sábado, 26 de maio de 2007

Inutilia truncat

Folhear o próprio blog é como abrir geladeira sem motivo: nada lá dentro vai servir de condimento. Apenas a cega curiosidade vai te mover. E uma suposta propensão a desenvolver TOC, claro...

Recadinho pros adeptos do jeitinho brasileiro

Exceções em excesso viram regras. Regras que originam exceções não nasceram pra regulamentar o conformismo de quem as aplica. Nem ao conformismo a quem elas deveriam ser aplicadas. A diferença entre um liberal e um conservador está em seus bodes expiatórios. E não se espante se essa diferença se convergir em semelhança: exceções em excesso viram regras, lembrem-se disso.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Mas filho, isso é curso de mulherzinha esperando marido...

Porque os cursos das áreas de Humanas em nosso país só atraem mulheres? O desperdício é tal que tem tantas desavisadas formadas nessas graduações que chega a faltar referências masculinas para os mais jovens. Quem pode afirmar que, em criança, já teve aula com um homem no primário, por exemplo? Ou que fez sessões com um psicólogo? Ou que estudou numa instituição cuja coordenação pedagógica contava com homens? É uma legião de calcinhas que configura em uma gritante desproporção! Cadê essa mão-de-obra masculina? Escondida nas Exatas? Sabe, esse fato é digno de nota por causa dum desequilíbrio na educação e nas relações sociais que os cursos da área de Humanas tanto centram com suas graduações. Enquanto a índole feminina tende a ensinar o valor do amparo, do altruísmo, da maleabilidade e da cumplicidade pelo que outrem sente, a índole masculina ensina a persistência, a administração de seus impulsos/carma e requintes de respeito (entenda, por esse termo, o que fazer com seus princípios ante os volúveis impropérios sociais).

Olha só que defasagem... o que se esperar de um sistema educacional em que, majoritariamente, os jovens são educados sob a mentalidade da passividade e da desorientação de um espírito passional? Sem querer ser estóico demais (mentira, é querendo mesmo, e sem pudores em relação a isso), mas numa sociedade -- melhor, num mundo -- em que o sexo masculino sempre terá o mundo sob as costas, essa discrepância entre os tutores da juventude deixa o estudante numa situação em que ele se vê estranho à sua forma de apreender o mundo: como se as ciências humanas fossem um nicho ao qual não pertencem. Como se não passassem de monumentos à vaidade de colecionadores de graduações. Quase um membro de casta indiana. Porque ao homem em busca de educação não faltam revezes: as vindouras expectativas familiares, a necessidade de ascensão social, os inúmeros fatores de desilusão a seu redor, e a obrigação de jamais desabar ante as rajadas de frustrações que a idade traz. Uma luta contra a sorte que não termina após sua formação. Nada disso soaria tão extremado e gratuitamente dramatizado se não houvesse tanta inferiorização do papel do homem na educação. Vistos como materialistas e pragmáticos demais, o excesso de mulheres nas salas de aula presume o quê em todo um imaginário popular? Que a educação é algo passional demais para atrair homens a suas fileiras. Que a educação é como o chamado da arte ao artista: precisa ser atendido, independente do quão pouco atraente sejam as condições fornecidas pelo algoz que te contratar. E assim o magnetismo feminino pela docência continua a ser usado como a mão-de-obra chinesa pelas autoridades...

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Como é bom ter pescoço...

Chega a ser irônico eu postar esse vídeo, tendo em vista o vídeo anterior que postara mês passado. Cá coloco porque é sempre bom conferir a autenticidade de um bom curta. Pesquisando mais a fundo a respeito do curta, o que descubro? A mente sádica por trás disto, Craig McCracken, é a mesma responsável por notórias produções como o Laboratório de Dexter e as Meninas superpoderosas. Antes do dinheiro das grandes produtoras, são pérolas como essa que circulam nos festivais de animação. Este, em particular, figurou no Spike and Mike's sick and twisted animation festival. Alguns curtas que rolaram nessa edição são facilmente encontrados em sites de vídeos.

