domingo, 28 de março de 2004

"Um musical estranho, que mexe com as emoções do espectador." Esse aforismo que eu lera numa crítica descreve bem esse filme que vi ontem, Dançando no escuro. Provavelmente o único musical que vale a pena assistir dos últimos anos. Chicago? A quem querem enganar com aquele Oscar?

sábado, 27 de março de 2004

Tragédia!

Aqui em casa tem uma TV que se tornou uma relíquia: ela fora comprada antes mesmo de eu e os irmãos terem nascido! Ou seja, ela acompanha a família desde tempos remotíssimos. Mais velha que ela, só o ventilador bege da Arno mesmo. Enfim, com ela tivemos vários momentos memoráveis:

_ Como da vez em que estava jogando videogame e, do nada, desligam o jogo na minha cara só pra verem o segundo gol do Brasil contra a Rússia na copa de 94. Era um game que nunca mais encontraria na Star games...

_ Como da vez em que, de tanto ligarmos e desligarmos compulsivamente, do nada as imagens ficaram completamente verdes. Era como se estivéssemos assistindo algum programa marciano, bem peculiar a cena.

_ Como da vez em que, de alguma maneira, "inutilizamos" o retangular controle remoto. Não me lembro ao certo o que fizemos (eu e os irmãos, abramos aspas): se jogamos contra a parede, se brincamos de futebol com ele, se puxamos a molinha naquele espacinho pras pilhas... só sei que a vida curta do controle foi inversamente proporcinal a da TV em si.

_ Como dos fins-de-noite de segunda que o pai passava assistindo a Concertos internacionais, programa da Grobo com a erudita proposta de transmitir óperas, concertos de filarmônias dos EUa e da Europa. Nomes como Herbert von Karajan e Zubin Mehta eram constantes. Eu nunca tinha saco pra assistir, mas achava interessante a proposta do programa. Algo que parece inconcebível na sovada programação da Grobo de hoje era comum naquelas noites de segunda, depois do Jornal da Grobo. Aprendi o nome de um bocado de melodias com aquele programa. O pai sempre dava uns toques sobre as músicas. Saudades. ;(

_ Como as horas a fio que passava com meu Snes (vide post de abril ou maio do ano passado sobre os dez anos do meu videogame mais querido), os tropeços no fio do controle, a disputa pra alugar o game das Tartarugas ninja, as dezenas de vezes que aluguei Street fighter, o cortiço que virava a salinha com aquele monte de curioso vendo a gente jogar...

_ Como toda a galera do bairro assitindo aos episódios dos Cavaleiros do zodíaco com a gente. Aquela transmissão pífica da Manchete desanimava qualquer um: a imagem sempre era chiada, quase invisível, e os intervalos chegavam a durar quase dez minutos! Paciência do monge era necessária pra não perder nenhum episódio dos cavaleiros de Atena!

Essa Tv era tão antiga que me lembro das vezes em que visitava vizinhos, antes de vir pra Cuiabá, e os via tapeando o preto-e-branco de alguns canais com plásticos de encadernar coloridos. Aí ficava aquela tosqueira: programas da tarde com aquele verdão, amarelão, azulão dos plásticos. Tente imaginar aquele plástico de bolinhas vermelhas com o qual você costmava encadernar seu material escolar, colado na frente de um tubo de raios catódicos? Surreal, não? Agora que me lembrei dos plásticos, me lembro que faziam o mesmo na casa do Nono. O Nono foi meu bisavô por parte de mãe; quase nada me lembro dele, mas pelo que os mais velhos falam, era um senhor muito gente boa. Me lembro que o danado vivia num sitiozinho perdido lá pelas bandas de Aracruz, no Espírito Santo. É, o velho realmente se escondia. Lá tinha aqueles poleiros cheirando a galinhas que caíam no riacho lá perto, tinha granjas com aqueles perus dando em cima dos frangos, tinha várias casinholas de madeira ao redor. E o Nono vivia em uma delas. Ah, fora a tia M. (faz quase um ano que ela veio pra cá) cortando o cabelo dos piolhentos da roça de graça. Nunca me escondi tão bem dela quanto naquele dia. Aquela deve ter sido a última vez que o visitei. Alguns meses (anos, talvez; era muito novo pra me lembrar) ele falece de pneumonia. Realmente uma pena ele ser levado por banal enfermidade como esta. Mas não havia muito o que fazer; era uma região remota.

