sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Videokê é para os fracos!

Vídeos de personagens de sitcom fazendo covers hilários, taí minha nova coleção bizarra. Abaixo, meu novo achado, trazido até vocês por Zach Braff e sua bem-vinda falta de senso de ridículo:




Há milhares de outros exemplos, alguns ainda não disponíveis. Por exemplo, o Fez cantando 'and I ran' no episódio de That '70s show em que Eric tem a oportunidade de ver como seria sua vida sem nunca ter conhecido a Donna. Ou então aquele episódio de Friends em que Joey quer mostrar à nana que apareceu num filme, mas cortaram a cena em que aparecia. Para não decepcionar a velha, ele pega uma fita de vídeo em seu apartamento. O que aparece na fita é inusitado: Chandler fazendo cover de Space Oddity, do David Bowie. Pra ficar nesses dois exemplos, fico por aqui.


Por esse ano é só. Vejo vocês em 2008. Se beber, dirija. Afinal de contas, uma hora o engradado acaba e alguém precisa comprar mais, ora bolas...

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Tabajara reloaded

Cansado da mesma pelada de fim-de-semana sem emoção, sem replays, sem uma narração envolvente? Cansado de ter suas partidas embaladas pelo som dos vizinhos da rua de baixo roubando som dos carros nas proximidades enquanto você põe em prática suas jogadas ensaiadas? Pois agora seus problemas ACABARAM! Chegou o incrível e revolucionário Leo Batista Narration Generator Tabajara! Com o Leo Batista Narration Generator Tabajara, suas partidas na quadra da praça, no terreno baldio da esquina ou no gramado do clube nunca mais serão as mesmas! Aquele clima de final de campeonato recheado de chavões e fabulosas descrições que nada têm a ver com sua performance em campo darão aquele up durante o futebol do fim-de-semana.

Vejam uma amostra do Leo Batista Narration Generator Tabajara:

[após sofrer uma falta perto da pequena área]
_ Edinaldo é derrubado durante o ataque. Josinelson cobra com categoria no cantinho do gol.

[após um gol de cobertura]
_ Josinelson chuta de fora da área sem chances de defesa pro goleiro Adhemilson.

[cobrança de pênalti]
_ Josinelson recebe falta de Uóxito. Penalidade máxima. Edinaldo cobra e converte pro América de Vila Nova.

[empate]
_ Edinaldo passa pela zaga, toca pra Gumercindo que bate no cantinho do gol. Tudo igual pro Grêmio de Santa Maria do Norte.


Viu só? Com o Leo Batista Narration Generator Tabajara, a torcida terá um motivo a mais pra ir a seus jogos caçar briga com torcida adversária, aumentar os índices de violência na região e roubar bonés de camisas de torcedores da equipe adversária, em vez de ficar em casa fazendo algo melhor. E não é só isso: levando agora o Leo Batista Narration Generator Tabajara, você ainda ganha, totalmente de grátis, e sem nenhum custo adicional, o sensacional Cléber Machado Narration Sem-sal Generator Tabajara, para aquelas partidas cheias de pernas-de-pau e equipes de torcidas pequenas que ninguém assiste: apenas o próprio Cléber Machado e as pobres almas da equipe do Sportv que são pagas pra acompanhar os jogos das séries B e C.

Então não perca mais tempo! Peça hoje mesmo o seu Leo Batista Narration Generator Tabajara. Mais um produto com a questionável qualidade das...

Organizações Tabajara


Eu devia ser o novo redator dos Cassetas, porque do jeito que o programinha deles está... sodade do tempo em que não ficavam só fazendo piadinha com labaredas...

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Coisas patéticas dessa vida besta nossa de cada dia

* Mulher desquitada;
* Fórmulas televisivas revisitadas pelo Sbt;
* Velhos que xingam;
* Bandas de rock com mais de dez anos de estrada;
* Filmes escatológicos;
* A política externa de Hugo Chávez (redundância, redundância);
* Finais de semana em família virando caixas e mais caixas de cerveja no quintal debaixo da mangueira;
* Hinos de times de futebol;
* Discurso de torcedor de time rebaixado;
* Vinhetas entre os blocos de filmes da Grobo feitas após 97;
* Propagandas da Colgate;
* Créditos "gratuitos" que operadora de telefone oferece tentando mendigar seu dindin;
* Artista achando que sua opinião sobre atualidades vale alguma coisa em entrevistas;
* Os brilhantes argumentos usados por pedintes;
* Fãs do Cansei de ser sexy;
* Couverts tentando improvisar;
* Músicas infantis, cunhadas em cima de vários estereótipos e formas veladas de ódio;
* Filhos dos outros invadindo seu espaço sonoro;
* Gente que usa referências culturais sem fazer a mínima idéia do que se trata;
* Gente que convence os filhos da existência de Papai-noel

Hipotéticas chamadas do narrador da Sessão da Tarde

Essa turminha vai ficar com cara de paisagem no Japão, sem aprontar confusão alguma, num clima de muuuita azaração.

Esse garoto do mal vai aprontar todas, arrumar altas confusões e se dar muito mal com essa turminha da pesada.

Essa balzaca vai te encher o saco por quase duas horas de projeção, vai usar a calcinha da avó e aprontar altas confusões fantasiada de coelhinha.


Ano que vem dou as respostas dos filmes... =)

Nostalgia em bits


Fui da geração SNES. Tempos em que a juventude tinha acesso mais fácil a videogames, a controles realmente ergonômicos e a jogos que compensavam suas limitações gráficas com premissas fantásticas. Mas não se enganem, não falarei aqui sobre algum cRássico do meu estimado SNES, cujo console guardo com estima até hoje em meu quarto e não vendo por nada. Falarei sobre um genérico do Street fighter que chegou a minhas mãos na época. Porque na minha infância as locadoras funcionavam assim: elas só compravam fitas originais das softhouses mais experientes; de todo o resto, compravam versões piratas, mesmo. Não diria estritamente pirata por o termo soar simplista à época: com isso, quero dizer que a maioria dos jogos que tínhamos à disposição eram cartuchos que provavelmente eram comprados por preços bem mais convidativos pelos donos das locadoras por, provavelmente, ser fitas reprovadas pelos padrões de qualidade das softhouses mas que eram passados pra frente mesmo assim. Ixe, quanta jogo medonho eu joguei por causa desse condenável hábito do dono da locadora aqui perto de casa...

Por exemplo, tinha a fita do Alladin com um bug que tornava o chefe da terceira fase inderrotável: ele repetia infinitamente um mesmo ataque com sua cimitarra, e mesmo quando recorria a passwords para o último chefe, o que acontecia? A última fase INTEIRA era bichada! Um fundo laranja dominava a tela e nosso herói se machucava misteriosamente sem sequer sair do lugar. Ou então, como descrever minha frustração, ao alugar tantas vezes o jogo Rabbit Rampage (uma das franquias da Warner que a finada Sunsoft produziu com esmero; Road Runner é jóia rara), só pra descobrir que a porra da fita também era bichada e que o último chefe simplesmente não aparecia; apenas o cinematic (animação usada para, por exemplo, introduzir um evento novo na trama jogo) antes dele rolava e nada do puto aparecer! Mas nem tudo foi imersão à mediocridade em minhas incorrências videogamísticas: ô época boa em que, pra ficar num exemplo, aluguei Megaman X pelo menos umas doze vezes pra conseguir derrotar aquele maldito boss. Sim, Sigma me deu um trabalho do cão na época. A sensação de dever cumprido é insubstituível. Eu sei que esse é o jogo mais fácil da franquia da Capcom, mas o gostinho de salvar o mundo sob o pixelado poder de fogo do X-Buster é uma daquelas vãs glórias que levarei comigo pelo resto de meus irrelevantes dias... esses dias joguei a coletânea com seis jogos da fraquia X lançada pro PS2; detonei o X em uma hora e quinze minutos jogando direto. O X2 demorei alguns dias. Um dia tomo vergonha na cara e detono o resto...

Findo esse flashback, lembro-me do que me trouxe até aqui. Trago à tona, para todos vocês, Power moves (Deadly moves para a versão da Sega)! O primeiro e último jogo da Kaneko que tive o desprazer de jogar! Apenas um personagem é selecionável no Story Mode: Joe, um genérico do Ryu. Todos os outros personagens, também pálidos genéricos inspirados no inegável divisor de águas da Capcom. Os estágios até que eram criativos, as telas após vitórias e derrotas tinham uma certa melancolia com aquele fade que deixava o fundo -- exceto o personagem -- em tons de cinza, mas obviamente o jogo não era assim uma Brastemp e poucos se lembram dele. Apenas desavisados como eu, claro, que caíam naqueles contos do vigário de usarem fitas com dois jogos ou mais, que aproveitavam o espaço reserva em cartuchos pros piratas entupirem o hardware com jogos medíocres e faturarem um troquinho em cima de você...

Sinto que ainda escreverei ulteriores posts a respeito de prescindíveis jogos de minha infância. Vocês vão ter que me engolir!!! Tem jogo tão underground que nem a Wikipedia ou o Moby Games têm informações substanciais a respeito (ainda hei de dar uma mãozinha a eles e colaborar com o que sei sobre o jogo, hohoho). Jogos como Harley's Humongous Adventure não me deixam mentir. Tente imaginar um jogo side-scrolling/plataforma produzido pela Electronic Arts. Pois é, antes de eles se consagrarem no ramo dos jogos esportivos, eles tiveram esse lançamento em seu passado pra condená-los. E o que dizer da versão pro SNEs de Onde está Wally? Aiai, melhor para por aqui: esse é daquele tipo de post cujo assunto não se esgota em um texto só. Como quase tudo que escrevo, dada minha maestria em encher lingüica, mas vocês entenderam o que quis dizer...

sábado, 22 de dezembro de 2007

Definições

A.ti.tu.de: 1. comportamento diferente. 2. rebeldia infundada. 3. alargamento de tabus. 4. dadaísmo fora de hora. 5. quebra de padrão comportamental. 6. seqüelas da ociosidade alheia. 6. manifestação pessoal ou coletiva usada para fins mercadológicos. 7. disfarce de ideologia usado por coisas/pessoas que não têm o que dizer.


Pre.con.cei.to:
ato de se (querer) legitimar conceitos atraente e virtuosos demais para merecer o pragmatismo ao qual são envoltos

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Pequenas impressões da vida

* Ainda bem que TV não tem cheiro. Pra mim, o olfato é o sentido que mais vulgariza a experiência humana. Parem pra pensar em quantas vezes os feromônios bagunçaram seu juízo. E em quantas os odores favoreceram pré-conceitos e estipularam sensações desnecessárias. Pois é.

* O que eu mais gosto de, quando assisto a um vídeo, é dar pausa quando os personagens estão fazendo alguma feição cônica enquanto falam. Sites como o Youtube e seus previews de vídeos são paraíso disso: já que eles usam um frame retirado da exata metade do tempo de reprodução do vídeo para que o usuário tenha uma noção do que esperar do vídeo a ser visto, o site vira prato cheio da espontaneidade: pra quê tomadas bem-feitas se posso encontrar peculiares feições alheias me entretendo?

