quinta-feira, 29 de julho de 2004

Amigos

Nunca vivi em paz com essa palavra. Já te bateu a sensação de que seu círculo social só existe por causa de uma pessoa te ancorando? Ou seja, as pessoas só falam contigo por intermédio de uma outra? Como odeio pensar nisso! Me sinto incapaz de fazer amigos às vezes. Ficar vendo outrem fazendo as mais diversas coisas sem razão, a não ser uma boa companhia, acaba com a gente em dias em que estamos ruins de auto-estima. E como postara antes, sempre pago um preço por ser eu mesmo. Sempre! E o preço parece aumentar quando me esforço para inverter esse quadro. Estou cansado de certas coisas em mim. Estou cansado de dezenas de coisas nos outros. Estão todos, eu e o mundo, cansados demais para se entenderem?

Conhecemos pessoas, elas nos conhecem. Falamos com as pessoas, elas conosco falam. Algo mais? Porque as pessoas insistem em abrir mão de buscas por coisas primordiais como amizade, por exemplo? Porquê aderir a esse desdém trazido por coisas nefastas como o dinheiro? Desdém algum justifica o porquê de termos vergonha de admitirmos que nem tudo que fazemos é por uma razão funcional. Não esperemos situações específicas para tentarmos justificar nossas emoções; sintamos antes e ajamos depois. Joguemos fora essa máscara niilista que nos torna orgulhosos demais para nos apegarmos ao sentir. De niilista já basta esse mundo calcado de impessoalidades, com pessoas que se bloqueiam de fazerem coisas louváveis por falta de razão de proveito próprio.

O que isso tudo tem a ver com amigos? Tem a ver com o fato de que procuramos demais um sentido para nós e o mundo. Tentamos procurar uma razão para o quê ninguém sabe, que nem sempre carece de ser, assim, caçada. Pensamos demais, enfim. Deixe o pensar pra prova na faculdade! Mas deixe o ser para os amigos. Deixe a impressão de que não faz diferença -- precisa fazer? -- porquê fazemos certas coisas (quer seja por alguém, quer não) sem razão. Não sejamos escravos dela; não fomos feitos para atingi-la em todos os aspectos. A razão não é constante, é variável. E como naquela lei de Murphy, "quando estiver fazendo um cálculo complexo, uma variável será sempre uma constante, e uma constante será sempre uma variável". Não há unidades de medida para quem consideramos amigos, mas muitos insistem em usar constantes variáveis como influência, interesses, e mais uma vez a razão, como parâmetros.

Esqueça o sentido das coisas. Ao contrário de nossas desculpas de quando chegamos tarde em casa, muitas coisas não precisam fazer sentido. E eis o legal nisso. Não vai ser fácil, mas precisamos ignorar o sentido lógico de certas coisas. Pense no hoje: o ontem e o amanhã não precisam fazer sentido! Pense na alegria: tristeza de ontem e decepção de amanhã também não precisam. Pense no todo: nada na vida foi feito para ser coleção! E já que é para se despreocupar com o sentido de coisas escusas a métodos científicos, despreocupe-se também com o pensar! Não procure pensar no sentido das coisas que seus amigos propõem: sinta mais e pense menos! Ao contrário do que parece a muitos, sentir não é de exclusividade feminina às vezes: é de exclusividade de quem não sabe o que está pensando! Sabe como é, o que dificulta esse afastamento do pensamento é que, no auge de sua versatilidade, o pensamento se confunde com o sentimento, e o sentimento se confunde com o pensamento. "Mentos" conflitantes!

Desde o primeiro parágrafo, já sabia que terminaria com essa verdade do poeta: quanto mais escrevo sobre o homem, menos sobre ele sei. Com amizade não é diferente. Sua lista do Orkut não provará o contrário! Só de lembrar da lista você já pensou! Antes que você tente se trair procurando o sentido de se ter uma lista de amigos, faça algo sem sentido, para alguém de preferência. Just do it! Não tente se provar nada; isso em si já é uma busca por sentido. Depois de feito, faça o que quiser. Por "o que quiser" não implicito você começar a sair na rua quebrando orelhões, por favor. Implicito você voltar a seu cotidiano com outros ares. Reciclado por tomar uma atitude desprovida de uma razão aos olhos dos outros. Mais leve por, ao menos uma vez ao dia, ter sentido, sido si mesmo, e não pensado, se preocupado com pensamentos alheios. Se der certo, me conta como foi! :P

Tente não fazer isso impulsionado por algo que esteja além de amizade. Você pode se ma... sabe de uma coisa? Esqueça o que escrevi na primeira frase deste parágrafo. Faça! Quase que me contradigo: amizade não é mensurável! Feche os olhos e não olhe pra trás! Goste das pessoas: a maioria delas não vende uma primeira impressão digna de nos esforçarmos a isso, mas lembre-se das peças do quebra-cabeça sobre as quais escrevera no penúltimo post! Saiba encontrar nas pequenas coisas suas peças! Se, em vez de pensares, sentires mais, acabarás se encontrando nos lugares mais improváveis, que é onde se encontram as peças centrais de seu quebra-cabeça, e as pessoas mais indicadas a nisso ajudá-lo.


Não pense que a sociedade parece não ter sido feita para coisas essenciais como os amigos. Ela apenas se orgulha de desdenhar essas coisas. Infelizmente.

Drops

_ Sabe, eu gostaria que tivesse dado certo com ele. Mas, sinceramente, era um saco eu ligar pra ele, tipo, dar um "Oi, como vai?", e ele me responder com um desencanado "E aí?".
_ Hum, qual o problema com o "E aí"?
_ Ah, sei lá, é muito desapegado, conota que ele não está nem aí pro que tenho a dizer. Bom, o "e aí" a gente até perdoa: o problema é que o cara é muito simplório, não sabe falar sobre atualidades e só fala na gíria. Já ficou com alguém assim, de papo inconveniente?
_ Bom, a última pessoa com quem fiquei até que não usava tantas gírias, mas era igualmente simplória: não sabia falar de atualidades; só vinha até mim pra falar do dia dela. Só! Como se fosse a coisa mais absurdamente interessante e divertida do mundo! "Eu não sou diário", ironizava comigo mesmo. Mas não adiantava...

_ E aí, está com alguém?
_ Eu? Neca! O meu dono é a liberdade.
_ Que isso, cara. É bom ter alguém do lado para acompanhar nossos altos e baixos.
_ Não sei porque, mas essa parece ser uma afirmação infeliz para alguém que fez uma operação de fimose há menos de duas semanas!
_ Terei de sair de ação por umas quatro semanas...
Que sufoco se mostram certas partes de nossas vidas! Nada temos a nos compadecer, aparentemente: tudo está bem, todos estão bem, estamos galgando aos poucos nossas metas... mas há efeitos colaterais da juventude que realmente são inconvenientes: porque nos sentimos tão infelizes? Temos tudo que precisamos, e se falta algo a gente se vira. Mas há algo faltando, e parece que nossa ignorâncias não nos permite se aperceber disso. O que nos dá a sensação de vacância? Responsabilidades de mais? Sentir de menos? Eu quero uma resposta, um antídoto pra escapar de tantos momentos de confusão e compadecimento. Mas quase sempre erro na fórmula. E nem sei dizer se ela é tão simples ou tão complicada assim.