Ei, mas esperaí: porque estou escrevendo um post à toa sobre tal sucata eletrônica convenientemente (para a mãe; odeio assistir TV enquanto como) largada em cima do frigobar na cozinha? É que a mãe cometeu a heresia de vender nossa decana TV pra empregada. Ou seja, um dos maiores símbolos de anos que não voltam, termina assim, sumariamente vendida por uns trocados. Triste. Fazer o quê, me apego a objetos que o acompanham pelos anos a fio... e o pior é que não é a primeira vez que isso acontece: havia uma outra Tv com a qual torrava meu tempo vago de criança aprendendo a ler, uma Telefunjen. Dinossauro tecnológico com o qual assistia as bobagens de meu passado, como Chaves e Carrossel. Sim, eu disse que eram bobagens. Na época ainda tinha o TJ Brasil, com aquele esquisito falando as novas do dia, rapidamente ignorado pelo botão do volume no mínimo. Essa Telefunken ficava numa espécie de despensa da casa da vila militar onde morávamos antes de vir pra Cuiabá. Eram quatro paredes cercadas de armários de madeira antigos, e a TV com seu cantinho privilegiado bem no meio da parede. Na falta de controle remoto, a gente zapeava com aquele botão giratório. Momentos trash que registro aqui no BR... ah, o destino dessa Tv? A mãe vendeu pro meu tio! Inadmissível. Me senti como se tivesse perdido um dedinho na época; ainda bem que na época ainda tinha essa Tv que a mãe vendeu recentemente. Aí com ela passei por momentos como o segundo gol do Brasil e as súbitas imagens verdes que citara acima.

Tá ficando velho, hem?

Putz, agora me bateu um vazio daqueles: fui tomar um pouco d'água antes de postar esse texto, e ela não mais lá estava. Em seu lugar, uma jarra azul breguésima sobre um pano bordado. E o frigobar embaixo, faltando algo. Mais um pedaço gigante desse iceberg chamado nostalgia que se solta das geleiras de minhas lembranças, paulatinamente se derretendo no ostracismo!


Isso me deu agora uma idéia para pôr novidades no fotolog. A qualquer momento posso desecalhar aquele site; aguardem...

segunda-feira, 22 de março de 2004

Se

Não o pronome reflexivo, mas sim a conjunção. Palavrinha que expressa a abstração do tempo que cada um de nós fazemos ao menos uma centenas de vezes vida afora. Palavrinha que mostra o que acreditamos termos podido feito antes de tornarmos o inevitável definitivo. Palavrinha que só serve para remoer coisas que não voltam mais. "Cara, e se eu...", "Ah, se eu tivesse...", "Se eu fosse...". O que foi foi. Meras abstrações de o que não foi, mas como concebemos que poderia ter sido, enquantos imersos em nossa ignorância. "Se" existe em nosso vocabulário, mas não necessariamente existe fora disso. O que tiver de ser, parafraseando correntes filosóficas, "é o que é". Se alguma coisa é o que é, é impossível ser outra coisa "se" fosse de outro jeito, porque o difuso destino onde nos encontramos imersos não conhece esse termo. As coisas não fluem de um jeito por não terem sido alteradas, "se" outra coisa alterasse seu curso. Elas são o que são! Metaforicamente falando: imagine o curso de uma cachoeira. E se, do nada, seu curso se alterasse para a vertical? E se? "Se", seguido da conjunção aditiva "e" da frase anterior, não adiciona nem traz à tona algo que realmente poderia ter sido; apenas especula, desdenha o inevitável, usa o absurdo como álibi.

quinta-feira, 18 de março de 2004

Lunar magic

Quando era criança e dedicava tardes e mais tardes detonando meus jogos favoritos, sonhava nas horas vagas sobre como seria demais poder criar meu próprio jogo, com minhas próprias fases. Rabiscava mais e mais folhas com hachuras e rabiscos sem sentido a olhos nus, mas que adquiriam dimensões colossais com minha fértil imaginação de outrora. Onde se via um mero círculo mal acabado, brotava-se itens especiais, inimigos, obstáculos e vários outros elementos dos jogos.

Um pirado na web que se identifica como Fusoya realizou meu sonho: o cara criou um programa para se editar fases do meu jogo favorito de meus tmepos de moleque, Super Mario World. E o melhor: fácil de usar, completo, com interface amigável. E agora com um criador/editor de IPS à parte. Eu sei que postei isso em finados de 2002, mas é que até hoje me impressiono com tal façanha de um reles jogador como eu, que traz até nós, simples mortais jogadores, a possibilidade de terem suas "15 fases de fama". E também, falta o que postar! Bom, o programa em questão é o Lunar magic, uma obra prima da programação, digo sem pudores...



Se se interessou, baixe aqui! e comece a criar suas fases!

sábado, 13 de março de 2004

_ Vai a reunião hoje?
_ Reunião, não! Festa junina!
_ Bwahahahahahaha! Que maldade...



Piadinha interna

quinta-feira, 11 de março de 2004

A Rede Grobo desaprendeu a contar!