* Porque as pessoas têm preconceito com restinhos? Aqui em casa a geladeira sempre tem restinho de tudo: de frasco de iogurte, de jarra de suco, de cebola, de dente de alho, de pimentão, de caixa de leite vazia (o que leva a certas pessoas a considerarem a ausência de matéria como restinho está além de minha vã compreensão de mundo)... odeio coisas ocupando espaço à toa só porque os outros não gostam de desperdício!

* Sensação de que a vida nunca começa. Dizia Shakespeare que a vida é um teatro. Só não me pergunte quando o ensaio acaba...

* Imagem e ação não é um jogo pra menores. Que tipo de jogo é esse que te faz realizar mímica para os participantes tentarem adivinhar a pessoa de... Carlos Zéfiro? Pois é. Não bastasse o desafio de personificar seus gestos corporais, ainda teve o extra de eu personificar o que os leitores dele faziam com seus catecismos. Tudo muito instrutivo... =p

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Quando vou crescer?

A juventude é uma corrida para o qual nunca se olha para trás. Você é o coelho, adivinha o que/quem é a tartaruga?

Fui daquelas crianças que nunca teve vontade de crescer. Era sempre o mesmo nadar contra a corrente, as distintas fases de minha vida besta rumo ao cadafalso da vida adulta. Por exemplo: quando finalmente permitiam que eu usasse caneta para copiar a matéria no ginásio, eu insistia em usar o lápis. Quando finalmente podia voltar mais tarde pra casa, não fazia questão de fazê-lo. Quando finalmente podia beber nas festas familiares, também não fazia questão (se for pra agüentar papo de pileque, que seja entre amigos). E por aí vai. O que resta hoje em dia, dessa sucessão de pequenas irrelevantes conquistas, não é uma lacuna. Não é uma sensação de que poderia ter aproveitado mais. É a de que ninguém a meu redor naqueles tempos parecia ter qualquer tipo de introspecção. Como se apenas aquele mundo de objetos e consumo devesse ser suficiente preu usar como critério de satisfação. Como se apenas o último tazo ou o último boneco de ação fossem relevantes.

A merda de ter menos de 15 anos e não ter vida social (redundância) é isso: enquanto você se esconde no quarto atrás de um joystick pra não ter de falar com as visitas, não percebe que aquele monte de aparatos que só servem pra arrancar dinheiro de seus velhos, e te fazer querer coisas das quais não precisa, geram em ti desnecessárias nostalgias e amarras (os velhos querem te prender no ninho o máximo possível). Essa idade (menos de 15 anos) é de desertores da infância. Desertores dum estado de espírito que (felizmente) te privava de ambições, etiquetas e certos discernimentos. A infância é o homem em estado bruto, uma tábula rasa que os pais se esmeram em preencher com ética e valores, mas descuidam em rubricar com sociabilidade. Filhos são mármore a se lapidar, e não a se polir. A pressa em crescer da maioria desses pequenos desertores é uma desesperada tentativa de fuga de desajustes e incômodos ante seus pequenos grupos sociais. Mal sabem eles que jamais poderão fugir de si mesmos: motivação, auto-estima, quanta coisa a se carregar nas costas. Esses pequenos desertores perderão todo o vigor de seus pequenos hábitos de catarse. E nem perceberão; se limitarão a chamar isso de nostalgia em suas vidas adultas. Ser criança só é fácil quando se chega a idades em que o corpo reclama da própria quilometragem...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Fazer a hora

Já houve tempo em que pensava o amor como a uma cota. Se gastá-la toda com a pessoa errada, já era. Da forma que eu presumia, com isso perderia-se toda a capacidade de se envolver novamente.

Naturalmente, o tempo passa, cura várias ressacas (morais, afetivas, pessoais, sociais) e te prova o contrário. De repente algo que te deixa radiante começa a se fazer ver em si. Você se sente mais agradável consigo mesmo. Começa a não se incomodar mais com coisas que as primeiras impressões tratam imediatamente de te ressabiar. Mas nas primeiras vezes em que começamos a gostar de alguém, essas sensações saem do controle. Uma sensação de constante abstinência, que contraria a certeza de que não há dependência alguma envolvida, te domina. Uma abstração somática que te deixa cego, por mais paradoxal que isso seja.

Naturalmente, o tempo passa, traz consigo várias situações impossíveis e te prova o contrário. Você percebe uma faculdade a ser desenvolvida em si, há tempos negligenciada: o amor-próprio. O primeiro e último amor de todos nós. Até você reencontrá-lo, te encontrarás se escondendo o tempo todo de tudo que te magoa. Se resguardando com recursos para afastar supostas aproximações. Se escondendo em lugares que todos podem te encontrar mas você não percebe. Passado esse retiro de si mesmo, o conveniente território de sua mente é invadido. Você começará a pensar naquele alguém com freqüência e forma diferentes do habitual. É o coração impondo suas tradições ao território recém-invadido, pilhando e saqueando várias de suas defesas. O amor é egoísta, e não cogita ceder autonomia aonde se instala.

Naturalmente, o tempo passa, traz consigo de volta várias hesitações e trágicas formas de defesa alheias, recíprocas às vezes. Não há tréguas, ao passo que apenas a exposição parece ser a alternativa restante. Abrir o peito e lutar contra a sorte. Sem pensar se ela já está lá ou se é você quem a fará. Pensar pra quê? Esse teritório não te pertence mais. Pelo menos não com a autonomia de antes. Esses invasores nunca defendem, apenas atacam. Talvez apenas a diplomacia reste. Afinal de contas, romance é cigano. Amor não: encontre a soberania nesse território e pouca diferença fará de que lado você venha a estar neste envolvente conflito. Todos os caminhos levam a Roma...


Esse post está meio à la Joseph Klimer, repararam? =p

Estado de espírito de hoje:

Deixando a vida em piloto automático...

domingo, 18 de novembro de 2007

Bloco de notas (V)

Duas amostras de minha memória fotográfica...

_ Oi, você é a Mayara?
_ Não, sou a irmã dela.
_ Vocês são gêmeas?
_ Não...

[mostrando perfil dum conhecido nosso com quem estudamos]
_ Olha só essa foto... reconhece a figura?
[dez segundos depois]
_ Cara, estudamos com ele há mais de três meses.
[dois segundos depois]
_ O Bruno, porra! Não lembra?
_ Aaaahhh...


...e uma de dicção alheia:

[digita na tela do computador, em um texto]
> Nessecidade
[apaga e corrige]
> Nessescidade
[apaga novamente e corrige]
> Nescessidade
[e eu do lado observando tudo, me segurando...]


E agora, mais algumas dicas de moda:
* Fala, fronhinha! [para menina com blusa azul bem escuro, de tecido liso, parecido com seda]
* Ainda estou pra entender o que se passa na cabeça de meninas que usam cortes de cabelo do século passado... [para menina querendo pagar uma de pinup com laquê em seu novo corte Chanel]
* Bolinhas... [para meninas abusando do meu fraco: bolinhas...]


Aviso para os supostos leitores dessa bagaça: só volto ano que vem. Minha cota de textos para esse ano já foi atingida. Portanto, pra não ficarem catando milho aqui, assinem meu feed RSS e sejam felizes. Até o ano que vem, são exatos 45 dias. Tempo suficiente pra preparar posts que não sejam totalmente inúteis. Fecho este ano com uma média mensal de 13 posts. Passeiem pelos arquivos com a certeza de que poderiam estar lendo coisa pior. Hasta la vista, baby...!


Sim, mudei de idéia. Às vezes os hiatos criativos terminam antes do que esperamos... enfim, sem mais desculpa esfarrapada, voltamos à programação (a)normal.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Filosofia de pano de prato

Deus é a paz que você procura. A mulher, inquietação que você acha.
A verdade ilumina. A mentira é gerador pra mantê-la acesa.
Eu e minha casa serviremos ao Senhor. Até porque todo o resto não servirá pra mais nada, mesmo... frasezinha mais feudalista, essa.

Nossa, só frase de cunho religioso. Até na cozinha padre tem seus meios de arrebanhar fiel e acalmá-lo ante suas ridícula existência...

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Hábitos virtuais...

...e implicações psicológicas das quais prefiro não começar a cogitar
* Gravar fotos de desconhecidos no computador;
* Dar mais credibilidade a textos com pontos-de-vista criativos do que a textos acadêmicos;
* Memorizar as mais obscuras referências em filmes, imagens e textos e, a partir delas, ramificar suas preferências em direção a coisas que ignorava há pouco;
* Contendas virtuais. Uma comunidade de cada vez. Uma vez ao trimestre, em média. Ou mais...;
* Confirmar a veracidade de dicas de filmes e músicas que lhes são repassadas por meio de críticas;
* Descobrir o afrodisíaco em coisas estranhas;
* Confirmar, qualquer que seja a forma, que pessoas interessantes se repelem, infelizmente. E que as que não são opostas, se repelem mais ainda;
* Evitar bookmarks. Rss são melhores;
* Desdenhar o e-mail, o sistema virtual de troca de mensagens mais capenga de todos os tempos;
* Brincar de censor. Apagar informações que não te interessam em seus espaços virtuais e ter acesso a vídeos e músicas polêmicos que, antes do computador, apenas os mal-comidos responsáveis oficialmente por censuras, tinham acesso.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Nascer mulher não tem graça...

Do site do Fantástico:


O isolamento foi capaz de esconder um fenômeno ainda hoje desconhecido, que teve origem séculos atrás, no norte da Albânia: mulheres que se comportam como homens. Elas cortam os cabelos, vestem-se como machos e fazem um juramento de virgindade, porque esta é a tradição.

“Eu sou uma virgem jurada”, conta uma delas.

Saímos de Tirana, capital do pequeno país balcânico de 3,5 milhões de habitantes. A caminho do norte, onde vivem as mulheres-homens, a nação islâmica tem mais cor. Nessas montanhas, um dia existiu um código de honra que ainda hoje inspira os moradores do lugar. Conhecemos Lule em uma igreja. Aos 53 anos, a encanadora está desempregada. Lule diz que no passado as mulheres do campo não tinham nenhum direito. Tornar-se homem era uma tentativa desesperada para sobreviver ou fugir da exploração.

"Para o macho, a vida é mais simples. A mulher tinha que trabalhar em casa e na terra. Os esforços físicos eram feitos pelas mulheres, mais escravas do que seres humanos”, explica Lule.

Elas eram impedidas até de herdar propriedades. Os homens faziam livremente o que queriam, quando desejavam. A conversão é prevista no Kanun, o código de honra medieval, de ética cristã, que contém as regras criadas pelos camponeses do norte da Albânia. O Kanun reconhece o direito da mulher de proclamar-se homem, de comportar-se socialmente como um homem e de conquistar todos os direitos reservados exclusivamente aos homens. O preço é a renúncia definitiva à maternidade, ao casamento, ao sexo. Uma virgem jurada deve manter uma vida celibatária para sempre.Foi assim que, aos 15 anos, Lule vestiu as calças compridas e aprendeu a conduzir um trator. Os pais ficaram felizes. Tinham dez filhas e apenas um menino. Lule tornou-se o segundo homem da família. Quando guiou pela primeira vez, sentiu o mundo nas mãos. Se ela tem namorada? “Não”, responde. "O meu afeto vai para os amigos".