Quero minhas certezas de volta! Certezas de épocas em que pensávamos menos e sentíamos mais. Ou vice-versa? Vejam o tamanho de minha incerteza! Há quanto tempo não saio na rua com a convicção de ter meu futuro guardado como a apólice de seguro em minhas esperanças. Há quanto tempo estou assim? Nem faria sentido me desesperar, pois nem sei se o que ocorre comigo é tão simples ou tão complicado assim para isso justificar. Ao andar pelas ruas, não vejo adultos: vejo crianças travestidas de tantas coisas ruins! Até sair na rua me entristece às vezes: observar as pessoas em suas prisões só me faz querer ficar em casa naqueles fins-de-semana iguais. Penso que preocupações inerentes ao sentir nos empurram bastante a essa inércia.

Quero ao mesmo tempo ser e não ser aquela pessoa de antes. Essa frase conota muito bem como nunca estamos satisfeitos com as coisas. O mesmo silêncio da casa que nos anima nos mói de uma hora para a outra. Não há a quem pedir socorro. Por mais que ponhamos para fora as coisas do coração, sempre tem coisa no fundo da panela que não sai. Isso indica que não gostamos totalmente de sermos nós mesmos? Não tenho tudo que gostaria, mas me dou mais do que por satisfeito com minhas posses. Digo, autoposses. Autoposses: peças de você, um quebra-cabeça sempre por terminar, espalhadas nos lugares mais insólitos, nos mais diferentes encaixes. Faltam tantas peças assim pra eu estar assim?


Esse post contrasta fortemente com algo que postara ano passado (21.11):


Deve ser algo passageiro. Sinto-me um pouco, mas só um pouco, melhor agora. Ainda me impressiono com pequenas coisas, mesmo as pequenas preocupações, as coisas que fiz ou deixei de fazer. Não se preocupem: será a última vez que usarei a última frase; ando usando-a demais!

quarta-feira, 28 de julho de 2004

Não gosto de copy-pastes, mas não podia deixar de cá registrar essa pérola nostálgica:


No final dos anos 70, Silvio Santos intercalava os quadros de seu programa dominical com o boletim "A Semana do Presidente", dedicado a acompanhar as atividades de João Baptista Figueiredo entre o Palácio do Planalto e a Granja do Torto, onde morava. Recepção de embaixadores, excursões escolares e desfiles comemorativos da Semana da Pátria eram algumas das "atrações" deste programete, narradas em off pelo Lombardi.


Em meados dos anos 80, a Semana do Presidente (que então veiculava as estripolias de José Sarney) passou a ser precedida por uma vinheta que exibia um homem personificando Jesus Cristo. Enquanto seu rosto era exibido sob uma discreta penumbra, uma voz narrava o seguinte texto:

"Paz, amor, fé, esperança, luz e união não são apenas palavras. Você tem certeza de que já fez tudo que podia pelo seu semelhante? Pense bem, pois um dia vamos nos encontrar. E eu gostaria muito de chamá-lo de meu filho".

Muitas crianças dessa época têm pesadelos até hoje com esse texto, e juram que o ator que interpretava Jesus dava uma piscadela no meio dessa vinheta.



Fonte: Pensar enlouquece

terça-feira, 27 de julho de 2004

_ Pois é: uma vez conheci um carinha pela web. Dei meu número a ele. Só que ele perdeu o número; disse que anotara num pedaço de papel e o perdera. Ele disse que tentou mais de cinqüenta combinações possíveis até encontrar meu número. No momento não podia falar, e disse que retornaria a ligação. Só que eu perdi o número dele! Dia desses o encontrei, de óculos: nem falou comigo!
_ Você passou pra ele a imagem mais desprezível possível!
_ Pois é. Teve um outro cara que, quando falei com ele pela primeira vez, afirmou ter vinte e oito anos. Na semana seguinte, disse ter trinta e cinco. Fiquei contrariada, me sentindo enganada, mas resolvo dar outra chance a ele. Ele disse que era um teste para "ver se ela respeitava os mais velhos". Pergunto se passei no tste, ele responde não. Já fula da vida, a gente ainda mantêm contato por um tempo. Até que, numa outra vez, ele disse ter cinqüenta anos. Foi o fim! Foi direto pra minha Ignore list! Era um tal de jornalista.
_ Noooossa...
_ Teve também um outro carinha que conheci pelo Msn. Quando lhe pedi sua descrição, ele disse que os amigos dele dizem que "ele é igualzinho ao Ricky Martin". Acabo marcando um encontro com ele. Quando vou ver, é um guri gordo, chato, indecente. Pra me livrar do chato, disse que tinha aula em cinco minutos. Troquei umas palavras com ele e nunca mais! Mais um pra Ignore list!
_ Só pra rir...
_ Tem um outro que, enquanto com ele conversava, decido perguntar sua altura. Ele responde 1,85m. Eu tenho 1,73m e não me importo muito com estatura. Mas escuta só como foi nosso encontro: um dia antes, ele pergunta se eu estaria de carro. Disse que não. Ele disse que era somente para se certificar, pois teve uma vez em que ele marcara encontro com a menina e esta, dentro do carro, quando viu o bugre com quem havia se enroscado, pisou no acelerador e o largara à deriva! Seguro com minha resposta, o encontro no local combinado. Ao me ver, fica com vergonha de sair do carro. Depois de um pouco de insistência minha, ele desce. Quase ri na hora: o moleque era um pitoco de 1,55m!
_ Ai, ai, ai... cada pateta que você conhece pelo computador...
_ Uma vez, e essa não foi via web, um amigo meu me arranja um encontro às cegas na Cachaçaria. Decido ir. Chegando lá, encontro-o com sua namorada. O "amigo" dele chega pouco depois. Eu queria sumir: o cara era mó quarentão metido a cafetão! E já estava chumbado quando veio a meu encontro. Tentou dar em cima de mim com um papo íntimo demais. Toda vez que ele tentava algo comigo, arrebentava a canela de meu amigo sentado à minha frente.
_ Você violou uma regra de ouro de quando sair com amigos: se estiver sozinha, jamais aceite o convite se seu amigo(a) estiver com namorada(o). Segurou vela à toa, além de tudo.
_ Não é isso: descubro mais tarde que o guri me arranjara o velho só pra conseguir desconto na loja dele! Pro inferno com os dois!
_ Cara, é só pra rir as histórias dessa menina...
Nem me lembrava mais desse texto. Achei que a profe não me devolveria mais. Foi na primeira semana de aula: ela escreveu uma citação no quadro e fez a seguinte pergunta: quem é você? E pediu para que entegássemos na mesma aula. Cada um com sua folha escrevendo sua resposta à filosofada proposta. Eu, tentando evitar o óbvio, escrevo algumas divagações. Pra evitar uma resposta direta, até inverto o discurso, altero a pergunta e manipulo a resposta. Ficou isso aí que você pode ler embaixo (o grifo foi feito por ela):


19.05.2004

"O maior apetite do homem é desejar ser."
Pe. Antônio Vieira


"Quem é você?" Existem inúmeras maneiras simplistas de responder tal pergunta, mas há uma resposta, pulsante em nós mesmos, mais difícil de ser manifestada. É uma resposta que envolve conhecermos a nós mesmos, envolve nos encontrarmos. É movido por essa busca que faço Letras. Movido pelo que acredito ser, pelo que acredito. Se quem opta por Letras não acredita no que estuda -- pois, como Ciência Humana, deve ser requisito fundamental o estudante conceber o que aprende como uma extensão a ser mantida, extensão essa o Saber, independentemente de quem prefere se utilizar de uma visão fútil e materialista das coisas -- não errou na escolha do Curso de Graduação, errou perante si mesmo.

