terça-feira, 31 de agosto de 2004

Pegar de mãos

Poucos param para se delongarem às suas mãos. Se olhos são a janela da alma, mãos são a vitrine desta. Portanto, mais rápidas que os olhos, na lábia do mágico. Mãos italianas, mãos trêmulas, mãos pequenas, mãos furadas. Elas dizem um bocado sobre as pessoas. Sersup sente isso na pele, digo, mas mãos: possuo vários gestos involuntários com elas, provenientes de uma excessiva espontaneidade da qual sou dotado, que são constante objeto de ponderações das pessoas. As minhas dizem tudo: ansiedade, agitação, aflição. Tons cadavéricos após longos períodos imersa em água; tons pastel em dias quentes. O vermelho sangue pulsando nelas enquanto o pulso as ergue em sua eterna dança. Uma vez perguntaram ao pai a primeira coisa que ele olhava quando se encontrava com uma mulher. Ele respondeu as mãos. À época, ouvi aquilo com estranheza; conotei um fetiche que não era fetiche. Era um detalhe. Detalhes dizem muito.

Eu comecei a reparar nas mãos há relativamente pouco tempo. Não primeiramente nas dos outros, mas nas minhas, sempre inquietas, como se os braços atuassem como coleiras, guinchos a prendê-las ao corpo. E como detalhes dizem muito, tem também o quesito das unhas. As do Sersup são eternamente roxas, como se tivessem acabado de sair d'um ambiente frio. Elas são sempre assim. E, cúmplices de meus dedos, tamborilam constantemente na primeira superfície que encontram pela frente. Ou seja, nem sempre as mãos me denunciam: às vezes, os dedos o fazem antes. Furtivos.

Mãos dizem tanto sobre as pessoas que elas dizem o que é difícil dizer. Quando menos se percebe, em alguns casos. Um pegar de mãos diz muito! É uma sutileza imbatível. Manifesta uma aproximação, um contato, um monte de coisa. É quase uma cordialidade universal nas mais diversas situações. Vão descer o cacete, por exemplo num russo, se este tentar cumprimentar algum brasileiro com seus tradicionais beijinhos na fronte. Com um aperto de mão, várias gafes são evitadas, mas se dá espaço a outras. Apertos fortes demais, suados demais, rápidos demais, demorados demais... há toda uma hierarquia social informal nesse aspecto. Qualquer outra parte do corpo chama atenção demais se usada para algum tipo de contato com outra pessoa. As mãos, por mais próximas que fiquem dos olhos, possuem certa discrição. Se você não usá-las para quebrar o nariz de alguém, claro. Discrição esta evitada pelos mais aristocráticos com vários adornos. Luvas, anéis, pulseiras, fitas, socos ingleses, toda uma gama de adereços.

Se pararmos para pensar, as mãos não dizem somente sobre nós individualmente; dizem sobre nós como um todo. Provavelmente foi por elas inspirado que hoje em dia usamos um sistema numérico decimal. Se formos meio improváveis, poderíamos dizer que os trinta dias que compõem um mês de nossos calendários teria sido baseado nas articulações de cada dedo. Observe: cada dedo seu possui duas articulações que dividem cada dedo em três partes iguais. Ou seja, um mês em suas mãos. Sim, reparei que o polegar possui apenas uma articulação. Antigamente, portanto, poderiam considerar, contando as catorze divisões feitas pelas articulações, mais a palma, que cada mão representaria uma quinzena. Tem gente que tem nomes baseados em meses. Como em certas épocas era mais difícil se registrar as coisas, famílias poderiam dar nomes a seus filhos, baseados em meses, para se situarem em que parte de tal ano seus rebentos nasceram. Por exemplo, na época dos doze apóstolos, será que o fato de eles serem doze tinha como função, perdida no tempo, de Jesus e seus discípulos, se localizarem no tempo, uma vez que estavam constantemente em peregrinações e desprovidos de calendários oficiais? Cada dedo dos doze apóstolos poderia funcionar como uma agenda. Assim, se em dia tal fosse dia de se realizar um milagre, amarra-se uma fita vermelha no indicador; se no dia seguinte fosse hora de se transformar água em vinho, fita roxa no anelar. Mas isso é só uma consideração, sem base histórica alguma, da parte do Sersup, que viajou geral nesse parágrafo.