Vida tem 70 anos, vividos com a liberdade de um homem de sociedade patriarcal e com a castidade de um monge. "Talvez eu seja fêmea, mas não me sinto mulher. Eu me considero mais um braço para trabalhar e ajudar”, diz. Vida passou os anos caçando e lidando com motores. Não se arrepende. Para fugir de um futuro marido imposto sem ferir a honra da família, fez os votos de homem.

"Quando tomei a decisão, 55 anos atrás, acho que choquei as pessoas, mas as mulheres já usavam calças embaixo das saias na lavoura. Fui também a primeira a andar de bicicleta neste povoado”, lembra.

Lendita, de 46 anos é muçulmana. Não vai à mesquita e nunca leu o Alcorão. Vive modestamente com a pensão da mãe. Foi por ela que muito cedo mudou de identidade. "Eu tinha 5 anos. Aconteceu uma tragédia na minha família. O meu pai morreu e então assumi o lugar dele para cuidar da minha mãe, porque ela não tinha filho homem”, explica.

Lendita passou sete anos na prisão por ter falado mal do regime stalinista. Hoje escreve suas histórias do cárcere. Gosta do que era proibido às mulheres, como o raki, a cachaça albanesa. Sem luz elétrica, Vida divide com amigos raki e tabaco. Na Albânia, elas são menos de 30, talvez as últimas virgens juradas.

"Não se pode voltar atrás. No passado, o juramento era feito diante das 12 pessoas mais velhas do povoado. Significava um papel assumido na sociedade, que não podia ser abandonado sem punição. O desprezo seria tão grande que era pior do que morrer”, observa o sociólogo Leke Sokóli.

"Jurei para mim mesma. E é para toda a vida”, garante Lule.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Pobreza viciosa

Ser pobre não é ruim, o ruim é quando a resignação a isso chega a tal ponto que sua alma torna-se tão barata que ninguém deseja comprá-la. Quando sua incapacidade ante quaisquer mecanismos sociais de subsistência é gritante. Quando sua única razão de existir é a de justificar o salário do assistente social fingindo se importar contigo para que sua presença como pedinte não machuque os olhos da classe média alta). Ser totalmente desprovido de dignidade e metas normais à maioria das pessoas é de um desapego às coisas materiais que apenas messias, profetas, monges e outras entidades religiosas entenderiam. Tem gente cuja existência é tão irrelevante que em absolutamente nada contribui à sociedade. Impostos, trabalhos indesejáveis, família, em nada eles são relevantes. Antes fosse; só atrapalham o mundo com uma prole de tamanho desconhecido, falta de formação pra tudo e existência tão desesperadora a ponto de gerar uma bestialização em sua personalidade.

Não estou dizendo que essa gente é a única culpada por sua infeliz existência. Organismos geridos por gente que vendeu a alma ao diabo, simpático representante de vendas do submundo, fazem isso muito bem. Mas estou dizendo que há gente, já desprovida de tantas coisas, que deixam de ser aptas a viver em sociedade. Algumas voluntariamente, o que é pior: quanta gente por aí que deixa de trabalhar por causa do Bolsa-família, Bolsa-gás, Bolsa-escola e outras constrangedoras esmolas do governo? Assim, as autoridades até que tentam arrebanhar esses exemplares indesejados de nossa sociedade, esses insumos da desigualdade social, com albergues, programas habitacionais e toda sorte de projetos sociais, mas tem gente lisa, que a nada disso consegue-se manter a pessoa ocupada. Gente que simplesmente se recusa a trabalhar ou, de alguma forma, se mostrar úteis. Gente que prefere viver nas ruas até perder o nariz de tanto cheirar e obrigar os filhos a mendigar quando a degradante vida nas ruas lhes minar a saúde.

Exemplos concretos? Flanelinhas que cuidam do seu carro sem serem solicitados. Além de ser um tipo de "ocupação" que incentiva perigosamente a informalidade, é o tipo de coisa que já legitimou no imaginário popular o trabalho dessa gentalha. Como se as ruas de toda uma cidade fossem uma enorme zona de prostituição livres pra quem bem entender pegar um trecho, chamar de ponto e começar a cobrar. Outro exemplo? Retirantes. Gente que vive em regiões de climas hostis do país e emigram para outras sem nada a oferecer. Não existe terra de oportunidades, existe terra de oportunismo. De gente que empreende até ter condições de manter seu patrimônio com gente que nunca perceberá essa realidade. Outro exemplo: pedintes (os voluntários, que se recusam a buscar trabalho), inclusive os com algum tipo de deficiência/doença (que posam de coitadinho). Usar da compaixão alheia pra ganhar uns trocados? Porra, isso é uma prostituição moral. Se desprovir de qualquer tipo de orgulho e dignidade pra isso é deixar de ser um ser social. A pessoa deixou de ser cidadão quando se sujeita a depender de capital alheio pra comprar pinga. Toda sociedade é um ecossistema, e quando se passa a apenas extrair pra nada a ela retornar, algo está errado.

Tem país que não admite mendigagem sob hipótese alguma. Nosso país não, parece incentivar a degradação humana ao ser conivente com isso. Parece se sentir confortável em ficar nessa política de morde-e-assopra com seus pobres sem se importar com o ocasional transbordar dessa pobreza que ninguém quer ver. Nós incentivamos o conformismo. Incentivamos o hábito de não buscarmos as coisas com nossas próprias mãos e pensarmos por nós mesmos. Incentivamos o hábito de nos fazermos dependentes do paternalismo e do assistencialismo preguiçoso usado como álibi pra justificar voto. Ignoramos nossos pobres até que sua revolta se transpareça nas indesejadas mudanças em nosso estilo de vida. Os ignoramos até o momento em que eles se transformam em problemas pra sociedade, imersos numa tal ignorância que, quando justamente precisarmos deles pra tentarmos buscar soluções, eles estão inaptos a nos auxiliar. Fazemos por merecer o jovem desperdiçando sua infância cuidando de nossos carros...

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Flíper de rodô


Jovens, este meu achado refere-se a um dos arcades mais peculiares pelos quais já passei. Esta aberração responde por Power Instinct. Lançado em findos de 1993, este jogo de luta tinha uma peculiaridade, aliás a única que lhe faz fugir por pouco do abismo do ocaso de muitos jogadores: um de seus personagens é uma velhinha, pertencente a um clã ao redor do qual a trama do jogo se desenrola. Ela poderia estar em casa tricotando, ou entando em decomposição numa fila do INSS, mas não: ela se mete a descer o cacete numa galerinha com idade pra ser seus netos. O curioso nela é que a anciã é inderrotável. O Chin do KOF é inofensivo perto dela. Ele usa sua garrafinha de saquê pra te descer o cacete, ela usa a própria dentadura. Escatológico, não? Com isso, enfrentar essa personagem e derrotá-la é daquelas façanhas que adquirem caráter de lendário, de tão difíceis que são. Lembram-se da impossibilidade física de se derrotar o Ken quando ele começava a soltar hadoukens em zigue-zague nos Street Fighters de rodoviária? Pois digo, sem brincadeira, que toda vez que eu passava por essa máquina, via sempre a mesma história: o cara podia estar abafando, derrubando todos os personagens, mas não tinha choro: chegava a velhinha, a brincadeira acabava. E um detalhe: repararam no ninjinha ao fundo? Ele era uma espécie de bandeirinha do jogo, indicando cada golpe. Além desse jogo, só em Samurai Shodown eu vi tamanha inutilidade.


Tava pensando à toa, se eu trabalhasse com o marketing da Corega e tivesse visão, tranqüilamente lançaria um viral na web com imagens desse jogo, apostando no quesito nostalgia e agregando valor com uma referência kitsch do mundo dos videogames (com certeza, resultaria em algo menos mongolóide que as propaganda da Colgate). Melhor que pagar cachê pra atriz decadente na Grobo. Nada pessoal, Arlete Salles... =p

domingo, 4 de novembro de 2007

Beleza é ópio


Você acredita em pessoas irresistíveis? A dona desse blog aqui diz que não, mas eu penso duas vezes antes de me responder a essa pergunta. Nunca vou me esquecer dum incidente de quando eu estava começando a faculdade. Jogando conversa fora com alguns amigos que conhecia ainda há pouco tempo, uma loira que iniciou com a gente nos acompanha. Ela pediu preu deixá-la num shopping nas imediações. Aí beleza, fomos os quatro ambulando estacionamento adentro. Os outros se despedem mas eu estranhamente fico estático por alguns segundos. E ela lá, quase sem entender. Deve ter sido a primeira vez que eu fiquei paralisado por causa de beleza alheia. Não estou babando ovo pra menina mas, por Deus, que guria linda! Do tipo perigosíssima, que se um dia cogitar usar a atração que exerce nos outros pode facilmente destruir reputações. Segundos depois me recomponho, tento não ficar desengonçado enquanto a peço para entrar no carro. O percurso até o shopping é menos de 150 metros mas juro, juro mesmo, que achei que ia bater de tão balançado que aquilo me deixou. Um loser enrustido que jamais leva mulher alguma em seu carro, e de repente aquilo no meu banco do passageiro. Foi estranho. Não por eu ser ridiculamente tímido na época, mas por como eu fiquei. Eu nunca fui do tipo de ficar beijando chão onde mulher pisa; pelo contrário, preciso me vigiar o tempo todo pra não ser seco, cínico ou ao menos passar essa imagem. Eu não conseguia olhar pro banco do passageiro; as palavras pareciam se emaranhar cabeça adentro. Ela não era areia demais, era uma praia inteira demais pro meu caminhão! Sei lá, atribuo meu estranho comportamento a feromônios, não é possível. Lembram-se de Perfume, aquele filme em que Jean-Pierre cria a fragrância definitiva, que destitui, a todos que a cheiram, de qualquer tipo de discernimento? Meu, me senti daquele jeito. A guria ficou apenas uns dois meses lá no curso. Uma irreparável perda. Fiquei sem onde fugir com o olhar durante as aulas. As outras que ficaram pareciam auxiliares de pedreiro perto dela. Tá, admito que na época eu era vulnerável demais, mas muitos teriam minha mesma reação nesse caso. Definitivamente, o mal do mundo é mulher bonita. Não pela futilidade ou por quaisquer outros caracteres de sua personalidade (prioritariamente), mas pelo fulminante efeito que suas agradáveis presenças acometem aos cuecas a seu redor. Gente assim devia andar de véu na cabeça; voz meiga e rostinho bonito são mais fracos que carne. Para obter acesso à carne, o mundo tem suas formas de impor impostos; a todo o resto, bastam os olhos de quem estiver por perto.


A imagem deste post é parte do portfolio de Ann Stewart Anderson, artista plástica cujo tema 'Mulheres mitológicas justapostas' pode ser conferido em seu site oficial, clicando-se na imagem. Pensei em adicionar a justaposição Afrodite-Marylin, mas a descrição desta funciona bem melhor... confira abaixo:

Circe was the daughter of the sun and was attractive to men. She seduced them by feeding them delicious food to which she had added potions which produced incapacitating effects so that they became focused on sensuality. When Odysseus visited her island domicile he was tempted by her charms, and barely escaped becoming one of the host of men whom the sorceress had changed into beasts.