'Si vous laissez passer cette chance...', disait l'homme de verre

Você vai se tornar o que mais odeia. E nem vai perceber. Não que essa máxima me impressione; prelúdios da vida adulta pra isso corroborar não faltam a meu redor. O péssimo mesmo é essa clara sensação de estado de espírito mal-resolvido que reina enquanto o mundo te tantaliza. O conforto de ter confiança na forma como as coisas boas até ti vêm é um luxo para... para... tá bom, é um luxo apenas pra inúteis boquirrotos colecionadores de omissões como eu. Não é possível que as frases anteriores não tenham passado de uma velada manifestação de orgulho da minha parte. Pensando bem, dia desses, ao ouvir um retumbante juízo de valor expresso na frase 'de você espero tudo', lembro-me de que não importa quanto tempo eu passe em hiato afetivo: sempre agirei como o mesmo desorientado de sempre. É como se pudesse resumir alguma região em particular de minha personalidade a uma máxima aristotélica qualquer. Não que a tentação de ser simplista me corroa neste momento; tem uma outra coisa que veio fazer isso antes... escolhas são um joguinho de pontilhar sem borracha; por mais que você contorne, nem sempre haverá condições pro detentor do lápis ver o que se esboça ante si.

Lembro-me do tempo em que isso ainda me perturbava, quando tinha meu outro blog, mais pessoal, catártico e com apuros e arroubos incontidos de melancolia. Tomei nota disso porque quase caio na tentação de me delongar, mais do que precisava, com tessitura agradável e oca como poesia parnasiana; não gosto de reescrever coisas que outrora escrevi, perceba. Não nasci pra escrever horóscopo de jornalzinho comunitário...

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Parental advisory: explicit antipathy (III)

_ Oi, nossa turma vai dar uma festa esse domingo. Aparece lá. Só dezão pra entrar. [entrega flyer]
_ Oba, mais uma festa que não irei.
_ Então devolve que os flyers são contados.

_ Ei, você por acaso tá carregando porco? Não viu aquele buraco, não?
_ ...
_ Pensa nas possibilidades de algum maluco ter virado aquela esquina do jeito que você acabou de fazer e termos batido.
_ ...
_ Ei, estou falando com você!
_ Mas eu NÃO estou falando com você!

_ Que banda horrível! Além de o baixista parecer ter tocado com as pregas de tão fétido que o som saía do amplificador, meu nome não estava na lista.
_ Uma amiga minha tava reclamando, dizendo que tinha uma menina sendo supersimpática com ela, dando em cima o tempo todo...
_ Sapata, certeza.
_ É gente sem noção, mesmo, que quer pegar a primeira magrinha que vê pela frente.
_ Tem gente que não tem tipo, tem momento.
_ Já é ou já era...

_ Podemos deixar um aviso pra sala?
_ Náo!
_ Seremos rápidos, dois minutos no máximo.
_ Vou cronometrar.
_ Então gente, estamos aqui pra convocá-los pruma passeata na Praça da República amanhã, contra o aumento do passe.
_ Meio minuto já se foi.

domingo, 20 de maio de 2007

Filmes de guerra

Numa frase: quanto dinheiro jogado fora! Que motivação fútil e beligerante é essa, do imaginário dum diretor desocupado, que o move a filmar uma película retratando os horrores de um conflito armado? Que monumento à vergonha histórica é essa de que os profissionais do cinema adoram se utilizar pra esparramarem numa tela sua verve dramática? O exagero em relação a isso na cultura estadunidense é tal que os malucos adoram encenar reconstituições da Guerra Civil, a céu aberto, como se fossem paradas. Voltando aos filmes, estudos de caso da desgraça humana como esse não estão sendo sumariamente condenados aqui: o que está é o arquétipo manjado por trás disso: mocinho é transferido prum destacamento qualquer, mocinho perde meia dúzida de amigos na primeira meia hora, mocinho consegue cumprir missão depois de alguns pipocos e alguns membros decepados ao relento depois. A profusão de palavrões é tal que estes parecem se tratar de um dialeto obscuro dos militares. As motivações de ambos lados raramente são tratados com maturidade e rapidamente a história desbanca prum bangue-bangue inconseqüente (que é um aforismo de quase tudo que você vai consumir, até o final de sua vida, da 'curtura' americana). Sem falar das pretensões artísticas incrustadas em algumas cenas de combate que mais parecem um ode ao sadismo do que algo relevante ao filme. Convém até inferir: talvez devamos louvar o fato de Tarantino jamais ter perdido seu tempo produzindo filmes de guerra...