Partindo para argumentos científicos, vou citar mais uma daquelas descobertas científicas, possivelmente inúteis, feitas por aqueles cientistas americanos e britânicos desocupados. Nada do tipo daquelas em que quem come maçã duas vezes ao dia dimini em 25% as chances de ter úlcera nervosa no futuro. Esse tipo de inutilidade estatística, sabe? Citarei uma que vi no Fantástico. Sim, admito que preciso escolher melhor minhas fontes. O cara afirma que, pela distância entre o dedo anelar e o mediano, dá para dizer quem vencerá uma prova de atletismo, por exemplo. Já vi várias variações disso. Sobre medidas digitais que definiriam do tamanho do pé a opção sexual. Gente esquisita como DaVinci conseguiu descobrir certas simetrias do corpo humano, mas imaginemos o perigo que isso pode representar se as pesquisas quanto a essas simetrias avançarem radicalmente: só pela minha mão o cara saberia o tamanho de partes do corpo que Sersup, por ser recatado e discreto, não vai citar; ou então minha propensão a errar certas tarefas manuais só de olhar para as mãos? Pros paranóicos se esbaldarem, essa possibilidade!


Pode até sair dessa página, mas haverá uma mãozinha te acompanhando. Ela não sairá do seu pé, digo, da sua mão: estará perambulando pelo monitor! Particularmente, não sei o que é mouse há meses por causa do meu computador jurássico, mas que a mãozinha está lá, isso está!

segunda-feira, 30 de agosto de 2004

Observo um fenômeno que deve ser comum a toda década, que é a reflexão quanto à década passada. Sersup, sujeito relativamente velho, dois decênios bem sobrevividos, nota que há uma pausa para meditação no ar, um retorno ao que marcou a década passada. O que deve ser uma constante em cada década em que se entra. Anos 80? Um olhar para trás para os anos 70. Anos 90? Reconsideremos os 80. Quem não se lembra das copiosas propagandas do 1406 tentando vender coleções setentistas em LP (olha só em que tempos nos encontrávamos; o Cd ainda batia de frente com o LP em popularidade)? Seria esse retorno uma carência de produtos culturais sólidos? Pare para contar a quantidade de desenhos e filmes oitentistas reciclados atualmente. Em tempos pós-modernistas em que as situações estão sendo tratadas com uma gritante e estandarizada efemeridade, é de me chamar a atenção uma coisa: crescemos ouvindo dos mais velhos o quão legal as gerações anteriores eram, com ambientações sociais únicas e ícones insubstituíveis. E começo a perceber um tanto estarrecido que está chegando a minha vez. Não gosto de ficar imaginando a situação:

_ Ei, Tio Sersup, quem é esse encanador na capa desse jogo?

_ O quê? Você não sabe quem são os Mario Bros.? Os dinossauros dos videogames? Os precursores dos jogos de plataforma? O que é que te ensinam na escola, moleque?

_ Tá, relaxa. E esses cachorros falantes? E esse novela com um monte de crianças de uniforme azul? E esse desenho japonês cheio de gente portando armaduras alegóricas?

_ Caramba, quanto lixo cultural. Vamos por partes...

_ E esse calço de porta com botões?

_ É o meu celular, ô cabeça! Você não é novo demais pra ficar usando sarcasmos, não?

_ Isso não foi um sa... sa o quê?

_ Nossa...


Precisarei, além de me acostumar à idéia de que começo a me estagnar culturalmente, me acostumar à indiferença dos mais jovens quanto às asneiras culturais que povoam toda uma memória coletiva. Ainda bem que não terei filhos tão cedo: seria o fundo do poço eu passar por uma situação como a suposta há pouco. Chega a ser curioso como nossas infâncias são basicamente uma fusão do contexto social presente com as reminiscências de tempos passados trazidas pelos pais. Por exemplo, ao mesmo tempo em que ficava horas e horas assistindo a desenhos matinais, volta e meia era impelido a assistir coisas díspares como ao extinto Concertos internacionais e a alguns faroestes antigos na Record, como aqueles clássicos do Bud Spencer e Terrence Hill. Só para citar um exemplo. Não sei se só eu pareço me ver como uma bagunça cultural, mas há um pouco disso em todos, não? Em Sersup, então, que teve uma infância um tanto reclusa, isso se evidencia mais.

sexta-feira, 27 de agosto de 2004

Comentários comantados

Mais esquisito ainda é eu vir sempre aqui ler o que você escreve... Dois anos já, não?