Monica was a young woman who was attractive to men. She enchanted them by giving gifts, encouraging clandestine sexual activities and engaging in nocturnal phone sex. She used her seductive powers to produce incapacitating effects on men so that they became focused on sex and could not do productive work. Through her sorcery men were changed into beasts.

sábado, 3 de novembro de 2007

Império do academês

Sabe o que mais me irrita no mundinho acadêmico nacional? É o preciosismo. Há tanta preocupação do brasileiro, pesquisador com complexo de inferioridade por natureza, que o que acontece? O texto fica tão emperequitado com extravagâncias vernaculares (como as duas palavras que acabo de usar) que há pouca precisão nas terminologias. Teorias que poderiam ser introduzidas ao estudante de forma concisa e prática é escondida em textos enfadonhos e prolixos. Aliás, a prolixidade é outro tumor na cultura do academês de nossas universidades. Brasileiro se preocupa com tamanho. Ele prefere ler 350 páginas de um autor conhecido mas chegado em rodeios do que ler um menos conhecido que vai direto ao ponto, que não precisa usar sua influência nas rodinhas acadêmicas como pedestal pra combater sua auto-crítica. Digo isso com propriedade por causa do projeto de pesquisa que estou fazendo barrigando nos últimos meses. Alguns textos eu li em inglês e, jovens, quanta diferença! Em inglês, a terminologia é usada com confiança e precisão pelos pesquisadores, as limitações de alguns textos são reconhecidas pelos próprios autores, os argumentos que sustentam o que é exposto na pesquisa é trazido à tona sem medo de que isso reduza o que o texto científico teve a dizer... agora, o que encontramos nos autores nacionais? Uma teorização temerosa e covarde. Que muitas vezes tenta desesperadamente afastar de si mesmo a idéia de charlatanismo dando status de pioneirismo e empirismo a gente como Paulo Freire. Fala sério, só porque o velhinho deu aula pra meia dúzida de criancinhas na África ele merece toda essa veneração que as pedagogas dão a ele hoje em dia? Pelo jeito, a condição de exilado confere uma injusta ascensão intelectual a certos autores. Ou seja, brasilriro tem muito desse ranço com política. O vigor teórico de nossos intelectuais é tão tímido que eles preferem nos distrair fazendo sondagens sobre as motivações políticas por trás de nossa produção científica. Que merda meu, até nossa mão-de-obra acadêmica se rebaixa a ser cabo eleitoral de ideologias políticas falidas. E quando isso não acontece, o que resta? A resignada mediocridade de sempre, empalhada com o maledetto preciosismo!

Observando isso, o que concluo? Que o mestrado, e seus textos em outras línguas, será bem mais cativante do que essa graduação de merda cheio de autores medrosos com pouco a me dizer. A falta de confiança é tanta que sequer nos é confiado os autores que criaram as teorias. Em vez disso não, somos rebaixadso a ler textos sofríveis de outros atores e seus pálidos pareceres a respeito dos autores. Só pra citar um exemplo, foi exatamente o que ocorreu comigo ao estudar o Estruturalismo. Poderia ter estudado os livros escritos por gente como Saussure, Lévi-Strauss, Barthes, Bakhtin, gente que teve algo a dizer, mas não: a mentalidade da universidade em nosso país é secundarista. Ainda há aquela mentalidade de "abram o livro na página tal, decorem essas regrinhas inúteis e estudem apenas até a página tal para a prova". Como se se dar ao trabalho de ler um livro inteiro fosse um obstáculo intrsnsponível, atenuado por aquele monte de folhas de xerox que só servem pra calço de porta. Sinceramente: o Brasil só teria a ganhar se demitisse todos os atuais professores de suas planilhas das universidades públicas, exportasse todos os seus docentes e cogitasse seriamente em privatizar essa merda toda ou fechar todas as universidades públicas. Um ou outro: porque hoje em dia universidade serve pra quê? Serve pros CAs virarem albergue de riponga e depósito de vinho barato pros saraus. E as vagas oferecidas? Mais de trinta cursos ruins de doer só continuam abertos pro título de universidade não se perder enquanto que apenas os cursos que realmente têm procura permanecem abertos, aumentando ainda mais essa ferida exposta da desigualdade social. A função da universidade pública, em teoria, é a de democratizar o acesso ao ensino superior. Já que isso não acontece nos cursos mais exigentes e procurados, o melhor seria fechá-los. Gastar nossos impostos pra quê? Pros berços-de-ouro se formar às nossas custas? Pra cursos horríveis continuarem a gastar o tempo de quem os adentra esperando uma formação decente? Num país em que mais de 90% da educação superior é particular, a razão de ser das universidades públicas se perdeu há muito. Empreguem nossos impostos pra outras coisas e não iludam mais nossa juventudade com essa aura paternalista de levar o ensino aos nossos jovens. Porque isso, sinceramente, nunca aconteceu. Não é porque eu sei onde fica Roma que terei condições de ir pra lá um dia. E assim se procede com nosso ensino. Sabemos onde chegar, mas não nos é dado recursos para tal. Como toda a produção científica nacional que iniciei o post falando.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Coisas que não fariam falta nesse mundo

_ O primeiro filme pornô das Gretchen, ex-gostosa evangélica (que encontrei certa vez entre os torrents que o povo baixa aqui em casa). Por Deus, o que leva alguém a isso? Uma aparição no Superpop? Uma bronhazinha alheia? Aluguel atrasado? Felizmente, o primeiro pornô geriátrico brasuca da história deve ser o último. Foi ao menos o que a própria disse esses dias na tevê. Houve quem se deixasse vitimar pelo trauma indelével de assistir tal aberração, e essa gente garante que numa das cenas pode-se ouvir a velhinha soltando um metanozinho básico durante as cenas. O horror, o horror.
_ A reconquista, filme de teor cientológico do John Travolta. Não, espere um pouco: esse filme merece o troféu BNO; numa outra ocasião falo dele...
_ A pareidolia dos apaixonados. Tanta gente ao meu redor, radicamente imbecilizada por uma paixonitezinha que os impede de empunhar quaisquer tipos de rédeas. Gente que dá a sua vida pra alguém que não precisa dela. E que, mesmo se julgasse precisar, não saberia o que fazer com ela, eterna residência do perigo. Mal sabemos o que fazemos com a nossa, que o diga com a alheia.
_ Vídeos de mulheres bêbadas tropeçando, conspirando e se beijando, bagunças em sala de aula, tombos e fraturas expostas de dar inveja a muito dublê e outros momentos antológicos do ócio alheio. Meus quase 4 giga de vídeos que o digam...
_ Quadros televisivos do tipo "faça uma encalhada feliz por semestre". Porra, que desperdício: micaretas servem pra isso. E pra aumentar os índices de natalidade...
_ Propagandas de toda sorte de produtos odontológicos. Das medonhas escovas falantes da Colgate à Arlete Sales vendendo Corega, ninguém está a salvo.
_ Concursos públicos. Se quisesse tanto vagabundo assim empregado à custa de meus impostos, abriria uma empresa fantasma. Mais fácil que arrumar um pistolão decente e menos burocrático. A única sindicância feita em respeito ao modus operandi de suas atividades atende por simpáticos nomes como CPIs e processos dos MPs da vida.
_ Blusas com ombreiras. Daqueles fantasmas dos anos 80 que as mulheres mais bregas caem no acinte de usar, normalmente com tailleurs em ambiente de trabalho. Queridas, ombros não são afrodisíacos! Deformar o tornozelo com saltos masoquistas e retomar práticas vitorianas com calças dois números menores que o de vocês tudo bem, mas me poupem dos ombros, sim? A menos que você não se importe em parecer um morcego de asas atrofiadas...
_ Talk shows. As opiniões realmente interessantes não precisam perder tempo buscando o melhor ângulo para a câmera. Sem falar que a opinião de certas corjas tem efeitos, ainda a ser comprovados, de retardo mental. Músico, ator e diretor: se quisesse atrofiar algumas de minhas funções cognitivas passaria a ler a Contigo, e não a zapear no Jô... wow!
_ Telemarketing. O (des)serviço que as empresas mais conseguem desagregar valor: reúnem em apenas um serviço tudo o que o público mais detesta. Propaganda não solicitada (seu nome deve ter sido vendido até pra sex shop e você nem fica sabendo), atendentes treinados em insultar a inteligência do cliente, gravações irônicas que debocham da auto-estima do consumidor, demora no atendimento, músicas de elevador durante as esperas, e o fato mais apavorante de todos de se constatar que toda essa tecnologia é usada em vão não pra se eliminar, mas pra se ressaltar o intermediário humano. Prestação de serviço não é pra isso; SACs e campanhas publicitárias são pra isso. Porra, hoje em dia faço quase tudo em banco sem ter de aturar um moleque em treinamento do outro lado do balcão tentando disfarças as gírias da periferia ao me atender. Mas nããããão, a maioria das companhias precisa insistir nesse teatrinho infame de dar ouvidos ao consumidor e fornece esse maldito serviço. Sonho com o dia em que, como nos filmes, possa fazer tudo por conta própria, por meio de máquinas de xerox públicas, máquinas fotográficas públicas, terminais de auto-atendimento de toda sorte, drive thrus que me poupem do rosto sardento do atendente sendo sodomizado em seu primeiro emprego...
_ Agiotas. O que uso atualmente nem parece um banco.
_ Prostituição. Hoje em dia não há mais pontos, o que há é filiais. De quatro rodas, importadas, e cujo IPVA sai mais caro que o computador em que digito este texto. Sabe aquelas etiquetinhas colocadas em maçanetas de hotéis? Uma dessas para a de carros assim faz-se muito necessária. Sabe como é, a fila anda... e quanto às prestadoras de serviço, você se pergunta. Disputar espaço nas calçadas com flanelinha tira o glamour da profissão, entende? O esquema é ir até o cliente. E usar o pé-de-meia pra faculdade (afogar o ganso com gírias da periferia é broxante, não é mesmo, minha gente?). Sabe como é, hoje em dia, só com ensino médio, nem elas...

Resetting

Vontade de sumir. Cansaço. Não falo de mais uma ressaca existencialista, aparentemente: falo de niilismo. Não há vontade de crer em instituição alguma; ideais viraram sinônimo de ideologias e idéias de repente se rebaixaram a mera propaganda de coisas e conceitos sem data de lançamento. Esse é um aspecto desse meu desejo; o outro seria referente às conveniências pessoais. Sumir seria muito conveniente por vários motivos: pra zerar preocupações, zerar expectativas, zerar esse corpus por demais hierárquico de nosso dia-a-dia, zerar o tédio e constrangimento por trás das limitações nas relações humanas simplesmente evitando-as e anulando a incidência delas. Dizia Oscar Wilde que a ambição é o último recurso do fracasso. Que provocante, essa citação. Como todas dele, naturalmente. Fico apenas com essa pra não ter de escrever outro post só com citações...

Quando chega-se ao ponto de se rejeitar o socialmente aceitável e se besuntar de cinismo para nada reter (aparentemente, lógico) do grotesto da sociedade, o que acontece? Quando é que conquistas perdem a graça? Quando é que conhecemos aos outros mais do que deveríamos, e menos a nós mesmos do que deveríamos? Quando é que a vida torna-se um filme ruim sem trilha sonora, sem elenco e apenas com figurantes? Caio no lugar comum de dizer que faria tudo igual se houvesse uma segunda oportunidade de refazer certas coisas. Mas digo isso porque, tenha certeza, toda a força que temos pra marcar algo em nossas inúteis existências já foi empregada. Todos vivemos com todas as forças; desperdício só é algo sinceramente consciente quando discorremos sobre o que vivemos. Se aparentemente isso não acontece contigo, então tem gente se superestimando demais por aqui...