Filmes em uma frase e nada mais

Certa vez visitei um blog espanhol com uma idéia fantástica: resumir, em uma frase, um filme. Naturalmente, o gênio por trás dessa brilhante idéia não perdoava e tripudiava a todos os gêneros da sétima arte. Eu, humildemente, venho por meio deste post brincar de crítico com a fantabulosa idéia do sujeito. Não, nunca me perdoarei por ter perdido a url. Eis alguns títulos que me atrevi a atacar inconseqüentemente:

O colecionador de ossos: qualquer episódio de CSI humilha a dobradinha Washington-Jolie.
O quinto elemento: Bruce Willis estava perdendo outra coisa além do cabelo...
Continuações' d'o Silêncio dos Inocentes: quando errar deixa de ser humano.
As horas: elenco escalado pelos equipe de marketing da Pfizer pra vender Valium...
Calígula: enquanto os atores do Buttman param pra tomar uma aguinha, as fogosas dos tempos dos césares continuam firme (ui) e forte...
Curtindo a vida adoidado: quando alguém da turma do fundão não termina como vendedor de sapatos...
Dança comigo: Richard Gere ensaiando pra Dança dos famosos do Faustão...
Dirty Dancing: Patrick Swayze ensaiando pra Dança dos famosos...
O último dos moicanos: um filme épico que cai no paradoxal quando os penteados de seus personagens tornam-se hype
The Truman show, o show da vida: Big Brother sem paredão e com o Jim Carrey (mais bizarro que isso, só se o Robin Williams estivesse nos créditos).
300: possível vídeo promocional da Crunch, multinacional do ramo de fitness.
Brokeback Mountain, o segredo de: do mundo de Marlboro ao mundinho purpurinado de duas bibas...
Moonwalker: no children were harmed or molested during the filming of this movie. Much.
As aventuras de Billy e Ted: raros momentos do cinema em que American pie parece poesia perto de certos crássicos da Sessão da tarde...
Armegedon: filminho tão pipoca que Marcos Pontes deve ter feito ponta como o figurante em Houston (com certeza, teria feito bem mais do que fez ao ser mandado pro espaço)
Simpsons, o filme: quando a Fox não se satisfaz mais em encher o saco com as reprises e os boxes de preços surreais, apela para a tela grande com mais do mesmo (se quisesse ver um detentor de barriga de chope contando piadinhas, bastaria ir a um churrasco em família). D'oh... consegui malhar um filme que ainda nem estreou. Eu sou o máximo, mesmo...
Bridget Jones: eu usaria o filme dela pra torturar prisioneiros de guerra, se fosse soldado servindo o Iraque (músicas do Metallica -- lembram do boato? -- são líricas perto dela)...
Em carne viva: prova cabal de que filmes água-com-açúcar não estão necessariamente entre as piores merdas que Meg Ryan já filmou...
Harry e Sally: sitcom genérica do Mad about you que tragicamente foi parar na telona.
Forrest Gump: caso clássico de esquizofrenia.
O demolidor: da época em que só jogador de basquete e a Sandra Bullock caíam na besteira de participar de filmes do Stallone.
Velozes e furiosos: nem no cinema escapo das reprises de Pimp my ride...
A reconquista: Asimov deve ter puxado a perna de Travolta depois dessa aberração...
Tudo em família: mais uma asneira balzaquiana da Sarah Jessica Parker que não assistirei (mais um que não vi e não gostei; impressionante...).
Beethoven: mais chato que todos os 101 dálmatas, e o gordinho dos Goonies passeando com eles, juntos!

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Tema: Involução e desumanização, algo assim

Ah, as coisas vagas e óbvias que escrevo pra rechear redação de concurso... mas isso não foi o mais inusitado: nunca imaginei que teria de me sujeitar a responder uma questão em cima duma letra do Black Eyed Peas. Mas fazer o quê, tem primeira vez pra tudo...

