sábado, 31 de março de 2007

Parental advisory: explicit antipathy

_ Não gosto de você.
_ Não precisa gostar...
_ Babaca...
_ Eu deixo você me odiar, não se preocupe...
_ Você se acha a última bolacha do pacote, não é mesmo?
_ Não, me acho o último pacote de bolacha.

_ Chama esses cascos roídos de unha?
_ Afe, não vou falar nada.
_ Que bom: não fala, mesmo... ocupe essa boquinha roendo essas garras em vez de deixar meus ouvidos dormentes com sua voz renitente.

_ Por favor, vamos tentar mais uma vez.
_ Porquê? Voce é insignificante a ponto de eu nem ter vontade de te odiar...
_ Mas eu ainda te amo...
_ Que perda de tempo, a sua.

_ Eu te usei.
_ Eu sei, tenho as marcas dos fios de marionete nas costas até hoje.
_ Lógico que tem! Fazíamos body suspension juntos, lembra?
_ É, mas marcas de arreio só eu tenho...

Alhos sem bugalhos

Numa boa: quando você vincular amor a orgulho, comece a ter pena de si mesmo. A poucos o orgulho cai bem... amor é coisa que despenca. Amor-próprio, que flutua.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Pode clicar que não é vírus

Siga as instruções para o arquivo de áudio disposto no link a seguir:
* Brigue desnecessariamente com alguém ao longo de seu dia;
* Seja inconseqüente de forma a voltar pra casa com alguma sorte de remorso;
* Beba um energético;
* Sente-se em frente ao computador;
* Coloque seus fones de ouvido;
* Fique no Msn até altas horas;
* Dê o play...

Pronto! Em poucos passos remoeste das profundezas (em grande estilo) de seu inconsciente uma poderosa metáfora de quem puxará sua ficha no dia do Julgamento Final. Mais emocionante que Roberto Justus demitindo estagiários. Mais soturno que os filmes épicos do Mel Gibson. Mais apavorante que tirar nota baixa no primeiro grau. Menos pirotécnico do que vídeos da Samara. Clique, ouça, emocione-se, estarreça-se... só não espere a Semana do Presidente depois que a gravação terminar!...

"Eu vou me separar dela, juro!"

_ Ela jamais me magoaria...
_ Isso não depende das pessoas, seu merda!

(...)

_ Depende de mim?
_ Você podia ter ficado quieto, sabia?

(...)

_ Confiança é como RG: pessoal e intransferível.
_ Falar por metáforas não é o seu forte, sabia?

quinta-feira, 29 de março de 2007

Seu algoz, sua evasão

Não é tão difícil assim se esbarrar na impressão de que o amor é uma droga lisérgica. O inconveniente por ora é que ainda não se têm substâncias às quais podemos atribuir culpa à proveniência dos princípios ativos por isso responsável. No caso, a proveniência de tais substâncias seria orgânica. Seu corpo, seu algoz. Durante séculos e séculos, a depressão era sumariamente rotulada de melancolia e vista como um mero estado de crescimento pessoal do indivíduo, fomentada por espasmos de crise existencial. Uma noção cisória dessas poderia vir a surgir a respeito do amor? Imaginem séculos e séculos de literatura reduzidos a meras descrições de uma patologia que nossas vãs ciências tanto custaram a perceber. O que será que se passou na cabeça dos grandes escritores do século XX quando aquele médico austríaco trouxe ao mundo a Psicanálise? Talvez eles tenham pensado: "putz, toda a pirotecnia que faço em cima de meus romances não passa de mera sublimação de meus mais infundados recalques?" É, o século passado não deve ter sido fácil para os frustrados (leia-se artistas), nus perante a ciência (esta comendo filosofia no café-da-manhã), vendo seus idílicos ensaios sendo esmagados ante a mil acasos oníricos e diversos calcanhares-de-aquiles em sua própria psique. O que não falta a artista são escapismos, então pergunto retoricamente: o amor não passa de evasão?

Brasileiro demais

O maior problema de nosso atual presidente não é não ter ensino superior, nem ser petista, muito menos não saber de nada. O que mata é que ele é brasileiro demais pra nos governar. Creio que os estadunidenses me entendam, dado o beligerante bronco sentado na Casa Branca neste momento. Não chega a ser um disparate, o que digo: creio até ser ideal que um líder nato saiba se afastar do estado de espírito do povo que governa, para podar em si, no talo, a transitividade entre a natureza de ser de uma nacionalidade e a natureza política necessária pra se fazer levado a sério. Não à toa, os melhores líderes que o Brasil Colônia teve, por exemplo, eram todos de fora. Penso em Calabar mais como empreendedor do que traidor. Causas e códigos de honra podem ser traídos, mas paremos pra pensar: seu conceito ético era regido pelo estado de espírito da colônia onde vivia ou pela sua natureza política? Será que ao menos ambos existiam? Hoje em dia não podemos imaginar o que é viver num curral sovado por bandeirantes e degredados. Mentira, podemos sim: somos um ninho de refugiados políticos e de gente que protesta mais calorosamente contra o bloqueio do Youtube do que por causas não-fantasiosas. O que poderia se esperar de uma nação de degregados ideológicos? Sem condecorações históricas de quaisquer espécies para se ancorar nem um mínimo de capacidade de se sentir acima do paternalismo que os doma? Em suma: somos brasileiros demais pra sermos respeitados até por nós mesmos...

segunda-feira, 26 de março de 2007

Nostalgia é coisa de maus-perdedores?

Quando, em algum momento de sua vida, você se perguntar se faria tudo de novo, lembre-se também de se perguntar: e lá eu conseguiria fazer diferente?

Larica filosófica

Uma coisa interessante da sociedade ocidental é conseguir transformar coisas elucidativas da vida em objetos de erudição completamente inúteis. Como a filosofia. A menos que você não ande e cague pro que aquele filósofo alemão pensa sobre o sentido da vida, claro. Mas ao contrário dele, você tem vida sexual, então resigne-se a concordar comigo. Os orientais tiveram gente como Confúcio; nós, gente como Nietzche, o tipo de esclerosado vítima de uma época em que ainda não vendiam Ritalin nas farmácias. Isso porque ainda nem quis pisar na Literatura dessa vez...

Começando

A inspiração de onde o título do blog vem me parece óbvia demais pra cá escancarar. Mas como já cansei de subestimar a ignorância alheia, digo-lhes mesmo assim: há um livro de bolso muito comum entre os brasileiros, escrito pelo escritor espírita C. Torres Pastorino, que se presta a trazer a seus leitores mensagens edificantes sobre variados estados de espírito do leitor. Neste espaço não me prezo a nada: apenas à indiferença, talvez. Em todo caso, confiram o que tenho a dizer (ou não) por cá. Os minutos daqui podem não ser de sabedoria, mas decerto são de provocações. O Abu ficaria orgulhoso, hohoho. O Pastorino com certeza não.