As emoções nos aprisionam. A ausência de algumas delas, aumenta a pena. E esse tipo de paradoxo nos faz buscar por efemeridades que nos distraem do que realmente importa. No final das contas, a vida acaba se reduzindo ao microcosmo de um emprego que você detesta: você só continua empregado pelo que você aparenta ser capacitado, e só não pede demissão porque a única reciprocidade entre você e seu chefe é a mesma letargia de hábitos. Ambos estão cansados demais pra atender a suas vontades: um por comodismo, outro por niilismo. Atribuir culpa disso a algo/alguém torna-se um recurso tentador e confortável. E nisso sua vida se transforma: numa contravenção sem álibis decentes...

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Troféu Bonitinha mas Ordinária (VI)

Nessa edição achei por bem dividir o caneco com vários filmes menores. Filmes ruins o suficiente pra serem indicados mas não o suficiente pra serem indicados individualmente. Quando nem a mediocridade é suficiente pra se ser premiado isoladamente entre os medíocres. O critério para isso é a, digamos, presença de palco: afinal de contas, não basta um filme ser inferior para o considerarmos ruim; ele precisa ser ruim o suficiente pra:
_ Negar suas pretensões;
_ Não dar motivos pra cultivarmos interesse suficiente pra atravessar os primeiros trinta minutos de arte menor;
_ Nos horrorizar com suas atuações e opções estéticas;
_ Nos irritar com a volubilidade/morosidade assimétrica de seu enredo.
Faltou um desses itens, o filme deixa de ser merecedor individual de nossa premiação e se vê forçado a dividir nosso troféu abacaxi com outras películas cuja maior função é fazer volume no bandejão das Americanas... detalhe: um ponto desabonador da irrelevância de um filme é o fato de ele ser feito para TV. Um filme que sequer consegue alcançar as locadoras não merece tanta atenção assim da nossa parte; é o caso de nossa primeira indicação abaixo.

Book of days
A premissa desse filme é uma espécie de corruptela de Early edition, série antiga transmitida pelo Sony. Troque um jornal por um obituário em forma de livro e voilà. Fora isso, o filme se trata de uma sucessão de tomadas de humor involuntário (numa pálida investida dramática). Tão involuntária quanto a programação empoeirada do canal de onde descubro essa pérola, a MGM. Como é que um canal que até hoje reprisa Quatro casamentos e um funeral ainda está no ar? A propósito, pegue qualquer uma das atrizes pra concorrer ao troféu; sinceramente não faz diferença.

Demolidor
Óquei, até a primeira metade da película, todos os arquétipos hollywoodianos pra te fazer sentir justificado o suado dinheirinho empregado em sua ida ao cinema estavam sendo seguidos à risca. Até que o pai da Jennifer Garner morre estupidamente e na cena do enterro começam a macular a já maculada história com Evanescence na trilha sonora. Que merda, meu! Bandinha de roqueiro de shopping pra trilha sonora? Erraram feio a mão, nesse trecho do filme. E num outro posterior, com outra música da banda. Pior que filme pipoca, é filme brega. Sem falar os vilões caricatos: aquele negão de À espera de um milagre como vilão? Colin Farrell como um vilão também? Façam-me o favor! Esses tipos de vilão podiam até fazer sentido na segunda metade do século passado nos quadrinhos, mas no cinema simplesmente se resultou em algo desastroso! Tem coisa pior do que você acompanhar a trajetória do mocinho só pra descobrir que os vilões são cômicos? E a Jennifer, meu? Quando é que ela vai se dar conta de que o gênero femme fatale nunca vai convencer nela? Alias, Demolidor, ela não se toca, meu! Que absurdo: aquela carinha de "roubaram meu pirulito" não combina com esses papéis! Até dondocas como Keira Knightley brincando de pirata me convencem mais em papéis assim...

O vidente
Filme recente do Nicolas Cage com a Julianne Moore. O cara é clarividente e consegue enxergar eventos futuros com dois minutos de janela. Muito bem, tão logo a trama se desenrola, uma mocinha (Jessica Biel) aparece pra tentar segurar o telespectador. Agora me explica que graça tem um filme onde o ator passa 3/4 da projeção indo e voltando no tempo toda hora até chegar a um final feliz para, no final, descobrir que ficou faltando uma coisinha e repetir todoo processo de novo? Sim, tô espirrando spoiler pra evitar que o mundo se sujeite a uma história tão tolamente finalizada. Isso exposto, o filme não passa de um Efeito borboleta, só que sem o Ashton Kutcher. O que, acredite, não é suficiente pra acreditar nada a essa filme. Esses americanos e suas manias de criar historinhas de viagem no tempo cujo protagonista brinca com seu destino como se estivesse manuseando um videocassete temporal. Julianne Moore devia ter feito um favor a todos nós e ter tomado doril depois de filmar a heresia que responde por Hannibal. Esse estilo de tira durona ela nunca conseguiu aplicar num filme aceitável, veja que desperdício. A Jessica, bom, ela precisaria de mais cenas calientes pra não manchar seu lindo nominho em nossa infame premiação. Não foi dessa vez, Jessica...

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Parental advisory: explicit antipathy (VIII)

_ Tô evoluindo na natação. Semana passada passei pro lado mais fundo na aula.
_ Legal.
_ Até aprendi o nado cachorrinho.
_ Hã? Isso é posição sexual, jovem.
_ Que nada, é uma forma de nado.
_ Borboleta é uma forma de nado.
_ Que mente poluída...
_ Pensando bem, ambos são posições sexuais. Mas só um é nado, tenha certeza.

_ O que você acha de a gente usar peido alemão na sala dos bichos?
_ Fizeram uma parada dessas só pra essa ocasião? Bom trabalho. Vão lá e me deixem orgulhoso. O desgosto de ter presenciado a entrada de vocês nesta faculdade já me é suficiente.
_ Você devia fazer o maioooor sucesso em seus tempos de estudante...
_ Nem fazes idéia.
_ Voltando ao trote. Deixamos as janelas abertas?
_ Claro, queremos humilhá-los, e não asfixiá-los!
_ Precisamos pensar numa cantiga degradante o suficiente pra depois da bomba...

_ Faz tempo que ele não vem à aula.
_ A única função dele em sala era me fazer sentir mais estudioso. Presenciar tamanha preguiça num estudante só era estimulante. Por mais que você postergasse as coisas, havia sempre a certeza de alguém mais despreocupado que você sentado ao fundo.

_ Quer um DVD? Se eu levar mais um o frete sai grátis nessa loja virtual.
_ Deixe-me ver... procura os Loser manos no Cine Iris.
_ Taqui. Mas o preço...
_ Como eu imaginava. Procura o último do Belle, então.
_ Só um segundo. Caramba, será que eu li direito aqui na tela?
_ Porque DVD de gente 'cool' sempre é tão caro?
_ Se baratearem, vira mainstream...
_ Então confiramos alguns filmes. Diga um preu consultar aqui...
_ Procura um do Godard.
_ Godard não é pras massas... se eu quisesse noventa minutos de projeção vendo gente com roupas de brechó e cara de enterro, iria a um de verdade. Pegue por exemplo Je vous salue Marie. Que porra é aquela? A guria engravida virgem e fica o filme inteiro te enchendo o saco por causa disso.
_ Grandes merda. Qualquer garotinha de classe média faz isso hoje em dia; após abortar a pobre vida contaminada com seus genes e gerada com aquele playboy que ela nunca mais verá na vida, ela passa numa clínica e reconstitui o próprio hímem.
_ Claudia Ohana parece lisinha perto da ninfeta do filme.
_ Você não podia passar sem essa, não é mesmo?
_ Lógico que não.

_ Pensando bem, Nouvelle vague deve ser eufemismo dos franceses pra chamarem seus filmes B de kitsch.
_ Não seja tão leviano.
_ Porque não? Confessa que tem alguma coisa errada nessa modinhas pós-modernistas, vá...
_ Porque trauma indelével de verdade não está no Nouvelle vague. Masoquismo de verdade é pegar quaisquer adaptações de livros do Asimov dos últimos vinte anos. E, falando assim, você acaba se denunciando como aqueles frustrados que assistem a uma película famosa entre as rodinhas cult e não entendem nada. Você não quer se denunciar como aqueles medíocres que tentam impressionar os amigos alugando filmes do Lynch ou do Kubrick sem entender nada, quer?
_ Eu desconfio de filmes artísticos demais, viu? Filmes em que o diretor passa mais tempo filmando paisagens e o reflexo do sol em lagos do que o elenco propriamente dito.
_ Seria isso recurso deles pra economizar fita? Sabe como é, filme de baixo orçamento e tal... fica algo bonito, meio poético, mas increvelmente entediante. Os laboratórios deviam levar em conta os recursos psicossomáticos usados por esses filmes pra produzir os Valiums da vida...
_ Uma substância que reproduzisse a mesma síncope que quase te faz babar no sofá ao final daquela trabalhosa cena de câmera parada filmando algum detalhe irrelevante na relva. Eu compraria uma pilulazinha assim...

Behind the scenes (II)

_ Luz, câmera, ação!
_ Não tá faltando algo nessa cena não, diretor?
_ Calaboca e pega um donut pra mim.
[atriz começa a beijar o vácuo por cerca de dois minutos]
_ Corta!
_ Puta que pariu, o que foi agora?
_ Faltou emoção, Demi! Parece que você tá beijando o próprio braço!
_ Não podíamos praticar essa cena com o Patrick, só pra facilitar na hora da pós-produção?
_ Boa tentativa, mas não vou mudar o script de novo por sua casa. Agora, de volta pro set. Quero ver língua dessa vez.
_ Minha língua tá começando a ficar dormente. Eu vou é pegar mononucleose desse jeito.
_ Pense nisso como prevenção: sapinho eu garanto que você não pega...

[semanas depois, na pós-produção]
_ Que falta de química desses dois! Tento encaixá-los no fundo verde há mais de um mês e nada!
_ Você bem que podia ter ouvido a Demi...
_ O Patrick não quis. Exageraram no alho no coquetel daquele dia, então nada feito.
_ Hmm. Deixa eu conferir essa fita demo... [ouve] Não, você não vai colocar isso aqui na trilha sonora. Não!
_ Meu, a mulher vai passar o filme inteiro nos amassos com um espectro e você sugere que eu lance esta farofa nos cinemas apenas com ruídos do ambiente? É exigência do estúdio, sorry... mas não se preocupe: a música tem potencial pra vender disco.
_ Tem é potencial pra virar música de motel, isso sim. [olhando os últimos rolos de gravação] Podia ao menos tirar esses raiozinhos psicodélicos na cena em que o vilão morre. Vamos distribuir um romance, e não uma continuação dos Caça-fantasmas.
_ Relaxe, essas bobagens vendem que nem água entre o público feminino...
[supostas cenas dos bastidores de Ghost que não serão incluídas no DVD]

domingo, 14 de outubro de 2007

Parental advisory: Explicit antipathy (VII)

_ Olha, é a prima da fulana.
_ Pois é, veio vestida com um coador de café... [vestido amarelo de bolinhas]
_ Aquela ali não tinha visto por aqui ainda.
_ Qual, aquela vestida com um tabuleiro de Twister? [vestido branco com bolonas]

_ Ih, essa banda vai acabar?
_ Acabar não, o baterista vai seguir "projetos pessoais".
_ E se o vocalista sair?
_ Aí o fim da banda terá ocorrido por "diferenças criativas irreconciliáveis".
_ E o recesso dos Loser manos, hein?
_ Gente, esse povo se acha muito importante...
_ Você se daria bem como RP de banda...