Num mundo globalizado, de mudanças rápidas e incertezas, as facilidades da vida moderna vêm isolando cada vez mais os homens. Não fisicamente, mas socialmente. Essa aldeia global em que vivemos, de distâncias cada vez menores e facilidades tecnológicas de toda sorte, está deixando nossa humanidade num segundo plano. Tudo se resumindo a botões. Guerras, há quem tenha tal pretensão, se reduziram a um planejado apertar de botões. Relações cotidianas, ao dedilhar num teclado.
Nossa geração saiu dum século que nos deixou imersos no ceticismo: falácias políticas justificaram genocídios. Lamentáveis atentados à vida humana, amparados a ideologias políticas desesperadas, ocorreram. A inocência das pessoas foi a nocaute: crenças políticas brincaram com a dignidade, o ufanismo e a vaidade de nações inteiras. Nunca nossa História foi tão interligada. Nunca nossas vidas estiveram tão à mercê das imprudências em âmbitos díspares como o econômico e o ecológico, por exemplo. Estamos involuindo porque perigosos tabus foram quebrados, nossos líderes nào estão sabendo tirar lições da História, e interesses excusos parecem, nesse ínterim, não se cansar de violar a dignidade alheia.
Não é que a modernidade nos tenha deixado arrogantes demais. Nossos líderes é que foram eficazes em perpetuar nossa alienação e nossa hipocrisia. Não nos vemos como coletividade porque o mundo nos assusta. Abrimos, cada vez mais, mão de coisas simples, em nome duma segurança efêmera. O Estado não previne, apenas pune. Não conseguiumos, no auge da nossa banalização, nos indignarmos com nossa desumanização. Eis uma grande derrota para a humanidade...

domingo, 13 de maio de 2007

Bandeira branca ao léu

Jamais vincule sua auto-estima a um amor que nunca vem. Vincule a seu amor-próprio, diga um oi à solidão e puxe uma cadeira ao lado da condescendência. E não espere nada dos outros: expectativa é como tique de jogador, chama atenção demais.

sábado, 12 de maio de 2007

Bronco way of life

_ Posso te ajudar?
_ Já está me ajudando: quietinha no seu canto, és fundamental para não me atrapalhar.
_ Sabe, estava pensando... [ao pé do ouvido]
_ Vai pro inferno! Tô ocupado agora...
_ Coloca aqui o texto do parágrafo segundo...
_ Você ainda tá falando comigo?

_ Você é daquelas pessoas que olho na rua com pena.
_ Tá, tudo bem, mas abre a porta do carro...
[andando a uns 15 por hora]
_ Vamos, abre logo: meu salto vai prender no asfalto daqui a pouco!
_ Vai ter que implorar saltitando...
_ Vamos, abre logo...
_ Daqui a pouco. Você ainda não está esbaforida o suficiente...

_ Não vai ser com essa blusa de oncinha que você vai me impressionar.
_ Está bem, pedaço de mal caminho.
_ Nem com essa bolsa de sacoleiro...

_ Oi, cheguei.
_ Afaste-se de mim! Se quisesse alguém cheirando a talco, entraria num berçário!
_ Gostou da minha colônia?
_ Colônia? Isso é hipoglós com gelol. Vade retro!

_ Eu vou pro céu. Sem escalas.
_ Por causa de quais dos chatos minando sua paciência?
_ Pode escolher... em meu programa de milhagens sempre cabe mais um.

_ O que te gabazita a ousar zizer que zezi zemais?
_ O fato de você estar tentando abrir esse Audi com a chave da sua Brasília, neste momento.

_ Cara, eu não entendo. Eu a trato pior que meu cachorro e ela continua falando comigo.
_ Tem gente que gosta...
_ Fala sério, não sou personagem do Nelson Rodrigues...

sábado, 5 de maio de 2007

Deviam fazer biscoitinhos da sorte com essa...

Finais felizes não passam de continuações felizes. Discos que ainda não furaram de tanto tocar na vitrola...