Explico: cuidando da minha vida, enquanto estudo um pouco as apostilas do Preparatório, ouço de relance a seguinte pérola do Predo Bial, todo de laranja, mais discreto impossível (devidamente dramatizado):

_ Seguinte, desocupados do Biguebródio: tenho um aviso importante para vocês: nós erramos! E, na nossa obrigação de sermos honestos e transparentes com vocês, avisamos que cometemos um pequeno erro na contagem de votos para a escolha do líder: o nome de uma das candidatas não apareceu na lista! Nós explicamos: como a mesma não recebeu nenhum voto, acabamos esquecendo de computá-la. Portanto, Sicrana [que não fora mencionada anteriormente], pedimos desculpas e lhe informamos que és a nova líder dessa bagaça!

Eles transmitiram esse aviso agora há pouco, ao vivo, durante o intervalo comercial. Pô, se fosse algum erro de contagem durante as Olimpíadas ou durante algum Plantão ou concurso, até entenderia, mas gravar ao vivo um pedido de desculpas por causa da porra de uma contagem errada para decidir o destino de meia dúzia de desocupados dentro de uma pseudocasa? Pior que isso, só assistir Zorra total...

segunda-feira, 8 de março de 2004

Falha de comunicação

Assistindo certa vez a um programa de Tv (Mundo de Beakman), vi o funcionamento da fala humana. Na tela aparecia o nome dos órgãos: palato, faringe, úvula... foi com esse último que eu costumava cometer uma falha grave de comunicação: toda vez que alguém engasgava, eu dizia:

_ Deve ter enroscado na vulva...

É isso mesmo: eu pensava que aquele pedacinho de músculo balançando no fundo de nossas gargantas se chamasse VULVA. Bem que eu estranhava a reação da meninas ao comentar sobre alguém rouco ou engasgado...

sábado, 6 de março de 2004

Verve nostálcica: adendo

Deu um certo trabalho, mas como prometido trouxe mais informações sobre o escritor do filme que citara no post de terça (Verve nostálgica): o escritor que afirmava não saber quem era trata-se de Samuel Marshak. Agora é simplíssimo saber disso com o Sersup postando, mas para eu descobrir tive um certo trabalho: tive de "apanhar" do teclado me utilizando do alfabeto cirílico no Google, depois tive de catar milho numas páginas sobre o escritor em russo, e depois testar algumas palavras-chave para tentar achar alguma referência em inglês. A maioria dos links tratavam-se de livrarias virtuais, então não quis me aprofundar muito na pesquisa e coloquei apenas o link mais prático. Como jamais encontrarei o livro nas livrarias daqui da cidade, o jeito é conferir o link e tentar encontrar versões em vídeo.


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Site sobre o livro (é o primeiro da lista: Month brothers):
_ http://countries.vacationbookreview.com/countries_72.html

quinta-feira, 4 de março de 2004

E a Rádio Club, hein?



Fiquei de postar sobre isso há tempos. Toda vez que ia postar, me dava um branco. Mas agora é inevitável: como que "uma rádio levada a sério, em respeito a seu público", assim proferida em uma de suas vinhetas, some do ar após anos trazendo colírio aos ouvidos mais exigentes? Em que outra estação se poderia ouvir um programa dedicado inteiramente aos Beatles, um talk-show com autoridades das instituições públicas (atualmente esse programa, o Fatos e Gente, parece estar na Cuiabana), ou mesmo ouvir "monstros sagrados" da música brasileira, como Chico Buarque, Elis Regina, Cazuza, e vários outros nomes presumíveis? Bom, com essa nota que encontrei no Rmt online, mais uma vez a web me surpreende com notas "conspiratórias" como essa:



Rádio Club

Ministro revoga concessão da rádio de João Arcanjo em Cuiabá



Uma portaria assinada pelo ministro das Comunicações, Miro Teixeira, revogou a outorga da Rádio Club, de Cuiabá, de propriedade de João Arcanjo Ribeiro, acusado de chefiar o crime organizado no Estado.




E eu achando que o dedo do cara só se estendia a empresas fraudulentas e ao Festival de inverno... não é possível que eu seja o último a saber disso! Mas o fato é: a única estação que se recusava a tocar música de empregada não existe mais! Nossos ouvidos estarão sujeitos à enclausuradora música breganeja das outras rádios. E que irônico esse post parece agora, quando dos tempos de mais novo, em que esnobava as audiências mais velhas que ouviam tais "museus"... mas começava paulatinamente a mudar de opinião quando comecei a conhecer música de gente esquisita como Raul Seixas, Cazuza, Nenhum de nós e várias outras trilhas sonoras grudadas nas mentes nostálgicas. Tempos que dificilmente voltarão. Neglicencia-se o passado em troca da rentabilidade do brega. Triste...

