Músicas que mudaram o mundo: músicas pararam guerras? Derrubaram ditadores? Mudaram hábitos? Salvaram alguém? Então calem-se, redatores medíocres! Música não é um assunto importante. É mera fruição, mero hobby, mero passatempo. Dar importância a ela é tirar a diversão e emoção que ela traz. E isso é desnecessário.
Jornalismo com credibilidade: gente, o jornalismo de hoje considera mais importante o nascimento da filha da Xuxa do que qualquer acordo internacional firmado em toda uma década. E isso porque peguei apenas os anos 90 como referencial. Fala sério. Desde quando a geração que passa mais tempo rindo de gafes jornalistas em sites de vídeo do que consumindo jornalismo de verdade tem condições de se manter informado com um mínimo de credibilidade? Estamos falando do jornalismo que conta com gente como Diogo Mainardi e Arnaldo Jabor em suas fileiras. E do jornalismo que não exige mais diploma pros profissionais das redações país afora escreverem suas asneiras.
Qualquer uma que conte o que vai acontecer em capítulo de novela: elemento surpresa é um conceito desconhecido entre os autores nacionais. O brasileiro não gosta de ser chocado, e é seguindo esse pensamento recalcado dum país católico demais que a linha editorial age. É por isso que a literatura nacional, antes do século XX (feitas ressalvas óbvias, tá?) é um porre. Em primeiro lugar, por causa do Romantismo tedioso praticado por autores sem tradição literária duma nova nação que ainda buscava identidade cultural. Em segundo, porque ela surgiu de folhetins, e não tinha a menor intenção de realizar experimentações narrativas. Intencionava apenas alienar a elite fútil da época, e isso faziam bem. Emocionar, só preparando o público. Nesse ritmo, os beijos gays jamais sairão dos últimos capítulos de novela...
Só que essa galerinha...: propaganda de filmes são hors concours. Parecem uma mala-direta; você só muda o nome dos personagens e pronto. Não é à toa que aquele vídeo em que um sujeito oleta dezenas de vinhetas da Sessão da tarde contendo a palavra confusão virou febre na internet uns três anos atrás. A parada ficou tão escancarada depois desse vídeo que a Grobo simplesmente baniu a supracitada palavra de suas vinhetas. Hoje em dia acontece de tudo nos filmes pipoca deles, menos confusão. Vou sentir falta dessa palavrinha; até hoje assisto as vinhetas atentando o ouvido pra ver se essa palavra sai. Não adianta, por nada sai.
...num filme indicado ao Oscar: pra que serve o Oscar hoje em dia? Além de sex toy pra Marisa Tomei ou peso de porta pro Peter Jackson, acho que nada. Fala sério, filme bom não precisa usar a merda duma indicação como status. Que lógica mercadológica mais infantil da parte das distribuidoras! Chega a ser uma atitude meio loser da parte delas. É como se elas dissessem pra nós, "olha, nosso filme quase ganhou um prêmio; infelizmente não conseguimos puxar o saco de gente o bastante pra levar o caneco, mas assistam nosso filme mesmo assim, valeu?". Alguém homenageia o Rubinho quando ele deixa o alemão passar ou termina o campeonato em vice porque a escuderia mandou? Então porque fazem isso com filmes? Tománocu...
Hoje, depois do programa tal...: por acaso eu sou obrigado a decorar toda a programação de um canal? Prepotência descarada, isso. A humanidade inventou as horas para isso, pra gente se programar. Quando esse conceito de tempo for substituído pelas novelas da Grobo como referencial para quando alguma coisa começar, me avisem. Até lá, quero mais que seja sodomizado o insolente que me vem com essa forma de divulgar as ditas atrações de um canal...
O clima está esquentando na casa: ah, os reality shows... redundância fazer uma vinheta dessas. Qualquer casa com mais de cinco mulheres confinadas é ambiente propício prum pandemônio. Cinco TPMs, cinco crises de abstinência (de todo tipo), cinco egos femininos sem seus respectivos machos pra aguentar suas reclamações inconsequentes, cinco canais de geração de fofocas... não me espanta que só os homens ganhem essa bagaça. Ficar dois meses coçando os bagos em rede nacional enquanto a emissora pensa em provas idiotas que justifiquem você dar uns pegas nas participantes mais carentes é moleza. Difícil é aguentar as calcinhas penduradas no banheiro...
Acompanhe flashes ao vivo do carnaval nas principais capitais do País: isso, meus caros, é encher linguiça. Se jornalismo de verdade fosse eu ficar me acabando na avenida entrevistando bêbados, ninfomaníacas e tarados país afora, essa decerto seria a profissão mais cobiçada do mundo. Mas não é. E continuam a insultar nossa inteligência durante o começo de cada ano...
Hoje tem programa tal, especial de natal: se alguma coisa acontece todo ano, ela deixa de ser especial exatamente pelo fato de sabermos que vai acontecer, não? A menos que produzam um especial de natal e o exibam em agosto, não há nada de especial nisso, portanto.
Vamos abrir aquele sorrisão, essa galerinha vai tirar todo mundo do sério e variantes: todo programa de humor da TV aberta tem esse complexo de superioridade disfarçado. Eles precisam avisar que estão tentando fazer humor. Como se fosse etiqueta rir de piada ruim. Para esses redatores, falta de etiqueta deve ser rir de piada criativa e sofisticada. Tendo esse fato cá exposto, me espanta como ainda deixam a Fernanda Young escrever pra Grobo. Onde fica a inspiração pra se escrever um programa que será cancelado pela ignorância do público que prefere piadas rasteiras e com trocadilhos infames? Talvez no mesmo lugar que faz o público rir das piadinhas de labareda dos cassetas...