As rédeas do cotidiano fazem com que as pessoas assumam uma visão limitada e preconceituosa de nosso curso. É com realidades como essa que o que realmente somos vai responder por nós. De uma forma ou de outra. O que esperar do curso é uma pergunta abrangente de respostas sempre vagas. Talvez devêssemos perguntar: O que o Curso espera de mim? Se eu fizer valer isso, talvez obtenha melhor resposta. Com uma resposta pessoal e limitada, espero conhecer melhor esta obra inigualável do homem, chamada Língua, sob suas várias vertentes. Espero também ser, um dia, capacitado para passar esse conhecimento adiante. Conhecimento inerte numa cabeça só é inútil!

segunda-feira, 26 de julho de 2004

Filtros sociais

Quantas coisas já deixaste de fazer por causa deles? Para melhor utilização do termo, conceba sua vida como um fluxo. Um fluxo que passa por vários filtros. Devem haver outros tipos, mas abordarei cá apenas o social. Quem nunca acordou revoltado, querendo mandar todo mundo à merda, jogar às favas ambições que só te entristecem e te expurgam com pressões infindáveis, usar substâncias ilícitas, dar a própria vida por uma causa se necessário, promiscuir-se compulsivamente... mais ou menos como naquele, filme, Um dia de fúria: dá a louca no cara e ele começa a meter bala em todo mundo com sua metralhadora semi-automática! Pois é: um dia aprendemos que três coisas em nossas cabeças nos salvam da selvageria total; essas atendem por id, ego e superego. Conceba a metáfora do anjinho e do demoninho, tão explorada nos filmes e nos desenhos, para melhor compreensão desses três termos. Eles são filtros mentais que impedem que você espanque seu irmão até fraturar uma das costelas, durante acessos de raiva, por exemplo. Filtros mentais: Freud explica! Filtros sociais: Sersup explica! Explica nada: filtros sociais são somente uma criação tola das minhas divagações notívagas!

Pois bem: pelo menos uma vez na vida nós nascemos. Aparentemente não há razão para a gente crescer, aprender a ir ao banheiro, se vestir sozinho, aprender a dar nó nos próprios sapatos, aprender a ler... mas, impulsionados pela vontade de fazer frente a dois senhores distintos que te aturam diariamente, encaramos o desafio. E o desafio nunca acaba: não basta alcançar a independência pessoal, é preciso se dar constantes satisfações a esses senhores. Cria-se filhos para o mundo, mas os dois ainda levarão tempo para se resignarem a isso. É a síndrome do ninho vazio! E eis o primeiro filtro social: você sai pra aula com aquela camisa que detesta, não chega tarde pra não preocupar seus dois progenitores, perde aquela festa... uma eterna dívida temos com nosso pais. Eterna enquanto durar, infelizmente. Resigno-me a isso. Bom, mas seus velhos são um filtro social benigno: ame-os ou odeie-os, eles podem ter evitado que você tenha sido ainda mais inseguro e complexado do que já és. Mas prefira amá-los: eles não sabem o que fazem (às vezes). Às vezes, nem a gente...

E neste ponto reafirmo: pais são um filtro social tranqüilo! O problema é quando, nos trancos e barrancos de nossos destinos, aparecem pessoas desavisadas o suficiente para aceitarem namorar contigo. Pronto: mais um filtro social se forma! E esse é muito mais cruel que o dos pais exatamente por envolver a tentação: a carne é fraquíssima! Uma paranóia se instala em ti; olhares furtivos te traem e gestos mínimos incitam os sempre inconveninetes ciúmes. Com o filtro dos pais, só um eventual sentimento de culpa pode acabar se alojando. Nada tão constante quanto uma paranóia, na maioria das vezes. O filtro afetivo pode se abrandar com o tempo, mas se intensificará à medida que seu compromisso com a pessoa aumentar. Não é necessariamente paralelo ao tempo. Basicamente os filtros sociais são esses dois. Há um terceiro, que pode-se definir como opcional, mas isso varia muito de pessoa a pessoa: é o filtro social social! Você pode até não se sentir afetado pelos dois filtros anteriores, mas este aqui é o mais abrangente de todos, embora por vezes seja o mais fútil. Os lugares aonde vais, as músicas que ouve, os filmes que vê: o fitro social social influi diretamente em seu consumo cultural! Imagina o que seus amigos pensariam se te vissem na locadora alugando aquele filme jocoso da Meg Ryan. Imperdoável, né? Atentado ao mau-gosto! Ou então se te vissem junto com aquela pessoa que teu melhor amigo detesta! Intriga na certa. O filtro social social é maleável: pode se restringir tanto a uma pessoa, quanto se extender por meia dúzia, uma dezena, uma trinca...


Pelo que se percebe, liberdade alguma vale a pena sem pelo menos um desses filtros! Por mais que o espírito humano seja sedento por alçar vôos mais altos, filtros sociais são necessários para a pessoa se evitar de certas impurezas. E com isso caímos num paradoxo: para uma verdadeira liberdade, é preciso prender-se um pouco. Vagar num vácuo* destino termina por se conferir numa prisão de espírito, uma liberdade viciosa. O desapego contradiz a natureza humana.


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* Vácuo (lat. Vacuum) é normalmente empregado como substantivo, mas é definido como adjetivo. Um adjetivo comumente substantivado, por assim dizer.

sábado, 24 de julho de 2004

Pequeno cara-de-pau

Óquei crianças, aprendam com Sersup o que não escrever quando estiverem respondendo algum questionário de tarefa. A pergunta abaixo faz parte de uma série de seis perguntas que ficaram para serem feitas em casa. Pra responder a uma em particlar, eu precisava de uma apostila específica, mas fiquei com preguiça de tirar a xerox da dita cuja e pensei:

_ Vou bancar o demagogo e passar a conversa na profe! Funcionou no vestibular do ano passado (vide idos de Dezembro); pode funcionar novamente!

Eis a pergunta e minha resposta em itálico, e a resposta que obtive da profe, sublinhada:


Quando o ensino da língua contribiu para a chamada Política de fechamento?

Contribuiu quando o professor passo a crer cegamente nos formadores de discurso, sem se utilizar de um mínimo de discernimento. Devo acrescentar que a pergunta ficou um anto ambígua e vaga: política de fechamento de quê? Podemos ter políticsa de fechamento sob os mais diversos aspectos, o que torna a pergunta excessivamente abrangente.


