domingo, 26 de dezembro de 2004

Domingo chuvoso. Vontade de sair às ruas correndo. Fazia isso quando menor, mas uma censura besta me impede de fazer isso nesse momento. Dias assim são tão raros. Em domingos, então, nem se fala. Muitos de relance nas janelas, poucos andando com o céu transpirando sobre suas cabeças. O que faltava antes sobra hoje e vice-versa. E viceverseando viceverso lembranças com esperanças. Embora não esteja de soslaio no parapeito divagando como os muitos. É só mais um Domingo, mas isso é suficiente para tornar um dia único: ser mais um. Ou ser menos um. Depende. Depender distingue. Independer assemelha? Dicotomias de uma necessidade de liberdade necessária a nós. Distinção por distinção, o diferente igual que pode funcionar como camuflagens do mais do mesmo sem que percebamos. Semelhança por semelhança, o igual diferente, distinguido pela dependência e assemelhado pela independência.

Chuvas remetem a ciclos. O vai e o volta*. O metafórico da natureza que chega até aos oceanos de cimento das cidades. Recados da natureza de que ela não existe apenas nos zoológicos. O que vier virá. Seja em gotas, seja em pedras. E aqui caberia uma figura de linguagem se quisesse usar como referências meus tempos de guri em que corria despreocupadamente pela rua de trás -- moro em esquina -- querendo aproveitar a duração do cair das águas. Aproveitar a duração. Eterno enquanto durar, no verso chave de ouro do Vinicius de Moraes. É só mais um Domingo, como disse. E só mais uma chuva. E só mais uma dicotomia. Tríades seriam bem-vindas pela noção de se ficar em cima do muro que um terceiro elemento poderia vir a trazer. Mas, ao advir de um terceiro, se desejaria um quarto com certeza. E o muro desabaria como sempre. Se dois é bom e três é demais, sempre quer-se mais. Sendo nada de mais ou não.


______________

* Vai e volta: nome de um brinquedo antigo da Estrela que consistia em um carrinho, nas cores vermelha ou azul, que, mediante propulsão para trás, andava alguns metros à frente e voltava esse mesmo trajeto de ré. Eu tinha um azul, lógico: detesto vermelho! Isso não tem nada a ver com o post, mas dias chuvosos colaboram para nostalgias...

quarta-feira, 22 de dezembro de 2004

Na assistência técnica

[esta Terça, He-man e eu na assistência técnica do celular dele]
_ Ae, finalmente me chamaram!
_ Bom, o meu celular está com...
_ Nota fiscal, por favor.
_ De vez em quando ele...
_ Certificado de garantia, por favor.
_ E também ele...
_ (inserir nome de algum artifício burocrático), por favor.
_ Tá aqui!
_ Óquei, preciso agora dos documentos de alguém responsável por você, ô cabeça.
[He-man me chama]
_ Preciso de identidade e CPf, Tiago.

* Nota mental: porra, daonde essa cover de menina superpoderosa arrancou esse nome bizarro pra me confundir?


_ Taqui.
_ Certo. Vejamos o aparelho... caramba, filho! Você não tem cuidado com isso aqui, não?
_ É que ele caiu uma vez no...
_ Olha só o estrago! Tem danos aqui, aqui, aqui e aqui!
_ Bom, é que...
_ Ah, olha só: sua nota fiscal está rasurada, preenchida à mão! A empresa não aceita mais notas fiscais assim. Você terá de voltar à loja pedir outra.
[mostra em seguida um fax da empresa, "rasurado" por assim dizer -- escrito à mão -- informando a decisão dos executivos da empresa]
_ Muito conveniente isso: querem recusar notas com manuscritos mas emitem um informe sobre isso escrito a punho!
_ Disse alguma coisa, Tiago?
_ Eu mereço mesmo...
_ Bom, vambora Tiago. Amanhã voltamos.
As provações estão acabando?

As que me entendiam são opcionais?

Terei outra chance?

Aproveitarei essa próxima chance?

Sei que sim por ter me cansado há muito de fugas, mas o que é que sei de tudo isso?

De que respostas antigas, que antes acreditava, e novas, que agora acredito ter, se tratam essas perguntas?

O que concluir depois de olhar pra mim mesmo tantas vezes, em tantas oportunidades, e com diferentes julgamentos alheios?