_ Só sei que é algo muito desolador. Você dedica tantos anos a uma coisa pra quê? Pra descobrir que sua vida não depende do quanto você estuda, mas sim das oportunidades a seu redor.
_ Tem ido atrás delas?
_ Não muito...
_ Normal.
_ Não sei o que tá acontecendo comigo. Não tenho ímpeto nem ambição pra nada! Tudo que faço na vida é pra cumprir tabela.
_ Como o São Paulo no brasileirão?
_ Não, como o Corinthians, na zona com a vadia da sua...
_ Fariseu! Contenha seus ímpetos vilipendiosos...
_ Preciosismo pra "falou a boca, pagou o..."?
_ É isso mesmo. Me poupe.

_ E aí?
_ Como vai? Acabou de chegar?
_ Pois é. Olha, você viu o Tiago?
_ Qual deles, o afetado?
_ ...
_ Finja que não disse nada. Pode se retirar...

_ Já leu a carta aberta do Luciano Huck?
_ Aquela em que ele chora sobre o rolex roubado?
_ Sim.
_ Justo um cara tão legal ser assaltado assim...
_ Pois é: o IDH da favela em que os assaltantes se enconderem vai triplicar depois desse relevante evento.
_ É o tipo de evento que não deveria nem figurar nas páginas policiais. Tá mais pra distribuição de renda do que delito propriamente dito.
_ Pobrezinho, quase perdeu o vôo pra NY comprando espaço na Folha pra sua cartinha...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Troféu Bonitinha mas Ordinária (V)


Hora de estrear nossa premiação com um filme nacional. Ao contrário dos Academy awards, não temos pudores de homenagear a mediocridade brasileira. Nessa edição, ela responde por Inesquecível, com Murilo Benício (difícil saber onde ele nos constrange mais, se em novela das sete ou no cinema nacional), Caco Ciocler (com esse biotipo de bunda-mole não é de se estranhar que ele passe sua carreira com papéis de coitadinho até minguar no esquecimento) e Guilhermina Guinle. Trata-se da primeira investida na dramaturgia da parte do mesmo diretor dos filmes da Xuxa. Isso explica a sensacional habilidade dele de transformar recursos de dramaticidade em esquetes de verossimilhança comparáveis àqueles que a Universal exibe nas madrugadas. O Murilo por natureza já parece um robô com suas feições anestesiadas, ingenuamente estudadas. O Caco é o típico ator que interpretará o mesmo tipo pelo resto da carreira, como disse há pouco. A Guilhermina, bom, sua função é simplesmente a de embelezar o filme e fechar o triângulo amoroso da trama. Mas não se engane, não há cenas de nudez suficientes pra transformar o corpo da atriz em conteúdo kitsch de fetichista. É, você percebe a nulidade de um filme nacional quando nem a bunda da protagonista justifica o masoquismo do seu próprio bom-gosto. Que bela forma de tirar proveito da reserva de mercado do cinema nacional, aliás: pegar meia dúzia de atores grobais, um roteiro escrito pelo neto do diretor e uma premissa ambiciosa o suficiente pra capturar o público nessa pegadinha. Ou seja, o que mata nesse filme não é a mediocridade em si, mas a falta de honestidade quando com ela em mãos. Desperdiçar temas promissores só pra abocanhar verba da Petrobras é sacanagem, porra!


Um adendo: deve existir uma mentalidade, no mundinho dos atores/diretores, de que produções em que o ator se expõe em cenas de nudez conta como pontos para este ser escolhido pelos diretores, como um indicativo do compromisso do ator com seu personagem. Como se isso fosse algum indicativo de maturidade artística (ou isso ou uma tremenda falha de comunicação, como insinuarei a seguir). Pensa o diretor, "melhor fazer essa cara de conteúdo e elogiar o trabalho dela, já que não conseguirei me levantar dessa cadeira pelos próximos dez minutos pra sugerir um posicionamento diferente no cenário." Pensa a atriz, "sabia que não era apenas mais um rostinho bonito". E tem razão: é também uma perna, um peito, uma bundinha bonitos... a propósito, pensa ela também, quando o ator safa a penetra durante aquela cena caliente, "acho que tá rolando uma transa técnica, mais ou menos como faço com meus beijos na novela..."

domingo, 7 de outubro de 2007

Parental advisory: Explicit antipathy (VI)

Ateus são engraçados... acreditam piamente que seu cinismo contém um ar de superioridade.

_ Semana passada um amigo de longa data se casou. Virou pastor, veja só.
_ Veja só, mess. E você lá, no cenáculo, aposto.
_ Certeza...
_ Você parece do tipo que bate altos papos com ele antes de dormir, mas usa desse sarcasmo barato no dia-a-dia pra se preservar, não?
_ Ô...
_ Quando é que você vai abandonar essas modinhas adolescentes?
_ Só quando aquele negão sarado de Nazaré me pegar de jeito, ui.
_ Você deve fazer o maior sucesso na sua paróquia...

_ Mas se você é avessa a religiões, como imagina seu casamento?
_ Ah, imagino numa floresta, ao ar livre, em contato com a natureza...
_ Papinho mais wicca, esse.
_ Pare de zicar meus sonhos, vá...
_ Decerto, a cerimônia será realizada com algum ritual pagão celta.
_ Quem sabe...
_ E o juiz de paz, consumará a união em élfico, é? Sabe como é, latim é coisa de padre pedófilo, certo?
_ (monólogo mental) Que saco...

_ O que te levou a desdenhar a religião? Algum evento em particular?
_ É que ele me deu o maior cano. Eu
tinha pedido pra ganhar na mega-sena com todas as minhas forças quando mais jovem, e nada aconteceu!
_ É mesmo?
_ Ah, mas quando aquele cantor, o Leandro, estava lutando contra o câncer, eu rezei, vá...
_ Vai ver é uma questão de prioridades: você pediu a grana antes. Foi mal, Leandro...
_ Peraí, fiquei a ver navios nos dois casos. Viu só como a fé é um mal negócio?


Bom, já deu. Fiquemos agora com uma seleção de algumas frases mais recentes:

_ Deve ser a primeira vez que você corta o cabelo como gente. Antes você só mandava tosar, né?
Meu irmão acerca de meu novo visu...

[assistindo, pela enésima vez, O nome da rosa, na cena em que a misteriosa mulher beija o noviço]
_ Meu, esse garotinho (o Christian Slater), com esse corte franciscano, ele fica igualzinho ao W. (nosso professor nazista com calvície)
[É, nunca mais terei aulas desse professor da mesma forma...]

_ Professora, o que significa esse verbo, mesmo?
_ O quê, você não sabe? Estou pasma... procura direito!
[as aulas de literatura podem ser divertidas...]

_ Taqui seu filme. [ela devolve 'Um amor para recordar' para ele]
_ E aí, gostou?
_ Ah, eu amei. Brigada, viu?
[ela se retira]
_ Cara, você quer furar mesmo, né? Fala aí, Beavis [meu apelido].
_ Se ele emprestar Cidade dos anjos a ela, vai ser oficial: ele ficou assexuado...

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Isso non ecziste...

O mundo de um romântico é um conto de fadas. O romântico é personificado na vovozinha com catarata, que não vê Chapeuzinho liberando pro Lobo mau antes de ela conspirar com o caçador pra apagar o Lobo mau e fraudar a seguradora. Simples assim.

Já ouviu falar que amor romântico não existe? Não se preocupe em tentar me contestar: um dia você perceberá isso (se não perceber, o cinismo que contaminará seu ser o fará ao menos nisso crer). Por meio de uma das duas opções que o mundo te dá: pela sensatez ou pelo sofrimento. A sensatez consiste em pensar suas decisões na vida de forma estratégica, seja acatando conselhos, seja abstraindo-os empiricamente. O sofrimento, em não pensá-las, enquanto você se dispõe a abrir os braços para uma amostra de satisfação acompanhada de uma fração de segundo que precede o fulminante suplício que aguarda os que nunca aprendem. O sofrimento é insumo da aventura. A sensatez, migalha dela. Desses materiais são feitos os mais intensos momentos dignos de serem lembrados e constatados por toda sua vida besta. Sofrimento é mais que assumir riscos: é assumir a vontade de debochar -- involuntariamente, por vezes -- do fracasso à espreita. A sensatez, mera aposta: crença de que seu risco realmente é calculado. É por essas e outras que o sublime nas relações humanas é mera lisonja incontida de seu próprio ego para algo que ele ainda desconhece. Vaidade é fardo, e não acessório...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Troféu Bonitinha mas Ordinária (IV)


Nada contra essa louraça, mas não posso perdoar as recentes investidas no nefasto universo da comédia romântica perpretadas por essa atriz. Até O pagamento, que ela fez com Aaron Eckhart, parece perdoável. Mas novamente ressalto que não gosto de obviedades, e não é (apenas) por isso que emprego esse dedilhar no teclado torpedeando a Uma o suficiente pra justificar minha indicação ao troféu Bonitinha mas ordinária. Sustento meus argumentos com um surrealista filme de Gus Van Sant: Even cowgirls get the blues. Gus conseguiu reunir um considerável elenco para um filme tão dadaísta e bizarro como esse: Keanu Reeves e Pat Morita estão por lá também. Além de japonês estereotipado, qual era a utilidade do Pat em Hollywood? E o Keanu? Como ele se atrevia a se considerar ator no começo dos anos 90, pouco após Muito barulho por nada e Billy e Ted? Melhor ainda, qual a utilidade da Uma num filme desses? Protagonizando uma personagem esquisitona cujos polegares são de tamanho bem acima do normal, ela segue sem rumo pela vida pegando carona por todo o país, tirando proveito de sua inusitada dádiva que a genética lhe proporciona na película. Nesse ínterim, sua agente lhe indica uma propaganda que está sendo feita um racho com gente ainda mais bizarra do que as que aparecem no começo do filme. E daqui pra frente não tenho mais nada a dizer; só vi trinta minutos desse dispensável filme. E isso porque eu o vi na toda-prepotente HBO. Fazer o quê, até a locadora mais cara do mundo exibe filmes cujas fitas VHS servem apenas como calço de porta da seção erótica.