O aspecto que se pretende destacar, no que tange à política de fechamento, é o concebido por Foucault ao relacioná-la com os mecanismos de controle do discurso e do sujeito. Conferir tópico 3 da apostila Língua e Ensino: Política de fechamento



É, ela realmente esfregou na minha cara que não se deixa dobrar com conversa fiada de desocupados como Sersup que sequer se dão ao trabalho de correr atrás das apostilas! Teve uma outra vez, essa ainda no segundo grau, em que eu estava fazendo uma prova de Física. Nem preciso falar que passei metade do ano empurrando a matéria com a barriga, certo? Tarde demais, acabo de falar. Pois é, numa dada ocasião estava eu fazendo uma prova, e me deparo com uma questão, daquelas qe não se sabe nem por onde começar. Pensei:

_ Já que não tenho nada a perder, vou pegar umas três teorias, misturar com mais duas fórmulas e ver no que dá.

Foi o que eu fiz: fiz uma macarronada de números e despejei na prova. Eu cheguei a crer haver alguma coerência em meio àqueles números. Dias depois, ao receber minha bombástica nota, há uma inscrição justo nesta questão, que diz:


Viagem!!!


Ou seja, ele não se contentou em corrigir minha prova: fiz pilhéria com minha ignorância! Fora a galera que leu a nota mais tarde. Cada uma que se sucede com Sersup...

Coincidências

Em meu quarto, faço palavras cruzadas para matar o tempo: desisti há tempos de tentar me divertir com fórmulas de entretenimento decanas. Nessa ocasião em especial, ouço de soslaio algumas vinhetas enquanto tento encontrar uma palavra para "o maior órgão do corpo humano", com 4 letras. Está no ar um programa semanal, de certo cunho jornalístico, cujo tema era as crianças de rua. Ainda na dúvida quanto à palavra, o ruidoso barulho da tevê do quarto ao lado denuncia os comerciais. Entre as vinhetas ouve-se mais um reclame do Criança esperança, variação do Teleton.

Muita coincidência justo essa vinheta ter sido executada umas cinco vezes durante a transmissão do programa. Quanto a este, percebe-se que há uma intenção de se imprimir esperança em meio aos depoimentos e números divulgados durante a dita reportagem. Ou seja, um programa com temática voltada às crianças (de rua), tentando inspirar esperança. Os mais paranóicos diriam: quase uma mensagem subliminar!

Tudo bem que é difícil cultivar esperança em meio às indagações das más-línguas quanto aos desvios de dinheiro da campanha promovidos pelo Sr. "Rei" Pelé; tudo bem que é difícil cooptar com os abusivos donativos pedidos pelo programa (descontados os impostos, claro); tudo bem que nunca se divulga abertamente o destino das doações, mas a esperança é a última que morre, não é mesmo? Resigno-me a essa verdade e continuo com minhas palavras cruzadas que ganho mais!


Ah, e quanto à palavra: adivinharam? Possui duas vogais 'e'.


Este texto é uma crônica que ficou como tarefa para aula da semana que vem. Decido largar aqui no BR mesmo, por questão de curiosidade.

quarta-feira, 21 de julho de 2004

Novas

Não parece, mas Sersup é uma pessoa que se surpreende facilmente com as coisas. Uma frase inesperada, uma cena diferente, pouca coisa é suficiente para somar ao rol de experiências de Sersup. O fato de experimentar algo novo, por mais simples que seja, já me inspira novidade. Tem muitas coisas que abrira mão de fazer no passado por razões diversas. Falar com as pessoas, fazer o que quero independentemente de opiniões alheias, me permitir as coisas. Antes do segundo grau, Sersup se caracterizava por um jovem desiludido com a própria juventude em que estava inserido: simplesmente considerava 99% de meus amigos perfeitos idiotas facilmente rotuláveis. E, em épocas como essas, realmente nos levamos a sério em coisas mínimas que poderíamos amenizar, atenuar, não dar tanta importância quanto não merece. Os dias na escola eram piores que sitcom: todos os dias eram a mesma coisa, as mesmas pessoas inconvenientes, as mesmas opiniões banais, o mesmo senso comum, a mesma pobreza de espírito... um gigantesco clichê, como dissera em post anterior.

Ou seja, antes meu cotidiano era tão mecânico e tedioso que simplesmente abria mão o máximo possível de vãs convivências como as da época. Nunca saía de casa, jamais ia a eventos escolares como olimpíadas e festas juninas. Desanimava ser Sersup. A ponto de me afastar radicalmente das pessoas e me apegar apenas a coisas abstratas que não me contradissessem, como jogos, revistas, estudos, filmes. Foi uma fase solitária do Sersup. Quer dizer, bem mais que a atual. Não dá para entender porque tenho lampejos nostálgicos quando me ponho a lembrar daqueles anos. Não há o que sentir saudade; detestava o Sersup daqueles tempos. É uma saudade sem razão a não ser de existir. Admito que algumas poucas pessoas valem a lembrança. Mas não como um todo. Deve ser a simplicidade das coisas de antes que impulsiona a saudade. Sim, não é a exatamente a saudade que deve atrair Sersup: o que atrai é como antigamente ignorávamos pormenores das coisas internas e externas a nós.

Nossas prioridades se acumulam como a bola de neve (aqui, faço uma abordagem ridiculamente empírica):

_ Primeiramente, priorizamos, quando crianças, nos divertirmos. Só isso, olha que maravilha.

_ Num período posterior, priorizamos também os estudos. Porque é interessante às crianças ser, um dia, tão inteligentes quanto os pais (Sersup, então, que teve um pai de invejável cultura, sente-se até culpado por não ler mais do que deveria).

_ Alguns anos depois, priorizamos também as posses. A prioridade primeira de diversão tem um pouco de posse inerente a si: que criança nunca agregou diversão a posse de um brinquedo, por exemplo? Mas aqui não se quer a posse apenas para auto-satisfação: quer-se também para se impôr às outras crianças. A partir daqui não tem volta: adultos serão sempre crianças nesse quesito; sempre se superiorizando com seus brinquedinhos caros.

_ Mais um tempinho depois, prioriza-se o status social. Perde-se o egocentrismo inerente à criança, que a faz dispensar as impressões trazidas pela coletividade. Ela não se contenta mais com os três itens acima: ela também quer a quem impôr suas conquistas no tocante aos três itens anteriores. Percebam a bola de neve. E ainda nem chegamos às prioridades adolescentes.

_ Até agora, uma pessoa, para se crer feliz, precisa priorizar a diversão, os estudos, as posses e o status social. E não pára por aí: depois dessas quatro prioridades, temos a seguinte: habilidades! Tem-se de ser bom em alguma coisa. Os pais começam a não ser suficientes para recepcionar seus progressos; percebe-se sua parcialidade. Quer-se que os amigos e todos ao redor também isso percebam. E por aqui o afunilamento social começa: experimenta ser ruim no futebol quando bater uma pelada com os amigos!...

_ Opiniões alheias: é a partir daqui que a bola de neve vira avalanche. Todos os ítens acima começam a ser inflenciados pela opinião alheia. Não se quer fugir dos padrões dos que estão a seu redor, e é aqui que esse ítem ganha espaço. Há um desejo de integração, primariamente impulsionado pela prioridade primeira, a diversão. No item de status social, bastava conhecer as pessoas, ficar rodeado delas. Com a opinião alheia, não somente as conquistas pessoas importam; as coisas que transparecem aos olhos das pessoas começam a importar mais. Mas as pessoas não são transparentes; são translúcidas e detestam se mostrar como são. É uma das prioridades mais perigosas.*

_ Experimentar: prioridade prioritariamente influenciada pelo item anterior. Coisas que ninguém precisa experimentar são experimentadas por causa de opiniões alheias. São idades em que muitos não se conformam de serem proibidos de fazer certas coisas. Ignorantes que não percebem que são dissipações desnecessárias certas coisas que adultos proíbem, mas que experimentam assim mesmo movidos pelo ítem posterior, por sua vez também movido pela opinião alheia.

