sábado, 31 de janeiro de 2004

Como naquela musiquinha tosca da Eliana: "Eu tive um sonho biruta/Eu tive um sonho gozado"


Hoje tive um sonho bem louco. Não sou muito de sonhar, o que confere a qualquer sonho meu um certo caráter de loucura. Dizem que os sonhos tratam-se do universo conspirando a nosso favor (seriam os pesadelos o outro lado da moeda?). Foi assim: sonhei que era o intérprete do Presidente, e que estávamos com, sei lá, uma espécie de parente de samurai numa sala; só sei que o cara era um japa. A sala, se não me engano, tinha paredes ornadas com dragões. Eram paredes finas, de tons pastel, como se fossem de uma casa japonesa, mesmo. Como reza a tradição, estávamos sentados no chão, em frente a uma mesa bem baixa, talvez. Aí, lá estava eu ajudando o carinha de kimono a se comunicar com o presidente (que não tinha barba nem rosto), quando, de repente, alguma coisa errada acontece, várias pessoas começam a se retirar do local, um estrondo se ouve ao fundo. Imediatamente nos preocupamos em sair do local, descendo as escadas à esquerda. O sugestivo descendente de samurai e o presidente conseguem sair enquanto os escolto por trás, mas no momento em que eles passam pela porta abaixo da escada e saem e eu ainda estou no meio da escada, esperando-os sair com segurança, uma moça de kimono branco me aborda. No japonês, kimono é vestido. Não é porque é usado como vestimenta de combate que deixa de ser vestido!

Ela começa a discutir comigo, parece enfurecida com alguma coisa. Acabo esquecendo do perigo iminente; o estrondo, o tumulto são inconscientemente ignorados. Envolvido pelo calor da discussão, que obviamente meu inconsciente me privou de lembrar agora, ela me faz subir a escada novamente, continua a discutir comigo, mas, enquanto ela me impinge seu ponto-de-vista, me empurra, desloca para um corredor abaixo à direita, onde há um quarto logo na primeira porta. De janela semifechada e persianas, um tom noir era rasgado por um feixe de luz que iluminava levemente o lençol, possivelmente de cetim, seda, sei lá; não me ligo muito em tecidos. Por um breve momento, ela olha para mim, transborda um sentimento de culpa em seus olhos, mas diz pouco. Não adiantaria dizer muito, já que não lembro de uma palavra do que ela poderia ter dito! De repente, ela deve ter dito algo como:

_ Pode ser a última vez que nos vemos. Aproveitemos esses prováveis últimos momentos juntos.

E continua:

_ Você trouxe alguma proteção consigo?

Notando minha negativa (ou minha surpresa, ou minha perplexidade, ou minha objetividade), ela se dirige até a cômoda para pegar algo na bolsa. Imagino o que seria e, estranhamente tenso (estranhamente agora, pois no ambiente dos sonhos, nenhuma sensação precisa de sentido), me sento na cama. Quando olho para mim mesmo, estou com um roupão branco. O que obviamente não precisa fazer sentido, apesar de eu não me lembrar de ter tomado uma ducha pouco antes. Quando parecia que algo elucidativo aconteceria; enquanto ela se dirigia a mim após aparentemente ter achado o que procurava na bolsa, quando a ansiedade estava ao máximo...

_ Acorda e vem almoçar!

Sim, minha mãe arruinou o clímax do sonho! Pelo menos tive sorte de lembrar de boa parte do mesmo...

Fiquei a pensar um pouco sobre as inusitadas imagens de meu inconsciente, e me lembrei de uma coisa: quando comemos alguma coisa diferente e gordurosa, nossos sonhos tendem a serem bem esquisitos. Claro que não sonambulei como nos filmes, mas teve lá seu efeitos as fatias que ingeri ontem. O irmão, por exemplo, que também comeu algumas fatias, sonhou comigo montando num cavalo, num hipódromo talvez. É, o tal do salaminho é poderoso. Em horas assim, não me faz falta não se tratar de um sonho lúcido. Controlar as tiradas inconscientes não teria graça pra mim; já perdemos tempo demais do dia-a-dia tentando controlar as coisas!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2004

Karaboudjan!



Fazia já um certo tempo que não utilizava desses posts "minimalistas". Este é o nome do navio em que Tintin conhece o Cap. Haddock! Sim, eu assistia isso quando era menor. E, zapeando à toa, descubro que passa até hoje na Cultura. Além de Tintin, assistia Doug todos os dias. E o legal era a honestidade da emissora: ao contrário dos canais a cabo, que pegam uns dez episódios de um desenho, e passam o resto do ano reprisando praticamente só esses dez, a Cultura passava um episódio novo a cada dia. Nunca se pegava um episódio repetido! Era um atrás do outro. Iniciativa bem legal. Tomara que eu consiga ver o desfecho do episódio na segunda... reparei algo até curioso no início do episódio (um no qual, através de uma lata de ensopado de caranguejo com a embalagem rasgada, Tintin se envereda por uma rede internacional de tráfico de drogas): ao lado da caixa postal do apartamento de Tintin, quem mora ao lado dele? Hergé! É só reparar...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2004

Porque que tudo que falo é interpretado da pior maneira possível? Neurose megalomaníaca? Demasiada espontaneidade? Quem sabe. O fato é que estou pouco ligando se alguém me ofende, me oprime, me despreza, me bloqueia, me usa como válvula de escape para suas agruras. Intempéries alheias não me atingem. Foi-se o tempo em que perdia meu tempo absorvendo esses imbróglios. O que realmente me atinge é quando eu atinjo os outros. Detesto ter em mente que o que eu digo, naquele instante, não reflete tão neutramente em outrem quanto sai de mim.

