.


Jovens de todo o mundo, alto lá. Eis o vosso maior crítico: chama-se Kenneth Minogue. Ele tem 76 anos e é professor emérito de Ciência Política da London School os Economics. Sem medo de parecer politicamente incorreto, ele diz que jovens devem ficar longe da política.

JG: Durante os anos 60, as idéias de esquerda exerciam um fascínio sobre os jovens. Hoje, que idéia política o senhor acha que seria capaz de atrair os jovens?
Kenneth Minogue: Os movimentos jovens dos anos 60 causaram danos. O meu conselho seria: deixem os jovens fora da política sempre que possível, porque eles são terrivelmente perigosos. Comunistas, nazistas, fascistas – todos eram movimentos jovens. Era gente jovem que queria transformar o mundo. É bom que os jovens possam ter algum interesse na política real de seus países, mas precisam ser mantidos em seus devidos lugares – ou seja: longe do poder, até que envelheçam e fiquem mais maduros. Política é coisa para gente velha.

JG:
Quais são os principais problemas que a juventude criou para o exercício da política?
KM: Jovens são impacientes. “Querer tudo agora” era um dos slogans dos anos 60. Os jovens são impacientes em relação ao que os mais velhos pensam, são impacientes diante de coisas que estão estabelecidas há séculos.

JG: O senhor então não considera que a revolta dos jovens em 68 em Paris foi um bom momento?
KM:
A maioria das universidades estava perdendo tempo nos anos 60. Perdemos horas e horas discutindo se estudantes deveriam participar de um comitê ou um conselho. Todos se sentiam animados, mas, graças a Deus, esta moda passou. Era divertida, mas não era séria. Voltamos a nos ocupar de coisas mais sérias.

JG:
O escritor e dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues deu o seguinte conselho aos jovens: “envelheçam, pelo amor de Deus”. O senhor repetiria este conselho?
KM:
É um conselho muito bom para jovens que queiram se meter em política. Quanto mais cedo eles envelhecerem, melhor. Mas se eles não pensam em fazer política, acho que não, eles são charmosos e encantadores quando jovens. Quando vamos ao cinema, gostamos de ver histórias com gente jovem e apaixonada. É bom ser jovem. Envelhecer é a cura. Um dia, a idade virá.


A idade é o melhor antídoto para a política. Raros momentos de sensatez são como este. Será que ninguém nunca disse algo da política ao longo da Antigüidade Clássica relativo aos jovens? Sabe, no intervalo entre os ensinamentos filosóficos e uma sodomiazinha com os pupilos, nas pólis gregas... reviremos os clássicos, fariseus! Descubramos algo já há muito dito que desabone rapidamente essa mania de jovem de achar que vai mudar o mundo -- por causa daquela meia dúzia de livros da coleção Primeiros Passos que a tchurminha da pesada com quem está andando na faculdade -- lhe recoendou... melhor que essa entrevista, só a constatação puramente estatística que os economistas tiram disso, do fato de jovem achar que leva jeito pra política: por exemplo, o Peter Drucker afirma que o movimento hippie, woodstock, idéia de liberdade e drogas só teve importância simplesmente pq naquele momento devido ao boom de bebês décadas atrás nos EUA (após a II guerra) a maioria da população era jovem, como maioria eles tinham uma certa força e qualquer idéia que eles acreditassem teria força também, ou seja, somente por uma questão de números. E o que acontece quando tem jovem demais no mundo? Sim, ideais cegos ganham campo com mentes impúberes cuja maior preocupação é se vai sobrar grana pra comprar um engradado pro final de semana.