_ Auto-afirmação: uma necessidade bobinha de se fazer valer, de mostrar que se existe. É a prioridade mais visual: vá a um colégio e observe suas paredes recheadas de nomes de carentes de auto-afirmação.

_ Experimentar o outro: prioridade prioritariamente influenciada pelo item anterior. O objeto de experimentação não é mais inanimado: ele é vivo e pode até estar estudando a seu lado! Com a prioridade de experimentação, alguns trocados são suficientes para sanar sua vontade de experimentar coisas desnecessárias. Com a experimentação do outro não é bem assim, embora haja exceções desnecessárias de serem citadas. Essa é uma experimentação cruel, porque não é imparcial: o objeto de experimentação tem sentimentos e pode te influenciar (e ser influenciado) numa boa. Não é como ficar sob algum efeito alucinógemo temporário: aqui, o efeito alucinógeno é com a pessoa em sã consciência, embora ela possa não perceber a gratuitade e futilidade dessa experimentação. Nas épocas em que essa prioridade se aplica, é comum jovens desistirem da escola ou se tornarem pais prematros. E mais uma coisa: ao contrário da experimentação comum, esta possui indesejados períodos de "abstinência" radicalmente irregulares. Por mais que se deseje essa nova experimentação, ela não depende do indivíduo; depende do outro. E, a partir de coisas assim, o indivíduo começa a se tornar um perfeito escravo das opiniãos alheias (no caso, do sexo oposto).

_ Mudar o mundo: mudar o quê? Não saberia dizer. Mas há uma necessidade intrínseca de se mudar alguma coisa. E assim, tribos góticas asoradoras de Nirnava e de All-star preto surgem pelas ruas, sem ideologia alguma, sem nenhum regime opressor restringindo explicitamente sua liberdade de expressão. Para a maioria absoluta, mudar o mundo acaba se confundindo bastante com auto-afirmação: a mudança de mundo, para essas pessoas, se resume a usar camisas de bandas que ninguém ouve, como Slipknot e Sepultura. Vai entender. Nossa, o indivíduo, neste ponto, já se incumbiu de buscar para sua vida dez prioridades! Não é à toa que não é fácil se considerar (ou se sentir) feliz às vezes. Bom, vamos ao próximo ítem:

_ Ambições: começa-se a perceber que essa vida mansa de estudante não durará pra sempre. Pra piorar esse quadro, o governo cria uma espécie de concurso de alto potencial opressor, que segrega as pessoas por sua inteligência. Só não segregam por raça porque ainda não aprovaram as cotas para negros nas universidades! O Brasil e seu vaxamoso vestibular. Mas não me limitarei a falar sobre esse nefasto exame de proficiência: falarei também sobre as expectativas! Ao longo dessas dez prioridades, você já quis ser de tudo: astronauta, encanador, agente secreto, advogado, jornalista... mas chega uma hora em que se deve deixar de ser só uma promessa. E aí as pessoas esperarão que tenha um emprego, uma vaga na faculdade, um carro. Observe como as prioridades de posse e status social se fundem com a ambição!

_ Bagagem: pára-se por vezes para se pensar: vale a pena tudo que fiz e estou fazendo? E o que deixei de fazer? Respostas que só você poderá dar a si mesmo. Todos os itens anteriores são passíveis de conselhos e respostas, menos esse. É aqui que a coragem para mudanças se fará necessária mais do que nunca. Ser você mesmo? Quem é você mesmo? Descubra e realize-se.

_ Afeto: assim como a bagagem, ninguém terá respostas para suas questões emocionais. Embora, ao contrário da bagagem, tenha muita gente dando conselhos como se pudesse ser entendida no assunto. Enfim, o mundo tem muito estágiário de cupido por aí. Seria coincidência esse ítem ter caído por último? Ele poderia ter se confundido com a experiência do outro. O que acontece bastante com muitas pessoas, que acreditam obter afeto durante a experiência pelo outro. Antes é até possível, se for uma paixão platônica. Depois? Só se a recíproca for verdadeira. As pessoas escrevem toneladas e mais toneladas de papel sobre esta última prioridade, mas tudo em vão: metáforas que tentam descrever a abstração que viola radicalmente nosso lado racional. E esse é o décimo terceiro ítem! Se eu fosse supersticioso, começaria a me preocupar: seria o amor, além de surdo, cego e mudo, azarado?



Muito bem: eu comecei o post falando sobre como muitas coisas ainda parecem novidade pra mim! E discorri sobre tudo menos isso. Por onde poderia começar...?

Sim, analisemos o seguinte: quem pulou um desses ítens? Ah, claro, percebam mais uma coisa: como sou novo demais pra me casar, ter filhos e envelhecer, omiti esses três itens. Embora acredite que dois deses três ítens se encaixariam na prioridade do afeto. E, claro, não tenho experiência suficiente para discorrer sobre a velhice. Ainda não vivi o suficiente para tão detalhado curriculum vitae. Voltando à pergunta: quem pulou um desses ítens? Devo ter pulado um ou dois, e passado raspando, tropeçando, por alguns. Porque Sersup não sabe se é complicado demais ou se complica demais as coisas. Como digo de vez em quando, não é fácil ser Sersup. Tento conceber as coisas de forma simples, tento superar meus acanhamentos, tento me abrir mais, mas não é fácil não, rapá: como um professor meu disse e poste mês passado, "ninguém muda sozinho! É preciso um outro para que consiga se mudar." Sim, o cara sabe das coisas.


Essa é mais uma missão do diário de bordo de Lucas Silva e Silva. Viajando diretamente pro mundo da Lua... Onde tudo... pode... acontecer... [trilha sonora nostálgica, por favor]

Me lembrei dessa série agora... =)



__________________

* Essa passagem me fez lembrar d'uma aula de Filosofia quando ainda estava no 1o. grau: era a Dona Marlene quem dava as aulas. Me lembro que ela se aposentou quando eu estava na 8a. série. Que mulher paciente; agüentar aquela molecada dando aula de Filosofia era tarefa de monge, vou te dizer. Com o modelo de aula dela, então... Nessa aula em particular, ela nos contou sobre um conto da mitologia grega. Era mais ou menos assim: certa vez um jovem pergunta a um sábio, "Qual é a melhor parte do corpo humano?". No que o sábio responde: "Ah, é a língua. Com ela, saboreamos os mais diversos manjares, recitamos as mais belas poesias, dizemoa as mais belas coisas do coração". O jovem então pergunta: "E qual é a pior parte do corpo humano"? "é a língua também: é dela que saem os boatos, as intrigas, as fofocas, as mentiras, enfim, os mais variados desvios de moral e ética". Gostaria de me lembrar com mais detalhes dessa aula, mas basicamente o conto é assim.

domingo, 18 de julho de 2004

Há um hábito que preocupa Sersup: é morosa a tarefa de ler (ou escrever) algo que se faz pensar, mas é tão fácil ler (ou escrever) coisas que presumimos -- ou que talvez sejam mesmo -- inúteis. É com essa linha de pensamento que observo a evolução de certos blogs que leio por aí. Tomo por base os que existem há, no mínimo, dois anos. Eu incluído.