Tempus fugit.
E como fugit! Esse mês, que quase deixo passar em branco, faz dois anos que comecei a escrever em blogs. Dois anos escrevendo o que nem sempre consigo articular em palavras. Tenho amigos para quem confio as coisas mais constrangedoras, mas o BR me dá a sensação de nenhum deles ser suficiente para tudo o que tenho a manifestar. Na falta de incautos para receber na íntegra a carga de dizeres do Sersup, o BR cai como uma luva, recebendo tudo sem isenção. A não ser a minha própria, claro.

Percebe-se como as coisas mudam. Fazia apenas três meses que atingira a maioridade quando criei meu primeiro blog. Os dois fatos não se relacionam, blogs não têm idade, mas dá para se conotar que certas passagens de nossas vidas são explosivas após certas idades. Pelo menos para nós mesmos. Blogs funcionariam como escombros desse inflamável processo de aprendizado chamado destino. Nos primeiros três meses em que escrevi, não conhecia ninguém do estado que também se aventurasse pela blogosfera. Pelas andanças blogs afora, um dia entro num blog duma menina que se identifica como Xuxu. Inicialmente os posts não me chamaram muita atenção; o blog tinha, assim como o meu, uns três meses. Mas, ao começar a ler alguns posts sobre as aulas das duas faculdades que ela prestava à época, reconheço no texto um amigo meu que estudava com ela. Rolei de rir com aqueles posts sobre ele. Ele, alguns dias depois, até chegou a perguntar se conhecia a Raquel. Achei uma pena quando percebi, dias depois, que não leria mais posts reveladores sobre esse meu amigo, por causa de uma decisão pessoal dela, devidamente escrita num post. Cerca de seis meses depois, me encontraria tomando decisão parecida. E não é fácil. É questão de um clicar de mouse para um atendente, mas uma questão de quase um ano deixada para trás para quem a faz.

No início do ano passado, ela deu uma sumida geral da web. Não respondia mais aos e-mails, parou de escrever, simplesmente sumiu. Apesar de sentir falta da leitora mais antiga que tenho, continuo a postar. Penso em parar, mas sinto que havia coisa a ser impressa em frases. E continuei, esporadicamente, mas continuei. Nesse meio-tempo, conheço novos leitores, novos blogs, até que, seis meses depois, do nada, Xuxu retorna de seu hiatus e volta a escrever. Muitas histórias, muitas bebedeiras, muitas noitadas. Tudo isso estava de volta junto com os posts dela. Mais as mudanças, esta recíproca para qualquer blogueiro. Apesar de, de vez em quando, a gente não ver o menor sentido em escrever essas linhas, em manter um punhado umbiguista de bytes no ar, vale a pena guardar esse álbum de momentos com a gente. Álbum de fotos só serve pra gente sair mal na foto. Álbum de momentos mantém todo um sensorial de um tempo que não voltará. Nem sempre uma boa imagem vale mais que mil palavras, reiteremos isso. Talvez uma palavra valha por mil imagens às vezes.

De quando em quando, quando menos me apercebo, estou encontrando na rua algum leitor do BR. Gente que eu nem fazia idéia de que lia isso aqui vem comentar comigo sobre os posts. Blogs produzem feedbacks randômicos. Mas algo que me intriga é que a Xuxu é umas das poucas leitoras que não conheço pessoalmente. Conheço um bocado de gente no cotidiano que, se não fosse através do BR, talvez jamais viesse a conhecer. Mas toda vez que ensaio conhecê-la, algo acontece. Ano retrasado, o Blogcontro melou. Ano passado, ela volta à web no final do ano. Esse ano, ela estuda no bloco quase ao lado do meu, e nada! Quem sabe um dia consiga... :P