Músicas fim-de-festa

Gerações inteiras curtiram essas músicas um dia. E todas as gerações a ela posteriores só curtirão uma coisa com elas: fossa. O que foi o máximo um dia vai se tornar o degradante no futuro. Nada de novo aqui. O que torna uma música apta a ser definida fim-de-festa não é necessariamente a sonoridade ultrapassada ou as letras típicas da época em que foram compostas. Nem o fato de terem tocado nos anos 80. A merda é que as músicas falam de coisas que nunca mudam. Justamente no momento em que você menos precisa ser a respeito disso vaticinado, que é o final de uma festa. Aquele momento lastimável em que alguém está dormindo em cima do próprio vômito e as encalhadas estão tentando levantar o carona travado que mal consegue enxergar as próprias pernas. Sabe, o conceito por trás de festa é o sujeito se jogar em alguns momentos de rasa diversão lépida e abdicar de preocupações durante esse momento. Ao final disso, o que resta? Observar a parafernália necessária para que a índole coletiva seja conveniente manipulada para uma pretensamente homeopática propensão carnal. Casas noturnas dariam bons laboratórios... e museus. O que tem de música fim-de-festa com arranjos infames na mão de DJ por aí, vou te contar. Pensando bem, casas noturnas são currais. Não pelos suínos ao redor, mas pelo arrebanhamento: solidão de um untando o apetite hedonista do outro, com música fim-de-festa ao fundo para quando o repertório do DJ acabar. Definitivamente, fim de festa é como as sandices que passeiam pelo plano do pensamento: um punhado de sensações sublimadas te trazendo uma melancolia sem explicação lógica. E com a última frase descubro que acabo de desperdiçar caracteres demais com um assunto tão desprezível. Ia até colocar uns exemplos de músicas fim-de-festa, mas depois dessa...

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Treinando o escárnio

Hoje treinarei com... novelas! Sim, meu querido: com elas, o ganha-pão de papparazi, fofoqueiros de plantão e uma incontável corja de parasitas se alimentando da vida alheia. Gente que a RedeTv adora contratar, diga-se de passagem. Deve ser frustração por eles ainda não terem cometido a afronta de colocarem uma novela no ar...

Malhação: essa novela (sic) funciona mais como cabide de ator decadente, repartição pra parente de chefe e senzala de estagiário tratados pelo eufemismo de ator do que como novela propriamente dita. É uma espécie de Rebelde, só que sem o transado uniforme da trupe mexicana nem a trilha sonora. Que é um ponto em que economizam severamente: a novela (sic) em questão passou quase dez anos com a mesma indecorosa música do Charlie Brown Jr.! Vou te levaaaaaaarrrr... yeeeeeah.... te levar daquiiiiii...
Novela das 6: sai até poeira da tevê nesse horário. Só passa adaptações de novelas que já foram escritas, e as que não foram (a maioria por projetos de escritores como Walcyr Carrasco, que cansaram de se prostituir em meio ao mundinho lobista de nossas livrarias) são pífias o suficiente pra sequer serem reprisadas no Vale a pena ver de novo.
Novelas das 7: metade do elenco passará todos os capítulos 'economizando' figurino, para um exagerado deleite do público feminino. A pobreza do enredo será compensada por viravoltas, desencontros e confusões sem verossimilhança alguma que tentam (mas só tentam, mesmo) sugerir humor. Sem falar nos diálogos infantis que mais parecem ter saído duma stand up comedy. Não à toa, as crianças adoram ver tevê nesse horário. Numa década em que a pornochanchada não chegou a nossos dias, a galera da mão cabeluda é escolada pela grobo, sim senhor...
Novelas das 8: a fabulosa vida da classe média carioca será minuciosamente retratada. Só omitirão a cocaína entregue a domicílio nas festas mais badaladas, as preferências sexuais bizarras daquele ilustre morador da Tijuca, os testes do sofá, os assaltos relâmpago na linha vermelha e o que geral faz no morro quando seqüestra jornalista. Só vão mostrar coisas compatíveis com o conteúdo familiar que o horário exige: a patroa comendo o chofer, o chefe comendo a estagiária, o filhão usando heroína (só os fracos viciam na primeira, ora bolas), o subalterno humilhando alguém cujo ator foi convenientemente designado (e caracterizado) para o papel de coitadinho (brasileiro adora ver um fudido na vida tendo oportunidade de pisar no rabo do patrão sem ter de usar meios questionáveis para isso)... ah, e não se esqueçam do núcleo pobre da novela, que é onde quase todos os negros exigidos pra cota mínima são enfiados, e onde toca infindáveis versões do Raça Negra. Falar das novelas italianas e do interior me dispendiaria um tempo cujos gêneros não merecem; não esqueçamos que isto é só um treinamento.
Novelas da Record: tendo seu considerável passado na teledramaturgia constrangedoramente encerrado em seu longínquo acervo, a emissora do bispo se limita a contratar as sobras da grobo (gente que tá há anos na geladeira) e colocá-los em tramas triviais, bem lugar-comum, mesmo. Pensa numa telenovela barata em que cometeram o trágico desperdício de registrar em câmeras? Disso a Recó não passa.
Novelas do Sbt: difícil acreditar que o sovina do Senor já tentou produzir algumas pra angariar ibope. Sai mais barato comprar episódios do Rebelde. Mas é verdade, jovens. Naturalmente, a natureza imediatista (e precipitadamente corporativista) do patrão não deu tempo suficiente pra essa idéia ter ao menos a chance de vingar. Chega a ser inusitado ver como, apesar disso, a emissora voltou a ter um departamento de jornalismo (cuja atual presença não fede nem cheira, em parte por causa das contratações nesse setor). Os jornais dessa emissora mais parecem uma edição do Show de calouros. Sem brincadeira: já teve telejornal em que as pernas das apresentadoras apareciam, já teve gente em quadros de opinião que pareciam ter saído do programa do Tom Cavalcante (opinião prum canal de empregada? Faça-me o favor), e já teve quadros em que o telespectador, por telefone, opinava sobre algum elemento das atualidades (sim, tem gente que não sabe guardar sua alienação apenas para si).
Novelas da Band: a menos que você considere a cobertura esportiva acerca do drama por que o Corinthians passa para colocar gente que traga resultados em sua diretoria como uma novela, esquece. O canal do tio Saad sempre foi feito pro esporte, e é inegável ver a emissora desabando cada vez mais por causa de seus empresários teimosos demais pra perceber a sina da emissora. As mesas-redondas do canal são mais dramatúrgicas do que as sumárias investidas da Band em novelas, tenha certeza...