A propósito: pra não abarrotar o blog com edições de nosso troféu, anuncio neste momento que tornarei a premiação quinzenal a premiação se tornará bem mais esporádica. Já posto besteiras mais do que suficientes pra ficar testando a paciência de vocês (e a minha) com posts assim.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Empregos inúteis

Vivemos num mundo estranho o suficiente pra constatar que pessoas com trabalhos irrelevantes para a sociedade ganham muito mais que você. Modelos, dublês, maquiadores de defunto, investidores de risco, fotógrafos de nu, assistentes (de todo tipo, dos que limpam as intimidades de lutador de sumô aos que ajudam a arrancar calças de couro de roqueiro), vices, flanelinhas (e toda sorte de emprego informal que impõe às pessoas serviços que elas não solicitam)... Em vez de me revoltar com esse injusto deslocamento de riquezas para os idiotas, tento levar em conta a seguinte constatação: a única utilidade de empregos inúteis é o fato de desafogarem a procura pelos úteis. Pena que a profusão disso seja mínima. O comunismo tentou sustentar o cerne desse meu aforismo, mas falharam miseravelmente. Repare: os governos sob essa ideologia, na tola tentativa de pôr os camaradas de igual para igual, tentavam encaixar todos os populares num ocupação qualquer. Ignoravam os conceitos de vaidade, ambição e aspirações do indivíduo. Ignoravam também a necessidade de eficácia: quanta função inútil que era criada apenas pra sustentar uma hierarquia propagandista dos governos! E mesmo quando o conceito de eficácia era levado em conta, este era drasticamente seguido ao pé da letra, submetido aos caprichos do orgulho ufanista, de proporções economicamente insustentáveis, de seus políticos; não que a máquina de nosso Estado seja muito diferente disso. E quanta função útil desprestigiada em busca dum impossível equilíbrio dessa balança social.

Bom, os ventos da História passaram: provaram que eles estavam terrivelmente errados, mas não conseguiram deter a propagação de empregos inúteis que levam vários fúteis e medíocres ao prestígio social, em detrimento dos empregados em trabalhos úteis. Se a globalização pode nos trazer algum consolo a respeito disso, é o fato de democratizar o empreendedorismo. Espero ainda viver num mundo em que haja cotas para certos empregos. Seria mais honesto do que observarmos nos telejornais as intangíveis tentativas de nossos políticos de aumentar o número de empregos formais. Imagina: maluco termina a faculdade, constata que a cota nacional para profissionais em sua região já foi atingida, e o que faz? Pode tomar a cota como incentivo para buscar uma outra área que precise de seus préstimos, ou pode ficar chorando as pitangas tentando entrar de pistolão num emprego qualquer em sua área. Vai me dizer que precisamos de tantos advogados assim no mundo (por exemplo)? O estabelecimento de cotas incentivaria um remanejamento de mão-de-obra que seria mais prático à pessoa do que esta se tornar um profissional medíocre numa desesperada tentativa de manter o emprego e outros motivos de ordem pessoal que necessariamente confluem pra seu desempenho profissional. Se bem que uma proposta dessas resultaria em algo parecido que ocorre hoje em dia com os sem-terra (eufemismo sindicalizado pra arruaceiros). Outra forma de emprego inútil. Porque esmola de governo, faça-me o favor, não tem tanta utilidade quanto nosso presidente gosta de nos fazer pensar. Veja bem, o ganancioso pensa, "vou trabalhar honestamente pra quê? Eu vou é me filiar ao MST pra passar o resto da vida grilando terra e ganhando o meu à custa duma distribuição fundiária irresponsável!" Pensando bem, eu devia me filiar ao MST; já estou usando meu canudo como calço de porta, mesmo...

Mas voltando a falar duma positiva função social que os empregos inúteis poderiam vir a ter, tomemos como exemplo a mentalidade das autoridades européias em relação a emprego. A qualidade de vida nos nativos é tal que eles, recebendo uma boa educação aliada a oportunidades reais, se recusam a assumir certas funções. Ninguém estuda pra ser gari, certo? Taí a política do "dêem-me seus pobres" da UE: não se deixe enganar pelos xenófobos esperneando enquanto espancam um taxista indiano até a morte; eles precisam dos pobres dos outros, já que nem os seus próprios querem fazer certos trabalhos. Onde os empregos inúteis entram aqui? Simples, num continente em que as autoridades preferem pagar um razoável seguro desemprego pra você não procurar um emprego, em busca de estabilizar as poucas vagas que surgem, os empregos inúteis caem como uma luva: devia haver incentivos fiscais pras ocupações bizarras, mediante uma comprovação (socialmente inúteis, mas com oferta e procura suficientes pra sempre existirem). Se eu fosse um governante, não veria mal algum em dar incentivos fiscais a assistentes duma dominatriz, por exemplo. Veja só, a pessoa não está esquentando assento de repartição nenhuma nem tirando vaga de outros; está apenas trabalhando com as esquisitices sexuais alheias. Ou seja: um trabalho que não demanda gastos públicos sustentados por impostos, nem assina carteira. A menos que você conheça um daqueles auxiliares -- que passam óleo em modelo posando pra revista masculina -- com carteira assinada (imagina o que geral lê no SINE, quando o maluco apresentar sua carteira: "experiência anterior, besuntei a Juliana Paes"). Se bem que hoje em dia até gandula é sindicalizado, então é melhor eu ser cuidadoso com certos argumentos...


Só pra provocar: quiroprático é charlatão ou emprego inútil?

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Bem amigos da Rede Grobo, falamos ao vivo...

Porque não assisto ao campeonato brasileiro (e congêneres futebolísticos), pergunta-se o desavisado leitor? Não, não é prioritariamente pelo fato de tal campeonato atrair vovôs demais que se recusam a se aposentar, como o Romário ou o Edmundo. Nem as fortes emoções dignas de episódio de ER (sic) de ver arquibancadas desabando ou jogadores morrendo em campo. Muito menos pra ficar por dentro ao acompanhar as acaloradas e bem-resolvidas mesas-redondas canais afora. É porque não há surpresas. Veja bem, o São Paulo provavelmente vai angariar outro caneco pra sua prateleira, os times cariocas vão passar o torneio todo tentando escapar do rebaixamento, os corintianos com certeza vão fazer pirraça arrumando briga com outras torcidas, a existência futebolística dos gaúchos só será lembrada quando conquistarem um campeonato menor sul-americano (em final contra um timeco boliviano qualquer desacostumado à baixa altitude) e quaisquer times do norte ou do nordeste terão a única função de figurantes na tabela: em cinco ou seis rodadas voltarão à segunda divisão. Outro motivo plausível é o êxodo de talentos: quando um jogador decente salta aos olhos da torcida, do bolso dos campeonatos europeus saltam generosos passes pra levarem esses jogadores embora. E depois reclamam porque nossa seleção nem em amistosos exibe entrosamento. Mas enfim. Encontrei neste blog uma inferência muito melhor que a minha pra menosprezar bretão esporte. Segue:

O esporte em si é uma atividade nobre. Nobre enquanto for um lugar para jovens aprenderem a trabalhar em equipe, aprenderem um pouco de disciplina e solidariedade. Após esta contribuição, o esporte não é mais importante que qualquer outra atividade. Mas no Brasil nos rendemos a tudo, inclusive a idéia de que uma vitória no futebol representa uma vitória em nossas próprias vidas… E isso nunca vai ser verdade. É só uma diversão queridos…

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Troféu Bonitinha mas ordinária (III)


Melanie Griffith e uma ponta fortuita de Malcolm McDowell? Esse é Tempo, típico filme de história solta o suficiente pra figurar no Corujão que um sábado entediante me fez assistir. Aqui tenta-se contar uma história por meio de flashback. Mas o enredo é tão desinteressante que esse valioso recurso cronológico foi lamentavelmente empregado aqui. Difícil saber o que é mais caidinho, se as pretensas reviravoltas tentadas pela trama ou se o rosto da atriz, que mais parece seringueira sem látex de tão repuxado e sovado pela idade que está. Ponhamos a situação nesses termos, pra vocês terem uma imagem melhor da Melanie nesse filme: as têmporas de Felicity Huffman parecem um tapete perto das da Melanie. Sem falar nos ridículos erros de pós-produção: uma morna perseguição em Paris que passa por uma rua de Berlin. Sim, tá lá; (não) assista e confira. Filme típico de bandejão das Americanas7 considere-se com sorte: apenas acessos de sadismo do acaso farão esse filme cair em suas mãos (ou no canal pelo qual você estiver zapeando).

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Coisas nas quais sou bom

_ Ser especialista em não ter visto filmes que TODOS já viram;
_ Me indispor com pessoas sem sequer falar com elas;
_ Ter opiniões heterodoxas o suficiente pra eu mesmo me levar a sério;
_ Fingir que as manias alheias não me irritam. Tome nota que só faço isso pra não considerar as pessoas imbecis o suficiente pra privá-las de minha companhia. E pra não reprovar por falta na faculdade, claro;
_ Dar privacidade aos outros;
_ Encontrar coisas pra gostar que ninguém mais gosta. Não é o máximo admirar algo sem ninguém, de seu conhecimento, pra demonstrar maior conhecimento acerca de sua nova predileção?;
_ Camuflar minhas preterências (pre-te-rên-cias) tentando usar a situação indesejada de forma racional;
_ Encontrar conhecidos contra a vontade justo naquele dia em que você quer assistir a um filme ou a uma peça sem ser encontrado por terceiros pra verem como você é patético o suficiente pra ser forçado a sair sempre sozinho pra certos programas (e como a vaidade lhe é secundária);
_ Usar a antipatia de forma homeopática ao espírito;
_ Permanecer isolado pelo simples fato de não haver identificação alguma entre os a seu redor;
_ Alimentar essa sensação de desajuste e indiferença que me desafia cada dia mais a me levantar da cama;
_ Abortar o estabelecimento de novos contatos virtuais por estes não propiciarem uma proximidade que apenas o contato real daria às relações pessoais;
_ Não conhecer as bandinhas da moda;
_ Fazer pouco caso de como os outros se vestem;
_ Colocar-se no lugar dos outros. Uma recíproca que nunca é verdadeira;
_ Usar comparações esdrúxulas pra reduzir a pompa de comentários alheios;
_ Auto-crítica;
_ Fantasias megalomaníacas em que despejo doses infundadas de ira aos a meu redor;
_ Imaginar formas de dominação aliadas ao sadismo e à criatividade quando alguém passa por mim e tais divagações surgem tendo este alguém como alvo;
_ Lembrar detalhes técnicos muitas vezes inúteis;
_ Subestimar minhas virtudes e escondê-las com defeitos pra ninguém ficar criando expectativa;
_ Usar do pragmatismo pra evitar tentativas de intimidade (em quaisquer níveis);
_ Monólogos internos (se meu inconsciente soubesse empunhar lápis e papel, humilharia Cícero toda vez que me pusesse a conversar com os dois pólos de meu cérebro);
_ Esconder as preferências pra evitar escamoteamento, sem permissão, de minha personalidade;
_ Ter sonhos em preto-e-branco cheios de experiências sinestésicas pra me expressarem muito sem dizer nada.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Troféu Bonitinha mas Ordinária (II)


E com vocês mais uma edição do troféu BNO (Bonitinha mas ordinária). Mais um rostinho lindo cuja penosa aparição na película nem a bronha dos de mão cabeluda justifica. Valiosas lições de como queimar dinheiro de executivo hollywoodiano. De como travestir filme de fundo de locadora de relevante alternativa indie. O único prêmio na sétima arte dedicado à mediocridade você encontra aqui. Hora de apertar o botão voltar de seu browser e se poupar de algumas aberrações... lembre-se disso toda semana: tenho a intenção de tornar esta premiação encosto semanal.