terça-feira, 24 de agosto de 2004

Quero ter o que escrever, mas as palavras estão distantes. Vou falar então sobre algum insight desnecessário. Como os que acontecem quando me vejo entre amigos, contando alguma coisa que acontecera comigo que, em tempos pouco anteriores, eu jamais contaria. Tanta coisa à qual a gente se fecha para, quando menos percebermos, percebermos sua pequeneza e sobre elas falarmos desapercebidamente. Sinal de que irrelevo cada vez mais minha máscara. Algo constante há muitissississississíssimo tempo. Me lembrei de Chaves agora, mas nada tem ele a ver com o post. Eu acho.

Eu queria ser incondicionalmente. Só de se conseguir ser incondicional já é uma conquista considerável. Incondicional no quê? Na onde menos, ou mais, esperamos? Só sei que, até no pensar, é difícil alcançar a incondicionalidade. Com textos como esse é que vemos como é difícil obtê-la. Se é que se é sempre bom ser incondicional. Muitas vezes o incondicional dá status de nobreza a certas atitudes e crenças. Seria a nobreza excessiva relevância da máscara? A máscara mascara a incondicionalidade?

Ando desenvolvendo um absurdo senso de observação. Quer eu queira ou não. Tudo que observo, cada vez mais, passa a ter uma padronização sob as mais inusitadas camadas. Os jogos de palavras do textual, os jogos de luzes, símbolos e movimentos do visual, as reviravoltas produzidas quando o texual e o visual são usados em conjunto. As coincidências desmoronam cada vez mais. Esse sanduíche contextual das produções culturais indefine irremediavelmente a remota noção de incondicionalidade que eu cria ter. Só a incondicionalidade, ou a ausência, latência dela, permitiria eu escrever um texto tão absurdo como esse.

quarta-feira, 18 de agosto de 2004

Drops

_ Que curso você faz?
_ Letras.
_ Aaahh. E o que vocês estudam?
_ A tomar por base a aula de ontem, basicamente estudamos como pegar poesias cândidas da literatura e interpretá-las à luz do mais absurdo e infundado erotismo.

_ Ah, que porcaria! Acordei vazio, sem saber quem sou, sem perspectivas, me sentindo a última pessoa do mundo e preocupado com sei-la-o-quê.
_ Bem-vindo ao clube.

[irmão e Dilsinho ao telefone]
_ Iaaahhh!
_ Bleeehh!
_ Waaaaaaahhhh!
_ Haaaaaannnnn!
_ Sim, sim, irei.
_ Tcháá!

[piadinha que Bodão sempre conta nas aulas]
_ É assim: naqueles tempos bíblicos, Jesus chega a seus apóstolos e pede a cada um: João, beija minha mão; José beija meu pé; Samuel, beija meu chapéu... porque foges de mim, Nicolau?
[durante explicação de Radicais]
_ Certo, gente boa: agora falaremos dos afixos! Afixos são partículas que se adiciona aos radicais, antes ou depois deste. Temos, por exemplo, a partícula pré-, que indica alguma coisa que aconteceu antes do que o radical indica. Por exemplo: o período antes da escrita é a...
_ Pré-escrita.
_ Antes da história?
_ Pré-história.
_ Antes de Sócrates?
_ Pré-socrático.
_ Antes da República Checa?
_ ...