Me despreocupo dos disfarces alheios, sem isso se tratar de um sinal de indiferença mas sim um sinal de imparcialidade, crendo ter me despreocupado de todo de meu próprio disfarce?

A calma da suposta maturidade se confunde com uma autobanalização?

É normal eu não entender o que escrevo face à posteriorodade, apesar de no momento em que o escrito é escrito as palavras fazerem perfeito sentido como se fossem emanadas de alguma fonte mental desconhecida?

Penso, contradigo-me ou ajo sem pensar sendo o pensar posterior resquícios de neuras das quais abri mão naquele momento: o que veio, vem ou virá primeiro?



Querem um texto especulando respostas? Vieram ao lugar errado... :/

domingo, 19 de dezembro de 2004

Balanço

Nota pessoal inútil:

Sabe aquelas épocas em que experimentar faz parte do
Zeitgeist de cada um? Apertando a tecla SAP, dessa vez sem germanismos: quando novidades ainda assim são e quer-se passar por boas redundâncias (vide post do mês passado, se não me engano). Pra quê adultamente desnecessário? O pólen de jovem continua a (me) atrair. Vinte anos com focinho de quinze: fico feliz por saber que, de vez em quando, realmente esqueço disso e tropeço em atitudes e sensações que ainda não esqueci no auge atolar dessa idade. Eis uma amostra do paradoxal em se sentir feliz...


Post mais inútil ainda:

Escrever sobre a felicidade não tem nada de interessante! O homem possui um apego por tragédias, dramas e tristezas em geral, o que está evidenciado nas mais importantes referências culturais de quaisquer sociedades. Alegrias não produzem mobilidades psíquicas tão visíveis como as tristezas, pelo jeito. Toda história possui um andamento introduzido em seus primeiros capítulos como uma referência a ser considerada estática, normal. Em seguida, temos uma complicação, esta obrigatoriamente uma tristeza, mesmo que proveniente de uma alegria. Por fim, tem-se um desfecho. Este é ambíguo por natureza: pode tanto ser triste como feliz, ou literalmente ambíguo. Ou seja, toda história é uma gangorra, simples assim. A cada uma se credita de uma maneira o lado que pesa, assim como se conceitua cada lado de uma maneira.

Eis o desagradável de escrever: sempre tem alguém de linhas célebres pra dizer que somente o sofrimento rende linhas relevantes. Ainda não descobriram como contestar isso, e olha que temos grupos de estudiosos de utilidade questionável como os teóricos da literatura. As palavras dizem muito, mas ninguém ainda aprendeu a ler o intrínseco e essencial produzido por esses tortuosos léxicos que inventamos ao longo de séculos. Ou seja, temos respostas a perguntas que não fazemos nos textos, mas não sabemos perguntar e sequer responder. Pensando assim, estudar correntes literárias parece não passar de uma perda de tempo fomentada por egos intelectualóides de quem se foi e de quem ainda vive pra realmente acreditar na transcendência do que escreve baseando-se em críticas de argumentos e processos há muito ultrapassados e carentes de algum método que faça sentido universal. Ufa! Isso sem falar na montanha -- diria cordilheira -- de referências desordenadas que se acumulam cada vez mais.

Eu sei lá, viu? No final das contas, não leio mais histórias me iludindo com a carapuça do enredo em si; perco mais tempo é com as ligações, simbolismos, tendências e coincidências que acabam tornando a história óbvia muito antes deu terminar de ler. Como se um livro fosse um quebra-cabeça, sabe? Não interessa a paisagem a se obter ao se juntar todas as peças, mas é a tarefa de se ordenar essas peças que é mais importante. E assim a tarefa de se escrever sobre a felicidade torna-se frustrante, facilmente rotulável de correntes: a felicidade já é algo montado. Poderiam me questionar citando algum texto consagrado cujas linhas falem da felicidade, mas me digam aonde esses textos chegam. Não passam de conselhos, bem-vindos, aliás. Tristezas são complicações, e sem complicações enredos não andam. Felicidades são estáticas e não acompanham o constante movimentar dessa história sem fim que insistimos em registrar em diários e blogs.