Devia ter dado o mesmo título ao post anterior... ah, já era.

terça-feira, 1 de maio de 2007

'Cansei de ser sexy' generation

A maioria dos músicos nacionais são tão musicalmente irrelevantes que não conseguem me irritar o suficiente pra ganhar minha expressa antipatia. Mas alguns se superam e não se contentam em untar suas letras com um discurso dadaísta (pra quê ter discurso num país em que as pessoas só chegam perto de palanque em showmícios?) que só tem sentido na cabeça do compositor: eles ousam se divulgar, se jogar de cabeça no mainstream das asneiras que atualmente se ouve (um assunto tão raso que essa é a segunda vez que tento escrever sobre música nacional). Alguns exemplares dessa minha lista negra:

Lobão: ah, o doce veneno da contradição foi injetado na veia desse veterano. Se vender não é o mais condenável em relação a ele (posar de rebelde não pega bem em quem já passou dos 40, e acústico é a desculpa perfeita pra artista esquecido lembrar o grande público de que ainda existe): o mais condenável são as bandas que ele ajudou a divulgar graças à sua revista, a OutraCoisa. Não é novidade que nosso meio musical anda tão tedioso que a cena independente parece tentadoramente urgir pra nos trazer novos ares. Mas é novidade um romanticozinho anti-jabá como ele promover aberrações como o Cachorro Grande. Por essa eu nunca te perdoarei, lobo velho. Teria ganho mais se escondendo na toca de seu ostracismo.
Engenheiros do Hawaii: eu devia ser sucinto e condenar a banda pelo simples fato de serem gaúchos. Mas darei mais detalhes de minha posição xiita: pior que bandinha de faculdade -- e suas brilhantes asneiras holistas e espasmos de juventude afogada em conceitos alheios à sua geração -- conseguir sair do mundinho dos corredores de universidades públicas é quando ela ganha status de banda politizada e cult. Quando lembro de que já tive professor na minha falida faculdade, recém-formado, falando todo orgulhoso de sua monografia sobre uma análise do repertório de Humberto Gessinger, tenho vontade de suicidá-lo com um CD da Ana Carolina (uma forma de torturá-lo por meio da privação de sono, naturalmente).
Nando Reis (mas pode incluir qualquer um dos outros Titãs aqui): faz o mesmo som oitentista e pré-adolescente há mais de vinte anos e ainda o tratam como um gênio. Ele é como qualquer coisa feita nos anos 80: merece ficar enterrado lá. Essa mania de gravadora de ficar exumando artista dessa época atrás duns trocados, já nos rendeu aberrações e pecados como acústicos de gente como o Capital Inicial. Nem ia citar o Nando Reis, uma vez que o som dele realmente é irrelevante o suficiente preu mal lembrar que ele existe, mas ao menos a menção dele serviu pruma eficaz generalização.