_ Sentir: os primeiros posts baseiam-se em impressões, sentimentos, coisas ruins que caem como avalanche em forma de letras. Pouco a dizer, atemporalidade, frases parcamente conectadas; percebe-se que, inicialmente, a preocupação-mor é se expressar. Apenas o que se sente. Sentir é o que leva 2/3 de incautos escritores a criarem blogs, acredito.

_ Copiar: em seguida temos copy-pastes. Sempre tem algo interessante que queremos eternizar para futura referência. Mas essa mania de transformar blog em álbum de recortes tende a desaparecer com o tempo; comigo pelo menos desapareceu radicalmente.

_ Pensar: em posteriores textos, percebe-se o começo das reflexões. Falar de si mesmo cansa uma hora. Nem a própria pessoa suporta seu próprio umbiguismo às vezes. Idéias tímidas, mas suas. Elas são meio que no improviso, com orações que podem perder seu sentido com o tempo, mas ontinuam sendo suas idéias.

_ Acontece: com o tempo, coisas interessantes que acontecem conosco merecem posts detalhados. É nessa fase que o detalhamento dos posts se desenvolve como nunca. Aliado à experiência adquirida com a leitura de outros blogs e dos três itens anteriores, uma certa bagagem já permite se escrever posts com uma maior coerência e com um foco argumentativo mais interessante.

_ Selecionar: nesse estágio, nem tudo que se escreve apetece a si mesmo. Redundâncias são apagadas, posts são jogados no lixo virtual, pequenos pleonasmos são percebidos e dispensados.

_ Recordar é viver: seu passado registrado já é suficiente para se usar como ponte para futuros posts. Ou para referência ou para se evitar repetições. História alguma se desenvolve sem ter uma ligação mínima com algum elemento passado. Recursos literários como flashback não me deixam mentir!

_ Insights: do nada a inspiração te visitará. Na rua, na sala, na faculdade, na catraca do ônibus. Como neste momento: eu estava prestes a desligar o computador e me pus a pensar sobre a evolução natural de um blog, se levado a sério, claro. De repente, do nada, uma fração de segundo renderia centenas de letrinhas pipocando de meus dedos. Como diria o Rolando Lero:

_ Captei! Captei a vissa mensagem!

Esteja sempre preparado: papel e caneta! Palavras-chave ajudam pra caramba blogueiros iniciantes e experientes! Já ouvi falar de gente que invade o banheiro durante uma festa e usa metade do papel higiênico para rascunhar um post.

_ Utilidade de seus textos: para a maioria das pessoas, seus textos são absolutamente inúteis! Esse tipo de pensamento pode ser correto de seu ponto de vista, mas é limitado: É inútil para quem? Se for útil para você, é mais do que suficiente. Tome por base diários de pessoas famosas (ou não) que ganham a tutela de grandes editoras: seus textos são úteis somente para quem os escreveu? Isso é uma pergunta retórica, mas cá palpirarei: distração, dicção, erudição, reflexão: qual sua intenção perante o texto? Entre essas abordagens, a utilidade de um texto é somente mais uma desses itens.

_ Repercussão de seus textos: para a maioria dos blogueiros esse ítem é de aplicação mais difícil devido ao reduzido número de visitantes que recebem. Eu não sou exceção. Dia desses recebi uma proposta de texto na aula. Cheguei em casa e digitei como se estivesse digitando um post do BR. Como estou fazendo agora: despejando as idéias como torneira aberta. Dei uma lida; a organização das idéias me agrada. Posto no BR, imprimo e entrego como se fosse um texto escolar comum. A aprovação foi considerável; a profe ficou mais de meia hora fazendo sua análise sintática do meu texto. Ela me sacaneou, pedindo pr'eu ler pra sala. Isso é sacanagem pra quem é tímido, devo salientar.

_ Seu estilo: se você escreve em seu blog há tempo o suficiente para ter passado por toda essas fases, tenha a pretensão de achar que desenvolveu um estilo de escrever. Tem gente que escreve muito bem quando conta sobre experiências passadas; outras quando comentam sobre atualidades; umas terceiras mesclando as duas formas anteriores; algumas raras que só escrevem bem quando escrevem coisas extremamente díspares a si mesmas, díspares de suas realidades; tem também as que só conseguem formular um pensamento com coisas imaginárias (metaforizadores viciosos, diria).


Mas peraí, eu comecei esse post com essa frase: é morosa a tarefa de ler (ou escrever) algo que se faz pensar, mas é tão fácil ler (ou escrever) coisas que presumimos -- ou que talvez sejam mesmo -- inúteis. Ou seja, escrevi aos montes sem responder a esse enunciado. O que conota que sou péssimo com dissertações; minhas redações de vestibular que o digam!

Ler o que se faz pensar nos obriga a conhecer mais sobre a mais abstrata das forças, a do pensamento. Não basta pensar com esses textos: é preciso saber como, porque, quando se pensar, fora a idéia do autor. Repensar o pensamento. Vertentes do pensamento como opiniões, raciocínios e traços de personalidade não são necessários nessas leituras. O foco é o pensamento (e acabo de cometer uma redundância com esta frase). Já coisas possivelmente inúteis somam indiretamente com seu vocabulário e aumentam a percepção de redundância de certas situações posteriores a outras. Essas duas indiretas desviam consideravelmente a idéia de se pensar sobre o que se lê. O que garante a surpresa do enredo. Ler por ler por experiência.

Ou seja, o texto não pensa por você; você pensa por ele. Ou assim deveria ser. E eis a origem das ambigüidades, abundamentes motivos de discórdia. Ambigüidades surgem quando não se usa o pensamento, mas confunde-se este com uma de suas vertentes (o ponto-de-vista, a opinião). Isso dá um problema com os religiosos...

Não é fácil pensar. Os estoicistas, os naturalistas, os racionalistas, os empiristas, os cientistas e vários outros istas que são ramificações de uma mesma eterna dualidade, que o digam. Escritos místicos (Schuré, mais especificamente) afirmam que é no dia em que se atingir a convergência entre todas as áreas do saber é que se obterá o "verdadeiro saber", em termos grosseiros. Ou seja, o saber completo não pode ser fragmentado, como o fazemos com as ciências. Ou mesmo na escola: meu irmão vestibulando tem 23 professores! Haja fragmentação! Se bem que, até a quarta série, bem que tentam unir todo o saber a um professor apenas. Mas depois disso, debanda-se o saber. Talvez os antigos e suas primeiras escolas e faculdades estivessem certos ao unir o conhecimento a um tutor apenas. Teria a fragmentação do saber feito se perder pelos tempos vários pormenores do conhecimento que seriam consideravelmente importantes hoje? Sim; parte desse saber deve ter se confundido com o senso comum e se perdido no tempo. Isso porque não citei os interesses políticos que entremearam a tuortosa viagem entre o conhecimento pelos tempos.