Considerar vários prismas de uma mesma coisa é pensar demais, e isso é fatal por complicar o simples. Mas o simples parece complicado às vezes. Digo, o complicado parece simples. E a felicidade parece funcionar como fator de distração. E mais uma vez a questão entra pela dimensão paralela dos oxímoros: a tristeza também funciona como fonte de distração muitas vezes! Olhar para vários lados de forma observadora, não controladora: parece tarefa de ciclope fazer algo assim perante essa história doida que escrevemos todos os dias. Ciclopes de dois olhos: às vezes é hora de descobrir como funciona o segundo olho. Os engraçadinhos perguntariam sobre o funcionamento do terceiro, mas como o BR tem leitoras demais evitarei falar sobre possíveis insinuações à sodomia. Dois olhos enxergam dualidades em tudo mesmo sem se dar conta: visível e invisível, esquerdo e direito, felicidade e tristeza, alto e baixo, grande e pequeno... a menos que você seja caolho, mas apesar de os tempos dos piratas terem passado, muitas variedades urbanas humanas não precisam do cliché tapa-olhos para agirem da mesma forma sutil como os antigos bucaneiros...

A felicidade tem a fragilidade de ser facilmente embreguecível: vide jingles infantis. A tristeza também não escapa disso com os folhetins latino-americanos. Mas o que torna a felicidade aparentemente mais passível de embreguecimento? A relutância (ou falta desta?) das pessoas perante ela, enfim, as frustradas tentativas de infiderença perante ela. É por essas e outras que a autoria da maioria dos textos sobre felicidade são inundadas por trás da alcunha de "autor desconhecido". Mas espere, com a tristeza, o citado nas duas frases anteriores também acontece. Perceberam o andar das coisas? Falei, falei e falei sobre a felicidade sem me mover um centímetro que fosse quanto à questão. A felicidade é redundante (vide post do mês passado) por natureza, mas estática, também. A tristeza é semelhante à felicidade em muitas coisas, porém é móvel, leva àlgum lugar e parece acrescentar algo. Tal dualidade é um andar em círculos cheios de pedras no caminho pra nos fazer desviar para caminhos melhores que raramente percebemos. Como somos distraídos. E eu achando que era só comigo tal distração...


Nota que escrevera há meses atrás e que cá despacherei já que encontrei vaga referência:

Pra começo de conversa: a felicidade é interior ou exterior a nós? O ignorante pode relevar coisas demais que o dito inteligente já não releva mais. Nessa circunstância o ignorante poderia se encontrar mais à volta de cobranças desnecessárias, portanto mais infeliz, do que o dito inteligente. Existem felicidades egoístas, aquelas que buscamos só para nós, pelos mais diversos atos. Existem também as coletivas, que requerem um altruísmo, ou seja, uma atitude mais extrínseca quanto ao conceito de felicidade. Ainda assim intrínseca, porque a felicidade coletiva pode se manifestar egoísta para alguns que a produzem e para alguns que a recebem. É um conceito que se trunca facilmente face aos medos e julgamentos humanos. Como qualquer produção do pensamento, a felicidade se encontra entrelaçada a várias emoções e razões contraditórias. Isolar ou conjugar esse conjunto de produções mentais, qual a alternativa ideal? A resposta é extensamente variável e constantemente despistada por nossos temperamentos. É o tipo de resposta em que não se pode buscar certezas, deve-se buscar considerações. Nem tudo que a mente produz é passível da razão, não esqueçamo-nos disso.

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

Drops

_ Cara, não sabes da maior: estou namorando.
_ Hum, safado! E ela é bonita?
_ Não: sou realista.

_ Oi, razão do meu sorriso!
_ Cala a boca, Batata!
_ Porquê, motivo do meu viver?
_ Porque sim! Cai fora!
_ Mas és meu oxigênio!
_ Asfixiar-me não parece uma idéia tão ruim em horas assim...

_ Sempre tem gente me espionando nos corredores insinuando algum romance que eu venha a estar tendo. Mas trarei até vocês algo que vi dia desses: não uma, mas várias vezes: este rapaz aqui, toda Terça, caminha calmamente com uma "amiiiga" descendo a rampa do bloco e conferindo alguns livros do sebo. Entenda por sebo uma mesa de madeira grande com vários títulos dum tiozão que fica o dia inteiro no patamar entre as rampas.
_ Mas ela é casada! É só uma "amiiiga" mesmo!
_ Não tente me enganar com tais churumelas; sei o que vi!
_ Exato: me viu voltando pra casa na companhia duma amiga.
_ E ainda por cima sob o leso pretexto de ter mais uma aula do outro lado do Campus...
_ Mas eu tinha aula do outro lado do Campus! E repito: ela é casada!
_ Você ainda não percebeu a abrangência de minha constatação, não é mesmo?
_ Como assim?
_ Estás andando com a "bodada" não para conquistá-la, mas para persuadí-la a falar bem de você para uma terceira "amiiiiga".
_ Não sou maquiavélico com questões desse tipo! [esgana o outro em seguida]