terça-feira, 2 de março de 2004

Verve nostálgica

Enquanto as aulas não começam, fico a definhar em casa com o triste horário nobre e o mormaço característicos dessa época do ano. Encurralado com um controle na mão e nada assistível, acabo me lançando ao tédio, vagando à toa pela casa. Me lembro de que instalara o Vhs dia desses, e tento, só para me distrair, tentar encontrar nossas fitas antigas. Não estavam no escritório, nem no armário, mas tchantchantchantchan: estavam embaixo da estante da sala! Observo os aparatos retangulares por um momento, espero a poeira baixar para poder ler as inscrições, e pego todas gravadas a punho por nós; deixei lá mesmo aqueles tediosos vídeos informativos. Levo, realizado, as sete fitas para o quarto, coloco-as empilhadas no chão, e imediatamente coloco no vídeo uma das minhas favoritas, uma de caixa de tom azulado, cinza por vezes. A inscrição?

** Tartarugas ninja ** Popeye ** Pica-pau ** Doze meses ** Garfield ** Monica **

O vídeo, como ocorrera antes, parece avesso à fitas e começa a querer expulsar a mesma de seu bocal, mas não me dou por vencido e a faço engolir, quer queira ou não. Era isso ou ver a Hebe! Iéca. Confiro cabos, dou o play, e os olhos se fixam, como se incrédulos, às imagens desbotadas gravadas para o Sersup e irmãos há quase quinze anos. Divinha qual dos títulos aparece primeiro? O das Tartarugas, cara! Tava tudo lá: a dublagem bizarra do Leonardo, as cenas pífias de combate, a April e seu indecoroso macacão amarelo... bom, a de antigamente continua sendo melhor que a da nova geração das Tartarugas que vejo esporadicamente na Fox kids: essa versão mais nova dela é ruiva, é mera coadjuvante e tem o clicheséssimo papel de monitora da base móvel das tartarugas. Porque hoje em dia todo mocinho que se preze tem que ter sua base móvel com um cara gordo e uma mina antisocial... enfim, nem sombra da intrometida repórter de antes! Mas não fico só nas tartarugas e fico a ver o resto das velharias em vídeo. Enquanto víamos um dos desenhos, o irmão diz, olhando resignado às caixas:

_ Nossa infância está nestas sete caixas!

Após uma pausa para conferir o episódio de hoje dos Cavaleiros, dou o play novamente e vou até as 03.00 assistindo as gravações. Aliás, façamos cá uma notificação para vocês: dos títulos acima, apenas um deve-lhes causar estranheza. O que é compreensível, pois não é o tipo de desenho que passaria nas manhãs dos programas infantis de outrora. Sim, estou falando de Doze meses! Se não me falha a memória, esse filme foi um título escolhido a esmo pela irmã quando fôramos à locadora há quase quinze anos atrás. Bom, o fato é que isso justifica o desenho ser o mais glicosado de todos, mas nem por isso deixa de ser uma boa história. Glicose é até perdoável se os clichês forem dispensados... bom, farei uma pequena resenha desse "estranho no ninho" abaixo:



Esse é uma daquelas produções do Oriente que reproduzem, como ninguém no Ocidente, lições de perseverança, altruísmo, bondade. É a história de uma menina órfã que, por causa de uma recompensa oferecida pela princesa do país, vê-se forçada pela madrasta, em pleno inverno, a procurar sozinha uma flor que, bóbvio, só se desabrocha na primavera, o galantus. Se eu contar mais, estraga. Trata-se de uma rara combinação de um desenho no estilo anime contando, aparentemente, uma fábula russa. Além da linearidade da história me fazer concluir isso, tem também o modo como os personagens são desenvolvidos. Somente a protagonista parece ter nome; os outros são como se fossem "tipos" de uma época; sequer recebem nomes no desenho. No início do filme, aparece a foto de, aparentemente, o escritor, mas como não sei ler russo, fiquei na mesma. Ah, mais uma coisa: tentei pesquisar sobre o filme, mas não achei quase nada. Qualquer coisa que eu encontrar a mais, podem ter certeza de que cá postarei!


Porque gosto de viver do passado de vez em quando!

segunda-feira, 1 de março de 2004

"Insight" durante o almoço

_ Eu não agüentava mais ontem; deu vontade de sair correndo! O cara, junto com uma mulher de voz mais esganiçada que dubladora de desenho animado, rezaram umas oitenta ave-marias e vinte pai-nossos. Meus tímpanos quase atrofiaram!
_ Devíamos rezar o terço, filho.
_ Pra quê? É um mero trabalho mecânico que não conduz a fé alguma!
_ Nossa, estou até vendo o velho falando isso agora...