Palavras têm uma versatilidade que me fascina. Pena que tal versatilidade se estenda às diferentes formas com que elas repercutem nos outros. Preciso me manifestar menos. De vez em quando minhas discorrências são inflamáveis...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2004

Locações (ou: mais um texto dispensável)

[estávamos assistindo DVDs que os irmãos alugaram no fim-de-tarde de hoje]
_ Vocês dois são de última! Tanto filme meia-boca pra alugar na Cuxipó e vocês alugam os piores exemplares de lá? Olha pra mim e me diz se "Cruzeiro das loucas", "Tudo pra ficar com ele", e "O império [do besteirol] contra-ataca" são filmes dignos de se levar pra casa? E todos com a tarja de 24h! Essa brincadeira sairá caro...
_ Não vem ver filme com a gente, mãe?
_ Acho que vou é ver as Sete mulheres mesmo...
_ É impressão minha ou essa minissérie acabou ano passado?


A memória televisiva dos brasileiros pode realmente ser minúscula...


_ Quanto a "O império [do besteirol] contra-ataca", retiro o que disse: o filme é menos acéfalo do que pensei! Tem referências bem legais dos anos 70 e 80 e críticas ácidas da indústria hollywoodiana. Kevin Smith por trás (e pela frente, pois o mesmo atua em seus próprios filmes) pode dar boas opções de locação de vez em quando... vou alugar "Dogma" na próxima!
_ Eu avisei... "Dilsinho" disse que não se agüentava ao ver o diretor negro complexado que adorava esparramar café!
_ Dessa vez comeste feito um porco, não?
_ Nem me fala... quatro tigelas de pipoca de microondas e uma garrafa de 2,5 l. Devorei!
[no momento em que posto, a irmã está sozinha assistindo a glicosada comédia romântica "Tudo pra icar com ele". Só ela mesmo pr'agüentar esses filmecos chinfrins. Agora a pouco ela me aborda:]
_ Ei Sersup, a legenda sumiu!
_ Eu, hein! [dedilho o controle tentando sanar o problema] É, vai ter que assistir dublado mesmo... [é, a qualidade de seu filme, às vezes, pode começar pela qualidade das legendas...]

quinta-feira, 8 de janeiro de 2004

Videogames no cinema

Ainda está para nascer o diretor que fará um filme baseado num video-game que seja realmente bom. Confiram as notas que alguns filmes receberam do Imdb:


Final Fantasy: 6,6
Resident Evil: 6,3
The wizard: 5,3*
Mortal Kombat: 5,0
Mario Bros.: 3,5
Mortal Kombat: Annihilation: 3,1
Street Fighter: 3,1**
Mortal Kombat: Domination:
sim, querem continuar insistindo no erro!
Resident Evil: Apocallypse: idem acima.


É, quando se tem mais de 10 anos de videogames, 2 consoles em casa, centenas de carts alugados, dezenas de emuladores testados, alguns exemplares clássicos da literatura do videogame e um site finado sobre um jogo, dá pra se ter uma noção do injustiçado peso do videogame nos cinemas.

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* Este filme não é baseado em um jogo em particular. Conta a história de um campeonato de videogames da qual alguns amigos decidem participar. Em suma, é considerado por muitos como o maior golpe de marketing já feito. Uma empresa de videogame que consegue um acordo com uma produtora para divulgar massivamente seu produto, o Super Mario Bros. 3 (mais a Power Glove, esse um ítem ofuscado pelo cart), que seria lançado apenas um ano depois, dentro de sua película? Golpe de mestre da Nintendo, que tornou o cart um dos mais vendidos de todos os tempos graças à sua inesperada e avassaladora propaganda. Eu nunca vi o filme, sei que não estou perdendo nada, mas o peso desse filme para a indústria de videogames se sente até hoje com o tamanho e o poder da Nintendo de hoje, uma das pouquíssimas softhouses que podem se gabar de terem seus próprios consoles. Para muitos críticos de videogame, é um soco no estômago para o mercado norte-americano o fato de uma softhouse japonesa ter se utilizado de uma estratégia incisiva dessas para esmagar sua concorrência da época. Mas, pouco mais de cinco anos depois, viria a derrocada da Sega e a ascensão da Sony para dar uma reviravolta nesse cenário...

** Curiosidade: neste filme, a cantora pop Kylie Minogue é Cammy. As pontas de certos filmes podem nos surpreender certas vezes. Já viram algum filme na qual o Anthony Kiedis, vocalista do Red hot chilli peppers, aparece? É coisa de segundos, mas tem.
Ah, e reiterando um ponto importante: o filme estava fadado ao fracasso! Pôr van Damme como ator principal? Seria o mesmo que pôr Steven Seagal no lugar de Neo em Matrix, ou no lugar de Richard Gere em Noiva em fuga, ou... deu pra entender, certo?
Mais uma coisinha: reparem que o quepe de Bison, por mais que o mesmo apanhe durante o filme, jamais cai da cabeça dele. Impressionante. O ator (Raul Julia) viria a falecer pouco depois do lançamento do filme.