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

O que leva Sersup a continuar escrevendo suas sandices diárias? Esses insights, meras reflexões dos anos que passam. Como comentara no Sábado (não no BR, devo acrescentar), o tempo passa, passa, e continuamos aqui. Com esses textos, insistentemente teorizo sobre mim mesmo, o que traz um bom conhecimento de campo. Chega a ser curioso como tem todo um miniuniverso nesses posts: alcunhas absurdas, acontecimentos medíocres absurdamente dissertados, anseios absurdos (assim os devo considerar daqui há alguns anos, claro). Sigo sempre o impulso primeiro de escrever pra mim primeiro. O resultado é dos mais variáveis. As repercussões também, ainda bem. Às vezes um simples comentário já pulula ene idéias.

E as coisas continuam assim, a meio que perder a graça com o passar do tempo. Contento-me com o previsível, mas repudio a banalização. Formalidades podem até ser previsíveis, mas jamais banais. Elas consistem em simbolismos agradáveis a nossa necessidade de fugir do trivial, mesmo nos tornando forçosamente triviais. Pompa e circunstância para circunstâncias naturalmente sem pompa. A pompa flerta com a futilidade ou com a sagacidade? E é isso: simbolismos! O comum te dizer muitas coisas indica que você ainda não se tornou daquelas pessoas frias que se orgulham de dar as costas a tudo e todos. O incomum no comum. Os pequenos significados requerem grandes esforços. As sutilezas requerem brusquidões da alma. Nada requer tanto quanto pensamos, a gente é que releva de menos e irreleva de mais. E, sem cerimônias, ceremoniamos. Eis as agradáveis redundâncias de que comentara nos dias 22 e 24 de Novembro.

Cerimônias celebram uma noção de fuga do trivial. E encontro nessa frase um ponto-de-vista interessante e assemelhado ao escrever. Quantos diários de papel por aí celebram em escritos a punho a trivialidade desavergonhada de seus escritores? Isso nos faz perceber que as coisas continuam a não fazer sentido quando em palavras, mas que isso se torna opcional uma vez sob letras por se ver, ser e ter coisas palpáveis apenas verbalmente. O não-palpável está aí pra nos dar idéias fixas, ilusórias e entorpecentes como sempre fez. Passar a borracha nos escritos desagradáveis, como experiências pessoais demonstram, é besteira se não se tiver o que escrever no lugar: as palavras estão lá muito antes de se dar conta destas impressas. Elas não são somente criação, são reflexão.


É, enfim, mais um ano se passando. Experiências boas e ruins registradas, possibilidades trazidas pelos posts, presenças enfim. O BR continua aqui; eu e o mundo, nem sempre. Como já dissera, um simples comentário pulula ene idéias. Com esse post não foi diferente... :)

domingo, 5 de dezembro de 2004

As coisas mudam rápido demais pra nos percebermos presos numa órbita que, por mais que traga horizontes novos, sempre retorna ao mesmo lugar-comum. Queria postar sobre sacolas, mas não sei bem como articular alguma coisa sobre temática tão desinteressante. O que queria tentar escrever aqui é apenas que aquele medo de me magoar novamente está presente de novo. Como várias outras coisas compreendidas na órbita que acabo de citar. Não é fácil -- melhor, conveniente -- conviver com quem te considera uma coisa, enquanto a recíproca não é verdadeira e você a considera mais que essa coisa. E o mal-estar está lá: você a quer bem, temendo o mal que ela te traz juntamente ao bem que ela carrega consigo, pela simples razão de a falta de recíproca do bem querer produzir tristezas daninhas provenientes de alegrias da parte dela -- essa sim você fazendo questão de ser recíprocas --, das quais você não faz parte mas talvez faça, mas teme tanto um quanto o outro por faltar adivinha o quê? Não, sério, tente adivinhar: coisas assim só me deixam confuso e distraído de taxas saudáveis de egoísmo.