Ai caramba! Quanta coisa escrevi! Quase uma hora dedilhando compulsivamente! Parece tipo aquelas aulas inusitadas quando o profe doido-de-pedra começa, por exemplo, a falar de pensadores e termina falando de coisas desconexas como catchup, mulheres feias ou acidente na BR.

Divagações diversas!

Versos soltos sem rimas

Noite magenta, penumbra indecisa
Brisa inquietando árvores
Vento em eterna conversa com o relento
Enquanto acaricia meu nariz pela janela
Barulhos traquinas pela casa
Quitinetes que me roubaram horizontes do outro lado da cidade
Olhares que percorriam o vácuo me trazendo coisas localizadas há quilômetros
Agora se barram em paredes diversas
Ao redor, prateleiras empoeiradas
Textos repetidos, artigos nostálgicos
Livros folheados durante a súbita garoa me visitando na janela atrás da mesa



Notas mentais soltas:

Quero acreditar que quanto mais a gente cresce mais amadurece, mas volta e meia acontece algo para subverter essa rima.


Conversar é uma arte perdida. Que o diga quem sói conversar na web. Asteriscos e barras dando lugar a impressões cujas palavras já foram criadas para elas. Articular assuntos, tornar interessante o que se diz, fingir que não está se fingindo prestar atenção: parece que as pessoas se esquecem dessa hierarquia necessária a um bom diálogo quando estão online. Mas, offline, elas também começam a esquecer, resignemo-nos a isso. O ruim da web é que o momento, a circunstância, a paridade cármica, tudo é suprimido por caracteres. Isso sem mencionar as ocasionais eventualidades que aumentam o tempo de resposta numa conversa, como linhas congestionadas e pulsos extras na conta telefônica. A vantagem é a aparente atemporabilidade; a desvantagem é a banalização do contato: se posso falar com Sicrano usando apenas os dedos, pra quê manter contato maior? A crescente volatilidade que acomete a tudo e todos me assusta às vezes.


Banda nova que acabo de descobrir: MegaDriver! Muito top! As trilhas sonoras crássicas dos videogames recauchutadas. Game metal! Ainda está lendo esta nota solta? Entra logo no site e entope teu computador de guitarras barulhentas com musiquinhas do Street fighter! Essa nem o medíocre Jornal da Mtv revela!

segunda-feira, 12 de julho de 2004

Drops

[olhando de relance algumas imagens da Tv]
_ Não é possível que ninguém que assiste à porra dessa novela das sete ainda não tenha notado que o idiota do Gianechine é esquizofrênico! Que mais poderia explicar duas pessoas exatamente iguais com personalidades opostas?
_ Não é bem assim: é que o cara sumiu e pensaram que tinha morrido, e aí surge esse outro exatamente igual a ele. É que eles talvez sejam irmãos gêmeos, mas não saibam disso por serem separados e ainda não terem se reencontrado.
_ Uma coerente explicação psicológica chafurdada por um roteiro mexicano desses. Porquê ainda perco meu tempo?
[tempo depois]
_ Ei, cadê meu sanduíche? Estou aqui há mais de meia hora e nada!
_ Parece que alguém comeu o seu na moita!
_ Fala sérgio, aí! Foi você, né seu gordo indecente?
_ Ei, não olha pra mim não!
_ Droga! Faz mais um ae!

_ Pois é: eu acho que...
[vinte mintuos depois]
_ ...blablabla...
_ Do que ele está falando mesmo?

Poeira

Entrando num tópico do Glub glub no Orkut, acabei me lembrando d'uma penca de coisa que a Cultura passava em matéria de desenho que ninguém mais tinha culhões pra passar. Na maioria dos desenhos, os personagens não falavam, raramente tinham diálogos: se limitavam a emitirem sons engraçados e ininteligíveis. Esse quesito, aliás, é bem comum nos desenhos escolhidos pela Cultura. Isso sem mencionar a louvável atitude da emissora de romper radicalmente com enlatados americanos e trazer às crianças, em sua marioria absoluta, desenhos europeus que tentam fazer a criança pensar. Citarei alguns que me lembro:

_ Ric: um corvo azul que se metia em altas encrencas, sempre sem dizer uma palavra.

_ Ernest: se não me engano, é esse o nome. Um vampiro que passava por várias aventuras, mas sempre descobria ao final que tudo não passava de um pesadelo. Muito bom. Era de produção franco-canadense, se não me engano.

_ Socorro vovó!: desenho, se não me engano alemão, de uma vovó que salvava o mundo. Traços bem rústicos. Personagens não falavam, apenas um narrador deixava o telespectador a par da situação. Bem ao estilo Rocky e Bullwincle, mas não chato e muito melhor.

_ xx: desenho húngaro, se não me engano. Sobre uma família que viaja pelo mundo mas não tem como voltar pra casa, e se vê forçada a levar uma vida nômade, conhecendo vários lugares.

_ Pingu: clássico dos clássicos! Animação em massinha d'um pinguinzinho e sua vidinha pacata no pólo norte. Divertido.

_ Sam, o bombeiro: animação inglesa. Quando se fala de bombeiros ou personagens relacionados à cor vermelha, tenha certeza: estás assistindo uma produção britânica. O cotidiano de um bombeiro em sua cidadezinha, de enfoque bem infantil. Costumava passar no Cocoricó.


Alguns desses programas não eram do Glub glub, eram de um bloco de desenhos chamado Desenhando. Devido à escassez de informações na web sobre os saudosos programas da Cultura, colocarei uma cópia desse post que encontrei d'um finado blog:


Quem nunca passou uma tarde em frente à tv, assistindo um os tradicionais programas infantis da TV CULTURA? Quem tem cerca de 16 anos sabe o que estou falando.... Glub Glub, Rá Tim Bum, O Mundo Da Lua, X Tudo, A Família Twist, Lá Vem História, entre outros.

O que vamos falar hoje é GLUB GLUB, programa passado no fundo do mar, apresentado por 2 peixes [glub e glub] e uma carangueja [Carol]. Todos se reuniam em um coral, onde ficava uma televisão, na pela qual assitiam diversos desenhos, entre eles:


JIMBO, O AVIÃOZINHO - As aventuras de um aviãozinho, que vivia em um aeroporto, no qual os aviões "adultos" o ensinavam a como um dia ser um grande avião. Seu maior sonho era poder voar como os maiores.

BERTHA & A FÁBRICA - Bertha era uma máquina vermelha, muito grande, a mais importante de uma fábrica. A cada episódio, ela produzia objetos diferentes, como cofrinhos e caixinhas de música.

JOHNSON E SEUS AMIGOS - Johnson era um elefantinho de pelúcia que vivia dentro do quarto de seu dono, junto de seus amigos brinquedos: a bolsa d'água, o carrinho e uma gaita.

BULLY, O BONECO DE NEVE - Bully era um boneco de neve que vivia no pólo sul. Entre suas "aventuras" estava o dia em que o sol ficou muito forte e quis derretê-lo.

O PATO DÍNAMO - Era uma espécie de "filme" com um pato de verdade, que trabalhava como detetive e resolvia mistérios.

VÃO BRINCAR LÁ FORA - Desenho muito curioso, onde os personagens tinham nomes de expressões ditas pelos pais, como o protagonista "pare com isso", e seu amigo "vá brincar lá fora", que conbatiam o vilão "eu disse não".