Um filme com a Meg Ryan sem um romancezinho açucarado? Sim, isso existe. Mas não tem nada de kitsch como a loirinha gostaria; é só ruim, mesmo. Nem ruim é o suficiente pra virar cult, trash ou símbolo de geração/zeitgeist. Que loser, essa atriz. Como facilmente se constata, a Meg é daquelas atrizes que fica tanto tempo atuando num gênero só que, quando tenta crescer como atriz num filme mais sério, o que acontece? Vira vítima fácil de filme indie ruim cuja única razão de ser produzido é gente querendo tirar casquinha de produtora desavisada. Eis o mote de Em carne viva, filminho independente que ela protagonizou como... como Meg Ryan, claro! Ela é tipo Robin Williams e Eddie Murphy, sempre encarna o mesmo personagem em seus filmes. A única diferença são algumas cenas de nu devidamente distribuídas ao longo do filme numa tentativa desonesta de prender a atenção de quem assiste. Nessa queda livre ela se junta a Kevin Bacon, que ganharia mais abrindo escola de dança pra ensinar seus passinhos démodé dos tempos de Flashdance do que tentando incorporar um personagem, de alguma relevância dramática. Um cara cuja existência você só lembra quando faz pontas em sitcoms e faz thrillers sofríveis com crianças possuídas. Não sabe de que filme este último se refere? Sorte sua.

Esta indicação me leva a considerar a possibilidade de indicar a Sandra Bullock um dia. Suas infelizes escolhas artísticas me levam a crer que errar a mão tantas vezes ao escolher seus trabalhos deve se tratar mais de azar (ou pendência cármica, vá saber) do que simplesmente pequenez artística. Analisem meus argumentos: ela não é tão dada a comediazinhas românticas como a Meg (que fundou o infame gênero com o rançoso Harry e Sally) e é mais versátil que ela. Tudo bem que sua versatilidade quase sempre tropeça em filmes pouco substanciais. Mas prefiro relevar isso a uma atriz que serviu de exemplos a eficazes indutores de vômito como as Bridget Jones da vida e suas respectivas faltas de falo pra rechear seus vazios existenciais. Mas falando do filme... não há muito o que dizer. Olhem acima a carinha de quem descobriu que o cordão do OB tava aparecendo ao encontrar um erro de continuidade registrado nalgum site de filmes. Mais uma película escolhida pelas sessões de cinema patrocinadas por banco da TNT. As pilhas do controle devem ter acabado nesse dia; o que mais explicaria eu ter visto um trecho disso (e sobrevivido ao tédio) pra contar a história? Talvez o mesmo que me ocorre toda vez que vejo filme de ator que detesto fora de seus padrões. Como Justiça vermelha, com o Richard Gere. Valeu a pena engolir a pachorrinha de americano coitadinho se dando mal em país dos outros só pra vê-lo levando couro das autoridades chinesas do filme. Tudo bem que as cenas são devidamente feitas com jogos de câmera, sangue falso e dublês, mas deixem-me com meu acesso de sadismo...

Putz, esqueci de falar sobre o quê era o filme, não é mesmo? Mas nós dois sabemos que isso não faz diferença. Não me culpem por só saber atacar com meu morteiro verbal; já tentei uma vez escrever sobre filmes que gostei. Mas o problema de escrever sobre filmes que gosto nem é o tendencioso nesse gesto; é o fato de que nem sempre serei capaz de descrever porque certo filme tem tanto apelo comigo. Me incomoda saber que algo me agrada sem conhecer os promenores disso. Sem falar que filme bom nunca se fecha a críticq; sempre haverá algo substancial a se dizer. Com filme ruim não; é meter o malho e tentar se livrar do encosto no sebo mais próximo. Esclarecimento feito, até semana que vem, com mais um... Troféu Bonitinha mas ordinária.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

O horror, o horror



Jovens, assusta freqüentar as escolas de hoje em dia. Mês passado eu tava estagiando numa escola, e juro, encontro na sala que fiquei um guri travestido de menina. Só se sentava com garotas. Tipo, cabelo longo, pernas depiladas, perfeito aspirante a futuro traveco fazendo ponto no Centro. Meu, achei que aquilo era impactante (num guri/guria, sei lá o que era aquilo, de 16 anos), mas esse vídeo... tenho medo de contaminar o mundo com meus genes depois de ter essa noção de como a nova geração está. Muuuito medo.

Comentário que deixei numa comunidade a respeito do vídeo acima. Assista, estarreça-se, e cogite seriamente em obrigar seus monstrinhos a usar cintos de castidade ao matriculá-los na escola.

Chantageado por spammers


Ó não, e agora? Como conseguiram esse vídeo? O que é que eu faço? Mando o link pro Dedada ou tento negociar com o spammer? Dúvida cruel!... ó céus, ó vida...!

domingo, 9 de setembro de 2007

Pílulas

Comentários são despedidas do raciocínio alheio. Ninguém gosta de despedidas. Nem quando elas são impessoais. Talvez também seja por isso que todos evitamos solicitar opinião alheia. Ver outrem se despedindo de seu juízo de valor acerca de você é como ver um filho rebelde fugindo de casa. A diferença é que os filhos voltam pra casa; a opinião, não. Esta é como primeira impressão, é mera fachada duma edificação que os olhos sozinhos não alcançam.

Não gosto de odores fortes. Me estranha um pouco a idéia de que as pessoas se adornam com fragrâncias. Pra mim, quase toda a linha d'o Boticário, por exemplo, não passa de um Bom ar bem maquiado. Pra mim, quanto mais discreto for um aroma, melhor: não nasci cachorro pra ficar farejando os outros, ora bolas pipocas! Prefiro odores cítricos pela mesma razão que prefiro sorvetes com o mesmo sabor: são levemente azedos, ideal pra romper com a excessiva doçura de um aroma/sabor. Um moderador para os sentidos...

Uma das contradições que mais me deixam mordido nessa vida besta é estar certo em uma questão e, quando isso acarreta num atrito com os outros, eu precisar voltar atrás não por causa de teimosia alheia, mas por causa de como seu comportamento as afetou. Saco... o mundo devia erigir monumentos aos pragmáticos e creches aos subjetivos. Não me entenda mal, eu me sinto culpado por contaminar os outros com meu pragmatismo sincero, mas porra, geral exagera: se alguém está endurecido pelo pragmatismo, pra quê amolecer pedra dura com água mole? Pegue uma britadeira: quero ver alguma pedra resistir...

Militares já aprontaram tudo o que puderam nas últimas décadas, mas tem algumas sutis colaborações sociais deles que nos passam desapercebidos. Veja só, uniformes militares são de uma extensiva colaboração social. Quanto pregão por aí fazendo a alegria de indigente graças à pompa de indumentárias militares inteiras esquecidas em armários cheios de traças que só vêem a luz do sol quando alguma campanha do agasalho convoca o dono dos artefatos têxteis a doarem suas peças há muito não usadas. Pois é, quanto caseiro, peão de obra e fudido em geral vê em tal instituição a oportunidade de alguma mobilidade social mesmo sabendo que dentro dum quartel não fará nada muito diferente de seus bicos (pintar muro, capinar, prestar guarda, ser humilhado...). Mas podia ser pior: nossas forças armadas não são paranóicas ou beligerantes como algumas, que jogam fora a juventude à sua disposição, investindo-a contra civis inocentes do Oriente Médio. É tendência de civil ficar chorando pitanga quando o assunto é esse. Mas não é função dessas instituições agradar a gente, mesmo: como todo trabalho sujo, a execução é melhor quando os que desfrutam desses préstimos te odeiam. Não menosprezemos as hierarquias... louvemos cinismos baratos como esse do uniforme que acabei de usar.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Deserto de concreto

Eu odeio a devastação aos hábitos de gerações inteiras que a modernidade traz! Esse vociferar me foi evocado consciente adentro ao passar por uma locadora tradicional daqui da cidade. Perto da faculdade, eles tinham uma invejável loja. Mas, nos últimos meses, o surgimento de locadoras na forma de terminais de auto-atendimento e o desenfreado compartilhamento digital de mídia legaram esses acervos de filmes à poeira do esquecimento. Enfim, era uma sobrevivente nessa era de entretenimento globalizado. Seu agonizante fim ecoou enfaticamente em mim a caminho de casa. Pela manhã, lembro-me dum cartaz anunciando liquidação total do acervo, já há uns dez, quinze dias pendurado ao lado do que antes era um outdoor (sim, a locadora tinha seu próprio outdoor pra jabá de distribuidora), com os dizeres: Liquidação total, DVDs a R$5, VHS a R$0,50. Os valores que costumávamos atribuir a certos objetos de nosso cotidiano se esvaíram de vez no consumismo e propagação incontroláveis incitados pelas novas tecnologias. Ampliou-se o acesso às manifestações pop de cultura, ampliou-se a horda de medíocres pondo abaixo o caráter seletivo de outrora da maior dificuldade de acesso à elementos culturais. Conseqüência? Inanição do bom-gosto. Industrialização do belo.

O mais lastimável não é o fechamento de toda uma rede de locadoras em si; não era exatamente um cliente costumaz. Mas sim o que dará lugar ao espaço físico do local: uma igreja evangélica. Mais uma! Sem falar a drogaria que construirão ao lado. Com um McDonald's à direita, que chegou há apenas alguns anos. Pois é, até as regiões mais nobres da cidade estão ficando jecas hoje em dia! Igreja, farmácia e crédito pessoal: essa maldita tríade polui nosso esqueleto imobiliário enquanto a paranóia/sedentarismo dos populares os levam cada vez mais a centros comerciais hermeticamente fechados como shoppings. A vida das cidades cada vez mais está sendo encerrada e escondida em recintos de concreto com aparelhos de ar condicionado industrial refrescando o traseiro gordo de socialites e adolescentes esgotando os estoques municipais de all-star, chapinha e senso de ridículo. O mundo entra cada vez em nossos bolsos, e ignoramos o que este buraco negro tecnológico anda fazendo com as coisas simples de antes. Veja só, no futuro seremos ridicularizados por nossos filhos por um dia nos termos sujeitado a alugar filmes! Vai faltar museus pra nossa geração? Eu acho que vai...

Seria trivial demais eu usar argumentos para a indústria fonográfica e usar do apelo nostágico ao mencionar como locadoras me pareciam atraentes em criança. Continuo então com o argumento de que as relações pessoais estão tão subversivas para com distâncias e percepções dos sentidos que não é de se estranhar como as pessoas soam tão estranhas a si mesmas às vezes. Queríamos o quê? Tal avalanche de impressões e experiências trazidas pelas mídias, que impregnam vivências incoerentes nas pessoas, as estão fazendo sublimar o mundo a seu redor. A aldeia global mais parece uma legião de pessoas invisíveis do que um mundo mais interligado. A propósito, aproveitei o desmoronar de um dos pilares da mídia de minha geração levando pra casa 5 DVDs e 6 VHS pela surreal importância de R$22,50. Com todo o valor agregado pelos fabricantes e responsáveis pela propriedade intelectual, embutida em cada um dos vídeos, a que tinha direito. Morram de inveja, exilados de seus próprios gravadores de DVD! Não estranhem as conseqüências de um mundo cujo prestígio de um artista está cada vez mais se medindo por cliques. O volátil ainda fará evaporar o sólido...