Nada deveria estragar esses momentos bons dos últimos dias. E de fato nada o está fazendo. Só Sersup se incumbe disso mesmo. É como vivo dizendo: quando se esquecem de me surpreender, as pessoas me entristecem, simples assim. Entre essas pessoas, me incluo por vezes. E já que não tenho nada pra concluir esse post, falemos sobre os últimos dias. Quinta e Sexta foram a missa e formatura do He-man, respectivamente. Nessa última, tinha aula pra dar às oito da manhã e só consegui sair do Hotel fazenda às três! Ninguém merece, viu? Naquele mesmo Sábado, à tarde, Capítulo. Fim de tarde, Pantanal. Liguei antes combinando de encontrar com ela, mas ela, tinha que ser ela, pra me incutir o mal-estar do parágrafo anterior. Estávamos na Praça de alimentação. Algo que ela disse? Com certeza. Algo que ela sabe ter dito? Claro que não. Fui salvo pelo gongo com ligação do He-man. Aí foi minha deixa: caio fora e saio pra comer alguma coisa. Minha família não nega a propensão italiana a comer, como se percebe. Depois, He-man recebe ligação e ganha cortesia pro camarote do show do Pagodinho pra tirar foto. Enfim, o tipo de coisa que nem de graça eu quero. Sendo o show pertinho de casa, o útil foi unido ao agradável. Eu, que não queria saber de barulho, fui dormir cedo aquele dia: estava cansado...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

Drops pra começar o post


_ Sabia que é regra de etiqueta a pessoa que ligar dar tchau?
_ É mesmo? Eu nunca faço isso quando ligo.
_ Pois comece a fazê-lo. É chato, constrangedor para a pessoa que recebe a ligação ter de fazê-lo.
[minutos depois, após desviarmos para vários assuntos]
_ Eu a encontrarei à noite...
_ É mesmo? Eu não sei de mais nada!
_ Cara, tô nervoso...



Cadê a Paranóia do gostar? O que aconteceu? O nervosismo de antes foi somente de véspera; no momento, tudo se foi. Nada restou. Um nada passeando por esse músculo tão metaforizado pelas pessoas. Como um saguão em fim de festa: nada, ninguém. Que vazio ridículo é esse que me parece inédito agora? É comum sentirmos vazios, mas este em particular não é um vazio de quando não vemos sentido nas coisas, é um vazio por como as coisas não repercutem tanto quanto antigamente. Como os planos de antes perdem razão de ser depois. Tanta coisa acontecendo parece ter ofuscado distrações que assim considerava: distrações. Me distraí pensando ser distrações coisas que não me distraíam por um minuto que fosse em certas épocas. A PG tem desses efeitos ardilosos que insisto em desconhecer, como me deixar em dúvida quanto a sua onipresença ou sua oniausência.

E a culpa, essa sim, a sensação desta, é onipresente. Poderia ter sido, mas não foi. Não foi, mas poderá ser em outras circunstâncias e outras pessoas. Culpa pelo 'se'. Culpa pelo 'foi'. Culpa pelo não saber o que esperar. Não estou condenado a nada, droga! Que mania besta essa a minha! O fluxo das coisas dispensa qualquer conta-gotas, prefere torneiras. Não creio ser desapego por eu simplesmente estar próximo desse eu que insiste em se esconder. Não me escondo mais como compulsivamente o fazia. Me revelo mesmo parecendo continuar a me esconder. Me aproximo perante uma visível mas meramente sensorial distância. Paradoxos e antíteses que não consigo evitar. Se é que preciso isso fazer. Se é que preciso dessa sopa de letras. Não, dessa última preciso sim. Preciso dizer a mim o que não preciso dizer a ninguém. Todos se calam pelo que talvez creiam que ninguém precisa ouvir, e assim caem em mais uma contradição.

Ler, ver e ser parte. O todo é quase sempre uma irrelevante tangente. E essa última frase, pretensiosamente, soa como um aforismo da PG que me acomete. PG que nos faz temer lembrar e ser lembrados, mas este verbo que acabo de utilizar na voz ativa e passiva pode ser substituído por vários outros, de acordo com a conveniência. A negação é a primeira parte do processo: várias ocasiões se aproveitam do chavão. E negações, no final das contas, parecem não passar de tentativas de confirmação frustradas (vide post de 17 de Novembro). Eis a PG que creio não me deixar mentir. Encerro o post sem saber se ainda estou o não com a PG, mas como comentara no primeiro parágro, isso já era esperado.


O que o Drops acima tem a ver com o post? É possível que esse preceda o que tinha a ver com o post...