O programa era exibido de segunda a sexta às 16h e ficou no ar de 1991 até 1999

sexta-feira, 2 de julho de 2004

Do tempo que estudar parecia um bom negócio

[esta quinta quinta passada, no bloco. Por não ter primeira aula e a profe da segunda aula ter faltado, fiquei quase três horas cultivando o ócio entre altos papos -- furados, claro -- com C. e 'ela']
_ ...e eu daria aos pobres.
_ Com essa viagem você está invertendo todo o ciclo da História! A corda sempre rompe do lado mais fraco. Os mais pobres sempre sustentam os mais ricos. São verdades frias e constantes! Para citar um período histórico em particular: eis a Burguesia que não me deixa mentir!
_ Ah, mas, assim... (ela segue com seus argumentos divertidamente incoerentes)

[tempo depois, após discorrermos sobre as cotas nas universidades, tema preenchido pelos ingênuos mas espontâneos comentários 'dela', o que a rendeu um apelido nosso: Robin Hood. Na igualitária e simplista concepção 'dela', sai cada uma... Até me divirto com as insanidades que ouço dela... o seguinte rola pouco depois:]
_ Sabe o que observo nas mulheres, cara? É uma eterna competição.
_ E é mesmo: experimenta entrar no elevador com uma a seu lado! Ela faz na hora um raio-x das suas roupas! Isso sem contar perfume, cabelo, pose...
_ Nós, homens, tendemos a sermos menos meticulosos. Somos mais espontâneos, abertos ao diálogo.
_ Não como certas meninas de meus tempos de primeiro grau que me abordavam e fingiam ouvir o que tinha a dizer, entende? Ela me abordava querendo ouvir uma coisa, por vezes querendo mesmo pular pra algum tipo de finalmente, e ficava lá, ignorando solenemente o que eu pensava.
_ Nossa, isso acontecia comigo!
_ E quanto aos finalmentes?
_ Bom, de vez em quando eu era usado...
_ Comigo era algo um tanto quanto constrangedor: imagine uma menina, no segundo ano do ensino médio, recebendo cantada de pirralho da sexta série? É de morte, não? O que dizer nessas horas?
_ Foi por essas e outras que reiterara há pouco: é triste ser do sexo masculino até os quinze anos. Deprimente, decadente.
_ Já repararam que somos tipo uma turma de losers? Cada um com seus pepinos escolares de outrora...
_ Só...
_ Eu sou meio ingênuo quanto a lidar com meninas, admito isso.
_ Eu também... e meio distraído, isso eu sou.
_ Meio? É uma ingenuidade quase infantil, diria. Você nos fez andar pela avenida a pé ontem!
_ Ai... isso, chafurda na minha cara!
_ Me diz uma coisa: o que você presume do que contarei agora? Ouça bem: a aula acabara, e eu e as meninas decidimos passar no shoppin antes de ir embora. Eu pergunto ao Sersup: 'Está de carro'? Ao que ele responde: 'Sim...'. Continuo: 'Vai passar no shopping'? Ele responde: 'Vou'. E ele se dirige ao estacionamento sem dizer mais nada. Concluo: 'pô...'. Entendeu o esquema? Foi a indireta mais direta do mundo essa que eu dei, e nada! Eis uma sinestesia! Ou seria antítese?

[Só não cavo um buraco pra esconder a cabeça porque não é ema. Senão...]
_ Aaaahhh...
_ E tem mais: encontramos esse figura perto da rotatória da avenida, e ele ainda se sai com esta: 'querem carona'?
_ Cara, me chamaram de ingênuo, devagar... isso sem contar com o adendo dado por uma delas: 'esse nunca conseguirá azarar alguém'.
_ Ele vai ver só a abordagem que usarei da próxima vez. Será impossível não cair a ficha...
_ Aiai... (Sersup e as viscerais opiniões alheias que por vezes o atingem)

[esta sexta sexta passada]
_ Me disseram dia desses pra "me apressar". Entendeu minha situação? Me diz como agir depois de uma furada dessas!? Se já sou jabuti nesse quesito, seria diferente agora?
_ Não é nada de mais. Você é quem tende a agigantar as coisas. Um defeitinho vira uma besta mitológica nas tuas mãos! E você sabe disso!
_ Ontem creio ter tirado a impressão de que parte de mim não mudou absolutamente nada desde tempos de ginásio (credo, tô até parecendo velho quanto a me referir a sexta série como ginásio!). Tipo um normal num mundo de loucos, sei lá. Um normal que tenta ser honesto consigo mesmo e ser si mesmo, enquanto legiões de superficiais tentam não deixar a máscara cair.

[durante uma aula cujo dia já me esqueci]
_ ...e é por isso que os jovens, principalmente os homens, evitam falar corretamente para evitar apelidos pejorativos: a língua falada corretamente é considerada uma característica 'feminina'.
_ Nossa... isso deve explicar porque me chamavam de tantos nomes no primeiro grau...
_ Pelo menos você descobriu o porquê.
_ Infelizmente, eu acho...

_ E então, gente, o que teria motivado o homem das cavernas a criar uma forma de comunicação verbal? Pode ter surgido durante a noite. Porque, inicialmente, a comunicação era feita no tato.
_ Talvez à noite eles começassem a ter "problemas" com o tato. Sabe como é, mãozinha boba aqui, outra ali...

_ ... e segundo esse livro, o Código da Vinci, e alguns outros, tudo na fisionomia de Jesus indicaria que o Senhor era um homem casado. Possivelmente com Maria Madalena. Mas a Bíblia, na necessidade de uma figura santa, teria omitido tudo isso de seus escritos. E condenado Maria Madalena ao estereótipo de meretriz.
_ Então, profe, quer dizer que o cara lá em cima era chegado numa depois d'um vinhozinho?
_ Não me metam nisso! Leiam o livro e tirem suas conclusões! Isso não é aula de teologia!
Consegui! Sersup, revirando disquetes antigos, conseguiu recuperar uma cópia de um dos disquetes da coleção Esse mundo é um colosso (vide fotolog para entender a animação do Sersup). A coleção é de quatro, um se perdeu no tempo, e dos três que restaram, recupero um. É pouco, mas é algo. Leve em consideração que esses disquetes encararam dez anos de muita poeira, vários drives diferentes e nenhum backup. Mas taí: o primeiro abandonware que o Sersup arranja por mérito próprio, não dependendo de sites de terceiros! Penso seriamente em colocar uma cópia do jogo no servidor do ubbi, onde tenho conta, e deixar cá o link. Ou no fotolog, não sei ainda. Por enquanto são só planos: não posso jogar por ainda estar sem mouse! Ou seja, até um joguinho programado há mais de dez anos atrás clama por mouse, e Sersup só que teima em estourar o buffer do teclado com as opções de acessibilidade que substituem mouse por teclado. Há quem considere mouse inútil. Vejam só essa "pérola" que deixaram no meu fotolog:



annihil4tor @ 2004-06-24 15:11 said:

Que nada cara.. mouse existe pra ficar atrás do gabinete somente em casos extremos! Esse lance de mouse é coisa da Microsoft, que começou iventando uma GUI pro MS-DOS o Windows. HEueheu, taca algum unix livre ae que você não tem mais problemas com mouse =)




É isso que gosto da web: ela te faz pensar que você é normal às vezes. :)