quarta-feira, 11 de agosto de 2004

Conto sobre um sonho

À tarde inventei de tirar uma sesta básica. Já resolvera algumas coisas pela manhã: fora pro curso, pegara orçamento das camisas, entregara o ofício do Cheiroso... me dei esse ode ao ócio e relaxei. Só teria curso às cinco mesmo. Depois de comido, me dirijo à cama e cedo à preguiça do corpo. Não é exatamente algo comum sonharmos durante sestas. Mas foi o que comigo aconteceu. No sonho, estava eu no campus da universidade, num show, acho. Era uma madrugada de poucas estrelas. De repente encontro ela e vários amigos (meus e dela). Era tarde, mais ninguém ao redor. Ficamos zoando um pouco por aquela parte do Campus, falando besteira, rindo alto, até que, por motivos nebulosos, a levo pra casa. No sonho, ela morava tipo num apartamento, com uma bela sacada. Tons pastel nas paredes. Enquanto os amigos assaltam a geladeira do recinto, eu e ela ficamos por um momento a sós. Fico com ela por pouco tempo a olhar um pouco para as estrelas. Sem arriscar algum comentário quanto às estrelas, pois sou péssimo com nomes de constelações, me aprochego mais dela. Digo pouquíssimo. Meus olhos se fecham brevemente, o porque não sei. Estou bem próximo dela. Nossas frontes se aproximam naturalmente, como a um encanto de serpente. Hesito por pouco tempo, mas continuo, e nos beijamos. E as carícias se prolongam. Ninguém por perto, desdém pelo local onde nos encontramos, tempo se arrastando por entre o momento. Pouco me lembro das impressões deixadas pelo ambiente. Isso pouco importa. Nem me lembro de quando volto a abrir os olhos. Me lembro da blusa preta dela, de zíper no busto. A alucinação do momento me desorienta de tal forma que, quando volto a mim, estou de volta no campus. Os amigos estão lá também. É como se nunca tivesse saído de lá. Mas algo dentro de mim confirmava o que parecia ser minha imaginação. Como uma energia pairando ao redor. Me dirijo até ela, que estava do outro lado do corrimão. Ela se afasta de mim, após dar um olhar afiado. As pessoas a meu redor não dizem muito: algumas continuam a meu redor, outras vão até ela. Alguma coisa parecia ter dado errado repentinamente. Não parecia ter sido algo de outrora. Perplexo, meus olhos não conseguem se fixar nela, indo embora, desaparecendo pelos cantos escuros das árvores ornando as velhas paredes daquela parte do campus. Fecho os olhos e acirro os músculos como a reações involuntárias. O que eu fizera? Não sabia. Os que ainda estavam ao redor pareciam se desintegrar à minha volta. Não os percebia se retirando. Não percebia nada. Me encosto abaixo daquele corrimão enferrujado e fico lá por um bom tempo. Aquele lugar ermo não me assustava. O breu eu despercebia. O que mais me assustava já acontecera. Ainda de olhos fechados, na busca por uma razão, pelo um segundo perdido que pode ter mudado tudo, pela noite de desfecho infeliz, não consigo pensar em nada. Mais uma vez não sei o que há comigo. Especificamente. Acontecera tão rápido, tão lento assim? Insistia nos olhos fechados. Quando finalmente os abro, uma breve respiração ofegante se instala no peito. Eu estava no quarto. Uma tarde de terça. A mãe dando partida no carro estacionado à direita da janela do quarto. Olho para os lados. Me levanto, passo pelo corredor entre o armário e a parede, lavo o rosto. Devo até ter descontado em alguém a tensão das imagens que há pouco minha mente criara. Cenas de perplexidade que nunca aconteceram. Vou até a garagem para preencher os olhos perdidos com o azul do céu. O tempo gris da manhã já se dissipara rapidamente com o escaldante calor do início da tarde.

terça-feira, 10 de agosto de 2004

Piadinhas vagabundas

Trocadilhos com os quais certos professores nos maltratam pelas manhãs:


_ Certo, uma vez com a equação pronta, é só "pôr-no-gráfico"! E agora, turma, onde coloco esse número?
_ Que tal enfi... digo, pôr-no-gráfico?

_ Esta espécie de [inserir termo trava-língua de Biologia aqui] é igualzinha à [inserir outro termo trava-línga de Biologia aqui], só que diferente!

_ Óquei pessoas, hoje estudaremos o céu!
_ Como é?
_ É, o CEU! O Campo elétrico uniforme!
_ Ai, meus sais...
_ Vocês ficarão nos céus com essa matéria! É facinho...

[essa ouvi do irmão conversando com um amigo]
_ Droga, cara! O Humberto me suspendeu, cara! Como ele pôde, cara?
_ Na aula de quem te pegaram no pulo?
_ Na aula do Pinto.
_ E pra dizer à mãe que você está suspenso, hein? Ficou com o Pinto no...

_ Bom, e qual fórmula uso?
_ Rachid, me vê um quibe!
_ Han?
_ Sim: r=m.v.u.q